ROMANTISMO PT BR-POESIA PERÍODO
Século XIX: Portugal (1825-1875), Brasil (1830-1881) CONTEXTO HISTÓRICO
Liberalismo político Revolução Industrial
Império de Napoleão Bonaparte Família Real no Brasil
Independência do Brasil ORIGENS
O Romantismo surgiu na Alemanha com o romance Os sofrimentos
do jovem Werther (1774), de Goethe, devido ao movimento ―Sturm und Drang‖ (Tempestade e Fúria), que preconizava o sentimento em detrimento da razão e a liberdade formal. Na Inglaterra, despontou com nomes como Lord Byron (poesia), Bram Stocker (Drácula), Edgar Allan Poe (poesia e contos), Mary Shelley (Frankenstein), Walter Scott (Ivanhoé) e Robert Louis Stevenson (O médico e o monstro), livros mais associados à atmosfera fúnebre e de terror. Na França, destacam-se os poetas Alfred Musset e Victor Hugo, que também escreveu um romance de vertente social (Os Miseráveis).
CARACTERÍSTICAS
Liberdade de criação e expressão Nacionalismo
Historicismo e Medievalismo Tradições populares
Individualismo, egocentrismo, subjetivismo Pessimismo, saudosismo, escapismo
Idealização do herói, do amor e da mulher Natureza como cúmplice do herói
ROMANTISMO PT BR-POESIA PORTUGAL
Em Portugal, o Romantismo se manifestou em três gerações:
PRIMEIRA GERAÇÃO: trabalhou os temas da saudade, do passado histórico e do medievalismo. Autores: Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Antônio Feliciano de Castilho.
SEGUNDA GERAÇÃO: trabalhou os temas do ultrarromantismo e do pessimismo nas relações amorosas. Autores: Camilo Castelo Branco e Soares de Passos.
TERCEIRA GERAÇÃO: apresentava traços realistas, evidenciando a estética romântica em decadência. Autores: Júlio Dinis e João de Deus.
PRIMEIRA GERAÇÃO PORTUGUESA
ALMEIDA GARRETT: Iniciador do Romantismo em Portugal. Em 1825, publicou o poema Camões. Escreveu em diversos gêneros, contudo, destacaremos somente a sua produção poética, teatral e narrativa. De poesia, possui duas coletâneas: Flores sem fruto e Folhas caídas. Em 1844, é publicada a sua obra-prima teatral, Frei Luís de Sousa. Viagens na minha terra é o seu romance mais famoso. Outras obras: Dona Branca, Lírica de João Mínimo, Um Auto de Gil Vicente, O Alfageme de Santarém, O Arco de Sant'Ana. NÃO TE AMO
Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma. E eu n’alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo. Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida. E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo. Ai, não te amo, não!
Ai! não te amo, não; e só te quero De um querer bruto e fero Que o sangue me devora, Não chega ao coração.
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela. Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado, De mau, feitiço azado
Este indigno furor. Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero; e tanto Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
ROMANTISMO PT BR-POESIA RESUMO DE FREI LUÍS DE SOUSA:
Em 1578, o rei D. Sebastião desapareceu, e entre os nobres desaparecidos com ele estava D. João de Portugal, marido de Madalena de Vilhena. Tendo esperado durante sete anos o retorno do marido, Madalena acabou contraindo segundas núpcias com Manuel de Sousa Coutinho. Entretanto, vivia angustiada com a possibilidade de que o primeiro marido estivesse ainda vivo, angústias alimentadas por Telmo Paes, o fiel escudeiro de D. João. Vinte anos depois, D. João retorna a Portugal, e Manuel Coutinho e Madalena tomam o hábito religioso como forma de expiação. Manuel adota o nome de Frei Luís de Sousa, e Maria de Noronha, filha do casal ilícito, morre aos pés de seus pais por causa vergonha.
RESUMO DE VIAGENS NA MINHA TERRA:
O narrador-autor A. inicia uma viagem de Lisboa à Santarém a convite do amigo Passos Manuel. A obra compõe-se de duas partes: a primeira compõe-se das impressões de viagem feita por A. de Lisboa a Santarém, intercalando citações literárias e históricas as mais diversas, conversando com o leitor(a), controlando o andamento da narrativa, cheia de digressões. A segunda parte trata de uma história amorosa e trágica que envolve as personagens Joaninha, Carlos, Georgina, Francisca e Frei Dinis, durante as lutas entre liberais e miguelistas. Carlos era apaixonado por Georgina, uma namorada inglesa, e pela prima Joaninha,
a ―menina dos rouxinóis‖, moça do interior do país. A velha cega Francisca, avó de Joaninha, sabe que Frei Dinis é o pai de Carlos. Este, ao saber a verdade, abandonado por Georgina, foge para tornar-se barão, e Joaninha morre de tristeza.
ALEXANDRE HERCULANO: A parte mais significativa da sua obra concentra-se na narrativa histórica. O autor situa ação num tempo passado, geralmente medieval, época em que se encontravam as raízes da nacionalidade portuguesa.
RESUMO DE EURICO, O PRESBÍTERO
Eurico e Hermengarda amam-se, mas embora ele seja um gardingo (nobre, entre os visigodos), não tem a permissão do pai da moça, Favila, duque da Cantábria. Abandonando a corte, Eurico refugia-se na religião para esquecer o sofrimento amoroso, torna-refugia-se presbítero (sacerdote), passando a viver retirado em Cartéia. Torna-se um bispo famoso. Por essa época, os árabes invadem a Península, e Eurico presencia o desembarque dos árabes. Após a derrota do exército visigodo, Pelágio, irmão de Hermengarda, organiza a resistência nas montanhas das Astúrias. Nessa grande batalha, um cavaleiro misterioso, vestido de negro, é o último a se retirar,
lutando com tal ímpeto e coragem, que os árabes, mesmo vitoriosos, passam a temê-lo, supersticiosamente, acreditando ser ele a personificação de Ibliz, um demônio infernal. O cavaleiro negro é Eurico. Hermengarda é aprisionada pelos árabes durante o ataque ao convento em que se refugiara. As religiosas optam pelo suicídio antes de cair nas mãos dos árabes, mas Hermengarda é capturada viva e entregue nas mãos de Abdulaziz, grande chefe árabe. O cavaleiro negro, chefiando doze homens de Pelágio, consegue resgatá-la do acampamento de Abdulaziz. Eurico revela sua identidade, mas está impedido de unir-se a Hermengarda devido aos votos sacerdotais. Na batalha de Auseba, Eurico mata os traidores e se deixa ser degolado pela espada de um inimigo. Hermengarda enlouquece.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
ANTÔNIO FELICIANO DE CASTILHO: Graças à cegueira, mais do que à sua poesia, alcançou injustamente ser venerado como mestre por uma série de românticos menores. SEGUNDA GERAÇÃO PORTUGUESA
CAMILO CASTELO BRANCO: é o mais alto representante da novela passional em Portugal, definindo-a no gosto do público. Obras: Amor de Perdição, Coração, Cabeça e Estômago, Amor de Salvação, A Queda dum Anjo, A Brasileira de Prazins.
