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A RAZÃO DE SER DA FARMACOECONOMIA

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A RAZÃO DE SER DA FARMACOECONOMIA

Início do século XX:

• disponibilidade de aproximadamente duas

centenas de medicamentos;

• o acesso era restrito a poucas pessoas por

motivos geográficos e sócio-econômicos;

• havia uma quantidade relativamente pequena de

informações conhecidas sobre cada um deles;

(2)

A RAZÃO DE SER DA

FARMACOECONOMIA

Década de 40:

• explosiva descoberta de novas drogas e informações relevantes sobre o seu uso, aumentando rapidamente a complexidade do exercício da terapêutica medicamentosa;

• mudanças na estrutura das sociedades e a cultura de massas forçaram importantes alterações no papel de governos e de instituições privadas quanto ao provimento de artigos e serviços de saúde;

(3)

A RAZÃO DE SER DA FARMACOECONOMIA

Anos 60:

Suécia, Islândia, Finlândia e Noruega - racionalizaram a terapêutica farmacológica reduzindo a oferta de medicamentos para aqueles indispensáveis, eliminando assim os produtos farmacêuticos de eficácia duvidosa e custo elevado;

observou-se que os critérios para avaliação tinham que ser mais abrangentes do que a simples comparação de preço com eficácia, tendo que ter a visão completa dos resultados do emprego de cada medicamento nas condições reais da prática clínica

(4)

A RAZÃO DE SER DA FARMACOECONOMIA

1978

• surgiu a farmacoeconomia, em Minnesota,

quando

McGham,

Roland

e

Bootman

introduziram os conceitos custo-benefício e

de custo-efetividade em estudos;

1986

• o termo “farmacoeconomia” foi utilizado pela

primeira vez por Townsed

(5)

Aplicação da racionalidade econômica à avaliação

dos medicamentos:

:

Austrália (1993) - efetua análise econômica em sentido obrigatório, face à necessidade de apresentar estudos econômicos que demonstrem que a incorporação do medicamento gera não somente uma alternativa terapêutica favorável, as já disponíveis, mas também uma relação econômica favorável ao sistema de provisão de cobertura de medicamentos;

Canadá - passa a ser aplicada em alguns estados;

Estados Unidos - provedores privados de seguros incorporam às listas de medicamentos ( sob a proteção de reembolso e de devolução) os que tenham estudos que fundamentem uma relação de custo-efetividade igual ou melhor do que a outra disponível;

Indústria - utiliza para fixar preços mais altos e também para incorporar medicamentos tanto às listas nacionais como privadas.

(6)

FARMACOECONOMIA

“Descrição e análise dos custos da

terapia medicamentosa para os

sistemas de saúde e para a

sociedade”.

(7)

FARMACOECONOMIA

Consiste na aplicação da ciência

econômica aos fenômenos e problemas

relacionados ao tema da política

farmacêutica de um país”

(8)

FARMACOECONOMIA

“É um conjunto de atividades dedicadas,

especificamente, às análises econômicas no

campo

dos

medicamentos,

caracterizado

pela

aplicação

dos

conhecimentos

econômicos na gestão da logística dos

medicamentos

, na obtenção de critérios de

eficiência

no âmbito da investigação de

resultados na política de medicamentos e na

regulação pública da indústria

farmacêutica”

(9)

FARMACOECONOMIA

• “é a ciência que identifica, quantifica,

analisa e compara custos e resultados

entre tratamentos medicamentosos,

buscando identificar melhores alternativas

com o menor dispêndio de recursos”

(10)

FARMACOECONOMIA

Finalidades:

• Mensurar os impactos econômicos e a

resultante qualidade de vida das intervenções terapêuticas;

• Dimensionar, monitorar e controlar os

resultados clínicos e econômicos do cuidado médico;

• Reduzir o crescente custo do cuidado médico assegurando o emprego da melhor terapêutica disponível.

(11)

APLICAÇÕES DA FARMACOECONOMIA

Decisões da P&D da indústria farmacêutica;

Decisões de fixação de preços (administração

pública e indústria farmacêutica para estabelecer o preço adequado;

Decisões de formulários para determinar a lista ou intervenções de referência;

Elaboração de recomendações sobre decisão clínica - considerando não apenas a eficácia e a efetividade das alternativas terapêuticas como também o cociente custo/efeito (eficiência ou rentabilidade social das decisões;

(12)

FATORES QUE REDUZEM

POTENCIALMENTE OS CUSTOS TOTAIS

( INDIRETOS E SOCIAIS )

GREY RR (1995)

Seleção de medicamentos apropriados para

inclusão em formulários terapêuticos;

Prevenção de complicações resultantes de

terapias medicamentosas agressivas;

Diminuição do mau uso de produtos

farmacêuticos

(13)

QUESTÃO DO USO DE

MEDICAMENTOS:

