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Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG: Browsing DSpace

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(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE HUMANIDADES

MESTRADO EM SOCIOLOGIA RURAL

"A HORA DO POVO NA TV"

ANALISE DO DISCURSO DE UMA EXPERIÊNCIA "POPULAR" DE TELEVISÃO

(2)

"A HORA DO POVO NA TV"

ANALISE DO DISCURSO DE UMA EXPERIÊNCIA "POPULAR" DE TELEVISÃO

Fernando L u i z A l v e s B a r r o c o Dissertação de Mestrado a p r e -s e n t a d a ao Programa de PónGraduaçâo em S o c i o l o g i a 'la U n i v e r s i d a d e F e d e r a l da Paraíba corno e x i -gência p a r a a obtenção do t i t u l o de M e s t r e em S o c i o l o g i a .

Area de Concentração: SOCIOLOGIA RURAL

(3)
(4)

I

"A HORA DO POVO NA TV"

ANALISE DO DISCURSO DE UMA EXPERIÊNCIA "POPULAR" DE TELEVISÃO

Fernando L u i z A l v e s B a r r o s o

Dissertação a p r e s e n t a d a em: / / .

BANCA EXAMINADORA:

D u r v a l Muniz de A l b u q u e r q u e Júnior

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Dedico e s t e t r a b a l h o aos meus s o b r i n h o s E m a n u e l l e , I a g o , J e f f e r -son, Jomário, J u l i a n a , ' K e i l a , Lí-c i a , Lília, L u i z Antônio, N i Lí-c o l l e , Pedro e R a f a e l .

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AGRADECIMENTOS

Cumpre-me e x p r e s s a r o meu a g r a d e c i m e n t o s i n c e r o a t o d o s os que a u x i l i a r a m na realização d e s t e t r a b a l h o .

à D u r v a l Muniz de A l b u q u e r q u e Júnior, o r i e n t a d o r , p e l a dedicação, p e l o t a l e n t o e p e l o p r a z e r com que e x e r c e seu o f i c i o . E s t a s q u a l i d a d e s , r e p r e s e n t a r a m p a r a mim mais do que a p r e n d i z a -dos acadêmicos -, a p r e n d i z a d o s de v i d a .

- à direção e aos p r o f e s s o r e s do Curso de Comunicação S o c i a l da U n i v e r s i d a d e E s t a d u a l da P a r a i b a que v i a b i l i z a r a m minha l i c e n -ça da t a r e f a de p r o f e s s o r , necessária ao t r a b a l h o de p e s q u i s a corn dedicação e x c l u s i v a ;

- aos p r o f e s s o r e s do Curso de Mestrado que, p o r sua compe-tência, contribuíram p a r a minha formação.

- à Vera e à João, secretários do Curso de Mestrado que, p o r suas g e n t i l l z a e d i s p o n i b i l i d a d e permanentes, t o r n a m a v i d a dos mestrandos menos c o m p l i c a d a ;

à Paulo R o b e r t o de A l m e i d a R o d r i g u e s que, p e l a l e i t u r a a t e n t a , i m p e d i u que e s t a publicação c o n t i v e s s e "mais" e r r o s do

(7)

aos funcionários do "Diário da Borborema" e " J o r n a l da Paraíba", p e l o acesso p e r m i t i d o à c o n s u l t a aos a r q u i v o s d e s t e s j o r n a i s .

às pessoas que concederam e n t r e v i s t a s p a r a a realizaçSo d e s t e t r a b a l h o .

aos f a m i l i a r e s e amigos, que acompanharam, a p o i a r a m e i n -c e n t i v a r a m a realização d e s t e empreendimento.

(8)

INDICE

INTRODUÇÃO 1

C a p i t u l o 1

A FORMAÇÃO DO "POVO" ASSOCIADO 33

1 - a ) A "TV da t e r r a " 37 1 - b ) "A Hora do Povo na TV" 49

1 - c ) O "Debate na TV" 67 1 - d ) A repercussão s o c i a l dos programas 85

C a p i t u l o 2

TRAJETÓRIA POLITICO-INSTITUCIONAL DOS DIÁRIOS E

EMIS-SORAS ASSOCIADOS EM CAMPINA GRANDE 95

2 - a ) Operação TV Borborema 99 2 - a - 1) A proeminência do empresário

New-t o n Rique 101 2 - a - 2 ) As eleições de 1959 e 1963 e a

fundação da TV Borborema 104 2 - a - 3 ) Os "políticos" e o "povo"

cons-t r u i n d o a TV Borborema 118 2 - a - 4 ) A TV Borborema e a "modernidade"

l o c a l 126 2 - b ) A "Era M a r c o n i Góes" 128

2 - b - 1) 0 saber de um novo caminho p a r a

os Diários e Emissoras A s s o c i a d o s . 130 2 - b - 2 ) Os Diários e Emissoras A s s o c i a d o s

assumindo o novo caminho 134 2 - b - 3 ) Os Diários e E m i s s o r a s A s s o c i a d o s nas eleições de 1982 137 2 - b - 4 ) Os Diários e E m i s s o r a s A s s o c i a d o s nas eleições de 1986 145 2 - b - 5 ) Os Diários e E m i s s o r a s A s s o c i a d o s nas eleições de 1988 148 2 - b - 6 ) Os Diários e E m i s s o r a s A s s o c i a d o s

(9)

2 c ) O momento p o l i t i c o e i n s t i t u c i o n a l da c r i a -ção dos programas "A Hora do Povo na TV" e

"Debate na TV" 176 2 - c - 1) 0 d i s p o s i t i v o A s s o c i a d o e seus

d e s a f i o s 178 2 - c - 2 ) A "isenção" e o combate 180

2 - c - 3 ) Rearticulação e pressão política .. 2 0 1

2 - d ) A TV "moderna" e a "TV da t e r r a " 205 2 - d - 1) 0 v e l h o modelo e a "modernidade" .. 208 2 - d - 2 ) A t u a l i z a n d o o v e l h o modelo 217 2 - d - 3 ) A a l t e r n a t i v a "TV da t e r r a " 222 2 - d - 4 ) A "TV da t e r r a " e as práticas p o l i t i c a s dos anos 50 2 3 1 C a p i t u l o 3

0 "POVO" ASSOCIADO E A RECUSA DO "POVO" 238 3 - a ) A produção da " s i m p l i c i d a d e " 240 3 - b ) Os " s i m p l e s " no vídeo da "TV da t e r r a " 246 3 - c ) A ( d e s ) o r d e m da atuação " p o p u l a r " na "TV da t e r r a " 268 CONCLUSÃO 278 BIBLIOGRAFIA 287

(10)

RESUMO

A p r e s e n t e dissertação tem como tema o d i s c u r s o p r e d o m i n a n -t e , a p a r -t i r do ano de 1 9 9 1 , na TV Borborema de Campina Grande, P a r a i b a . E s t e d i s c u r s o f u n d a v a - s e na adoção, p o r a q u e l a e m i s s o r a , do lema "TV da t e r r a " e na criação dos programas "A Hora do Povo na TV" e "Debate na TV". Através do d i s c u r s o da "TV da t e r r a " e dos r e f e r i d o s programas, a TV Borborema t e n t a v a d i s t i n g u i r - s e como "televisão p o p u l a r " no espaço da mídia eletrônica l o c a l .

E s t a abordagem rompe com as p e r s p e c t i v a s teórico-metodológi-cas o r i e n t a d a s p e l a idéia de veiculação " i d e o l o g i z a d a " do "popu-l a r " p e "popu-l o s "meios de comunicação de massa". Ao invés de a c e i t a r que a q u e l e d i s c u r s o f o s s e um mascaramento s o b r e o " v e r d a d e i r o p o p u l a r " p a r a p r o d u z i r a alienaçfío e n e g a r a l u t a de c l a s s e s , e s t e t r a b a l h o pressupõe que o " p o p u l a r " da TV Borborema c o r r e s ponde a uma v e r d a d e e n t r e o u t r a s e f e t i v a m e n t e p r e s e n t e â r e a

-l i d a d e s o c i a -l . Assim, c o -l o c o u - s e a n e c e s s i d a d e de e n t e n d e r q u a -l o " p o p u l a r " e l e i t o p e l a TV Borborema e as condições da veiculação

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RESUME

Le s u j e t de ce mémoire e s t l e d i s c o u r s prédominant, a p a r t i r de l'année 1991 a l a chaîne de télévision Borborema de Campina Grande, Paraíba. Ce d i s c o u r s se b a s a i t à p a r t i r de l ' a d o p t i o n p a r c e t t e chaîne, de l a d i v i s e "TV da t e r r a " e t de l a création des programmes "A Hora do Povo na TV" e t "Debate na TV". A p a r t i r des d i s c o u r s de l a "TV da T e r r a " e t des programmes cités, l a chaîne Borborema a essagé de se d i s t i n g u e r comme "télévision p o p u l a i r e " dans l ' e s p a c e du média électronique l o c a l .

C e t t e approche rompt l e s p e r s p e c t i v e s théoriques e t méthodo-l o g i q u e s orientées p a r méthodo-l'idée de t r a n s p o s i t i o n idéométhodo-logique du p o p u l a i r e p a r l e s moyens de c o m m u n i c a t i o n . Au l i e n d ' a c c e p t e r l e d i s c o u r s comme une d i s s i m u l a t i o n du " v r a i p o p u l a i r e " pour p r o d e -c i r e l'aliénation e t n u i r e l a l u t t e des -c l a s s e s , -ce t r a v a i l pré-suppose que " l e p o p u l a i r e " de l a TV Borborema c o r r e s p o n d à une vérité, e n t r e a u t r e s , e f f e c t i v e m e n t présente dans lá réalité s o -c i a l e . A i n s i , on a -constaté l a né-cessité de -comprendre l e

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INTRODUÇÃO

Quando o c a r n a v a l e s c o Joãozinho T r i n t a a f i r m o u que o povo não g o s t a de miséria, mas de l u x o , causou um e s p a n t o g e r a l no p a i s . Sua f r a s e p a r e c e t e r s i d o a s s i m i l a d a não como uma p r o p o s i -ção r e a l i s t a , mas como uma provoca-ção. Qual a razão do e s p a n t o ?

