D E B A T E
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N A P R O D U Ç Ã O
U L A Ç Ã O D O C O N H E C IM E N T O
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N IV E R S I D A D E
O zir T e s s e rponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1<..1de de aprofundam ento do saber é inseparável
11 1i tlca de exam inar a realidade em seus vários as-II op ração analítica que faz parte da história das I I 111 • ntrlbuído para o avanço do conhecim ento e da
II
I .'I"
I nto tam bém inegável que a divisão das diferentes111 IIIlIh cim ento. e a divisão em m últiplos aspectos da
'''1I11'''!!8I
I. l
m , freqüentem ente. trazido distorções econdu-1111
I 1111 vanço da ciência e da tecnologia, propiciado no tttlllli!1O!lllId l rno pela prática dos m étodos analíticos e divisão
It
I m sido responsável, quando dissociado dane-I v de global idade, pela deterioração ou perda de
•••••••••.••• m p rtantes da realidade. U m a visão m ais global da
KJIHGFEDCBA
"_ ".,,, ., w » »11 dI natureza teria, por exem plo. respeitado o
equllí-11111
,I
vitando um a industrialização ou um aexplora-I " IIrln do planeta.
qu vêm estas reflexões? E las estão servindo com o
I.O IlV rsa sobre o papel fundam ental da
interdiscipli-ti
110 diversos C ursos da U niversidade.I 111111 11I guisa de introdução quero citar um a passagem
II
po M arx e E ngels do m anuscrito da obra Id e o lo g ia'111
figura atualm ente no rodapé das diferentes edl-'1" senta com o um a luva na introdução de nossotem a. E is o trecho: "C onhecem os apenas um a ciência, a cien-cia da história. A história pode ser exam inada sob dois aspec-tos. P ode ser dividida em história da natureza e história dos hom ens. O s dois aspectos, entretanto, são inseparáveis; en-quanto existirem os hom ens, sua história e a da natureza se condicionarão reciprocam ente".
A s ciências da natureza não são separadas das ciências do hom em . A s relações entre os hom ens são m ediadas principal-m ente pelo trabalho, atividade que busca dom inar e transform ar a natureza a serviço do hom em , em bora na sua form a alienada produza exatam ente o oposto.
E sta relação íntim a do hom em com a natureza vem o-Ia ain-da expressa, com m uita propriedade, nos m anuscritos de M arx de 1844, dos quais extraio a seguinte passagem : ... o hom em (tal com o o anim al) vive da natureza inorgânica, e quanto m ais universal o hom em é do que o anim al, tanto m ais universal é o âm bito da natureza inorgânica da qual vive. A ssim com o plan-tas, anim ais, pedras, ar, luz, etc., form am teoricam ente um a parte da consciência hum ana, em parte com o objetos da C iên-cia N atural e em parte com o objetos de arte - a sua natureza inorgânica espiritual, m eios de vida espirituais que ele tem pri-m eiro que preparar para a fruição e a digestão -, assim tam -bém form am praticam ente um a parte da vida hum ana e da ati-V idade hum ana. Fisicam ente o hom em vive só destes produtos da natureza, quer apareçam na form a de alim ento, calefação, vestuário, m oradia, etc. N a prática a universalidade do hom em aparece precisam ente na universalidade que faz da natureza in-teira o seu corpo inorgânico, tanto na m edida em que ela é 1) um m eio de vida im ediato, quanto na m edida em que é 2) a m atéria, o objeto e o instrum ento da sua atividade vital. A natureza é o corpo inorgânico do hom em , a saber, a natureza na m edida em que ela m esm a não é corpo hum ano. O hom em
vive da natureza, significa: a natureza
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é
o seu corpo, com o qual tem que perm anecer em constante processo para nãom orrer. Q ue a vida física e intelectual do hom em
está
interli-gada com a natureza não tem outro sentido senão que::I
natu-reza está interligada consigo m esm a, pois o hom em
é
lim a parte da natureza". 1A pós estas considerações e citações que servem apenas para dar o m ote ao tem a, m inha exposição será dividida em duas partes: na prim eira, pretende-se fundam entar a crítica
à
l. M arx, K .
