APOSTILA DE ELETRÔNICA II
CAPÍTULO 01 – TRANSISTOR COMO
AMPLIFICADOR
1.1. Modelo de um amplificador genérico.
Um amplificador pode ser representado genericamente pelo símbolo da figura 1.
Figura 1
A letra A representa a amplificação ou ganho do circuito e pode fazer referência aos ganhos de tensão (Av), corrente (Ai) ou potência (Ap). Há vários modelos usados para representar o comportamento de um amplificador. Utilizaremos um modelo bem simples, como o apresentado na figura 2.
Figura 2
Esse modelo é composto de três parâmetros básicos: impedância de entrada Zi, impedância de saída e ganho de tensão. Observe que o modelo do amplificador não inclui a fonte de sinal de entrada, que denominaremos genericamente de gerador, nem a carga. No modelo do amplificador há um gerador interno cuja tensão vale Avo.vi que representa a tensão vi efetivamente presente na entrada do amplificador, multiplicada pelo ganho sem carga Avo. A tensão na saída do amplificador sem carga é denominada VLo e seu valor é igual à tensão do gerador interno, ou seja, VLo=Avo.vi
1.2. Comportamento do amplificador:
Analisando as relações entre os parâmetros do amplificador e as características do gerador e da carga através da figura 3.
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Figura 3
Um gerador AC genérico possui impedância interna Zg e produz uma tensão vg. Ao ser ligado à entrada do amplificador, apenas a
tensão vi é amplificada, pois Zg e Zi formam um divisor de tensão,
sendo:
v
i= [ Zi / ( Zg + Zi)] . v
gANÁLISE DA ENTRADA
Se Zi >> Zg, praticamente toda a tensão do gerador é amplificada (VI=VG), mas a potência de entrada é muito baixa, pois a corrente tende a
zero.
Se Zi << Zg, a tensão vi praticamente se anula, embora a
corrente de entrada atinja quase o valor máximo. Nesse caso, a potência na entrada também é muito baixa.
Se Zi = Zg, ocorre o casamento de impedância na entrada. Nesse caso, a tensão Vi é metade da tensão Vg e a corrente de entrada é metade
do seu valor máximo, mas a potência transferida do gerador à entrada do amplificador atinge seu valor máximo. É o que se denomina máxima transferência de potência.
ANÁLISE DA SAÍDA
Analisando a saída do amplificador, se nenhuma carga for ligada, a tensão é VLo= Avo.vi. Porém, ao ligar uma carga ZL, ela forma um
divisor de tensão com a impedância de saída Zo do amplificador, de modo que a tensão VL na carga é uma parcela de VLo. Sendo assim:
VL = [ Z
L/ (Zo + Z
L)] . VLo
Se ZL >> Zo, praticamente toda a tensão do gerador é
transferida à carga (VL=VLo), mas a potência nela é muito baixa, pois a corrente tende a zero.
Se ZL << Zo, a tensão transferida à carga praticamente se anula,
embora a corrente atinja quase o valor máximo. Nesse caso, a potência na carga é também muito baixa.
Se ZL = Zo, ocorre um casamento de impedância na saída, o que
garante a máxima transferência de potência do amplificador à carga, mas com VL sendo a metade do valor máximo VLo, o mesmo ocorrendo com a corrente.
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As relações entre Zi e Zg e entre Zo e ZL devem ser
estabelecidas em função da aplicação do amplificador e demais circuitos envolvidos num determinado sistema.
Os ganhos de tensão e de potência de um amplificador são calculados da seguinte maneira:
a) sem carga:
Avo = VLo/vi
b) com carga:
Av = VL/vi
c) potência de entrada:
Pi = Vipp
2/ 8.Zi
d) potência na carga:P
L= VLpp
2/ 8.Z
Le) ganho de potência:
Ap = P
L/Pi
1.3. Ganhos em Decibel
Os ganhos de tensão e de potência são normalmente dados em decibel (dB), isto é, em décimos de Bel, que é a unidade de medida do logarítmo da relação entre duas grandezas iguais.
a) ganho de tensão:
Av(dB) = 20.logAv
b) ganho de potência:Ap(dB) = 10.logAp
O ganho em decibel tem algumas características próprias: a) O ganho unitário corresponde a 0dB, o ganho maior que um
(amplificação) corresponde, em decibel, a um valor positivo e o ganho menor que um (atenuação) corresponde, em decibel, a um valor
negativo.
b) Ganhos muito elevados são representados por valores bem menores em decibel.
c) Quando um ganho de potência dobra ou cai pela metade, em decibel, corresponde a somar ou subtrair 3dB
d) Quando um ganho de potência dobra ou cai pela metade, o ganho de tensão é multiplicado ou dividido por 21/2, o que, em decibel,
corresponde a somar ou subtrair 3dB.
e) O produto entre ganhos, em decibel, corresponde à soma entre eles.
