SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
INSTITUTO DE FILOSOFIA
1453LM — GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA: LICENCIATURA — NOTURNO
PLANO DE ENSINO
1. IDENTIFICAÇÃO
COMPONENTE CURRICULAR: Projetos Interdisciplinares de Pesquisa e Prática Educacional 1
UNIDADE OFERTANTE: Instituto de Filosofia (IFILO)
CÓDIGO: GFI006 PERÍODO: 1º TURMA: F
CARGA HORÁRIA NATUREZA:
TEÓRICA: 0 h PRÁTICA: 30 h TOTAL: 30h OBRIGATÓRIA: (X) OPTATIVA: ( ) PROFESSOR: Leonardo Ferreira Almada ANO/SEMESTRE:
2018/1
OBSERVAÇÕES: Co-requisito: GFI003 – Ética 1. A ementa é fixa. As particularidades do meu plano de ensino se iniciam a partir da seção 3. Justificativa
2. EMENTA
A disciplina será focada a partir de concepções teóricas tratadas na disciplina de História da Filosofia Contemporânea 2 (Estudo da noção de subjetividade na Filosofia Contemporânea).
3. JUSTIFICATIVA
3.1 Contextualização
A Ética, também chamada de Filosofia Moral, é a disciplina da área de Filosofia que se dedica a problematizar as bases sobre as quais nos alicerçamos para nossas considerações de que determinados comportamentos ou ações podem ser considerados moralmente bons, maus, corretos (verdadeiros) ou errados (falsos). O termo Ética também se aplica a qualquer um dos sistemas, teoria de valores ou princípios morais (SINGER, 2017). À Ética interessa levar adiante as seguintes problematizações: O que é Ética? O que é moral? Como devemos viver? Devemos visar à felicidade ou ao conhecimento, à virtude ou à criação de belas produções? Caso correlacionemos ética e felicidade, cumpre questionar: O que é felicidade? À Ética também interessa levar adiante problematizações mais específicas, do tipo: É certo mentir ou ser desonesto por uma boa causa ou por uma boa finalidade? É moralmente legítimo viver em meio à fartura ao mesmo tempo em que seus compatriotas, concidadãos ou pessoas de outras partes do mundo passam fome? Há guerras e mortes que são justificadas? É errado clonar seres humanos? É errado utilizar-se de embriões humanos para pesquisas médicas? Temos obrigações para com as gerações futuras, seja com os humanos ou com os não-humanos? Se sim, quais são as nossas obrigações? (SINGER, 2017).
Em última instância, a Ética se debruça sobre os processos de tomada de decisão. Com efeito, a tomada de decisão é a noção a qual unifica todas as supracitadas questões. Sua preocupação central inclui a natureza dos valores morais e como tais valores determinam nossos juízos sobre os processos de tomada de decisão, se as ações podem ser consideradas autônomas e, apenas nesse sentido, se podem ser consideradas verdadeiras ou erradas (SINGER, 2017).
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Que a preocupação central da Ética gira em torno ao impacto desempenhado pelos valores morais sobre nossos juízos acerca da correção ou não das ações humanas revela a estreita correção das noções de Ética e de moralidade (ou de moral). Dessa correlação decorre que — não raramente — recorramos às noções de juízos ou princípios éticos quando seria mais preciso se referir às noções de juízos ou princípios morais. Esse fato revela a necessidade a qual se nos impõe de pensar os significados dos termos “Ética” e “Moral”. É usual considerar esses termos como distintos: um uso comum é o de pensar Ética não como se referindo à moralidade em si, mas ao campo de estudo ou área de investigação que se debruça sobre a moralidade, razão pela qual é comum entender Ética como equivalente à Filosofia Moral (SINGER, 2017). Desde a necessidade de pensar as noções de “ética” e “moral” decorre os motivos pelos quais podemos justificar a relevância da disciplina.