RESUMO DE AMOR DE PERDIÇÃO
O narrador-autor reproduz o registro de prisão de Simão Botelho nas cadeias da Relação do Porto e antecipa o degredo do moço, aos 18 anos, em circunstância ligada a uma paixão juvenil, bem como o desenlace trágico da história. Passa então a contar a história da família de Simão Botelho. Principia acompanhando a trajetória de seu pai, Domingos Botelho. Domingos se orgulha da valentia e dos resultados acadêmicos de Simão, seu filho mais moço. Sinmão se envolve em brigas para defender criados, defende a Revolução Francesa, e a situação com o pai piora quando ele se apaixona por Teresa Albuquerque, filha do vizinho, inimigo de seu pai. Por três meses, Simão e Teresa encontram-se às escondidas. Uma noite, o pai de Teresa, Tadeu, pega-os em flagrante e Simão, desesperado, parte para Coimbra. Tadeu ameaça mandar a filha para o convento. A irmã de Simão, Rita, faz amizade com Teresa, mas Domingos Botelho as flagra, e Rita conta toda a história. Tadeu promete a filha a Baltasar Coutinho, e Teresa se nega. Simão volta, hospeda-se na casa do ferreiro João da Cruz, que tinha uma linda filha chamada Mariana, que se apaixonou por Simão. Uma noite, Simão vai à casa de Teresa e Baltasar descobre. Arma uma emboscada para matar Simão, que sai muito ferido e é cuidado por Mariana. Teresa é levada ao convento de Viseu provisoriamente, convivendo com as freiras e seus namoros, bebidas e vícios de toda sorte, mas faz amizade com uma freira que leva suas cartas a Simão. Quando Teresa é transferida para o convento de Monchique, Simão decide raptá-la no caminho. Baltasar agride verbalmente Simão, que lhe dá um tiro. Vários pedem para que Simão fuja, mas ele se recusa. Simão é preso e seu pai se muda para outra cidade. Simão é condenado à forca, e Mariana, que cuidara dele na prisão, sofre de um ataque de loucura. O pai de Simão é forçado pela família a conseguir a comutação da pena do filho para um degredo de dez anos na Índia. Teresa, no convento de Monchique, cai doente e só melhora quando fica sabendo que Simão passará pelo Porto antes de ser levado. Na cadeia do Porto, Mariana se restabelece, mas João da Cruz é morto por
crimes antigos, e a filha vende tudo para estar livre para acompanhar Simão no degredo. Simão se recusa a permanecer em Portugal preso, e meses depois, embarca para a Índia. Mariana consegue um lugar a bordo. Simultaneamente, no convento, Teresa relê uma a uma as cartas de Simão, as enlaça e entrega para sua tia freira, Constança, com o pedido de que sejam entregues a Simão. Sobe para o mirante, e ao mesmo tempo Simão pede a Mariana que lhe mostre o convento, e vê Teresa acenando. Lá mesmo, Teresa morre. Simão lê a última carta de Teresa, e depois de sofrer durante nove dias febres e delírio, e morre em alto-mar. No mesmo instante em que os marujos arremessam o corpo de Simão ao mar, Mariana se atira e também morre.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
SOARES DE PASSOS: Seu poema mais famoso é ―O Noivado do Sepulcro‖, que foi ridicularizado pelos autores realistas.
TERCEIRA GERAÇÃO PORTUGUESA
JÚLIO DINIS: Cultivou o romance de namoro, que se passa no campo. O amor flui mansamente, sem os vulcanismos de Camilo. O amor, em Dinis, não arrasta nem à morte nem à desesperança; ao contrário, é guiado por princípios éticos, como dita o didatismo de Dinis. O escritor se utiliza de fontes extraídas da realidade, constituindo-se como um precursor do Realismo. Principais romances: As Pupilas do Senhor Reitor, A Morgadinha dos Canaviais, Uma Família Inglesa, Os Fidalgos da Casa Mourisca. RESUMO DE AS PUPILAS DO SENHOR REITOR
Daniel, ainda menino, prepara-se para ingressar no seminário, mas o reitor descobre seu inocente namoro com a pastorinha Margarida (Guida). O pai, José das Dornas, decide, então, enviá-lo ao Porto para estudar Medicina. Dez anos depois, Daniel volta para a aldeia como médico homeopata. Margarida, agora professora de crianças, conserva ainda seu amor pelo rapaz. Ele, no entanto, contaminado pelos costumes da cidade, torna-se um namorador inconstante, e já nem se lembra da pequena pastora. A esse tempo, Pedro, irmão de Daniel, está noivo de Clara, irmã de Margarida. O jovem médico encanta-se da futura cunhada, iniciando uma tentativa de conquista que poria em risco a harmonia familiar. Clara, inicialmente, incentiva os arroubos do rapaz, mas recua ao perceber a gravidade das consequências. Clara concede-lhe uma entrevista no jardim de sua casa, e surpreendidos por Pedro, são salvos por Margarida, que toma o lugar da irmã. Esses acontecimentos tornam-se um grande escândalo que compromete a reputação de Margarida. Daniel,
impressionado com a abnegação da moça, recorda-se, finalmente, do amor da infância. Apaixonado agora por Guida, procura conquistá-la. Depois de muita resistência e de muito sofrimento, Margarida aceita o amor de Daniel.
JOÃO DE DEUS: Aproximou-se da tradição folclórica, e a sua poesia distinguiu-se, sobretudo, pela grande riqueza musical e rítmica.
ROMANTISMO PT BR-POESIA BRASIL
O Romantismo no Brasil desenvolveu-se tanto como poesia quanto como prosa. E as duas modalidades foram desenvolvidas em temas e gerações diferentes. São elas:
PRIMEIRA GERAÇÃO: nacionalista ou indianista. Recebeu influência direta da Independência do Brasil, por tal motivo, houve a necessidade de exaltar as belezas da natureza e da pátria, tomando o índio como herói nacional. Com uma mistura de nacionalismo, ufanismo quinhentista e sentimentalismo romântico, os principais poetas da primeira geração são: Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias e Araújo Porto-Alegre. SEGUNDA GERAÇÃO: ultrarromântica, byroniana ou Mal-do-século. Romantismo
levado às extremas, cuja necessidade maior do poeta é a evasão ou escapismo por meio do sonho, da loucura, da bebida e dos prazeres e principalmente da morte. Caracteriza-se pelo egocentrismo, em que o poeta sofre de spleen (tédio, desencanto) com o mundo que o rodeia (byronismo, relacionado ao poeta inglês Lord Byron). O estilo de vida apreciado é resultante de uma visão pessimista, satânica, boêmio, noturno. A noite e o mistério predominam neste estilo de poesia, quando não as referências à infância, de uma forma saudosista e negativa. A figura feminina é idealizada e inacessível, ou demoníaca e fúnebre, porém, em ambos os casos, representa o amor não concretizado e sofrimento do poeta. Todas estas características fazem da segunda geração uma representante do Mal-do-século nas letras brasileiras. Principais poetas: Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire.
TERCEIRA GERAÇÃO: condoreira, social, libertária ou hugoana. Esteve impregnada pelos ideais de liberdade proclamados pela República e pela Abolição da Escravatura. É voltada constantemente para a libertação dos negros, em tom eloquente, cheio de exclamações, exageros e apóstrofes. Mesmo tendo o condor (ave que simboliza a liberdade) como símbolo, a terceira geração ainda discute sobre o amor, só que um amor realizado, mais erótico, com uma mulher mais carnal do que na geração anterior. Autores: Castro Alves, Sousândrade.
PRIMEIRA GERAÇÃO BRASILEIRA
GONÇALVES DE MAGALHÃES: introdutor do Romantismo no Brasil, com a obra Suspiros poéticos e saudades. Cultivou a poesia religiosa e indianista, e ainda um poema épico, A Confederação dos Tamoios (esta obra lhe valeu agitada polêmica com José de Alencar, relativa à visão de cada autor sobre o índio).
ROMANTISMO PT BR-POESIA
GONÇALVES DIAS: Suas obras mais famosas têm temática indianista. Obras: Primeiros cantos, Segundos Cantos, Sextilhas de Frei Antão, Os timbiras (revolta dos Timbiras, de 1560, quando os guerreiros da tribo, guiados por Aimbiré, se sublevaram contra os portugueses), I-Juca-Pirama.
MARABÁ
Eu vivo sozinha, ninguém me procura! Acaso feitura
Não sou de Tupã!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde: — "Tu és", me responde,
"Tu és Marabá!"
