• Nenhum resultado encontrado

ENFOQUE CTSA E O ENSINO DE ROBÓTICA NAS ATIVIDADES DO PROJETO ASTROEM III: O EXPERIMENTO ROBOMIND E ROBÔ LEGO MINDSTORMS NXT

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2020

Share "ENFOQUE CTSA E O ENSINO DE ROBÓTICA NAS ATIVIDADES DO PROJETO ASTROEM III: O EXPERIMENTO ROBOMIND E ROBÔ LEGO MINDSTORMS NXT"

Copied!
13
0
0

Texto

(1)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

ENFOQUE CTSA E O ENSINO DE ROBÓTICA NAS ATIVIDADES DO

PROJETO ASTROEM III: O EXPERIMENTO ROBOMIND E ROBÔ LEGO

MINDSTORMS NXT

Cláudia de Oliveira Lozada1

Cláudia Celeste Celestino2

Wesley Góis3

Maria Cecília França de Paula Santos Zanardi4

Juliana Louise Oliveira de Mello Silva5

Resumo: Este trabalho tem como objetivo apresentar as atividades relacionadas ao Ensino de Robótica, desenvolvidas pelo Projeto Astroem III com enfoque CTSA. Para tanto, apresentaremos os experimentos realizados com o Robomind e o Lego Mindstorms NXT com grupos de alunos do Ensino Médio de duas escolas da rede pública estadual do Grande ABC. Os resultados demonstram que as atividades relacionadas à Robótica Educativa tornam as aulas mais atrativas, atualizadas e contextualizadas, possibilitando uma reflexão sobre o avanço científico e tecnológico e seus impactos para a sociedade e para o meio ambiente.

Palavras-chave: Enfoque CTSA; Projeto Astroem; Ensino de Robótica.

CTSA APPROACH AND ROBOTICS EDUCATION IN ACTIVITIES OF THE PROJECT ASTROEM III: THE EXPERIMENT ROBOMIND AND ROBOT LEGO MINDSTORMS NXT Abstract: This paper aims to present the activities related to robotics education, developed by the Project Astroem III with CTSA approach. Therefore, we present the experiments with RoboMind and Lego Mindstorms NXT with high school students in groups of two schools in the public schools of the Great ABC. The results demonstrate that the activities related to educational robotics make the classes much more attractive, updated and contextualized, allowing a reflection on the scientific and technological advances and their impact on society and the environment.

Keywords: CTSA approach; Project Astroem III; Robotics Education. 1. INTRODUÇÃO

Os currículos de Ciências e de Física devem dar ênfase ao avanço científico e tecnológico e incluir conteúdos que possibilitem aos alunos compreender o funcionamento e a utilização dos artefatos e os impactos gerados por seu desenvolvimento no que diz respeito à sociedade e ao meio ambiente. Embora os Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998), os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 2000) e o PCN Mais (BRASIL, 2002) recomendem esta abordagem, pouco se vê

1 Pós-Doutorado pelo Centro de Matemática, Computação e Cognição (UFABC), Doutorado em Educação (Ensino de Ciências e Matemática) – USP.

2 Doutorado em Engenharia e Tecnologia Espaciais - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Mestrado em Física (UNESP).

3 Doutorado em Engenharia Civil (USP), Mestrado em Engenharia Civil (USP).

4 Doutorado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Mestrado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). 5 Bacharelanda em Ciência e Tecnologia – UFABC.

(2)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

concretamente na maioria das escolas, que em geral demonstram um deficit na abordagem dos conteúdos sob esta perspectiva. É notório que os alunos rotineiramente estão em contato com tecnologias móveis, por exemplo, mas sua inserção como tema para aula ou em projetos extracurriculares tem baixa adesão por parte dos professores. Deste modo, se faz necessária uma reorientação curricular a fim de que esses temas que envolvam o desenvolvimento científico e tecnológico sejam inseridos nos conteúdos da Educação Básica trazendo uma inovação curricular (COUSO, 2009), pois sua abordagem apresenta vários benefícios para o processo ensino-aprendizagem, tais como: a) motivação: conteúdo contextualizado, atualizado e presente no cotidiano; b) aprendizagem significativa dos fenômenos físicos; c) renovação das práticas pedagógicas.