Tudo i n d i c a que, com a q u e l a f r a s e , Joãozinho t e n t o u promover uma r u p t u r a no imaginário n a c i o n a l s o b r e o que o povo é e s o b r e o que o povo g o s t a . Se i s t o f o r v e r d a d e , haveremos de r e c o n h e c e r que há um s a b e r ( o u uma " v e r d a d e " ) e m b u t i d o e c r i s t a l i z a d o em nosso imaginário s o b r e o que é o povo. De c o n f o r m i d a d e com e

imaginário, ao contrário do que a provocação e x p r e s s a v a , o povc é " s i m p l e s " e " h u m i l d e " , não a s s i m i l a nem d e s e j a as "formas r e q u i n -t a d a s " de v i d a -tão comuns aos sonhos das chamadas " c l a s s e B mé-d i a s " .

Assim, o "povo" é v e r d a d e i r a m e n t e "estúpido", " i r r a c i o n a l " e, p o r t a n t o , descompassado em relação à modernidade. E n f i m , a

"verdade" é que o "povo" é " p o v i n h o " mesmo.

E s t a s imagens i n d i c a m que o imaginário n a c i o n a l s o b r e a q u e l e grupo s o c i a l o c o n s t i t u i sob o s i g n o da estereotipização. E com uma f r a s e e m i t i d a a p a r t i r do l u g a r de f e s t a e s u p e r f i c i a l i d a d e

(13)

com que normalmente se enxerga o c a r n a v a l , Joãozinho T r i n t a negou a e f e t i v i d a d e do estereótipo.

Aquele f a t o c o n t r i b u i u p a r a que o p r o b l e m a do e s t a t u t o s o -c i a l da "verdade" e, mais e s p e -c i f i -c a m e n t e , do e s t a t u t o s o -c i a l da v e r d a d e s o b r e o "povo" f o s s e r e p o s t o e n t r e nós. Conforme v i s t o , p a r e c e que o e s t a t u t o s o c i a l s o b r e o "povo" - e s t a e n t i d a d e tão c o n f u s a e, ao mesmo tempo, tão d i v e r s a m e n t e evocada na p o l i t i c a , na c u l t u r a e nas relações s o c i a i s c o t i d i a n a s - está f o r t e m e n t e d e f i n i d o no imaginário dos b r a s i l e i r o s .

I m p o r t a p e r c e b e r que e s t e e s t a t u t o d e f i n e uma v i s i b i l i d a d e e um s a b e r s o b r e o "povo"; e que e s t e s a b e r é um elemento c o n s t i t u -t i v o do p o d e r ( d a dominação) que se e x e r c e s o b r e a q u e l e grupo s o c i a l . E s t e s a b e r d e t e r m i n o u uma imagem e um l u g a r s o c i a l p a r a o s u j e i t o "povo" o c u p a r : e l e deve a t u a r de c o n f o r m i d a d e com e s t a imagem e a p a r t i r do l u g a r que as relações de p o d e r / s a b e r l h e têm c o n f e r i d o .

i E s t a p e s q u i s a t r a t a de uma situação p a r t i c u l a r de evocação de uma " v e r d a d e " s o b r e o "povo" e s o b r e as condições " p o p u l a r e s " de existência.

Em 1991, a TV Borborema de Campina Grande - e m i s s o r a l i g a d a aos Diários e Emissoras A s s o c i a d a s do Estado da P a r a i b a e a f i l i a -da ao S i s t e m a B r a s i l e i r o de Televisão (SBT) - i n s t i t u i u o termo

(14)

Através da adoção do r e f e r i d o lema, a TV Borborema buscou j u s t i f i c a r o emprego de uma l i n g u a g e m t e l e v i s i v a o r i e n t a d a p o r um saber c o r r e n t e na e m i s s o r a s o b r e a f i s i o n o m i a sócio-cultural da c i d a d e de Campina Grande e da m a i o r i a de sua população. A l i n g u a -gem da e m i s s o r a d e v e r i a a s s i m i l a r e s t a f i s i o n o m i a p a r a , a s s i m , s e r r e c o n h e c i d a s o c i a l m e n t e como uma TV " p o p u l a r " .

Em l i n h a s g e r a i s , a q u e l e s a b e r e n u n c i a v a que a "pobreza" e, em conseqüência, "a carência", eram os traços d e f i n i d o r e s da e s -p e c i f i c i d a d e sócio-cultural l o c a l . A "-pobreza" e a "carência" determinavam as condições de v i d a do "povo" campinense. Através da veiculação d e s t a s imagens, a TV Borborema não e s t a r i a i n s i s -t i n d o na reprodução s o c i a l de um d i s c u r s o e s -t e r e o -t i p i z a n -t e s o b r e o "povo campinense" ou " n o r d e s t i n o " de s e n t i d o análogo ao a p o n t a -do acima?

Alicerçada s o b r e e s t e s a b e r , a programação da e m i s s o r a dever i a dever e s p o n d e dever aos a n s e i o s estéticos e temáticos do público t e l e s p e c t a d o r l o c a l . Assim, o i n v e s t i m e n t o t e l e v i s i v o A s s o c i a d o o r i e n t a r s e i a p a r a a produção de uma programação estética e t e m a t i c a -mente v o l t a d a p a r a o consumo dos " p o b r e s " .

"A Hora do Povo na TV" e "Debate na TV" f o r a m c r i a d o s p a r a 1

a p r e s e n t a r e s t a s r e s p o s t a s . Embora guardassem diferenças e n t r e 1. 0 programa "A Hora do Povo na TV" é a p r e s e n t a d o p e l o s j o r n a -l i s t a s Evi-lásio J u n q u e i r a e Geovanes Antônio e o "Debate na TV"

(15)

R _ _ T " • - . :Ü... , . i . . . — . . . . ; .

s i , e s t e s programas buscavam p a r e c e r - s e com o "povo" ( o u com a v i s i b i l i d a d e A s s o c i a d a s o b r e o "povo") e d a r s e n t i d o ao lema ado-t a d o p e l a e m i s s o r a que os a p r e s e n ado-t a v a . Nos p l a n o s da esado-téado-tica, da

l i n g u a g e m e dos temas empregados, seus p r o d u t o r e s / a p r e s e n t a d o r e s buscavam r e p r e s e n t a r a "pobreza" e a "carência" do público a que

se d i r i g i a m .

0 a p a r a t o tecnológico e os r e c u r s o s humanos ( p r o f i s s i o n a i s ) empregados p e l a TV Borborema p a r a e m i t i r sua programação eram d e f a s a d o s em relação aos padrões v i g e n t e s na mídia t e l e v i s i v a n a c i o n a l . Os cenários de "A Hora do Povo na TV" e do "Debate na TV" eram i n d i c a t i v o s dos b a i x o s índices de r e c u r s o s f i n a n c e i r o , m a t e r i a l e humano c a n a l i z a d o s p a r a sua produção; e s t e e cenários t r a d u z i a m a " s i m p l i c i d a d e " adequada ao d i s c u r s o p r o p o s t o . Os temas a p r e s e n t a d o s d i z i a m r e s p e i t o às condições de "pobreza" e

"carência" do público que v i s a v a m alcançar e à difusão de a p e l o s e reivindicações que v i s a s s e m a r e p a r a r e s t a s condições. A l i n guagem empregada p o r seus a p r e s e n t a d o r e s buscava uma i d e n t i f i c a -ção com a l i n g u a g e m ( o s códigos l i n g u i s t i c o s ) d e s t e público em suas relações s o c i a i s c o t i d i a n a s . Mas, acima de t u d o , em ambos os programas, h a v i a a ampla cessão de espaço p a r a que o "povo", " p o r s i mesmo", e x p r e s s a s s e sua "pobreza" e sua "carência", i s t o é, e x p r e s s a s s e a v e r d a d e A s s o c i a d a s o b r e o "povo" como a "sua" v e r -dade .

Em síntese, o f o r m a t o d a q u e l e s programas d e i x a v a â m o s t r a que seu l e i t m o t i v eram o "povo" de Campina Grande, sua " p o b r e z a " , sua "carência", e, s o b r e t u d o , seu ânimo p a r a d i f u n d i r a p e l o s à

(16)

sociedade

e reivindicações

ao Estado. Através da adoção do lema

"TV da t e r r a " e da criação dos r e f e r i d o s programas, a TV B o r b o r e ma buscou d e f i n i r seu espaço na mídia t e l e v i s i v a l o c a l como t e l e -visão " p o p u l a r " .

0 o b j e t i v o d e s t a p e s q u i s a é promover uma análise do d i s c u r s o da "TV da t e r r a " e dos programas "A Hora do Povo na TV" e "Debate na TV" como v i a p a r a p e r c e b e r as condições de p o s s i b i l i d a d e de sua emergência na TV Borborema. I m p o r t a i n v e s t i g a r q u a l a n a t u r e -za das relações de poder que t o r n a r a m poséivel as p r a t i c a s e os d i s c u r s o s da e m i s s o r a ( e dos p r o g r a m a s ) . Q u a i s ae demandas de poder que l h e davam sustentação? Q u a l o s e n t i d o estratégico dest e s d i s c u r s o s ? Por que a TV Borborema a s s i m i l o u o "povo" como s u -j e i t o " s i m p l e s " , " h u m i l d e " e " c a r e n t e " a p a r t i r de 1991? O "povo" A s s o c i a d o t e v e e s t e p e r f i l desde sempre? 0 r e q u e r i m e n t o de "povo" e r a o mesmo em ambos os programas? 0 "povo" do "Debate na TV" e de "A Hora do Povo na TV" eram os mesmos?

