DHE – DEPARTAMENTO HUMANIDADES E EDUCAÇÃO CURSO DE PEDAGOGIA
DIOVANELA LIARA SCHMITT
AS IMPLICAÇÕES
DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA
Santa Rosa 2014
DIOVANELA LIARA SCHMITT
AS IMPLICAÇÕES
DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA
Monografia apresentada para obtenção do título de graduada em Pedagogia da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.
Orientadora: Professora Dra. Hedi Maria Luft
Santa Rosa 2014
DIOVANELA LIARA SCHMITT
AS IMPLICAÇÕES
DA GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA
Monografia apresentada para obtenção do título de graduada em Pedagogia na Universidade Regional Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul
Banca Examinadora:
... Profa. Dra. Hedi Maria Luft – UNIJUÍ (orientadora)
... Profa. Ms. Claudia Seger Cunegatti – UNIJUÍ
Nota: ...
Dedico este trabalho a todos que se empenham em fazer uma gestão democrática, em especial a minha mãe que realiza uma gestão inspiradora. Dedico também a todos apaixonados pela educação que, acreditam e desafiam-se fazer a mudança acontecer.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus por sempre ter me dado força e colocado na minha vida pessoas especiais, que me ajudaram muito.
Meus pais, obrigada pela educação, carinho e apoio, sou fruto do amor incondicional de vocês.
Meu namorado pela compreensão, cumplicidade, ajuda e companheirismo.
Aos professores, por desafiarem-me na busca pelo conhecimento, pelas indicações de leituras, pelos desafios propostos, pela atenção e compromisso pelo ensino. Em especial a você professora Hedi pela orientação, incentivo, pelo grande exemplo.
Meu irmão, familiares, amigos e colegas pela amizade, pelas palavras de força, pelas trocas e aprendizagens.
RESUMO
Este estudo analisa como a gestão escolar participativa interfere na vida de todos os que participam da vida escolar, bem como, da sociedade. Para realizar a busca dos dados foram feitas observações nas escolas, enfocando a questão da gestão, além de leituras, análises e reflexões. A gestão escolar é realizada especialmente pela equipe diretiva, em que cada profissional exerce um papel diferente buscando integrar com toda a comunidade. Além disso, o planejamento, a elaboração e efetivação do projeto político pedagógico permeiam a gestão participativa, pois estes são espaços para pensar, construir a identidade da escola, bem como planejar ações coletivas, que refletem no trabalho docente, nas práticas de sala de aula e na vivência democrática.
ABSTRACT
This study examines how participatory school management interferes in the lives of all who participate in school life as well as society. To perform the search of data observations were made in schools, focusing on the issue of management, readings, analyzes and reflections. The school management is especially held by the management team, each professional has a different role seeking to integrate with the whole community. In addition, the planning, preparation and execution of political pedagogical project permeate participatory management because these are spaces to think, build school identity and collective action plan, reflecting on teaching work in practical classroom and democratic experience.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO...8
1. A ESCOLA E A GESTÃO ESCOLAR ...9 1.1 FUNÇÃO MOBILIZADORA DA EQUIPE DIRETIVA NA GESTÃO
DA ESCOLA ...12 1.2 FUNÇÕES: DIRETOR, COORDENADOR PEDAGÓGICO, ORIENTADOR
EDUCACIONAL ...13 1.3 IMPLICAÇÕES DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E SUAS
ARTICULAÇÕES . ...15
2. AS IMPLICAÇÕES DA AUTONOMIA E DA DEMOCRACIA NA
GESTÃO DA ESCOLA E DA SALA DE AULA...18 2.1 REUNIÕES PEDAGÓGICAS ESPAÇO PARA CONSTRUÇÃO COLETIVA ...19 2.2 PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO E ESCOLA DEMOCRÁTICA ...21 2.3 A INFLUÊNCIA DA GESTÃO PARTICIPATIVA DA ESCOLA NA
SALA DE AULA...23
CONSIDERAÇÕES FINAIS...26
INTRODUÇÃO
Escola é um espaço de vida, no qual vivencio boa parte dos meus dias, fazendo a partir daí a minha gestão de sala de aula e de vida. Diante das minhas vivências, observações, análises desafiei-me a ler, pesquisar e refletir a relação da gestão da escola, com o fazer docente, com impactos na sala de aula, com a sociedade, a fim de compreender melhor os respectivos papéis dos que são responsáveis por fazer a gestão nas escolas. A gestão escolar vem se ressignificando ao longo dos anos, passando por diversas mudanças, assim como a sociedade em si. Desta maneira, proponho-me pensar no avanço da educação e os reflexos do papel da gestão participativa na efetivação da prática docente.
Fazer a gestão da escola considera que cada um exerça um papel dentro de um conjunto, que cada um pensa, age e elabora hipóteses dentro de um contexto. Assim, torna-se necessário pensar coletivamente, planejar atendendo às necessidades e possibilidades da comunidade além de considerar as individualidades, efetivando a democracia. Isto tudo pode ser colocado em prática através da elaboração do projeto político pedagógico, das reuniões pedagógicas e por meio da articulação da gestão escolar.
Pensar gestão escolar nos remete a ideia da escola como um espaço social, de diversidade e relacionamento humano, quer dizer está ligado a sociedade, vinculando-se aos acontecimentos histórico de cada época, por isso no primeiro momento procuro entender esta relação escola com a gestão. Em seguida, busco compreender as formas de organizar a escola, bem como perceber o papel mobilizador da gestão, efetivado diretamente pela equipe diretiva. Além disso, reconheço o papel de cada um na equipe diretiva, bem como suas respectivas atribuições dentro da escola, sendo estas as abordagens do primeiro capítulo.
Gestão escolar envolve mobilização, sensibilização e envolvimento, que através da democracia, do planejamento coletivo, da elaboração do projeto político pedagógico podem ser construídos de forma com que sejam envolvam a todos. Assim, no segundo capítulo, faço uma reflexão sobre a democratização destes momentos de planejamento, de reuniões pedagógicas e os reflexos na sala de aula.
