Conceito de Incubadora de Empresas
U
ma incubadora de empresas éum projecto ou uma empresa que tem como objectivo a cria-ção ou o desenvolvimento de pequenas empresas ou microempresas, apoiando-as nas primeiras etapas de suas vidas.
“As incubadoras de empresas promo-vem e nutrem o desenvolvimento dos empreendedores e dos seus negócios, aju-dando-os a sobreviver e a crescer durante a fase de ‘startup’, quando estão mais vulnerá-veis”. Na prática, as incubadoras de empre-sas são espaços onde as empreempre-sas jovens podem instalar-se e onde recebem todo o tipo apoio para a concretização de uma ideia de negócio como são os casos de acesso a financiamento, apoio logístico, redes de empreendedores, entre outros apoios1.
As incubadoras de empresas procurar abrigar empresas inovadoras frutos de pro-jectos de pesquisa e desenvolvimento
cientí-fico e tecnológico, buscando fornecer um ambiente propício ao desenvolvimento da empresa, dando assessoria empresarial, con-tabilística, financeira e jurídica, além de divi-dir entre as várias empresas lá instaladas os custos de recepção telefonista, acesso a internet etc. formando um ambiente em que essas empresas selecionadas têm maior potencial de crescimento.
De acordo com State of the Business
Incubation Industry 2006 apresentado por
Knopp (2007), as incubadoras, normalmente, oferecem um conjunto de serviços básicos aos incubados que incluem a ajuda com a modelagem básica do negócio, atividades de networking, assistência de marketing, acesso a internet, ajuda com contabilidade / gestão financeira, acesso a empréstimo ban-cários, fundos de empréstimo e programas de garantia, ajuda com técnicas de apre-sentação, acesso a recursos de ensino supe-rior, acesso a parceiros estratégicos, acesso aos investidores anjo ou capital de risco, trei-namento de negócios, conselhos consultivos, ajuda na identificação do time, ajuda na
INCUBADORAS DE EMPRESAS:
Origem, Objectivos e Importância
Msc.Júlio Taimira Chibemo Director da Faculdade de Ciências Económica, Director da Revista Científica do ISCTAC,
Doutorando em Ciências de Educação na Universidade Piaget de Moçambique, Mestre em Auditoria Internacional e Gestão de Empresas, Especialista em Empreendedorismo, Coching e Marketing.
O presente artigo tem como objectivo central apresentar a origem, objectivos e importância de
incubado-ras de empresas, enquanto projecto ou empresa que tem como objectivo a criação ou o desenvolvimento de
pequenas empresas ou microempresas, apoiando-as nas primeiras etapas de suas vidas. Trata-se de um dos
mecanismos que vêm sendo mundialmente utilizado para induzir a criação de empresas inovadoras, com
vista a responder a questões pontuais relacionadas com o empreendedorismos e as Pequenas e Médias
Empresas. As incubadoras proporcionam um conjunto de vantagens para os seus membros, visto que são
autênticas promotoras da base e o suporte necessários para pequenas empresas, por meio da transferência
de conhecimento e de tecnologias desenvolvidas por Universidades e Instituições de Ensino e Pesquisa.
Portanto, trata-se de uma boa estratégia para criação e desenvolvimento de pequenas empresas, em
Moçambique.
Vol. 2, Nº 03, Ano II, Janeiro - Março de 2015
ISSN: 2519-7207
CAIXA: Incubadora
Incubadora de empresas é um dos mecanismos que vêm sendo mundialmente utilizado para induzir a criação de empresas inovadoras. Pode ser entendida como um ambiente que abriga o desenvolvimento de novos empreendimentos, cujos resulta-dos esperaresulta-dos deverão garantir em prazo determinado a autonomia e a autossustentação da empresa. A incubadora fornece serviços assistenciais, suporte e condições de sobrevivência para os negócios emergentes, que ficam “incubados” até que este-jam preparados para a sua inserção no mercado. Existem três fases no processo de incubação de empresas: a pré-incubação, a incubação e a graduação. De forma sistemática, a figura a seguir apresenta as fases que compõem o processo de incubação. Nesse processo a empresa é estimulada quanto ao empreendedorismo e à geração de inovações. Também recebe serviços e suporte da incubadora para ter condições de se inserir no mercado de forma competitiva. A pré-incubação é a fase que anteci-pa a incubação, visa dar vazão a ideias empreendedoras que surgem entre estudantes, professores e pesquisadores, auxilian-do na transformação dessas ideias em negócios de sucesso. Na pré-incubação são preparaauxilian-dos projetos/protótipos de negócios para o futuro ingresso na Incubadora. Esse é o período no qual uma empresa é estimulada a desenvolver com profundidade o potencial de seu negócio, beneficiando-se de serviços assistenciais para iniciar efetivamente o empreendimento. O programa de pré-incubação é de fundamental importância, pois atua na orientação de pesquisadores/empreendedores nas diferentes etapas de desenvolvimento de uma ideia inovadora. A fase de incubação é o processo de apoio ao desenvolvimento de empreendimentos iniciantes ou de empresas nascentes e de promoção das condições favoráveis ao seu crescimento (suporte operacional – infraestrutura física, serviços básicos, suporte técnico e administrativo; suporte estratégico – treinamento para o empreendedor ou auxílio gerencial/empresarial capacitação e acompanhamento, intercambio entre pesquisador-indústria; suporte tecnológico – acesso a equipamentos de investimento elevado, treinamentos;) em troca do pagamento de uma men-salidade, que ajuda a incubadora a manter a sua estrutura. A outra fase é a da graduação que é a inserção de uma empresa no mercado. Depois de fortalecida por um determinado período, a empresa incubada se gradua, se insere no mercado, poden-do ou não manter algum vínculo com a incubapoden-dora.
