CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
A Praça: Um espaço de Lazer
Santa Rosa, RS 2015
A Praça: Um espaço de Lazer
Monografia apresentada á Banca Examinadora do Curso de Educação Física da Unijuí-campus Santa Rosa, como exigência parcial para obtenção do título de Licenciado em Educação Física.
Prof. Orientador: Leomar Tesche
Santa Rosa, RS 2015
À Deus, minha força maior, por estar sempre presente em todos os momentos de minha caminhada. A toda minha família que me incentivou e me deu apoio em minhas decisões.
Ao professor Leomar Tesche meu orientador, muito obrigada pela ajuda, pelos ensinamentos, conhecimentos que me passaste e por ser uma pessoa digna de minha admiração.
A professora Cleia que me apoiou e me incentivou em todos os momentos de minha caminhada dentro da universidade. E a todos os professores que participação da minha formação acadêmica.
Este presente trabalho teve como objetivo geral estudar o processo e a necessidade de construção da primeira praça, em Três de Maio/RS como também suas transformações físicas até os dias de hoje. Para compor essa pesquisa documental buscaram-se informações junto à população, na prefeitura e em bibliotecas e arquivos. Como instrumento de coleta de dados fez-se uso de uma entrevista individual com alguns munícipes mais idosos, com os familiares dos primeiros prefeitos, pessoas que viram nascer à primeira praça e puderam acompanhar a transformação do então distrito Buricá para o município de Três de Maio. Com base nestes dados objetivou-se conhecer a legislação existente sobre o que se refere à praça, quais órgãos que por meio legal devem tratar, disponibilizar e viabilizar o acesso da população a estes lugares. Uma praça não surge por vontade de uma pessoa, mas de um grupo, por isso a importância de educação junto com o poder público de preparar lideranças para atuarem nestes espaços, utilizando os recursos existentes e assim ajudando na formação do ser humano. Conforme os estudos de vários pesquisadores, citamos Kelly e Becker (2000), Lenea (2013) e Frederico Guilherme Gaelzer (1927,1952, 1976), que com seus estudos ajudam a esclarecer o quanto estes espaços públicos são importantes e exercem influencia positiva sobre a população de um município. Uma praça bem organizada, arborizada favorece ao lazer e a recreação, é um meio para maior entrosamento entre a população de uma localidade, e o seu poder público. Por meio da análise conclui-se que a praça surgiu através da legislação do Estado do Rio Grande do Sul, antes mesmo de Três de Maio ser município, era um local considerado ponto central, pois os munícipes a consideravam como sendo um ponto de referencia, a praça favorecia o encontro das famílias, namorados, estudantes. Mais tarde, a praça com sua quadra de esportes, reunia neste local, colégios, torcidas, os jogadores das escolas os grupos de amigos para passarem algumas horas de diversão e lazer. A pracinha encantava as crianças, com o passar dos anos e o surgimento de outras praças e a falta de incentivo e cuidados do departamento responsável, a praça foi perdendo seu lugar. Numa tentativa de recuperá-la e fazer com que seus freqüentadores, voltassem a utilizá-la surge a atual praça da Bandeira, remodelada e com novo nome após decisão tomada numa sessão da câmara de vereadores de Três de Maio, Praça Henrique Becker Filho, e hoje ela é bem menos utilizada e está longe de preencher os requisitos necessários constantes nas atuais legislações vigentes, pois observamos muita falta de conhecimento técnico e falta de recursos humanos que normatizem e auxiliem nas suas atividades. Todo município tem um historia, contada pelo seu povo, assim como a primeira praça da cidade de Três de Maio/RS com o passar dos anos ela foi modificada pela necessidade da legislação ou pela vontade da população, através de entrevista e de documentos, quer trazer os acontecimentos ocorridos durante o presente tempo. este trabalho quer levantar como problema o que levou ao surgimento da primeira praça e a relação com o comportamento da população de Três de Maio, como também suas mudanças, se estas quando aconteceram correspondem as necessidades da época ou não.