— Meus olhos são garços, são cor das safiras, — Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar; — Imitam as nuvens de um céu anilado, — As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos: "Teus olhos são garços",
Responde anojado, "mas és Marabá:
"Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes, "Uns olhos fulgentes,
"Bem pretos, retintos, não cor d'anajá!" — É alvo meu rosto da alvura dos lírios, — Da cor das areias batidas do mar;
— As aves mais brancas, as conchas mais puras — Não têm mais alvura, não têm mais brilhar. Se ainda me escuta meus agros delírios:
— "És alva de lírios",
Sorrindo responde, "mas és Marabá: "Quero antes um rosto de jambo corado, "Um rosto crestado
"Do sol do deserto, não flor de cajá." — Meu colo de leve se encurva engraçado, — Como hástea pendente do cáctus em flor; — Mimosa, indolente, resvalo no prado, — Como um soluçado suspiro de amor! — "Eu amo a estatura flexível, ligeira,
Qual duma palmeira",
Então me respondem; "tu és Marabá: "Quero antes o colo da ema orgulhosa, Que pisa vaidosa,
ROMANTISMO PT BR-POESIA
— Meus loiros cabelos em ondas se anelam, — O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram — De os ver tão formosos como um beija-flor! Mas eles respondem: "Teus longos cabelos, "São loiros, são belos,
"Mas são anelados; tu és Marabá:
"Quero antes cabelos, bem lisos, corridos, "Cabelos compridos,
"Não cor d'oiro fino, nem cor d'anajá,"
CANÇÃO DO EXÍLIO Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar - sozinho, à noite - Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá.
ROMANTISMO PT BR-POESIA I-JUCA PIRAMA
IV
Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo Tupi. Da tribo pujante, Que agora anda errante Por fado inconstante, Guerreiros, nasci; Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi. Já vi cruas brigas, De tribos imigas, E as duras fadigas Da guerra provei; Nas ondas mendaces Senti pelas faces Os silvos fugaces Dos ventos que amei. Andei longes terras, Lidei cruas guerras, Vaguei pelas serras Dos vis Aimorés; Vi lutas de bravos, Vi fortes — escravos! De estranhos ignavos Calcados aos pés. E os campos talados, E os arcos quebrados, E os piagas coitados Já sem maracás; E os meigos cantores, Servindo a senhores, Que vinham traidores, Com mostras de paz Aos golpes do imigo Meu último amigo, Sem lar, sem abrigo Caiu junto a mi! Com plácido rosto, Sereno e composto, O acerbo desgosto Comigo sofri.
Meu pai a meu lado Já cego e quebrado, De penas ralado, Firmava-se em mi: Nós ambos, mesquinhos, Por ínvios caminhos, Cobertos d'espinhos Chegamos aqui! O velho no entanto Sofrendo já tanto De fome e quebranto, Só qu'ria morrer! Não mais me contenho, Nas matas me embrenho, Das frechas que tenho Me quero valer. Então, forasteiro, Caí prisioneiro
De um troço guerreiro Com que me encontrei: O cru dessossego Do pai fraco e cego, Enquanto não chego, Qual seja — dizei! Eu era o seu guia Na noite sombria, A só alegria
Que Deus lhe deixou: Em mim se apoiava, Em mim se firmava, Em mim descansava, Que filho lhe sou. Ao velho coitado De penas ralado, Já cego e quebrado, Que resta? - Morrer. Enquanto descreve O giro tão breve Da vida que teve, Deixa-me viver! Não vil, não ignavo, Mas forte, mas bravo, Serei vosso escravo: Aqui virei ter. Guerreiros, não coro Do pranto que choro; Se a vida deploro, Também sei morrer.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
ARAÚJO PORTO-ALEGRE: Abandonou a mitologia clássica em proveito da temática nacional. Obras: Brasilianas, Colombo, Os Judas, Os Voluntários da Pátria.
SEGUNDA GERAÇÃO BRASILEIRA
ÁLVARES DE AZEVEDO: A Lira dos Vinte Anos é sua única obra publicada em vida, mas depois da morte do poeta, alguns poemas foram acrescentados. O livro compõe-se de três partes, e apresenta duas faces: a Face Ariel (primeira e terceira partes) mostra um eu-lírico casto e inocente. A Face Caliban (segunda parte) apresenta poemas irônicos e sarcásticos. Escreveu também
um livro de contos macabros, Noite na Taverna. Obras: Lira dos vinte anos, Noite na Taverna, O conde Lopo, Macário.
LEMBRANÇA DE MORRER
Quando em meu peito rebentar-se a fibra Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nem uma lágrima Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura A flor do vale que adormece ao vento: Não quero que uma nota de alegria Se cale por meu triste passamento. Eu deixo a vida como deixa o tédio Do deserto, o poento caminheiro
— Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh'alma errante, Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade — é desses tempos Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade — é dessas sombras Que eu sentia velar nas noites minhas... De ti, ó minha mãe, pobre coitada Que por minha tristeza te definhas!
De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos — bem poucos — e que não zombavam
Quando, em noite de febre endoudecido, Minhas pálidas crenças duvidavam.
Se uma lágrima as pálpebras me inunda, Se um suspiro nos seios treme ainda É pela virgem que sonhei... que nunca Aos lábios me encostou a face linda!
Só tu à mocidade sonhadora Do pálido poeta deste flores... Se viveu, foi por ti! e de esperança De na vida gozar de teus amores. Beijarei a verdade santa e nua, Verei cristalizar-se o sonho amigo.... Ó minha virgem dos errantes sonhos, Filha do céu, eu vou amar contigo!
Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz, e escrevam nelas — Foi poeta — sonhou — e amou na vida.—
Sombras do vale, noites da montanha Que minh'alma cantou e amava tanto, Protegei o meu corpo abandonado, E no silêncio derramai-lhe canto! Mas quando preludia ave d'aurora E quando à meia-noite o céu repousa, Arvoredos do bosque, abri os ramos... Deixai a lua prantear-me a lousa!
ROMANTISMO PT BR-POESIA É ELA! É ELA! É ELA! É ELA! É ela! É ela! - murmurei tremendo, E o eco ao longe murmurou - é ela! Eu a vi... minha fada aérea e pura - A minha lavadeira na janela!
Dessas águas-furtadas onde eu moro Eu a vejo estendendo no telhado Os vestidos de chita, as saias brancas; Eu a vejo e suspiro enamorado!
Esta noite eu ousei mais atrevido
Nas telhas que estalavam nos meus passos Ir espiar seu venturoso sono,
Vê-la mais bela de Morfeu nos braços! Como dormia! Que profundo sono!... Tinha na mão o ferro do engomado... Como roncava maviosa e pura!... Quase caí na rua desmaiado! Afastei a janela, entrei medroso... Palpitava-lhe o seio adormecido...
Fui beijá-la... roubei do seio dela Um bilhete que estava ali metido... Oh! de certo... (pensei) é doce página Onde a alma derramou gentis amores; São versos dela... que amanhã de certo Ela me enviará cheios de flores... [...]É ela! É ela! - repeti tremendo; Mas cantou nesse instante uma coruja... Abri cioso a página secreta...
Oh! Meu Deus! Era um rol de roupa suja! Mas se Werther morreu por ver Carlota Dando pão com manteiga às criancinhas Se achou-a assim mais bela - eu mais te adoro
Sonhando-te a lavar as camizinhas! É ela! É ela! meu amor, minh'alma, A Laura, a Beatriz que o céu revela... É ela! É ela! - murmurei tremendo, E o eco ao longe suspirou - é ela! RESUMO DE NOITE NA TAVERNA
Série de narrativas fantásticas, contadas por um grupo de amigos (Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann, Johann, Artur/Arnold) à roda de uma mesa de taverna. Um narrador em terceira pessoa introduz o cenário, as personagens, a situação, e praticamente desaparece, dando lugar a outros narradores – as próprias personagens que em primeira pessoa contam, uma a uma, vidas aventureiras.
SOLFIERI: Em Roma, certa noite, Solfieri vê uma mulher que canta e derrama lágrimas. Ele a segue até o cemitério, mas acorda sozinho e febril. Um ano depois, sai de uma orgia com a condessa Bárbara e, embriagado, chega a uma igreja. Lá ele encontra um caixão e ao abri-lo acha que a defunta é o anjo do cemitério. Retira-a do caixão e a possui no templo. Mas a mulher sofria de catalepsia, e ―retorna à vida‖. Solfieri a leva para casa, e ela morre após dois dias e duas noites de delírio. Ele manda fazer uma escultura da moça, faz-lhe um túmulo, e dorme sobre ele durante um ano. Para provar aos amigos que é verdade, abre a camisa e mostra a grinalda de flores secas como o crânio da mulher.