Assim, e s t a p e s q u i s a é uma análise de d i s c u r s o que se l i g a ao d e b a t e acadêmico e x i s t e n t e na área da "comunicação de massa" s o b r e as relações e n t r e os veículos de comunicação e as chamadas " c l a s s e s p o p u l a r e s " .

1

Segundo M a r i a Immacolata V a s s a l o Lopes , e s t e d e b a t e vem r e s u l t a n d o em p e s q u i s a s que se o r i e n t a m p a r a a construção de uma

1. LOPES, M a r i a Immacolata V a s s a l o . "PESQUISA EM COMUNICAÇÃO -FORMULAÇÃO DE UM MODELO METODOLÓGICO", São P a u l o , L o y o l a , 1990.

(17)

T e o r i a da Recepção. D i s c o r r e n d o s o b r e o h o r i z o n t e d e s t a T e o r i a , a a u t o r a a f i r m a :

"As poucas porém i n f l u e n t e s p e s q u i s a s empíricas s o b r e l e i t u r a c r i t i c a dos meios, recepção de t e l e n o v e -l a , -l a z e r e c o t i d i a n -l d a d e , usos p o p u -l a r e s dos meios, c u l t u r a s u r b a n a s e o u t r a s , apontam p a r a essa construção teórica desmontando as t e s e s de p a s s i v i d a d e e de mani-pulação dos r e c e p t o r e s p e l o s MCM (meios de comunicação

1 de massa) .

E s t a s p e s q u i s a s parecem tomar a noção m a r x i s t a de i d e o l o g i a como i n s t r u m e n t o bãsico de a n a l i s e . Neste s e n t i d o , t o r n a - s e pos-sível situá-las como análises ideológicas de d i s c u r s o s m a s s i v o s p a r a as " c l a s s e s p o p u l a r e s " . As citações a p r e s e n t a d a s a b a i x o , pinçadas dos t e x t o s introdutórios de duas p e s q u i s a s r e a l i z a d a s n e s t a área, p e r m i t e m p e r c e b e r a c e n t r a l i d a d e c o n c e d i d a à noção de

i d e o l o g i a como elemento c o g n o s c i t i v o de seus r e a l i z a d o r e s :

"Nosso o b j e t i v o com o p r e s e n t e e s t u d o é p r o c e d e r à análise ideológica ( g r i f o meu) da produção radiofônica de m a i o r penetração no B r a s i l nos anos 50 l i g a d a à Rád i o N a c i o n a l Rádo R i o Ráde J a n e i r o , buscanRádo seu s i g n i f i c a -do político-ideológico m a i s amplo, a p a r t i r da função ocupada p o r e l a no c o n j u n t o das práticas s o c i a i s no

2 período" .

"A p r e s e n t e p e s q u i s a tem p o r o b j e t i v o e s t u d a r os e f e i t o s ideológicos do d i s c u r s o ( g r i f o meu) radiofônico p o p u l a r s o b r e as populações m a r g i n a i s que v i v e m em

am-3 b i e n t e u r b a n o " .

1. LOPES, M a r i a Immacolata V a s s a l o , op. c i t . , p. 58.

2. GOLDFEDER, M i r i a m . "POR TRAS DAS ONDAS DA RADIO NACIONAL", R i o de J a n e i r o , Paz e T e r r a , 1980, p. 13.

3. LOPES, M a r i a Immacolata V a s s a l o . "0 RADIO DOS POBRES - COMUNI-CAÇÃO DE MASSA, IDEOLOGIA E MARGINALIDADE SOCIAL", São P a u l o , L o y o l a , 1988, p . 7.

(18)

Reconhece-se que as pesquisas m a i s r e c e n t e s de orientação m a r x i s t a n e s t a area estão l o n g e de g u a r d a r u n i f o r m i d a d e sobre o s e n t i d o teórico atribuído ao t e r m o " i d e o l o g i a " . As conclueões de Lopes e G o l d f e d e r apontam n e s t e s e n t i d o . I s t o s i g n i f i c a que, i n -t e r n a m e n -t e a e s -t e d e b a -t e , ha uma l u -t a -teórica sobre o s i g n i f i c a d o do t e r m o p a r a os e s t u d o s s o b r e as relações s o c i a i s c a p i t a l i s t a s e p a r a a e f e t i v i d a d e da l u t a de c l a s s e s .

No e n t a n t o , o e n f o q u e teórico d e s t a noção l i g a d o à produção da alienação da consciência i n d i v i d u a l ou s o c i a l p e l a veiculação, através de instituições c o n t r o l a d a s p e l a s c l a s s e s d o m i n a n t e s , de v a l o r e s que i n v e r t e m o s e n t i d o das relações s o c i a i s , é m a r c a n t e no i n t e r i o r d e s t e d e b a t e .

Por exemplo: a v a l i a n d o as p o s s i b i l i d a d e s de recepção " c r i t i -ca" (não-ideológica) de t r a b a l h a d o r e s ao d i s c u r s o do " J o r n a l Na-c i o n a l " da Rede Globo de Televisão, C a r l o s Eduardo L i n s da S i l v a a f i r m a que

"... é c l a r o que numa s o c i e d a d e c a p i t a l i s t a em que a b u r g u e s i a é a c l a s s e s o c i a l que (como um t o d o ou a-través de alianças e n t r e algumas de suas frações) detém a hegemonia do p o d e r econômico e do p o d e r político, e l a também detém o poder ideológico. A hegemonia é m a n t i d a através da aceitação g e n e r a l i z a d a na s o c i e d a d e de um c o n j u n t o de v a l o r e s e crenças que, a p e s a r de, no g e r a l , f a v o r e c e r à manutenção do p o d e r da b u r g u e s i a , é e n t e n -d i -d o p e l a m a i o r i a -das pessoas como sen-do favorável à

1 comunidade" .

1. LINS DA SILVA, C a r l o s Eduardo. "MUITO ALEM DO JARDIM BOTÂNICO - UM ESTUDO SOBRE A AUDIÊNCIA DO JORNAL NACIONAL DA GLOGO ENTRE TRABALHADORES", São P a u l o , Summus, 3a e d . , 1985, p. 53.

(19)

O ÇBiprejjQ <ta n°

c

S° de ideologia pressupõe

a existência de uma v e r d a d e s o b r e o r e a l que a exigência de "ma-nutenção do poder da b u r g u e s i a " v i s a r i a a m a s c a r a r . A v e r d a d e s e r i a i n v e r t i d a p e l a mediação ideológica p a r a f o r m a r uma f a l s a consciência ( o u alienação) s o b r e o r e a l . A noção de i d e o l o g i a pressupõe a i n d a que os meios de comunicação são p r o d u t o r e s da alienação e que o "povo", como g r u p o s o c i a l a s s i m i l a t i v o dos d i s -c u r s o s m a s s i v o s , é a l i e n a d o .

Assim, os meios de comunicação comporiam o que F o u c a u l t cha-1

ma de uma "economia do não v e r d a d e i r o " . E n f i m , p a r a e s t a p e r s p e c t i v a de análise, r e s t a r i a à ciência ( o u ao d i s c u r s o c i e n t i f i -c o ) o p a p e l de instân-cia -capaz de romper o mas-caramento do r e a l p r o m o v i d o p e l o d i s c u r s o ideológico e d e m o n s t r a r o b j e t i v a m e n t e a sua v e r d a d e .

0 enfoque teórico-metodológico e l e i t o p a r a o r i e n t a r e s t a

i

p e s q u i s a i m p l i c a e x c l u i r a p o s s i b i l i d a d e de t r a t a r seu o b j e t o nos t e r m o s da i d e o l o g i a . 0 s e n t i d o d e s t a exclusão está na' c r i t i c a de seus p r e s s u p o s t o s teórico-metodológícos. Para F o u c a u l t

tisetfl w n w n w í

1. Cf. FOUCAULT, M i c h e l . "MICROFISICA DO PODER", R i o de J a n e i r o , G r a a l , 3a e d . , 1982, p. 237. F o u c a u l t a f i r m a : "Sempre me s e n t i pouco à v o n t a d e d i a n t e d e s t a noção de i d e o l o g i a tão u t i l i z a d a nos últimos anos. E l a f o i u t i l i z a d a p a r a e x p l i c a r e r r o s , ilusões, representações-anteparo, em suma, t u d o que impede a formação de d i s c u r s o s v e r d a d e i r o s . E l a também f o i u t i l i z a d a p a r a m o s t r a r a relação e n t r e o que se passa na cabeça das pessoas e seu l u g a r nas relacçês de produção. A g r o s s o modo, a economia do naõ v e r d a

(20)

;

"Cada s o c i e d a d e tem s e u r e g i m e de v e r d a d e , sua ' p o l i t i c a g e r a l ' de v e r d a d e : i s t o é, os t i p o s de d i s -c u r s o que e l a a -c o l h e e f a z f u n -c i o n a r -como v e r d a d e i r o s ; os mecanismos e as instâncias que p e r m i t e m d i s t i n g u i r os e n u n c i a d o s v e r d a d e i r o s dos f a l s o s , a m a n e i r a como se s a n c i o n a u n s e o u t r o s ; as técnicas e os p r o c e d i m e n t o s que são v a l o r i z a d o s p a r a a obtenção da v e r d a d e ; o e s t a -t u -t o d a q u e l e s que -têm o e n c a r g o de d i z e r o que f u n c i o n a

1" como v e r d a d e i r o " .