Este estudo é um esboço inicial de todo um conjunto complexo que é a escola, refletida através da gestão participativa, onde cada um é único, e por mais diversa que é a escola tem sempre uma identidade, algo que a faz singular, por isso o desafio da gestão democrática, participativa. Portanto, vale à pena ler, refletir, perceber como atitudes simples podem e fazem a diferença!
1 ESCOLA E A GESTÃO ESCOLAR
Escola é um espaço de convivência, interação, humanização, aprendizagens, conhecimentos e tantas outras possibilidades. A convivência é um dos pilares da educação, e segundo o Relatório da UNESCO1, ao aprender a viver juntos desenvolve-se a compreensão do outro e a percepção de interdependências e aprende-se a realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos, no respeito pelos valores do pluralismo de ideias, da compreensão mútua, da paz (DELORS, 2000). Estes são aspectos sugeridos para serem trabalhados na escola, que vão enriquecendo a convivência, tornando-a mais humana, pois através da interação que vamos nos constituindo humanos.
Percebendo a escola como um espaço privilegiado de interações, passa a ser também o ambiente para dialogar sobre a humanização, que é o processo que nos torna humanos. De acordo com Zitkoski (2010, p. 211) “o papel da educação é potencializar o dinamismo da natureza humana e cultivar a dialética ação-reflexão na busca da concretização histórica de um nível sempre mais elevado de humanização do mundo”. Possibilitar pensar as relações humanas, a convivência, ter experiências coletivas, momentos de interação oportunizam esta dialética da humanização do sujeito enquanto ser em constituição. Sobre esta relação da escola, da aprendizagem, da constituição do ser humano, Marques enfatiza:
dá-se, assim, a aprendizagem no quadro de uma intersubjetividade específica, que supõem sujeitos diferençados que buscam entenderem-se sobre si mesmos e sobre seus mundos e, desde situações desiguais, progridem na direção da igualdade da relação política, em que se constituem em cidadãos capazes de se conduzirem com autonomia exigidas por suas corresponsabilidades (1995, p.109).
É através deste enfoque social que, a escola ensina a cidadania, os valores sociais, o respeito ao outro, a ouvir opiniões diferentes da sua, a vivência em sociedade. Desta forma, escola vai muito além de conteúdos formais, específicos, segmentados, é espaço de vida, de cidadania, além de conhecimentos científicos. Em verdade, é um espaço primordial, privilegiado tanto de desenvolvimento cognitivo quanto social, pois é aí que a criança além construir, elaborar hipóteses, buscar mais conhecimentos. Ainda desenvolve as relações
1
UNESCO é a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura e foi fundada em 16 de novembro de 1945 com o objetivo de contribuir para a paz e segurança no mundo mediante a educação, a ciência, a cultura e as comunicações.
interpessoais que, de certa forma, constituem a sociedade. Assim, ao falarmos em gestão escolar vêm inúmeras ideias, já que, estamos tratando das dimensões cognitivas e sociais, que são ideias amplas que sofreram ao longo do tempo a influência da sociedade.
A dimensão social, como já enfatizado, trata das questões relacionadas a prática social, as relações humanas, a afetividade, o emocional, os valores, a assuntos condizentes ao ser humano e seus âmbitos. Sob estes aspectos, Rabelatto e Passos destacam “as características individuais e até mesmo atitudes individuais estão impregnadas de trocas com o coletivo, ou seja, mesmo o que tornamos mais individual foi construído a partir da relação com o outro indivíduo” (p.4). Assim, nossas aprendizagens se dão nesta relação com o outro, sendo a escola um espaço em que são possíveis inúmeras relações interpessoais.
A dimensão cognitiva diz respeito ao conhecimento, a aprendizagem de diferentes conceitos, a compreensão de informações, o desenvolvimento de habilidades, dentro do que se espera e/ou propõem a cada faixa etária, nível de ensino. De acordo com Piaget “o conhecimento não procede nem da experiência única dos objetos nem de uma programação imediata do sujeito, mas de construções sucessivas de elaborações constantes de estruturas novas” (1976, p.17). Sendo assim, a escola é espaço em que se organizam situações para que este conhecimento possa ser construído, elaborado em consonância com o social.
Vale ressaltar que, estas duas dimensões estabelecem um elo, quer dizer, se complementam, pois uma está ligada a outra. De tal forma, a escola, recebe influência tanto dos seus sujeitos como do tempo e espaço que inserida. Em relação a está influência percebemos que todas as dimensões da escola sempre estiveram muito ligadas a história, conforme Camargo (2006, p.119) “o planejamento educacional está inserido no contexto e na complexidade da historicidade dos homens, das sociedades e do mundo, sendo, portanto necessário que sua organização aconteça no tempo-espaço”. Assim ao pensarmos na escola, é fundamental compreendermos que ela foi sendo transformada conforme cada época.
Analisando historicamente veremos que, é recente a escola ser percebida como um espaço democrático e viabilizado “para todos”. Nos primórdios a escola baseava-se em classe e gênero, em que poucos tinham acesso. Depois passamos a uma escola com forte referência na religião, com objetivos de evangelização, catequização, dominação de povos.
Com a expansão da industrialização “as propostas educacionais do século anterior reafirmam no século XX a necessidade de uma escola pública, leiga, gratuita e obrigatória. Esta exigência se torna mais premente devido ao crescimento das indústrias” (ARANHA, 1996, p.163). Surge aí, a necessidade de uma escola que auxilie no desenvolvimento da
economia do período, formando sujeitos que dominem a técnica pra lidar com ás máquinas. Assim, complementa Aranha
a tendência tecnicista privilegia as funções de planejar, organizar, dirigir e controlar, intensificando a burocratização que leva a divisão do trabalho. Assim, os técnicos são responsáveis pelo planejamento e controle, o diretor da escola é o intermediário entre eles e os professores, agora reduzidos a simples executores. Com isso o plano pedagógico se submente ao administrativo (1996, p.183).