Adaptado de: http://www.nintec.ufla.br/inbatec/programa-de-incubacao/sobre-as-incubadoras-de-empresas/
etiqueta empresarial, assistência na comer-cialização de tecnologia, ajuda no cumpri-mento das normas, gestão da propriedade intelectual, entre outros serviços.
As incubadoras de empresas não ser-vem para todo tipo de empresas. Normal-mente, os empreendedores que desejam entrar em programas de incubação devem aplicar para admissão. Os critérios de aceitação variam de programa para programa, mas geralmente apenas aque-les com ideias e planos de negócios viáveis são admitidos. Este é um dos fatores res-ponsáveis pela dificuldade de comparar as taxas de sucesso de empresas incubadas em relação às estatísticas de sobrevida geral de negócios (Erlewine, 2007).
Embora a maioria das incubadoras ofereçam a seus clientes espaços para escritório e serviços administrativos compar-tilhados, o coração de um verdadeiro pro-grama de incubação de negócios são os serviços prestados a empresas nascentes. O tempo que uma empresa passa no pro-grama de incubação pode variar
bastan-te, dependendo de alguns fatores, isso inclui o tipo do negócio e o nível de exper-tise do empreendedor. As empresas que necessitam de longos ciclos de pesquisa e desenvolvimento, requerem mais tempo de incubação a empresas de prestadoras de serviço ou de fabricação, que imediata-mente podem produzir e colocar produtos ou serviços no mercado.
Os programas de incubação abran-gem uma grande variedade de sectores de negócios. Mais da metade dos negó-cios incubados são normalmente projetos multiárea que estão voltados para clientes de diferentes indústrias (Ibidem).
O conceito formal de incubação de empresas começou nos EUA, em 1959, quan-do Joseph Mancuso abriu a Batavia Industrial
Center, num armazém situado na Cidade de
Batavia, Nova Iorque. O processo de incuba-ção se expandiu na década de 1980, nos EUA, e logo se espalhou pelo Reino Unido e Europa, em vários formatos diferentes: cen-tros de inovação, polos de pesquisa, parques tecnológicos, entre outros.
De acordo com Morais (1997, p. 42-43), “na Europa, as incubadoras surgiram inicial-mente na Inglaterra, a partir do fechamento de uma subsidiária da British Steel
Corpora-tion, que estimulou a criação de pequenas
empresas em áreas relacionadas com a pro-dução do aço, preconizando uma terceiriza-ção, e também em decorrência do reapro-veitamento de prédios subutilizados”. Atual-mente, o Japão também passou a utilizar incubadoras de empresas, assim como mui-tos países em desenvolvimento, a exemplo da China, Índia, México, Argentina. Turquia e Polônia, entre outros (Lalkaka, 1996).
A National Business Incubation
Associa-tion estima que há cerca de 7.000
incubado-ras no mundo todo. Para se ter uma noção da expansão das incubadoras, de 1980 para 2006 o número de incubadoras, na América do Norte, subiu de 12 para 1400; no Reino Unido, essa variação foi de 25 em 1997 para 270 até 2005; na Europa Ocidental, em 2002, um estudo identificou cerca de 900 ambien-tes de incubação (Centre for Strategy and Evaluation Services, 2002).
