ASPECTOS DE INTERESSE
SOBRE ROCHAS ORNAMENTAIS E DE REVESTIMENTO Identificação, Especificação e Utilização
1. CONCEITOS E DEFINIÇÕES
As rochas ornamentais e de revestimento, também designadas pedras naturais, rochas lapídeas, rochas dimensionais e materiais de cantaria, abrangem os tipos litológicos que podem ser extraídos em blocos ou placas, cortados em formas variadas e beneficiados através de esquadrejamento, polimento, lustro, etc. Seus principais campos de aplicação incluem tanto peças isoladas, como esculturas, tampos e pés de mesa, balcões, lápides e arte funerária em geral, quanto edificações, destacando-se, nesse caso, os revestimentos internos e externos de paredes, pisos, pilares, colunas, soleiras, etc.
Estima-se movimentação de US$ 18 bilhões/ano nos mercados internos dos países produtores, de US$ 12 bilhões/ano com a comercialização de materiais brutos e beneficiados, no mercado internacional, bem como de US$ 10 bilhões/ano para negócios com máquinas, equipamentos, insumos, materiais de consumo e prestação de serviços. A alavancagem de atividades pode ser examinada ao referir-se que a produção mundial de rochas ornamentais e de revestimento evoluiu de 1,5 milhões de t/ano, na década de 20, para um patamar atual de 65 milhões de t/ano.
Tal incremento foi determinado tanto por novos tipos de utilização das rochas ornamentais nas paisagens urbanas, principalmente no que se refere a obras de revestimento, quanto por novas tecnologias de extração, manuseio, transporte e beneficiamento de blocos. Os avanços tecnológicos permitiram o aproveitamento e difusão de diversas rochas anteriormente não comercializadas, enquanto as novas utilizações viabilizaram soluções estéticas e funcionais muito interessantes e confiáveis na construção civil.
Cerca de 80% da produção mundial é atualmente transformada em chapas e ladrilhos para revestimentos, 15% desdobrada em peças para arte funerária e 5% para outros campos de aplicação. Aproximadamente 60% dos revestimentos referem-se a pisos, 16% a fachadas externas, 14% a interiores e 10% a trabalhos especiais de
acabamento.
Os mármores representam, na atualidade, cerca de 45% da produção mundial, com 40% atribuídos aos granitos, 5% aos quartzitos e similares, e 5% às ardósias. A
participação dos granitos elevou-se de um patamar de 15% no princípio da década de 50, para 22%, na de 70, 38% em meados da década de 80, até os atuais 40%,
incrementando a demanda global sem restringir a utilização dos mármores.
Os blocos extraídos nas pedreiras têm volume variável entre 5 m3 e 8 m3, podendo atingir, excepcionalmente, 12 m3. Materiais especiais, com alto valor comercial, permitem, no entanto, o aproveitamento de blocos a partir de 1m3. As dimensões-padrão especificadas variam de 2,4 x 1,2 x 0,6 m (1,73 m3) a 3,3 x 1,8 x 1,5m (8,91 m3). Rochas com planos preferenciais de partição paralelos, como quartzitos e ardósias, são lavradas pela extração direta de placas no maciço.
Os mármores mais categorizados são os de massa fina, tanto brancos quanto
desenhados coloridos, muito apreciados para arte estatuária e outras peças isoladas de acabamento e mobiliário. Entre os granitos, verifica-se, atualmente, melhor
aceitação para os amarelos movimentados (tipo Juparaná), brancos (tipo Bianco Cardinalle, Cotton, Cashmere) e movimentados multicores (tipo Sul de Minas e Bahia), além, é claro, dos azuis (Azul Bahia e Azul Macaúbas).
2. TIPOLOGIA DAS ROCHAS ORNAMENTAIS E DE REVESTIMENTO Do ponto de vista comercial, as rochas ornamentais e de revestimento são
basicamente subdivididas em granitos e mármores. Como granitos, enquadram-se, genericamente, as rochas silicáticas, enquanto os mármores englobam, lato sensu, as rochas carbonáticas. Alguns outros tipos litológicos, incluídos no campo das rochas ornamentais, são os quartzitos, serpentinitos, travertinos e ardósias, também muito importantes setorialmente.