INTRODUÇÃO... 7
1 REVISÃO DE LITERATURA ... 9
1.1 ESPAÇOS PÚBLICOS ... 9
1.1.1 Classificação dos espaços públicos ... 9
1.1.2 Recreação em praças ... 10
1.1.3 Características do líder recreativo ... 11
1.1.4 Civilizações e os espaços públicos ... 12
1.2 DEFINIÇÃO DE PRAÇA ... 13
1.2.1 Significados da palavra praça ... 14
1.2.2 Classificação de praças ... 15
1.2.3 Liderança e praças ... 15
1.2.4 Escola e praças ... 17
1.2.5 Comportamento humano e recreação em praças... 19
1.3 TRAGETORIA HISTORICA DAS PRAÇAS ... 19
2 O CASO DE TRÊS DE MAIO ... 21
2.1 A HISTÓRIA ... 21
2.2 PRAÇA CENTRAL DE TRÊS DE MAIO ... 24
3 DEPOIMENTOS DOS ENTREVISTADOS ... 27
REFERÊNCIAS ... 35
ANEXOS ... 36
ANEXO A - FOTOS ... 37
INTRODUÇÃO
Vivemos em uma sociedade em que as relações entre as pessoas começam a ser questionadas, um novo pensamento e uma nova atitude apontam para diferentes possibilidades de relações entre as pessoas, mas para compreendemos os dias atuais é preciso que busquemos conhecer, discutir e refletir o passado. Uma cidade surge da união das pessoas em busca de um mesmo objetivo ela precisa ser planejada para que as edificações possam dar lugar a praças arborizadas com um ambiente favorável ao lazer que vise à saúde e bem estar dos seus munícipes para isso, será preciso olhar as possibilidades educacionais, unir o poder público a população e a escola, para que as relações voltem para o bem estar de todos. Assim pretende-se conhecer e entender os motivos pelos quais surgiu a primeira praça publica em Três de Maio /RS, com as atuais mudanças de comportamento da população, e a preocupação com áreas de lazer ao acesso de todos pode influenciar na maneira das pessoas e do poder público com relação à praça e sua utilização.
A primeira Praça de Três de Maio/RS supõe-se hipoteticamente que teria surgido pela necessidade de um ponto referencial, o qual as pessoas poderiam freqüentar, tanto para lazer como para recreação. Todos nós temos uma história, assim também as cidades, a falta do conhecimento do passado deixa lacunas, e falta referencias que possam auxiliar no presente, este trabalho tem como objetivo ajudar a trazer a trajetória da primeira praça, sua origem e transformações até os dias atuais, observando se durante todo este período ela existe apenas para satisfazer necessidades legais ou para que os munícipes e visitantes possam desfrutar do que ela pode ou deveria oferecer.
As praças exercem papel importante dentro de um município, atualmente desejam cada vez mais espaços comuns que mantenham o cidadão em contato com a natureza, a primeira praça, de Três de Maio/RS deveria ser um marco, local de encontro, diversão e lazer, como também ponto de referencia capaz de indicar a partir dali para o sul, norte leste ou oeste os bairros, comércio, colégios.
A atual praça Henrique Becker Filho, desperta o interesse pelo fato de começar sua historia junto com o município, que motivos havia na época para isto, a população da cidade aumentou, tivemos uma grande mudança tecnológica como ficou o comportamento das pessoas, teria mudado, e estas alterações acompanharam as da praça.o ser humano esta sempre em constante mudança. O ambiente em que vive precisa ser cuidado, uma cidade deve atender as necessidades existentes respeitando a natureza. Assim justifica-se este trabalho devido ao fato de termos uma historia, e de do desejo de respeitar a natureza.
1 REVISÃO DE LITERATURA
Vivemos em mundo tecnológico, que precisa fazer renascer a arte da cultura do encontro comunicar-se é escolher a proximidade com o mundo, com a vida, com a natureza, com o outro. Vamos falar das praças, espaços públicos, comuns a todos, o qual quer ajudar a refletir sobre a importância destes locais para os cidadãos, para o poder público e para as instituições de ensino. Pela pertinência e simplicidade do assunto que nos faça reconhecer os direitos e deveres de cada um para melhor viver em sociedade respeitando os bens que nos são comuns.
1.1 ESPAÇOS PÚBLICOS
Vivemos em sociedade, e precisamos caminhar em busca da dignidade humana individual e social, para isso é preciso organizar as cidades para que respeitem a natureza, suas águas, seu ar, educando as pessoas para buscarem espaços públicos voltados a preservação do meio ambiente, proporcionando acessibilidade adequada a crianças, jovens, adultos e idosos, uma educação voltada para o hoje, preocupada com o futuro, apropriada para todos.