• Estados Unidos

: a prevenção da morbidade e mortalidade ligadas a medicamentos é um problema sanitário de extrema relevância. US$ 76,6 bilhões anuais, associados com aproximadamente 200 mil mortes e 9 milhões de internações hospitalares relacionadas a medicamentos ,Johnson & Bootman ( 1995);

• Canadá:

Intervenção do farmacêutico comunitário na orientação à utilização de medicamentos avaliaram em Can.$268,2 a Can.$388,5 milhões as economias em custos diretos para o sistema de saúde canadense, Loh E.A. & Waruszynski M.A (1996);

(14)

QUESTÃO DO USO DE MEDICAMENTOS:

• Brasil

- 50% das reinternações hospitalares no estado do Rio de Janeiro podiam ser atribuídas as à impossibilidade de acompanhamento

ambulatorial adequado pela não utilização de medicamentos prescritos após alta hospitalar, Comissão de Saúde da Assembléia do RJ

(1990);

• Brasil

- 80% dos pacientes não têm condições de seguir adequadamente as prescrições, sendo evidente o custo social representado por essa situação, Bermudez.J. A ( 1998).

(15)

ASPECTOS CONDICIONANTES DESTA

MARGINALIZAÇÃO:

Pode ser creditada a fatores externos à

prática da medicina e da farmácia:

• Falhas de planejamento;

• má administração de recursos;

• falhas ou ausência de políticas de saúde; • pura e simples pobreza da população;

• distanciamento dos profissionais de saúde em

relação às medidas capazes de corrigir ou pelo menos minimizar tais problemas.

(16)

INTERÊSSE EMERGENTE PELA

FARMACOECONOMIA

• 1º - A utilização irracional de medicamentos

pode ser constatada e gera reflexos nas

despesas e na própria terapêutica;

• 2º - É uma das poucas áreas de custos onde

há espaço de manobra para obter melhores

resultados ( a maioria é constituído por

despesas fixas

).

(17)

USO IRRACIONAL DE MEDICAMENTOS

O emprego ilógico e errôneo de produtos farmacêuticos é responsável por falhas terapêuticas, efeitos indesejáveis e despesas de tratamento;

O medicamento, com frequência, é oferecido sem necessidade técnica, apenas com o objetivo de satisfazer a hipocondria de alguns pacientes;

Muitos profissionais que prescrevem produtos mais modernos e caros o fazem para induzir no paciente e em seu meio uma imagem de atualidade e qualidade profissional.

(18)

CAUSAS DESSE QUADRO:

deficiências de formação aliadas a uma

pobre atualização de conhecimentos por

parte dos profissionais de saúde;

vasto

universo

de

conhecimentos

requeridos para a prática da medicina e da

farmácia uma vez que cresce o número de

fármacos e dados científicos relevantes para

sua utilização;

(19)

CAUSAS DESSE QUADRO:

Informações necessárias:

-informações sobre os produtos e suas apresentações; -indicações e contra-indicações;

-precauções e intervenções para ajustes de dosagens; -vias de administração e formas de aplicação;

-posologia;

-efeitos colaterais e reações adversas;

-interações com outros medicamentos e alimentos; -interferências em exames;

-farmacocinética e farmacodinâmica; -similaridade e equivalência terapêutica; -nomes genéricos e comerciais;

-modo de preparar e conservar cada produto.

(20)

OS RESULTADOS DA AVALIAÇÃO SÃO

RELEVANTES PARA:

LEGISLADORES

Alguns países exigem para registro sanitário de novos princípios terapêuticos a demonstração de que o

medicamento agrega valor,ou seja ator de uma intervenção terapêutica.

SEGURADORES, FORNECEDORES E INSTITUIÇÕES

Quando precisam de resultados para assegurar que o

aumento da cobertura é feita com permanente redução de custos, sendo fornecidos tratamentos apropriados.

PRODUTORES

Os estudos prestam-se a determinar o “valor agregado” de um princípio sendo úteis para a formulação de uma política de preços.

(21)

REALIZAÇÃO DOS ESTUDOS DE

AVALIAÇÃO

Dispor de informação de alta qualidade sobre

a rentabilidade social de um medicamento.

REQUISITOS:

• Possuir metodologia bem definida e

estabelecida em protocolos;

• Controle de um agencia central que garanta

que o desenho, realização e difusão dos

resultados se efetuem de maneira adequada;

• Publicação em revistas científicas; • Sistema de auditoria.

(22)

PERÍODO DE REALIZAÇÃO DOS ESTUDOS

Autorização de comercialização de

medicamentos

-a legisl-ação d-a m-aiori-a dos p-aíses requer que os fármacos cumpram os critérios de segurança, eficácia e qualidade, porém não em seu custo;

Os estudos podem ser realizados em

qualquer momento da vida de um produto

(23)

Métodos em Farmacoeconomia

Análise de redução (minimização) de custos

Análise de custo-benefício

Análise de custo-efetividade

Análise de custo-utilidade

(24)

PROBLEMA CONCEITUAL

• Algumas opções com as quais comparamos ao

fármaco em estudo não serão fármacos e sim um tratamento cirúrgico ou um programa de

profilaxia.