Para a distinção entre um granito (rocha silicática) e um mármore (rocha carbonática), dois procedimentos simples são recomendados: os granitos não são riscados por canivetes e chaves; os mármores, inclusive travertinos, são riscados por
canivetes/chaves e reagem ao ataque de ácido clorídrico a 10% em volume,
efervescendo tanto mais intensamente quanto maior o caráter calcítico (na falta de ácido clorídrico, pode-se pingar limão). Serpentinitos e ardósias não efervescem ou efervescem muito discretamente, e podem ser riscados por canivetes. Os quartzitos, muitas vezes assemelhados aos mármores, não são riscados por canivetes/chaves e nem efervescem com ácido clorídrico ou limão.
Rochas isótropas, sem orientação preferencial dos constituintes mineralógicos, são designadas homogêneas e mais utilizadas em obras de revestimento. Rochas
anisótropas, com desenhos e orientação mineralógica, são chamadas movimentadas e mais utilizadas em peças isoladas, pois sua aplicação em revestimentos demanda apuro estético e caracteriza uma nova tendência de design, ainda não totalmente assimilada pela maioria dos consumidores tradicionais.
O padrão cromático é o principal atributo considerado para qualificação comercial de uma rocha. Em função das características cromáticas, os materiais são enquadrados como clássicos, comuns ou excepcionais. Os materiais clássicos não sofrem
influência de modismos, incluindo mármores vermelhos, brancos, amarelos e negros, bem como granitos negros e vermelhos. Os materiais comuns ou de "batalha", de largo emprego em obras de revestimento, incluem mármores bege e acinzentados, além de granitos acinzentados, rosados e amarronzados. Os materiais excepcionais são normalmente utilizados para peças isoladas e pequenos revestimentos,
abrangendo mármores azuis, violeta e verdes, além de granitos azuis, amarelos, multicores e brancos.
espelhando os parâmetros de cor e procedência dos materiais. As formas tradicionais de nomenclatura refletem tais parâmetros (p. ex.: Verde Candeias, Vermelho Capão Bonito, Rosa Sardo, etc.), devendo ser adotadas como base para identificação de novos materiais comercialmente tipificados.
Os produtos comerciais obtidos a partir da extração de blocos e serragem de chapas, que sofrem algum tipo de tratamento de superfície (sobretudo polimento e lustro), são designados como rochas processadas especiais. Tal é o caso dos materiais que no geral aceitam polimento e recebem calibração, abrangendo os mármores, granitos, quartzitos maciços e serpentinitos.
Os produtos comerciais normalmente utilizados com superfícies naturais em peças não calibradas, extraídos diretamente por delaminação mecânica de chapas na pedreira, são por sua vez designados como rochas processadas simples. Para ilustração refere-se que, no Brasil, tal é o caso dos quartzitos foliados (tipo pedra São Tomé, pedra mineira, pedra goiana, etc.), da pedra Cariri, dos basaltos gaúchos, da pedra Miracema, da pedra Macapá, da pedra Morisca, entre outras, referindo-se que apenas a pedra Cariri tem “origem carbonática”.
As ardósias recebem designação específica, sendo os nomes comerciais
diferenciados pela cor da rocha. Os serpentinitos tem seus produtos comercializados sob a designação de mármores verdes.
3. NOÇÕES GERAIS DO BENEFICIAMENTO
O beneficiamento de rochas ornamentais refere-se ao desdobramento de materiais brutos, extraídos nas pedreiras em forma de blocos ou, em alguns casos (quartzitos e ardósias). como placas. Os blocos, com dimensões normalmente variáveis de 5 m3 a 10 m3, são beneficiados sobretudo através da serragem (processo de corte) em chapas, por teares e talha-blocos, para posterior acabamento e esquadrejamento até sua dimensão final.
Os teares são melhor utilizáveis para os blocos maiores, na produção de chapas com 2 cm e 3 cm de espessura. Os talha-blocos são indicados para blocos menores ou
informes, antieconômicos nos teares, na produção de chapas e tiras com 1 cm de espessura ou peças com mais de 3 cm (espessores).
A serragem nos teares é executada através de um quadro com fixação de lâminas de aço paralelas, que desenvolvem movimentos retilíneos, pendulares ou curvo-retilíneo-curvo sobre a carga. Nos talha-blocos a serragem é efetuada por discos diamantados, com diâmetros variados e capacidade convencional para cortes de até 1,20 m.
Serragem em Teares
O processo de serragem nos teares é auxiliado por uma polpa de água, cal e granalha, despejada continuamente sobre a carga, para otimização do corte e resfriamento das lâminas.
