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noites nomades

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 N

 N OO IITT EE S S NN ÔÔ MM AA DD EE SS mos conscientes das dificuldades e das

mos conscientes das dificuldades e das vicissitudes inerentes a tal tarefa.vicissitudes inerentes a tal tarefa. Em

Em segsegundundo o luglugar, acrediar, acreditamtamos os que que esteste e estestudo udo tamtambm bm !os!ossasa contr

contribuir !ara o ibuir !ara o am!lo debate em am!lo debate em torno dos im!asses recentes da cl"nicatorno dos im!asses recentes da cl"nica  !sicanal"tica contem!or#nea no

 !sicanal"tica contem!or#nea no que di$ resque di$ res!eito %s formas !eito %s formas de abordagem %de abordagem % a!reens&o do su'eito. Ou se'a, !rocuramos demonstrar, no #mbito das a!reens&o do su'eito. Ou se'a, !rocuramos demonstrar, no #mbito das culturas 'ovens urbanas, as agudas transforma()es que v*m se o!erando culturas 'ovens urbanas, as agudas transforma()es que v*m se o!erando nas modalidades de comunica(&o, distanciadas da valori$a(&o da dimens&o nas modalidades de comunica(&o, distanciadas da valori$a(&o da dimens&o discursiva da linguagem. Neste sentido, a!resentamos ao leitor um vasto discursiva da linguagem. Neste sentido, a!resentamos ao leitor um vasto con'unto de e+em!los de abordagens da sub'etividade, cu'o ei+o central de con'unto de e+em!los de abordagens da sub'etividade, cu'o ei+o central de e+!ress&o ancora se na !erformance cor!oral, na *nfase sobre o ttil, o e+!ress&o ancora se na !erformance cor!oral, na *nfase sobre o ttil, o situac

situacional e, ional e, !rinci!rinci!almen!almente, sobre te, sobre a a interainteratividatividade. de. O O con'uncon'unto to dessadessass transforma()es a!resenta, sem d-vida, im!actos significativos sobre como transforma()es a!resenta, sem d-vida, im!actos significativos sobre como tratar e curar su'eitos que cada ve$ mais se encontram afastados dos tratar e curar su'eitos que cada ve$ mais se encontram afastados dos recursos tradicionais com que a cl"nica !sit anal"tu a ale o'e contou/ recursos tradicionais com que a cl"nica !sit anal"tu a ale o'e contou/ ref

refle+le+iviividaddade, e, intinterieriorioridaddade, e, autautocooconlinlirt rt iineiinento nto I I ste ste estestudoudo, , !ort!ortantanto,o,  !rocura contribuir

 !rocura contribuir !ara o !ara o desafio desafio e 0 e 0 1 1 im!asseim!asse 223ue assolam os modos de3ue assolam os modos de

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sub'eb'etitivava(&(&o o cocontntemem!oi!oi%iu %iu 4141s s NesNessa sa !e!ersrs!ec!ectitivava, , a a didimemens&ns&o o dada e+teriori$a(&o 2l.i e+istem u vem delineando novas configura()es da vida e+teriori$a(&o 2l.i e+istem u vem delineando novas configura()es da vida sub'etiva qu0 a!ontam !ara a necessidade de se re!ensar a !r)!ria est mi sub'etiva qu0 a!ontam !ara a necessidade de se re!ensar a !r)!ria est mi ma

ma d0 d0 1 1 . . i i 5656uauali li lalamementnte e a a esesta ta nenececessssididadade, e, reredesdesenenam se am se tctcm3m3 101ialulad0 07 es!ecialidades que colocam em +eque o tra(ado 849:;4 101ialulad0 07 es!ecialidades que colocam em +eque o tra(ado 849:;4 Ildiai1 4las dimens)es internas e e+ternas nos

Ildiai1 4las dimens)es internas e e+ternas nos su'eitossu'eitos

Acima de tudo, acreditamos que >> llmiai • I< Acima de tudo, acreditamos que >> llmiai • I<

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..

Capítulo I Capítulo I

<EO<=A>IA DA

<EO<=A>IA DA

 NIGHT  NIGHT 

Os nômades não têm uma história, só têm uma geografia. Os nômades não têm uma história, só têm uma geografia.

<I??ES DE?E@E E >B?IC <@ATTA=I,

<I??ES DE?E@E E >B?IC <@ATTA=I, Mil platôs: Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia capitalismo e esquizofrenia

B vasto e m-lti!lo o es!ectro de autores e linas de !ensamento que se B vasto e m-lti!lo o es!ectro de autores e linas de !ensamento que se en

entrtrececruru$a$am m em em seseus us didiagagnnststicicosos, , enenfafatiti$a$andndo o quque e oo espaçoespaço  teria  teria

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substitu"do tu"do oo  tempo  tempo comcomo o !ri!rinc"nc"!io !io de de intinteligeligibiibilidalidade de das das forforma(ma()es)es

culturais contem!or#neas

culturais contem!or#neas55. . A A conconstastata(ta(&o &o desdesconconcercertantante te de de 8qu8que e nosnossasa

vida cotidiana, nossas e+!eri*ncias !s"quicas, nossas linguagens culturais vida cotidiana, nossas e+!eri*ncias !s"quicas, nossas linguagens culturais s&o o'e dominadas !elas categorias de es!a(o e n&o !elas de tem!o, como s&o o'e dominadas !elas categorias de es!a(o e n&o !elas de tem!o, como o eram no !er"odo anterior do alto modernismo8

o eram no !er"odo anterior do alto modernismo8, longe de esgotar as, longe de esgotar as

discuss)es,  a!enas o !onto de !artida !ara a configura(&o de um saber  discuss)es,  a!enas o !onto de !artida !ara a configura(&o de um saber  interdisci!linar, em sintonia com as transforma()es em!"ricas.

interdisci!linar, em sintonia com as transforma()es em!"ricas. O

O dedebabate te a a reres!s!eiteito o da da eses!a!acicialialidadade de totornrnououFsFse e esestrtratatggicico o !a!ara ra aa com!reens&o de quest)es centrais das Gi*ncias Sociais contem!or#neas. com!reens&o de quest)es centrais das Gi*ncias Sociais contem!or#neas. Em torno dessa temtica !rodu$iuFse um con'unto de refle+)es na interface Em torno dessa temtica !rodu$iuFse um con'unto de refle+)es na interface entre a Sociologia, a Antro!ologia, os Estudos Gulturais e, mesmo, a entre a Sociologia, a Antro!ologia, os Estudos Gulturais e, mesmo, a Hsi

Hsicancanlilise se e e a a >il>ilosoosofiafia. . SurSurgiugiu, , assassim, im, na na -lt-ltima ima dcdcadaada, , uma uma novnovaa 8geografia cultural8, estruturada em torno de tr*s !ar#metros tericos/ as 8geografia cultural8, estruturada em torno de tr*s !ar#metros tericos/ as no

no()e()es s de de eses!a!a(o (o e e lulugagar r n&n&o o envenvololvevem m ssriries es de de rerelala()()es es fofora ra dada sociedade, mas est&o im!licadas na !r!ria !rodu(&o das rela()es sociais e sociedade, mas est&o im!licadas na !r!ria !rodu(&o das rela()es sociais e s&o, em si mesmas, socialmente !rodu$idas as rela()es esF!aciais e os s&o, em si mesmas, socialmente !rodu$idas as rela()es esF!aciais e os lugares a elas associados s&o m-lti!las e contestveis

lugares a elas associados s&o m-lti!las e contestveisJJ a  a *nfase no es!a(o*nfase no es!a(o

tra$, em si mesma, um novo modo de abordar o tem!o tra$, em si mesma, um novo modo de abordar o tem!oKK..

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ESPACIALIDADES CONTEMPORÂNEAS

Em um artigo !ioneiro intitulado 8Os es!a(os outros8, Micel >oucault atribui ao deslocamento das rela()es entre tem!o e es!a(o a causa da inquietude contem!or#nea. Se 8a !oca atual , antes de mais nada, a !oca do es!a(o8L, o novo regime es!acial constituiuFse em torno de uma

srie de transforma()es a !artir das quais a !rodu(&o social do es!a(o substituiu a locali$a(&o f"sica. >oucault, !orm, n&o est interessado a!enas em a!ontar !ara a centralidade do es!a(o, mas !ara sua fle+ibiliF $a(&o, !ois a contem!oraneidade estaria e+!erimentando uma 8dessacrali$a(&o !rtica do es!a(o8, assim como ocorreu com o tem!o

durante a modernidade.