Neste período percebemos que a escola passa a ser mais acessível, porém ainda com uma finalidade voltada ao mercado de trabalho, em que objetiva-se formar mão de obra. Apenas mais tarde, a educação passa a ser considerado um direito de todos, e a escola percebida como um espaço sistemático de conhecimentos e interação social, com o “Manifesto dos Pioneiros” e o movimento da escola nova. Segundo Aranha “O escolanovismo resulta da tentativa de superar a escola tradicional excessivamente rígida, magistrocêntrica e voltada à memorização de conteúdos. Desde a revolução industrial a burguesia precisava de uma escola mais realista, que se adequasse ao mundo em transformação” (1996, p. 172).
Neste sentido, percebemos que a escola foi se transformando de acordo com o desenvolvimento da sociedade, e como é de se esperar em cada período foi organizada e pensada para diferentes fins. Desta forma, a gestão da escola também passou por diferentes períodos articulada à história e às concepções de cada escola. Assim, a ideia de gestão escolar a qual faço referência neste estudo, ainda é recente, e surge com a defesa escola democrática, para todos, promulgada a partir da Constituição Federal de 1988, Capítulo III, Educação, Cultura e Desporto, Seção I Da Educação:
Art. 206 - O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal.
Contudo, gestão escolar é uma ideia ampla, que está em permanente reconstrução, avaliação, recriação da realidade, pois é um processo de organização em consonância com a realidade vivida no universo escolar. Para Dourado discutir a gestão:
Implica compreendê-la historicamente, aprendendo nexos constitutivos destas e de suas articulações com a realidade social mais ampla. Assim, a escola e os processos de sua gestão não devem ser vistos como entes autônomos e, muito menos, como espaços de mera reprodução das relações sociais mais amplas (2003, p.18).
Sob esta perspectiva, ou seja, de compreender a história, perceber a mudança, a democracia, de considerar uma escola que desafia-se a refletir sobre a sociedade, visando a cidadania, além de integrar a comunidade escolar, organizar o projeto político pedagógico, a gestão escolar pode fazer a diferença. Portanto, cabe a gestão da escola mobilizar, motivar e integrar os diferentes segmentos da escola, oportunizando um trabalho coletivo, que prime pela democracia e participação efetiva de todos. É possível mobilizar a comunidade escolar, a partir da valorização do que desempenham dentro da escola, quer dizer, ouvir e agradecer pais que vêm à escola, valorizar o trabalho de quem faz a manutenção, limpeza da mesma, reuní-las para enaltecer, em relação aos professores, perceber os trabalhos diferentes que fazem, incentivá-las, valorizá-las, além de valorizar atitudes e trabalhos desenvolvidos pelos alunos. Pode-se, a partir daí, organizar reuniões em que a equipe diretiva demonstre este olhar atento, valorize, reflita sobre os papéis de cada um e busque a partir do que vem sendo realizado propor avanços, além de convidar a comunidade escolar para tomar conhecimento do que acontece na vida escolar. Assim, cada membro da comunidade escolar pode perceber-se como participante ativo, notando a importância de realizar bem seus comprometimentos.
1.1 FUNÇÃO MOBILIZADORA DA EQUIPE DIRETIVA NA GESTÃO DA ESCOLA
A gestão escolar estabelece o direcionamento e a capacidade de mobilizar, sustentar e dinamizar as ações da escola, de maneira que sejam orientadas para resultados, caracterizada por um modo de ser e um modo de fazer que priorizem as ações conjuntas, isto é, associadas e articuladas com a participação de todos que estão inseridos no contexto escolar. Gestão escolar, de acordo com Lück,
Relaciona-se ao fortalecimento da democratização do processo pedagógico, á participação responsável de todos nas decisões necessárias á sua efetivação mediante um compromisso coletivo com resultados educacionais cada vez mais efetivos e significativos (2000, p.47).
Esta articulação, requer a integração toda a comunidade escolar propiciando a democratização, assim cada escola tem uma equipe, chamada de equipe diretiva, que se responsabiliza por estar fazendo esta gestão. De acordo com a Lei de Gestão Democrática e Participativa (13.990, de 15 de maio de 2012), artigo 6º, integra a equipe diretiva: o diretor, o vice-diretor e o coordenador pedagógico, mediante votação direta, por meio de chapa.
Esta equipe responsabiliza-se por organizar de forma democrática o trabalho da escola, além da mobilização, da articulação, pensa, avalia a forma de construir coletivamente a escola, tendo em vista que este é um ambiente de construção social. Contudo, a equipe diretiva planeja, levanta questões que percebe no grupo, busca coletivamente enfrentar dificuldades e desafios, direciona as mudanças.
1.2 FUNÇÕES: DIRETOR, COORDENADOR PEDAGÓGICO, ORIENTADOR EDUCACIONAL
Diretor da escola é um cargo, função da escola, ao qual cabe planejar, coordenar, controlar e avaliar os processos e atividades que se desenvolvem na escola. Segundo a Lei de Gestão Democrática e Participativa (13.990, de 15 de maio de 2012), artigo 8º, são atribuições do diretor:
I - representar a escola, responsabilizando-se pelo seu funcionamento;
II - coordenar em consonância com o Conselho Escolar, a elaboração, a execução e a avaliação do projeto administrativo-financeiro-pedagógico, através do Plano Integrado de Escola, observadas as políticas públicas da Secretária de Educação; III - coordenar a implementação do Projeto Político Pedagógico da Escola, assegurando sua unidade e o cumprimento do currículo e do calendário escolar; [...]
Além destas atribuições, concordo com as afirmações de Lück “um diretor de uma escola é um gestor da dinâmica social, um mobilizador e orquestrador de atores, um articulador da diversidade para dar-lhe unidade e consistência, na promoção segura da formação de seus alunos” (2000, p.16). Acredito que, é imprescindível ao diretor atuar como um gestor, quer dizer, ter a habilidade de integrar e motivar toda a equipe para garantir o êxito de processos democráticos. O diretor é o principal gestor da escola, isto significa que sua postura influencia na condução dos processos de trabalho e, consequentemente, nos resultados esperados para a escola. Ele é o responsável, pode delegar atividades, organizar e dividir tarefas, porém sempre será ele quem responderá pelos acontecimentos, pelos resultados, ou o
que acontecer, pois esta é a função dele, que é intransferível, quer o torna responsável por tudo o que acontecer na escola ou relacionado á ela.