Conformando-se ao p r e s s u p o s t o apontado acima, e, p o r t a n t o , em oposição à idéia da existência de alguma c o i s a que s e r i a a

" v e r d a d e " , e s t a p e s q u i s a o r i e n t a - s e p e l a p e r s p e c t i v a de que a verdade é sempre um e f e i t o de relações de p o d e r . A citação a p r e s e n t a d a em s e g u i d a , c o l h i d a a i n d a em F o u c a u l t , p e r m i t e a f o r m u l a -ção d e s t e e s q u a d r i n h a m e n t o metodológico:

"Quero d i z e r que em uma s o c i e d a d e como a nossa, mas no f u n d o em q u a l q u e r s o c i e d a d e , e x i s t e m relações de poder múltiplas que a t r a v e s s a m , c a r a c t e r i z a m e c o n s t i -tuem o c o r p o s o c i a l e que e s t a s relações de p o d e r não podem se d i s s o c i a r , se e s t a b e l e c e r nem f u n c i o n a r sem uma produção, uma acumulação, uma circulação e um f u n -c i o n a m e n t o do d i s -c u r s o . Não hã p o s s i b i l i d a d e de exer-cí- exercí-c i o do p o d e r sem uma exercí-c e r t a eexercí-conomia dos d i s exercí-c u r s o s de v e r d a d e que f u n c i o n e d e n t r o e a p a r t i r d e s t a d u p l a e x i gência. Somos s u b m e t i d o s p e l o p o d e r à produção da v e r dade e só podemos exercêlo através da produção da v e r

-2 dade" .

Neste s e n t i d o , t a n t o a v e r d a d e q u a n t o o r e a l são construções práticas e d i s c u r s i v a s i n t e r e s s a d a s ; nascem dos a f r o n t a m e n t o s c o n s t i t u t i v o s das relações s o c i a i s . F o u c a u l t a s s o c i a d i s c u r s o , v e r d a d e e poder d i s t i n g u i n d o o d i s c u r s o como e l e m e n t o estratégico p a r a a produção da v e r d a d e e, p o r c o n s e g u i n t e , do p o d e r . E s t a

1. FOUCAULT, M i c h e l . "MICROFISICA DO PODER", p. 12. 2. FOUCAULT, M i c h e l . "MICROFISICA DO PODER", p. 179/180.

(21)

associação b a s e i a - s e na formulação de que "o d i s c u r s o v e i c u l a e 1

p r o d u z p o d e r ". Em s i n t e s e , e n t e n d e - s e que o d i s c u r s o a t e n d e e responde a demandas de p o d e r c o n s t i t u t i v a s das relações s o c i a i s e, p o r t a n t o , deve s e r c o n s i d e r a d o como i n v e s t i d o de " p o s i t i v i d a d e

2 e s p e c i f i c a " .

Enquanto não c o n s i d e r a a p o s i t i v i d a d e dos d i s c u r s o s , a ana-l i s e ideoana-lógica i n v e s t i g a um " c o n j u n t o d e f i n i d o de d i s c u r s o s " p a r a b u s c a r sua "determinação em última instância" e " r e c o n s t i t u -i r um o u t r o d -i s c u r s o " ( c -i e n t -i f -i c o ou não--ideológ-ico). A c-itação a b a i x o e x p r e s s a a c r i t i c a de F o u c a u l t a t a l p r o c e d i m e n t o metodo-lógico:

"Mas esse c o n j u n t o (de d i s c u r s o s ) é t r a t a d o de t a l m a n e i r a que se t e n t a e n c o n t r a r , além dos próprios enun-c i a d o s , a intenção do s u j e i t o f a l a n t e , sua a t i v i d a d e c o n s c i e n t e , o que e l e q u i s d i z e r , ou a i n d a o j o g o i n -c o n s -c i e n t e que e m e r g i u i n v o l u n t a r i a m e n t e do que d i s s e ou da quase imperceptível f r a t u r a de suas p a l a v r a s ma-n i f e s t a s ; de q u a l q u e r f o r m a , t r a t a - s e de r e c o ma-n s t i t u i r um o u t r o d i s c u r s o , de d e s c o b r i r a p a l a v r a muda, murmu-r a n t e , inesgotável, que anima do i n t e murmu-r i o murmu-r a v o z que escutamos, de r e s t a b e l e c e r o t e x t o miúdo e invisível que p e r c o r r e o interstício das l i n h a s e s c r i t a s e, às v e z e s , as desarruma. A análise do pensamento é sempre alegórica em relação ao d i s c u r s o que u t i l i z a . Sua ques-tão, i n f a l i v e l m e n t e , é: o que se d i z i a no que e s t a v a

3 d i t o ? ".

1. FOUCAULT, M i c h e l . "HISTORIA DA SEXUALIDADE 1: A VONTADE DE SABER", R i o de J a n e i r o , G r a a l , 6 a e d . , 1985, p. 96.

2. MACHADO, R o b e r t o . "POR UMA GENEALOGIA DO PODER" i n FOUCAULT, M i c h e l . "MICROFISICA DO PODER", p. V I I . A p o s i t i v i d a d e e s p e c i f i c a do d i s c u r s o i m p l i c a r e c o n h e c e r "a p o s i t i v i d a d e do que f o i e f e t i -vamente d i t o e deve s e r a c e i t o como t a l e não j u l g a d o a p a r t i r de um s a b e r p o s t e r i o r e s u p e r i o r " .

3. FOUCAULT, M i c h e l . "A ARQUEOLOGIA DO SABER", R i o de J a n e i r o , Forense-Universitária, 2a e d . , 1986, p. 31.

(22)

Em contraposição a t a l

p r o c e d i m e n t o , F o u c a u l t a p o n t a a d i r e -ção da análise arqueológica do d i s c u r s o :

"A análise do campo d i s c u r s i v o é o r i e n t a d a de f o r -ma i n t e i r a m e n t e d i f e r e n t e ; t r a t a - s e de compreender o e n u n c i a d o na e s t r e i t e z a e s i n g u l a r i d a d e de sua s i t u a -ção; de d e t e r m i n a r as condições de sua existência, de f i x a r seus l i m i t e s da f o r m a mais j u s t a , de e s t a b e l e c e r suas correlações com os o u t r o s e n u n c i a d o s a que pode e s t a r l i g a d o , de m o s t r a r que o u t r a s f o r m a s de e n u n c i a -ção e x c l u i . Não se b u s c a , sob o que está m a n i f e s t o , a c o n v e r s a s e m i - s i l e n c i o s a de um o u t r o d i s c u r s o : deve-se ' m o s t r a r p o r que não p o d e r i a s e r o u t r o , como e x c l u i

q u a l q u e r o u t r o , como ocupa, no meio de o u t r o s e r e l a c i o n a d o a e l e s , um l u g a r que nenhum o u t r o p o d e r i a o c u -p a r . A questão -p e r t i n e n t e a uma t a l análise -p o d e r i a s e r a s s i m f o r m u l a d a : que s i n g u l a r existência é e s t a que vem

1 à t o n a no que se d i z e em nenhuma o u t r a p a r t e ?

Assim, m a i s do que r e a l i z a r a análise ideológica que p e r m i -t i r i a d e s v e n d a r a "verdade e s c o n d i d a " s o b r e o r e a l , e s -t a p e s q u i s a deverá p e r c e b e r o entrelaçamento e x i s t e n t e e n t r e p o d e r e s a b e r

(práticas e d i s c u r s o s ) que geram e f e i t o s s o c i a i s de v e r d a d e . A razão d e s t a n e c e s s i d a d e r e s i d e no f a t o de que, p a r a F o u c a u l t , práticas e d i s c u r s o s são sempre expressão de s a b e r e i n v e s t i m e n -t o s de poder em correlações de força. F o u c a u l -t a f i r m a que

"... não há relação de p o d e r sem constituição c o r -r e l a t a de um campo de s a b e -r , nem s a b e -r que não suponha

2 e não c o n s t i t u a ao mesmo tempo relações de p o d e r " .

Quando a TV Borborema, através da adoção do lema "TV da t e r -r a " e da difusão dos p-rog-ramas "A Ho-ra do Povo na TV" e "Debate na TV", e l e g e u o "povo" como e l e m e n t o c o n s t i t u t i v o de sua l i n

-1. FOUCAULT, M i c h e l . "A ARQUEOLOGIA DO SABER", pp. 31-32.

2. FOUCAULT, M i c h e l . "VIGIAR E PUNIR - NASCIMENTO DA PRISÃO", Petrópolis, Vozes, 3a e d . , 1984.

(23)

guagem, a p r e s e n t o u um g r u p o s o c i a l

definido

como "pybrç" ^

"yjp

r e n t e " . Assim, a configuração do "povo" com t a i s a t r i b u t o s i m p l i -ca que, p a r a a e m i s s o r a , "povo" é, v e r d a d e i r a m e n t e , "pobre" e

" c a r e n t e " .