A !artir desse interesse, >oucault dedicaFse a !ensar os lugares 8que t*m a curiosa !ro!riedade de estar em rela(&o com todos os outros, mas sob um modo tal que eles sus!endem, neutrali$am ou invertem o con'unto das rela()es que se encontram, !ara eles, !reviamente designadas8. Esses

es!a(os seriam 8diferentes8 dos es!a(os culturais ordinrios nos quais vivemos, e >oucault !ro!)e camFlos de 8eterot!icos8 !ara diferenciF los dos es!a(os 8ut!icos8. Embora ambos se refiram a uma contesta(&o a um s tem!o m"tica e real da ordem es!acial concreta em que vivemos, as eteroto!ias s&o lugares efetivamente reali$ados, enquanto as uto!ias n&o t*m e+ist*ncia concreta. As eteroto!ias seriam, assim, 8lugares outros em rela(&o aos es!a(os culturais ordinrios8.

Hara viabili$ar uma 8eteroto!ologia8, ou se'a, uma descri(&o sistemtica dos es!a(os eterot!icos,  !reciso levar em conta alguns as!ectos/ n&o  sociedade sem eteroto!ias o funF i loilamento destas  !ode variar istoricamente as eteroto!ias i26mi a ca!acidade de 'usta!or 

vrios es!a(os, em si mesmos nu om!at"veis as eteroto!ias est&o associadas freqPentemente 55 u!turas com o tem!o tradicional 28eterocronias8Q as eteroto!ias su!)em um sistema de abertura e fecamento es!acial que as isola e as torna !enetrveis simultaneamente.

O que constitui o carter singular desses es!a(os, sua 8alteF i idade8,  a rela(&o de diferen(a que estabelecem com outros es!a(os, de modo a  !rodu$ir uma desestabili$a(&o das rela()es es!aciais em torno de !rticas sociais e discursivas. Desde que >oucault o introdu$iu, o conceito de 8eteroto!ia8 tem sido utili$ado, !or diferentes autores, es!ecialmente no #mbito das culturas 'ovens, sem!re referidos a forma()es identitrias e atos de resist*ncia vinculados a lugares 8alternativos8. Revin eterF nigton  um dos autores que melor inter!retam a dimens&o relacional dos es!a(os eterot!icos. Segundo ele, nenum es!a(o !ode ser descrito de modo fi+o

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como eterot!ico, !ois estes t*m significados m-lti!los e variveis !ara os agentes sociais, de!endendo de sua situa(&o es!ec"fica. Alm do mais, n&o di$em res!eito, a !riori, % resist*ncia ou % ordem, mas !odem estar  relacionados a um ou a outro, ' que envolvem o estabelecimento de modos alternativos de organi$a(&o.

Goncordamos com a formula(&o desse autor, segundo a qual 8 essa combina(&o eterog*nea entre materialidade, !rticas sociais e eventos situados e o que eles re!resentam em o!osi(&o a outros es!a(os, que nos  !ermite camFlos de eterot!icos8. E tambm que as eteroto!ias

envolvem novos modos es!aciais de intera(&o social e discurso, em uma  !alavra, sociabilidade. Todavia, discordamos que os es!a(os eterot!icos  !ossam ser definidos meramente !or uma diferen(a de re!resenta(&o em torno de formas alternativas de organi$a(&o es!acial. As eteroto!ias definemFse fundamentalmente !or !rticas es!aF ciali$antes, a um s tem!o concretas e simblicas, que n&o se encontram, necessariamente, locali$adas e n&o est&o sem!re condicionadas !or variveis ideolgicas ou movimentos de resist*ncia.

Do !onto de vista conceituai, a conecida diferencia(&o entre 8es!a(o8 e 8lugar8 !ro!osta !or Micel De Gerteau, bem como sua defini(&o do es!a(o como 8lugar !raticado8, revelaFse estratgica !ara nossa argumenta(&o. Segundo esse autor, o lugar  a ordem segundo a qual os diferentes elementos 2tanto volumes quanto su!erf"ciesQ que com!)em materialmente a realidade organi$amFse uns em rela(&o aos outros, segundo ei+os !recisos 2ordenadas e coordenadasQ. A !ossibilidade, !ara duas coisas, de ocu!arem o mesmo lugar est, !ortanto, e+clu"da. Assim definido, o lugar abarca 8uma configura(&o instant#nea de !osi()es8 e 8im!lica uma indica(&o de estabilidade8, ' que os elementos considerados 8se acam uns ao lado dos outros, cada um situado num lugar 6!r!rio6 e distinto85U.

Diferentemente do lugar, o es!a(o n&o !ossui a unicidade e a estabilidade a!ontadas anteriormente. Ao contrrio, 8e+iste es!a(o sem!re que se tomam em conta vetores de dire(&o, quantidades de velocidade e a varivel tem!o8. Nesse sentido, o es!a(o  constitu"do !elo cru$amento de mveis, se'am eles cor!os ou fragmentos, e 8animado !elo con'unto dos movimentos que a" se desdobram8. O es!a(o, !ortanto, 8 o efeito  !rodu$ido !elas o!era()es que o orientam, o circunstanciam, o tem!oraliF $am e o levam a funcionar em torno da unidade !olivalente de !rogramas conflituosos855.

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Seguindo as sugest)es de >oucault e De Gerteau, nosso argumento est voltado !ara os movimentos contem!or#neos de reescritura do 8es!a(o8, considerado como resultante de !rticas istricas e contingentes, !ara alm das coordenadas estticas que definem a ordem dos lugares. TrataFse, !ortanto, de !ensar o tem!o e o es!a(o con'untamente, e a ambos como !rodutos de interFrela()es, !ois 8uma ve$ su!erada a i!tese de que es!a(o e tem!o s&o categorias mutuamente e+clusivas, uma ve$ admitido que o es!a(o  com!osto !or uma multi!licidade de istrias, !ercebeFse que nada !oderia ser a um s tem!o mais ordenado e mais catico que o es!a(o, com todas as  suas

 'usta!osi()es inusitadas e efeitos emergentes involuntrios85.

O tra(o !ol"ticoFcultural mais caracter"stico da contem!oraneidade  !arece ser, 'ustamente, as m-lti!las transforma()es !elas quais vem  !assando a metr!ole como modelo de organi$a(&o social e es!acial. Segundo o antro!logo italiano Massimo Ganevacci, 8estamos transitando de uma formaFcidade como cora(&o da modernidade, com !recisos contornos es!aciais, !ers!ectivas geomtricas e divis)es em classes  !recisas, cidade !ara ser constru"da no !ro'eto e atravs do !ro'eto, a uma

formaFmetr!ole que dissolve tudo isso/ uma metr!ole comunicativa85J.

A identidade da nova formaFmetr!ole n&o seria determinada !or seus limites materiais !recisos, mas !or flu+os comunicacionais que instauram um du!lo !rocesso de fragmenta(&o e recombina(&o, em todos os n"veis. Desse modo, a metr!ole contem!or#nea  !olic*ntrica, !ois 8difundeFse e  !roliferaFse em m-lti!las dire()es8, e !olifVnica, !ois nela 8novos ti!os de culturas fortemente !lurali$ados e fragmentados es!alamFse e transitam85K.

Isso introdu$ um elemento criativo nas e+!eri*ncias sub'etivas e sociais que desestabili$a as identidades estveis, em suas dimens)es filosficas, antro!olgicas e 'ur"dicas, !rodu$indo identidades m-lti!las e nomadismos !s"quicos centrados fundamentalmente na esteti$a(&o do cor!o. Desse modo, 8uma !luralidade de culturas 2e subculturas, com estilos de vida e identidade aFtem!oWraisX, vidas esteti$adas, modas descartveisQ fragmenta a metr!ole e a dilata sem mais fronteiras definidas/ as fronteiras s&o mveis como as identidades, fronteiras !lurais e  !olifVnicas85L.

A muta(&o da formaFmetr!ole a!ontada !or Ganevacci, na verdade,   !arte de um con'unto mais am!lo de transforma()es que tem camado a aten(&o de diferentes autores. O arquiteto e filsofo franc*s Haul Yirilio,

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 !or e+em!lo, considera que os meios de comunica(&o de massa, tal como redefinidos !elas tecnologias virtuais, e+ercem um forte im!acto sobre a arquitetura das cidades e as formas de e+!eri*ncia urbana. Sua anlise da sociedade tecnolgica atual a!onta !ara o surgimento de uma nova configura(&o de es!a(o e tem!o que !rodu$ fenVmenos socioculturais com!le+os, !rovocando a altera(&o das nossas refer*ncias !erce!tivas, cognitivas e !ol"ticas.

A cave da leitura que Yirilio !ro!)e a res!eito da contem!oraneidade reside na idia de que os meios de comunica(&o de massa organi$am o 8mundo8 em fun(&o da !rodu(&o e difus&o de informa()es e imagens, cu'o  !rinc"!io  o binVmio dist#nciaF velocidade mais !recisamente, a dissolu(&o das dist#ncias em fun(&o dos !rocessos de acelera(&o. A originalidade dessa abordagem reside na considera(&o do tem!o como vetor !rivilegiado da nova configura(&o es!acial, res!onsvel !ela desestabili$a(&o das a!ar*ncias sens"veis e dos modos de e+!eri*ncia.