O coordenador pedagógico, coordena o trabalho de professores, apoiando-os, auxiliando-os em questões pedagógicas, é legalmente conhecido como supervisor escolar de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96:
Art. 64. A formação de profissionais de educação para administração, planejamento, inspeção, supervisão e orientação educacional para a educação básica, será feita em cursos de graduação em pedagogia ou em nível de pós-graduação, a critério da instituição de ensino, garantida, nesta formação, a base comum nacional (2000, p. 38). (grifo nosso)
Apesar de da legislação denominá-lo assim, esta função é conhecida comumente como coordenador pedagógico, pois, faz parte de suas atribuições coordenar o trabalho, uma vez que o termo supervisor, remete-nos a ideia de fiscalizador, controlador das atividades dos profissionais da educação que atuam em sala de aula e assim perpassa a ideia de que está acima dos professores, para verificar os trabalhos, não sendo este o papel do coordenador pedagógico. O coordenador é um profissional que atua diretamente com as questões pedagógicas, com ênfase no apoio aos professores. Quer dizer, ele estabelece elos entre as questões pedagógicas, ensino-aprendizagem, o projeto político pedagógico, bem como a formação e o trabalho docente em si. Segundo Almeida e Placco “é possível categorizar a ação da coordenação pedagógica em três dimensões: articuladora, formadora e transformadora” (2001, p.12). Nesta perspectiva, articula o projeto político pedagógico com os saberes e fazeres docentes efetivando a prática da sala de aula, formadora num sentido de sistematizar, organizar e refletir com os docentes as práticas e os embasamentos teóricos e práticos para aperfeiçoarem o papel de cada um e transformadora na possibilidade da práxis (ação-reflexão-ação), que, oportuniza o avanço, a melhora da prática e consequentemente um educação com maior qualidade.
São inúmeras as atribuições do coordenador pedagógico, que englobam desde questões de dentro da escola como também fora desta. São assuntos pedagógicos, técnicos, cognitivos, afetivos, sociais, burocráticos sobre as políticas educacionais nacionais, organizacionais, enfim, o coordenador precisa estar atento a tudo o que está acontecendo. Segundo Almeida e Placco:
O dia- a dia do coordenador exige que ele administre seu tempo, para cumprir bem as suas atribuições. Tem que formar o professor, e para isso, planejar reuniões, atualizar-se e planejar etapas para atualizar os professores e pensar em
procedimentos específicos e nas necessidades do grupo. A formação exige dele um olhar do que está acontecendo na sala de aula [...]. O coordenador necessita também levar em conta o aluno. É preciso encaminhar alguns para especialistas, conversar com os pais, retomar encaminhamentos, falar com os profissionais, retornar aos pais e retornar aos professores. que consequentemente, também precisa estar atento as aprendizagem dos alunos, assim como problemas com ela. Ainda precisa cumprir uma série de questões burocráticas em relação á organização do trabalho (2001, p.61).
Assim, é fundamental que o coordenador tenha uma boa formação e possa contar com o trabalho de equipe tanto a diretiva quanto a de professores, para conseguir desempenhar bem todas suas atribuições. Junto com ele há o orientador educacional, que também trabalha com pais, alunos, conversando, discutindo e buscando através das questões de interação e convivência avançar no processo de ensino-aprendizagem da escola.
É função do orientador educacional trabalhar as questões sociais, afetivo/humanas dos alunos, professores e das famílias, buscando dialogar, aproximar família e escola, trazendo sempre presente o projeto político pedagógico da escola. De acordo com Borges “o orientador tem como função pedagógica “zelar” para que a construção de ensino aconteça e que considere os sujeitos na sua integralidade, isto é, um ensino que contemple todas as dimensões do ser humano” (2004, p. 19). Cabe ao orientador, estar atento às necessidades dos alunos, bem como inquietações e angústias, para então fazer a mediação disto com as questões pedagógicas, uma vez que a escola é responsável tanto pela dimensão cognitiva quanto social.
Cada um destes setores tem funções específicas, por outro lado, trabalham num coletivo, em que um apoia e dialoga com o outro. Assim, juntos são responsáveis pela gestão da escola, por estarem colocando em prática o projeto político pedagógico da escola, que é um documento em que consta a identidade da escola, quem são seus sujeitos, o que propõem, de que forma, enfim, mostra quem é, os objetivos e a utopia da escola.
1.3 IMPLICAÇÕES DO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO E SUAS ARTICULAÇÕES
O projeto político pedagógico é um documento da escola em que constam os referenciais básicos e de relevância desta. O que se acredita, o que se busca, como são os sujeitos, a forma como se dá a mediação do conhecimento, “é a antecipação da escola que queremos”, nas palavras de Bruno, Almeida, Christov (2001, p. 38). Assim, para pensar a escola que queremos, é evidente que a comunidade escolar deve participar atentamente e ativamente da construção do projeto, mostrando efetivamente como pensam e almejam a
escola. Sendo o projeto político pedagógico o que caracteriza a escola, é imprescindível, levar em conta que:
Mais importante do que ter um texto bem elaborado, é construirmos um envolvimento e o crescimento das pessoas, principalmente dos educadores, no processo de construção do projeto, através de uma participação efetiva naquilo que é essencial na instituição. Que o planejamento seja do grupo, não para o grupo (VASCONCELLOS, 1995, p. 51).