E s t a p e s q u i s a não p r e t e n d e desvendar um " f a l s e a m e n t o " do r e a l na v i s i b i l i d a d e A s s o c i a d a s o b r e o "povo" e m o s t r a r que,

" v e r d a d e i r a m e n t e " , e s t e g r u p o s o c i a l é d i f e r e n t e . Não se põe em questão a noção de "povo" com que a e m i s s o r a A s s o c i a d a l i d a e, p o r c o n s e g u i n t e , não se c o l o c a a n e c e s s i d a d e de "desvendar" o v e r d a d e i r o "povo". P e l o c o n t r a r i o , a p e r s p e c t i v a

teóricometodológica a q u i a d o t a d a reconhece que a q u e l e s a t r i b u t o s dizem " v e r d a -d e i r a m e n t e " r e s p e i t o ao grupo s o c i a l r e f e r i -d o . P r a t i c a s s o c i a i s e d i s c u r s o s a n t e r i o r e s à TV Borborema já haviam contribuído p a r a a sua construção/inscrição de c o n f o r m i d a d e com a q u e l a v i s i b i l i d a d e . E mesmo uma p a r c e l a considerável da população campinense ocupa e f e t i v a m e n t e e s t e l u g a r n a s relações B o c i a i s l o c a i s desde anteí da e m i s s o r a e dos programas.

l iíi «b

I ÊJF

0 propósito d e s t a p e s q u i s a é e x p l i c a r p o r q u e , p a r a a TV Bor-borema, i m p o r t a a f i r m a r ( o u r e a f i r m a r ) e s t a v i s i b i l i d a d e como

" v e r d a d e i r a " . Como esse d i s c u r s o ( e s s e s e n u n c i a d o s e imagens) f e z - s e p r e s e n t e na e m i s s o r a a p a r t i r de 1 9 9 1 .

Neste s e n t i d o , em oposição às análises ideológicas do d i s -c u r s o freqüentes nas p e s q u i s a s -c o n s t i t u t i v a s da T e o r i a da Re-cep- Recep-ção, e s t a p e s q u i s a o r i e n t a - s e p a r a uma análise genealógica do d i s c u r s o da TV Borborema. A p r e s e n t e argumentação r e p r e s e n t a uma

(24)

t e n t a t i v a de i n d i c a r seus p r e s s u p o s t o s teórico-metodológicos.

Para F o u c a u l t , a relação e n t r e poder e verdade está d i r e t a -mente l i g a d a à c a p a c i d a d e p r o d u t i v a do p r i m e i r o p a r a promover a determinação s o c i a l da segunda. A v e r d a d e é instituída nas r e l a -ções s o c i a i s . A condição (política) do p o d e r é o r e c o n h e c i m e n t o s o c i a l ( s a b e r ) de sua v e r d a d e . Assim, p o d e r e s a b e r aparecem como instâncias i m b r i c a d a s p a r a constituição do r e c o n h e c i m e n t o s o c i a l do que s e j a "a v e r d a d e " . E o d i s c u r s o é um e l e m e n t o estratégico p a r a sua produção.

E s t e p r i n c i p i o i m p l i c a o r e c o n h e c i m e n t o da idéia de que o poder não é d e c i s i v a m e n t e r e p r e s s i v o . Para F o u c a u l t ,

"a noção de repressão é t o t a l m e n t e inadequada p a r a d a r c o n t a do que e x i s t e j u s t a m e n t e de p r o d u t o r no p o d e r . Quando se d e f i n e o s e f e i t o s do p o d e r p e l a r e p r e s -são, tem-se uma concepção puramente jurídica d e s t e mes-mo p o d e r ; i d e n t i f i c a - s e o poder a uma l e i que d i z não.

(...)Devese considerálo ( o p o d e r ) como uma r e d e p r o -d u t i v a que a t r a v e s s a t o -d o o c o r p o s o c i a l m u i t o mais -do que uma instância n e g a t i v a que t e m p o r função

1 r e p r i m i r " .

Assim, o p o d e r é p r o d u t i v o . Produz s a b e r o s a b e r que i n s -2

t i t u i a v e r d a d e - e indivíduos t r a n s m i s s o r e s d e B t a "verdade" . E n e s t e s e n t i d o que e s t a p e s q u i s a i n t e r r o g a seu o b j e t o : p o r que i n t e r e s s a r i a á e m i s s o r a ( e aos p r o g r a m a s ) r e p r o d u z i r um saber 1. FOUCAULT, M i c h e l . "MICROFISICA DO PODER", p. 8.

2. Para F o u c a u l t , "o i n d i v i d u o não é o o u t r o do p o d e r : é um de seus p r i n c i p a i s e f e i t o s . 0 i n d i v i d u o é um e f e i t o do poder e s i -multaneamente, ou p e l o próprio f a t o de s e r um e f e i t o , é seu cen-t r o de cen-transmissão. 0 p o d e r passa acen-través do i n d i v i d u o que e l e c o n s t i t u i u " . FOUCAULT, M i c h e l . "MICROFISICA DO PODER", pp.

(25)

e s t e r e o t i p a d o s o b r e o "povo" ou s o b r e o "povo" campinense ( n o r -d e s t i n o )?

No e n t a n t o , i m p o r t a l e v a r em c o n t a que, p a r a F o u c a u l t , o poder não é r e f e r i d o como "o grande p o d e r " que se m a t e r i a l i z a r i a no Estado e, a p a r t i r d a i , d e r i v a r i a p a r a o c o n j u n t o das relações s o c i a i s . P e l o contrário, as relações de poder que se e f e t i v a m no "corpo s o c i a l " imprimem as relações s o c i a i s e i n t e g r a m a c o n f i g u

-1

ração e s t a t a l . 0 exercício de investigação e análise do poder nas e x t r e m i d a d e s do c o r p o s o c i a l é c o n h e c i d o como "microfísica do p o d e r " . D e f i n i n d o os p r e s s u p o s t o s d e s t a p e r s p e c t i v a de análise, F o u c a u l t a f i r m a :

"... o e s t u d o d e s t a microfísica supõe que o poder n e l a e x e r c i d o não s e j a c o n c e b i d o como uma p r o p r i e d a d e , mas como uma estratégia, que seus e f e i t o s de dominação não sejam atribuídos a uma 'apropriação', mas a d i s p o sições, a manobras, a táticas, a técnicas, a f u n c i o n a -mento; que se desvende n e l e a n t e s uma r e d e de relações sempre t e n s a s , sempre em a t i v i d a d e , que um privilégio que se pudesse d e t e r ; que l h e s e j a dado como modelo a n t e s a b a t a l h a perpétua que o c o n t r a t o que f a z uma

2 cessão ou a c o n q u i s t a que se apodera de uma domínio" .

Por i s s o , F o u c a u l t c o l o c a - s e o p r o b l e m a das estratégias e das táticas como meios de apreensão da e f e t i v i d a d e das relações de p o d e r c o n s t i t u t i v a s do c o r p o s o c i a l . Em v i r t u d e de seu caráter l o c a l e de sua i n s t a b i l i d a d e , a condição do poder é a o p e r a c i o n a -lização de estratégias e de táticas de dominação e resistência.

1. Cf. FOUCAULT, M i c h e l . "HISTORIA DA SEXUALIDADE 1 : A VONTADE DE SABER", p. 88.

2. FOUCAULT, M i c h e l . "VIGIAR E PUNIR - 0 NASCIMENTO DA PRISÃO", Petrópolis, Vozes, 3a e d . , 1984, p. 29.

(26)

F o u c a u l t não i n t e r r o g a os d i s c u r s o s a p a r t i r de sua c i e n t i -f i c i d a d e ( a " v e r d a d e " ) ou não-cienti-ficidade ( i d e o l o g i a ) , mas a p a r t i r de suas condições políticas de p o s s i b i l i d a d e . E s t a s c o n d i

-1

ções são suas " r e g r a s de formação" que, p o r serem r e g r a s , regem os e n u n c i a d o s e sua r e g u l a r i d a d e e, em segundo l u g a r , as demandas de p o d e r emergentes nas relações s o c i a i s . Alguma r u p t u r a nessas r e g u l a r i d a d e s é s i n a l de r u p t u r a d e s t a s r e g r a s , do " r e g i m e " de v e r d a d e v i g e n t e .

P o r t a n t o , a v e r d a d e não está i n v e r t i d a p e l a i d e o l o g i a . Os e n u n c i a d o s p r o d u z i d o s em um d e t e r m i n a d o período histórico, as

imagens p r e s e n t e s n e s t e s e n u n c i a d o s , estão c o n d i c i o n a d o s a r e g r a s de formação, ao r e g i m e de v e r d a d e que os f a z a s s i m parecerem.

A v e r d a d e está i n s c r i t a nos d i s p o s i t i v o s de s a b e r e de p o d e r d i s s e m i n a d o s p e l o t e c i d o s o c i a l , desempenhando um p a p e l estraté-gico' nas relações de dominação que aí se processam.

0 exercício da dominação ( a correlação de forças que e x p r i m e sua e f e t i v i d a d e ) toma o c o r p o dos indivíduos como a l v o ou campo de aplicação. Assim, o exercício da dominação é o exercício de um saber que se impõe i n v e s t i d o de v e r d a d e . E enquanto p r o d u t o r de v e r d a d e que o poder m a n i f e s t a sua c o n c r e t u d e .

1. Sobre as r e g r a s de formação dos d i s c u r s o s , v e j a FOUCAULT, M i -c h e l . "A ARQUEOLOGIA DO SABER".

(27)

Ora, ha um " l u g a r da v e r d a d e " no p r i n c i p i o de ordenamento do c o n j u n t o das relações B o c i a i s . I m p o r t a b r i g a r , ocupar e s t e espa-ço, e s t a r n e l e , marcar aí m a i o r ou menor presença, presença mais ou menos i n t e n s a , mais ou menos s i g n i f i c a t i v a , p r o d u z i r e f e i t o s . E, p r i n c i p a l m e n t e , g a r a n t i r um "regime p o l i t i c o da v e r d a d e " que p e r m i t a que e s t a ocupação s e j a r e c o n h e c i d a como l e g i t i m a .

Em segundo l u g a r , o emprego da noção de i d e o l o g i a pressupõe alguma c o i s a como o s u j e i t o c o n s t i t u i n d o ou sendo constituído p e l a i d e o l o g i a a p a r t i r da inversão da v e r d a d e p r o m o v i d a p e l o s p r i m e i r o s .