A carga pode ser composta ou por bloco único ou por blocos casados, chamando-se de “rolha” o bloco de pequena largura acoplado ao bloco maior e utilizado como
complemento de carga em algumas serradas. Os blocos podem ter até 2 m de altura, correspondente à largura máxima admitida para as chapas nas politrizes, e até 4 m de comprimento.
Idealmente não se pode serrar, na mesma carga, blocos com alturas diferentes, materiais com diferentes durezas e chapas com diferentes espessuras, pois provoca-se assim, desgaste diferencial das lâminas, vibração do equipamento má planicidade das chapas e até fragmentação do material.
Ainda nas pedreiras, o afeiçoamento ou esquadrejamento preliminar dos blocos, através de equipamentos monolâmina ou com fios, otimiza a serrada posterior nos teares,
possibilitando uma padronização nas dimensões dos blocos, melhor acoplamento ou rejuntamento (chumbamento) dos blocos na carga, maior produtividade por m3 e menor produção de rejeitos (cascões) derivados da serragem.
As lâminas de aço dos teares são tensionadas manualmente, através de cunhas, ou automaticamente, por tensores hidráulicos. O tensionamento fraco implica ondulações longitudinais das lâminas, provocando má planicidade das chapas e menor velocidade de
corte. O tensionamento excessivo produz encurvamento transversal das lâminas, acarretando sulcos nas chapas.
Os teares mais modernos dispõem de equipamentos que controlam automaticamente a alimentação e mistura da polpa abrasiva, pois a alimentação deve ser constante, e a viscosidade não pode ser excessiva.
Desdobram-se em média 32 m2 de chapas com 2 cm de espessura ou 49 m2 com 1 cm de espessura, por m3 de rocha serrada nos teares. Dependendo do melhor
esquadrejamento do bloco ou blocos, pode-se chegar a 35 m2 de chapa com 2 cm de espessura, e 55 m2 de chapa com 1 cm de espessura.
A velocidade de avanço do corte em teares com lâminas de aço, situa-se ao redor de 20-30 cm/h para mármores e 2 cm/h para granitos. A velocidade de avanço do corte em teares com lâminas diamantadas pode chegar a 50-60 cm/h nos mármores e 4 cm/h em granitos.
Teares mais modernos, inclusive nacionais, com grande capacidade de carga e alta velocidade de movimentação do quadro de lâminas, produzem até 5.000-6.000 m2/mês em granitos e de até 8.000 m2/mês em mármores.
Serragem em Talha-Blocos
Talha-blocos são equipamentos de serragem com discos diamantados, capacitados para cortes de grande profundidade, cuja maior utilização é voltada para produtos padronizados (lajotas). Os equipamentos com discos diamantados, capacitados para cortes mais rasos são chamados talha-chapas e muito utilizados nas marmorarias.
Existem basicamente três tipos de talha-blocos: monodisco, para cortes de grande diâmetro;
monoeixo/multidiscos, para discos de mesmo diâmetro ou dois diâmetros diferentes; e
multieixo/multidiscos, com discos de diâmetro crescente posicionados em linha. Os talha-blocos mais modernos, tanto italianos (monoeixo) quanto alemães
(multieixo), apresentam produtividade média em termos de m2/m3, 10% superior a dos teares.
A produtividade mensal em m2 é também superior a dos teares (50% a 100% maior), permitindo aproveitamento de materiais de primeira qualidade em blocos menores, que não seriam exportáveis, no caso do Brasil, pelo custo do frete marítimo, e que seriam ainda não econômicos nos teares.
Outra vantagem dos talha-blocos é que os equipamentos admitem movimentação de eixo em ângulos variados (vertical até horizontal), permitindo, portanto,
diferentes formas de desdobramento dos materiais. O custo médio de produção em talha-blocos é no entanto ligeiramente superior ao dos teares, tanto pelo preço dos equipamentos, quanto sobretudo pelo preço dos discos diamantados. Além disso, os talha-blocos não permitem a serragem de chapas grandes, do tipo cut to size, especialmente em alguns projetos.
Acabamento de Superfícies
Após a serragem, o passo seguinte do beneficiamento é o acabamento final das chapas e outras peças, através de levigamento, polimento e lustro, ou apicoamento e flameamento. O levigamento ou desbaste representa o desengrossamento das chapas, com a criação de superfícies planares e paralelas. O polimento produz o desbaste fino da chapa e o fechamento dos grãos minerais, criando uma superfície lisa, opaca e mais impermeável que a de uma face natural da mesma rocha. O lustro é aplicado no sentido de se imprimir brilho à superfície da chapa, produzido pelo espelhamento das faces dos cristais constituintes da rocha.
