DIREITO PROCESSUAL DO
TRABALHO
Gratuidade da Justiça
O acesso à justiça deve ser pautado e tem seu respaldo garantido na Constituição da República de 1988, ao qual em seu artigo 5º, inciso LXXIV, cita que o Estado prestará assistência jurídica aqueles que comprovem insuficiência de recursos. E também no inciso XXXV do mesmo artigo lê-se que a lei não afastará do Poder Judiciário o julgamento a lesão ou ameaça a direito.
Alexandre de Moraes faz uma importante observação sobre a assistência jurídica, ao qual salienta que:
Importante, igualmente, salientar que o Poder Judiciário, desde que haja plausibilidade da ameaça ao direito, é obrigado a efetivar o pedido de prestação judicial requerido pela parte de forma regular, pois a indeclinabilidade da prestação judicial é princípio básico que rege a jurisdição, uma vez que toda violação de um direito responde uma ação correlativa, independentemente de lei especial que a outorgue. (MORAES, 2003, p. 836)
Não há como excluir da apreciação do Judiciário qualquer lesão ou ameaça de direito, o que quer dizer que o pedido de gratuidade da justiça não pode ser óbice contra a parte que o pleiteia, pois, cabe ao Poder Judiciário que se manifeste de forma jurisdicional, ao qual não pode colocar empecilho indeferindo sumariamente pedido de gratuidade quando a parte alega que não pode arcar com as custas processuais.
O pedido da gratuidade da justiça está corroborado no princípio constitucional da inafastabilidade do controle jurisdicional, ao qual encontra-se inscrito no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição da República.
As restrições do acesso à justiça encontram um obstáculo no princípio da inafastabilidade, e no que concerne no pedido de gratuidade da justiça, é simplesmente necessário a simples assertiva das partes no sentido de não poder prover as custas processuais sem que cause prejuízo ao sustento próprio ou de sua família para a concessão do benefício.
Art. 5º CF - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade ...
XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; (o Estado deve estar a disposição daquele que sentir que seu direito foi violado, para solucionar conflito, sendo livre acesso ao Poder Judiciário a
população.)
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; (concedidos o benefício, nenhum ônus deve ser imposto ao beneficiário sob pena desse inciso).
Parece adequado sustentar a inconstitucionalidade do dispositivo com fundamento no artigo 5º, LXXIV e XXXIV da Constituição. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido de que o direito à assistência jurídica integral e gratuita, alcança também o direito à gratuidade de Justiça. Se a atividade probatória representa um empobrecimento da parte, nada mais óbvio do que também compreender que a ampla defesa e o devido processo legal restam vulnerados.
OBS: livre acesso a justiça para todos que sejam hipossuficientes, direito a garantia de assistência judiciária integral gratuita. A justiça deve estar ao alcance de todos, ricos e poderosos, pobres e desprotegidos.
ANTES DA REFORMA.
Art. 790 - Nas Varas do Trabalho, nos Juízos de Direito, nos Tribunais e no Tribunal Superior do Trabalho, a forma de pagamento das custas e
emolumentos obedecerá às instruções que serão expedidas pelo Tribunal Superior do Trabalho.
§ 3º É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou inferior ao dobro do mínimo
legal, ou declararem, sob as penas da lei, que não estão em condições
de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família.
REFORMA TRABALHISTA LEI Lei n. 13.467/2017
§ 3º É facultado aos juízes, órgãos julgadores e presidentes dos tribunais do trabalho de qualquer instância conceder, a requerimento ou de ofício, o benefício da justiça gratuita, inclusive quanto a traslados e instrumentos, àqueles que perceberem salário igual ou inferior 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
§ 4º O benefício da justiça gratuita será concedido à parte que comprovar insuficiência de recursos para o pagamento das custas do processo.
O instituto da justiça gratuita está delimitado pelo art. 790, § 3º da CLT, e como no processo civil garante aos seus beneficiários a isenção do pagamento das custas processuais, inclusive traslados e instrumentos. Contudo na justiça do trabalho, como regra, o benefício será outorgado àqueles que perceberem salário igual ou inferior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, ou seja, para os trabalhadores que se enquadrarem nessa faixa de renda há presunção legal de necessidade, dispensando-se a comprovação de hipossuficiência, regra que tem escopo no princípio da proteção do trabalhador.
OBS: Quando o texto fala em parte, pode ser reclamante ou reclamado.
Então o benefício da justiça gratuita será concedido apenas aos que receberem salário igual ou inferior a 40% do limite máximo do benefício do Regimento Geral da Previdência Social, em 2019 R$ 5.839,45 ( sendo o valor de R$ 2.335.78 os 40%), ou à parte que comprovar insuficiência de recursos para pagamento das custas do processo. Anteriormente, apenas a mera declaração de insuficiência financeira era suficiente para gozar do benefício, hoje tem que ser provado com documentação.