Para F o u c a u l t , o s u j e i t o não pré-existe como c o r p o , pensa-mento e a t i t u d e s n a t u r a i s passíveis de uma deformação p r o m o v i d a p e l a i d e o l o g i a . 0 s u j e i t o é e f e i t o das relações de s a b e r e de p o d e r , é t e c i d o nessas relações. 0 r e g i m e de v e r d a d e p r e s e n t e num d e t e r m i n a d o período histórico d e t e r m i n a os s u j e i t o s q u a l i f i c a d o s p a r a ocupar d i f e r e n t e s l u g a r e s p r o d u z i d o s n e s t e período.

Não tem s e n t i d o , p o r t a n t o , a idéia de que o indivíduo promova d e t e r m i n a d a s e s c o l h a s c o n d u z i d o p o r algum c o n h e c i m e n t o i n v e r -t i d o do r e a l que l h e -t e r i a s i d o i n -t r o j e -t a d o p e l a família, p e l a religião, p e l a e s c o l a , p e l o s meios de comunicação de massa ou p e l o s s i s t e m a s p r o d u t i v o e jurídico.

E s t a s instâncias compõem d i s p o s i t i v o s com função estratégica de c r i a r , através de d i s c u r s o s e práticas p e r t i n e n t e s ao r e g i m e

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de v e r d a d e p r e s e n t e em um d e t e r m i n a d o p e r i o d o histórico, s u j e i t o s adequados a esse r e g i m e .

Em "Eu, P i e r r e Rivière, que d e g o l e i minha mãe, minha irmã e 1

meu irmão" , F o u c a u l t demonstra como a b a t a l h a através de d i s c u r -sos e n t r e médicos, m a g i s t r a d o s , aldeãos e o camponês p a r r i c i d a Rivière r e p r e s e n t a v a suas t e n t a t i v a s p a r a t e c e r um s u j e i t o . Em sua apresentação à r e f e r i d a o b r a , F o u c a u l t demonstra as estraté-g i a s e as táticas dos d i f e r e n t e s d i s p o s i t i v o s de poder e de s a b e r e n v o l v i d o s na b a t a l h a em t o r n o da definição desse s u j e i t o . Os s a b e r e s médico, jurídico, camponês e do próprio Rivière eram e x -p r e s s o s -p a r a d e t e r m i n a r o -p a r r i c i d a como l o u c o ( a -p s i q u i a t r i a ) ou como c r u e l ( a jurisprudência e o s a b e r " p o p u l a r " ) ou como j u s t i -c e i r o ( o próprio Rivière).

H a v i a que, através do r e c o n h e c i m e n t o s o c i a l das d i f e r e n t e s instituições e n v o l v i d a s como instâncias p r o d u t o r a s de " v e r d a d e " , b u s c a r a prevalência de cada uma d e s t a s v e r d a d e s s o b r e o mesmo s u j e i t o e c o n s t i t u i - l o segundo sua c o n f o r m i d a d e . Para t a n t o , a

" b a t a l h a de d i s c u r s o s e através de d i s c u r s o s " gerada a p a r t i r do c i t a d o parricídio construía-se p e l o pinçamento de e n u n c i a d o s e imagens que tecessem a f i g u r a " v e r d a d e i r a " de Rivière. Argument a n d o s o b r e o s e n Argument i d o da publicação do dossiê r e f e r e n Argument e ao p a r r i -cídio, F o u c a u l t a f i r m a :

1. FOUCAULT, M i c h e l ( o r g . ) . "EU, PIERRE RIVIERE, QUE DEGOLEI M I -NHA MAE, MI-NHA IRMA E MEU IRMÃO", R i o de J a n e i r o , G r a a l , 5a e d . ,

(29)

" C r e i o que, se d e c i d i m o s p u b l i c a r esses documen-t o s , documen-t o d o s esses documendocumen-tos, e p a r a f a z e r de algum modo o p l a n o dessas l u t a s d i v e r s a s , r e s t i t u i r esses c o n f r o n t o s e essas b a t a l h a s , r e e n c o n t r a r o j o g o desses d i s c u r -s o -s , como arma-s, como i n -s t r u m e n t o -s de ataque e d e f e -s a

1 em relações de poder e de s a b e r " ( o g r i f o é meu) .

A descrição dos d i s c u r s o s como armas e i n s t r u m e n t o s de a t a -que e d e f e s a em relações de poder e de s a b e r p r e s t a - s e p a r a de-m o n s t r a r que ninguéde-m está f o r a do p o d e r , que onde há poder há resistência e, p o r t a n t o , que o poder é d i s t i n g u i v e l na e f e t i v i d a -de -de correlações -de força. F o u c a u l t a f i r m a que:

"... lá onde há poder há resistência e, no e n t a n t o ( o u m e l h o r , p o r i s s o mesmo) e s t a nunca se e n c o n t r a em posição de e x t e r i o r i d a d e em relação ao p o d e r . ( . . . ) E l a s

( a s correlações de força) não podem e x i s t i r senão em função de uma m u l t i p l i c i d a d e de p o n t o s de resistência que r e p r e s e n t a m , nas relações de p o d e r , o p a p e l de ad-versário, de a l v o , de a p o i o , de saliência que p e r m i t e a preensão. Esses p o n t o s de resistência estão p r e s e n t e s

2 em t o d a a r e d e de p o d e r " .

Em v e z de t e r a consciência a l i e n a d a p e l a i d e o l o g i a , o s u -j e i t o é p o n t o de transmissão e de a p o i o o u , p o r o u t r o l a d o , de resistência ao p o d e r . 0 s u j e i t o r e p r o d u z - s e no campo de força que c o n s t i t u i o c o n j u n t o das relações s o c i a i s .

Assim, o s u j e i t o não pré-existe como "essência" á i d e o l o g i a , mas, p e l o contrário, t e c e e é t e c i d o p e l a s relações e i n s t i t u i

-ções s o c i a i s .

1. FOUCAULT, M i c h e l . "APRESENTAÇÃO" i n FOUCAULT, M i c h e l . "EU, PIERRE RIVIERE, QUE DEGOLEI MINHA MAE, MINHA IRMA E MEU IRMÃO", p. X I I .

2. FOUCAULT, M i c h e l . "HISTORIA DA SEXUALIDADE 1 : A VONTADE DE SA-BER", R i o de J a n e i r o , G r a a l , 6a ed., 1985, p. 9 1 .

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E n f i m , a i d e o l o g i a r e p r e s e n t a r i a uma condição de reprodução das relações c a p i t a l i s t a s de produção p o r j u s t i f i c a r o l u g a r o c u pado p e l o s s u j e i t o s n e s t a s relações. No e n t a n t o , não é p e l a i n -versão da v e r d a d e (contradições e n t r e c l a s s e s s o c i a i s e l u t a de c l a s s e s ) que e s t a s relações tomam a configuração do modo c a p i t a -l i s t a de produção, mas p e -l a v e r d a d e instituída p e -l o s s a b e r e s do-m i n a n t e s s o b r e e s t a s relações.

P o r t a n t o , não tem s e n t i d o i n t e r p r e t a r o d i s c u r s o e as práti-cas que j u s t i f i c a m a " u t i l i d a d e - d o c i l i d a d e " do operário f r e n t e è dominação c a p i t a l i s t a p a r a b u s c a r , através dessa interpretação, o s e n t i d o ( a essência) da dominação b u r g u e s a . Enquanto " d i s c u r s o v e r d a d e i r o " ( a " n a t u r a l i d a d e " das relações s o c i a i s c a p i t a l i s t a s ) , não cabe e x p l i c a r o que se q u e r i a d i z e r no que f o i e f e t i v a m e n t e d i t o p e l o " d i s c u r s o burguês", mas e n t e n d e r suas condições e f e t i

-i vas de p o s s i b i l i d a d e .

' I I Por essas razões, e s t a p e s q u i s a assume uma p e r s p e c t i v a teó-rico-metodológica o p o s t a em relação ás análises ideológicas de d i s c u r s o . E s t a , p o r t a n t o , deve s e r uma análise genealógica do d i s c u r s o da TV Borborema.

Assim, a investigação se orientará p e l a idéia de que os p r o -gramas eram práticas de uma m a q u i n a r i a ou d i s p o s i t i v o de poder e de s a b e r . P o r t a n t o , na medida em que e r a condição de p o s s i b i l i d a -de dos d i s c u r s o s a l i v e i c u l a d o s , há que d e s c r e v e r e s t a maquina-r i a . A q u e l e s pmaquina-rogmaquina-ramas estavam d e n t maquina-r o de uma m a q u i n a maquina-r i a de

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p o d e r / s a b e r que os p o s s i b i l i t a v a , p o s s i b i l i t a v a sua existência. Ha, p o r t a n t o , que c e n t r a r a p e s q u i s a na investigação da i n s t i t u i -ção v e i c u l a d o r a dos programas.

N o u t r a s p a l a v r a s , p a r a e n t e n d e r o t i p o de s a b e r s o b r e o "povo" que a "TV da t e r r a " e o s r e f e r i d o s programas v e i c u l a v a m , o t i p o de e n u n c i a d o s e imagens de "povo" c i r c u l a n t e n a q u e l e s p r o gramas, é necessário e n t e n d e r a rede de poder em que estavam i n -s e r i d o -s e, n e -s t a r e d e , a in-stituição que o-s v e i c u l a v a . Conforme a citação a b a i x o , e s t e p r o c e d i m e n t o atende á exigência metodológica de, através da verificação de sua ligação i n s t i t u c i o n a l , i d e n t i -f i c a r os e n u n c i a d o s s o b r e o "povo" a l i e m i t i d o s .