Assim, este documento não se direciona a uma pessoa, a um grupo, pelo contrário, é feito pelo o grupo, para o grupo, caracterizando-o, dando o rumo da escola, representando um coletivo, expressando posicionamentos, desejos, utopias da escola, direcionando a escola. Consequentemente, cada sujeito, envolvido com a escola é ou pelo menos deveria ser responsável pelo projeto político pedagógico, tanto pela sua elaboração, quanto pela efetivação. Para que isto ocorra, é indispensável que, a direção da escola, organize-se e oportunize esta participação, busque dialogar, envolver a todos da comunidade escolar, estar em constante avaliação, revisão, reestruturação do projeto político pedagógico. Em relação a isto, Vieira entende:
dentre os vários desafios atualmente enfrentados pela escola para construir e administrar o seu projeto político pedagógico, esta aquele que chama nossa atenção para não reduzi-lo á perspectiva da mera elaboração de documentos. [...] ele necessita de constante revisões, avaliações pelos vários segmentos da escola a fim de assegurar sua dinamicidade em relação aos desafios permanentemente apresentados (2002, p.53).
Desta maneira, o projeto político pedagógico é fundamental para construir uma escola com identidade, que considera as diferentes culturas, que as relaciona, isto tudo é possível com a participação e democracia, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96:
Art. 14 – Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão democrática do ensino público da educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto político pedagógico da escola;
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes (2001, p.17).
Pode-se perceber que, a participação da comunidade escolar e de todos que de alguma ou outra forma relacionam-se com a escola faz parte da escola democrática, em que todos têm a possibilidade de expressarem-se e fazerem da escola um espaço de interrelações, de
convivência, de aceitação e valorização das culturas, em que todos são compreendidos na sua singularidade. Desta maneira, o projeto político pedagógico torna-se além de um documento, a identidade construída pela escola, quer dizer por toda uma comunidade, que tem semelhanças e diferenças, que são consideradas, respeitadas e juntam-se buscando um bem comum, pensando num coletivo, refletindo angústias, propondo avanços e expectativas a cerca da educação, da vivência em sociedade.
Pensando neste documento, vem à responsabilidade de uma gestão disposta a ouvir, criar meios, possibilitar a construção e a efetivação deste projeto político pedagógico, que engloba os diferentes âmbitos da escola, que necessita estar sendo pensado, repensado, lido e posto em prática constantemente, uma vez que, ele é o “norte” da escola. Lembrando que, para que isto possa acontecer, precisa haver a integração da escola com a comunidade, dos alunos, professores, pais, equipe diretiva, em que todos estejam dispostos a participarem, uma vez que este além de ser um documento propicia momentos de conversa, reflexão e planejamento da escola, a fim de integrar diferentes posicionamentos e elaborar metas, ações conjuntas.
2 AS IMPLICAÇÕES DA AUTONOMIA E DA DEMOCRACIA NA GESTÃO DA ESCOLA E DA SALA DE AULA
O trabalho de gestão escolar a partir de um viés democrático, participativo auxilia na autonomia, pois, segundo Zitkoski, “a autonomia também se caracteriza pela confiança que o sujeito possui no seu histórico particular, é o desenvolvimento do sujeito histórico, de democracia e liberdade que a autonomia vai se construindo” (2010, p. 53). Assim, esta gestão participativa, parte do princípio de que todos exerçam seus papéis cidadãos, envolvendo-se ativamente das decisões relacionados à escola, uma vez que, esta faz parte de vida de cada sujeito. Segundo Lück,
autonomia no contexto da educação, consiste na aplicação do espaço de decisão, voltada para o fortalecimento da escola como organização social comprometida reciprocamente com a sociedade, tendo como objetivo a melhoria da qualidade de ensino. Autonomia é característica de um processo de gestão participativa que se expressa, quando se assume com responsabilidade e competência a responsabilidade social de promover a formação de jovens adequada às demandas de uma sociedade democrática em desenvolvimento, mediante aprendizagens significativas (2000, p. 21).
Deste modo, a autonomia passa a ganhar destaque tanto nesta sociedade que caminha para a democracia, quanto para a escola, que da mesma forma busca esta participação, esta efetiva melhoria do ensino, da reflexão de suas práticas. Neste sentido, envolver cada segmento, buscar a tomada de decisão coletiva, em que cada um possa estar contribuindo, falando, se expressando e posicionando-se, para que autonomia de cada sua sujeito seja respeitada e refletida numa autonomia de um coletivo, que a partir de percepções individuais constrói identidade enquanto grupo, que pensa, planeja e se efetiva para um todo semelhante.
Cooresponsabilizando cada membro da escola, possibilitando a eles o envolvimento nas tomas de decisão, cada um sentirá parte atuante, participante e, assim, de acordo com Lück “A participação dá as pessoas a oportunidade de controlarem seu próprio trabalho, e, desta forma, desenvolverem maior consciência de responsabilidade por ele” (2011, p. 66). Assim, cada sujeito percebe a importância que tem, empenhando-se em desempenhar bem sua função.
Dentro da escola, como já exemplificado, tem-se uma equipe responsável por organizar, articular à escola para que aconteça a participação, contudo, além desta é fundamental que professores exerçam seus papéis assumindo-se como essenciais nesta tarefa da educação e gestando a sala de aula como espaço para criticidade, para mudança. Para
Freire, “assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos” (2001, p. 46), isto deve fazer parte da tarefa do educador, que pensa, age e busca desenvolver a responsabilidade, a autonomia de cada sujeito.
Assim, os alunos, pais e comunidade escolar engajam-se, fazendo efetivamente parte atuante da escola. Em relação a isto, Freire destaca “o educando que exercita sua liberdade ficará tão mais livre quanto mais eticamente vá assumindo a responsabilidade de suas ações e do meio em que está inserido” (2001, p.104). Daí a importância responsabilizar a todos, num processo de gestão que inicia pela equipe diretiva, que mobiliza, interage e corresponsabiliza, bem como professores que motivem, assumam-se e engajam-se com alunos, para juntos pensarem criticamente e cooresponsabilizarem-se pela escola, pelo meio em que vivem, buscando a mudança. Sendo que uma das formas acontecer esta participação é por meio das reuniões pedagógicas, que são organizadas pela equipe diretiva, para discutir diversos assuntos referentes à escola.