Todo espaço públicos deve desempenhar algumas funções especificas em uma cidade. Como por exemplo: Recreação; “Respiro” para o ambiente urbano bastante edificado, onde predomina o concreto, o asfalto; Identidade para bairros ou até mesmo cidades inteiras; Embelezamento do espaço urbano; e Possibilidade de interação e convívio social Kelly e Becker (2000).
1.1.1 Classificação dos espaços públicos
Os espaços públicos podem ser classificados segundo seu porte, raio de abrangência e tipos de usos que abriga. Kelly e Becker (2000) apresentam a classificação proposta pela National Recreation and Park Association. Uma possível classificação, mais simples, adaptada ela seria assim:
A - Espaços públicos de vizinhança, aqueles espaços de pequeno porte e que atendem a um pequeno conjunto de quadras e lotes, servindo como unidade básica do sistema de espaços públicos e abrigando especialmente atividades relacionadas ao convívio e ao lazer cotidianos; B - Espaços públicos de bairro, que são aqueles de médio porte e que
atendem a um escopo maior de atividades, incluindo aquelas de interesse comunitário, de conservação ambiental e de recreação, entre outros;
C - Espaços públicos municipais, que são aqueles de grande porte e que
atendem a todo o Município, podendo abrigar uma grande diversidade de atividades, especialmente aquelas relacionadas ao lazer esporádico e à preservação e conservação ambiental.
1.1.2 Recreação em praças
Percebendo as mudanças culturais e a atual preocupação a nível mundial com o meio ambiente, podemos perceber que muitos autores já se dedicaram e em suas obras afirmam a importância da analise sobre os fenômenos contemporâneos do esporte recreativo e do lazer na cidade, a recuperação e a documentação da memória das práticas esportivas regionais, bem como as crenças circulantes em programas de promoção da saúde e dos benefícios da prática física e sua repercussão na cultura do movimento humano. Na cidade de Porto alegre, por exemplo, para um espaço ser considerado Praça é necessário que a área tenha no mínimo de dez hectares (TEIXEIRA, 2008) devem ser espaços predominantemente abertos, com grandes dimensões e características próprias. A preservação dos atributos naturais que caracterizam a unidade de paisagem na qual o parque está inserido, bem como para a promoção da melhoria das condições ambientais na cidade é uma preocupação central. Após algum tempo percebeu-se a necessidade de se efetivar regularmente as atividades esportivas e recreativas com a orientação de um professor de educação física nos parques.
Obras como a de Lenea (2013) contribuíram para o aprofundamento de conhecimentos, com a formação de profissionais e também com a intervenção comunitária no campo da recreação e do lazer. Para Lenea (2013) três são os elementos interdependentes para o entendimento do lazer: tempo, atividade e atitude. Já para a recreação as três funções basilares: pedagógica, formativa e
compensadora. Lenea (2013) destaca a importância dos grupos organizados para a formação de clubes em recreação. Onde se destaca a recreação como uma via educativa com potencial de colaborar com a harmonia e com o ajustamento social. Os profissionais devem alicerçar sua liderança numa base cultural e em conhecimentos teóricos e práticos que garantam êxito na condução dos programas. Assim sendo Lenea (2013) dedicou-se a formação em nível de pós-graduação na universidade federal do Rio Grande do Sul para que os profissionais pudessem atuar com o lazer comunitário em âmbito nacional.
A recreação publica organizada, como órgão municipal junto à prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, nasceu por iniciativa de Gaelzer (1927).com o objetivo de utilizar dos espaços públicos de forma mais adequada com orientação de profissionais da área..
Uma área livre a natureza representada pelo verde, jovens e crianças atendendo a necessidade natural de lazer e os ímpetos de liderança das voluntárias como forças integradoras que raras vezes se manifestavam em atitudes anti-sociais. Este e outros recantos livres da cidade em crescimento mais o idealismo do professor Gaelzer (1927) com uma consciência social definida, passou a compartilhar com aquela população o mesmo entusiasmo proporcionando-lhes o direito de escolher o que fazer nos momentos de folga nos espaços públicos.