BERTRAM: Bertram vira um perdido por causa de Ângela, uma mulher que conhece na Espanha e com quem faz planos de se casar. No entanto, a chamado do pai, volta para casa (Dinamarca), e quando volta à Espanha, Ângela já está casada e com um filho. Tornam-se amantes, mas o marido dela descobre, e Ângela mata ele e o filho. Oferece os corpos a Bertram. Eles fogem juntos, Ângela vestida de homem. Um
dia, ela partiu. Bertram cai bêbado às portas de um palácio, e é socorrido por um velho nobre, viúvo, que tem uma filha de 18 anos, a quem Bertram desonra e com quem foge. Enjoa-se da moça e a vende a um pirata, a quem ela envenena, afogando-se em seguida. Na Itália, tenta o suicídio, jogando-se de um rochedo, mas um marinheiro tira-o da água, puxando pelos cabelos, morrendo para salvá-lo. É convidado pelo capitão do navio para seguir viagem a bordo. Conhece a
ROMANTISMO PT BR-POESIA
mulher do comandante, e os dois têm um caso. Num noite de ataque pirata, em uma tempestade, o navio naufraga e só restam Bertram, o comandante e a mulher dele. Como não havia comida, tiveram que comer a carne dos tripulantes mortos. Após acabar a carne, Bertram propõe tirar a sorte, e quem perder, será assassinado e comido pelos demais. O comandante perde e é morto e devorado pelo casal. Logo a seguir, Bertram faz amor com a mulher e a vê enlouquecida, acha que ela vai tentar matá-lo, mas a mata primeiro, até que uma onda rouba-lhe o cadáver e ele perde a consciência, e quando acorda já está salvo.
GENNARO: Gennaro é aprendiz de um velho pintor, Godofredo, com quem mora. Este último é casado com Nauza, sua modelo de vinte anos. Godofredo também tem uma filha, Laura, da mesma idade da esposa. Embora apaixonado platonicamente por Nauza e sentindo-se correspondido no amor, Gennaro é sentindo-seduzido por Laura. Laura fica grávida e pede a Gennaro que se case com ela. Ele recusa e Laura se envenena, entrando em coma e morrendo. Um ano depois, Godofredo, enlouquecido com a morte da filha, passa as noites no quarto dela, enquanto Gennaro e Nauza têm um caso. Um dia o pintor os surpreende, leva Gennaro ao quarto de Laura e lhe mostra um quadro que pintara da filha. Gennaro confessa tudo a Godofredo, que o ouve em silêncio. Nauza também ouve a conversa escondida. Certa noite, o velho pintor pede a Gennaro que o acompanhe e leva-o a um lugar ermo onde há urna cabana à beira de um despenhadeiro. Após entrar e sair da cabana, onde conversa com uma senhora, Godofredo tortura Gennaro, forçando-o a atirar-se no precipício. Ele se atira para evitar ser assassinado, mas não morre. É salvo por um casal de camponeses. Recuperado, procura Godofredo, primeiramente com a intenção de pedir lhe perdão, mas, ao invés disso, decide vingar-se. No entanto, encontra na casa apenas dois cadáveres abandonados: Godofredo e Nauza.
CLAUDIUS HERMANN: Além de libertino, é um jogador inveterado, Aposta em corridas. Um dia, no momento em que as corridas iam começar, vê uma mulher passando a cavalo e se apaixona por ela. Era a Duquesa Eleonora. Após seis meses, Claudius entra em uma festa do Duque e estupra a duquesa, colocando-lhe sonífero na bebida. Três meses depois, põe sonífero na bebida do Duque e rapta a duquesa. A duquesa ouve a declaração de amor de Claudius, e descobre que a sua dignidade está arruinada. Ela encontra os versos que Claudius escreve para ela, e decide ficar com ele, não por amor, mas para proteger a reputação do Duque. Claudius não consegue terminar a história, então Arnold conclui, dizendo que um dia Claudius encontrou Eleonora e o Duque de Maffio, mortos e abraçados um ao outro.
JOHANN: Johann e Artur jogam bilhar em Paris. A partida estava praticamente perdida para Artur, e na hora que vai tacar a bola, esbarra na mesa de bilhar, estremecendo-a. Johann dá-lhe uma bofetada, e em resposta, Artur rasga uma luva e atira-lhe no rosto. Decidem, então, duelar. Artur pede a Johann que, caso morra, entregue uma carta que tem no bolso a alguém. Logo após, mostra-lhe duas pistolas, uma carregada e a outra não, para que a sorte decida o destino de ambos. No duelo, a arma de Johann está carregada. Cumprindo o que prometeu a Artur, vai, no escuro, ao encontro da mulher,
destinatária da carta que estava no bolso de Artur. Depois de possuí-la, Johann é seguido no escuro por um vulto que carrega consigo uma faca. Eles lutam, e Johann vence. Quando surge a luz, descobre que matou o próprio irmão, que o agredira para defender a honra da irmã, Georgia. Descobre também que possuíra a própria irmã, que era namorada de Artur. No último capítulo, descobrimos que a irmã de Johann é a taverneira, a mulher que estava servindo vinho aos rapazes, e se tornara prostituta. Ela mata a todos, menos Arnold, que é, na verdade, Artur, que não morrera no duelo. Os dois se beijam uma última vez e Georgia morre. Arnold/Artur se mata também, com um punhal.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
CASIMIRO DE ABREU: Em Primaveras, sua única obra, acham-se os temas da nostalgia da infância, a saudade da terra natal, a natureza, a religiosidade ingênua, o pressentimento da morte, a exaltação da juventude, a devoção pela pátria e a idealização da mulher amada. É o poeta da ―aurora da vida‖: MEUS OITO ANOS
Oh! que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! - Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é – lago sereno, O céu – um manto azulado, O mundo – um sonho dourado, A vida – um hino d’amor! Que auroras, que sol, que vida, Que noites de melodia
Naquela doce alegria, Naquele ingênuo folgar! O céu bordado d’estrelas, A terra de aromas cheia, As ondas beijando a areia E a lua beijando o mar! Oh! dias de minha infância! Oh! meu céu de primavera! Que doce a vida não era Nessa risonha manhã!
Em vez de mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã! Livre filho das montanhas, Eu ia bem satisfeito, De camisa aberta ao peito, - Pés descalços, braços nus – Correndo pelas campinas À roda das cachoeiras, Atrás das asas ligeiras Das borboletas azuis! Naqueles tempos ditosos Ia colher as pitangas, Trepava a tirar as mangas, Brincava à beira do mar; Rezava às Ave-Marias, Achava o céu sempre lindo, Adormecia sorrindo, E despertava a cantar!
Oh! que saudades que eu tenho Da aurora da minha vida Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! - Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! FAGUNDES VARELA: Mesmo a sua vida é a de um romântico exemplar. Obras: Noturnas, Vozes da América, Pendão Auriverde, Cantos e Fantasias, Cantos Meridionais, Anchieta ou O Evangelho nas Selvas.
ROMANTISMO PT BR-POESIA CÂNTICO DO CALVÁRIO
À memória de meu filho
Morto a 11 de dezembro de 1863 Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia O ramo da esperança. — Eras a estrela Que entre as névoas do inverno cintilava Apontando o caminho ao pegureiro. Eras a messe de um dourado estio. Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, — a inspiração, — a pátria, O povir de teu pai! — Ah! no entanto, Pomba, — varou-te a flecha do destino! Astro, — engoliu-te o temporal do norte! Teto, — caíste! — Crença, já não vives! [...]
Mas não! Tu dormes no infinito seio Do Criador dos seres! Tu me falas Na voz dos ventos, no chorar das aves Talvez das ondas no respiro flébil! Tu me contemplas lá do céu, quem sabe, No vulto solitário de uma estrela. E são teus raios que meu estro aquecem! Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!
Brilha e fulgura no azulado manto, Mas não te arrojes, lágrima da noite Nas ondas nebulosas do ocidente! Brilha e fulgura! Quando a morte fria Sobre mim sacudir o pó das asas, Escada de Jacó serão teus raios Por onde asinha subirá minh'alma.
JUNQUEIRA FREIRE: Poemas que revelam uma sexualidade latente e reprimida. Retratam o jovem angustiado e depressivo que se sente incapaz de seguir a vida religiosa e que encontra na morte o seu único escape. Obras: Inspirações do Claustr o, Contradições poéticas.
