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Superior Tribunal de Justiça

CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 137.961 - ES (2014/0344960-0)

RELATORA : MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES

SUSCITANTE : JUÍZO FEDERAL DA 1A VARA DE SERRA - SJ/ES SUSCITADO : JUIZO FEDERAL DE TEIXEIRA DE FREITAS - SJ/BA

INTERES. : CONSELHO REGIONAL DOS REPRESENTANTES

COMERCIAIS DA BAHIA CORE/BA

ADVOGADO : ÁLVARO RODRIGUES TEIXEIRA JUNIOR

INTERES. : VINICIUS VERMEULEN STAUFFER DE FREITAS DECISÃO

Trata-se de Conflito de Competência, instaurado entre o Juízo Federal da 1ª Vara de Serra - SJ/ES, ora suscitante, e o Juízo Federal de Teixeira de Freitas - SJ/BA, ora suscitado.

Na Execução Fiscal de origem, ajuizada pelo Conselho Regional dos Representantes Comerciais da Bahia - CORE/BA, ora primeiro interessado, contra Vinicius Vermeulen Stauffer de Freitas, ora segundo interessado, tendo em vista a certidão de fl. 30 dos autos originários, correspondente a fl. 13 deste Conflito, certidão através da qual o Oficial de Justiça havia atestado a devolução do mandado de citação, sem cumprimento, por ter o executado mudado seu endereço residencial da cidade de Teixeira de Freitas/BA para a cidade de Serra/ES, o Juízo Federal de Teixeira de Freitas - SJ/BA, ora suscitado, declarou-se incompetente para processar e julgar o feito executivo e declinou da competência para o Juízo Federal de Serra - SJ/ES.

Por sua vez, o Juízo Federal da 1ª Vara de Serra - SJ/ES suscitou o presente Conflito de Competência, por considerar incidentes, na espécie, as Súmulas 33 e 58 do STJ.

O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento do Conflito, para declarar a competência do Juízo Federal de Teixeira de Freitas - SJ/BA, ora suscitado.

Assiste razão ao Juízo suscitante.

Nos termos do artigo 578, caput e parágrafo único, do Código de Processo Civil, a competência para processar e julgar a Execução Fiscal será do domicílio do devedor, podendo a Fazenda Pública ajuizar a Execução no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, embora nele não mais resida o executado:

"Art. 578. A execução fiscal (art. 585, VI) será proposta no foro do domicílio do réu; se não o tiver, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado.

Parágrafo único. Na execução fiscal, a Fazenda Pública poderá escolher o foro de qualquer um dos devedores, quando houver mais de um, ou o foro de qualquer dos domicílios do réu; a ação poderá

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ainda ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, embora nele não mais resida o réu, ou, ainda, no foro da situação dos bens, quando a dívida deles se originar."

Com efeito, a Fazenda Pública pode optar por propor a Execução Fiscal no foro do lugar em que se praticou o ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, mesmo que nele não mais resida o executado.

Cumpre destacar que, no caso concreto, sequer houve citação do executado, de modo que não há provas, nos autos, de que a informação prestada ao Oficial de Justiça, no sentido de que o executado atualmente reside no Município de Serra-ES, seja verídica.

Ademais, a competência, em sede de Execução Fiscal, é fixada no momento da propositura da ação, sendo irrelevantes as alterações posteriores de fato ou de direito, e menos ainda aquelas referentes à mudança de domicílio do executado, observando-se, assim, o quanto disposto no artigo 87 do CPC, porquanto inexistente qualquer regra específica de fixação de competência na Lei 6.830/80.

Esta é a ratio essendi da Súmula 58 do STJ, segundo a qual, "proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada".

Por outro lado, a territorialidade é um critério relativo de fixação de competência, de modo que a ausência desta não pode ser declarada de ofício. Tal conclusão se faz latente pelo fato de que a territorialidade é uma característica da jurisdição que pode ser relativizada pela vontade das partes e, também, pelo fato de que, no presente caso, apenas a territorialidade é levada em consideração para a fixação da competência do juízo, não incidindo nenhum outro motivo relativo à matéria ou à hierarquia que se possa considerar para efeito de competência.

Correta é a afirmação de que a Execução Fiscal deve tramitar no foro do domicilio do executado. Mas isso não impede que as partes escolham o foro em que a ação deva tramitar, seja por meio de cláusula contratual, seja pela não propositura da respectiva exceção no momento adequado, por parte do réu. Nesses termos, uma vez que a territorialidade é um critério relativo de fixação de competência, a ausência desta não pode ser declarada de oficio. Assim procedendo, o Juízo da Vara Federal de Teixeira de Freitas feriu orientação contida na Súmula 33 do STJ ("A incompetência relativa não pode ser declarada de oficio").

Nesse sentido:

"CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. DOMICÍLIO DO DEVEDOR. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. INCOMPETÊNCIA RELATIVA NÃO PODE SER DECLARADA DE OFICIO. SÚMULA 33/STJ. AUSÊNCIA DE EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. SÚMULA 58/STJ.

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1. O foro competente para o ajuizamento da execução fiscal será o domicílio do réu, consoante a disposição contida no artigo 578, caput, do Código de Processo Civil. Por se tratar de competência relativa, a competência territorial não pode ser declarada ex officio pelo Juízo.

Esse entendimento se consolidou com a Súmula 33 do Superior tribunal de Justiça, in verbis: 'A incompetência relativa não pode ser declarada de oficio'.

2. Na hipótese de execução fiscal proposta fora do domicílio do devedor, compete exclusivamente ao executado se valer da exceção de incompetência, para afastar a competência de Juízo relativamente incompetente.

3. Ademais, a posterior mudança de domicílio do executado não influi para fins de alteração de competência, conforme teor da Súmula 58 do Superior Tribunal de Justiça, in verbis: 'Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de domicilio do executado não desloca a competência já fixada'.

4. Conflito de competência conhecido para declarar a competência do Juízo Federal de Sinop - SJ/MT, o suscitado" (STJ, CC 101.222/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 23/03/2009).

Ante o exposto, com fundamento no art. 120, parágrafo único, do CPC, conheço do Conflito, para declarar a competência do Juízo Federal de Teixeira de Freitas - SJ/BA, ora suscitado.

I.

Brasília (DF), 07 de abril de 2015.

MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES Relatora

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