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(1)

alculo Diferencial e Integral III:

etodos para Solu¸

ao de Equa¸

oes Diferenciais Ordin´

arias

Jos´e Ricardo Ferreira de Almeida 7 de novembro de 2010

(2)

Sum´

ario

1 Introdu¸c˜ao 1

1.1 Desenhe gr´aficos com Winplot . . . 2

1.2 Defini¸c˜ao de ED . . . 3 1.3 Classifica¸c˜ao de ED’s . . . 3 1.3.1 Pelo tipo . . . 3 1.3.2 Pela ordem . . . 4 1.3.3 Quanto a linearidade . . . 4 1.4 Exerc´ıcios . . . 4

2 M´etodos para solu¸c˜ao de Equa¸c˜oes Diferenciais de 1a ordem 5 2.1 Problema de Valor Inicial . . . 5

2.2 Equa¸c˜ao Separ´avel . . . 5

2.2.1 Solu¸c˜ao . . . 6

2.2.2 Exemplo . . . 6

2.2.3 Exerc´ıcios . . . 6

2.3 Equa¸c˜oes Exatas . . . 6

2.3.1 Solu¸c˜ao . . . 6

2.3.2 Exemplo . . . 7

2.3.3 Exerc´ıcios . . . 7

2.4 M´etodos de substitui¸c˜ao . . . 7

2.4.1 EDO na forma y0 = f (ax + by + c) . . . 7

2.4.2 EDO na forma y0 = fy x  . . . 7 2.4.3 Exemplos . . . 8 2.4.4 Exerc´ıcios . . . 8 2.5 Fator de Integra¸c˜ao . . . 8 2.5.1 EDO linear . . . 8 2.5.2 EDO n˜ao linear . . . 9 2.6 Equa¸c˜ao de Bernoulli . . . 11 2.7 Equa¸c˜ao de Ricatti . . . 12 2.8 Exemplos de aplica¸c˜ao . . . 12 2.8.1 Exerc´ıcios . . . 12

3 Equa¸c˜oes lineares de Segunda ordem 13 3.1 A Equa¸c˜ao Homogˆenea . . . 13

3.2 Independˆencia Linear . . . 13

3.3 Exerc´ıcios . . . 14

3.4 Conjunto Fundamental de Solu¸c˜oes . . . 14

3.5 M´etodo de Redu¸c˜ao de Ordem . . . 14

3.5.1 Demonstra¸c˜ao . . . 14

3.5.2 Exemplos . . . 15

3.5.3 Exerc´ıcios . . . 15

3.6 Equa¸c˜ao com coeficientes constantes . . . 15

3.6.1 Exemplo . . . 16 i

(3)

SUM ´ARIO ii

3.6.2 Exerc´ıcios . . . 16

3.7 Coeficientes indeterminados . . . 17

3.7.1 Exemplos . . . 17

3.7.2 Equa¸c˜oes de ordem superior . . . 17

3.7.3 Exemplos . . . 18

3.7.4 Exerc´ıcios . . . 18

3.8 M´etodo da varia¸c˜ao dos parˆametros . . . 18

3.8.1 Exemplos . . . 19

(4)

Cap´ıtulo 1

Introdu¸

ao

Com y = f (x) uma fun¸c˜ao definida IR → IR. Sabemos que a derivada f0(x) = dy

dx, que tamb´em ´e uma fun¸c˜ao de x, ou seja, dy

dx : IR → IR, pode ser obtida a partir da defini¸c˜ao f

0

(x) = dy

dx = lim∆x→0

f (x + ∆x) − f (x) ∆x

ou simplesmente utilizando as regras de deriva¸c˜ao.

O estudo de equa¸c˜oes diferenciais (ED) se dedicada a resolver problemas que envolve fun¸c˜oes e suas derivadas de forma a obter uma express˜ao para a fun¸c˜ao y = f (x), no caso de equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias (EDO) y = f (x).

Por exemplo para a equa¸c˜ao

dy dx = 6x

2y (1.1)

´e f´acil verificar que fun¸c˜oes do tipo

y = ce2x3, (1.2)

onde c ´e uma constante de integra¸c˜ao s˜ao solu¸c˜oes da ED 1.1. Veremos que ao resolver uma ED obteremos como resposta um conjunto de fun¸c˜oes, os gr´aficos, figura 1.1 e 1.2, ilustram o campo de dire¸c˜oes 1 da ED 1.1 e sua solu¸c˜ao.

Figura 1.1: Campo de dire¸c˜oes da equa¸c˜ao 1.1

Figura 1.2: Gr´afico da solu¸c˜ao da ED 1.1 para diversos valores de c.

1

Campos de dire¸c˜oes s˜ao ferramentas valiosas no estudo de solu¸c˜oes de ED da forma dy

dx = f (x, y). Um campo de dire¸c˜oes pode ser constru´ıdo calculando-se f em cada ponto de uma malha retangular consistindo em, pelo menos, algumas centenas de pontos. Em cada ponto da malha desenha-se um pequeno segmento de reta cujo coeficiente angular ´e o valor da fun¸c˜ao f no ponto. Cada segmento de reta ´e tangente ao gr´afico de uma solu¸c˜ao contendo o ponto.

(5)

CAP´ITULO 1. INTRODU ¸C ˜AO 2

1.1

Desenhe gr´

aficos com Winplot

Para desenhar os graficos das figuras 1.1 e 1.2 podemos utilizar o software WINPLOT [4]. Veja os passos a seguir:

1. Ap´os a abrir a janela principal do software clique na op¸c˜ao 2-dim do menu janela, veja figura 1.3;

Figura 1.3: Janela inicial do software Winplot 2. Para desenhar o campo de dire¸c˜oes

(a) clique no menu equa¸c˜ao, op¸c˜ao Diferencial, subop¸c˜ao dy/dx que surgir´a uma caixa de di´alogo, figura 1.4, para que possa entrar com a ED.