Nesse contexto, o Ensino de Robótica pode auxiliar nesta reorientação/inovação curricular, pois como bem coloca Zilli (2004, p. 77):

É um recurso tecnológico bastante interessante e rico no processo de ensino-aprendizagem, ela contempla o desenvolvimento pleno do aluno, pois propicia uma atividade dinâmica, permitindo a construção cultural e, enquanto cidadão tornando-o autônomo, independente e responsável. No entanto, recomenda-se que a utilização da robótica nas escolas possa ser integrada ao currículo e realizada sob uma perspectiva interdisciplinar, conforme pontuam Gomes et al. (2010, p. 212):

A robótica é uma área de pesquisa que visa ao desenvolvimento de robôs que venham a auxiliar o homem em tarefas complexas e/ou repetitivas. Observamos o avanço dessa ciência em muitos campos: na medicina, na astronomia, na indústria automobilística e têxtil etc. Sendo uma área que agrega conhecimentos nas diversas ciências, pode-se dizer que ela é por natureza interdisciplinar.

Gomes et al. (2010, p. 11) inclusive enfatizam sobre o aspecto motivador do Ensino de Robótica:

A robótica educativa como ferramenta no processo de aprendizagem exercita e instiga a curiosidade, a imaginação e a intuição, elementos centrais que favorecem experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade.

Por outro lado, a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) desde 2004, contempla uma série de ações para popularização da Ciência e Tecnologia e seus reflexos para sociedade e para o meio ambiente, portanto, dissemina o enfoque CTSA (Ciência, Tecnologia, Sociedade e

(3)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

Meio Ambiente) e pode despertar o interesse dos alunos e público em geral, pelos conhecimentos de robótica.

Nesse sentido, o Projeto Astroem III por meio do desenvolvimento de atividades que envolvem a programação de robôs e seu respectivo funcionamento tem contribuído para estimular a inserção de conteúdos de robótica no currículo da Educação Básica. O Projeto Astroem é uma iniciativa da Universidade Federal do ABC, sendo desenvolvido em parceria com escolas públicas da região do Grande ABC no estado de São Paulo, proporcionando o desenvolvimento de conhecimentos básicos de Mecânica Aplicada, Aeronáutica, Astronáutica e Astronomia. Neste trabalho, relataremos a aplicação de atividades que envolvem o Ensino de Robótica pelo Projeto Astroem III e seus resultados.

2. O ENFOQUE CTSA, O ENSINO DE ROBÓTICA E A QUESTÃO CURRICULAR

Segundo Sasseron e Carvalho (2008), a alfabetização científica é estruturada sobre três eixos: a) compreensão básica de termos, conhecimentos e conceitos científicos fundamentais; b) compreensão da natureza da Ciência e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática; c) entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e meio ambiente.

Estes eixos estão relacionados ao desenvolvimento da linguagem científica, ao enfoque CTSA e à educação crítica e cidadã. As atividades planejadas para aulas de Ciências com a finalidade de contribuir para a alfabetização científica podem seguir estes eixos, estimulando os processos argumentativos nos quais o professor poderá identificar as relações com o enfoque CTSA com base na análise das operações epistemológicas expressas pelos alunos. (JIMÉNEZ-ALEIXANDRE, BUGALLO RODRÍGUEZ E DUSCHL, 2000 apud SASSERON e CARVALHO, 2008).

Fernandes, Pires e Villamañán (2014) relembram que nas últimas décadas o enfoque CTSA norteou o desenvolvimento dos currículos de Ciências de muitos países. Constituiu-se como uma tendência educativa no sentido de acompanhar a celeridade dos avanços científicos e tecnológicos e das questões relacionadas ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.

As autoras (op.cit, p. 25, tradução nossa) explicam que os currículos com enfoque CTSA devem propagar os seguintes aspectos: a) desenvolvimento de procedimentos científicos (observar, inferir, classificar, explicar, relacionar, argumentar); b) a resolução de problemas; c) a melhoria do pensamento crítico; d) o desenvolvimento de princípios e

(4)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

normas de conduta responsável e consciente, individuais e coletivas; e) a tomada de decisões conscientes, informadas e argumentadas diante das consequências da ação humana no ambiente; f) desenvolvimento de questões problemáticas atuais relacionadas com a cidadania, sustentabilidade e proteção do ambiente.