Segundo ele, uma das conseqP*ncias culturais das tecnologias virtuais  a dissolu(&o da vis&o de mundo dominada !ela geometria euclidiana das su!erf"cies regradas, baseada na armonia e na !ro!or(&o das formas. Essa vis&o cede a um novo ti!o de !erce!(&o, na qual a !resen(a f"sica !erde  !rogressivamente seu valor anal"tico !ara a a!reens&o da realidade, 8em  benef"cio de outras fontes de avalia(&o eletrVnica do es!a(o e do tem!o que nada t*m em comum com as do !assado85. A !artir dessa nova rela(&o

de for(as entre a dist#ncia e a velocidade, a era virtual marca a !assagem do es!a(o 8substancial8 2cont"nuo e omog*neoQ !ara o es!a(o 8acidental8 2descont"nuo e eterog*neoQ, no qual a intercambialidade !assa a  !re!onderar sobre a locali$a(&o.

Assim como todos os outros as!ectos da realidade ob'etiva, o es!a(o urbano tambm  com!osto e decom!osto !or sistemas de tr#nsito e transmiss&o de informa()es e imagens, o que tlissolve os !rinci!ais ei+os de refer*ncia que !autavam a e+!eF i l*ncia da cidade, tanto em termos simblicos e istricos 2com

' decl"nio da centralidade e da a+ialidadeQ, quanto em termos geomtricos 2com a desvalori$a(&o da antiga re!arti(&o das dimens)es f"sicasQ. Isso significa que a teleto!ologia dissolve a lorma urbana/ 8unidade de lugar  sem unidade de tem!o, a cidaF 2le desa!arece ent&o na eterogeneidade do regime tem!oral das 2470 nologias avan(adas85. Na cidade 8su!ere+!osta8

contem!oF

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& .iea, liberaFse um elemento constitutivo das e+!eri*ncias sociais, a 8tra'etividade8, que formas anteriores de organi$a(&o urbana teriam minimi$ado, devido % o!(&o !elo sedentarismo. Seriam esses modos de circula(&o, es!ec"ficos do mundo contem!or#neo, !ass"veis de um olar  antro!olgicoZ

li inegvel que a contem!oraneidade constituiuFse !or um con'unto de transforma()es que !rodu$iram uma forma de e+!eri*ncia cultural qualitativamente distinta daquela que caracF ici i$ou os diferentes desdobramentos da modernidade. De acordo com o antro!logo franc*s Mare Aug, a camada 8i!ermoF ilernidade8 seria caracteri$ada !ela acelera(&o, em todas as escalas da e+!eri*ncia social e sub'etiva, o que gerou tr*s caracter"sF IR .is baseadas no e+cesso. A su!erabund#ncia es!acial seria uma dessas caracter"sticas, mas n&o a -nica, !ois a contem!oraneidade seria marcada tambm !ela su!erabund#ncia factual e  !ela Mi!erabund#ncia identitria.

Do !onto de vista da 8i!ermodernidade8, a su!erabund#nF 2 i.i factual est relacionada n&o a!enas % crise do sistema de i c!resenta(&o baseado na idia de !rogresso, mas tambm % aceF leia(&o e multi!lica(&o dos acontecimentos !rovocadas !ela i evolu(&o tecnolgica nos meios de trans!orte e comunica(&o. I 1o mesmo modo, a su!erabund#ncia es!acial caracteri$aFse !ela crise dos sistemas de refer*ncias baseados na idia de totalidade, crise esta !rodu$ida !ela diminui(&o das dist#ncias e !ela ?u il idade de comunica(&o que dissolvem fronteiras materiais e culturais. A su!erabund#ncia identitria, estreitamente vinculada aos !rocessos a!ontados anteriormente, caracteri$aFse !ela individuali$a(&o e+acerbada das refer*ncias, o que tornou m-lti!los e flutuantes os mecanismos de identifica(&o tanto individuais quanto coletivos.

Se o desafio da modernidade !arece ter sido !ensar o tem!o, na i!ermodernidade 8temos que rea!render a !ensar o es!a(o85, !ois a

mudan(a na es!acialidade  o !rinc"!io ativo das figuras do e+cesso a!ontadas anteriormente. Goncretamente, o regime es!acial caracter"stico da contem!oraneidade im!lica mudan(as de escala que se tradu$em, concretamente, em modifica()es f"sicas notveis, como as concentra()es urbanas, as migra()es em massa e, es!ecialmente, a multi!lica(&o de lugares de tr#nsito ou !assagem que Aug camar de 8n&oFlugares8.

Em termos descritivos, os 8n&oFlugares8 s&o constitu"dos !elas vias areas, ferrovirias, rodovirias e !orturias, os domic"lios mveis considerados 8meios de trans!orte8 2avi)es, trens, Vnibus, naviosQ, as

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grandes cadeias de otis, os !arques de la$er, os grandes centros comerciais e, enfim, 8as redes de cabo ou sem fio que mobili$am o es!a(o e+traterrestre !ara a comunica(&o85. Em termos anal"ticos, a categoria de

8n&oFlugar8 defineF se em o!osi(&o % no(&o antro!olgica de 8lugar8, que se refere a culturas locali$adas no tem!o e no es!a(o, em torno das quais se constroem re!resenta()es identitrias, coerentes e estveis. Desse modo, 8se um lugar !ode se definir como identitrio, relacional e istrico, um es!a(o que n&o !ode se definir nem como identitrio, nem como relacional, nem como istrico, definir um n&oFlugar8U.

Aug esclarece que a categoria engloba duas realidades comF  !lementares, !orm distintas. Hor um lado, os es!a(os constitu"dos em rela(&o a certos fins 2trans!orte, tr#nsito, comrcio, la$erQ e, !or outro, a rela(&o que os indiv"duos mant*m com esses es!a(os. 8Se as duas rela()es se corres!ondem de maneira bastante am!la e, em todo caso, oficialmente 2os indiv"duos viaF

I un. com!ram, re!ousamQ, n&o se confundem, no entanto, !ois m n.ioF lugares medeiam todo um con'unto de rela()es consigo IF5 om os outros que s di$em res!eito indiretamente a seus fins/ i mi como os lugares antro!olgicos criam um social org#nico, iin  n.ioFlugares criam tens&o solitria.85  Os n&oFlugares estruF iim.miFse em torno da !assagem, do

 !rovisrio e do ef*mero e 9 .i ibcleccm uma rela(&o meramente contratual entre seus !asF t.inics anVnimos, cu'a circula(&o  regulada !or mquinas autoF lli.@ii as e cart)es de crdito. Neles, n&o  !oss"vel estabelecer  la!)es, nem criar identidades singulares, mas sim individualidades solitrias.

l6ara Aug, 8o n&oFlugar  o contrrio da uto!ia/ ele e+iste e .m abriga nenuma sociedade org#nica8. Ganevacci critica essa conce!(&o

sociologicamente negativa do n&oFlugar e afirma 03iic Aug n&o teria  !ercebido que 8a nova metr!ole  sem si : ledade/ !or isso  sem

lugares8J. Alm do mais, a !o!ulari$ado das tecnologias virtuais

introdu$iu a mobilidade em todos os !lanos da e+!eri*ncia. Gomo lembra Yirilio, 8o valor estratF G.u o do n&oFlugar da velocidade definitivamente su!lantou o do lugar8K. TrataFse, ent&o, de !ensar os !adr)es de

sociabilidade e r. arquiteturas sub'etivas geradas em torno do deslocamento R rlcrado. Nesse conte+to, o desafio anal"tico seria buscar recurF M is adequados !ara investigar as conseqP*ncias dessa muta(&o, alm de enfrentar 8o desafio terico de inovar conceitos adequados %s novas formas de comunica(&o visual8L.

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@ma tentativa bemFsucedida de enfrentar esse desafio foi leita !elo antro!logo indiano Ar'un A!!adurai. Segundo ele, n&o  !oss"vel analisar  as configura()es sociais e sub'etivas conF icm!or#neas sem uma 8am!la sociologia do deslocamento8, !ois tanto a m"dia eletrVnica quanto os

diversos movimentos migratrios teriam introdu$ido uma nova ordem de instabilidade nas forma()es sociais e sub'etivas. A !ro!osta deste autor   !ensar as formas culturais no mundo contem!or#neo como Inndamentalmente 8fractais8, ou se'a, dotadas de 8fronteiras, estruturas e regularidades n&oFeuclidianas8. A *nfase  dada na 8din#mica cultural

daquilo que agora  camado de desterritoF riali$a(&o8, termo que se a!lica a ob'etos ou !rocessos que cada ve$ mais o!eram de modo a transcender  limites territoriais e identidades es!ec"ficas.