2.1 REUNIÕES PEDAGÓGICAS ESPAÇO PARA CONSTRUÇÃO COLETIVA
As reuniões pedagógicas fazem parte da escola e dizem respeito à formação de professores, debates, conversas a respeito de assuntos relacionados à escola e ao seu funcionamento. Nestas reuniões organiza-se o tempo-espaço da escola, bem como planeja-se, pensa-se ações, discute-se temas referentes a escola, a aprendizagem, enfim todas as questões correspondentes ao fazer escolar e aos docentes. Nestes espaços que os diferentes segmentos da escola têm a possibilidade de dialogar, trocar ideias e elaborarem juntos planos de ação.
Neste sentido, oportunizar momentos de reflexão contribuem significativamente para o desenvolvimento de práticas que dêem conta da realidade escolar, assim como tem-se a possibilidade do apoio coletivo para a tomada de decisões e execuções destas. Para Bruno, Almeida, Christov,
Os momentos de reflexão que acontecem na escola: representam uma conquista para os professores; requerem um tempo e metodologia para reflexão a fim de se constituírem em espaço de comunicação efetiva entre professores; significam oportunidade para a construção de um projeto de escola; significam oportunidade para formação pessoas e profissional; significam espaço de autoria e compreensão da própria experiência (2001, p. 62).
Desta forma, as reuniões pedagógicas têm grande influência no trabalho docente, pois são elas que favorecem a reflexão, o planejamento e a discussão do fazer docente. Vale destacar que, para que isto aconteça o coordenador da reunião deve necessariamente estar sempre atento aos acontecimentos da escola, para embasar estes com a teoria, com os objetivos da escola, relacionando o projeto político pedagógico, bem como refletir os acontecimentos em si. Contudo, as reuniões precisam ser cautelosas, para não enfatizar apenas um aspecto da escola, mas considerar a totalidade. As reuniões pedagógicas, segundo Almeida e Placco são “garantia de espaço para que todos se coloquem, ou seja, uma troca que caracteriza os contatos e o clima de cooperação” (2001, p. 50). Reunião pedagógica tem um foco pedagógico, mas também voltado ao dia-a-dia, em que possam ter momentos de troca de ideias, conversas, para que aconteçam nestes espaços a participação, expondo o fazer docente, angústias e possibilidades, isto tudo contribui para construção de uma escola democrática.
Destaco, além das reuniões de formação continuada que acontecem no decorrer do ano, às reuniões do início do ano letivo, pois acredito que são elas que “dão o pontapé inicial” nos trabalhos da escola no início letivo, pois todo o planejamento anual, a motivação, a organização se encaminha neste primeiro momento, em que professores, equipe diretiva, funcionários da escola se reúnem para pensar em estratégias para o ano letivo, elaboram planos, metas e percursos a seguir. Desta forma, esta reunião, é de fundamental importância, pois vejo que é ela que norteia o ano escolar, consequentemente, motiva todos da escola e neste primeiro momento responsabiliza, engaja cada um e mostra o quanto são importantes na escola. Além disso, a reunião faz com que sintam-se sujeitos, atuantes e responsáveis por tudo o que for acontecer. Pois, segundo Almeida e Placco “o trabalho de parceria, que se constrói articuladamente entre professores e coordenação possibilita a tomada de decisões capazes de garantir o alcance de das metas e a efetividade do processo para alcançá-las” (2001, p. 25). Vale destacar que, quanto mais comprometimento cada membro da escola tiver, melhor tende a ser o desenvolvimento deste, pois a mudança acontece de fato, quanto se chega a consensos e se luta por ideais comuns.
Outro aspecto que é preciso estar atento, diz respeito ao que pode levar professores a desmotivação, quer dizer, o que chamo aqui, de reunião por reunião, pode por vezes, fazer com que professores não se sintam responsabilizados ou desmotivem-no, a ponto dele estar ali por mera obrigação. São reuniões que não dizem respeito a anseios, desafios, possibilidades de mudanças e sim, em que se passam apenas informações ou discutem-se apenas assuntos de algum setor, ou nem sequer acontece este diálogo, ou ainda, são falados assuntos recorrentes,
reuniões, ao contrário das outras, entram mais num sentido negativo, do que positivo, pois acredito que reunião é para motivar, desafiar, ficar com vontade de estudar, trabalhar, de procurar melhorar e mudar.
Contudo, as reuniões pedagógicas que possibilitam diálogo, troca de ideias, apoio mútuo, responsabilidade coletivas, propostas de mudanças, que acima de tudo mostram que o trabalho é realizado num conjunto em que todos são fundamentais, dividindo alegrias e também as dificuldades são indispensáveis. Sobre isto, destaco as afirmações de Bruno, Almeida, Christov “e, quando nesse processo, consegue comunicar o outro que ele tem alguém que o ajuda a carregar o peso, está cuidando não só da leveza, como também despertando a esperança” (2001, p.81). Assim, sentir este grupo, o apoio, a participação coletiva, além de despertar a esperança, promove um querer ir além, isto é, estabelecer metas, planos para criar uma escola melhor, e isto, parte de um planejamento coletivo, em que acredita-se e respeita-se a singularidade de cada um, e elabora-se a escola como um todo, a partir de significados, ideais comuns.
2.2 PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO E A ESCOLA DEMOCRÁTICA
A escola contempla uma infinidade de particularidades, que somam-se formando um todo, que a partir de reuniões, discussões chegam a finalidades comuns, assim, o planejamento entra como um pensar a escola no todo, sem desmerecer particularidades. Planejar segundo Luft e Cunegatti “significa tomar decisões. Que decisões? Que escolhas? O que privilegiar e por quê? Essas questões fundamentam as práticas que realizamos, porque escolhemos aquilo que sabemos, em que acreditamos e apostamos” (2013, p.25). Assim, o planejamento participativo, parte do pressuposto que as ações serão pensadas num coletivo, por diferentes pessoas com diversas ideias, opiniões e posturas. Consequentemente, é um desafio, pois implica na tomada de decisão a partir de várias ideias. Contudo, de acordo com Puig:
Uma escola democrática define-se pela participação do alunado e do professorado no trabalho, na convivência e nas atividades de integração. Uma escola democrática, porém entende participação como um envolvimento baseado no exercício da palavra e no compromisso da ação. Quer dizer, uma participação baseada na simultaneamente no diálogo e na realização dos acordos e dos projetos coletivos. A participação escolar autêntica une o esforço para entender com o esforço para intervir (2000, p.33).