Estes aspectos são claramente observados, por exemplo, nas Orientações Curriculares para o Ensino Médio (OCEM):

Deve-se tratar a tecnologia como atividade humana em seus aspectos prático e social, com vistas à solução de problemas concretos. Mas isso não significa desconsiderar a base científica envolvida no processo de compreensão e construção dos produtos tecnológicos. A tão falada metáfora da alfabetização científica e tecnológica aponta claramente um dos grandes objetivos do ensino das ciências no nível médio: que os alunos compreendam a predominância de aspectos técnicos e científicos na tomada de decisões sociais significativas e os conflitos gerados pela negociação política. Uma formação crítica exige por parte dos sujeitos a capacidade de discutir abertamente questões resolvidas em instâncias tecnocráticas, que devem estar amparadas em sólida formação científica e tecnológica. Implica que seja possível discriminar o domínio da ciência e da tecnologia do debate ético e político. (BRASIL, 2006, p. 47)

As OCEM citam expressamente em seu texto o enfoque CTS e a alfabetização científica e tecnológica como pilares importantes do Ensino de Ciências. A nomenclatura utilizada no documento é CTS, mas não significa que as OCEM não façam menção ao meio ambiente, pelo contrário, em diversos trechos é possível constatar a preocupação com as questões ambientais.

No entanto, estes documentos não fazem referência ao ensino de robótica, embora muitas escolas, sobretudo as particulares, tenham adotado conteúdos relacionados à Robótica nas aulas do Ensino Médio. Fornaza e Webber (2013, p. 2) inclusive afirmam que “a Robótica Educacional, quando integrada aos conteúdos curriculares, coloca o aluno como construtor de sua aprendizagem.” Cabe salientar que os documentos oficiais da educação nacional recomendam o uso de recursos tecnológicos nas aulas por meio das tecnologias de informação e comunicação, como se pode notar neste trecho dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Matemática, por exemplo, pois a linguagem da programação utilizada em robótica está diretamente relacionada com a Matemática:

É esperado que nas aulas de Matemática se possa oferecer uma educação tecnológica, que não signifique apenas uma formação especializada, mas, antes, uma sensibilização para o conhecimento dos recursos da tecnologia, pela aprendizagem de alguns conteúdos sobre sua estrutura, funcionamento e linguagem e pelo reconhecimento das diferentes aplicações da informática, em particular nas situações de

(5)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

aprendizagem, e valorização da forma como ela vem sendo incorporada nas práticas sociais. (BRASIL, 1998, p. 46, grifo nosso)

Convém, contudo, lembrar que Seymour Papert foi precursor do uso do computador como ferramenta do processo ensino-aprendizagem na década de 60 e criador do LOGO, primeira linguagem de programação para crianças. Foi professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e suas ideias aplicadas à educação eram baseadas no construtivismo, pois havia trabalhado com Jean Piaget.

Em 1980, Papert publicou o livro “Mindstorms: Children, Computers and Powerful

Ideas", no qual defendia que um novo tipo de ambiente de aprendizagem demandaria o

contato entre a criança e o computador. Ele acreditava que o uso do computador pelas crianças poderia trazer “novas possibilidades de aprender, pensar e crescer tanto emocionalmente quanto cognitivamente” (PAPERT, 1980, pp. 17-18, tradução nossa). Foi um dos fundadores do MIT Media Lab, um laboratório de pesquisa interdisciplinar, na metade da década de 80, junto com o presidente do MIT, Jerome Wiesner, e o professor Nicholas Negroponte. Nesta mesma época, Papert iniciou uma colaboração com a Lego, e dessa colaboração originou-se o kit de robótica LEGO Mindstorms, utilizado no relato de experiência narrado neste artigo.

Na metade dos anos 2000, Seymour participou de uma iniciativa para produção e distribuição de laptops para crianças carentes. Faleceu em julho de 2016 deixando um legado inegável.