O levigamento, polimento e lustro são efetuados por rebolos abrasivos, à base de carbureto de silício e diamante, em diferentes granulometrias (mais grossos para o levigamento e cada vez mais finos para o polimento e lustro final). Os rebolos, fixados em cabeçotes rotativos, circulam sobre a superfície da chapa, utilizando-se um fluxo constante de água para eliminação de resíduos e refrigeração da face tratada.
Os resultados do polimento e lustro são definidos pelo brilho, fechamento e
espelhamento das chapas, podendo-se aferir o brilho através da acuidade visual ou com uso de aparelhos (glossmeter). Os medidores de brilho foram desenvolvidos para superfícies metálicas homogêneas, sendo no entanto também muito utilizados no setor de rochas ornamentais. O índice de brilho exigível pelos consumidores, deve ser igual ou superior a 70 pontos medidos na escala dos aparelhos. Quanto maior a heterogeneidade das feições estéticas (movimentos) de uma rocha, maior o número de medidas necessário para uma média representativa.
Concentrações de minerais máficos (sobretudo biotita grosseira) e sulfetos, geram problemas de polimento nas chapas e alterabilidade mais acentuada nos produtos aplicados. Nódulos (mulas), pequenos diques e veios (barbantes), sobretudo em rochas homogêneas, ocasionam problemas de padrão estético e perdas no esquadrejamento de chapas. Tais feições são esperáveis em materiais rochosos naturais, devendo ser observadas quando sua intensidade provoca tanto um efeito estético indesejável quanto eventuais problemas físico-mecânicos.
manuais (1 cabeçote), politrizes de ponte (1 a 2 cabeçotes) e politrizes multicabeçotes (5 a 20 cabeçotes). As politrizes manuais (cabritas) são
ultrapassadas, determinando baixo rendimento e grande variação na qualidade dos produtos obtidos. Nas politrizes de ponte o movimento dos cabeçotes é menos aleatório, permitindo maior produtividade e qualidade de acabamento. As linhas de politrizes mais modernas e eficazes são multicabeças e totalmente automáticas, possibilitando o processamento de chapas de até 10-15 cm de espessura e 2 m de largura, bem como dispensando operações anteriores (levigamento) e posteriores (lustro) em outras máquinas.
Equipamentos específicos e via de regra automáticos/semi-automáticos são utilizados para apicoamento, flameamento, jateamento de areia, fresagem, esquadrejamento, boleamento, bisotamento, cortes curvilíneos, perfurações, etc. Tais equipamentos prestam-se à obtenção de peças isoladas, não necessariamente padronizadas, normalmente solicitadas às marmorarias.
As técnicas de apicoamento e flameamento produzem em alguns materiais, conforme já referido, um efeito estético mais interessante que o do polimento. O flameamento não é recomendável em chapas com menos de 3 cm de espessura, a não ser que a aplicação de água seja efetuada na face oposta à da chama de acetileno. A crepitação dos minerais no flameamento e o impacto das pontas metálicas no apicoamento, provocam microfraturas que facilitam a infiltração de poluentes e aceleram o ataque físico-químico na superfície da placa.
A tendência geral de evolução tecnológica para beneficiamento e acabamento das rochas ornamentais, é traduzida pela automação de toda a linha de equipamentos (teares, talha-blocos, corta chapas, politrizes, etc.) e pela melhor especificação dos materiais de consumo (lâminas, granalha, abrasivos, etc.), voltadas para a redução do tempo e custo das operações, bem como para a melhoria de qualidade dos produtos.
4. PROPRIEDADES DESTACADAS PARA MÁRMORES E GRANITOS
As propriedades físico-mecânicas de maior interesse para avaliação comparativa de mármores e granitos, que representam os dois principais grupos de rochas de ornamentação e revestimento, envolvem resistência ao desgaste abrasivo, resistência ao cisalhamento por compressão uniaxial, resistência à ruptura por tração na flexão e absorção d’água.