TERCEIRA GERAÇÃO BRASILEIRA
CASTRO ALVES: Com estilo grandiloquente, seus poemas são divididos em líricos e sociais. Os sociais voltam-se para a opressão dos escravos. Os líricos cultivam temas da morte (com desejo de viver), nacionais, natureza (partes do corpo da mulher ou desejos), e do amor sensual, com musas voluptuosas. Obras: Espumas Flutuantes, A Cachoeira de Paulo Afonso, O Navio Negreiro.
MORENA FLOR
Ela tem uma graça de pantera
No andar bem-comportado de menina. No molejo em que vem sempre se espera Que de repente ela lhe salte em cima
A mim me enerva o ardor com que ela vibra
E que a motiva desde de manhã.
ROMANTISMO PT BR-POESIA MÃE DO CATIVO
Ó mãe do cativo! que alegre balanças A rede que ataste nos galhos da selva! Melhor tu farias se à pobre criança Cavasses a cova por baixo da relva.
Ó mãe do cativo! que fias à noite As roupas do filho na choça da palha! Melhor tu farias se ao pobre pequeno Tecesses o pano da branca mortalha.
Misérrima! E ensinas ao triste menino Que existem virtudes e crimes no mundo E ensinas ao filho que seja brioso,
Que evite dos vícios o abismo profundo ...
E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas, O raio da esprança... Cruel ironia!
E ao pássaro mandas voar no infinito, Enquanto que o prende cadeia sombria! ...
II
Ó Mãe! não despertes estalma que dorme, Com o verbo sublime do Mártir da Cruz! O pobre que rola no abismo sem termo Pra quhá de sondá-lo... Que morra sem luz.
Não vês no futuro seu negro fadário, Ó cega divina que cegas de amor?! Ensina a teu filho - desonra, misérias, A vida nos crimes - a morte na dor.
Que seja covarde... que marche encurvado... Que de homem se torne sombrio reptíl.
Nem core de pejo, nem trema de raiva Se a face lhe cortam com o látego vil. Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se Ao frio das noites, aos raios do sol. Na vida - só cabe-lhe a tanga rasgada! Na morte - só cabe-lhe o roto lençol.
Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se Bem como a serpente por baixo da chã Que impávido veja seus pais desonrados, Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.
Ensina-lhe as dores de um fero trabalho... Trabalho que pagam com pútrido pão. Depois que os amigos açoite no tronco... Depois que adormeça coo sono de um cão.
Criança - não trema dos transes de um mártir!
Mancebo - não sonhe delírios de amor! Marido - que a esposa conduza sorrindo Ao leito devasso do próprio senhor! ...
São estes os cantos que deves na terra Ao mísero escravo somente ensinar. Ó Mãe que balanças a rede selvagem Que ataste nos troncos do vasto palmar.
III
Ó Mãe do cativo, que fias à noite À luz da candeia na choça de palha! Embala teu filho com essas cantigas... Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.
NAVIO NEGREIRO V
Existe um povo que a bandeira empresta P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta
Que impudente na gávea tripudia?!... Silêncio!... Musa! chora, chora tanto, Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e balança, Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança... Tu, que da Liberdade após a guerra, Foste hasteado dos heróis na lança, Antes te houvessem roto na batalha, Que servires a um povo de mortalha!... Fatalidade atroz que a mente esmaga!... Extingue nesta hora o brigue imundo O trilho que Colombo abriu nas vagas, Como um íris no pélago profundo!... ...Mas é infâmia demais... Da etérea plaga Levantai-vos, heróis do Novo Mundo... Andrada! arranca esse pendão dos ares!... Colombo! fecha a porta dos teus mares!...‖
ROMANTISMO PT BR-POESIA
SOUSÂNDRADE: O poeta tomava por herói o Inca, o índio americano. Obras: Harpas Selvagens, Guesa Errante, O Guesa.
TESTES
01. (PSC) O Romantismo em Portugal teve início em 1825 com o livro: a) Viagens na minha Terra, de Almeida Garrett
b) Eurico, o Presbítero, de Alexandre Herculano c) Amor de Salvação, de Camilo Castelo Branco d) Camões, de Almeida Garrett
e) O Monge de Cister, de Alexandre Herculano
Resposta: Alternativa D
02. (PSC) Assinale a afirmativa CORRETA no que diz respeito à caracterização do autor e sua obra:
a) Alexandre Herculano foi o autor romântico português que mais escreveu, tendo publicado obras
de poesia, de história e, sobretudo, romances, como, por exemplo, Amor de salvação e A Brasileira de Prazins.
b) Espírito identificado com seu tempo, Sá de Miranda, introdutor do Barroco em Portugal,
tematiza em sua poesia o amor a Deus, o sentimento de culpa e a consciência do pecado e do perdão.
c) No início do século XVII, Bento Teixeira publicou a Prosopopéia, obra inovadora porque o
poema rompia com o esquema tradicional da épica naquele momento, que era o modelo camoniano.
d) Autor mais representativo do Arcadismo brasileiro, Cláudio Manuel da Costa inspirou-se no
seu relacionamento amoroso com Maria Dorotéia Joaquina de Seixas para escrever o famoso Marília de Dirceu.
e) Além de compor o famoso poema épico Os Lusíadas, Luís de Camões escreveu poemas líricos,
usando tanto a medida velha (redondilhas maiores) quanto a medida nova (versos decassílabos).
Resposta: Alternativa E
03. (PSC) Assinale a afirmativa INCORRETA na relação entre autor e obra:
a) Viagens na minha terra, de Almeida Garrett, é uma obra que se fundamenta numa viagem realmente efetuada pelo autor na década de 1840 e nela se encontram narradas aventuras acontecidas no trecho entre Lisboa e Santarém.
b) Fernão Lopes é um cronista que, apesar de se enquadrar nitidamente nas estruturas culturais da Idade Média, pois sua concepção de História gira em torno dos reis, conferiu pela primeira vez grande importância aos movimentos populares.
c) Camões, em Os Lusíadas, realizou o feliz retrato da visão de mundo e dos homens própria do quinhentismo português, além de ter feito a reportagem do momento exato em que Portugal atingira o apogeu econômico.
d) Alexandre Herculano, em Eurico, o presbítero, analisa o problema do celibato clerical, enfocando um núcleo dramático em que o protagonista resolve tomar o hábito de sacerdote após o pai de Hermengarda lhe ter negado a sua mão.
e) Camilo Castelo Branco, com base em sua erudição e aproveitando pesquisas que realizara para elaborar a História de Portugal, criou romances com temas predominantemente medievais, como se observa em Amor de Perdição.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
Resposta: Alternativa E
04. (FUVEST-SP) O medievalismo, a valorização do passado pátrio, a recriação de lendas tradicionais ibéricas constituíram um aspecto importante dos programas estéticos de: a) Almeida Garrett e Alexandre Herculano
b) Guerra Junqueiro e Júlio Dinis c) Bocage e Antônio Vieira d) Eça de Queirós e João de Deus e) Antero de Quental e Cesário Verde
Resposta: Alternativa A
05. Assinale a alternativa que traz apenas características do Romantismo:
a) idealismo – religiosidade – objetividade – escapismo – temas pagãos.
b) predomínio do sentimento – liberdade criadora – temas cristãos – natureza convencional – valores absolutos.
c) egocentrismo – predomínio da poesia lírica – relativismo – insatisfação – idealismo d) idealismo – insatisfação – escapismo – natureza convencional – objetividade. e) n.d.a.
Resposta: Alternativa C
06. Características gerais do Romantismo se acham expressas nas proposições: I. Preferência pela realidade exterior sobre a interior.
II. Anteposição da fé à razão, com valorização da mística e da intuição.
III. Poesia descritiva de representação dos fenômenos da natureza. Detalhismo. IV. Gosto pelo pitoresco, pela descrição de ambientes exóticos.