1.1.3 Características do líder recreativo
Para uma pessoa assumir uma unidade de recreação como praça exige algumas qualidades pessoais como personalidade bem formada e preparo profissional. Ele deve saber atuar entre os participantes de um programa, compreender as pessoas, fazer amigos, inspirar confiança, estar atento aos problemas sociais. Além de estar habilitado com conhecimentos gerais e específicos. Nestes programas deve-se procurar ajudar as pessoas a obterem auto- expressão, saúde, personalidade e desenvolvimento do caráter. Liderar é ajudar ao próximo a se educar e se dirigir para a vida na comunidade.
Um líder para a recreação nas unidades, praças, deve ser aquele que acredita na evolução do futuro e com inquietude, está sempre pronto a renovar-se e
acompanhar as mudanças sociais; toma consciência das necessidades do homem na vida moderna e possui uma visão ampla do futuro.
1.1.4 Civilizações e os espaços públicos
Segundo Cutten (1971, apud GAELZER, 2013)
[...] o bom uso do lazer foi elemento preponderante em todas as civilizações que sobreviveram; ao passo que seu mau emprego levou a ruína as civilizações que desapareceram da face da terra. A moralidade é o primeiro baluarte a cair, na batalha de qualquer civilização. A decadência de todos os povos começou com a corrupção dos costumes.
O desejo de ter um espaço público que garanta uma estrutura que garanta o direito da criança, do jovem, do adulto e do velho, onde o objetivo na infância é pedagógico e de crescimento; na juventude, formativo, integrador, criativo e social; na velhice uma compensação criando novos estímulos e oferecendo a continuidade do aperfeiçoamento individual. Em 1929 foram criadas as praças de educação física, subordinadas ao então, departamento de praças públicas e jardins, em Porto Alegre, sendo o professor F. G Gaelzer seu fundador e primeiro chefe. Para Gaelzer (1952, p. 3) “observações como estas (um centro de delinquência se transformar em uma escola) podem ser colhidas em todo o mundo demonstrando um testemunho de que a delinquência juvenil é regulada pela qualidade de lazer que cada cidade dispensa a sua mocidade”. É importante lembrar que os órgãos educacionais e culturais da prefeitura de Porto Alegre nasceram oficialmente da recreação publica organizada, este exemplo deve ajudar as demais cidades do estado. Assim como a UFRGS em 1954 e 1963 realizou dois cursos de especialização em recreação para professores de educação física, com duração de dois semestres hoje em dia com o homem moderno, vivendo a era da velocidade, paradoxalmente se torna cada vez mais espectador e sedentário e menos ator, com o aumento da violência, há insegurança de praticar atividades em espaços públicos percebe-se a necessidade de estimular as atividades esportivas e ampliar as equipes envolvidas. Para o melhor aproveitamento dos locais públicos.
Segundo a Associação Internacional de Recreação, hoje Associação Mundial de Lazer e Recreação (1964, p. 460) em sua publicação La Recreación em El
Mundo, “por volta de 1934, sobre direção de F. G. Gaelzer, Anisio Teixeira, Lois Williams e Nicanor Miranda, se estabeleceram em Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e em outras capitais, serviços municipais de recreação e educação física, assim como terrenos públicos para jogos e centros de recreação”.
Seria oportuno afirmar que todo o empenho dos profissionais que se empenharam em deixar esse legado valioso as pessoas, que estimula a educação permanente e a humanização das cidades é de suma importância nos dias atuais, pois a melhor demonstração de êxito é saber até onde poderiam auxiliar as crianças, aos jovens e aos adultos a estabelecerem por si mesmos uma escolha de cujo intimo sempre pudesse surgir uma inspiração melhor; uma vivencia que de algum modo favorecesse momentos dignos de serem vividos e multiplicasse situações de caráter positivo.
1.2 DEFINIÇÃO DE PRAÇA
Uma cidade é composta por espaços edificados e outros livres de edificação, este segundo podem ser divididos em ruas, quintais, pátios, calçadas, terrenos, parques e as praças. A praça é um local que busca proporcionar convivência e ou recreação para seus usuários.