Figura 1.4: Caixa de di´alogo para cria¸c˜ao de campo de dire¸c˜oes

3. Para desenhar o conjunto de fun¸c˜oes solu¸c˜oes da ED 1.1

(a) clique no menu equa¸c˜ao, op¸c˜ao Expl´ıcita, informe a solu¸c˜ao da ED, figura 1.5, por exemplo para ED 1.1 iserimos

ce^(2x^3)

(b) clique no menu equa¸c˜ao, op¸c˜ao Invent´ario, selecione a equa¸c˜ao que cont´em a fam´ılia de curvas dependente de c, clique no bot˜ao fam´ılia e defina a varia¸c˜ao da constante de c, figura 1.6.

Figura 1.5: Janela de edi¸c˜ao de equa¸c˜oes expl´ıcitas.

Figura 1.6: Caixa de di´alogo para edi¸c˜ao de fam´ılia de curvas.

(6)

CAP´ITULO 1. INTRODU ¸C ˜AO 3

1.2

Defini¸

ao de ED

Portanto podemos ent˜ao definir equa¸c˜ao diferencial da seguinte forma:

Defini¸c˜ao 1.2.1 Equa¸c˜ao Diferencial - ´e uma equa¸c˜ao que cont´em as derivadas ou diferenciais de uma ou mais vari´aveis dependentes, em rela¸c˜ao a uma ou mais vari´aveis independentes.

1.3

Classifica¸

ao de ED’s

1.3.1 Pelo tipo

As equa¸c˜oes diferenciais, quanto ao tipo, se classificam em duas classes:

1. EDO - Equa¸c˜ao Diferencial Ordin´aria: cont´em somente derivadas ordin´arias de uma ou mais vari´aveis dependentes com rela¸c˜ao a uma ´unica vari´avel independente.

Defini¸c˜ao 1.3.1 Seja x ∈ IR a vari´avel independente e y ∈ IR a vari´avel dependente, chamamos de EDO - equa¸c˜ao diferencial ordin´aria a equa¸c˜ao que relaciona x com y e suas derivadas, ou seja,

F  x, y, y0, y0, . . . , yn  = 0. (1.3) Exemplos de EDO’s: • x2dy dx+ 2 sin xy = ln x • 2xdy − ydx = 0 • Ld 2 dt2Q(t) + R d dtQ(t) + 1 CQ(t) = E(t) • d 3y dt3 + t dy dt + cos 2t y = t3 • du dt + dv dt = 1

2. EDP - Equa¸c˜ao Diferencial Parcial: cont´em derivadas parciais de uma ou mais vari´aveis dependentes com rela¸c˜ao a uma ou mais vari´aveis independentes.

Defini¸c˜ao 1.3.2 Seja x1, x2, . . . , xn ∈ IR vari´aveis independentes e y ∈ IR a vari´avel dependente,

com y = (x1, x2, . . . , xn), chamamos de EDP - equa¸c˜ao diferencial parcial a equa¸c˜ao que relaciona

x1, x2, . . . , xn com y e suas derivadas parciais, ou seja,

F  x1, x2, . . . , xn, y, ∂y ∂x1 , ∂y ∂x2 , . . . , ∂y ∂xn , . . . ,∂ my ∂xm n  = 0. (1.4) Exemplos de EDP’s: • ∂P ∂t = α  ∂2P ∂x2 + ∂2P ∂y2  − v0  1 −y 2 h2  ∂P ∂x − δP + f • ∂u ∂x = ∂u y • ∂ 2u ∂x2 + ∂2u ∂y2 + ∂2u ∂z2 = 0

(7)

CAP´ITULO 1. INTRODU ¸C ˜AO 4

1.3.2 Pela ordem

A ordem da derivada de maior ordem em uma equa¸c˜ao diferencial ´e, por defini¸c˜ao, a ordem da ED. Por exemplo: • d 3y dt3 + t dy dt + cos

2t y = t3 ´e uma EDO de 3a ordem.

• ∂P ∂t = α  ∂2P ∂x2 + ∂2P ∂y2  − v0  1 −y 2 h2  ∂P

∂x − δP + f ´e uma EDP de 2a ordem. • x2 dy

dx 3

+ 2 sin xy = ln x ´e uma EDO de 1a ordem.

1.3.3 Quanto a linearidade

Uma EDO ´e chamada de linear quando pode ser escrita na forma: an(x) dny dxn + an−1(x) dn−1y dxn−1 + . . . + a1(x) dy dx+ a0(x) y = h (x) . (1.5) Observe que a vari´avel dependente y e todas as suas derivadas s˜ao primeiro grau e cada coeficiente depende apenas da vari´avel independente x.

Uma equa¸c˜ao que n˜ao ´e linear ´e chamada de n˜ao-linear.

1.4

Exerc´ıcios

1. Livro, BOYCE [2], p´aginas 5 e 6, n´umero 1 ao 33. 2. Livro, BOYCE [2], p´aginas 14, n´umero 1 ao 18.

(8)

Cap´ıtulo 2

etodos para solu¸

ao de Equa¸

oes

Diferenciais de 1a ordem

Dedicaremos este cap´ıtulo para descrever m´etodos matem´aticos para solucionar equa¸c˜oes diferenciais or-din´arias de 1a ordem e problemas de valor inicial (PVI).

2.1

Problema de Valor Inicial

Seja

F (x, y, y0) = 0 (2.1)

uma EDO de primeira ordem e uma condi¸c˜ao inicial

y (x0) = y0. (2.2)

O problema de encontrar a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao 2.1 satisfazendo a condi¸c˜ao 2.2 ´e chamado de PVI - Problema de Valor Inicial1.

Teorema 2.1.1 Se as fun¸c˜oes p e f s˜ao cont´ınuas em um intervalo aberto I = [a, b] ⊂ IR com a < x < b contendo o ponto x = x0, ent˜ao existe uma fun¸c˜ao y = φ (x) que satisfaz a equa¸c˜ao diferencial

dy

dx+ p (x) y = f (x) (2.3) para cada x ∈ I e que tamb´em satisfaz a condi¸c˜ao inicial

y (x0) = y0 (2.4)

onde y0 ´e um valor inicial arbit´ario.