É adequado, nesse caso, continuar

falando de avaliação econômica de

medicamentos?

(25)

ANÁLISE DE MINIMIZAÇÃO DE

CUSTOS

“Quando duas ou mais alternativas de

tratamento têm o mesmo resultado

pretendido ( são equivalentes), é

possível concentrar-se nos custos e

escolher a alternativa de custos

menores”

(26)

MINIMIZAÇÃO DE CUSTOS

Principal requisito:

• é a demonstração prévia da equivalência entre

as respectivas eficácias clínicas de cada opção considerada;

• pode ser útil para comparação de custos de

formas farmacêuticas diferentes de um mesmo medicamento ou de medicamentos

equivalentes, quando determinou-se resultados terapêuticos iguais.

(27)

MINIMIZAÇÃO DE CUSTOS

Exemplo: comparação entre

Imipenema versus Meropenema

Preços por frasco-ampola em Julho/2000 (“Brasíndice”) :

Tienam® (Merck, Sharp & Dohme) = R$ 67,21

(28)

MINIMIZAÇÃO DE CUSTOS

Preços por tratamento/dia em infecções

leves

Imipenem - dose 2 g/dia (4 f-amp)

= R$ 268,84

Meropenem - dose 1,5 g/dia (3 f-amp)= R$ 238,38

Preços por tratamento/dia em infecções

moderadas - graves

Imipenem - dose 2 g/dia (4 f-amp)

= R$ 268,84

Meropenem - dose 3 g/dia (6 f-amp)= R$ 476,76

(29)

CUSTO-BENEFÍCIO

QUANDO UTILIZAR?

• Casos nos quais é necessário escolher

entre tecnologias com efeitos muito

diferentes entre si

(30)

CUSTO-BENEFÍCIO

• Os benefícios podem ser:

Os Benefícios Diretos:

– Mortes e doenças evitadas

– Diminuição da morbi-mortalidade.

Os Benefícios Indiretos:

– Melhoria da qualidade de vida e da

(31)

Análises de custo-efetividade

Quando se comparam os efeitos positivos ou

negativos de duas ou mais opções de um

mesmo tratamento, programa ou intervenção

sanitária.

Os custos são medidos em unidades

monetárias e os benefícios em unidades

naturais de efetividade, que dependem do que

se está avaliando

Ex: alterações em parâmetros clínicos, %

(32)

Análises de custo-efetividade

QUANDO UTILIZAR?

• Quando os tratamentos farmacológicos

comparados têm um nível de efetividade

distinto, porém compartilham os mesmos

objetivos terapêuticos podendo ser

mensurados na mesma unidade de

efetividade

(33)

Análises de custo-efetividade

• LIMITAÇÃO:

Somente permitir a comparação de

tratamentos ou programas sanitários

cujo resultado possa expressar-se nas

mesmas unidades

(34)

Análises de custo-efetividade

Ex :

custo diário de tratamento comparação

entre dois anti-hipertensivos, X e Y

droga X : R$ 1.50 / dia 0,15 / mmHg reduzido

efetividade: redução de 10 mmHg com sobrevida de 5 anos

droga Y : R$ 1.85 / dia 0,09 / mmHg reduzido

efetividade: redução de 20 mmHg com sobrevida de 4 anos

(35)

Análises de custo-efetividade

• CUSTOS QUE PODEM SER IDENTIFICADOS:

Aquisição;

Preparação e administração;

Vigilância do fármaco;

Tratamento de reações adversas;

Fracasso de tratamento;

(36)

Análises de custo-utilidade

Quando se comparam opções de

tratamento através de uma medida que

integra quantidade e qualidade de vida

(AVAQ - Anos de Vida Ajustados pela

Qualidade), associada aos custos de

cada opção escolhida

Busca obter uma melhor qualidade de vida

por unidade monetária aplicada em um

tratamento

(37)

Análises de custo-utilidade

Ferramenta de análise que obtém e

quantifica a satisfação do paciente com

relação ao tratamento empregado em termos

de qualidade de vida, relacionando-a com

o custo gerado para obter tal resultado.

Vem sendo empregado na maioria dos

trabalhos uma unidade de integração entre

quantidade ( duração ) e qualidade de vida,

AVAQ

(38)

Análises de custo-utilidade

LIMITAÇÕES:

• Método ainda em desenvolvimento por não haver

uma forma universal de quantificação de valores subjetivos como dor, capacidade de trabalho e satisfação.

• Utiliza elementos de julgamento obtidos

diretamente dos usuários, retirando dos

profissionais de saúde a exclusiva competência para decidir um tratamento

(39)

Análises de custo-utilidade

Exemplo:

Comparação entre o uso ou não de

quimioterapia no tratamento pós-cirúrgico de

câncer de cólon

- grupo A : sem quimioterapia

- grupo B : com quimioterapia

Referências

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