A actividade de incubação não tem-se limitado a países desenvolvidos. Esses ambientes vêm sendo implementados cada vez mais em países em desenvolvimento, aumentando interesse por suporte financeiro de grandes organizações globais. Desde a primeira década do 2000, as incubadoras vem tomando novas formas. Novos experi-mentos como Incubadoras Virtuais de Empre-sas estão levando recursos de grandes cen-tros de actividades.
Objectivos das Incubadoras de
Empresas
As incubadoras de empresas têm como objectivo central apoiar as empresas na sua
fase inicial, disponibilizando espaço para escritório e outros recursos a preços mais acessíveis2. A maioria das incubadoras de empresas é composta por projectos que atuam em diversos segmentos e ramos de produção industriais. A incubação de empre-sas tem um papel importante no ecossistema socioeconômico de uma região, uma vez que se traduz em benefícios que incluem a criação de empregos e riqueza; o fomento à comunidade empreendedora, comercializa-ção de tecnologia; diversificacomercializa-ção da econo-mia local; a construção ou aceleração do crescimento de indústrias locais; a criação e retenção de negócios; e a revitalização da comunidade.
Em muitos países, programas de incuba-ção são financiados pelo governo como par-te de uma estratégia de desenvolvimento económico. No país berço desse conceito – nos Estados Unidos - a maior parte dos pro-gramas são, no entanto, independentes.
4.4. Tipos de Incubadoras de
Empre-sas
Uma Incubadora é um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves por meio da forma-ção complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais e que, além disso, facilita e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas. Portanto, conta com um espaço físico especialmente construído ou adaptado para alojar temporariamente micro e peque-nas empresas industriais ou de prestação de serviços e que, necessariamente, dispõe de uma série de serviços e facilidades.
De acordo com MCT (2000, p.6), as incu-badoras podem ser de três tipos, dependen-do dependen-do tipo de empreendimento que abriga.
Incubadora de Empresas de Base Tecno-lógica: é a incubadora que abriga
empresas cujos produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resul-tados de pesquisas aplicadas, nos quais a tecnologia representa alto valor agregado.
Incubadora de Empresas dos Setores Tradicionais: é a incubadora que
abriga empresas ligadas aos setores tradicionais da economia, as quais detém tecnologia largamente difun-dida e queiram agregar valor aos seus produtos, processos ou serviços por meio de um incremento em seu nível tecnológico. Devem estar com-prometidas com a absorção ou o desenvolvimento de novas tecnolo-gias.
Incubadoras de Empresas Mistas: é a
incubadora que abriga empresas dos dois tipos acima descritos. No processo de incubação, as empre-sas podem ser classificadas de quatro for-mas: pré-residentes, residentes, não-residentes, associadas e graduadas3.
As empresas pré-residentes têm um período determinado de tempo para se prepararem em que são estimuladas a pla-nejar o potencial do seu negócio, utilizan-do serviços de assistência para iniciarem o projeto na incubadora. Podem ainda se denominar “pré-incubadas” uma vez que os seus projetos passam por um processo de avaliação e acompanhamento para a verificação de sua viabilidade antes de serem incubadas;
As empresas residentes são projetos que foram instalados nas dependências físicas de uma incubadora. Podem tam-bém ser chamadas de “incubadas” por estarem abrigadas por uma incubadora. As empresas não-residentes ou associadas são empreendimentos incubados à distância que utilizam os serviços oferecidos pela incubadora visando o aprimoramento de suas atividade. As empresas graduadas são organizações que já alcançaram o desen-volvimento suficiente para deixar a incuba-dora.
Importância das Incubadoras de
Empresas
A incubadora proporcionar um conjun-to de vantagens para os seus membros. Uma incubadora visa proporcionar a base
e o suporte necessários, por meio da trans-ferência de conhecimento e de tecnolo-gias desenvolvidas por Universidades e Insti-tuições de Ensino e Pesquisa, às empresas que estão incubadas para que tenham condições de ingressar no mercado.
Nessa perspectiva, a incubadora con-fere capacitação e assistência técnica e de gestão para que novas empresas tenham condições de enfrentar os obstá-culos que surgem em seus primeiros anos de vida. Além disso, a incubadora favore-ce a criação de parfavore-cerias e redes de rela-cionamento (universidade-empresa) que busquem promover um ambiente propício a inovação e ao empreendedorismo, fato-res fundamentais para a viabilização de novos negócios.