A resistência ao desgaste abrasivo é normalmente proporcional à dureza na “escala de Mohs”, dos minerais constituintes das rochas. A calcita e dolomita, principais constituintes dos mármores, têm dureza 3 e 3,5-4, respectivamente. A dureza dos principais componentes dos granitos é sensivelmente superior, mencionando-se o quartzo (dureza 7), os feldspatos (6) e os minerais ferro-magnesianos (4 a 6). Observa-se assim que, como função da dureza dos minerais, os granitos são mais resistentes ao desgaste abrasivo e também a riscos (arranhões). Entre os granitos será tanto maior a resistência quanto maior a quantidade de quartzo; entre os mármores, tanto maior a resistência quanto maior o caráter dolomítico.
O desgaste das rochas pode ser também provocado por escarificação (arranque) dos grãos minerais, o que parece estar condicionado não à composição mas à textura dos cristais. A textura metamórfica dos mármores de massa grossa é sobretudo granoblástica do tipo sacaróide, menos resistente à escarificação que aquelas comuns nos granitos.
É possível que as diferenças texturais e portanto o tipo de embricamento dos cristais, justifique inclusive os valores médios mais elevados das rochas silicáticas na resistência à compressão e flexão, novamente realçando sua superioridade físico-mecânica frente aos mármores. Em função das modernas técnicas de fixação de chapas em pisos e fachadas, com anteparos metálicos, destaca-se
particularmente o diferencial representado pela flexão.
Com respeito à absorção d’água, que traduz a porcentagem de espaços vazios intercomunicantes, ou seja, a porosidade efetiva dos materiais, os valores
observados para as rochas silicáticas e silicosas são geralmente maiores que os das rochas carbonáticas. Os granitos e quartzitos, mesmo polidos e lustrados, estão assim mais sujeitos que os mármores ao manchamento por infiltração de líqüidos. As diferenças físico-mecânicas observadas entre mármores e granitos recomenda a discriminação de usos e ambientes de aplicação, não implicando contudo em
5. FATORES DE DEGRADAÇÃO DAS ROCHAS
As rochas utilizadas para fins ornamentais e de revestimento sofrem solicitações naturais e artificiais, que provocam desgaste, perda de resistência mecânica, fissuração, manchamento, formação de crostas (eflorescência de sais) e mudança de coloração. As solicitações naturais estão relacionadas ao intemperismo
geológico, deformação (tectônica e atectônica) e erosão. As solicitações artificiais estão ligadas à lavra, beneficiamento, manuseio e uso/aplicações.
Em revestimentos, os processos de degradação dos materiais aplicados são decorrentes da ação de agentes físicos, químicos e biológicos, conforme ilustrado pelo IPT na Tabela 6.1: ver tabela
As alterações mais importantes ocorrem pelo ataque físico-químico dos minerais constituintes das rochas, podendo-se destacar alguns parâmetros conhecidos: Os álcalis, por exemplo na forma de soda cáustica, atacam os minerais silicatados, presentes nas rochas graníticas e granitóides em geral;
Calcita e dolomita, que são carbonatos e principais constituintes dos mármores, sofrem ataque de todas as soluções aciduladas;
O oligoclásio, mineral silicatado da família dos feldspatos cálcio-alcalinos, e a nefelina, também um mineral silicatado do tipo feldspatóide, são sensíveis ao ácido clorídrico;
Os minerais máficos (escuros) são mais alteráveis por oxidação que os minerais félsicos (claros), salientando-se que o hiperstênio, mineral máfico da família dos piroxênios e constituinte dos charnockitos (granitos verdes tipo Ubatuba), degrada-se por insolação e modifica o padrão cromático da rocha;
Os sulfetos, minerais metálicos que ocorrem como acessórios tanto em mármores quanto em granitos, serpentinitos e quartzitos, oxidam-se mais ou menos
rapidamente quando expostos às condições atmosféricas, constituindo assim um dos principais problemas das rochas de revestimento.
Testes de simulação de alterabilidade dos materiais, para uma análise previsional de desempenho nas condições normais de uso, podem ser executados. Os fundamentos desses ensaios são apresentados na Tabela 6.2: ver tabela
A restauração das rochas aplicadas deve ser efetuada mediante análise específica do problema observado. Os procedimentos mais comuns para remoção de
manchas e outras alterações, incluem repolimento, aplicação de ácido oxálico (solução de 10% em volume), aplicação de água oxigenada (20 volumes),
e/ou valor d’água sob pressão. Para trincas e cavidades, costuma-se efetuar preenchimento com massa plástica, cimento branco ou gesso, misturado ao pó da rocha afetada. Especificamente para travertinos (por exemplo Bege Bahia),
existem estuques próprios bastante utilizados em cavidades.