"A i d e n t i d a d e do e n u n c i a d o é dependente de sua localização em um campo i n s t i t u c i o n a l . A instituição c o n s t i t u i a m a t e r i a l i d a d e do que é d i t o e, p o r i s s o ,

1 não pode s e r i g n o r a d a p e l a análise arqueológica" .

A instituição é um espaço em que poder e saber se m a t e r i a l i -zam. A TV Borborema nasce e r e p r o d u z - s e a s s o c i a d a a demandas de poder emergentes nas relações s o c i a i s em Campina Grande. T a n t o q u a n t o os s u j e i t o s que p a r t i c i p a m dos programas, a instituição TV Borborema e os a p r e s e n t a d o r e s de seus programas são t e c i d o s nes-t a s relações. Assim, p a r a e n nes-t e n d e r o s a b e r p r e s e n nes-t e na e m i s s o r a e nos r e f e r i d o s programas s o b r e o "povo" campinenee é necessário e n t e n d e r a própria instituição e a r e d e de poder a que está l i g a -da. N o u t r a s p a l a v r a s , é necessário mapear as relações de poder que t e c e r a m e s t a instituição.

1. MACHADO, R o b e r t o . "CIÊNCIA E SABER - A TRAJETÓRIA DA ARQUEOLO-GIA DE FOUCAULT", R i o de J a n e i r o , G r a a l , 1 9 8 1 , pp. 169-170.

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E n e s t a p e r s p e c t i v a que as questões c e n t r a i s d e s t e t r a b a l h o se c o l o c a m : a que demandas l o c a i s de p o d e r os d i s c u r s o s de "*A Hora do Povo na TV" e do "Debate na TV" r e s p o n d e r i a m ? Qual o sen-t i d o essen-trasen-tégico do lema "TV da sen-t e r r a " e d a q u e l e s programas? Por que a instituição TV Borborema a s s i m i l o u o "povo" como s u j e i t o " s i m p l e s " , " h u m i l d e " e " c a r e n t e " a p a r t i r do ano de 1991? 0 "pov o " A s s o c i a d o t e "pov e e s t e p e r f i l sóciocultural desde sempre? 0 r e -q u e r i m e n t o de "povo" e r a o mesmo em "A Hora do Povo na TV" e no "Debate na TV"? 0 "povo" d e s t e s programas e r a o mesmo?

Mas o t r a t a m e n t o d e s t a s questões impunha a n e c e s s i d a d e de b u s c a r r e s p o s t a s p a r a questões r e l a c i o n a d a s à a n t e r i o r i d a d e da e m i s s o r a . Neste s e n t i d o , c a b e r i a p r e l i m i n a r m e n t e p e r g u n t a r : os e n u n c i a d o s s o b r e o "povo de Campina Grande ( o u do N o r d e s t e ) " e m i

-lil

t i d o s p e l a "TV da t e r r a " e p e l o s r e f e r i d o s programas não p r e e x i s -t i r i a m à própria TV Borborema? A veiculação d e s -t e s e n u n c i a d o s v i a TV não e s t a r i a a s s o c i a d a à reprodução (nos anos 80 e 9 0 ) de r e l a -ções l o c a i s de dominação a n t e r i o r e s à emergência da e m i s s o r a ? A v e r d a d e sobre a c i d a d e de Campina Grande ( o u s o b r e a Região Nord e s t e ) e a m a i o r i a Norde seus h a b i t a n t e s v e i c u l a Nord a p e l a "TV Norda t e r -r a " e p o -r "A Ho-ra do Povo na TV" e "Debate na TV" não t e -r i a s i d o c r i a d a a n t e s mesmo da emergência da e m i s s o r a ? Não e x i s t i r i a uma série de e n u n c i a d o s s o b r e e s t a " t e r r a " e e s t e "povo", p r o n t o s no imaginário s o c i a l , que a e m i s s o r a e os programas e s t a r i a m e s t r a -t e g i c a m e n -t e c u i d a n d o em r e a r -t i c u l a r ?

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Basicamente, a investigação d e s t e c o n j u n t o de questões a t e n -d i a as n e c e s s i -d a -d e s -de:

a ) e n t e n d e r o e n u n c i a d o "TV da t e r r a " e o d i s c u r s o dos p r o -gramas "A Hora do Povo na TV" e "Debate na TV" e

b) e n t e n d e r a instituição que os v e i c u l a v a .

No e n t a n t o , e n t e n d e r a instituição s i g n i f i c a s i t u a - l a no campo das relaçõeB l o c a i s de poder e, p o r c o n s e g u i n t e , nos d i s p o -s i t i v o -s l o c a i -s de poder c o n -s t i t u t i v o -s d e -s t a -s relaçõe-s e da pró-p r i a e m i s s o r a . Assim, h a v i a que r e c o n s t r u i r a trajetória da TV Borborema em t e r m o s de uma periodização. Em síntese, e n t e n d e r a instituição s i g n i f i c a r i a situá-la ou relacioná-la a campos instá-v e i s de força.

E s t a p e s q u i s a p r i v i l e g i o u duas séries de relações p a r a i n -v e s t i g a r a TV Borborema: com as relações p o l i t i c a s em Campina Grande e com a sua c o n c o r r e n t e l o c a l , a TV Paraíba. 0 e m p r e e n d i -mento i n v e s t i g a t i v o d e v e r i a r e s u l t a r nas r e s p o s t a s às questões s o b r e o que e r a a instituição TV Borborema e p o r que e s t a i n s t i -tuição c r i o u o lema "TV da t e r r a " e os r e f e r i d o s programas em 1991.

As técnicas de investigação f o r a m d e f i n i d a s a p a r t i r da ne-c e s s i d a d e de e n ne-c o n t r a r r e s p o s t a s p a r a o ne-c o n j u n t o de questões ap o n t a d o acima. De i m e d i a t o , a e n t r e v i s t a e a ap e s q u i s a nos a r q u i v o s de j o r n a i s l o c a i s p a r e c e r a m s e r os i n s t r u m e n t o s mais p e r t i

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-n e -n t e s p a r a a c o l e t a de dados.

B a s i c a m e n t e , a e s c o l h a dos i n f o r m a n t e s f o i d e t e r m i n a d a p e l a s atuações p r o f i s s i o n a l e p o l i t i c a c o n s t i t u t i v a s das relações p r i -v i l e g i a d a s p e l a p e s q u i s a . Para o e n t r e -v i s t a d o r , i n t e r e s s a -v a tomar d e p o i m e n t o s de pessoas c u j a atuação p r o f i s s i o n a l e/ou p o l i t i c a t i v e s s e s i d o c o n s t i t u t i v a d a q u e l a s relações. I m p o r t a v a tomar de-p o i m e n t o s d e s c r i t i v o s / e x de-p l i c a t i v o s de suas atuações j u n t o aos Diários e E m i s s o r a s A s s o c i a d o s de Campina Grande e, em p a r t i c u -l a r , j u n t o à TV Borborema e aos programas "A Hora do Povo na TV" e "Debate na TV". Assim, f o i possível montar um quadro tipológico de i n f o r m a n t e s , d e s c r i t i v e l nos s e g u i n t e s t e r m o s :

- pessoas l i g a d a s à produção/apresentação dos programas;

pessoas l i g a d a s à direção dos Diários e E m i s s o r a s A s s o c i a -dos l o c a i s e, e s p e c i a l m e n t e , á direção da TV Borborema;

o p r e f e i t o e a p r i m e i r a - d a m a do município no período do s u r g i m e n t o da "TV da t e r r a " , de "A Hora do Povo na TV" e do "De-b a t e na TV".

j o r n a l i s t a s a t u a n t e s nos veículos A s s o c i a d o s nas décadas de 70 e 80 (período i m e d i a t a m e n t e a n t e r i o r ao s u r g i m e n t o da "TV da t e r r a " e dos programas em análise);

m i l i t a n t e s do movimento s i n d i c a l l o c a l freqüentadores r e -g u l a r e s do noticiário A s s o c i a d o ;

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m i l i t a n t e s do movimento comunitário l o c a l freqüentadores r e g u l a r e s do noticiário A s s o c i a d o ; m i l i t a n t e s de p a r t i d o s políticos de oposição ao p r e f e i t o freqüentadores r e g u l a r e s do noticiário A s s o c i a d o ; - p r o f i s s i o n a i s l i g a d o s à TV Paraíba, a e m i s s o r a c o n c o r r e n t e l o c a l , e - p r o f i s s i o n a i s f u n d a d o r e s da TV Borborema. Apôs as definições p r e l i m i n a r e s do p r o b l e m a da p e s q u i s a , do campo empírico de investigação, das técnicas de investigação e do p e r f i l dos i n f o r m a n t e s "competentes", c o n s i d e r o u - s e c r i a d a s as condições p a r a o i n i c i o da p e s q u i s a de campo. E s t a t a r e f a t e v e início em J u l h o de 1994.

Embora a condição de p r o f e s s o r do Curso de Comunicação So-c i a l da U n i v e r s i d a d e E s t a d u a l da Paraíba, em Campina Grande, e a

interveniência de amigos "notáveis" t e n h a f a c i l i t a d o o acesso a a l g u n s i n f o r m a n t e s , a realização das e n t r e v i s t a s e n c o n t r o u a r e lutância da m a i o r i a d e l e s . Mesmo que l h e s f o s s e g a r a n t i d o o s i g i l o da f o n t e , o caráter m e l i n d r o s o dos temas p r o p o s t o s p a r a r e f l e -xão, o i n t e r e s s e do p e s q u i s a d o r em d e v a s s a r a "alma" dos veículos A s s o c i a d o s l o c a i s e a c o n j u n t u r a d e t e r m i n a d a p e l a s campanhas

po-l i t i c a s que e po-l e g e r i a m os novos g o v e r n a d o r do E s t a d o , senadores e d e p u t a d o s f e d e r a i s e e s t a d u a i s p a r e c i a m c o n s t i t u i r - s e em e n t r a v e s p a r a a concessão de d e p o i m e n t o s .