Figura 1 - Papert e crianças utilizando o Logo

No Brasil, há o Exame Nacional de Tecnologia em Robótica (ENATER), criado em 2012 com o objetivo de fomentar o Ensino de Robótica na Educação Básica. São aplicadas provas em quatro níveis associados à faixa etária dos participantes. A prova pode ser realizada por meio digital e aborda conteúdos de robótica envolvendo a resolução de problemas e tomada de decisões. Esta é uma importante iniciativa para disseminar o Ensino de Robótica e familiarizar os alunos com as temáticas relacionadas à Ciência e Tecnologia.

(6)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017. 3. O EXPERIMENTO ROBOMIND E ROBÔ LEGO MINDSTORMS NXT

O Projeto Astroem teve início em 2013 e está em sua 4ª edição. É um projeto extensionista da Universidade Federal do ABC, e conta com a participação de docentes e alunos da graduação dos cursos de Bacharelado em Ciência e Tecnologia e Engenharias. O Projeto Astroem está estruturado em quatro módulos – Mecânica Aplicada, Aeronáutica, Astronáutica e Astronomia – e está voltado para a melhoria do Ensino de Ciências na Educação Básica. Por outro lado, visa diminuir a distância entre a Universidade e as escolas de Educação Básica e estimular o interesse dos alunos pelos cursos de Engenharia.

O Projeto Astroem inclui aulas teóricas e práticas que são ministradas pelos alunos do Bacharelado em Ciência e Tecnologia e Engenharias da Universidade Federal do ABC, responsáveis pela elaboração do material didático utilizado no desenvolvimento do Projeto, sob a supervisão da coordenação do projeto e dos professores e pesquisadores da UFABC integrantes do Projeto.

Os experimentos relatados foram aplicados durante o desenvolvimento do Projeto Astroem III, em 2015, no módulo de Mecânica Aplicada. Duas escolas da rede pública estadual do Grande ABC participaram do Projeto Astroem III, que abrangeu turmas do 9º ano do Ensino Fundamental e alunos do Ensino Médio. Os experimentos tiveram como fundamento a aprendizagem cooperativa.

Johnson, Johnson e Holubec (1999) esclarecem que a aprendizagem cooperativa se caracteriza pela interdependência positiva, responsabilidade individual, interação face-a-face, habilidades interpessoais e processamento grupal. A aprendizagem cooperativa implica na orientação dos alunos por parte do professor, e Perret-Clermont (1980) recomenda a formação de grupos heterogêneos com alunos que possuam diferentes níveis de conhecimento, possibilitando a ativação da zona de desenvolvimento proximal.

Os experimentos realizados basearam-se numa concepção interdisciplinar com a disciplina História. As aulas teóricas que precederam os experimentos tiveram uma abordagem histórica dos conteúdos desenvolvidos que envolveram lógica da programação e Cinemática.

O experimento do Robomind está inserido no módulo de Mecânica Aplicada do Projeto Astroem. A utilização do Robomind permite a ênfase no enfoque CTSA, uma vez que está voltado para a robótica educacional, portanto, relacionado ao desenvolvimento tecnológico.

(7)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

O Robomind permite programar robôs utilizando uma linguagem simples e acessível. Antes de iniciar as atividades com o Robomind, os alunos participam de uma aula sobre lógica da programação e sobre a história da robótica, na qual são abordados, a origem dos termos “robô” e “robótica” e o surgimento do primeiro robô. Em seguida, a turma é dividida em grupos e são distribuídas as instruções de programação e movimentação do robô. A programação permite a movimentação do robô nas direções norte, sul, leste e oeste e rotacioná-lo em 90 graus. Outros comandos são direcionados a pegar objetos e soltá-los, assim como pintar a superfície utilizando um pincel.

Figura 2 - Movimentos e programação do robô

Na atividade que envolve a programação, é fornecido um mapa para que os alunos movimentem o robô até a estrela, mas ao longo do trajeto deverão pegar um objeto. Essa atividade visa operacionalizar os comandos básicos do Robomind. Por fim, os alunos devem indicar um outro trajeto que o robô poderia percorrer até a estrela, ou seja, aqui espera-se que os alunos demonstrem ter aprendido a movimentação em todas as direções.