Os melhores produtos para limpeza regular das rochas, principalmente em pisos, são os detergentes de pH neutro e os sabões puros. Os métodos mais comuns para essa limpeza sistemática, envolvem a própria lavagem, varrição, aspiração (superfícies não polidas) e uso de esfregão úmido. Também para os pisos é importante que se efetue o trabalho de limpeza com a maior regularidade possível, pois além de abrasiva a sujeira acaba se impregnando nas superfícies pela
pressão do tráfego de pedestres.
A prevenção de problemas relacionados à absorção de líquidos e oleosidade, pode ser viabilizada através de impermeabilizantes subsuperficiais hidro e óleo repelentes. A utilização desses selantes só pode ser efetuada mediante testes específicos, pois os produtos disponíveis no mercado não têm composição adequadamente grafada e suas recomendações de uso são muito genéricas. A melhor medida preventiva quanto a esses e outros problemas observados, é no entanto a correta especificação das rochas para os usos pretendidos. A partir de novos códigos de defesa do consumidor e certificações ISO de qualidade, serão de fato cada vez mais exigidos o conhecimento e interpretação das características tecnológicas das rochas comercializadas.
6. PRINCIPAIS AGENTES DE ALTERAÇÃO EM REVESTIMENTOS
Os principais agentes de alteração em revestimentos, referem-se a substâncias aciduladas convencionalmente manuseadas nos ambientes domésticos, mas sobretudo a chuvas ácidas atuantes nos revestimentos externos. Dentre as substâncias domésticas potencialmente nocivas para as rochas, quanto ao ataque químico e manchamento, pode-se referir frutas cítricas (sobretudo limão), vinagre, produtos de limpeza (ácidos e alcalinos), refrigerantes gasosos, bebidas isotônicas, gasolina, querosene, bebidas alcoólicas coradas (destaque para vinho tinto), líquidos com oleosidade, óleos e graxas em geral.
O termo chuva ácida designa, em sentido restrito, a precipitação úmida de
constituintes ácidos. Esses constituintes, derivados de atividades antropogênicas e biológicas, são dispersos como gases e compostos particulados, dissolvendo-se nas nuvens e gotas de chuva para formar soluções aciduladas. Mais
amplamente, ocorre tanto deposição úmida (chuva ácida), quanto deposição seca de poluentes ácidos gasosos e particulados. Pode-se no caso utilizar a expressão “deposição ácida”, como a somatória dos processos de deposição
úmida e seca de compostos ácidos. Para efeito prático de abordagem, ressalta-se que ambos os processos são considerados importantes na acidificação do meio físico.
Levantamentos efetuados pela CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental e CETEC – Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais, evidenciaram a ocorrência de chuvas ácidas na região sudeste do Brasil. Os estudos do CETEC, em Belo Horizonte, Betim e Contagem, demonstraram inclusive que a acidez aumenta ao longo do período chuvoso, pelo esgotamento do cálcio e outras partículas alcalinas disponíveis na atmosfera para a
neutralização. Os impactos negativos das chuvas ácidas manifestam-se nos ambientes aquáticos, no solo e na vegetação, provocando corrosão em
estruturas metálicas e superfícies pintadas, bem como deteriorando materiais de construção, papel, couro, tecidos e as já referidas rochas carbonáticas.
Entre os gases reativos e com natureza ácida presentes na atmosfera, destaca-se o gás carbônico (CO2), que dissolvido em água forma o ácido carbônico (H2CO3). Nas concentrações e pressões normais de CO2 na atmosfera (340 ppm e 1 atm), o pH da água da chuva atinge 5,65, valor abaixo do qual define-se portanto a chuva ácida.
Chuvas com pH inferior a 5,65, são assim devidas ou a concentrações maiores de H2CO3 ou à contaminação pelos ácidos sulfúrico (H2SO4) e nítrico (HNO3). Os ácidos sulfúrico e nítrico são gerados sobretudo por fontes antropogênicas, através da dissolução aquosa de SO2 e NO2 na atmosfera.
O ácido clorídrico (HCl), também discriminado como agente de degradação ambiental, incide sobretudo em áreas costeiras pela dispersão atmosférica de NaCl (sal marinho), atuando tanto através de chuvas ácidas quanto pelo aerossol marinho.