Teorema 2.1.2 Suponha que as fun¸c˜oes g = g(x, y) e ∂g

∂y s˜ao cont´ınuas em um retˆangulo a < x < b, c < y < d contendo o ponto (x0, y0) 2. Ent˜ao em algum intervalo x0− h < x < x0+ h contido em a < x < b,

existe uma ´unica solu¸c˜ao y = φ (x) do problema de valor inicial:

dy

dx = g(x, y)

y (x0) = y0.

(2.5)

2.2

Equa¸

ao Separ´

avel

Defini¸c˜ao 2.2.1 Uma equa¸c˜ao diferencial da forma dy dx =

g(x)

h(y) ´e chamada separ´avel ou tem vari´aveis separ´aveis.

1

PVI tamb´em conhecido pelo nome de problema de Cauchy

2

Nesse caso temos g(x, y) = −p (x) y + f (x) e ∂g

∂y = −p (x), de modo que a continuidade de g = g(x, y) e ∂g

∂y ´e equivalente `a continuidade de p e f .

(9)

CAP´ITULO 2. M ´ETODOS PARA SOLU ¸C ˜AO DE EQUA ¸C ˜OES DIFERENCIAIS DE 1A ORDEM 6

2.2.1 Solu¸c˜ao

Seja a EDO dy dx =

g(x)

h(y) separ´avel, podemos escrevˆe-la como h(y)dy = g(x)dx da´ı segue que: h(y)dy = g(x)dx ⇒

Z y

h(η)dη = Z x

g(ξ)dξ ⇒ G(y) = F (x) + c, onde C ´e uma constante arbit´aria e G(y) e F (x) s˜ao primitivas de g(y) e f (x) respectivamente.

2.2.2 Exemplo

Dada equa¸c˜ao: ydy = 4xpy2+ 1dx obtenha a solu¸ao da EDO sujeita a condi¸ao inicial y(0) = 1.

Solu¸c˜ao:

Separando as vari´aveis obtemos: p y

y2+ 1dy = 4xdx, integrando, Z y η p η2+ 1dη = Z x 4ξdξ temos: p

y2+ 1 = 2x2+ C, onde C ´e uma constante de integra¸ao.

Aplicando a condi¸c˜ao inicial y(0) = 1 segue que c =√2, portanto a solu¸c˜ao do PVI (Problema do valor inicial) ´e dada por:

p

y2+ 1 = 2x2+2

2.2.3 Exerc´ıcios

1. Livro, BOYCE [2], p´aginas 27 e 28. 2. Livro, ZILL [1], p´aginas 50, 51 e 52.

2.3

Equa¸

oes Exatas

Defini¸c˜ao 2.3.1 Consideremos M (x, y) e N (x, y) fun¸c˜oes cont´ınuas e com derivadas parciais cont´ınuas num retˆangulo R = {(x, y) ∈ R|a < x < b, c < y < d}. A equa¸c˜ao

M (x, y)dx + N (x, y)dy = 0 (2.6) ´

e uma EDO exata em R quando vale a condi¸c˜ao: ∂M (x, y)

∂y =

∂N (x, y)

∂x (2.7)

em cada ponto do dom´ınio.

2.3.1 Solu¸c˜ao

Como ∂M (x, y) ∂y =

∂N (x, y)

∂x podemos dizer que existe uma fun¸c˜ao F (x, y) tal que ∂F

∂x = M (x, y) e ∂F

∂y = N (x, y). Dessa forma, utilizando a regra da cadeia, segue, M (x, y) + N (x, y)dy

dx = ∂F ∂x dx dx + ∂F ∂y dy dx = d

dxF (x, y(x)) = 0, ou seja a EDO torna-se: d

dxF (x, y(x)) = 0, (2.8)

ou ainda,

(10)

CAP´ITULO 2. M ´ETODOS PARA SOLU ¸C ˜AO DE EQUA ¸C ˜OES DIFERENCIAIS DE 1A ORDEM 7

2.3.2 Exemplo

Seja a equa¸c˜ao: 6xy − y3 dx + 4y + 3x2− 3xy2 dy = 0, verifique se a EDO ´e exata, se for encontre sua solu¸c˜ao geral.

Calculando as derivadas de segunda ordem temos: ∂M

∂y = 6x − 3y 2 e ∂N ∂x = 6x − 3y 2, portanto segue que ∂M ∂y = ∂N

∂x logo a EDO ´e exata e como ∂F ∂x (x, y) = M , temos: dF = M dx ⇒ dF = 6xy − y3 dx ⇒ Z dF = Z 6xy − y3dx (2.10) ⇒ F = 3x2y − xy3+ g(y) Como dF dy (x, y) = N segue que 3x

2−3xy2+ g0(y) = 4y + 3x2−3xy2 ⇒ g0(y) = 4y, logo g(y) =

Z

4ydy = 2y2.

Portanto a solu¸c˜ao geral dessa equa¸c˜ao ´e: 3x2y − xy3+ 2y2= C

2.3.3 Exerc´ıcios

Exerc´ıcios p´aginas 67, 68 da referˆencia [1].

1. Livro, BOYCE [2], p´aginas 54, n´umeros 1 ao 18. 2. Livro, ZILL [1], p´aginas 67, 68.

2.4

etodos de substitui¸

ao

Em muitos casos ´e conveniente introduzir uma mudan¸ca de vari´avel com a finalidade de reduzir a EDO a uma outra EDO conhecida e mais f´acil de ser solucionada. Esse recurso pode ser utilizado para converter equa¸c˜oes de Bernoulli, Ricatti e Clairaut.

2.4.1 EDO na forma y0 = f (ax + by + c)

Se a EDO estiver na forma dy

dx = f (ax + by + c) com b 6= 0. Nesse caso, introduzindo a mudan¸ca de vari´avel v = ax + by + c temos dv = adx + bdy ⇒ dy = dv − adx

b substituindo na EDO dy

dx = f (ax + by + c) segue que dv − adx

bdx = f (v), que nos conduzir´a `a seguinte EDO: dv

dx = bf (v) + a (2.11)

que ´e uma EDO separ´avel.