Figura 3 - Atividade com Robomind

A atividade seguinte aborda as funções pré-carregadas e tem como foco a programação e os possíveis erros na escrita do algoritmo e que levam a não movimentação do robô. Em seguida, a próxima atividade propõe a utilização de um mapa e a programação do robô com a função “pintar”, além de serem instigados a modificar a programação para ver o que ocorre.

(8)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017. Figura 4 - Competição com o uso do Robomind

As dificuldades encontradas pelos alunos dizem respeito à digitação dos comandos para programação, pois não estão familiarizados com a lógica. Quanto à movimentação dos robôs praticamente não apresentaram dificuldades.

No módulo de Mecânica Aplicada, outra atividade envolveu a robótica e abordou a utilização do Lego Mindstorms NXT. Este experimento foi precedido de uma aula teórica seguida da distribuição dos kits de robótica educacional – Lego Mindstorms NXT. Os alunos programaram o robô primeiramente sem sensores e em seguida com sensores utilizando os comandos padrões. A utilização dos parâmetros “seconds” e “rotations” para a movimentação dos robôs possibilitou aos alunos revisitarem conceitos básicos de Cinemática, como distância percorrida e tempo gasto, cuja relação desencadeia o conceito de velocidade média. Para a atividade com os sensores, foram utilizados 2 pedaços de 20 cm de fita isolante paralelas umas às outras com uma distância de 40cm.

Figura 5 - Robô Lego Mindstorms NXT

Pediu-se aos alunos que fizessem um programa para que o robô pudesse andar infinitamente e que emitisse um som quando o sensor de luz passasse pelas fitas pretas. Em seguida, deveriam fazer um programa para que o robô emitisse o som em ambas as fitas pretas, mas que o fizesse parar na segunda. Seguiu-se propondo um desafio de colocar um obstáculo posicionado em frente à fita e que estivesse no raio de visão do

(9)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

sensor ultrassônico. Os alunos deveriam fazer um programa para que o robô andasse infinitamente e quando identificasse o obstáculo a uma distância de 15 cm, pudessem pará-lo e que emitisse um som. Como atividade extra os alunos deveriam utilizar o aplicativo de celular Lego NXT e controlar remotamente o robô pelo celular.

Figura 6 - Tela de programação do Lego Mindstorms NXT

Após aprenderem a programar e a movimentar o robô, os grupos participaram de uma competição.

Figura 7 - Competição com o uso do Lego Mindstorms NXT

Observamos que a realização desta atividade despertou o interesse dos alunos em explorar os componentes do robô, sua montagem e seu funcionamento, embora os robôs tivessem sido distribuídos parcialmente montados, pois senão a montagem ocuparia parte do tempo do desenvolvimento da atividade. Os alunos apresentaram inicialmente certa dificuldade com a lógica da programação, linguagem com a qual não estão habituados, sobretudo, ao escrevê-la. Interessante recordar a colocação que Papert (1980, p. 16,

(10)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

tradução nossa) fazia em relação à linguagem da programação, no sentido de torná-la mais próxima e recorrente aos alunos, daí a introdução da robótica nas aulas ser essencial, tendo em vista que os alunos podem desenvolver uma série de competências e habilidades nesta área, pois, como ele afirmava “primeiro, que todas as crianças, sob as condições certas, adquirem uma proficiência com a programação que a tornam uma das suas realizações intelectuais mais avançadas.”

Por outro lado, não apresentaram dificuldades na compreensão dos comandos e acharam interessante a utilização do aplicativo para o celular para o controle remoto do robô.

Os alunos possuem celulares conectados com a internet e podem fazer o download do aplicativo, portanto, possuem um artefato tecnológico muito familiar com diversas funções, inclusive educativas. Cabe aos professores desenvolverem atividades que possibilitem a exploração desses equipamentos que estão presentes no cotidiano dos alunos. As aulas se tornam contextualizadas, atualizadas e mais interessantes, pois o aluno consegue perceber os múltiplos usos desses equipamentos e que não se restringem apenas a comunicação e lazer.

