AUTISMO NO ENSINO REGULAR
MACHADO, Valdiceia Leal1 PARAGUASSU, Magali2
SOARES, Priscila Angelo3 SOUZA, Stéphany Silva4
INTRODUÇÃO
O estudo desse tema terá por objetivo verificar os efeitos da inclusão e integração em escolas regulares sobre crianças com autismo.
Nosso objetivo com esse trabalho é apresentar um estudo em torno da problematização que ocorre no ensino regular envolvendo a integração e/ou inclusão do aluno autista. Para isso iremos apresentar os conceitos de inclusão e integração, caracterizar o aluno autista no ensino regular e investigar se fato ocorre a inclusão com base nas informações obtidas através de estudos empíricos envolvendo este aludido conteúdo.
Através do estágio supervisionado, experiência prática, nas escolas, foi possível identificar que, muito embora os alunos autistas fossem matriculados, nem sempre eram incluídos no ensino regular. Por isso, temos como problemática de pesquisa a reavaliação da inclusão e/ou integração do aluno autista no ensino regular.
A presente pesquisa é interessante e necessária para a comunidade escolar, e principalmente, para os pais e sociedade em geral. Haja vista que envolve todo esse grupo na aplicabilidade, prática, da inclusão do aluno autista no ensino regular.
Através desta respectiva avaliação podemos identificar meios melhores para trabalhar com o aluno autista, bem como a sua inclusão de forma integra na sociedade.
Para esse estudo utilizaremos algumas referências,tais como: Eugênio Cunha, que fala sobre um jeito diferente de ensinar o aluno autista de forma mais afetuosa e amorosa; Amélia Hamze, que versa sobre o planejamento escolar no contexto de políticas públicas, buscando um modo diferente de ensinar, tal como a linguagem por meio de recursos audiovisuais, e a lei nº. 12.764/2012 que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.
Nossa pesquisa poderá contribuir sobremaneira para a coletividade, tendo em conta que envolve uma discussão acerca da inclusão social, que não se restringe apenas o ambiente escolar.
MATERIAL E MÉTODOS
Para a realização do presente estudo, adotar-se- á o método de pesquisa instrumental teórica. A pesquisa bibliográfica terá como foco temas que envolvem a discussão sobre a inclusão/integração do aluno autista no ensino regular. Para tanto, será realizada a coleta de instrumentos textuais como: livros, dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos científicos, reportagens, do tema central ora estudado. Após o levantamento bibliográfico e a análise de documentos serão realizadas leituras e fichamentos para o estudo das questões pertinentes ao tema exposto.
DESENVOLVIMENTO
Esta pesquisa visa apresentar o autismo no ensino regular, versar sobre a sua inclusão ou integração, demonstrar se de fato ocorre a inclusão ou integração do aluno autista matriculado no ensino regular.
Esta temática surgiu através de nosso cotidiano, vivido por meio do estágio prático, onde observamos que a inclusão/integração nem sempre era realizada.
Deste modo, buscando fundamentar esta discussão, apresentamos abaixo uma revisão de literatura abordando os principais tópicos e autores para a construção desta pesquisa. Lago (2007) explica que é dever do Estado garantir que todas as crianças em idade escolar tenham acesso e permanência no ambiente escolar.
Assim como, também é um dever do Estado providenciar atendimento educacional especializado e gratuito para as crianças com de necessidades especiais, tal como podemos observar a Constituição Federa (1988), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990).
Lago (2007) explica que toda legislação brasileira educacional está de acordo com as Conferências Mundiais, tal como a Conferência mundial sobre a educação para todos que ocorreu em 1990 na Tailância, a Conferência mundial de educação especial que ocorreu em 1994 da Espanha, e a Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadores de deficiência que ocorreu em 1999 na Guatemala.
Lago (2007), expõe que essas convenção visam que todas crianças sejam incluídas nas escolas, independentemente de suas condições (físicas, intelectuais, emocionais, sociais e etc.).
De acordo com a Resolução CNE/CEB Nº 2, de 11 de setembro de 2001, que institui diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica, os alunos com necessidades educacionais especiais são aqueles que durante o processo educacional apresentarem:
Art. 5º Consideram-se educandos com necessidades educacionais especiais os que, durante o processo educacional, apresentarem:
I - dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares, compreendidas em dois grupos:
a) aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica;
b) aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências;
II – dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos, demandando a utilização de linguagens e códigos aplicáveis;
III - altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes.