A participação considera assim, este querer, esforçar-se para além da palavra conseguir realizar, fazer acontecer, quer dizer, momentos de diálogo aliados ao compromisso, em que cada um expõe o que pensa e ao mesmo tempo compromete-se em trabalhar junto, num processo coletivo. Quando se planeja em conjunto e cada um percebe seus ideais, reconhece parte de sua identidade no planejamento do grupo, sentem-se responsável e motivado a realizar, efetivar o que acredita há sentido no que se faz. Deste modo, o planejamento coletivo, segundo Luft “constitui-se numa estratégia de trabalho que se caracteriza pela integração de todos os setores da atividade humana social num processo global para solução de problemas comuns” (2001, p. 57). Isto implica também, numa gestão que viabilize estes momentos de planejamento, participação.
Posso dizer então que, a escola que possibilita este planejamento coletivo em que, torna-se evidente a participação, a discussão ideias, o diálogo, com as mais diversas opiniões e posicionamentos, está atribuindo à escola o seu sentido democrático. Escola democrática pode ser entendida como, nos menciona Puig
colocar em prática um conjunto de atividade que impulsionam a participação. As práticas de participação que tornam possível os alunos e alunas tomar parte ativa e significativa da vida da escolar, quer dizer, nas questões relativas ao trabalho escolar, à convivência e à integração. [...] Participar é envolvê-los na vida escolar mediante a palavra e ação cooperativa. Participar na escola é dialogar e levar a cabo os projetos coletivos (2000, p. 31).
Desta forma, a participação efetiva a democracia na escola, e mais, oportuniza a formação de sujeitos que entendem e fazem uso de sua cidadania, entendendo-se como sujeitos de direitos e também responsáveis pela sociedade. Assim, formam-se cidadãos, estabelece-se a democracia e tem-se a participação de todos, o que é fundamental para que as mudanças aconteçam, pois estas acontecem, à medida que, cada um assume-se e age. Portanto, planejamento coletivo reflete imensamente em todos os aspectos da escola, em consoante com Oliveira,
rediscutir as relações entre os diversos grupos sociais presentes nas escolas, as metodologias e os conteúdos de ensino, com a participação autônoma de todos, é uma necessidade democrática, pois, só assim, podem-se democratizar os meios de decisão política, não só da esfera do Estado, como no conjunto da vida social cotidiana. A ação política de democratização da escola contribuiria, deste modo, para a democratização da própria sociedade, na medida em que, representaria a ampliação das possibilidades individuais e coletivas de desenvolvimento de uma ação compatível com a liberdade de agir e de pensar, com o respeito da pluralidade e o reconhecimento da direito à diferença, equalizando as possibilidades de participação nas decisões de interesse coletivo ( 2005, p.32)
A gestão, desta forma perpassa a abrangência escolar, quer dizer, implica na sociedade, nas mudanças que tanto pretendemos. Portanto, quanto maior a possibilidade de participação, quanto mais coletivo for o planejamento, maiores e melhores os resultados, as expectativas, as mudanças. Vale destacar, que além dos reflexos no exercício da cidadania, na sociedade, a gestão participativa, o planejamento coletivo reflete significativamente nas atitudes do professor e na gestão que este faz na sala de aula.
2.3 A INFLUÊNCIA DA GESTÃO PARTICIPATIVA DA ESCOLA NA SALA DE AULA
A sala de aula, aqui é entendida, como um espaço rico em construção de conhecimentos, atribuições de sentidos, em que se pode criar, recriar, discutir, pensar no exercício da cidadania, refletir nossos direitos e assumir nosso deveres, é lugar primordial para relação professor/aluno, em que ambos possam trocar ideias e juntos aprenderem. Destaco neste espaço, sala de aula, a importância de o professor assumir-se como gestor da sala de aula, e assumir-se democraticamente. Em relação a este papel do professor, Freire defende,
a professora democrática, coerente, competente, que testemunha sue gosto de vida, sua esperança no mundo melhor, que atesta sua capacidade de luta, seu respeito às diferenças, sabe cada vez mais o valor que tem para modificação da realidade, a maneira consciente com que vive sua presença no mundo, de que sua experiência na escola é apenas um momento, mas um momento importante que precisa ser autenticamente vivido (2001, p.127)
O professor neste aspecto, exerce papel primordial, pois é normalmente ele quem está diretamente ligado ao aluno, bem como, sua aula interfere nas atribuições e construções de significados de cada um. Creio que o professor, é o maior exemplo dos seus alunos, ao se falar em participação na escola, cidadania, pois é ele que está diretamente ligado aos alunos. Além disso, destaco as afirmações de Paro “a realização do ensino depende não apenas do aluno, mas também do professor, é dos aspectos mais relevantes, em qualquer projeto de transformação da escola, que os docentes sejam ouvidos e convencidos a cercadas medidas que se pretende tomar” (2007, p.96). Deste modo, ressalto a importância do professor estar de fato envolvido, mobilizado, sensibilizado à participação e convencido do seu “poder” enquanto motivador. Segundo Ferreira e Aguiar:
os professores gostam de trabalhar em escola bem dirigidas e organizadas, constituindo a gestão democrática um componente decisivo em todo processo
coletivo de construção do planejamento, organização e desenvolvimento do projeto político pedagógico e um ensino de qualidade. (2001, p.308).
