• Nenhum resultado encontrado

Rev. bras. polít. int. vol.49 número1

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Rev. bras. polít. int. vol.49 número1"

Copied!
2
0
0

Texto

(1)

225

R

EVISTA

B

RASILEIRA

DE

P

OLÍTICA

I

NTERNACIONAL

RESENHAS

Dicionário de Relações Internacionais

*

RICARDO DOS SANTOS POLETTO**

Um dicionário temático consiste em uma seleção de termos de uma dada ciência ou área de estudos com a finalidade de oferecer um referencial de conceitos reputados como instrumentais. Ainda que não sejam consideradas uma ciência, as Relações Internacionais é um campo de estudos em franca expansão, de forma que não faria mais sentido reservar a elas modestas linhas estancadas em grandes volumes de Ciências Sociais ou Ciência Política. Considerados o instrumental teórico particular e a constituição de núcleos semânticos assimilados por sua literatura, as RI alcançaram um grau de maturidade que lhes permitiram requerer um ambiente específico de domínio léxico. O Dicionário de Relações Internacionais vem, portanto, responder a uma

demanda decorrente do crescente interesse profissional e intelectual por temas com implicações globais. É nesse quadro que se insere a oportuna obra de Guilherme Silva e William Gonçalves.

No prefácio da obra, os autores explicitam algumas noções prévias, dentre as quais destaca-se a idéia de que os conceitos capturam contextos sociais e, logo, são sujeitos à dinâmica do ambiente político e sócio-cultural. Ao partir da lógica de que conceitos apresentados estão longe de serem absolutos, os autores se defrontam com o desafio de lidar com polissemias, resultado de orientações variadas e circunstancialidades temporais, cujos exemplos clássicos são os vocábulos “desenvolvimento” e “segurança”. Da mesma maneira, os autores não se furtam ao movediço terreno de termos como “globalização” e “terrorismo”. O corpo do dicionário é constituído por cerca de oitenta verbetes. A seleção contempla com justiça e eficiência o grosso das Relações Internacionais. Entretanto, em função de sua opção pela acessibilidade, não há espaço aos debates teóricos e conceituais mais profundos. Há uma tendência clara no sentido de apresentar uma terminologia prática para as questões contemporâneas, o que, em alguma medida, ocorreu em detrimento de um resgate histórico mais completo; Alca, Consenso de Washington e Grupo de Cairns ocuparam

R

ESENHA

* Resenha de SILVA, Guilherme A.; GONÇALVES, Williams. Dicionário de Relações Internacionais.

Barueri, SP: Manole, 2005. ISBN 85-204-1945-3

(2)

226

RESENHAS

espaço nessa esteira, ao passo que a Santa Aliança (1815) foi o mais longe na História que o dicionário optou por abarcar. Muitos leitores sentirão a falta de um verbete próprio para a Paz de Westfália (1648) que, muito embora seja citada no verbete “Diplomacia”, teve sua importância conceitual reduzida. As ausências da Escola Inglesa, Governança, Cooperação Internacional e do Behavioralismo, embora tangenciados, são também significativas. De forma geral, contudo, há um balanceamento nos termos do dicionário que conferem equilíbrio à obra, passando dos insumos básicos (Estado, Anarquia, Poder, Hegemonia, Diplomacia) aos constructos teóricos fundamentais (Idealismo, Realismo, Construtivismo, Regimes, Teoria dos Jogos). A inclusão do verbete Armas de Destruição em Massa (ADM), incorporado em definitivo ao vocabulário dos noticiários internacionais, representa bem o esforço pragmático dos autores, atentos aos debates atuais, voltados para um público leitor quase que irrestrito.

Os textos que acompanham os verbetes são, via de regra, diretos e, como convém a um dicionário, eficientes na transmissão das idéias. Quando exigidos, datas, eventos, autores e exemplificações são escalados para inteirar os significados em perspectiva. Vale notar também o elogiável esforço de relacionamento dos verbetes nos textos analíticos, compondo um quadro de conexões terminológicas que favorece a percepção de que, de fato, existe um instrumental próprio para a reflexão integrada das RI.

Em linhas gerais, a contribuição do Dicionário de Relações Internacionais

Referências

Documentos relacionados

Ao longo do livro, o autor disserta, entre outros, sobre os seguintes assuntos: a formação e consolidação do direito internacional dos direitos humanos; as Conferências Mundiais

que se abre para a França com a liberação, em 1944, com o qual a nação aprende, sob a ótica de De Gaulle – líder da França Livre desde 1940, Chefe de Governo entre 1944 e 1946

Algo se fez nos últimos anos no sentido de avançar os estudos dos entes federativos e suas participações na formação dos interesses e valores externos do Estado nacional, conforme

Aos interessados em conhecer não só o processo de construção do Mercosul, mas também a história e os principais desafios atuais encontrados em vários processos de

O tema dos indivíduos e grupos em suas interações nacionais e transnacionais, dessa maneira, pode ser encontrado no polêmico e interessante trabalho de Héctor Ricardo Leis, sobre

Portanto, questões, como a do posicionamento do Estado perante a sociedade, a fim de induzir o desenvolvimento de modo menos irregular socialmente; do papel da cultura nacional

sorprende que el 7 de diciembre de 1824, Bolívar apelara a las provisiones de estos tratados para convocar como Presidente del Perú, a los Gobiernos de Colombia, México,

tem progressivamente voltado à interpretação tradicional sobre a origem da Guerra Fria, por vezes tendo um radicalismo muito maior na responsabilização de Stalin do que

1 ve znění účinném od 1.8.1998: „Společné jmění manželů tvoří a majetek nabytý některým z manželů nebo jimi oběma společně za trvání manželství, s výjimkou majetku získaného

Do budoucna by případná hlubší integrace měla být reflektovat specifické potřeby ASEAN, pokud jde o účel regionální politiky hospodářské soutěže, podobným způsobem, jako domácí zákony o