O sentido da palavra e do local praça varia de população para população, de acordo com a cultura de cada lugar. Em geral este tipo de espaço está associado á idéia de haver prioridade ao pedestre e não aos veículos como carro, ônibus, motos. As praças são elos entre os diversos espaços criados numa cidade, por isso a importância de se organizar e planejar sua estrutura. Para Santos (1997, p. 51) “O espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e também contraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não considerados isoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá”.
Uma praça pode contar a historia de uma cidade, um povo. Como nos relatar De Angelis (2000, p. 2), “qualquer um de nós tem, ainda que remotas sejam, lembranças de uma praça onde, na infância, o balanço, a gangorra ou o escorregador faziam parte do universo da criança”.
As praças são uma forma de paisagem sendo bem vista ou não pela sociedade. Assim, “Paisagem e espaço não são sinônimos. A paisagem é um conjunto de formas, que num dado momento expressa as heranças que representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas formas que a vida anima” (SANTOS, 1997, p. 83). As praças no contesto paisagem devem ser valorizadas, para que elas não se tornem basicamente uma mercadoria, como aponta o geógrafo Santos (1997, p. 83) “o espaço uno e múltiplo, por suas diversas parcelas, e através do seu uso, é um conjunto de mercadorias, cujo valor individual é função do valor que a sociedade, em um dado momento, atribui a cada pedaço de matéria, isto é, cada fração da paisagem”.
1.2.1 Significados da palavra praça
Para entender os diversos significados das praças, desde sua origem, até os dias de hoje, faz-se necessário entender as praças no contexto de alguns autores. De acordo com Rigotti, (1965, apud DE ANGELIS et al., 2005, p. 2) “as praças são locais onde as pessoas se reúnem para fins comerciais, políticos, sociais ou religiosos, ou ainda, onde se desenvolvem atividades de entretenimento.” Ardoroso defensor da arte nas praças, Sitte (1992, p. 25, apud DE ANGELIS et al., 2005, p. 2) escreve que nelas “[...] Concentrava-se o movimento, tinham lugar as festas públicas, organizava-se as cerimônias oficiais, anunciavam-se as leis, e se realizava todo tipo de eventos semelhantes.” Todavia “a praça é o lugar intencional do encontro, da permanência, dos acontecimentos, de práticas sociais, de manifestações da vida urbana e comunitária e, consequentemente, de funções estruturantes e arquiteturas significativas” (LAMAS apud DE ANGELIS, 2005, p. 2). Os autores Robba e Macedo (2002 apud DE ANGELIS et al., 2005, p. 2) contextualizam: “mesmo havendo divergências entre os autores, todos concordam em conceituá-la como um espaço público e urbano, celebrada como um espaço de convivência e lazer dos habitantes urbanos”.
1.2.2 Classificação de praças
Assim sendo, de acordo com cada sentido que a palavra praça assume, estes espaços podem ser classificados (MACEDO; ROBBA, 2002) em: a. Praça Jardim: espaços nos quais a contemplação das espécies vegetais, o contato com a natureza e a circulação são priorizados. Estes podem ser fechados por grades ou cercas, como o passeio público do Rio de Janeiro e de Curitiba, ou ainda podem ser abertos e rodeados de imóveis (comerciais e residenciais). No Brasil, o conceito de praça está, normalmente, associado à idéia de verde e de ajardinamento urbano, por este motivo, os espaços públicos formados a partir do pátio das igrejas e dos mercados públicos é comumente chamado de adros ou largos. b. Praça Seca: largos históricos ou espaços que suportam intensa circulação de pedestres. Em algumas destas praças inexiste qualquer tipo de árvores ou jardins e nelas o importante é o espaço gerado pela arquitetura e são relações entre volumes do construído e do vazio que dão ao conjunto a escala humana. Nestes locais destacam-se símbolos arquitetônicos como a Praça de São Marcos em Veneza (Itália), a Praça de São Pedro em Roma (Itália) ressaltando a Basílica, a praça dos três Poderes em Brasília e o Memorial da América Latina em São Paulo. c. Praça Azul: praças na qual a água possui papel de destaque. Alguns belvederes e jardins de várzea possuem esta característica. d. Praça Amarela: as praias em geral são consideradas praças amarelas.
