UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS
Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Engenharia de Segurança do Trabalho
ANDRÉ LUIS BUDKE
ELABORAÇÃO DO PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS (PGR) EM PEDREIRA
2 ANDRÉ LUIS BUDKE
ELABORAÇÃO DO PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS (PGR) EM PEDREIRA
Monografia do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Engenharia de Segurança do Trabalho apresentado como requisito parcial para obtenção de título de Engenheiro de Segurança do Trabalho.
Orientador: Cristina Eliza Pozzobom
Santa Rosa/RS 2012
ANDRÉ LUIS BUDKE
ELABORAÇÃO DO PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS (PGR) EM EMPRESA DE BASALTO
Monografia defendida e aprovada em sua forma final pelo professor orientador e pelo membro da banca examinadora.
Banca examinadora:
________________________________________ Professora Cristina Eliza Pozzobom
Eng. de segurança do trabalho - Orientadora
________________________________________ Professor Fernando Wypyzynski
4 Dedico esta monografia aqueles que, de alguma forma, contribuíram para a sua concretização, em especial ao proprietário da empresa em estudo e aos meus professores, familiares e amigos que muito contribuíram para o progresso dos estudos.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a todos que de alguma forma, colaboraram para a realização deste trabalho, em especial:
Aos meus pais pelo apoio e compreensão oferecida.
A Professora Cristina Eliza Pozzobom, pela orientação fornecida no decorrer da realização deste trabalho.
Agradeço ao proprietário da empresa em estudo, o Sr. Antonio Felipe Cereser que forneceu todas as informações necessárias para a realização desta monografia.
Aos demais professores, funcionários e colegas do curso de Pós Graduação em Engenharia em Segurança do Trabalho da UNIJUI e demais colaboradores pelo apoio e colaboração que prestaram.
6 RESUMO
Com a concentração predominante na região metropolitana de São Paulo o setor de mineração de pedras britadas chama a atenção de empresas de grande porte e de investidores por ser um setor de alta movimentação financeira. Paralelamente esta o setor de construção civil que no momento é o líder no consumo de pedras britadas. Estando em evidência por fazer parte de um grupo relevante de empresas com risco de acidente de trabalho e doença ocupacional alto (grau de risco 4), nota-se a importância de um sistema preventivo de doenças, acidentes e perturbações funcionais em colaboradores do setor. A partir de outubro de 2002, a Norma Regulamentadora 22 (NR 22: Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração) trabalha para disciplinar os preceitos de organização nos meios de trabalho nas indústrias mineradoras. Atrelado a NR 22 entrou em vigor, no mesmo momento, a obrigatoriedade das indústrias mineradoras a Programa de Gerenciamento de Risco (PGR), elaborado a partir da identificação e controle dos riscos. Tendo em vista a complexidade do setor, buscou-se, com essa monografia, avaliar e discutir os riscos presentes nas operações e no processo produtivo de pedra britada em uma mina a céu aberto e propor medidas de controle para elaboração do PGR. O desenvolvimento da pesquisa envolveu a identificação dos principais riscos associados às operações de britagem e peneiramento, por meio de medições in-loco de alguns agentes físicos e químicos e por análise de registros da empresa. Os resultados obtidos foram decisivos para a determinação das medidas de controle adequadas para a melhoria das condições de saúde e segurança dos trabalhadores e para a elaboração do Programa de Gerenciamento de Risco (PGR).
SUMÁRIO
AGRADECIMENTOS ... 5
RESUMO ... 6
INTRODUÇÃO ... 8
1. REFERENCIAL TEÓRICO ... 10
1.1 NORMA REGULAMENTADORA 22: SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO ... 10
1.2 PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCO (PGR) ... 11
1.2.1 Elaboração do Programa de Gerenciamento de Risco (PGR) ... 12
1.3 DEFINIÇÃO DE RISCOS ... 13 1.3.1 Riscos físicos: ... 13 1.3.2 Riscos químicos: ... 13 1.3.3 Riscos Ergonômicos ... 13 1.3.4 Riscos de acidentes: ... 14 2. METODOLOGIA ... 15 2.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ... 15 2.2 PLANEJAMENTO DA PESQUISA ... 15
2.2.1 Procedimento de coleta e interpretação dos dados ... 15
2.2.2 Estudo de caso ... 15
2.2.3 Identificação da empresa ... 17
No quadro 1, a seguir apresentam-se os dados de identificação da empresa. ... 17
Quadro 1 – Dados de identificação da empresa ... 17
3. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 18
3.1 RISCOS EXISTENTES NO SETOR BRITAGEM. ... 18
3.2 SUGESTÕES DE MELHORIAS ... 22
CONCLUSÃO ... 24
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 25
ANEXO ... 26
8 INTRODUÇÃO
A mineração de rochas (britadas) e de cascalho movimentou, em 2005, mais de 1,7 bilhões de reais, segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM, 2011).