2.4.2 EDO na forma y0 = f y

x 

Se a EDO estiver na forma dy dx = f

y x



, `a vezes chamada do tipo homogˆeneo. Introduzindo a substitui¸c˜ao v = y

x temos y = vx ⇒ dy = vdx + xdv que nos conduzir´a `a seguinte EDO: xdv

dx = f (v) − v (2.12)

(11)

CAP´ITULO 2. M ´ETODOS PARA SOLU ¸C ˜AO DE EQUA ¸C ˜OES DIFERENCIAIS DE 1A ORDEM 8

2.4.3 Exemplos

Resolva o problema de valor inicial 

(2x − y + 4)dy + (x − 2y + 5)dx = 0

y(0) = 2 . Sugest˜ao fa´ca, inicialmente, x = z + a e y = t + b, determine o valores de a e b de forma a eleminar o termo independente e fa¸ca a substitui¸c˜ao u = t

z

2.4.4 Exerc´ıcios

Exerc´ıcios p´aginas 58, 59 e 60 da referˆencia [1].

2.5

Fator de Integra¸

ao

2.5.1 EDO linear

Defini¸c˜ao 2.5.1 Uma equa¸c˜ao diferencial da forma a1(x)

dy

dx+ a0(x)y = g(x) (2.13) ´e chamada de equa¸c˜ao linear.

Dividindo a EDO (2.13) por a1(x), obtemos uma forma mais ´util de uma equa¸c˜ao linear:

dy

dx+ P (x)y = f (x) (2.14) Temos como objetivo encontrar para (2.14) num intervalo I no qual as fun¸c˜oes P (x) e f (x) s˜ao cont´ınuas. Usando diferenciais, podemos escrever a equa¸c˜ao (2.14) como:

dy + [P (x)y − f (x)] dx = 0 (2.15) Equa¸c˜oes lineares possuem a agrad´avel propriedade atrav´es da qual podemos sempre encontrar uma fun¸c˜ao µ(x) em que:

µ(x)dy + µ(x) [P (x)y − f (x)] dx = 0 (2.16) ´

e uma equa¸c˜ao diferencial exata e pela defini¸c˜ao (2.3.1) temos: ∂N ∂x = ∂M ∂y ⇒ ∂ ∂xµ(x) = ∂

∂y(µ(x) [P (x)y − f (x)]) ou ainda, ⇒ ∂

∂xµ(x) = µ(x)P (x) que ´e uma EDO separ´avel e que podemos determinar µ(x).

Determinando µ(x): dµ µ = P (x)dx ⇒ ln (µ) = Z P (x)dx Logo µ(x) = eR P (x)dx Resumo do M´etodo

1. Para resolver uma equa¸c˜ao linear de primeira ordem, primeiro coloque-a na forma 2.14; isto ´e, fa¸ca o coeficiente de dy

dx

2. Identifique P (x) e encontre o fator de integra¸c˜ao eR P (x)dx 3. Multiplique a equa¸c˜ao obtida pelo fator de integra¸c˜ao:

eR P (x)dxdy

dx+ P (x)e

R P (x)dx

y = eR P (x)dxf (x) (2.17) 4. O lado esquerdo da equa¸c˜ao (2.17) ´e a derivada do produto do fator de integra¸c˜ao e a vari´avel

depen-dente y, isto ´e, d dx h eR P (x)dxy i = eR P (x)dxf (x) 5. Integre ambos os lados da equa¸c˜ao.

(12)

CAP´ITULO 2. M ´ETODOS PARA SOLU ¸C ˜AO DE EQUA ¸C ˜OES DIFERENCIAIS DE 1A ORDEM 9 Exemplos Resolva a equa¸c˜ao xdy dx− 4y = x 6ex. Solu¸c˜ao:

Escrevendo a equa¸c˜ao como dy dx − 4 xy = x 5ex, como P (x) = −4 x, o fator integrante ´e µ(x) = e −4R dx x =

e−4 ln|x| = x−4. Multiplicando a equa¸c˜ao pelo fator integrante temos: x−4dy dx− 4x −5 y = xex e obtemos d dxx −4y = xex

integrando ambos os lados obtemos:

x−4y = xex− ex+ c y = x5ex− x4ex+ cx4

Exerc´ıcios

1. Exerc´ıcios p´aginas 77 da referˆencia [1].

2. Exerc´ıcios 24 ao 37, p´agina 23 da referˆencia [2].

2.5.2 EDO n˜ao linear

Defini¸c˜ao 2.5.2 Uma equa¸c˜ao diferencial da forma

M (x, y)dx + N (x, y)dy = 0 (2.18) ´e chamada de equa¸c˜ao linear.

Vimos anteriormente o m´etodo para resolver a EDO 2.18 se ela for exata. Por´em se ela n˜ao for exata podemos propor a multiplica¸c˜ao dessa EDO por uma fun¸c˜ao µ(x, y) a fim de transform´a-la numa EDO exata, mas a dificuldade de encontrar a fun¸c˜ao µ(x, y) pode ser t˜ao grande quanto a de resolver a EDO 2.18. Para minimizar as dificuldades proporemos a fun¸c˜ao µ = µ(x) ou µ = µ(y). Portanto a EDO 2.18 passa a ser:

µ(x)M (x, y)dx + µ(x)N (x, y)dy = 0, (2.19) uma EDO, n˜ao linear, homogˆenea, exata. Portanto segue que:

∂y(µ(x)M (x, y)) = ∂

∂x(µ(x)N (x, y)) . (2.20) Derivando ambos os lados obteremos:

µ(x)My(x, y) = µ

0

(x)N (x, y) + µ(x)Nx(x, y), (2.21)

resolvendo a EDO 2.21, separ´avel, obteremos:

µ(x) = e

Rx My (η,y)−Nη (η,y)

(13)

CAP´ITULO 2. M ´ETODOS PARA SOLU ¸C ˜AO DE EQUA ¸C ˜OES DIFERENCIAIS DE 1A ORDEM 10 Exemplo

Para a EDO

3x2y + 2xy + y3 dx + x2+ y2 dy = 0 (2.23)

obtemos o campo de dire¸c˜oes com o software WinPlot (menu Janela, op¸c˜ao 2 dim, menu equa¸c˜ao, op¸c˜ao diferencial, dy/dx), veja figura 2.1.