O autor !ro!)e, ent&o, que a fluide$ desses !rocessos de deslocali$a(&o se'a tradu$ida, no !lano transnacional, !ela a!lica(&o do sufi+o 8 scape8. A utili$a(&o desse sufi+o !ermite descrever a forma fluida e

irregular das novas !aisagens sociais e sub'etivas !rodu$idas a !artir de flu+os tecnolgicos, miditicos, financeiros, ideolgicos e tnicos. Seu uso tambm indica que os !rocessos qualificados como fluidos n&o di$em res!eito a rela()es ob'etivamente dadas, mas a !rodu()es discursivas e com!ortamentais istrica e socialmente situadas.

Desse modo, o carter definidor da contem!oraneidade 8n&o  a qualidade ob'etiva dos lugares, nem a quantidade mensurvel do movimento F nem algo que estaria unicamente no es!"rito F, mas o modo de es!aciali$a(&o, a maneira de estar no es!a(o, de ser no es!a(o8. Esse

novo regime de es!aciali$a(&o das e+!eri*ncias sociais e sub'etivas que se estrutura em torno do deslocamento e n&o da fi+a(&o, levouFnos a investigar a 8tra'etiF vidade8 como com!onente fundamental das culturas  'ovens urbanas.

NOMADISMOS METROPOLITANOS

Sbado, J. @m !osto de gasolina na ?agoa =odrigo de >reitas 2ona Sul do =ioQ  !alco de intensa movimenta(&o. O vaivm de carros e o entraFeFsai da lo'a de conveni*ncia !oderiam !assar !or cenas banais na rotina noturna da cidade. Afinal, um !osto de gasolina , em !rinc"!io, um lugar de !assagem. Hara um observador atento %s novas cartografias da noite carioca, !orm, o cenrio  es!ecialmente revelador/ o !osto  um dosl>oints !referidos !elos 'ovens de classe mdia, em sua deambulaF 2,5o

noturna !elas festas e boates da cidade. B l que os freqPenF i .ulores

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ass"duos desses ambientes marcam encontros e se !re!aF i .uri, com o consumo de lances r!idos e bebidas, antes de !arF iii !ara a night.

 Nos finais de semana, a camada !rFnigt no !osto come(a !or volta das 5, quando um grande n-mero de 'ovens se conF t entra no local em  busca de contatos e informa()es sobre as melores o!()es noturnas da cidade. Ocu!ados !or animados G.i n!os, muitos carros, geralmente novos e de marcas e modelos v.ilori$ados no mercado, s&o estacionados no !tio, alterando a 0 onfigura(&o es!acial do local. Hortas e malas s&o mantidas aberF I.is, !ara facilitar o acesso aos bancos e !ro!agar o som, alis, basF i.inte alto. TemFse a im!ress&o de que o !osto tornouFse um ambiente

lounge a cu aberto, no qual a !erman*ncia  breve, mas intensa. Esse

ambiente  com!osto, de modo fluido, !or diferentes gru!os que se sucedem at cerca de  da man&, quando os [ltimos remanescentes se encontram !ara a !sFnigt, antes do momento, sem!re adiado, de voltar   !ara casa. \uem !ermanece no local observando o ritmo frentico em que

as aglomera()es se lormam e se dis!ersam, como revoadas, entende !or  que ]os Macado Hais afirmou que 8os 'ovens !assaram a viver nos cus, migrando como !ssaros8JU.

A trama ri$omtica que liga os 8guerreiros da nigt8 F como 7.ao conecidos esses 'ovens F e+tra!ola o conte+to material do !osto. Atravs do uso com!ulsivo de telefones celulares, indiv"duos e gru!os es!alados em diversos !ontos da cidade !ermanecem conectados, formando uma verdadeira rede de comuniF 2 a()es simult#neas. No interior dos carros em movimento, nas !equenas rodas que se formam no !osto, nas !ortas e, como veremos adiante, at mesmo no interior das boates, o celular  instrumento fundamental 8!ara o uso dos nVmades que t*m que estar  6constantemente em contato68J5. 8Gelular n&o  !ra conversar,   pra se

achar. E !ra usar na ora,  instant#neo.8 @m dos 'ovens entrevistados no

 !osto de gasolina a!onta o !a!el estratgico do celular no conte+to da !rF nigt/

A parada do !osto  mais um aquecimento da !rFnigt mesmo. !ego

se ligando, marcando um tem!o antes de cegar. "elular  direto. !ego

tambm fica sufocando nego que tem celular de conta e tal. !ego sem

celular de conta Wimita um menino !edindo o celular do amigo em!restadoX/ 6n&o, pera#, rapidinho,  uma liga(&o$ina6, n&o sei qu*.

D uma ligada fica a  night   inteira Wfa$endo gra(a dessa situa(&o

i!otticaX. O !osto  mais !ra voc* ir com a galera. A" vai l,  nego

 bebe, n&o sei qu*. A" quem bebe, bebe, quem fuma, fuma, fa$ essas  porra a". A"  nego vai e se liga/ 6A", t$ ondeZ6  %&antos aqui no ?eblon,

tamos !artindo !ra l tal ora.6 6TranqPilo.6 Harte e se encontra l.

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?ances r!idos, como amb-rgueres, cacorrosFquentes e batatas fritas s&o consumidos com avide$, bem como bebidas alcolicas, como a cerve'a e as bebidas ice'(

. A o!(&o !redileta, !orm,  o  gumm),  drinque

 !re!arado instantaneamente com vodca, ! de suco de frutas e, eventualmente, gelo ou gua gelada, ' consagrado como a bebida 8t"!ica8 dos freqPentadores da night. A !arada estratgica na lo'a de conveni*ncia

 !ermite, tambm, que os 'ovens se abaste(am de um elemento essencial  !ara a noite que !romete ser marcada !or muitos bei'os na boca/ as balas alls, de !refer*ncia no sabor cere'a. O fumo est !resente, mas n&o domina o ambiente, e o uso de drogas  es!ordico, dir"amos mesmo que quase ine+istente. ?embramos que esses mesmos 'ovens lotam, durante o dia, as academias de ginstica. Embora os cuidados com o cor!o n&o os transformem, !ro!riamente, em uma 8gera(&o sa-de8, seus efeitos se fa$em sentir na modera(&o relativa F se com!arada com outros segmentos da 'uventude F com que consomem fumo, drogas e mesmo bebidas alcolicas.

Os gru!os ' cegam formados, ocu!ando um ou vrios carros, ou se formam no local, !ois o !osto  um dos !ontos de i i uiitro favoritos da

 galera. Todos os gru!os, !orm, !arecem milinictidos a uma lgica

id*ntica de e+!ans&o que incor!ora luivtr. elementos, refa$endo de modo incessante sua configuraF . 27 0 mu ial. A mobilidade  tanta que alguns carros n&o cegam 7 05555F5 .5 estacionar no local. ?imitamFse a diminuir  a velocidade I6 ii i que seus ocu!antes !ossam fruir, em movimento, essa agiF i ii, u i, acenando !ara os conecidos ou, sim!lesmente, verificanF ilii quem est l. Nas !rinci!ais ruas da ona Sul e da ^arra da li3iu a, verdadeiros comboios de carros se formam. Das 'anelas, ir. ocu!antes interagem uns com os outros, entre brincadeiras e 8 i_ara(&o8 e at mesmo distribuem bebidas, mesmo com os carF 55 is em movimento.

 No !osto, !orm, !redominam !equenos gru!os de cinco i Mi seis com!onentes, geralmente organi$ados em torno de difeF icu(as de g*nero. A!esar de alguns gru!os mistos, meninos e meninas tendem a se agru!ar e a se situar no es!a(o de modo diferenciado. ]  !oss"vel verificar que a intera(&o dos se+os !arece se fa$er atravs da media(&o do gru!o, como veremos adiante. A conversa no interior de cada um dos gru!os segue .mimada, e gira em torno da !ergunta que atraiu todos at ali/ 8\ual  a boa da  night Z8 Hor toda !arte, a intera(&o  marcada !or discursos

entrecortados, gestuali$a(&o intensa e risos frenticos que se estruturam em torno de uma varivel comum/ a brincadeira com os amigos ou, em uma

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 !alavra, a 8$oa(&o8. A circula(&o !ermanente e a troca incessante de olares colocam os !equenos gru!os em rela(&o e anteci!am o clima de 8a$ara(&o8 que caracteri$a o universo das boates.

Interrom!emos a animada conversa de Diego, estudante de 5 anos, morador do ?eblon, com um gru!o de amigos, !ara saber desde quando ele freqPenta o !osto de gasolina e o que torna esse es!a(o t&o atraente/

Antes da gente ter 5 WanosX, a galera toda marcava na !ra(a da

Selva de Hedra Wcondom"nio situado ao lado da Gobal doGa!"tulo I I I

S@^]ETIYIDADES EM DES?IE/ DA ?`<IGA

DA IDENTIDADE AOS >?@COS DE

IDENTI>IGAO

 !unca as histórias indi*iduais foram tão e+plicitamente referidas pela história coleti*a, mas nunca, tamm, os  pontos de identificação coleti*a foram tão flutuantes.