3.2 Justificativa
A afirmação de que a Ética é um ramo da filosofia está correta, mas não abarca a totalidade de sua significação. Por suas características práticas, e pelo caráter imprescindível da Ética em quase todas as dimensões da vida humana, a Ética se vincula a muitas outras áreas de conhecimento: a Ética, com efeito, se beneficia de materiais da antropologia, da biologia, da economia, da história, da política, da sociologia, da teologia e, dentre outras, do direito. Para que justifiquemos a relevância da Ética, não é preciso que mencionemos o fato, óbvio, de que a Ética regula o modo como, em sociedade, buscamos evitar levar às últimas consequências o fato de ‘sermos o lobo do homem’. Antes, a relevância da Ética e, consequentemente, do estudo da Ética se deve, em parte, ao fato de que a Ética não se confunde com as disciplinas das quais se beneficia, e de que tampouco se confunde com as éticas particulares que regulam os modos de vida em sociedade, nas comunidades e nas instituições. A Ética não se propõe ser um conhecimento factual das normas reguladoras da vida em comum; antes, a Ética é o campo de conhecimento dotado da relevante função de pensar a natureza das teorias normativas e como as teorias normativas constituem conjuntos de princípios aplicáveis e que se aplicam a problemas morais práticos (SINGER, 2017).
A Ética é uma área de conhecimento que se dedica a discutir alguns dos problemas mais intrínsecos às necessidades da existência humana; trata-se, ademais, de uma área capaz de gerar um interesse que extrapola significativamente os limites das discussões acadêmicas e dos muros das universidades. Trata-se, a Ética, de uma das mais vivas e populares áreas de conhecimento das humanidades. Desde as origens das formalizações de regras de convivência, a Ética jamais deixou de ser alvo de profundo interesse: não há período da história ‘racional’ da humanidade que não seja acompanhado de teorias éticas, assim como as noções de ‘ética’ e/ou ‘moral’ jamais deixaram de fazer parte do vocabulário popular. De fato, as expressões ‘Ética’ e ‘Moral’ são exaustivamente proferidas em todas os contextos culturais, econômicos e sociais; seja na esfera pública ou na esfera privada, as noções de ‘ética’ e ‘moral’ estão por trás de exasperados apelos e súplicas: tribunais, fóruns, comissões e comitês de Ética são constituídos para dar vazão à imperiosa necessidade a qual se impõe aos homens de conter os irremediáveis perigos de uma vida que não seja bem regulada pelas normas de comportamento capazes de proteger a vida, a propriedade e a liberdade dos sujeitos. A popularidade e vivacidade da ética ressoa mesmo entre aqueles que desconhecem o fato de a Ética ser uma disciplina acadêmica, ou entre aqueles que desconhecem o fato de a Ética ser uma disciplina filosófica. Com efeito, a Ética lida com os valores por meio dos quais regulamos nossas existências, a exemplo dos valores de ‘bom’ e de ‘mau’, de ‘correto’ ou ‘errado’ (SINGER, 2017).
De uma forma ou de outra, estamos mais ou menos diretamente envolvidos em tempo integral com a Ética: todos os nossos pensamentos, palavras, atos e omissões estão sujeitos a uma avaliação ética. Qualquer um que se proponha problematizar sobre o que deve e o que não deve fazer, está
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
envolvido com a ética de maneira consciente ou inconsciente. Quando, adicionalmente, começamos a pensar de maneira mais acurada sobre as razões que temos para tomar ou não certas decisões — isto é, sobre nossos deveres — começamos, igualmente, a explorar os nossos valores subjacentes. É provável que os nossos mesmos valores estejam sendo sustentados há milênios por pensadores ocidentais. Por outro lado, é mais que provável ou é certo que a maior parcela da população mundial desconheça por completo que seus mesmos valores têm sido sustentados há séculos ou há milênios, já que tal conhecimento demanda conhecimento em história das ideias.
Eis, portanto, a relevância de nossa disciplina: descortinar, ainda que em linhas gerais, o caminho a ser seguido por todo aquele que busca conhecer ou ampliar seus conhecimentos em Ética. O êxito de tal empreendimento envolve a demarcação dos nomes e dos problemas que mais significativamente modelaram a constituição dessa área de conhecimento da Filosofia cuja razão de ser consiste em problematizar os fundamentos dos princípios morais sobre os quais nos alicerçamos para nossas considerações de que determinados comportamentos ou ações podem ser considerados moralmente bons, maus, corretos ou errados.