Figura 2.1: Janela para edi¸c˜ao do campo de dire¸c˜oes Multiplicando a equa¸c˜ao 2.23 por µ = µ(x) obtemos

µ(x) 3x2y + 2xy + y3 dx + µ(x) x2+ y2 dy = 0 (2.24)

como a EDO ´e exata temos que ∂

∂y µ(x) 3x

2y + 2xy + y3 =

∂x µ(x) x

2+ y2 , (2.25)

derivando ambos os lados, resolvendo a EDO separ´avel, obtemos o fator integrante

µ(x) 3x2+ 2x + 3y2 = µ0(x) x2+ y2 + µ(x) (2x) (2.26) ⇒ µ0(x) = 3µ(x) (2.27) ⇒ µ(x) = e3x. (2.28) Pelo m´etodo das equa¸c˜oes exatas segue que:

F (x, y(x)) = Z y e3x x2+ η2 dη (2.29) ⇒ F (x, y(x)) = e 3x 3x2y + y3 3 + g(x). (2.30)

Sabemos ainda que

∂F ∂x = 3e3x 3x2y + y3 + e3x(6xy) 3 + g 0(x) (2.31) ⇒ ∂F ∂x = e 3x 3x2y + 2xy + y3 + g0 (x) (2.32)

Comparando a derivada 2.32 com a EDO 2.24 determinamos

g0(x) = 0 ⇒ g(x) = C1, (2.33)

onde C1 ´e uma constante de integra¸c˜ao, portanto, de acordo com o m´etodo das equa¸c˜oes exatas, segue

(14)

CAP´ITULO 2. M ´ETODOS PARA SOLU ¸C ˜AO DE EQUA ¸C ˜OES DIFERENCIAIS DE 1A ORDEM 11

e3x 3x2y + y3

3 + C1= C (2.34)

e3x 3x2y + y3 = C (2.35) Com o software WinPlot podemos obter o gr´aficos das fun¸c˜oes solu¸c˜oes da EDO 2.23, figura 2.5.2.

Figura 2.2: Conjunto de solu¸c˜oes da EDO 2.23 com −0.5 ≤ c ≤ 1.

Exerc´ıcios

1. Exerc´ıcios 19 ao 32, p´agina 54 e 55 da referˆencia [2].

2.6

Equa¸

ao de Bernoulli

Defini¸c˜ao 2.6.1 Equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias que podem ser escrita na forma dy

dx + P (x)y = f (x)y

n (2.36)

s˜ao conhecidas por EDO de Bernoulli, ou simplesmente, equa¸c˜ao de Bernoulli. Resolvendo uma Equa¸c˜ao de Bernoulli

Observe que se n = 0 ou n = 1 temos uma EDO, linear, homogˆenea. Por´em para n 6= 0 e n 6= 1, podemos utilizar o m´etodo de solu¸c˜ao proposto por Leibniz em 1696.

Inicialmente divideremos a equa¸c˜ao 2.36 por yn dessa forma obtemos y−ndy

dx+ y

−n+1

P (x) = f (x) (2.37)

fazendo v = y−n+1 temos que

dv dx = (−n + 1) y −ndy dx (2.38) ⇒ dy dx = 1 (1 − n) y−n dv dx (2.39)

substituindo na EDO 2.37 teremos dv

dx+ (1 − n) P (x)v = (1 − n)f (x), (2.40) que uma EDO de 1a ordem, linear.

(15)

CAP´ITULO 2. M ´ETODOS PARA SOLU ¸C ˜AO DE EQUA ¸C ˜OES DIFERENCIAIS DE 1A ORDEM 12

2.7

Equa¸

ao de Ricatti

Defini¸c˜ao 2.7.1 Equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias que podem ser escrita na forma dy

dx = P (x) + Q(x)y + R(x)y

2 (2.41)

s˜ao conhecidas por EDO de Ricatti, ou simplesmente, equa¸c˜ao de Ricatti. Resolvendo uma Equa¸c˜ao de Ricatti

Conhencendo y1 = y1(x) uma solu¸c˜ao particular da EDO 2.41 podemos dizer que a solu¸c˜ao geral da EDO ´e

y(x) = y1(x) + µ(x) onde µ = µ(x) ´e uma fun¸c˜ao qualquer de classe C1. Segue ent˜ao que:

dy dx = dy1 dx + dµ dx, (2.42)

substituindo na equa¸c˜ao 2.41 obteremos dy1 dx + dµ dx = P (x) + Q(x) (y1+ µ) + R(x) (y1+ µ) 2, (2.43) expandindo dy1 dx + dµ dx = P (x) + y1Q(x) + y 2 1R(x) | {z } observe edo 2.41 +µQ(X) + 2y1µR(x) + µ2R(x), (2.44) substituindo P (x) + y1Q(x) + y21R(x) por dy1 dx dy1 dx + dµ dx = dy1 dx + µQ(X) + 2y1µR(x) + µ 2R(x), (2.45)

simplificando obteremos a equa¸c˜ao 2.46 que uma equa¸c˜ao de Bernoulli. dµ

dx− (Q(X) + 2y1R(x)) µ = µ

2R(x) (2.46)

2.8

Exemplos de aplica¸

ao

1. O n´ıvel y(t) de um reservat´orio de ´agua em escoamento vertical sob a a¸c˜ao da gravidade em fun¸c˜ao do tempo, pode muitas vezes ser modelado pela chamada lei de Torricelli

dy dt = −h

y, (2.47)

onde h ´e uma constante. Resolva a EDO de Torricelli, sujeita `a condi¸c˜ao inicial y(0) = 1 2. A chamada lei do resfriamento de Newton ´e expressa pela EDO

dT

dt = −k (T − Ta) , (2.48) onde T (t) representa a temperatura de um corpo no tempo t, Ta a temperatura do meio ambiente

(su-postamente constante) e k > 0 a condutividade t´ermica do material que constitui o corpo. Determine a evolu¸c˜ao da temperatura no tempo, supondo que a temperatura inicial do corpo ´e T (0) = T0.