No que se refere ao aluno autista, em discussão histórica, Gauderer (1993) explica que o termo foi utilizado pela primeira vez no ano de 1906, por Plouller, que fazia um estudo com os pacientes com esquizofrenia. Entretanto, o autismo foi definido, de maneira mais adequada, a partir de 1943, por meio dos estuados de Kanner. Pois, até essa data o autismo era visto como esquizofrenia.
Para a Lei que institui a política nacional de proteção dos direitos da pessoa com transtorno espectro autista (lei nº. 12.764/2012), a pessoa autista possui as seguintes características:
Art. 1o Esta Lei institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e estabelece diretrizes para sua consecução.
§ 1o Para os efeitos desta Lei, é considerada pessoa com transtorno do espectro autista aquela portadora de síndrome clínica caracterizada na forma dos seguintes incisos I ou II:
I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento;
I - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns;
excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos.
Ainda, a Lei nº. 12.764/2012 veio para apresentar diretrizes visando a proteção da pessoa autista, estando eles elencados no seu artigo segundo, que segue abaixo:
Art. 2o São diretrizes da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista:
I - a intersetorialidade no desenvolvimento das ações e das políticas e no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista;
II - a participação da comunidade na formulação de políticas públicas voltadas para as pessoas com transtorno do espectro autista e o controle social da sua implantação, acompanhamento e avaliação;
III - a atenção integral às necessidades de saúde da pessoa com transtorno do espectro autista, objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento multiprofissional e o acesso a medicamentos e nutrientes;
IV - (VETADO);
V - o estímulo à inserção da pessoa com transtorno do espectro autista no mercado de trabalho, observadas as peculiaridades da deficiência e as disposições da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente);
VI - a responsabilidade do poder público quanto à informação pública relativa ao transtorno e suas implicações;
VII - o incentivo à formação e à capacitação de profissionais especializados no atendimento à pessoa com transtorno do espectro autista, bem como a pais e responsáveis;
Entretanto, Lago (2007), explica que apenas a legislação, em si, não é suficiente para amparar o aluno autista que garantir que as escolas desenvolvam uma rotina que não seja excludente.
Mantoan (1997) entende que a inclusão deve trazer uma mudança escolar, beneficiando a todos os envolvidos no meio acadêmico: professores, alunos, equipe administrativa, familiares e etc.
Para Fávero et. a. (2004), a inclusão é um desafio a ser enfrentado pela escola comum, visando a garantia futura da educação em sua plenitude a todos os alunos autistas.
Por isso, Praça (2011) explica que a escola deve adequar-se para receber todo o tipo de aluno, seja ele deficiente ou não.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreendemos que para acontecer realmente a inclusão e a integração do autista, o processo de ensino aprendizagem no Ensino Regular, deve ocorrer de forma significativa. E para que isso aconteça este processo tem que está ligado diretamente ao aprimoramento do trabalho do professor, de forma que haja apoio entre discentes, docentes, gestores escolares e principalmente da família para que a inclusão e a integração no Ensino Regular seja efetiva e de qualidade.
REFERÊNCIAS
BRASIL. LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069Compilado.htm>. Acesso em:
04.05.2016.
BRASIL. RESOLUÇÃO CNE/CEB Nº 2, DE 11 DE SETEMBRO DE 2001.
BRASIL. LEI Nº 12.764, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012.Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3o do art. 98 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm>. Acesso em: 04.05.216.
BRASIL. LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.Estabelece as diretrizes e
bases da educação nacional. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>. Acesso em: 04.05.2016.
FÁVERO, Eugenia; PANTOJA, Luiza; MANTOAN, M. Tereza. O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular. Brasilia:
Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, 2004.
GAUDERER, E. Christian. Autismo. [S.I]: Atheneu, 1993.
Institui Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica.
Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf>. Acesso em:
04.05.2016.
LAGO, Mara. AUTISMO NA ESCOLA: AÇÃO E REFLEXÃO DO PROFESSOR.
MANTOAN, Maria T. E. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer?. São Paulo: Moderna, 2006.
PRAÇA, Élida Tamara Prata de Oliveira. UMA REFLEXÃO ACERCA DA INCLUSÃO DE ALUNO AUTISTA NO ENSINO REGULAR. Universidade Federal de Juiz de Fora.
Instituto de ciências exatas. Pós-Graduação em Educação Matemática. Mestrado Profissional em Educação Matemática. Juiz de Fora/MG, 2011.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de educação. Programa de pós-graduação em educação. Mestrado em educação. Porto Alegre, 2007.