Com grande probabilidade de acidente, as indústrias extrativas estão investindo consideravelmente em segurança do trabalho, principalmente em controlar os riscos ocupacionais do setor. Estes acidentes de trabalho estão chamando a atenção das autoridades, dos especialistas e dos próprios empreendedores, que passam a se preocupar com seus trabalhadores.
A preocupação com a segurança e saúde dos trabalhadores no setor de extração mineral tem aumentado significativamente em função da conscientização de empregadores e empregados quanto à preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, buscando respeitar às novas legislações, e também no intuito de reduzir os indicadores de acidentalidade do setor.
Dos acidentes ocorridos no setor, estima-se que aproximadamente 90% caracterizam-se como acidente típico, ocorrido no ambiente de trabalho, com motivos variáveis caracterizam-sendo máquinas e equipamentos os campeões em probabilidade de acidentes.
A importância do setor é significativa, aliada a movimentação financeira envolvida na atividade, servem como alerta para os órgãos fiscalizadores que há poder de investimento. Sendo assim, investimento em segurança e saúde dos trabalhadores é de suma importância para justificar e comprovar que há monitoramento de risco ambiental e que há medidas de controle sendo implantadas para comprovação de investimentos na área de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).
As empresas de mineração são classificadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) através da Norma Regulamentadora (NR) 04, quadro 1, como empresa de grau de risco 4, assim, estas empresas são consideradas para o MTE como empresas com exposições de trabalhadores a riscos ambientais e com probabilidade alta de acidente de trabalho.
Através de políticas nacionais de segurança e saúde de trabalhadores e em virtude de punições mais severas aplicadas pelos órgãos fiscalizadores esta havendo uma conscientização das empresas e de seus empregados, mudando o panorama de segurança do trabalho no Brasil. Muitos empregadores estão conscientes que a área de segurança e saúde dos trabalhadores não serve apenas para cumprir a legislação e como um investimento que dá frutos, ou seja, quando investimos em segurança do trabalho notamos retorno em cargas tributárias menores, satisfação de colaboradores maiores e conseqüentemente produtividade maior.
A legislação especifica para empresas mineradoras se atualiza em passos lentos porém a fiscalização deixa de ser atuante e rigorosa. Tais fatores contribuem para uma melhoria nas condições de saúde, higiene e segurança no setor.
Uma política de Saúde e Segurança do Trabalho (SST) contribui para o estabelecimento de mudanças e melhorias, já que promove um maior comprometimento da gerência da empresa (LIMA, C. Q. B., 2002).
A Norma Regulamentadora 22 (NR-22: Segurança e Saúde Ocupacional na Mineração) determina a elaboração do Programa de Gerenciamento de Risco (PGR), obrigando as empresas do setor de mineração a agirem de modo preventivo, garantindo, assim, a saúde e a segurança dos trabalhadores (BARREIROS, C., 2002).
Dessa forma, a identificação e o controle dos riscos são imprescindíveis para a prevenção e para o PGR.
O objetivo desse trabalho é avaliar e discutir os riscos presentes nas operações unitárias do processo produtivo de pedra britada em uma mina a céu aberto e elaborar o PGR, mantendo as empresas em acordo com as normas regulamentadoras vigentes.
1. REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 NORMA REGULAMENTADORA 22: SEGURANÇA E SAÚDE
OCUPACIONAL NA MINERAÇÃO
As NRs (Normas Regulamentadoras) do MTE têm o objetivo de fornecer parâmetros básicos para garantir a segurança e a saúde do trabalhador no desenvolver de seus trabalhos, descrevendo diretrizes básicas para as empresas de cumprimento devido e efetivo pelas mesmas.
A NR 22 não foge desse foco, tendo como objetivo “disciplinar os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e o desenvolvimento da atividade mineira com a busca permanente da segurança e saúde dos trabalhadores.” (Portaria 3.214/78, MTE, NR 22, Item 22.1.1).
Logo, em seguida, a mesma classifica as áreas específicas de mineração, sendo o objeto de estudo, beneficiamento mineral, onde esta norma é responsável por ditar as regras básicas para garantir a integridade física e a saúde do trabalhador neste ramo de atividade econômica.
No que tange a questão das responsabilidades, a NR 22 descreve, em seus itens, as responsabilidades das partes envolvidas nas atividades (empregador, empregado, responsáveis técnicos) deixando claras as obrigações de cada.
Conforme o item 22.3.7.1.3 desobrigam-se da exigência do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) as empresas que implementarem o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Muitos itens descritos na NR 22 não servirão de estudo, pois, como a norma é ampla no âmbito da mineração a mesma descreve itens específicos para trabalhos em minas
subterrâneas, minas em céu aberto, garimpos e em pesquisa mineral, e estes itens não cabem ao beneficiamento de minerais.
O treinamento é destaque nesta norma, exigindo que todos os funcionários das empresas mineradoras sejam submetidos a treinamentos específicos para o desenvolvimento dos trabalhos.
1.2 PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCO (PGR)
O termo gerenciamento de riscos caracteriza o processo de identificação, avaliação e controle de riscos ambientais (físicos, químicos e biológicos) presentes nos processos produtivos. De modo geral, o gerenciamento de riscos pode ser definido como sendo a formulação e a implantação de medidas e procedimentos, técnicos e administrativos, que têm por objetivo prevenir, reduzir e controlar os riscos, bem como manter uma instalação operando dentro de padrões de segurança considerados toleráveis e aceitáveis conforme legislação vigente.
O objetivo principal do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) é prevenir a ocorrência de acidentes que possam causar danos aos trabalhadores e ao meio ambiente e reduzir sua severidade, quando um evento desta natureza ocorrer.
Os riscos ocupacionais encontrados neste tipo de trabalho são muito variáveis, destacando o tipo de material a ser lavrado, a formação geológica do mineral, o percentual de sílica livre presente no material lavrado, a presença ou não de gases, a presença ou não de água e, principalmente, os métodos de lavra, materiais e equipamentos usados para este fim; tipo e condições de funcionamento das máquinas empregadas para o beneficiamento deste material.
No que tange as responsabilidades dos empregadores, são as mesmas previstas no Art. 158 da CLT, além das descritas pela NR 22, sendo o principal o cumprimento do disposto na própria NR 22: interromper toda e qualquer atividade que exponha os trabalhadores a condições de riscos graves e eminentes para a sua saúde e segurança, coordenar a implementação das medidas relativas à segurança e saúde dos trabalhadores da empresa e das
12 1.2.1 Elaboração do Programa de Gerenciamento de Risco (PGR)
O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) previsto na NR 22 deve ter como conteúdo mínimo o levantamento de risco detalhado (físico, químico e biológico); ventilação; proteção respiratória; ergonomia; risco decorrente da utilização de energia elétrica, do trabalho em altura de máquinas e equipamentos; risco decorrente do trabalho com veículos de transporte; equipamento de proteção individual de uso obrigatório; estabilidade do maciço e; no que tange a gestão dos supracitados, a investigação e análise de acidente e incidentes do trabalho.
As etapas de organização do PGR têm como atividade principal a antecipação e identificação das atividades e fatores de riscos, monitoração do risco detectado e avaliação dos trabalhadores expostos aos riscos, estabelecimentos de prioridades, cronograma de ação e também de metas, acompanhamento periódico das medidas de controle propostas pelo PGR, forma de registro e manutenção dos dados e avaliação periódica do programa.