1.4. Capacitor de acoplamento
Quando a freqüência aumenta a oposição da corrente no resistor não muda.
Um capacitor é diferente, pois quando a freqüência aumenta, a oposição à passagem de corrente diminui.
Quando um amplificador está funcionando, existem dois modos fundamentais em que os capacitores são usados. Primeiro, eles são
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usados para acoplar ou transmitir os sinais CA de um circuito para o outro. Segundo, eles são usados para desviar ou curto-circuitar os sinais CA para a terra. De qualquer forma, a reatância capacitiva inserida no circuito depende da relação:
X
C= 1 / 2π f C
Quando a frequência é alta suficiente, a reatância capacitiva se aproxima de zero. Isso significa que um capacitor é um curto-circuito para sinais CA em altas freqüências.
O oposto também é verdadeiro, ou seja, quando a freqüência diminui, a reatância torna-se infinita. Isso significa que o capacitor é um circuito aberto para sinais CC em baixas freqüências.
Um capacitor de acoplamento transmite uma tensão CA de um ponto para outro. Em baixas freqüências, o capacitor age como circuito aberto e a corrente é aproximadamente zero. Em altas freqüências o capacitor age como um curto.
Para que o capacitor funcione corretamente ele deve agir como um curto-circuito na menor freqüência do gerador.
Para isso faça da reatância capacitiva pelo menos 10 vezes menor que a resistência total do circuito.
X
C< 0,1 R
6. Freqüência Crítica
A freqüência crítica de um circuito é definida quando a reatância capacitiva é igual a resistência total do circuito.
f
c= 1 / 2π R C
7. Freqüência Crítica e Alta Freqüência de Quina
O capacitor de acoplamento age como um curto em altas freqüências. Afirmamos que a freqüência crítica deve ser 10 vezes menor que a resistência total do circuito. A regra diz que a Alta Freqüência de Quina deve ser 10 vezes maior que a Freqüência
Crítica.
f
h= 10 . f
cA freqüência de Quina é a freqüência referência da qual a partir daí a corrente de carga começa a fluir pelo circuito (circuito fechado).
Acima dessa freqüência a corrente de carga se limita a 1% do seu valor máximo.
8. Capacitor de Desvio (bypass)
A figura 04 mostra um capacitor de desvio conectado e paralelo com um resistor para desviar a corrente CA do mesmo.
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Quando a freqüência é suficientemente alta, o capacitor age como um curto circuito, levando o ponto A à terra.
Figura 04
Quando a freqüência do gerador for igual ou maior que o valor da freqüência de Quina, o capacitor de Desvio agirá como um curto e o ponto A será aterrado para os sinais CA.
9. Teorema da Superposição nos Amplificadores
A figura 05 a seguir mostra um amplificador com transistor. A tensão VCC é a tensão CC de polarização do TBJ para
estabelecer o ponto Q.
A tensão VG é a tensão CA do gerador de sinais.
O capacitor C1 acopla o sinal do gerador à base do TBJ.
O capacitor C2 acopla o sinal amplificado à carga.
O capacitor CE desvia o sinal CA do emissor para o referencial
terra.
Figura 05 10. Circuitos Equivalentes CC e CA
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O modo mais simples de analisar um circuito amplificador é dividindo a análise em duas partes: análise CC e análise CA.
Utilizando o Teorema da Superposição pode-se calcular os efeitos produzidos por cada fonte funcionando separadamente e depois somar os efeitos individuais para obter o efeito total.
Para isolar cada fonte e transformar o circuito numa forma mais simples, os capacitores deverão ser abertos para o sinal CC e curto-circuitados para o sinal CA.
ANÁLISE CC Reduza a fonte CA a zero
Abra todos os capacitores
Analise o circuito equivalente CC ANÁLISE CA
No circuito original, reduza todas as fontes CC a zero Curto-circuitar todos os capacitores
Analisar o circuito equivalente CA ANÁLISE FINAL
Some a corrente CC e a corrente CA para obter a corrente total num ramo
Some a tensão CC e a tensão CA para obter a tensão total em qualquer nó ou em qualquer resistor
12. Resistência CA da junção base-emissor Através da Lei de Ohm, sabemos que:
R = V / I
onde: R é a resistência CC do circuito.
A resistência CA é definida como sendo a tensão CA aplicada num componente dividida pela corrente CA que circula por ele.