MA=G A@<B, !ão-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade

Os !rocessos de reconfigura(&o es!acial criados !elo movimento e+tensivo que se o!era em torno das boates da ona Sul carioca t*m, como contra!artida, significativas altera()es nas manifesta()es sub'etivas. Novas modalidades de !rocessamento e arquitetura dos regimes de afeto e sociabilidade des!ontam entre os 'ovens, !rovocando remane'amentos cruciais nas economias internas desses agentes. Os novos regimes de e+!eri*ncia es!acial aqui estudados, alm de 8im!lodirem8 as territoriaF lidades cannicas, em sua mtrica dimensional e omog*nea, geram flu+os sub'etivos diferenciados.

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Hassaremos a avan(ar nesta discuss&o sobre as transforma()es, os redesenos e as novas configura()es da sub'etividade verificadas no conte+to da contem!oraneidade. Nossa inten(&o consiste em desdobrar  conceitos e categorias que nos !ermitir&o melor iluminar o sentido de uma grande muta(&o em marca nos novos diagramas e cartografias mentais. Hara tanto, !ro!oF moFnos a e+aminar um con'unto de abordagens tericas que v"in se debru(ando sobre as com!le+as altera()es sofridas nas formas !elas quais com!reendemos e atribu"mos sentido % dimens&o da sub'etividade. O tratamento dessas abordagens tomar como ei+o de liga(&o e de costura anal"tica o movimento de desli$e o!erado da lgica da identidade !ara a lgica da identifica(&o nas modalidades de com!reens&o das novas configura()es sub'etivas. Isto significa di$er que este movimento de desli$amento ser, aqui, com!reendido como um mecanismo lgico de ancoragem, ou, ainda, como um denominador  comum %s diversas inter!reta()es sobre o su'eito contem!or#neo que estaF r&o em 'ogo neste debate.

O conceito ou a categoria de identidade  indissocivel dos !rocessos de constitui(&o da figura moderna de su'eito. =estrinF gimoFnos aqui a!enas a listar, como caracter"sticas centrais dessa abordagem, a idia de su'eito centrado, coeso, uno e indivis"vel, cu'a lgica de organi$a(&o e funcionamento  bali$ada !ela n"tida demarca(&o entre os !lanos interno e e+terno da e+ist*ncia. Este seria o su'eito ca!a$ de e+!ressar a metaf"sica do dentro_fora, com!reendida no interior da lgica de uma esttica da e+!ress&o, como nos di$ ]ameson5. S&o igualmente caras a este modelo de

su'eito as no()es de autocr"tica, !rivacidade, interioridade, refle+&o, intros!ec(&o, resguardo da intimidade etc.

Se !rocuramos estender o raio dessas considera()es ao #mbito da  !sicanlise clssica, !or e+em!lo,  igualmente revelador o fato de que ela n&o !ode !rescindir desta mesma arquitetura de su'eito 2que foi !ensada a  !artir de um conte+to istrico e de uma vis&o de mundo oriundos do individualismo e da tradi(&o da ermen*uticaQ !ara funcionar como !rtica cl"nica. =eferimoFnos ao indiv"duo da !sicanlise tal como concebido !or  >reud, cu'os mecanismos centrais de funcionamento est&o a!oiados nas modalidades de autoconecimento vertical, refle+ivo, 8invernal8, e !ara o qual a idia de 8mundo interno8 !ossui inegvel legitimidade e im!ort#ncia. A !rtica cl"nica a!licvel a este modelo de su'eito conta com  !ouca margem de recurso e manobra tcnica !ara alm do !er"metro

metodolgico da escuta_inter!reta(&o sobre o qual ela se alicer(a.

 N&o cabe, aqui, tratar dos infinitos desdobramentos deste debate, que tra$ em seu cerne o questionamento de um modelo de su'eito que !arece

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encontrar, na contem!oraneidade, evidentes sinais de esgotamento enquanto instrumento conceituai cave !ara a a!reens&o de novas e recentes manifesta()es da sub'etividade. N&o estaria este 8indiv"duo8  !erdendo es!a(o significativo na 8tribuna de quest)es8 que atualmente a!ontam !ara novas gramticas sub'etivas que v*m colocando em quest&o o !r!rio sentido do autoconecimentoZ E a no(&o de mundo internoZ Teria este, o'e, a mesma !rofundidade, im!ort#ncia e legitimidade !ara su'eitos cu'a escala de urg*ncia e !rioridades revela uma dimens&o de  !ragmatismo e necessidade de 8com!et*ncia8 e efici*ncia cada dia mais distantes do #mbito do cultivo esttico_refle+ivo de siZ Neste sentido, a quase que oni!resen(a atual da categoria da 8com!et*ncia8 no novo cenrio cultural da !sFmodernidade 2sobretudo, entre os contingentes  'ovens da !o!ula(&oQ, !arece !rivilegiar e atribuir maci(a *nfase %s idias de a(&o, viv*ncia, ato e fato em suas m-lti!las modalidades de articula(&o com a !r!ria categoria do mercado. Este -ltimo !arece inscreverFse na e+ata 8contram&o8 do !adr&o cr"tico em que costumava ser re!resentado no conte+to do alto modernismo. Gom esta formula(&o, n&o !retendemos

afirmar que novas gramticas sub'etivas este'am necessariamente se tornando mais !rodutivas no sentido de uma lgica inesca!avelmente racionalista e instrumental. Gabe a!enas assinalar o fato de que, no inter'ogo das novas rela()es tem!o_es!a(o com o !lano da sub'etividade,   !oss"vel atribuir certa disfuncionalidade ao reino das atitudes umanas que se destacam !ela valori$a(&o e+cessiva da esfera do mundo interno dos indiv"duos, e do indiscut"vel valor da dimens&o do autoconecimento 2e+istencial, vertical e refle+ivoQ.

Este su'eito da modernidade, cu'a crucial e+ig*ncia de rediF mensionamento e revis&o acabamos de !roblemati$ar, assentaF se sobre um  !ar#metro de funcionamento e organi$a(&o regido, fundamentalmente, !ela lgica da identidade. Ye'amos, ent&o, como se tradu$em diversos diagnsticos contem!or#neos que se !ro!)em a !ensar as novas forma()es sub'etivas atravessadas !or este desli$amento do !lano da identidade !ara o da identifica(&o.

IDENTIFICAÇÃO E PLURALISMOS DO EU

Hodemos creditar aos estudos de Micel MaffesoliJ  um tratamento

 !ioneiro atribu"do % im!eriosa significa(&o deste desli$amento identidade_identifica(&o !ara a com!reens&o das novas forma()es sub'etivas que emergem na contem!oraneidade. 8>are'ando8 o novo es!"rito do tem!o e suas sensibilidades alternativas, atravs de um leque de

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significa()es atribu"das % lgica da identifica(&o, este autor sublina a afirma(&o de uma 8nova sensibilidade coletiva centrada no cotidiano8, em que o !rocesso de constru(&o do eu se inscreve a !artir de uma 8lgica comunicacional8K. A articula(&o din#mica e criativa o!erada entre estes

dois n"veis de manifesta(&o da identifica(&o nos !ermite desdobrar a contribui(&o de Maffesoli na dire(&o de alguns acados centrais !ara os nossos !ro!sitos de trabalo. Ao referirFse a uma abordagem comunicacional da sub'etividade, este autor nos remete a um vasto cam!o de !ossibilidades interativas e de agrega(&o entre !essoas, que !odem ser  sinteti$adas na 8idia obseF dante de estar 'unto8L. A lgica da identifica(&o

a!iaFse na idia de um self  m-lti!lo que se e+!ressa atravs de in-meras

motiva()es gregrias/ motiva()es estticas, imagticas e sensoriais. A identifica(&o  vivida fundamentalmente como um !rocesso, no qual o fato comunicacional  causa e efeito de um 8!luralismo !essoal8. <estos e

movimentos cor!orais, o uso emblemtico de adornos e adere(os cor!orais, tatuagens, ti!os de rou!as, forF mas de olar, inter'ei()es verbais, acenos, emiss)es coletivas de sons, afasias, modos de dan(ar F s&o formas de e+!ress&o de uma esttica comunicacional, que  cor!oral e situada. Gomo nos enfati$a o !r!rio autor, 8!oderFseFia di$er, em termos

quase que de f"sica natural e social, que o cor!o engendra comunica(&o,  !orque est !resente, ocu!a es!a(o,  visto, favorece o tctil. E, !ortanto, o ori$onte da comunica(&o que serve de !ano de fundo % e+acerba(&o da a!ar*ncia8. >ormas de comunica(&o situacionais e cor!orais constituemFse

em e+em!lifica()es de novas te+tualidades subsumidas !elo !rocesso de identifica(&o.