Percebe-se assim, que o trabalho de gestão implica diretamente no bem-estar docente, como também no exercício de sua docência. Aliado a isto, destaco a efetivação do projeto político pedagógico, que ocorre em sala de aula. Segundo Ferreira e Aguiar
A gestão da educação acontece e se desenvolve em todos os âmbitos da escola, inclusive e fundamentalmente na sala de aula, onde se objetiva o projeto político pedagógico, não só como fonte de desenvolvimento do planejado, mas como fonte privilegiada de novos subsídios para novas tomadas de decisão para o estabelecimento de novas políticas (2001, p.309).
Neste sentido, a sala de aula além do exercício do professor em contato e estabelecimento direto da cidadania também alia-se o projeto político pedagógico, que traz consigo o “pano de fundo” da escola. Assim, quanto mais leal à realidade, mais consoante com efetivação da docência for o projeto político pedagógico, mais “executado” será, pois se o professor participa do planejamento deste estará de acordo, engajando-se com o que se propõem efetivando isto em sala de aula, no planejamento diário. Portanto, quanto mais participativo for o planejamento, a elaboração do projeto político pedagógico, as reuniões e decisões, abrangem a todos, buscando o envolvimento, participação e motivando todos a fazer acontecer realmente o que se pensa, propõem.
Por sua vez, um professor democrático, pode através de seu planejamento e escolha de atividades propor esta vivência democrática em sala de aula, através da proposta de atividades que permitam ao aluno expressar o que pensa, debater assuntos, fazer questionamentos, dialogar com diferentes realidades, percebendo a diversidade e vivenciando a prática de valores. Além disso, quando o aluno percebe que os “conhecimentos escolares” estão relacionados com suas realidades, que estes não são alheios ao mundo, que de certa forma os auxiliam fora da escola, passam a dar mais importância, tanto ao conteúdo em si, quanto ao meio em que estão inseridos, buscando fazer uso de suas aprendizagens em suas vidas, para interferirem na prática cidadã, na comunidade em que se encontram.
Desta forma, percebe-se que a construção do conhecimento é um processo complexo e relacional, em que vamos compreendendo as partes de um todo. Neste sentido, Morin afirma “o nosso conhecimento está relacionado à nossa relação ativa com o mundo exterior, constituindo-se a ação no primeiro vínculo da ação cerebral” (1985, p. 22). Assim, ações da gestão direta ou indiretamente repercutem no ambiente escolar, na sala de aula, na
comunidade escolar, na efetivação dos planejamentos. Daí a importância de estar pensando coletivamente e buscar motivar cada um a fazer sua parte, pois na escola cada um é único e da sua maneira faz a diferença contemplando o espaço diverso e múltiplo que é a escola.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Escola, espaço de diversidade, de múltiplos saberes, convivência. Dentro deste espaço pode-se experimentar vivências riquíssimas, que contribuem para o desenvolvimento humano mais democrático, que exerça seu papel cidadão, que busca uma sociedade mais justa. Acredito que tudo isto é reflexo da gestão que acontece na escola, pois quando se iniciam práticas democráticas na escola, na sala de aula, estimula o exercício da cidadania, da participação tanto escolar quanto na sociedade.
Desta forma, a gestão bem como a escola foi evidenciando períodos históricos, que hoje caminham para a diversidade e a democracia, em que cada um exerce funções individuais e coletivas, pois vivendo em sociedade além de sermos indivíduos efetivamos ações coletivas. Além de cada um ter atribuições específicas fazem parte de uma grupo que pensa, interage e direta ou indiretamente reflete na comunidade. Por isso, gestão se faz com pessoas, com um coletivo, que pensa, age, planeja e exerce tarefas. Assim, a gestão participativa, possibilita cada um ter sua identidade mas contribuindo para construção de um ambiente coletivo democrático, participativo, em que se propõem mudanças, melhorias, pensando num bem comum.
Uma das formas de organização deste coletivo é o projeto político pedagógico que possibilita a participação de pais, alunos, professores, funcionários, equipe diretiva, todos da comunidade escolar. No projeto político pedagógico se evidencia a identidade da escola, daí a importância da participação e elaboração coletiva, pois este documento representa, norteia e permeia as ações da escola. A equipe diretiva é a responsável por tornar este documento acessível e fazê-lo um instrumento de participação, contudo, acredito que cada um precisa buscar participar, saber deste projeto, envolver-se fazê-lo valer.
Além do projeto político pedagógico, outro instrumento de participação são as reuniões da escola, em que os sujeitos podem contribuir, fazer questionamentos, dar sugestões, propor mudanças. Acredito que este é um espaço de fundamental para cada um assumir-se como participante da escola, concretizando o projeto político pedagógico, exercendo sua cidadania. Destaco também a importância da sala de aula, do trabalho docente, que quando organizam um espaço de respeito, de diversidade, de autonomia, e participação, reflete diretamente nos alunos e na participação destes, pois quando sentem-se responsáveis, desafiados passam a comprometerem-se mais, percebendo que a escola é um espaço coletivo, democrático do qual fazem parte e tem papéis para assumirem.
Após minhas observações, análises e leituras concluo que a escola é um espaço coletivo, diverso, composto por diferentes sujeitos que pensam, vivem e podem fazer a diferença, sendo necessário para isto, oportunizar, desafiar, convidá-los a participar, democratizar a escola. Isto começa com a equipe diretiva fazendo uma boa gestão, mobilizando, incentivando todos, fazendo todos sentirem-se corresponsáveis pela escola. Em decorrência disto, o professor bem motivado, sente-se responsável por aulas bem planejadas, que visem à participação, os pais sentem-se no compromisso de ajudarem, e os alunos ganham tanto em aprendizagem quanto em vivência e exercício da cidadania.
Enfim, gestão se faz com pessoas, com sentimentos, com responsabilidades, com ética, respeito, levando em consideração o todo, sem esquecer as particularidades. É certamente, um grande desafio, que precisa ser encarado com amor, responsabilidade, acreditando no ser humano, nas suas potencialidades, no poder da participação e da mudança.
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