KJIHGFEDCBA
M a n u s c rito s de 1844.Paris, E d. Sociales, 1967,p. 62.130 E duc. em D eb. Fart. 23 a 26 0/2) : p. 129-136,jan'/dez.1992/93
frngm entação do saber praticada na universidade é, na segunda p rte, indicar alguns cam inhos que poderão favorecer a busca da interdisciplinaridade na universidade. N ão pretendo aqui, em razão da brevidade do tem po dedicado ao painelista, desenvol-ver aspectos relativos
à
organização disciplinar dos estudos, eu significado original e sua deform ação. A história das dis-ciplinas escolares aparece cada vez m ais com o um cam po de pesquisa interessante, sobretudo no que concerne ao desvela-m ento das razões que levam a que tal e qual disciplina fique no currículo, em detrim ento de outras tantas que sob certos pontos de vista aparecem com o m ais sólidas e, sobretudo, fun-dam entais. A lguns destes estudos poderão ser lidos na re-vistaCBA
T e o ria e E d u c a ç ã o , n.O2, 1990, da E ditora P annônica, P orto A legre, o que m e dispensa aqui com entá-Ios. 2Q uanto ao prim eiro ponto, sobre a crítica da fragm entação do saber na universidade, parto da afirm ação de que a frag-m entação é um a prática decorrente de um a necessidade
polt-tica e ideológica do m odo de produção capitalista. A tarefa ideológica da escola no m odo de produção é, em parte, cum -prida através da dispersão dos ensinam entos. E um a de suas funções básicas consiste na ocultação das contradições. C om o se opera esta ocultação? E la tem vários aspectos que cum pre explicitar (desvendar).
1. A fragm entação do saber expressa na m ultiplicidade de disciplinas isoladas um as das outras, a pretexto de possibilitar o aprofundam ento em áreas específicas, tende a dar um a visão parcial da realidade e sobretudo a cam uflar os problem as cuja com preensão e solução se encontram nas interfaces das áreas ou especialidades. E sta prim eira observação visa afirm ar que a visão de totalidade é necessária para estim ular e fundam en-tar a consciência crítica, que é um a das tarefas fundam entais da universidade.
A lgum as correntes filosóficas afirm am a irredutibilidade de m uitas áreas do conhecim ento. A firm am a autonom ia recí-proca da arte, da religião, da ciência, sua independência face
à
prática eà
vida social. E sta visão foi form uladafllosofica-2. V er no núm ero da revista os seguintes artigos, todos acom panhdos de am pla bibliografia: G O O D SO N , Ivor. "T ornando-se um a m a-téria acadêm ica: padrões de explicação e evolução". C H E R V E L , A ndré. "H istória das disciplinas escolares: reflexões sobre um cam po de pesquisa". SA N T O S, L ucíola L icínio C . P. "H istória das disciplinas escolares: perspectivas de análise".
m ente por W . Jam es, C roce etc. e é corrente na universid
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ti
e corresponde
à
visão liberal de ciência.E ntretanto, cada vez m ais esta visão é surpreendida
pl
I contradições na sua prática. D e fato, não passa de um a vi. 11m arcada pelo form alism o lógico-m etafísico e pelo ernplrlsm n, os quais desconhecem as relações e as m ediações entre I
realidades.
E stas observações são de Lefebvre, que continua: "A n lise isola m om entaneam ente as realidades; é neste m om ont I
que corre-se o risco de pensar m etafisicam ente. O plurallsm o disciplinar cai nesta arm adilha. E le retorna ao nível da m tI
física da com preensão, que decifrava o m undo sílaba por s II ba, 'partes extra partes', e que ela m esm a se encontrava 1111
estágio de um a ciência ainda tolerante e sobretudo m ecânic I
A ciência (contem porânea) confirm a o que H egel diz, qu I
ação recíproca é a verdadeira causa
CBA
fin a lis das coisas". 32. A fragm entação do saber esvazia o conteúdo relaclo nal do conhecim ento (teorias) e das práticas, onde se aloja I
dim ensão política da ciência. E svaziada assim das relaçõ entre os vários ram os científicos, a ciência assum e um aspecto clentificista. vazio de valores e vazio de com prom issos outr que a razão instrum ental do m odo de produção capitalista.