Dentro das inúmeras vantagens que uma incubadora proporciona pode-se des-tacar a diminuição da taxa de mortalidade das empresas; o desenvolvimento socioe-conômico da região em que está inserida por meio da criação de postos de traba-lho; a redução dos riscos e custos até a inserção de uma inovação no mercado; facilidade com relação ao intercâmbio entre empresa, academia e centros de pesquisa e tecnologia; a resolução de pro-blemas enfrentados pelas pequenas empresas em seus primeiros anos; e a redu-ção de custos operacionais.
No caso das vantagens em termos de incentivos, pode-se destacar a vertente da orientação na elaboração, submissão e gestão de projetos institucionais; o acom-panhamento e revisão dos planos de negócios; a prospecção de editais de fomento; a orientação na busca de finan-ciamento; a assessoria administrativa e estratégica; a promoção de capacitação e treinamentos gerenciais; e a orientação na gestão da propriedade intelectual e no registro de marcas e patentes. No que tan-ge à vantatan-gens em termos de estrutura físi-ca, ela proporciona uma sala de recepção disponível às empresas, equipada com fax, computador e telefone; refeitório; auditó-rio; biblioteca; data-show; participação de pesquisadores; serviços externos; laborató-rios e toda a infraestrutura institucional.
Para além das vantagens acima
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cionadas, podem participar do programa de incubadoras de empresas qualquer pes-soa que tenha um projeto inovador e que deseje abrir sua própria empresa. As empresas já existentes também podem participar do programa e receber o apoio da incubadora. Para tanto, é preciso ter um projeto para melhoria ou desenvolvi-mento de novos produtos e serviços. Em
ambos os casos, o empresário/
empreendedor deve se inscrever no pro-cesso de seleção de projetos e observar os critérios de entrada adotados por cada Incubadora.
Em termos práticos, uma incubadora dispõe de uma série de serviços e facilida-des:” espaço físico individualizado, para a instalação de escritórios e laboratórios de cada empresa admitida; espaço físico para uso compartilhado, tais como sala de reunião, auditórios, área para demonstra-ção dos produtos, processos e serviços das empresas incubadas, secretaria, serviços administrativos e instalações laboratoriais; recursos humanos e serviços especializados que auxiliem as empresas incubadas em suas atividades, quais sejam, gestão empresarial, gestão da inovação tecnoló-gica, comercialização de produtos e servi-ços no mercado doméstico e externo, con-tabilidade, marketing, assistência jurídica, captação de recursos, contratos com financiadores, engenharia de produção e Propriedade Intelectual, entre outros; capacitação, formação e treinamento de empresários-empreendedores nos princi-pais aspectos gerenciais, tais como gestão empresarial, gestão da inovação tecnoló-gica, comercialização de produtos e servi-ços no mercado doméstico e externo, con-tabilidade, marketing, assistência jurídica, captação de recursos, contratos com financiadores, gestão da inovação tecno-lógica, engenharia de produção e Proprie-dade Intelectual; acesso a laboratórios e bibliotecas de universidades e instituições que desenvolvam atividades tecnológi-cas” (MCT, 2000, p. 6-7).
Referências Bibliográficas
1http://www.publico.pt/vozdasmarcas/saldo-positivo/ o-que-e-e-para-que-serve-uma-incubadora-de-empresas-1674317. 2http://saldopositivo.cgd.pt/empresas/um-ninho-para -a-sua-empresa#ixzz3NfLSWM8S. 3 http://www.nintec.ufla.br/inbatec/programa-de-incubacao/sobre-as-incubadoras-de-empresas/.Centre for Strategy and Evaluation Services (2002),
Benchmarking of Business Incubators, European
Com-mission Enterprise Directorate General, Brussels.
Erlewine, Meredith (2007), Comparing Stats on Firm
Survival, In Measuring Your Business Incubator's
Eco-nomic Impact: A Toolkit. Athens, National Business In-cubation Association, Ohio.
Lalkaka (1996), Adaptation and Replication of Business
Incubators in Latin America.
Ministério Da Ciência E Tecnologia – MCT (2000),
Manual Para a Implantação de Incubadoras de Empresas, Secretaria de Política Tecnológica
Empresa-rial – SEPTE, Coordenação de Sistemas Locais de Ino-vação
Morais, E. F. C. (1997), A Incubadora de Empresas
como Fator de Inovação Tecnológica em Pequenos Empreendimentos, Dissertação de Mestrado em
Socio-logia. Universidade de Brasília, Brasília.
Knopp, Linda (2007), 2006 State of the Business
Incuba-tion Industry, NaIncuba-tional Business IncubaIncuba-tion AssociaIncuba-tion,
Athens, Ohio.