2.8.1 Exerc´ıcios

(16)

Cap´ıtulo 3

Equa¸

oes lineares de Segunda ordem

Nesse cap´ıtulo iremos considerar equa¸c˜oes diferencias ordin´arias lineares de segunda ordem da forma d2y

dx2 + p(x)

dy

dx+ q(x)y = f (x) para x ∈ I (3.1) onde as fun¸c˜oes p(x), q(x) e f (x), consideradas de valores reais, s˜ao cont´ınuas no intervalo I = (a, b). O respectivo problema de valor inicial, isto ´e, a EDO de 2aordem com, agora, duas condi¸c˜oes de iniciais, uma na fun¸c˜ao e outra na derivada primeira.

3.1

A Equa¸

ao Homogˆ

enea

A EDO linear de 2a ordem ´e dita homogˆenea quando o segundo membro ´e zero, isto ´e, em rela¸c˜ao a nossa EDO deveremos ter f (x) = 0, ou seja, a seguinte EDO:

d2y

dx2 + p(x)

dy

dx+ q(x)y = 0 (3.2)

A propriedade principal dessa equa¸c˜ao ´e que o conjunto de suas solu¸c˜oes constitui um espa¸co vetorial real. Isto ´e, se y1= y1(x) e y2 = y2(x) s˜ao solu¸c˜oes da EDO homogˆenea ent˜ao a combina¸c˜ao linear

y(x) = C1y1(x) + C2y2 (3.3)

´e tamb´em solu¸c˜ao da equa¸c˜ao homogˆenea, para quaisquer n´umeros reais, C1 e C2. Essa propriedade ´e

conhecida como princ´ıpio da superposi¸c˜ao.

Teorema 3.1.1 Princ´ıpio da Superposi¸c˜ao: Se y1 e y2 s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial

d2y

dx2 + p(x)

dy

dx+ q(x)y = 0 (3.4)

ent˜ao a combina¸c˜ao linear c1y1(x) + c2y2 tamb´em ´e solu¸c˜ao, quaisquer que sejam os valores das constantes

c1 e c2.

3.2

Independˆ

encia Linear

Dizemos que duas solu¸c˜oes y1 = y1(x) e y2 = y2(x) da equa¸c˜ao (3.2) no intervalo I s˜ao linearmente

depen-dentes (LD) se existirem constantes C1 e C2, n˜ao simultaneamente nulas, tais que:

y(x) = C1y1(x) + C2y2= 0, para x ∈ I

Caso contr´ario dizemos que y1 = y1(x) e y2 = y2(x) s˜ao linearmente independentes (LI).

(17)

CAP´ITULO 3. EQUA ¸C ˜OES LINEARES DE SEGUNDA ORDEM 14 Defini¸c˜ao 3.2.1 Wronskiano Uma condi¸c˜ao necess´aria e suficiente para que duas solu¸c˜oes y1 = y1(x) e

y2= y2(x) da equa¸c˜ao (3.2) sejam linearmente dependentes ´e que o Wronskiano ou determinante de Wronski

destas solu¸c˜oes, definido por

W [y1(x), y2(x)] = y1(x) y2(x) y10(x) y20(x) (3.5) se anula em algum x0∈ I. Observa¸c˜oes:  W = 0 ⇔ LD W 6= 0 ⇔ LI

3.3

Exerc´ıcios

1. Livro texto [1], p´agina 163, 164 e 165, exer´ıcios de 1 a 45.

3.4

Conjunto Fundamental de Solu¸

oes

Se y1 = y1(x) e y2 = y2(x) formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes da equa¸c˜ao (3.2), ´e natural

denominar a express˜ao y(x) = C1y1(x) + C2y2 com C1 e C2 constantes arbirtr´arias, de solu´c˜ao geral da

equa¸c˜ao homogˆenea.

3.5

etodo de Redu¸

ao de Ordem

Um procedimenton geral para a obten¸c˜ao de uma segunda solu¸c˜ao para equa¸c˜ao homogˆenea a partir de uma solu¸c˜ao conhecida y1 = y1(x), ´e conhecido pelo nome de redu´c˜ao de ordem. Esse m´etodo parte do princ´ıpio

que uma segunda solu¸c˜ao linearmente independente pode ser procurada na forma y2(x) = u(x)y1(x) onde

u(x) deve ser determinada. Seja y1(x) 6= 0. Substituindo y2(x), como acima, na equa¸c˜ao (3.2) e usando o

fato que y1(x) ´e solu¸c˜ao obtemos:

u(x) = Z x e− Rξ  2y01(η)+y1(η)p(η)  y1(η) dη (3.6) 3.5.1 Demonstra¸c˜ao

Seja a EDO, homogˆenea, de segunda ordem d2y dx2 + P (x) dy dx + Q(x)y = 0 (3.7) e y1 = y1(x) (3.8)

uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao 3.7. Procuraremos y2 = y2(x) de tal forma que y2 seja solu¸c˜ao da EDO 3.7,

lin-earmente dependente de 3.8. Portanto segue que:

y2(x) = µ (x) y1(x) ⇒ dy2(x) dx = dµ (x) dx y1(x) + µ (x) dy1(x) dx ⇒ d 2y 2(x) dx2 = d2µ (x) dx2 y1(x) + 2 dµ (x) dx dy1(x) dx + µ (x) d2y1(x) dx2 (3.9)

Utilizando as nota¸c˜oes reduzidas de derivadas, dµ(x) dx = µ

0

(18)

CAP´ITULO 3. EQUA ¸C ˜OES LINEARES DE SEGUNDA ORDEM 15 µ00y1+ 2µ 0 y10 + µy100+ µ0y1P (x) + µy 0 1P (x) + µy1Q(x) = 0 (3.10) Rearrajando os termos: µ00y1+  2y10 + y1P (x)  µ0 +  y100+ y10P (x) + y1Q(x)  µ | {z }

observe que y1 ´e solu¸c˜ao da EDO

= 0 (3.11)

Portanto a equa¸c˜ao se reduz a:

µ00y1+



2y01+ y1P (x)



µ0 = 0, (3.12)

fazendo µ0 = v ⇒ µ00 = v0 temos uma EDO, homgˆenea, de 1o ordem, separ´avel: v0y1+



2y10 + y1P (x)



v = 0, (3.13)

que pode ser reescrita na forma:

v = e

− Rx 2y 0 1+y1P (η) y1 dη

,

(3.14)

como µ0 = v obtemos: u(x) = Z x e− Rξ  2y01(η)+y1(η)p(η)  y1(η) dη (3.15) 3.5.2 Exemplos

1. Sabendo que y1(x) = e−x ´e solu¸c˜ao da EDO:

d2y dx2 + 2

dy

dx+ y = 0 determine y2(x). Verifique que y1(x) e y2(x) s˜ao linearmente independentes.