É necessário com preender que o sentido das coisas - f nôm enos, realidades, instituições, saberes, etc ... é dado m ul to m ais pelas relações que estabelecem do que por sua iden tidade por assim dizer física, ou m elhor dizendo, coisal. E xpll co-m e: o conceito de relação, por ser um conceito abstrat I
foge freqüentem ente
à
observação, habituados que estam os Ilógica m etafísica ancorada no princípio de identidade, entr . tanto, é nas relações onde se pode desvendar o caráter alien do, ideológico e m istificador das propostas aparentem ent científicas. O real não é apenas a coisa em si m as o conjunt de suas relações. A interdisciplinaridade busca afirm ar est
conceito básico da filosofia dialética que "a substância é o con-junto de relações e a essência, a totalidade das m anifestaçõe e fenôm enos". 4
3. L E FE B V R E , H enri.
KJIHGFEDCBA
L e n in e - c a h ie rs s u r la d ia le c liq u e d e H e g e l. Paris, G allim ard, 1967. p . 38· 39.4. L E FE B V R E , H . e G U T E R M A N , N . Introduction , In: L e n in e -.. . c a h ie rs s u r la d ia le c tiq u e d e H e ç e l . Paris, E d. G allim ard, 1967.
p. 37.
132
E duc. em D eb. Fart. 23 a 26 (1/2) :p. 129-136, jan./dez.1992/93II I[m ntação do saber perm ite a dissociação da
ciên-II .llm nsão social. E ntulham -se os cursos de sabe~es 111
1i
tecnicistas e perdem -se de vista. as g~an. e~.'III~ ",n !ll1 l1I' \I I quê, a serviço de quem . A tese da Interdlsc~pll-II \ I Im si um program a para o hum ano: ou se se quiser 111d hom em e de sociedade. E la e, port?nto. um a
I II voluclonária um a proposta de inconform lsm o com
U IIIIH !It!tI 111 r na univ~rsidade atrelado acriticam ente ao .m odo
!llIu \I pltalista. O s cursos se esm eram em velc~lar
I I 1\ Irum ental cientificista esvaziado d~s q.u~stoes
I III I un sociedade, inertes, portanto, de hlstoncldade.
II 11m ntação do saber inspira-se ~um a vi,são d~g~~-I II m .1 . A ciência dos fatos. A realidade .e a
ob!etl~l-I 1'111I e da história a subjetivida~e ~ cal-se no m ais
ti 111 t vlsm o ou no m aterialism o clásaíco .
tllI 111Iulsm o é forte. dispõe ~a fo~ça, aquela do pod~r~
dll I
ti
uas instituições. A lem diS S O , tem ~uas van aII
Im ples, e se ensina facilm ente; ele eltd~ ospro-IIIllIpl xos, e este é precisam ente seu sentido e su~
I I us seguidores traz ao m esm o tem po um
senti-I senti-I I ' " 5
ti
"Irm ação vigorosa e de segurança .t
II lam ento disciplinar dos cursos, a parte tom a o I•• 10(\(; torna-se a razão da realidade. A o m ~sm ote',!'-I" lI11pllflca o real. dá ao m estre e ao aluno a im oressec
11111111 11 bre o real. A vantagem da se~ura~ça ~ue traz,
t
li I Incom petência de perceber suas trnpllcações e as111 I I om outras áreas e com o contexto.
m entação do saber fundam enta-~e ,n~m a ~isãO I nela. A prim azia atribuída ao ~nnclP lo ~e Id~~-da tese de que conceito e real.l?ad.e se ídentlft-I
é
a realidade. O estatuto da ctencia com o_cons-apenas no seu aspecto processual m as nao na m ental entre ser e pensar.
" lidou - e a irredutibilidade do ser ao pensar e
crist~li-"11 I n pensam ento científico, que, portanto, pode .se.r
II 111 I, dividido, fragm entado ser:' riscos para a ob!et~~
I I ( ncreto de pensam ento deixa de ser um a apro~1 " 011\ tlv do ser, m as é o ~róprio .se~. O real. ?om ~ sm
-I"
1I1111t1plasdeterm inações e substltuldo pelallxação
doI I I,IIV IU ." H . L e m a té ria lis m e d ia le c tiq u e . Paris, PV F, 1962.p. IV .