A substituição da expressão “declarar” pela expressão “comprovar”, para fins de concessão do benefício da justiça gratuita, não teve o condão de promover qualquer alteração na sistemática processual até então vigente, de modo que a sistemática continua a mesma, qual seja: a) se a parte recebe salário inferior a 40% do teto do INSS, juntar declaração de pobreza (assinada pela própria parte ou assinada por advogado com poderes específicos para esse fim — art. 105 do CPC e Súmula n. 463 do TST) e não há, nos autos, elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, o Magistrado deve conceder o benefício da justiça gratuita, já que, neste caso, a declaração de hipossuficiência, em face da presunção legal de veracidade que ostenta (art. 99, § 3º, do CPC/2015) não exige prova do estado de insuficiência econômica;
b) se a parte recebe salário superior a 40% do teto do INSS, juntar declaração de hipossuficiência (assinada pela própria parte ou assinada por advogado com poderes específicos para esse fim — art. 105 do CPC e Súmula n. 463 do TST), mas há (provas preexistentes ou produzidas pela parte contrária), nos autos, elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade (impossibilidade de arcar com as custas do processo), restará elidida a presunção de pobreza resultante da declaração juntada, cabendo ao Magistrado, neste caso, antes de indeferir o benefício da justiça gratuita, determinar à parte a comprovação do preenchimento do referido pressuposto, qual seja:
Não possuir condições de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família, o que poderá ser feito mediante documentos que comprovem seus gastos mensais (comprometimento dos seus rendimentos), comprovando, assim, que, mesmo recebendo salário superior a 40% (quarenta por cento) do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, não possui condições de pagar as custas do processo sem prejuízo.
Atenção : Art. 99 CPC - O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso.
§ 3o Presume-se verdadeira a alegação de insuficiência deduzida
exclusivamente por pessoa natural.
§ 2º O juiz somente poderá indeferir o pedido se houver nos autos elementos que evidenciem a falta dos pressupostos legais para a concessão de gratuidade, devendo, antes de indeferir o pedido, determinar à parte a comprovação do preenchimento dos referidos pressupostos.
Ante a regra do art. 15 do CPC, que determina que o código é expresso ao mencionar a sua aplicação, de forma supletiva (Que supre uma falta ou deficiência de algo. Complementar algo suprindo o que faltou), na justiça laboral não há incompatibilidade entre a regra da CLT, art. 790, § 3º e a regra do CPC, art. 99).
Nos resta apenas aguardar como as varas do trabalho, TRTs e o Tribunal Superior do Trabalho irão encarar a reforma processual trabalhista e seus impactos no acesso à justiça do s trabalhadores.
A parte contrária pode oferecer impugnação ao deferimento do pedido de gratuidade de justiça por ocasião da contestação, da réplica, das contrarrazões de recurso ou, nos casos de pedido superveniente ou formulado por terceiro, por meio de petição simples, a ser apresentada, nos autos do próprio processo, sem suspensão de seu curso (art. 100 CPC). Caso a impugnação venha a acarretar a revogação do benefício, a parte arcará com as despesas processuais que tiver deixado de adiantar e pagará, se ficar demonstrada sua má-fé, até dez vezes tal valor a título de multa.
Tanto a pessoa natural como a pessoa jurídica têm direito à justiça gratuita, sejam estas brasileiras ou estrangeiras. Mas só a pessoa natural tem sua alegação sustentada por uma presunção de veracidade. Assim, à pessoa natural basta a mera alegação de insuficiência de recursos, sendo desnecessária a produção de provas da hipossuficiência financeira. A alegação presume-se verdadeira, admitindo-se, contudo, que cesse por prova em contrário produzida pela parte adversa ou em razão de investigação feita de ofício pelo juiz.
A pessoa jurídica, por seu turno, deve comprovar a insuficiência de recursos de que é vítima para fazer jus à gratuidade da justiça. As pessoas jurídicas, portanto, não gozam da mesma presunção relativa de veracidade da alegação que as pessoas naturais; deve o interessado, pois, alegar e provar a insuficiência de recursos.
Portanto, para o deferimento da gratuidade judiciária à pessoa jurídica é necessária a comprovação da falta de recursos desta, com a demonstração da atual situação econômica da empresa ( documentos de contabilidade).
IMPORTANTE.
Devemos destacar que há presunção de veracidade da afirmação feita pela parte e que somente poderá ser afastada com a impugnação da parte contrária que comprove que as circunstâncias reais demonstram que o benefício não deve subsistir