4. OBJETIVO
Pensar, elaborar e treinar algumas práticas interdisciplinares de pesquisa e exposição pedagógica dos conhecimentos adquiridos em Ética 1. Se, do ponto de vista teórico, os objetivos dessa disciplina são os mesmos que regulam a disciplina Ética 1, a finalidade dessa disciplina é a de fazer com que o conteúdo e as discussões se tornem um material de prática e pesquisa para o futuro docente de Filosofia.
5. PROGRAMA
(1) Definir um tema para apresentar uma aula de 30 minutos seguido de debate; (2) Elaborar a aula; e
(3) Apresentar a aula e participar dos debates.
O supracitado Programa se baseia no seguinte Programa geral, a este estando necessariamente vinculado. As recém-mencionadas atividades, portanto, se constituirão a partir dos sete pontos do programa listados abaixo:
Parte I: Significado e Sobre as Origens da Ética
(1) Significado e as origens da Ética
(2) Ética Filosófica ocidental: uma breve história da Ética grega antiga
(3) Ética Filosófica ocidental: uma breve história da Ética medieval e renascentista (4) Ética Filosófica ocidental: uma breve história da Filosofia moral moderna
Parte II: Como devo viver? (Ética Normativa) (5) Lei natural
(6) Ética kantiana (7) Egoísmo
(8) Deontologia contemporânea (9) Uma ética dos deveres prima facie (10) Consequencialismo/Utilitarismo (11) Utilidade e o bem
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Parte III: A Natureza da Ética (Meta-Ética) (12) Realismo (Moral)
(13) Intuicionismo (14) Naturalismo
(15) Prescritivismo Universal
(16) Moralidade e desenvolvimento psicológico
6. METODOLOGIA
Discussão de planos de aula e de práticas pedagógicas eficazes para a relação ensino-aprendizagem. Avaliação do docente e dos colegas das aulas apresentadas, considerando rigor teórico e didática da exposição, bem como presença em sala de aula.
7. AVALIAÇÃO
Conforme regimento da UFU, V, § 4º, será considerado aprovado o aluno que frequentar pelo menos setenta e cinco por cento das atividades obrigatórias da disciplina e totalizar pelo menos sessenta pontos na soma de suas avaliações.
A avaliação dessa disciplina visa a atender 3 critérios na relação ensino-aprendizagem: (1) assiduidade e pontualidade, ou seja, presença nas aulas e nas discussões; (2) assimilação de argumentos e conhecimentos; e (3) capacidade de refletir a partir dos conhecimentos adquiridos na disciplina. Essas habilidades serão avaliadas ao longo das 3 (três) etapas: (1) Definir um tema para apresentar uma aula de 30 minutos seguido de debate; (2) Elaborar a aula; e (3) Apresentar a aula e participar dos debates.
8. OBSERVAÇÕES GERAIS
Em todas as aulas serão realizadas verificações de frequência no final da aula. O (A) discente estará automaticamente reprovado na disciplina em caso de atingir o limite máximo permitido para faltas, ou seja, 25% da carga horária do curso.
Por duas formas, portanto, pode o discente ser reprovado: (a) por frequência, em caso de atingir o limite máximo permitido para faltas, ou seja, 25% da carga horária do curso, e (b) por nota, em caso de não atingir a nota mínima para aprovação, ou seja, 60,00.
9. BIBLIOGRAFIA
9.1 BIBLIOGRAFIA OBRIGATÓRIA:
SINGER, Peter. A Companion to Ethics. Oxford, UK: Blackwell Publishing, 1991.
SINGER, Peter. Ethics. Jun. 2017. Disponível em: <https://www.britannica.com/topic/ethics-philosophy >. Acesso em: 10 dec. 2017.
9.2 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR NÃO-OBRIGATÓRIA:
Para cada um dos tópicos do programa (suas 16 partes), disponibilizarei, por meio do e-mail, artigos e textos explicativos.
SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
10. APROVAÇÃO
Aprovado em reunião do Colegiado realizada em: ____/______/______