Há similaridade entre o PGR e o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos de Ambientais). O PGR inclui todas as etapas do PPRA, por isso o subitem 22.3.7.1.3 da NR 22 desobriga as empresas de mineração da exigência do PPRA em função da obrigatoriedade de implementar o PGR.
A NR 22 não determina a qualificação do profissional que pode elaborar e implantar o PGR, entretanto, para atender ao nível de complexidade exigido, não há dúvida que somente um profissional dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) será capaz de elaborar este programa com consistência e qualidade. (SESI 2012).
Além disso, a existência do Art. 195 da CLT, leva a acreditar que somente laudos ambientais assinados por Engenheiros de Segurança do Trabalho e/ou Médicos do Trabalho terão validade legal em caso de litígios trabalhistas no campo da insalubridade e da periculosidade.
O PPRA deve ser reavaliado no mínimo uma vez ao ano ou quando ocorrerem modificações no processo de trabalho, conforme subitem da NR 9. Já a NR 22 não define explicitamente o período de validade do mesmo.
1.3 DEFINIÇÃO DE RISCOS
Riscos são as diversas situações ou condições que podem causar danos à segurança e à saúde dos trabalhadores.
1.3.1 Riscos físicos:
São as diversas formas de energia a que possam estar expostos os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não-ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Constantes na NR 15 – Atividades e Operações Insalubres, Anexos Nº 1 a 10.
Na mineração a exposição a níveis elevados sem devida proteção pode causar perdas auditivas irreversíveis (SCHRAGE, 2005).
1.3.2 Riscos químicos:
São as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade de exposição, possam ter contato ou ser absorvido pelo organismo através da pele ou por ingestão. Constantes na NR 15, Anexos Nº 11 a 13.
Na mineração a poeira de sílica pode provocar a silicose, principal doença pulmonar e uma das maiores preocupações ocupacionais (GRUENZNER, 2006; GABAS, 2008).
14 atividades. São considerados agentes ergonômicos aqueles cuja relação do trabalho com o homem causam desconforto ao mesmo, podendo causar danos à sua saúde, tais como esforço físico intenso, postura inadequada, ritmos excessivos, monotonia e repetitividade e outros fatores que possam levar ao stress físico e/ou psíquico. Constam na NR 17 – Ergonomia.
1.3.4 Riscos de acidentes:
O risco de acidente é decorrente de situação inadequada no local de trabalho, resultando em lesão corporal e/ou traumas emocionais. Os riscos de acidentes estão presentes em equipamentos, dispositivos, ferramentas, produtos, instalações, proteções e outras situações de risco que possam contribuir para a ocorrência de acidentes durante a execução do trabalho devido ao uso, disposição ou construção incorreta.
2. METODOLOGIA
2.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA
Esta pesquisa caracteriza-se como de análise, reconhecimento, identificação e quantificação dos riscos ambientais existentes no setor de britagem em uma pedreira.
Está é uma pesquisa in loco, qualitativa e indutiva, onde a mesma se caracteriza como quali/quantitativa pelo fato de ser direcionada a obtenção de dados descritivos mediante contato direto com o objeto de estudo, neste caso o setor de britagem da empresa.
A mensuração dos riscos, como ruído, calor, iluminância e poeiras respiráveis se deu de forma quantitativa os demais riscos foram avaliados de forma qualitativa e indutiva, em função da análise e entendimento do processo de trabalho da empresa.
2.2 PLANEJAMENTO DA PESQUISA
2.2.1 Procedimento de coleta e interpretação dos dados
Inicialmente realizou-se entrevista com os colaboradores do setor para a descrição das atividades e identificação dos riscos. Posteriormente, a aferição de ruído, calor, iluminância e poeiras respiráveis, também foi realizado registro fotográfico do ambiente de trabalho.
Após, foi realizada pesquisa bibliográfica e comparação de dados com as descrições dos colaboradores.
16 Figura 1 – Vista lateral da britagem
2.2.3 Identificação da empresa
No quadro 1, a seguir apresentam-se os dados de identificação da empresa.
Quadro 1 – Dados de identificação da empresa
Razão Social ---
Nome fantasia ---
Código da atividade (CNAE) 08.10-0-99 - Extração e britamento de pedras e outros materiais para construção e beneficiamento associado.