V. Atenção do escritor aos detalhes para retratar fielmente o que descreve. a) II e IV b) II e III c) I e IV d) II e V e) II e I Resposta: Alternativa A
07. A visão do mundo nostálgica nos românticos explica-se: a) Pelas inúmeras guerras havidas na época do Romantismo.
b) Pela inadaptação aos valores absolutistas implantados pela monarquia brasileira.
c) Pelo descontentamento da nobreza, que deixa o poder, e de parte da burguesia, que ainda não o havia assumido ou que tivesse ficado à margem dele.
d) Pela contemplação de um Brasil conservador, baseado no latifúndio, no escravismo e na monarquia
e) n.d.a.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
08. Poderíamos sintetizar uma das características do Romantismo pela seguinte aproximação de opostos:
a) Cultivando o passado, procurou formas de compreender e explicar o presente. b) Pregando a liberdade formal, manteve-se preso aos modelos legados pelos clássicos. c) Embora marcado por tendências liberais, opôs-se ao nacionalismo político.
d) Voltado para temas nacionalistas, desinteressou-se do elemento exótico, considerando-o incompatível com exaltação da pátria.
e) Aparentemente idealista, foi, na realidade, o primeiro momento do Naturalismo literário.
Resposta: Alternativa A
09. Não é próprio do Romantismo:
a) Explorar assuntos nacionais como história, tradições, folclore; b) Idealizar a mulher, tornando-a perfeita em todos os sentidos;
c) Explorar assuntos ligados à Antiguidade Clássica, imitando-lhe os poetas e prosadores; d) Valorizar temas fúnebres e soturnos;
e) Valorizar o indivíduo, o seu mundo interior, os seus sentimentos.
Resposta: Alternativa C
10. De acordo com a posição romântica, é CORRETO afirmar que:
a) A natureza é expressiva no Romantismo e decorativa no Arcadismo.
b) Com a liberdade criadora implantada no Romantismo, as regras fixas do Classicismo caem e ―o poema começa onde começa a inspiração e termina onde esta termina.‖
c) A visão de mundo romântica é centrada no sujeito, no ―eu‖ do escritor, daí a predominância da função emotiva na linguagem do Romantismo.
d) Todas as alternativas anteriores estão corretas. e) Nenhuma das alternativas está correta.
Resposta: Alternativa D
11. (UM-SP) Assinale a alternativa INCORRETA sobre a obra de Camilo Castelo Branco: a) a pequena burguesia do Porto é enfoque comum em sua novelística
b) apega-se exclusivamente ao real, sem se transportar para o domínio imaginário
c) Em Amor de Perdição, os sentimentos se submetem aos preconceitos e se põem em luta com as convenções sociais
d) A queda dum anjo é uma narrativa de caráter satírico e humorístico
e) é uma das obras mais férteis da literatura portuguesa, pois nela encontramos poesia, teatro, crítica literária, ensaio, memória, novela e romance
Resposta: Alternativa B
12. (UNESP-SP) Leia o trecho a seguir:
Mas, quando, ao primeiro alvor da manhã, Pelágio se encaminhava com o seu pequeno esquadrão para a garganta das serras, já os árabes rompiam por ela e começavam a espraiar-se, como ribeira que, saindo de leito apertado, se dilata pela campina. Os cristãos recuaram, e os infiéis, atribuindo ao temor esta fuga simulada, precipitaram-se após eles. Pouco a pouco, o duque de Cantábria atraiu-os para a entrada da gruta de Covadonga. Chegado ali, pondo à boca a sua buzina, tirou um som prolongado. Imediatamente os
ROMANTISMO PT BR-POESIA
cimos dos rochedos, que pareciam inacessíveis, cobriram-se de fundibulários e frecheiros, e uma nuvem de tiros choveu de toda a parte sobre os africanos e sobre os renegados godos. [...] Pela volta da tarde, apenas do numeroso e brilhante exército dos árabes alguns milhares de cavaleiros fugiam desalentados diante dos foragidos das Astúrias, que os perseguiam incansáveis além de Cangas de Onis.
O texto acima transcrito é da autoria de um dos introdutores do Romantismo em Portugal. O autor e a obra constam de uma das alternativas:
a) Almeida Garrett – O alfageme de Santarém b) Júlio Dinis – A morgadinha dos canaviais c) Camilo Castelo Branco – Agostinho de Ceuta d) Oliveira Martins – A vida de Nuno Álvares e) Alexandre Herculano – Eurico, o Presbítero
Resposta: Alternativa E
13. (UNESP-SP) Neste romance, espécie de Romeu e Julieta português, Simão Botelho apaixona-se por Teresa Albuquerque, sua vizinha. Os jovens são filhos de famílias fidalgas e inimigas. A paixão aumenta e a obra culmina com a morte dos apaixonados. Trata-se de: a) O arco de Sant-Ana b) Amor de Perdição c) Amor de Salvação d) Simão e Teresa e) O regicida Resposta: Alternativa B
(FUVEST-SP) Texto para as questões 14 e 15:
―O pacto feito por ele com os árabes não tardou a ser por mil modos violado, e o ilustre guerreiro teve de se arrepender, mas já debalde, por haver deposto a espada aos pés dos infiéis, em vez de pelejar até à morte pela liberdade. Fora isto o Pedágio preferira, e a vitória coroou o seu confiar no esforço dos verdadeiros godos e na piedade de Deus‖.
14. Qual das características abaixo está presente no texto? a) Retomada dos valores medievais.
b) Denúncia de males sociais. c) Despreocupação formal. d) Análise psicopatológica.
e) Aproveitamento da mitologia clássica.
Resposta: Alternativa A
15. O autor do texto é: a) Eça de Queirós.
b) Camilo Castelo Branco. c) Padre Antônio Vieira. d) Fernando Namora. e) Alexandre Herculano.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
Resposta: Alternativa E
16. Na novela Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, a) Simão ficou indeciso entre o amor de Mariana e o de Teresa.
b) Simão rejeitou a oportunidade que lhe foi oferecida para livrar-se do desterro.
c) A apresentação do pai e de suas origens justifica o orgulho que a família de Simão ostenta. d) O autor revela grande respeito pelas instituições religiosas de seu tempo.
e) Ritinha, irmã mais nova de Simão, abandonou a família para apoiá-lo em suas dificuldades.
Resposta: Alternativa B
17. É uma característica da obra de Camilo Castelo Branco:
a) A influência, rica em sua poesia, de símbolos, imagens alegóricas e construções.
b) A oscilação entre o lirismo e o sarcasmo, deixando páginas de autêntica dramaticidade, vibrando com personagens que comumente intervêm no enredo, tecendo comentários piedosos, indignados ou sarcásticos.
c) A busca de uma forma adequada para conter o sentimentalismo do passado e das formas românticas.
d) O fato de deixar ao mundo um alerta sobre o mal-estar trazido pela civilização moderna e industrializada.
e) O apego ao conto como principal realização literária, através do qual se tornou um dos autores mais respeitados na literatura portuguesa.
Resposta: Alternativa B
(UEA) Instrução: A questão de número 18 toma por base três estrofes do poema Meus oito anos, de autoria de Casimiro de Abreu (1839-1860).
Oh! Que saudades que tenho Da aurora da minha vida, Da minha infância querida Que os anos não trazem mais! Que amor, que sonhos, que flores, Naquelas tardes fagueiras À sombra das bananeiras, Debaixo dos laranjais! Como são belos os dias Do despontar da existência! – Respira a alma inocência Como perfumes a flor; O mar é – lago sereno, O céu – um manto azulado, O mundo – um sonho dourado, A vida – um hino d’amor! (...)
Oh! dias da minha infância! Oh! meu céu de primavera!
ROMANTISMO PT BR-POESIA Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora, Eu tinha nessas delícias De minha mãe as carícias E beijos de minha irmã!
(Casimiro de Abreu, As Primaveras.)
18. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente: o movimento literário ao qual está associado o autor do poema e o conjunto de sua obra; características comuns dessa tendência literária observáveis no texto; um aspecto tematizado pelo poema.
a) Romantismo; ênfase na visão subjetiva da vida e no escapismo; a serenidade e o bem-estar propiciados pela vida adulta.
b) Simbolismo; predomínio dos sentimentos sobre a razão e valorização do apuro formal; a importância da família.
c) Romantismo; tendência à fuga da realidade e refúgio num passado idealizado; desencanto em relação ao tempo presente.
d) Simbolismo; tendência à fuga da realidade e refúgio num passado idealizado; tristeza com as dificuldades da vida adulta.
e) Romantismo; adesão aos modelos poéticos da Antiguidade Clássica; valorização das relações familiares.