As atividades que envolveram o Robomind e o Lego Mindstorms NXT requerem a utilização de computadores. Para tanto, as duas escolas participantes do Projeto Astroem possuíam laboratório com computadores nos quais o software pode ser instalado. Por outro lado, recomendamos que as escolas adquiram os kits do Lego Mindstorms NXT e que os professores recebam treinamento de como utilizá-lo para que planejem as atividades. Cabe lembrar que as atividades elaboradas com o Robomind e o Lego Mindstorms NXT, embora possam ter um traço de ludicidade (BENITTI et al., 2009), não devem se restringir a este aspecto, pois são dotadas de uma finalidade educativa, com desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas a determinados conteúdos. Os professores devem evitar o desvio de finalidade dessas atividades que devem ser devidamente planejadas e orientadas.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Robótica educativa ou pedagógica é vista como uma ciência multidisciplinar, já que aborda vários conteúdos relacionados a diversas disciplinas, como Matemática, Geografia, História, Física, Lógica de Programação e Informática, estimulando e proporcionando o contato do aluno com a tecnologia através da construção e programação de mecanismos robóticos, proporcionando o desenvolvimento do raciocínio

(11)

lógico-Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

matemático, da criatividade, da consciência crítica, percepção visual, coordenação motora, entre outros (KERBER, GUEDES e GUEDES, 2010).

Mahmud (2017, p. 58) destaca que, para a geração Z, o uso de recursos tecnológicos nas aulas pode propiciar melhor desempenho, além de proporcionar uma aprendizagem significativa:

Entretanto, não se pode negar o quanto a robótica educacional tem a contribuir para um ensino-aprendizagem mais significativo e que vá ao encontro das necessidades do mundo atual imerso em tecnologia e conectividade.

A robótica educativa possibilita aliar teoria e prática, intensificando o uso educativo do robô em ambientes de aprendizagem, como a sala de aula, através de três etapas básicas: criação de um projeto para a engenharia do robô, construção física do robô e sua programação. Com o uso do Robomind, os alunos podem aprender algoritmos de uma forma mais simples, assimilando estruturas básicas de programação (BARROS e PEREIRA, 2013). Por sua vez, o uso do Lego Mindstorm NXT em sala de aula proporciona aos alunos o desenvolvimento da criatividade na busca de soluções para os problemas propostos nas atividades, conduzindo à tomada de decisões, e quando as atividades são desenvolvidas em grupo, favorecem a colaboração entre os alunos.

Quando o Ensino de Robótica está relacionado ao enfoque CTSA enseja uma proposta de educação problematizadora, viabilizando um comprometimento social por parte dos alunos através de sua manifestação nos debates sobre Ciência e Tecnologia, enfatizando o desenvolvimento das habilidades sociais e cognitivas.

Por outro lado, a utilização da robótica educativa exigirá do professor uma mudança de postura em relação ao planejamento de suas aulas, focando-as na prática e na concepção hands on tec. No entanto, é preciso que o professor interaja com os equipamentos de modo a inseri-los adequadamente em sua prática e cotidiano docente, correlacionando-os com os conhecimentos científicos e, deste modo, atendendo às finalidades educativas do uso da robótica em sala de aula.

Agradecimentos

À Universidade Federal do ABC por disponibilizar os recursos necessários à execução do Projeto, à Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC) da Universidade Federal do ABC por possibilitar a realização do Projeto Astroem III, aos alunos e escolas participantes.

(12)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:

Ciências Naturais. Brasília: MEC /SEF, 1998.

_______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Matemática. Brasília: MEC/SEF, 1998.

_______. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. Parâmetros curriculares nacionais:

Ensino Médio. Brasília: MEC /SEMTEC, 2000.

_______. Secretaria de Educação Média e Tecnológica. PCN + Ensino Médio: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC; SEMTEC, 2002.

_______. Secretaria de Educação Básica. Orientações curriculares para o ensino médio: ciências da natureza, matemática e suas tecnologias. Brasília: MEC, Secretaria de Educação Básica, 2006.

BARROS, L. N.; PEREIRA, V. F. Roboteca: usando robôs lego mindstorm em sala de aula. Disponível em: http://www.fadep.br/engenharia-eletrica/congresso/pdf/118505_1.pdf. Acesso em: 28 jul. 2016.