 No ei+o desta discuss&o, ocorreFnos refor(ar, ainda na esteira da contribui(&o deste autor, as distin()es entre l"nguas 8egoc*ntricas8 e 8lococ*ntricas8, que seriam dominantes em distintas culturas. Sua i!tese encaminaFse na dire(&o de a!ro+imar nossa cultura dos tra(os e caracter"sticas da dominante lococ*nF trica. 8As !rimeiras !rivilegiam o indiv"duo e suas a()es orquestradas. E as segundas acentuam o meio ambiente, quer se'a ele natural ou social. Hodemos, igualmente, considerar  que, numa mesma cultura, s&o encontradas seqP*ncias diferenciais. Elas, %s ve$es, acentuam o as!ecto coletivo, desindividuali$ante. Em todo caso, essa  mina i!tese no que di$ res!eito % nossa cultura. Nesse sentido, a valori$a(&o do es!a(o, !elo vis da imagem, do cor!o, do territrio, seria, sim!lesmente, a causa e o efeito da su!era(&o do indiv"duo num con'unto mais am!lo8.

 No universo de 'ovens !esquisados, o cor!o  mquina de comunicar, n&o somente como recurso gestual, ttil, material, mas igualmente como  !rtica narrativa situacional. Ou se'a, ao cor!o  conferida a dimens&o

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interativa central de um situacionismo generali$ado, em que a a!ar*ncia assume uma loquacidade !articular, definindo e recortando fronteiras de sentido, cdigos de a!ro+ima(&o e distanciamento entre os su'eitos.

O novo es!"rito do tem!o, condu$ido !elo !rimado da identifica(&o,  !arece a!ontar !ara novas rela()es de for(a nas configura()es sub'etivas. Estas -ltimas encontramFse cada ve$ mais afastadas de valores -nicos, singulares, mondicos, naturali$ados e essenciais situados nos !lanos moral, religioso e intelectual. Gomo nos lembra mais uma ve$ este autor, 8a esttica, enquanto lgica comunicacional, assegura a con'un(&o de eleF mentos at ent&o se!arados85U.

O am!lo, multifacetado e com!le+o cenrio de comunica()es e de formas de intera(&o e contato que atravessam as e+!eri*ncias de nossos informantes !ermite fa$er refer*ncia % instala(&o de uma semitica gestual no circuito das culturas 'ovens contem!or#neas. B neste sentido que vale a  !ena fa$er, aqui, uma r!ida men(&o % necessidade de se !ensar sobre essas

novas semiticas afastadas de uma refer*ncia nostlgica e melanclica. Ou se'a, sob o dia!as&o da idia da !erda, do va$io ou da falta, de um su'eito que estaria se 8esvaindo8 com a modernidade e suas formas cannicas de re!resenta(&o e !erce!(&o da sub'etividade. Hensamos, ao contrrio, sobre a necessidade de desatrelamento de uma bagagem nostlgica !ara se !ensar  o re!ertrio t&o !oliF fVnico de novos agenciamentos e !rticas discursivas e comunicacionais que atravessam o universo mental de nossos inforF mantes. Neste universo, 8cada !essoa gira em torno de um 6ns6, ativando, desta forma, um !rinc"!io relacional. Esta comunica(&o ttil !ode a!resentarFse va$ia de sentido, o que n&o deve im!ortar !ara o observador  social, !ois a constata(&o dessa comunica(&o deve ser !re!onderante e n&o o 'ulgamento de valor baseado na fun(&o da consci*ncia da ra$&o instrumental855.

EXPRESSIVIDADE E PERFORMANCE

A dimens&o e+!ressiva da e+!eri*ncia, !ercebida como uma varivel crucial !ara o ree+ame das !ol"ticas de identidade vigentes na sociedade contem!or#nea,  introdu$ida !or Revin eterington em seu  +pressions of /dentit): 0pace, 1erformance, 1olitics. Ao construir uma refle+&o sobre

novos estilos de vida alternativos, novos movimentos sociais e subculturas  'ovens, este autor !retende mostrar como uma das !rinci!ais quest)es relacionadas % identidade no interior desses gru!os vinculaFse a uma  !ol"tica de identifica(&o ou reconecimento que  to!oloF gicamente

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com!le+a em sua com!osi(&o. A *nfase atribu"da a esta dimens&o to!olgica das novas !ol"ticas de identidade di$ res!eito ao desafio  !ro!osto !or eterington em rela(&o a trabalos recentes reali$ados no cam!o da sociologia da moderniF dade_!sFmodernidade e identidade, dos  !rocessos de destradiF cionali$a(&o, neotribalismo e novos movimentos sociais. Alm desses trabalos, este autor refereFse tambm ao fato das literaturas atuais sobre consumo e movimentos sociais encontraremF se !or  demais cativas de um instrumental terico, estreito e asfi+iante, vinculado %s idias de mobili$a(&o, organi$a(&o e re!ertrios de a(&o. Sua !ro!osta, enfim, revela uma contra!artida e esses trabalos e o ob'etivo de deslocar  algumas de suas reivindica()es denotativas sobre identidade e !ol"ticas de identidades.

Em !oucas !alavras,  !oss"vel di$er que o desafio da refle+&o de eterington reside na tentativa de e+!lodir termos denotativos tais como/ 8Novos movimentos sociais, com sua eran(a egeliana, e, a !artir da", olar !ara a multi!licidade de 6fragmentos6, 6restos6, 6sobras6 que  !ermanecem dessa e+!los&o8. Tal 8e+!los&o denotativa8  o!erada a !artir 

da *nfase atribu"da !or este autor % idia de com!le+idade to!olgica/ 8O es!a(o dessas !osi()es de identidades e+!ressivas 2que !ossuem muitas ve$es um carter !erformticoQ e o que elas significam n&o  euclidiano, liso e omog*neo, mas enrugado, quebradi(o e incerto85.

A forma(&o da identidade como um !rocesso de identifica(&o  um movimento es!acialmente situado, em que o 'ogo de intera()es, as estruturas !rodutoras de situa()es e suas com!le+idades to!olgicas criam o es!a(o e suas novas configura()es sub'etivas. <rande !arte das !ol"ticas de reconecimento refereF se a gru!os de !essoas !rocurando lidar com essa com!le+idade c com as situa()es de ansiedade que ela !ode criar 5J. A

inova(&o !ro!osta !or esta abordagem busca, ent&o, !erseguir e comF  !reender como formas de identifica(&o coletiva s&o estabelecidas atravs de combinatrias entre identidade e identifica(&o. O ei+o do argumento deste autor, !ortanto,  o de que a -nica coisa que caracteri$a os diversos con'untos de 8movimentos8, agru!amentos e estilos de vida 8 o seu carter e+!ressivo ou afetivo. O relacionamento entre identidade e identifica(&o  conotado !rinci!almente !or seu carter afetivo85K.

A refle+&o de eterington nos sugere uma nova !ossibilidade de tratamento e abordagem das manifesta()es sub'etivas icferentes %s culturas  'ovens das grandes metr!oles urbanas. I ssa nova abordagem vinculaFse ao refor(o da dimens&o e+!ressiva das identidades verificveis no #mbito dessas culturas que !rocura ir alm dos enfoques que acentuam, nessas culturas, .5 !enas seu carter de estilos de vida alternativos, de ativistas

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sociais e suas !ol"ticas de identidade. @ma refle+&o mais detida e .5  !rofundada sobre essas novas formas de cultura !oder nos a!ro+imar da

idia de su'eitos como autores de seus 8!r!rios inteiros de vida, o que requer que a dimens&o da sub'etividade se'a tomada como uma dimens&o anterior e inde!endente da identidade85L.

E !oss"vel situar o !ensamento de eterington em contra!artida a correntes tericas com!rometidas com uma vis&o de m'eito cultivador de uma 8voca(&o8, que  com!reendida como um 8camado8, ou se'a, como um modelo !ara o desenvolvimento de uma identidade forte, maci(a e

inner-directed 5. TrataFse 3ii", !ortanto, de uma com!reens&o de su'eitos

morais, a!tos a i,ir de forma equilibrada, baseados em um !ensamento racional, su'eitos autodirecionados, ca!a$es de 'ulgamentos morais inde!endentes de !ress)es e+ternas. Neste sentido, !ara esses tutores, o indiv"duo, mais do que o coletivo,  o !rinci!al foco ili aten(&o quando se discutem quest)es de identidade. A conF ii a !artida e o desafio terico de eterington a essa vis&o encontram subs"dios e fontes de refor(o em uma tradi(&o mais antro!olgica na lina dureimiana que, atravs de disc"!ulos como ^ataille, Yictor Turner, =en <irard e, mais recentemen te, Micel Maffesoli, v*m trabalando sistematicamente sobre o carter  emocional dos gru!os, de forma a atribuir um grande !eso ao registro e ao significado do afeto.  lu$ dessas abordagens, a dimens&o do afeto n&o  encarada sob a forma de um contraste sim!lificador em face do !lano da irracionalidade, da detra(&o da ra$&o e das ca!acita()es de 'ulgamento  burgu*s, % cave, enfim, do su'eito individual. Nesse cam!o de refle+&o, lidaFse, !redominantemente, com o reconecimento da im!ort#ncia do e+!ressivismo e das in-meras formas de multi!licidade de identifica()es que ele gera. Tambm se incluem, no #mbito deste registro, as articula()es  !oss"veis de serem feitas entre autenticidade e e+!eri*ncia. Esta rela(&o  !ode ser e+!ressa atravs do simbolismo da comunidade e da idia de  !ertencimento a algum ti!o de totalidade.