1.2.3 Liderança e praças
Nos dias atuais as condições de vida nas cidades criaram a necessidade de liderança recreacional para jovens e adultos, da mesma forma que para crianças para tanto as praças devem estar adaptadas para dar acesso para realizar as mais diversas atividades, visto que eles não podem jogar voleibol, futebol, tênis ou outras, se não tiverem acesso, ás quadras; nadar, se não existirem piscinas; praticar atletismo sem instalações adequadas; tocar instrumentos musicais ou participar de coros, sem lugar para os ensaios e favorecer a prática de experiências em programas cuidadosamente planejados.
A liderança recreacional é formada por um conjunto de profissionais que se empenham na realização de programas na área do lazer comunitário, desde a escola até as associações e instituições de bairro que se encontram naqueles programas para a promoção humana. Em muitos países a profissão de recreador, já está regularizada e valorizada, para Thelma Mc Cormacl (apud PARKER, 1978, p.23) “a recreação é um sistema de controle social e, como todos os sistemas de controle social é até certo ponto manipulável, coercivo e doutrinador, o lazer não é nada disso”.
As praças são locais para a realização de atividades, seja ela recreação, lazer ou jogo, pressupõe uma multiplicidade de trabalho tanto individual como coletivo. Para realizar uma atividade o individuo necessita pensar, estudar e aprender; necessita encontrar seu próprio ritmo e equilíbrio testando a si mesmo e se organizando interiormente, portanto, mesmo as atividades realizadas em praças podem ser passiveis de uma organização. O lazer conforme (GAELZER, 1978) é um estado mental ativo, uma atitude associada a uma participação prazerosa e criadora. Por esta razão o lazer e a recreação devem ser analisados de maneira distinta; o lazer como um fim e a recreação como meio. Ambos podem e devem ser realizados nas praças, pois são formas do individuo ocupar um tempo consigo mesmo e alcançar a sua harmonia interior, será uma atividade espontânea que nada tem de coerciva, doutrinadora, expositora ou manipuladora. Conforme Froebel (apud NASH 1968, p. 60) “a recreação é a pura, a mais espiritual atividade do homem, proporciona alegria, liberdade, repouso exterior e interior, paz com o mundo”. E poder realizá-las em um ambiente preparado e ao alcance de todos é um dos objetivos dos idealizadores das praças.
Conforme alguns filósofos muitos sistemas culturais parecem durar um pouco mais do que os grandes grupos organizados, para Sorokin (1968), estes grupos de quando em quando se desintegram e cessam de existir, ao passo que os grandes sistemas culturais, por eles desenvolvidos, encontram, com frequência, novos agentes humanos para lhes perpetuar a existência. Dai a importância da liderança recreacional, da orientação e o planejamento dos programas de atividades fundamentados na filosofia dos direitos humanos à liberdade. Gouvea (1969, p. 230) afirmou “a primeira atitude do recreador é planejar e elaborar programas com os que se recreiam e não para eles”. Com relação à liderança recreacional, está será tanto
mais segura quanto mais essa liderança tiver a capacidade de amar, de compreender a natureza humana e a consciência esclarecida dos fins da educação com uma posição filosófica definida.
Viver é evoluir, crescer, agir e lutar por isso a importância da união da teoria com a prática, do ambiente escolar com os espaços destinados a lazer e recreação pelo poder público. Lembrando que é necessário aprender a ver as coisas tais quais elas são na realidade, pois o conhecimento não é eterno, mas relativo. Dai a necessidade de se ter mente flexível, inquieta, ser intelectualmente curioso. Pois unidades de recreação como as praças poderão não ter vida longa nem cumprirão seus objetivos se não houver pessoas responsáveis pelo bom andamento dos programas e pela subsistência do material. Elas perderão suas finalidades se não tiverem lideres que estimulem e organizem as atividades, assegurando o bom comportamento social dos frequentadores e ensinando-lhes, muitas vezes, a viver melhor com seus semelhantes. Deixar funcionar uma unidade de recreação, praça, sem lideres ou com lideres que não conhecem a sua missão, é prejudicar a satisfação da prática recreativa de muitos ou selecionar a poucos um direito que é de todos.