Resposta: Alternativa C
19. (PSC) É um poeta do Romantismo brasileiro revalorizado pelos concretistas do século XX. Escreveu uma obra de impacto chamada Guesa Errante. Estamos falando de:
a) Gonçalves de Magalhães b) Alvarenga Peixoto c) Sousândrade d) Basílio da Gama e) Álvares de Azevedo Resposta: Alternativa C
(PSC) Leia o seguinte texto, para responder às questões de n.º 20 e 21: Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro; Como as horas de um longo pesadelo Que se desfaz ao dobre de um sineiro; Como um desterro de minha alma errante, Onde fogo insensato a consumia...
Só levo uma saudade – é desses tempos Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade – é dessas sombras Que eu sentia velar nas noites minhas...
ROMANTISMO PT BR-POESIA De ti, ó minha mãe, pobre coitada, Que por minha tristeza te definhas! Descansem o meu leito solitário Na floresta dos homens esquecida, À sombra de uma cruz – e escrevam nela: Foi poeta, sonhou e amou na vida...
20. O poema acima, um dos mais famosos de toda a Literatura Brasileira, foi escrito por: a) Cláudio Manuel da Costa
b) Castro Alves
c) Tomás Antônio Gonzaga d) Gonçalves Dias
e) Álvares de Azevedo
Resposta: Alternativa E
21. A respeito do texto acima, pode-se dizer que:
a) É árcade, pois o poeta se situa na natureza, como se pode comprovar com o termo ―floresta‖. b) É romântico, pois o poeta se sente inadaptado ao mundo real e tem consciência de sua solidão. c) É árcade, pois o texto apresenta versos brancos (sem rima), uma das características desse estilo de época.
d) É romântico, pois o poeta se mantém equilibrado, conseguindo pensar racionalmente sobre a morte.
e) É árcade, pois o texto nos apresenta uma das características principais desse estilo: a evasão ou fuga para mundos imaginários.
Resposta: Alternativa B
22. (PSC) Complete:
O livro de poemas com o qual _____________ introduziu o Romantismo no Brasil intitulava-se _______________ e foi publicado em _______
a) Gonçalves de Magalhães – Suspiros poéticos e saudades – 1836 b) Gonçalves Dias – Primeiros cantos – 1822
c) Gonçalves Dias – Suspiros poéticos e saudades – 1830 d) Gonçalves de Magalhães – Primeiros cantos – 1822 e) Gonçalves Dias – I-Juca Pirama – 1836
Resposta: Alternativa A
23. (PSC) Assinale a afirmativa INCORRETA no que diz respeito à caracterização do autor e sua obra:
a) Sousândrade superou o nacionalismo ingênuo e ufanista das gerações anteriores, enfocando, como Castro Alves, temas sociais de grande relevância, como, por exemplo, a escravidão.
b) Os textos de José de Anchieta tinham caráter pedagógico e resultaram do compromisso missionário de propagação da fé cristã através da conversão dos índios.
c) A poesia de Gonçalves Dias se comprometeu com a construção da identidade nacional, mantendo intrínseca relação com a terra, a natureza e o índio.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
d) O Diálogo sobre a conversão do gentio, de Manuel da Nóbrega, é um manual prático, com evidente intenção pedagógica, sobre os procedimentos e formas de melhor lidar com os indígenas.
e) Foi Almeida Garrett, com o livro Camões, publicado em 1925, quem deu origem ao Romantismo em Portugal.
Resposta: Alternativa A
24. (PSC) Assinale a opção cujo enunciado pode ser aplicado aos poetas da segunda geração romântica brasileira:
a) Comprometeram-se com a busca do que julgavam ser as verdadeiras qualidades da poesia: equilíbrio, contenção de sentimentos, linguagem culta, valorização da forma.
b) Assumiram posturas engajadas, de combate às injustiças, à escravidão e à opressão do povo, temas esses que foram ignorados pelos poetas da primeira geração.
c) Influenciados pela poesia de Lord Byron e Alfred Musset, cultivaram um comportamento boêmio e uma visão negativista da existência.
d) Sintonizados com a riqueza e as possibilidades temáticas proporcionadas pelo avanço da ciência, pela civilização das máquinas, romperam com os temas clássicos e universais.
e) Cultivaram uma linguagem rebuscada, simbólica, de onde derivaram dois traços estilísticos importantes: o cultismo e o conceptismo.
Resposta: Alternativa C
25. (PSC) Assinale o item que se refere à poesia de Álvares de Azevedo:
a) O ânimo oratório de seu verso, a poesia de ardentes apóstrofes e audaciosas hipérboles lhe valeram o título de maior poeta da segunda geração.
b) Seus poemas foram submetidos a uma disciplina rígida, totalmente estranha às tonalidades de ritmo e de simbolização abertas pelo Romantismo.
c) A melancolia se expande nos sentimentos mais simples, como a rememoração saudosa da infância campestre, povoada de verdejantes notas paisagísticas.
d) Seu lirismo é o da confidência, das efusões derramadas, numa atmosfera fortemente masoquista, em que o pressentimento da morte é um dos temas prediletos.
e) Sua obra-prima foi o poema ―Cântico do Calvário‖, em que já preludia a técnica de construção que seria empregada pelos simbolistas.
Resposta: Alternativa D
26. (PSC) Leia o texto abaixo, de autoria de Álvares de Azevedo, e, em seguida, responda ao que sobre ele se indaga:
Pálida à luz da lâmpada sombria, Sobre o leito de flores reclinada, Como a lua por noite embalsamada, Entre as nuvens do amor ela dormia! Era a virgem do mar, na escuma fria, Pela maré das águas embalada! Era um anjo entre nuvens d’alvorada Que em sonhos se banhava e se esquecia! Era mais bela! o seio palpitando... Negros olhos as pálpebras abrindo...
ROMANTISMO PT BR-POESIA Formas nuas no leito resvalando... Não te rias de mim, meu anjo lindo! Por ti – as noites eu velei chorando, Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
Uma única característica, dentre as assinaladas abaixo, NÃO pertence à poesia de Álvares de Azevedo nem se faz presente no texto. Assinale-a:
a) Nota-se a presença de um lirismo bucólico, graças a um desmedido amor pelo campo. b) Sua efusão sentimental pela amada mistura-se a sonhos, brumas e visões.
c) A amada transparece como a donzela inatingível, vaporosa, quase impalpável.
d) A construção lírica revela uma mistura entre o nebulosamente aéreo e o terrenamente libertino. e) O texto se presta antes à sugestão de atmosferas que ao recorte nítido de ambientes.
Resposta: Alternativa A
27. (PSC) Assinale o enunciado que NÃO se aplica a Castro Alves:
a) Menos conhecida que a de cunho social, sua arte apresenta-se também na forma lírico-amorosa. b) A indignação, que está na essência de toda arte revolucionária, concretiza-se em imagens tiradas da natureza, da divindade e da história.
c) As hipérboles, que sugerem a ideia de imensidade e de infinitude, são figuras de linguagem constantes em seus poemas.
d) Sua poesia serve de ponte entre o Romantismo em decadência e o Parnasianismo em ascensão. e) Com frequência, sua poesia aborda o tema da morte, fruto de uma fantasia desvairada que oscila entre o tédio e a libido reprimida.
Resposta: Alternativa E
28. (PSC) Todas as características de estilo abaixo relacionadas pertencem à poesia do Romantismo, EXCETO:
a) o gosto pelo noturno, característica ligada à atmosfera de mistério. b) o culto da teoria aristotélica da arte como imitação da natureza. c) a predominância do sentimento sobre a razão.
d) a idealização da mulher, que aparece como figura poderosa.
e) a consciência da solidão, que expressa a inadaptação do artista ao mundo real.