~e~~~~S ~~O 'e~~~sso no pen~~m ~nto científico. A partir daí, versidade. nom e de crencia e com o tal im pera na
uni-6. P or fim um a últim a ob
-saberes serve
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à
lógica da disso s.er~açao. A fragm entação dosciaçao
entre a teoria e a prática.m en~~A energia C ria?~ra .se p~olonga e se m anifesta hum ana-ação e ~~ e pela praxrs, Isto e, a atividade total dos hom ens xis é d ,nsam ento,. trabalho m aterial e conhecim ento. A prá: tanto d~P c~~:;~~m ~~:adora:edde c?ntato _com as realidades,
por-e Invpor-ençao, descoberta"
bora P O ssa tam bémA interdisciplinaridade,s tao contráriodld da fragm entaca-o.. . em -espírito, é um a condiç~~ ~~i~~ ~u~ :~~~~ com o ati:,idade do sociação entre conhecim ento e realid d a superaç.ao da ~is-ca, entre ciência e política. I a e, entre teoria e
prati-~~é
e~~~:~E::Ir:~::!~a~~;::~t~;;~~~l~~~~,?::~~~~~
C ríti~:en o ou m esm o na consciência crítica e não na
prática-134
E duc. em D eb. Fort. 23 a 26 (1/2): p. 129-136,jan./dez.1992/93o
prim eiro passo a ser dado para a interdisciplinaridade consiste em favorecer o confronto entre as disciplinas de áreas próxim as de conhecim ento, procurando sintonizar as grandes linhas pedagógicas a serem perseguidas, evitando a superposição inútil e repetitiva de conteúdos e debibliogra-fia. A necessidade do debate coletivo das grandes linhas gno-siológicas deve partir da com preensão de que não é função da Instituição de E nsino dar um a form ação enciclopédica, ou pretensam ente exaustiva da realidade estudada, e, sim , esco-Iher no cabedal inexaurível dos conhecim entos acum ulados, aqueles conhecim entos que m elhor dêem conta da realidade, que m elhor articulem o real, não apenas na sua explicação com -preensiva, m as, sobretudo, na sua capacidade de transform ação (econôm ica, jurídica, política, agrária, pedagógica, etc ... ).
o
segundo passo a ser dado para um a interdisciplinaridade sóiida consiste na criação de espaços pedagógicos em nível de C oordenação de C urso, onde a questão, anteriorm ente evocada, sobre o perfil do profissional que se pretende form ar, seja de-batida coletivam ente e revista freqüentem ente, de tal form a que cada docente possa tê-Ia em vista ao m inistrar sua disci-plina.o
terceiro passo a ser perseguido num a coerente vrsao de interdisciplinaridade, consiste em se fixar um a política uni-versitária que prestigie o aspecto de global idade dos conhe-cim entos a que o próprio nom e de universidade se refere.o
trato desta questão im plica disposições que vão desde a definição dos program as de concurso de adm issão dos do-centes até a criação de m ecanism os ou eventos coletivos de discussão do serviço que a universidade presta às diferentes áreas da conturbada e angustiante realidade social a que ela pretende servir, passando necessariam ente pela m odificação das estruturas curriculares, freqüentem ente por dem ais presas a pressupostos filosóficos de um tecnicism o estreito, que, em-bora eficaz, m ais refletem a política pedagógica de. um colégio de segundo grau profissionalizante, do que a vocação de um a universidade.
E stão aí algum as idéias que poderão ser am pliadas e cor-rigidas para um debate sobre a necessidade da interdisciplina-ridade na universidade.
S O B R E IN T E R D IS C IP L lN A R ID A D E
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C E N T R E PO U R L A R E C H E R C H E E T L 'IN N O V A T IO N D A N S L '
ponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
NSE IG N E M E N T - (1972),
KJIHGFEDCBA
L 'in te rd is c ip lin a rité - p ro b le m e s el'.1/s e ig n e m e n t e t de re c h e rc h e d a n s le s u n iv e rs ité s . França, O rgui sation de C oopération et de D éveloppem ent E conom ique (O C D
':l
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