BENITTI, F. B. V. et al. Experimentação com robótica educativa no ensino médio: ambiente,

atividades e resultados. Disponível em:

http://robolab.inf.furb.br/robolab/artigos/robolab/wie2009.pdf. Acesso em: 28 jul. 2016. COUSO, D. Science teacher´s professional development in contexts of education

innovation: analysis of three initiatives. Tesis. Bellaterra: UAB, 2009

FERNANDES, I. M; PIRES, D. M.; VILLAMANAN, R. M. Educación científica com enfoque

ciencia-tecnología-sociedad-ambiente: construcción de un instrumento de análisis de las directrices curriculares. Form. Univ., La Serena , v. 7, n. 5, pp. 23-32, 2014 .

FORNAZA, R.; WEBBER, C. G. Robótica educacional aplicada à aprendizagem em Física. Revista Novas Tecnologias na Educação, v. 12, n. 1, pp. 1-10, 2014.

GOMES, C. G. et al. A robótica como facilitadora do processo ensino-aprendizagem de matemática no ensino fundamental. In: PIROLA, N. A. (Org.). Ensino de ciências e

matemática, IV: temas de investigação [online]. São Paulo: Editora UNESP; São Paulo:

Cultura Acadêmica, 2010, pp. 205-221.

JOHNSON, D. W.; JOHNSON, R. T.; HOLUBEC, E. J. Los nuevos círculos del aprendizaje:

la cooperación en el aula y la escuela. Virginia: Aique, 1999.

KERBER, F. M.; GUEDES, A. L.; GUEDES, F. L. Experimentando a tecnologia lego

mindstorms. Disponível em: http://periodicos.unesc.net/sulcomp/article/view/272/280.

(13)

Revista UNIABEU, V.10, Número 26, Agosto-Dezembro de 2017.

MAHMUD, D. A. O uso de robótica educacional como motivação a aprendizagem de

matemática. 2017. 82 f. Dissertação (Mestrado Profissional) – Sociedade Brasileira de

Matemática – SBM; Fundação Universidade Federal do Amapá – UNIFAP.

PAPERT, S. Mindstorms: children, computers, and powerful ideas. New York: Basic Books, 1980.

PERRET-CLERMONT, A. N. Social interaction and cognitive development in children. London: Academic Press, 1980.

SASSERON, L. H.; CARVALHO, A. M. P. Almejando a Alfabetização Científica no Ensino Fundamental: a proposição e a procura de indicadores do processo. Investigações em

Ensino de Ciências. Porto Alegre, v. 13, n. 3, pp. 333-352, 2008.

ZILLI, S. R. A robótica educacional no ensino fundamental: perspectivas e práticas. 2004. 87 f. Dissertação (Mestrado) – Florianópolis, Universidade Federal de Santa Catarina, 2004.

Submetido: 04 de maio de 2016

Imagem

Figura 1 - Papert e crianças utilizando o Logo
Figura 2 - Movimentos e programação do robô
Figura 4 - Competição com o uso do Robomind
Figura 6 - Tela de programação do Lego Mindstorms NXT

Referências

Documentos relacionados

Para entender o supermercado como possível espaço de exercício cidadão, ainda, é importante retomar alguns pontos tratados anteriormente: (a) as compras entendidas como

O jacarandá (Dalbergia brasiliensis) mostrou crescimento em altura próximo à altura média entre as espécies ensaiadas (1,23m), destacando-se também como espécie alternativa para

Seu vampiro é um adolescente que frequenta salas de aulas, adora velocidade, não dorme em caixões, anda de dia, e, principalmente, irá amadurecer (mesmo tendo

Excursão 2: Geologia e Geomorfologia na cidade de Barreiras (BA) Excursão 3: Trilha contemplativa à Lapa da Fazenda Palmeira, São Desidério (BA) Excursão 8: Garganta do

a) Doenças pré-existentes ao período de viagem (vigência do seguro) e quaisquer de suas conseqüências, incluindo convalescenças e afecções em tratamentos ainda

No entanto, maiores lucros com publicidade e um crescimento no uso da plataforma em smartphones e tablets não serão suficientes para o mercado se a maior rede social do mundo

Apesar do glicerol ter, também, efeito tóxico sobre a célula, ele tem sido o crioprotetor mais utilizado em protocolos de congelação do sêmen suíno (TONIOLLI

Taking into account the theoretical framework we have presented as relevant for understanding the organization, expression and social impact of these civic movements, grounded on