Resposta: Alternativa B
29. (PSC) Seu enredo trata da revolta índia de 1560, quando os guerreiros da tribo, guiados por Aimbiré, se sublevaram contra os portugueses. Conduzida em dois planos – o da guerra e o do amor –, a narrativa tem como eixo a figura do padre Anchieta. Estamos falando de: a) A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães.
b) O Uraguai, de José Basílio da Gama. c) Os Timbiras, de Gonçalves Dias. d) Guesa errante, de Sousândrade. e) Prosopopéia, de Bento Teixeira.
ROMANTISMO PT BR-POESIA 30. (PSC) Leia os versos abaixo: As balseiras na luz resplandeciam — oh! que formoso dia de verão!
Dragão dos mares, — na asa lhe rugiam Vagas, no bojo indômito vulcão!
Sombrio, no convés, o Guesa errante De um para outro lado passeava Mudo, inquieto, rápido, inconstante, E em desalinho o manto que trajava.
O nome do personagem e as imagens arrojadas para a época indicam que o seu autor é: a) Gonçalves Dias b) Gonçalves de Magalhães c) Castro Alves d) Bento Teixeira e) Sousândrade Resposta: Alternativa E
31. (PSC) Assinale a opção cujo enunciado NÃO se aplica a Álvares de Azevedo: a) A rota do amor é constante, embora o horizonte último não seja Eros, mas a morte.
b) Em vários níveis se podem apreender as tendências que se apresentavam para a evasão e para o sonho.
c) A ideia da bondade natural dos primitivos habitantes do Brasil serviu de base para a sua poesia de cunho americanista.
d) À boêmia espiritual correspondem algumas tendências liberais e anarquistas, todas de fundo romântico.
e) Imagens satânicas lhe povoavam a fantasia, das quais dão exemplo os contos de Noite na Taverna.
Resposta: Alternativa C
32. (PSC) Assinale a alternativa que NÃO se refere de modo correto à obra de Álvares de Azevedo:
a) Sua poesia caminhava na esteira de um Romantismo em progresso, enquanto trazia à luz da contemplação os domínios obscuros do inconsciente.
b) Escreveu verdadeiras ―bíblias‖ de satanismo, como a Noite na taverna e Macário, e foi um byroniano autêntico.
c) Em sua poesia, a natureza está praticamente ausente, de vez que o poeta só tem olhos para si mesmo: seu eu íntimo, mas também seus objetos pessoais.
d) Todos os motivos literários e utópicos do americanismo anticolonialista, venerador do modelo comunitário proposto pelos incas, estão presentes em textos de feição indianista.
e) A evasão segue, nesse poeta muito sensível, a rota de Eros (o Amor), mas o horizonte último é sempre a morte.
Resposta: Alternativa D
ROMANTISMO PT BR-POESIA
a) A indignação contra as injustiças sociais, ilustradas com a infâmia da escravidão, é tema recorrente em muitos de seus textos.
b) Um de seus mais famosos livros é Guesa, em que o poeta inova nos processos de composição, com insólitos arranjos linguísticos.
c) Publicou livros que o consagraram como grande poeta, como Primeiros cantos, Segundos cantos e Sextilhas de Frei Antão.
d) O indianismo que pôs em prática recuperou para a poesia a natureza dos árcades, com ambientes bucólicos.
e) Com o poema épico A Confederação dos Tamoios deu continuidade à tradição criada por Basílio da Gama e Santa Rita Durão.
Resposta: Alternativa C
34. (PSC) Só uma das afirmativas abaixo se refere de modo CORRETO a Sousândrade. Assinale-a:
a) Sua lírica apresenta a tentativa de reconstruir, dez anos depois, a atmosfera de anticonvencionalidade que os byronianos haviam instaurado durante o segundo momento da poesia romântica.
b) Incompreendido por seus contemporâneos, esquecido pela crítica por mais de sessenta anos depois da morte, foi recuperado pelas vanguardas do século XX, principalmente pelos concretistas. c) A sensualidade direta, embora ligada a uma psicologia infantil, afastou sua obra das visões mórbidas dos byronianos, em que pese o fato de a mulher amada continuar a ser a bela adormecida, a donzela pálida.
d) Mais que um nome literário, permanece nas letras brasileiras como uma personagem paradigmática, carreador para a cultura nacional das ideias que levaram ao realismo-naturalismo e, na política, à Primeira República.
e) Tendo entrado aos dezenove anos para um convento como beneditino, dali fugiu três anos depois, o que o levou a identificar o cárcere metafórico com o anseio de liberdade que perpassa sua poesia.
Resposta: Alternativa B
(PSC) Leia o poema abaixo, de Álvares de Azevedo, para resolver as questões 35, 36 e 37: EPITÁFIO
Perdão, meu Deus, se a túnica da vida, Insano, profanei-a nos amores!
Se da c’roa dos sonhos perfumados Eu próprio desfolhei as róseas flores! No vaso impuro corrompeu-se o néctar, A argila da existência desbotou-me... O sol de tua glória abriu-me as pálpebras, Da nódoa das paixões purificou-me! E quantos sonhos na ilusão da vida! Quanta esperança no futuro ainda! Tudo calou-se pela noite eterna...
E eu vago errante e só na treva infinda... Alma em fogo, sedenta de infinito, Num mundo de visões o voo abrindo,
ROMANTISMO PT BR-POESIA Como o vento do mar no céu noturno Entre as nuvens de Deus, passei dormindo! A vida é noite! o sol tem véu de sangue... Tateia a sombra a geração descrida!... Acorda-te, mortal! é no sepulcro
Que a larva humana se desperta à vida! Quando as harpas do peito a morte estala, Um treno* de pavor soluça e voa... E a nota divinal que rompe as fibras Nas dulias* angélicas ecoa!
* Treno - canto lacrimoso, lamento fúnebre. * Dulia - veneração aos santos e anjos. 35. Considere as assertivas abaixo:
I. A morte, apesar de estar em cena contemporaneamente, foi preocupação apenas do Romantismo. II. A morte, pela leitura do poema, coloca o homem diante do julgamento de Deus.
III. Epitáfio, treno, dulias, são palavras deliberadamente escolhidas para dificultar a leitura do texto, revelando o estado de alma confuso do poeta romântico.
a) Nenhuma assertiva está correta. b) Todas as assertivas estão corretas.
c) Apenas as assertivas I e III estão corretas. d) Apenas a assertiva I está correta.
e) Apenas a assertiva II está correta.
Resposta: Alternativa A
36. Sobre o poema de Álvares de Azevedo é INCORRETO afirmar que: a) traz uma metáfora no 4º verso da 1ª estrofe.
b) apresenta versos decassílabos. c) joga com ideias antitéticas. d) há uma silepse na 4ª estrofe.
e) ―c’roa‖ teve o ―o‖ suprimido para não quebrar o metro.
Resposta: Alternativa D
37. Da leitura do poema, é INCORRETO inferir que:
a) haja outro momento da literatura, o Barroco, em que a dualidade, expressa pelas antíteses, era mote.
b) o homem macule, deliberadamente, a vida. c) o eu lírico considere a existência sombria. d) se entenda a morte como libertação da alma.
e) na terra o homem seja circundado por ilusões, e apenas a morte lhe revele a dimensão real da vida na terra.
ROMANTISMO PT BR-POESIA
38. (PSC) Os críticos literários não são unânimes quando pretendem fixar uma data de nascimento para a literatura no Brasil. Assinale a alternativa que traga um excerto que NÃO é cogitado como iniciador dessa literatura:
a) A partida de Belém foi – como Vossa Alteza sabe, segunda-feira 9 de março. E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grande Canária. E ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, a saber da ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto. [...] Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra A Terra de Vera Cruz!
b) No meio das tabas de amenos verdores, Cercadas de troncos — cobertos de flores, Alteiam-se os tetos d’altiva nação; São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, Temíveis na guerra, que em densas coortes Assombram das matas a imensa extensão.
c) Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado. Mais rápida que a corça selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.
d) Ó Guerreiros da Taba sagrada, Ó Guerreiros da Tribo Tupi, Falam Deuses nos cantos do Piaga, Ó Guerreiros, meus cantos ouvi.
e) Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera – Foi tua companheira inseparável! Resposta: Alternativa E