PAISAGENS SUBJETIVAS E CRIAÇES EXISTENCIAIS

Os avan(os tecnolgicos contem!or#neos, quando observados, sobretudo no #mbito da m"dia eletrVnica, v*m dando origem a !rocessos de acelera(&o, !ulveri$a(&o e mistura de e+!eri*ncias que atingem os su'eitos de modo com!le+o e, muitas ve$es, desestabili$ador. Este  o tra(ado de um !anorama ca!a$ de nos enviar % formula(&o de mais um diagnstico das im!lica()es do desli$amento identidadeFidentifica(&o na constitui(&o das sub'etividades contem!or#neas. Tais avan(os tecnolgicos !odem ser 

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entendidos como es!cies de alavancas !ara remaneF 'amentos e altera()es das forma()es sub'etivas contem!or#neas subsumidas !elo cenrio mais am!lo da globali$a(&o econVmica. De acordo com a !sicanalista Suel =olni, 8!aisagens sub'etiF  .is8 se com!le+ificam, em circunst#ncias de transforma(&o e ilciisifica(&o das identidades5. Esta com!le+ifica(&o

re!ousa, !arado+almente, sobre uma tens&o/ ao mesmo tem!o que refeF i Eneias identitrias locais e fi+as !ersistem, identidades globais I le+"veis e mveis come(am a !rodu$ir efeitos desestabili$adores c inquietantes. 8As sub'etividades contem!or#neas, inde!endente de sua morada, tendem a ser   !ovoadas !or afetos dessa !rofus&o cambiante de universos uma constante

mesti(agem de for(as delineia cartografias mutveis e coloca em +eque seus abituais contornos85. A autora desenvolve este argumento discutindo

at que !onto as configura()es sub'etivas da atualidade desestabili$am a conce!(&o moderna do eu, sem rom!er efetivamente com a refer*ncia identitria5.

O diagrama inter!retativo !ro!osto !or =olni !ara as novas  !aisagens sub'etivas contem!or#neas a!iaFse na idiaF cave de 8!rocessos de singulari$a(&o8U ou cria(&o e+istencial. Esses !rocessos s&o

constitutivos e simultaneamente !rodutores dos novos cenrios de diversidade das e+!eri*ncias sub'etivas. Ou se'a, a diversidade dessas e+!eri*ncias a!onta !ara um significativo !rocesso de transi(&o em curso/ configura()es identitrias egemVnicas, arbitrrias e istricas F fruto de  !rocessos de ob'etifica(&o baseados na estrutura(&o da e+!eri*ncia  !s"quica em torno da se!ara(&o entre interior e e+terior F dei+am de se a!resentar como refer*ncias ou como elementos marcadores centrais nestas contingentes e movedi(as !aisagens sub'etivas. A *nfase de!ositada na idia de 8cria(&o e+istencial8 abre es!a(o !ara a investiga(&o de configura()es de sub'etividades que se caracteri$am e+atamente !or sua nature$a !arcial e contingente. Mais uma ve$, destacaFse aqui a im!ort#ncia da dimens&o de !rocessualidade, mutabilidade e im!recis&o de contornos, im!licada na com!osi(&o destas novas cartografias sub'etivas.  Nada mais indissocivel das !aisagens sub'etivas contem!or#neas do que

as for(as da !rocessualidade. A 8vibratibilidade8 de nosso olo5

condi(&o essencial !ara que se'a !oss"vel !erceber 8outros flu+os W...X outros diagramas de rela()es de for(as8 nas configura()es sub'etivas

contem!or#neas.

@ma conce!(&o 8transversalista8 da sub'etividadeJ F assim >li+

<uattari nos !ro!)e abordar su'eitos contem!or#neos que n&o mais !odem ser com!reendidos a !artir de seu carter egemVnico e unidirecional. GonseqPentemente, a inten(&o deste autor  !rocurar com!reender o mundo interior, atentando, !rimordialmente, !ara os seus regimes de

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 !rodu(&o, a !artir de inst#ncias individuais, coletivas e institucionais. Gama a aten(&o, aqui, !ortanto, o distanciamento da !ro!osta de <uattari de outras que tomam como foco de investiga(&o uma !ers!ectiva mondica e coesa da interioridade, indissocivel de sua *nfase na individua(&o. A abordagem transversalista, ao contrrio, reside na nature$a !oliss*mica, transindividual, !olifVnica e eterogeF ntica da sub'etividade. Isto significa di$er que ela n&o conece inst#ncias dominantes de determina(&o que guiem as outras inst#ncias segundo uma causalidade un"voca e se fa$ individual ou coletiva em conte+tos sociais e semiolgicos es!ec"ficosK.

<uattari insiste na necessidade da articula(&o enga'ada entre os n"veis singulares da !essoa e os n"veis mais coletivos. ?evar em conta o enga'amento das dimens)es individuais e coletivas das sub'etividades, assim como a *nfase sobre suas condi()es de !rodu(&o, nos envia a uma  !erce!(&o do ser umano contem!or#neo como fundamentalmente desterritoriali$ado. Gom isto o autor quer di$er 8que seus territrios etolgicos originrios F cor!o, cl&, aldeia, culto, cor!ora(&o F n&o est&o mais dis!ostos em um !onto !reciso da terra, mas se incrustam, no essencial, em universos incor!orais. A sub'etividade entrou no reino de um nomadismo generali$ado8L. >inalmente, a abordagem transversalista da

sub'etividade tambm  ca!a$ de invocar um tratamento alternativo ao convencional tra(ado euclidiano da !erce!(&o da identidade baseada na estrutura(&o da e+!eri*ncia !s"quica em torno da se!ara(&o entre interior e e+terior.

B !oss"vel estabelecer !ontos de conflu*ncia entre =olni e 2inattari no que di$ res!eito ao e+ame das mudan(as de !ers!ectiva !or que !assam as forma()es sub'etivas contem!or#neas. Ambos refor(am a im!ort#ncia dos  !rocessos de singulari$a(&o c de cria(&o e+istencial dessas forma()es, atribuindo, !ortanto, inegvel !eso % diversidade, ao carter contingente e  !arcial das inst#ncias coletivas e individuais que est&o subsumidas nessas novas modalidades de sub'etiva(&o. Esta conflu*ncia de vis)es tambm se tradu$ no desafio travado na dire(&o dos !rocessos egemVnicos de constitui(&o sub'etiva. A eficcia da contra!artida a esses !rocessos encontra sua for(a motri$ nas altera()es !ermanentes que atravessam as sub'etividades, ou se'a, nos !rocessos contem!or#neos de ressingulari$a(&o. Hara <uattari, assim como certamente !ara =olni, 8esses !rocessos configurariam um novo !aradigma esttico, !ois criamFse novas modalidades de sub'etiva(&o do mesmo modo que um artista !lstico cria novas formas a !artir da !aleta de que dis!)e8.

(21)

FLUXOS DE IMAGINAÇÃO E NOMADISMOS PS!"UICOS

O !rocesso contem!or#neo de intera(&o din#mica das massivas correntes migratrias com a m"dia eletrVnica converteFse em mais uma fonte de inteligibilidade e inter!reta(&o dos novos conte+tos de instabilidade na !rodu(&o das sub'etividades contem!or#neas. Ar'un A!!adurai e+amina a influ*ncia desses novos meios em uma dimens&o

transnacional, !ro!ondoFse a investigar sua im!lica(&o !ara a com!reens&o da nature$a da ru!tura inaugurada !ela modernidade. A!esar do tratamento abrangente e da abordagem transnacional de sua anlise, ela nos !ermite estabelecer claras linas de cone+&o com o !lano das sub'etividades. Melor di$endo, trataFse de uma modalidade de refle+&o que nos faculta o registro da m-tua corres!ond*ncia entre o !lano macro e micro da anlise, de fatores estruturais que constituem, ao mesmo tem!o em que s&o constitu"dos !or sub'etividades em muta(&o. Esta m-tua corres!ond*ncia nos autori$a a identificar, !aralelamente, o diagrama do desli$e idenF tidade_identifica(&o, ainda que mantendo os termos transnacionais da  !ro!osta de investiga(&o do autor. M"dia e migra(&o, !or conseguinte, s&o entendidos como tra(os diacr"ticos da modernidade e v&o incidir, de modo radical, sobre o registro da imagina(&o, como fonte de e+!erimenta(&o com o self ma2ing. Mais do que isto, o diagnstico de A!!adurai enfati$a o

crucial !a!el da m"dia eletrVnica enquanto fornecedora dos meios !ara o

 self- imagining como um !ro'eto social cotidiano, em que a imagina(&o

e+tra!ola os es!a(os e+!ressivos da arte, do mito e do ritual. A

imagina(&o, !ortanto, !assa a n&o mais estar circunscrita a cam!os regionali$ados de legitima(&o, como os da e+!ressividade, !assando a fa$er !arte de um !ro'eto social cotidiano, incorF !orandoFse ao e+erc"cio mental das !essoas comuns. DestacaFse, aqui, a condi(&o decisiva das altera()es nos modos !ree+istentes de comunica(&o e conduta em dire(&o a novas fontes e novas disci!linas !ara a constru(&o de  selues e de mundos

imaginados.