Grau de Risco 04 (quatro).
Agrupamento CNAE C-1
Número de funcionários 08 (oito)
CNPJ ---
Endereço BR 472, Km 22, distrito de Consolata.
Telefone ---
Cidade Três de Maio/RS CEP: 98.910-000
Responsável pelas informações ---
POLÍTICA DE SEGURANÇA DA EMPRESA
SESMT (Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho) NR-04
Profissional Quantidade Regime de trabalho
Técnico (a) Segurança do Trabalho
Não há necessidade Não há necessidade Engenheiro de Segurança do Trabalho
Médico do Trabalho
CIPA (Comissão interna de Prevenção de Acidentes) NR-05 Representantes do empregador
Não há necessidade Representantes dos empregados
3. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
3.1 RISCOS EXISTENTES NO SETOR BRITAGEM.
Para obter o produto final, que são pedras de diversas bitolas, destinadas principalmente à construção civil, são necessárias quatro pessoas para a realização das atividades: 01 operador de draga para carregamento de pedras, 01 motorista de caminhão basculante, 01 operador do britador, 01 conferente de carga. Todos estes trabalham em regime de 44 horas semanais.
A empresa em questão não tem Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho - SESMT interno. A mesma contrata sob a forma de prestação de serviços uma empresa do ramo, sendo esta empresa responsável por elaborar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional - PCMSO, bem como demais serviços e documentos cabíveis ao ramo de atuação da empresa.
Para a realização deste trabalho foi analisado o seguinte equipamento: Britador de mandíbula conforme mostra a figura a baixo.
Figura 2, Britador de mandíbula (http://reducaosolidos.tripod.com/mandibulas.htm) Para a fragmentação das pedras é utilizado um britador de mandíbulas, com caixão alimentador automático, ou seja, o caminhão basculante descarrega as pedras em diversas bitolas no caixão alimentador, o operador do equipamento aciona o mesmo no momento em que ele quer que as pedras caiam nas mandíbulas de britagem do equipamento.
O princípio de funcionamento do britador de mandíbula é o seguinte:
O motor transmite a potência através de um sistema de transmissão de força para um eixo excêntrico onde esse movimenta a mandíbula móvel do equipamento. A abertura das mandíbulas aumenta quando a placa se move para cima e diminui quando a placa se move para baixo, movimento este que faz a fragmentação das pedras, sendo que após fragmentadas as mesmas caem por uma abertura inferior as mandíbulas sobre uma esteira e são transportadas para uma peneira de classificação de bitola.
Com base na análise foram identificados os seguintes riscos na mineração que geram a probabilidade de acidente do tipo:
•Desmoronamento e quedas de blocos de pedras;
•Máquinas e equipamentos sem proteções, principalmente nas transmissões de força; •Fiação elétrica desprotegida, livre acesso ao quadro de comando, manutenção
20 •Escadas com degraus inadequados, escorregadios e sem corrimãos, passarelas improvisadas sem guarda-corpo e corrimão;
•Pisos e plataformas irregulares; •Queda de altura.
Como riscos físicos, foram identificados:
a) Ruído: Considerado grande. O nível de ruído verificado na zona auditiva do trabalhador do setor, conforme dosimetria realizada atingiu 95,9 dB(A). Foi utilizado um medidor de nível de pressão sonora (Dosímetro), marca INSTRUTHERM, modelo DOS-500, série 070809021. Neste nível de ruído é tolerável a exposição do trabalhador por somente 1 hora e 45 minutos/dia, conforme Portaria 3.214/78 NR 15 Anexo 1.
b) Calor: Considerado risco pequeno. O maquinário do setor não é gerador de calor. O ambiente é aberto e proporciona uma boa ventilação do local. Conforme medições realizadas no setor, o IBUTG é de 33,3 ºC, em média. A temperatura de globo é de 33,3 º C e a temperatura bulbo úmido é de 26,2 ºC. Dessa forma a atividade é moderada. Foi utilizado um medidor de stress térmico, marca INSTRUTHERM, modelo TGD-300, série 080607161.
c) Vibrações: Presentes na operação de britagem devido ao fato de o britador ter muito atrito com as pedras que estão sendo britadas. Qualquer atividade realizada neste britador em funcionamento submetera o operador à vibração com propagação ao corpo todo.
d) Radiações não-ionizantes: Decorrentes da exposição à radiação solar, há cobertura na máquina em estudo, porém a mesma está precária, com problemas estruturais e se limita à extensão da máquina. Sendo assim, principalmente nos extremos dos dias, o operador fica exposto à radiação não ionizante devido a exposição solar.