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C e r t a m e n t e , as ligações p o l i t i c a s dos Diários e E m i s s o r a s A s s o c i a d o s em Campina Grande e, em p a r t i c u l a r , da TV Borborema, não eram e n c a r a d a s i n t e r n a m e n t e como a s s u n t o público. A t r a n s p a rência i n s t i t u c i o n a l A s s o c i a d a e r a um m i t o s u s t e n t a d o p e l a p r u -dência de seus g e s t o r e s .

A experiência e s t a v a i n d i c a n d o que, p a r a l i d a r e c o n v e n c e r " p r u d e n t e s " , e r a necessário i n v e s t i r - s e da mesma q u a l i d a d e . E r a a arma p a r a c o n q u i s t a r sua confiança. AsBim, p a r a cada i n f o r m a n t e c r i o u s e a n e c e s s i d a d e de encaminhar estratégias específicas v i -sando a reversão da a t i t u d e r e l u t a n t e . Para uns d e c i d i u - s e p e l o p r o t e l a m e n t o , p a r a o u t r o s o p t o u - s e p e l a insistência ("encher o saco do c a r a até e l e c e d e r " ) e, p a r a o u t r o s a i n d a , r e s e r v o u - s e a desistência p u r a e s i m p l e s . Por f i m , após a realização de 20 e n t r e v i s t a s , em setembro de 95 f o i possível f e c h a r o quadro d e s -c r i t o a-cima.

Concomitantemente à realização das e n t r e v i s t a s , p r o c e s s o u - s e a p e s q u i s a nos j o r n a i s e na l i t e r a t u r a disponível sobre a c o n f i -guração das relações p o l i t i c a s l o c a i s . Os j o r n a i s c o n s u l t a d o s f o r a m o "Diário da Borborema" ( v e i c u l o da c a d e i a A s s o c i a d a l o c a l ) e o " J o r n a l da P a r a i b a " (diário c o n c o r r e n t e l o c a l , l i g a d o à Rede Paraíba de Comunicação).

Em síntese, e s t a p e s q u i s a v i s a v a desvendar a influência dos d i f e r e n t e s s u j e i t o s e g r u p o s políticos l o c a i s nas transformações da f i s i o n o m i a i n s t i t u c i o n a l da TV Borborema, desde a sua f u n d a

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-çao, no i n i c i o dos anos 60, até 1991. H a v i a que, através da con-s u l t a â l i t e r a t u r a e con-s p e c i f i c a e ao d i con-s c u r con-s o docon-s j o r n a i con-s , decon-sven- desven-d a r e s t a influência. H a v i a , p r i n c i p a l m e n t e , que p e r c e b e r os modesven-dos como se davam as ligações e n t r e os d i f e r e n t e s g r u p o s políticos l o c a i s e a q u e l e s veículos e como e s t e s modos i n f l u e n c i a m suas práticas e d i s c u r s o s .

Enquanto d i r i g i d o s p a r a o r e s g a t e f a c t u a l e a anéliee das correlações l o c a i s de força nas eleições m u n i c i p a i s de 1959 e 1963 em Campina Grande, os t r a b a l h o s de Josué S y l v e s t r e e J o s e f a

1

Lúcia Jordão de Souza f o r a m f o n t e s inestimáveis de c o n s u l t a . O cruzamento das análises d e s t e s p e s q u i s a d o r e s com a c o b e r t u r a do "Diário da Borborema" á fundação da TV Borborema e os dados c o l e t a d o s nas e n t r e v i s t a s com os f u n d a d o r e s da e m i s s o r a p e r m i t i u d i s -t i n g u i r um d i s p o s i -t i v o de poder i m p u l s i o n a d o r de sua criação.

A c o n s u l t a aos a r q u i v o s do "Diário da Borborema" p r e s t o u - s e à percepção, em d i f e r e n t e s momentos, da influência dos d i f e r e n t e s g r u p o s políticos l o c a i s na TV Borborema.

E s t a e s c o l h a i m p l i c o u i n v e s t i g a r a TV através do j o r n a l . Na medida em que não tomasse a e m i s s o r a como f o n t e p r i v i l e g i a d a de

investigação, e s t e p r o c e d i m e n t o metodológico de p e s q u i s a p o d e r i a s e r c o n t e s t a d o em sua v a l i d a d e ou em seu r i g o r . No e n t a n t o , o d e s e n v o l v i m e n t o da p e s q u i s a p e r m i t i u c o n s t a t a r que, embora se

1. E s t e s t r a b a l h o s estão c i t a d o s no c o r p o da dissertaõao e estão r e f e r i d o s na b i b l i o g r a f i a .

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t r a t a n d o de mídias d i f e r e n t e s , a condição de p e r t e n c e r e m à c a d e i a A s s o c i a d a do m u n i c i p i o i m p l i c a v a que o J o r n a l e a TV e s t i v e s s e m v o l t a d o s p a r a a efetivação de práticas e veiculação de d i s c u r s o s de mesmo s e n t i d o .

Enquanto que a m i d i a t e l e v i s i v a não d e i x a v a r e g i s t r o s de suas práticas e d i s c u r s o s p a r a avaliação p o s t e r i o r , e s t a s práti-cas e d i s c u r s o s mantinham-se r e g i s t r a d a s no a r q u i v o do j o r n a l . Assim, as práticas e os d i s c u r s o s da e m i s s o r a p o d e r i a m s e r dedu-z i d o s das práticas e dos d i s c u r s o s do j o r n a l como i n v e s t i m e n t o s estratégicos e f e t i v a d o s em b l o c o . As forças que d e t e r m i n a v a m o f o r m a t o i n s t i t u c i o n a l do j o r n a l eram as mesmas que d e t e r m i n a v a m o f o r m a t o i n s t i t u c i o n a l da TV. 0 cruzamento dos dados c o l e t a d o s na p e s q u i s a ao a r q u i v o do j o r n a l com os d e p o i m e n t o s c o l h i d o s nas e n t r e v i s t a s p e r m i t i u a confirmação d e s t a crença.

E s t a p e s q u i s a d e m o n s t r o u que a q u e l a influência a p a r e c i a sob a f o r m a de anúncios o f i c i a i s pagos, r e p e r c u t i a no d i s c u r s o i n f o r -m a t i v o do j o r n a l e a p a r e c i a , co-m -m a i o r c l a r e z a , nos p r o c e s s o s e l e i t o r a i s . Assim, a c o n s u l t a ao a r q u i v o do "Diário da Borborema" p r i v i l e g i o u as c o b e r t u r a s da fundação da TV Borborema e dos p r o -c e s s o s e l e i t o r a i s i m e d i a t a m e n t e a n t e -c e d e n t e s ao ano de 1991. Dest e modo f o i possível l e v a n Dest a r os dados que p e r m i Dest i s s e m uma i n Dest e r pretação do s i g n i f i c a d o das transformações i n s t i t u c i o n a i s o c o r r i -das na e m i s s o r a e que r e s u l t a r a m no s u r g i m e n t o do lema "TV da t e r r a " e dos programas "A Hora do Povo na TV" e "Debate na TV".

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Procedeu-se a i n d a uma c o n s u l t a ao a r q u i v o do " J o r n a l da Pa-r a i b a " . E s t a c o n s u l t a f o i p o n t u a l i z a d a no s e n t i d o de p e Pa-r c e b e Pa-r a repercussão da transferência de transmissão do s i n a l da Rede G l o -bo de Televisão da TV Bor-borema p a r a a TV Paraíba, em j a n e i r o de

1987. H a v i a que " s e n t i r " o d i s c u r s o da c a d e i a de comunicação con-c o r r e n t e aos v e i con-c u l o B A s s o con-c i a d o s em relação às mudanças políticon-cas e i n s t i t u c i o n a i s que e s t a transferência a c a r r e t a v a .

Em s e u c o n j u n t o , e s t a s p e s q u i s a s aos j o r n a i s e à l i t e r a t u r a específica l o c a l , ganharam t r i p l o s e n t i d o : d i a n t e das d i f i c u l d a des i n s t i t u c i o n a i s e p o l i t i c a s p a r a a consecução de mais d e p o i -mentos, c o n t r i b u i u p a r a r e d e f i n i r e p r e c i s a r os r o t e i r o s temáti-cos das e n t r e v i s t a s que iam sendo f e i t a s , p a r a c r u z a r informações n e l a s o b t i d a s e, f i n a l m e n t e , p a r a p r e e n c h e r l a c u n a s empíricas r e l a t i v a s ao quadro a n a l i t i c o que se e s t a v a empreendendo.

0 t r a b a l h o f i c o u a s s i m d i v i d i d o :

i •

0 p r i m e i r o c a p i t u l o , "A FORMAÇÃO DO 'POVO' ASSOCIADO", tem como o b j e t i v o a p r e s e n t a r a v i s i b i l i d a d e de " t e r r a " , "povo" e

" p o p u l a r " j u s t i f i c a d o r a da adoção do lema "TV da t e r r a " e da c r i -ação dos programas "A Hora do Povo na TV" e "Debate na TV". 0 c a p i t u l o buscará i d e n t i f i c a r a "TV da t e r r a " e os e n u n c i a d o s e imagens A s s o c i a d a s s o b r e o "povo" de Campina Grande. E s t e e s t u d o permitirá a identificação do que e r a o "povo" A s s o c i a d o .

Os t e r m o s " t e r r a " , "povo" e " p o p u l a r " f o r a m a s s i m i l a d o s p e l a e m i s s o r a como e n u n c i a d o s p r o m o t o r e s de sua i d e n t i d a d e i n s t i t u c i o

Referências

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