R
CA= Δ V
BE/ Δ I
ENa derivação da fórmula cima, podemos afirmar que a resistência CA no emissor
pode ser calculada como:
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Figura 06
Essa relação se aplica à todos os transistores. Ela baseia-se numa junção base- emissor perfeita, de modo que haver desvios nos transistores produzidos comercialmente. Mas quase todos os transistores comerciais tem uma resistência CA (dinâmica) do emissor que está entre 26mV/IE e 50mV/IE.
13. Ganho de corrente em CA
O ganho de corrente CC foi definido como sendo:
β
CC= I
C/ I
Bou h
FE= I
C/ I
BSabemos ainda que as correntes CC são as correntes no ponto de operação do quiescente do transistor.
O ganho de corrente CA é a variação da corrente de coletor dividida pela variação da corrente de base:
β
CA= ΔI
C/ ΔI
Bou h
fe= i
c/ i
b14. Modelagem do TBJ para análise CC e CA de um amplificador EC. Para analisar um amplificador EC, é preciso reduzi-lo a um circuito equivalente CA, na qual a lei de Ohm possa ser aplicada. a) Impedância de entrada
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Com o circuito da figura 07 podemos ver um divisor de tensão do lado da entrada do transistor. Isso significa que a tensão CA na base será menor que a tensão CA no gerador. A tensão na resistência do gerador depende do valor de R1 em paralelo com R2,
porém existe outro fator a ser incluído nesse cálculo.
A junção da base- emissor introduzir no circuito uma resistência dinâmica re.
Portanto a impedância de entrada (input) do transistor pode ser definida como:
Z
i= V
i/ I
iPara analisar o circuito do amplificador temos vários modelos de circuitos equivalentes como se segue:
Modelo T
Figura 08
A figura acima mostra uma junção T com fonte de corrente na parte superior e uma resistência re em paralelo com R1 e R2.
I
e= v
b/ r
ee i
c= v
c/ r
cModelo re ou Modelo II
Figura 09
A figura 09 mostra um modelo re que, quando aplicado fornece
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Z
b= V
i/ I
bSendo: Vi = Ie . re
Ie é aproximadamente igual Ic β = IC / IB
Podemos afirmar que:
Z
b= β . r
eZ
i
= R
1
// R
2
// β.r
e
Essa impedância será sempre menor que a impedância de entrada da base.
Parâmetros híbridos ( parâmetros h)
Quando o transistor foi inventado o método conhecido para analisar e projetar circuitos transistorizados ficou conhecido como parâmetros h. Esse método matemático modela o transistor sobre o que acontece em seus terminais sem levar em consideração os processos físicos que têm lugar dentro do transistor. Esse método é mais complexo que o método do Modelo re, porem, as folhas de dados do transistor ainda se referem aos
parâmetros h fornecidos pelo fabricante. São eles:
h
fe= ganho de corrente CA
h
ie= impedância de entrada
h
re= ganho reverso de tensão
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EXERCÍCIOS – CAPÍTULO 01 – TRANSISTOR COMO AMPLIFICADOR
1) Como se comporta um capacitor em relação a CC e a CA? 2) Num circuito com capacitor de desvio CE um dos seus
terminais está aterrado para CA de altas freqüências? Explique.
3) Quais são as regras para se obter a análise de um circuito amplificador em relação a CC e a CA?
4) A tensão CA na base de um amplificador é menor ou maior que a tensão do gerador?
5) Por que a re (resistência dinâmica do emissor) depende da
corrente do emissor?
6) Calcular re para uma corrente de emissor de 100μA.
7) O emissor de um amplificador EC não tem tensão CA devido a existência do capacitor de desvio. Explique essa afirmação. 8) Por que a tensão de saída de um amplificador EC é defasada
180º em relação a entrada?
9) Qual a reatância de um capacitor de 10μF em uma freqüência de 1kHz? E em 100kHz?
10) Em um amplificador EC a tensão no resistor de carga é CC , CA ou as duas? Explique.
11) Num amplificador EC qual é a relação entre a corrente de entrada e a corrente de saída?
12) Por que a impedância de entrada de um amplificador EC é geralmente muito alta?
13) Dada a figura abaixo, determinar: a) A corrente e a tensão máxima na carga. b) A freqüência crítica e a freqüência de quina
c) Se a tensão no gerador for dobrada o que ocorre com a freqüência de quina?
d) Se todas as resistências forem dobradas o acontece com a tensão máxima, com a corrente máxima, com a freqüência crítica e a freqüência de quina?
e) Se a capacitância for reduzida a metade o que ocorre com a freqüência de quina?
14) Utilizando o circuito abaixo, determinar:
a) A corrente máxima no gerador e tensão máxima no capacitor. b) Sendo a tensão do gerador dobrada, qual é o valor da freqüência