Como risco químico foram identificados a sílica livre cristalizada: É toda a poeira gerada na segregação das pedras pelo britador. Conforme as pedras são partidas pela máquina há geração de poeira e esta fica suspensa no ar, sendo retirada de forma natural através do ar que circula no setor pelo mesmo ser aberto. A exposição a este risco ocupacional é de forma continua durante o funcionamento do maquinário e conforme avaliação realizada no setor foi encontrado o quadro 2.
Quadro 2 – Avaliação de sílica livre cristalizada. Agente
Químico Unidade Resultado
Limite de Detecção Limite de Quantificação NR-15 ACGIH Poeira respirável mg/m³ 1,40 0,01 0,03 4,00 3 Sílica (Quartzo) mg/m³ n.d. 0,010 0,010 - 0,025 Sílica % n.d. - - - -
Como risco biológico foi identificado a exposição a fungos, bactérias e parasitas, decorrentes de precárias condições de higiene, tais como falta de limpeza dos locais de trabalho e falta de sanitários.
O risco ergonômico foi considerado grande, em função da precariedade das condições do ambiente de trabalho. O operador é submetido a realizar movimentação repetitiva para realizar o controle da máquina; postura inadequada, pois o mesmo não tem um lugar apropriado para realizar o seu trabalho permanecendo aproximadamente 80% da sua jornada de trabalho em pé. Há também variações na iluminâcia do setor por que o mesmo é aberto e há períodos do dia que a iluminação é boa. Outros períodos onde a iluminância é excessiva ou pouca. Conforme avaliação quantitativa realizada no setor, foi encontrado 690 lux, às 8h e 30 e 1.894 lux no horário das 14h15, demostrando a variação relatada. Foi utlizado um luxímetro marca ICEL, modelo LD 550, na escala de leitura mais adequada.
O risco de acidentes é considerado grande, pela possibilidade de projeção de partículas volantes provinda do processo de britagem das pedras. Há risco de queda de altura, pois o trabalhador realiza suas atividades em uma passarela em torno do britador, tendo esta aproximadamente 8 metros de altura do solo e nesta passarela o sistema de proteção contra queda é precário e obsoleto, expondo o trabalhador a este risco. Há risco de cortes e esmagamentos de membros superiores, pois as proteções das transmissões de forças foram retiradas para a manutenção e não foram recolocadas. Há risco de choques elétricos por que
22 3.2 SUGESTÕES DE MELHORIAS
Conforme a NR 22, seu objetivo é disciplinar os preceitos a serem observados na organização e no ambiente de trabalho, de forma a tornar compatível o planejamento e desenvolvimento da atividade mineira com a busca permanente da segurança e saúde dos trabalhadores.