2. Sabendo que y1(x) = x3 ´e uma solu¸c˜ao para x2y

00

− 6y = 0, use redu¸c˜ao de ordem para encontrar uma segunda solu¸c˜ao.

3. A fun¸c˜ao y1(x) = x2 ´e uma solu¸c˜ao para x2y

00

− 3xy0 + 4y = 0, encontre a solu¸c˜ao geral.

3.5.3 Exerc´ıcios

1. Livro texto [1], p´agina 172, exer´ıcios de 1 a 30.

3.6

Equa¸

ao com coeficientes constantes

Uma EDO linear de segunda ordem, homogˆenea, com coeficientes constantes, ´e da forma d2y

dx2 + a

dy

dx + by = 0 (3.16)

com a e b constantes e y = y(x).

Visto que a derivada da fun¸c˜ao exponencial y(x) = eλx ´e, quando muito, um m´ultiplo dela mesma, podemos conduzir a equa¸c˜ao diferencial ordin´aria a uma equa¸c˜ao alg´ebrica, isto ´e, λ2+ aλ + b = 0, chamada equa¸c˜ao caracter´ıstica.

1. Ra´ızes reais e distintas

Nesse caso a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial ´e

y(x) = C1eλ1x+ C2eλ2x (3.17)

(19)

CAP´ITULO 3. EQUA ¸C ˜OES LINEARES DE SEGUNDA ORDEM 16 2. Ra´ızes reais e iguais

Aqui as ra´ızes s˜ao tais que λ1 = λ2 = λ. Utilizando o m´etodo de redu¸c˜ao de ordem temos

y(x) = (C1+ C2x) eλx (3.18)

com C1 e C2 constantes arbitr´arias.

3. Ra´ızes complexas conjugadas

Neste caso as ra´ızes s˜ao complexas conjugadas, isto ´e, λ1 = α + iβ e λ2 = α − iβ com α e β reais, de

onde segue-se a solu¸c˜ao geral da EDO:

y(x) = C1e(α+iβ)x+ C2e(α−iβ)x (3.19)

com C1 e C2 constantes arbitr´arias.

Tomando a rela¸c˜ao de Euler:

eiθ = cos θ + i sin θ (3.20) podemos escrever

y1(x) = e(α+iβ)x= eαeβxi= eα[cos βx + i sin βx] (3.21)

e

y2(x) = e(α−iβ)x= eαe−βxi= eα[cos βx − i sin βx] (3.22)

.

Efetuando as combina¸c˜oes

y1(x) + y2(x) = 2eαcos βx (3.23)

e

y1(x) − y2(x) = 2ieαsin βx (3.24)

deprezando os valores constantes 2 e 2i, podemos obter duas solu¸c˜oes reais lienarmente independentes

1:

u(x) = eαcos βx (3.25)

v(x) = eαsin βx (3.26)

Ent˜ao com base no teorema 3.1.1 temos que a solu¸c˜ao geral pode ser a express˜ao (3.19) pode ser colocado na forma

y(x) = [A sin(βx) + B cos(βx)] eαx (3.27) onde A e B s˜ao constantes. 3.6.1 Exemplo 1. Resolva o PVI:  y00− 6y0+ 13 = 0, y(0) = 2 e y0(0) = 4 3.6.2 Exerc´ıcios

1. Livro texto [1], p´agina 180, exer´ıcios de 1 a 52.

(20)

CAP´ITULO 3. EQUA ¸C ˜OES LINEARES DE SEGUNDA ORDEM 17

3.7

Coeficientes indeterminados

Considere a equa¸c˜ao diferencial ordin´aria, linear e n˜ao homogˆenea d2y

dx2 + p(x)

dy

dx+ q(x)y = f (x), para x ∈ I ⊂ IR (3.28) onde as fun¸c˜oes p(x), q(x) e f (x) s˜ao cont´ınuas em I.

Para obter solu¸c˜ao geral para da equa¸c˜ao (3.28) temos que fazer duas tarefas: 1. Encontrar a fun¸c˜ao complementar yc(solu¸c˜ao da EDO homogˆenea).

2. Encontrar qualquer solu¸c˜ao particular yp da equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea.

A solu´c˜ao geral para uma equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea em I ´e ent˜ao y = yc+ yp

Tomando a equa¸c˜ao n˜ao homogˆenea da forma ay00 + by0 + cy = g(x), em que a, b e c s˜ao constantes. Embora o m´etodo dos coeficientes indeterminados n˜ao se limitar a equa¸c˜oes de segunda ordem, ele se limita a equa¸c˜oes lineares n˜ao-homogˆeneas que tˆem coeficientes constantes e em que g(x) ´e uma constante k, uma fun¸c˜ao polinomial, fun¸c˜ao exponencial eαx, sin βx, cos βx, ou somas e produtos dessas fun¸c˜oes.

Ou seja, g(x) ´e uma combina¸c˜ao linear de fun¸c˜oes do tipo:

k (constante), xn, xneαx, xneαxcos βx e xneαxsin βx (3.29) em que n ´e um inteiro n˜ao negativo e α e β s˜ao n´umeros reais.