Hrticas es!aciais e flu+os sub'etivos !odem ser e+aminados em sua intera(&o no #mbito do que A!!adurai define como 8configura(&o de esferas !-blicas dias!ricas8, nas quais imagens em movimento encontram es!ectadores desterritoriali$aF dos. Essas esferas definem o es!a(o !ara o

e+erc"cio das e+!eri*ncias sub'etivas modernas, !rovenientes do cru$amento entre ambos os fatores, m"dia e migra(&o. O fundamento do v"nculo entre a globali$a(&o e a modernidade estaria, nessa rela(&o mutvel e im!revis"vel, entre as mensagens veiculadas !elos meios de comunica(&o de massa e as audi*ncias migratrias. Em s"ntese, 8a m"dia eletrVnica e a migra(&o em massa marcariam o mundo do !resente n&o como for(as

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tecnicamente novas, mas como fatores que !arecem estimular 2e %s ve$es, obrigarQ o e+erc"cio da imagina(&o. ]untas, elas criariam irregularidades es!ec"ficas, !orque tanto es!ectadores quanto imagens circulam simultaF neamente8JU. Em fun(&o das transforma()es tecnolgicas, a imagina(&o

tornouFse um fato social, coletivo, ao longo das -ltimas dcadas, fornecendo a base !ara uma 8!luralidade de mundos imaginados8J5.

DestacaFse aqui, !ortanto, o singular !a!el conferido % imagina(&o no universo !sFeletrVnico, quando ela se torna !arte da lgica da vida cotidiana da qual teria sido subtra"da na istria do Ocidente.

@ma observa(&o deve ser inclu"da no e+ame deste argumento/ a distin(&o que este autor !ro!)e entre imagina(&o e fantasia. No mundo contem!or#neo, o consumo seria, inegavelmente, !arte do !rocesso civili$atrio ca!italista, todavia, 8onde  consumo,  !ra$er, e onde   !ra$er,  ag*ncia8J. A no(&o de fantasia teria a conota(&o im!l"cita de

 !ensamento des!rovido de !ro'etos e a()es, ou se'a, de alcance ob'etivo, e  !ossuidor de um tom individualista e !rivado, enquanto a imagina(&o tra$ im!l"cita a idia de !ro'eto, no sentido da anteci!a(&o de um ti!o de e+!ress&o 2esttica ou n&oQ. Nesse sentido, a 8fantasia !ode se dissi!ar  2!ois sua lgica  sem!re autotlicaQ, mas a imagina(&o, es!ecialmente quando coletiva, !ode tornarFse o combust"vel !ara a a(&o8JJ. =esta

acrescentar que, ao tratar da imagina(&o, A!!adurai refereFse fundamentalmente ao seu uso coletivo, e n&o individual, 8como uma  !ro!riedade das coletividades e n&o como uma mera faculdade de indiv"duos es!ecialmente dotados8JK. Os meios de comunica(&o de massa

geraram novas formas de comunidade afetiva, ou se'a, 8gru!os que come(am a imaginar e sentir coisas coletivamente8JL.

Em 8To!ogra!ies of te self8, artigo deste mesmo autor, obtivemos im!ortantes subs"dios !ara uma refle+&o sobre a variabilidade da rela(&o entre a linguagem, os sentimentos e as to!ografias do  self   em diferentes

sociedades. Gama a aten(&o !ara os nossos ob'etivos, neste trabalo, a metfora to!ogrfica ca!tada em sua dimens&o e !ro!riedade es!acial como forma de inteligibilidade dos novos agenciamentos e configura()es da sub'etividade. Os !rocessos de singulari$a(&o ou de cria(&o e+isF tencial, tal como entendidos no diagnstico de =olni, nutrem a diversidade das e+!eri*ncias sub'etivas em torno de configura()es !arciais e contingentes que A!!adurai camou de 8to!ografias alternativas do self.

Entre essas modalidades to!ogrficas, e+istem !rticas reguladas de im!rovisa(&o que este autor se dedicou a estudar, e cu'a lgica de manifesta(&o  sub'acente %s suas manifesta()es !-blicasJ.

(23)

Esta abordagem envolve uma cr"tica ao modo dicotVmico e ocidental  !elo qual a temtica das emo()es tem sido abordada, es!ecialmente no que di$ res!eito % o!osi(&o entre 8estados internos8 e 8formas e+ternas8J.

 Neste sentido, encontramoFnos diante de conclus)es e+tra"das de investiga(&o etnogrfica reali$ada !elo autor, demonstrando que as emo()es s&o formas !-blicas discursivas cu'a eficcia se baseia na e+!eri*ncia cor!orificada, sem que isso im!lique qualquer substrato  biolgico universal. TrataFse aqui de e+em!lifica()es de 8to!ografias alternativas do self,  em que a !aisagem emocional n&o est constru"da

sobre sentimentos internos, biogrficos ou idiossincrticos no sentido ociF dental. Ela  constru"da, ao contrrio, !elos efeitos emocionais criados !ela negocia(&o !-blica das !alavras e dos gestosJ.

O foco da contribui(&o de Massimo GanevacciJ  sobre as novas

 !ers!ectivas nomdicas como distintas do nomadismo tnico inscreveFse como mais uma contribui(&o relevante !ara a e+em!lifica(&o do desli$e das forma()es identitrias !ara a lgica da identifica(&o. Estas novas  !ers!ectivas nomdicas t*m lugar no conte+to dos !rocessos globais, com!le+os, !lurais e sincrtiF cos da contem!oraneidade. A descontinuidade verificada entre esses novos nomadismos e as formas tradicionais n&o e+cluiriam a!ro!ria()es transversais, sincretismos o!ostos, estranas cone+)es, dilogos dissonantesKU. A nova formaF

metr!ole n&o fi+a es!acialmente sua identidade a !artir de limites materiais !recisos, e caracteri$aFse, antes, 8!or um mutante flu+o comunicativo8K5/ flu+os descentrali$ados, conflituosos, mveis e "bridos

desconcertam as identidades e os !anoramas metro!olitanosK.

 Nossos informantes reconfiguram es!acialidades na metr!ole. Ou se'a, abitam a tra'etria sem tomar, necessariamente, como rota de cegada os !ontos definidos em um tra'eto. O carter criativo, inslito e im!rovisado das incurs)es reali$adas !elos 'ovens ao longo da noite na cidade, tornaFse fonte valiosa de !roblemati$a(&o do conceito ocidental de identidade 8nos seus significados 'ur"dicos, filosficos e antro!olgicos8KJ.

=eferimoFnos aqui a modalidades alternativas de abordagem e utili$a(&o dos es!a(os metro!olitanos que nos !ermitem inferir sobre !rocessos de dissolu(&o de identidades integradas, estveis e coesas. Em outras  !alavras, formas de 8nomadismo !s"quico8 8!arecem des!ontar em meio a frenticas recombina()es travadas no interior da formaFmetr!ole

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contem!or#nea que deve ser com!reendida de modo !lural"stico, descentrali$ado e conflitual8KK.

FLUXOS SUBJETIVOS

O 3zoar3: di*ersão e gra*itação

O ato de 8$oar8, em sua a!reens&o semiolgica, e+!ressa a ca!acidade de fa$er grande ru"do, emitir som forte e confuso ou equivalente a $umbir,  !rodu$ir ru"do semelante ao dos insetos. Hermanece nesta defini(&o a  !ro!riedade ruidosa inscrita nas novas economias internas dos flu+os sub'etivos. =uidosa em sua dimens&o incessante de deslocamento e circula(&o. ^arulenta em sua busca des!ercebida e contingente da frui(&o ocasional, da cria(&o e da inven(&o. 8oa(&o8 confere significa()es a inter'ei()es, mimetismos, !erformatividades da a(&o, uma semitica gestual.

Associa(&o de intensidade e movimento, o 8$oar8  uma e+!eri*ncia somente ca!tvel em flu+o, cu'a organi$a(&o  ri$oF mtica, verificvel em sua tre!ida(&o, em sua vibra(&o, em seu arremesso cont"nuo. Alm de acionar a dimens&o numrica das

Referências

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