Com base nas NRs pertinentes a empresa deve realizar algumas adaptações elencando a seguir:
Delimitar a área de carga e descarga de material, isolando-a da circulação das demais pessoas, sempre que esta operação for executada;
Realizar manutenções preventivas nos veículos automotores e na máquina rodoviária da empresa;
Providenciar proteção nas transmissões de força (correias) do britador, rebritador e peneira;
Providenciar uma sinalização de segurança, de acordo com NR 26 – Sinalização de Segurança;
Delimitar a via na descarga de pedras brutas, colocando proteções para maior segurança;
Pintar faixas pretas e amarelas intercaladas nos pilares onde os caminhões entram para fazer o carregamento de produtos (pedras) para entrega;
Orientar o trabalhador para nunca efetuar a manutenção com máquinas ou instalações ligadas ou energizadas;
Atentar à questão da prevenção e do combate aos incêndios, redimensionando e mantendo as unidades extintoras com a carga dentro do prazo de validade, especificado na etiqueta e sendo livres os acessos para caso de utilização dos mesmos;
Prover banheiro com condições de higiene necessárias, dispor de papel higiênico, também com papel toalha e sabonete liquido e o local de beber água deve prover de copos descartáveis;
Projetar um acesso mais seguro ao britador, redimensionando a escada para outro local, preferencialmente que seja de concreto e deve possuir corrimãos; Providenciar para a escada de acesso à descarga de pedras brutas, um guarda
corpo e uma espia que sirva como cabo de vida, para que, ao subir, o funcionário que deve estar usando cinto de segurança tenha como se guiar através desta;
Atentar para a questão do local onde fica o britador, o piso de tábuas com espaço entre as mesmas deve ser preenchido, o guarda corpo deve ser substituído por outro de metal, mais resistente e seguro. A cobertura também deve ser substituída, uma vez que apresenta rachaduras, buracos e infiltrações; Providenciar tranca para a porta do transformador elétrico que fica no pátio da
empresa, exposto portanto a todas as pessoas que por lá circulam;
Realizar inspeções periódicas nas instalações elétricas da empresa, principalmente no quadro de comando das máquinas no britador, onde existe fiação à mostra, improvisações e chave que fica sobre a porta (qualquer um a qualquer hora pode ter contato);
Dispor de todos os EPI’s recomendados e tornar efetivo e permanente sua utilização durante os trabalhos na empresa;
Designar um responsável pela efetiva cobrança na utilização dos EPI’s por parte dos funcionários;
Reativar a torneira e o reservatório de água, que faziam a umidificação das pedras brutas a serem britadas, para que diminua a emissão de poeira;
Elaborar procedimento operacional padrão (POP) de todas as atividades realizadas na empresa.
24 CONCLUSÃO
O presente trabalho realizou uma análise detalhada das atividades desenvolvidas no setor de britagem de uma empresa de pedras de basalto. Para a realização desta atividade houve a participação de todos os colaboradores existentes neste setor.
Com base nestas análises foram realizadas as identificações dos riscos existentes e construído o PGR apresentado no anexo, de forma a abranger todos os riscos possíveis nesta atividade.
Com a finalidade de atender as legislações vigentes e melhorar o nível de conforto e segurança dos trabalhadores deste setor, foram sugeridas diversas melhorias ao empregador, que se dispôs a implantar estas em etapas a serem definidas pela empresa analisada.
Pode-se identificar após estas análises e a disposição do empregador em implantar as melhorias, que a empresa esta preocupada com o bem estar de seus colaboradores e com o cumprimento da legislação vigente deste ramo, porém grande parte destas melhorias demanda valores altos e deve ser programada financeiramente a sua execução, tornando viável esta adequações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10151: Acústica: avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade– procedimentos: Rio de Janeiro, 2000.4 p.
BARREIROS, D. Gestão da segurança e saúde no trabalho: estudo de um modelo sistêmico para as organizações do setor mineral. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2002. 317p. (Tese de Doutorado).
BISTAFA, S. R. Acústica Aplicada ao Controle do Ruído: São Paulo: Editor Edgard Blücher, 2006.
GABAS, G. C. C. Análise crítica dos critérios de seleção de respiradores para particulados em ambientes de mineração. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2008. 124p. (Dissertação de Mestrado).
GRUENZNER, G. Avaliação da poeira de sílica: um estudo de caso em uma pedreira na região metropolitana de São Paulo. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2006. 93p. (Dissertação de Mestrado).
JUNIOR, Abelardo da Silva Melo: Risco de acidente de trabalho na indústria de panificação: o caso das máquinas de cilindro de massa. (PPGEP/UFPB) [email protected].
LIMA, C. Q. B. Implantação de modelos de gestão para a segurança e saúde no trabalho: estudo de casos no setor mineral. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2002. 139p. (Dissertação de Mestrado).
RODRIGUES, Celso Luiz Pereira (PPGEP/UFPB) [email protected]. Santos ClaudioF.P.dos. Apostila Mapa De Risco, 1999.
SCHRAGE, M. W. Mapa de ruído como ferramenta de diagnóstico do conforto acústico da comunidade. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2005. 101p.
26 ANEXO