3.7.1 Exemplos 1. Resolva d 2y dx2 + 4 dy dx− 2y = 2x 2− 3x + 6. (Obs.: fa¸ca: y p = Ax2+ Bx + C)

2. Encontre uma solu¸c˜ao particular para y00− y0 + y = 2 sin 3x.(Obs.: fa¸ca: yp = A cos 3x + B sin 3x)

3. Resolva y00− 2y0− 3y = 4x − 5 + 6xe2x.(Obs.: fa¸ca: yp = Ax + B + Cxe2x+ De2x)

4. Encontre uma solu¸c˜ao particular para y00− y0 + 4y = 8ex. (Obs.: fa¸ca, primeiramente, yp = Aex e

depois yp = Axex)

5. Determine a forma de uma solu¸c˜ao particular para:

(a) y00− 8y0 + 25y = 5x3e−x− 7e−x (Obs.: yp= (Ax3+ Bx2+ Cx + D)e−x)

(b) y00+ 4y = x cos(x) (Obs.: (Ax + B) cos x + (Cx + D) sin x) (c) y00− 9y0 + 14y = 3x2− 5 sin 2x + 7xe6x

6. Resolva o problema de valor inicial    y00+ y = 4x + 10 sin x y(π) = 0 y0(π) = 2 .

3.7.2 Equa¸c˜oes de ordem superior

O M´etodo dos coeficientes indeterminados dado aqui n˜ao ´e restrito a equa¸c˜oes de segunda ordem, pode tamb´em ser usado com equa¸c˜oes de ordem superior:

any(n)+ an−1y(n−1)+ . . . + a1y

0

+ a0y = g(x) (3.30)

com coeficientes constantes. S´o ´e necess´ario que g(x) consista nos tipos pr´oprios de fun¸c˜oes discutidas anteriormente.

(21)

CAP´ITULO 3. EQUA ¸C ˜OES LINEARES DE SEGUNDA ORDEM 18

3.7.3 Exemplos

1. Resolva y000+ y00 = excos x.(Obs.: Ache a solu¸c˜ao da homogˆenea e depois busque a solu¸c˜ao particular na forma yp = Aexcos x + Bexsin x)

3.7.4 Exerc´ıcios

1. Livro texto [1], p´agina 193 e 194, exer´ıcios de 1 a 40.

3.8

etodo da varia¸

ao dos parˆ

ametros

A grande vantagem do m´etodo da varia¸c˜ao dos parˆametros ´e a sua aplicabilidade. Em princ´ıpio, ele pode ser utilizado em qualquer equa¸c˜ao, e n˜ao exige nenhum conhecimento pr´evio sobre a forma da solu¸c˜ao. A id´eia b´asica deste m´etodo consiste em substituir as constantes (ou parˆametros) C1 e C2 que aparecem na solu¸c˜ao

geral da equa¸c˜ao diferencial ordin´aria homogˆenea associada, por fun¸c˜oes u(x) e v(x), respectivamente, e determinar estas fun¸c˜oes de modo a garantir que a express˜ao

yp(x) = u(x)y1(x) + vxy2(x) (3.31)

seja solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial n˜ao-homogˆenea, sendo y1(x) e y2(x) as duas solu¸c˜oes linearmente

inde-pendentes da respectiva equa¸c˜ao homogˆenea. Introduzindo yp, como acima, na equa¸c˜ao

d2y

dx2 + p(x)

dy

dx+ q(x)y = f (x), para x ∈ I ⊂ IR (3.32) Como yp(x) = uy1+ vy2 temos que y

0 p(x) = u 0 y1+ uy 0 1+ v 0 y2+ vy 0 2 impondo a condi¸c˜ao u0y1+ v 0 y2 = 0 (3.33) obtemos: yp0 = uy10 + vy20 (3.34) da´ı segue que:

y00p = u0y10 + uy100+ v0y02+ vy002 (3.35) Substituindo na equa¸c˜ao (3.32) obtemos:

u0y10 + uy001 + v0y02+ vy200+ puy10 + vy02+ q (uy1+ vy2) = f (x) (3.36)

Rearrajando:

uy001 + puy01+ quy1

| {z }

=0,y1 ´e solu¸c˜ao da EDO homogˆena

+ vy200+ pvy02+ qvy2

| {z }

=0,y2 ´e solu¸c˜ao da EDO homogˆena

+u0y01+ +v0y02= f (x) (3.37)

Logo:

u0y01+ +v0y02= f (x) (3.38) Portanto se observarmos, com a condi¸c˜ao (3.33) e a equa¸c˜ao (3.38) temos um sistema linear nas vari´aveis u0 e v0:  u0y1+ v 0 y2 = 0 u0y01+ +v0y20 = f (x) (3.39) Resolvendo esse sistema pela Regra de Crammer obtemos:

u0 = 0 y2 f (x) y20 y1 y2 y01 y20 (3.40)

(22)

CAP´ITULO 3. EQUA ¸C ˜OES LINEARES DE SEGUNDA ORDEM 19 e v0 = y1 0 y10 f (x) y1 y2 y10 y02 (3.41) Observe que y1 y2 y10 y20

´e o Wronskiano portanto poderemos escrever

u0 = −y2f (x) W (3.42) e v0 = y1f (x) W (3.43) Integrando: u = − Z y2f (x) W dx (3.44) e v = Z y 1f (x) W dx (3.45)

Portanto segue que a solu¸c˜ao particular ´e dada por: yp = −y1(x) Z y 2(x)f (x) W dx + y2(x) Z y 1(x)f (x) W dx (3.46) 3.8.1 Exemplos

1. Resolva a EDO y00− 4y0 + 4y = (x + 1)e2x.

3.8.2 Exerc´ıcios

(23)

Referˆ

encias Bibliogr´

aficas

[1] ZILL, Dennis G., CULLEN, Michael R. Equa¸c˜oes Diferenciais, Volume 1; 3a edi¸c˜ao (2001) ed. Pearson Makron Books. (S˜ao Paulo)

[2] BOYCE, William E., DIPRIMA, Richard C. Equa¸c˜oes Diferenciais Elementares e Problemas de Valores de Contorno; 8a edi¸c˜ao (2006) ed. Livros T´ecnicos e Cient´ıficos Editora S.A. (Rio de Janeiro)

[3] OLIVEIRA, Edmundo Capelas, TYGEL, Martin. M´etodos Matem´aticos para Engenharia; 1a edi¸c˜ao (2005) ed. Sociedade Brasileira de Matem´atica. (Rio de Janeiro).

[4] WINPLOT. vers˜ao 27 de maio de 2009: Richard Parris, Phillips Exeter Academy, 2009. 1. http://math.exeter.edu/rparris/

Referências

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