Não é suficiente trazer crianças, jovens e adultos as praças para supostamente livrá-los dos males de uma liberdade sem orientação, é preciso ajudá-los a desenvolver um físico e mente saudável. Para Schmidt (1964, p.14) “viver situações significativas é que leva ao amadurecimento” este autor acredita que os meios de que se dispõe para integrar o lazer num sistema de valores desenvolvendo as atitudes construtivas possibilitam ao individuo viver melhor levando-o: a) 0 saber assumir responsabilidades; b) conseguir autossuficiência; c) ter o gosto da iniciativa; d) ser capaz de auto expressão; e) adaptar-se satisfatoriamente a grupos; f) amar a coragem; g) cultivar o ser interior.
1.2.4 Escola e praças
Hoje a tecnologia invade todos os aspectos da vida, se compararmos com a sociedade primitiva pode-se dizer que a “escola-natureza” foi substituída pela “escola-máquina”. Obstinado em aperfeiçoar as coisas, o ser humano, está negligenciando o aperfeiçoamento de si mesmo. O fanatismo da automação chega a
sacrificar o individuo e a natureza. O benefício da máquina e da técnica faz com que a sabedoria se torne coadjuvante, surgindo à necessidade de se humanizar o próprio homem.
O contraste é evidente e alarmante a degradação dos valores espirituais se generaliza pelo mundo inteiro, a violência segundo Fromm, 1969 “é resultado do desespero e do vazio psíquicos e espirituais e do ódio resultante contra a vida.” Sabe-se que se aprende aquilo que se sente e se aceita, cada um tem seu próprio jeito de viver. Por isso, para Gadotti (1978)
[...] não existe uma educação neutra; no interior da educação e do sistema escolar brasileiro há uma luta entre a necessidade de transmissão de uma cultura existente (ciência, valores, ideologia) e a necessidade de criação de uma nova cultura que é a tarefa revolucionaria da educação; estudo do autor propõe uma pedagogia do conflito.
A escola deve existir para ajudar o nosso povo a pensar e atuar, pois o homem só poderá encontrar o equilíbrio de adaptação na sociedade moderna, compartilhando com o “outro”; convivendo; selecionando atitudes conforme seus interesses e aceitando os valores comuns dos padrões predominantes.
O processo educacional se inicia na família, local de origem do próprio individuo, continua na escola e se projeta ao longo da vida toda; esta é a teoria moderna da educação continuada ou educação permanente. Assim percebemos a importância das unidades recreativas, praças, como cuidar de um bem que é de todos, participar ativamente das atividades oferecidas quando vivemos em uma sociedade individualista e consumista onde só aquisição de riquezas pode aumenta a auto estima. Para Kilpatrick (apud GAELZER, 1976) a tarefa da educação talvez não seja tanto produzir homens eruditos, mas, principalmente e acima de tudo, que saibam sentir, pensar e agir. Estas afirmações são corroboradas por Fichtner (1975, p. 8) “nenhum saber tem valor se não for relacionado diretamente com a vida e ao modo de viver”.
Viver é uma arte, algumas pessoas se sentem satisfeitas quando se encontram ao lado de outras e que bom poder uni-las a unidade de recreação praça local de prazer e reunião com seus semelhantes que infelizmente devido á violência, falta de manutenção, em alguns lugares não conduz a comunidade a esta vivência.
1.2.5 Comportamento humano e recreação em praças
O comportamento do ser humano está orientado tanto para si mesmo como para os demais. É o seu impulso de curiosidade que o leva a um interesse insaciável de exploração e de procura; o desejo de conhecimento ajuda a relacionar-se para resolver situações o faz pensar, exige raciocínio, sempre lembrando que o ambiente em que vive influência em suas atitudes.
Assim sendo a recreação leva o individuo a formar um grupo, o qual deve ser um meio para o desenvolvimento pessoal, seja ele o esporte, a musica, as artes, a literatura ou aquelas ao ar livre com objetivos relacionados à natureza.
As unidades recreativas, praças, devem favorecer e ajudar a aguçar o interesse da população visando á transformação da sociedade em uma cultura humanística, baseadas em relações interpessoais, onde os interesses estejam voltados a valores, a estilo de vida saudável, cuidado com a natureza, com os bens materiais disponíveis e ao acesso de todas as diferenças sociais e culturais de seus frequentadores.
A continuidade e o sucesso destes locais públicos dependem muito do poder público e da comunidade, o primeiro deve sempre levar em conta o desejo de seus frequentadores, ter lideres que amem e desejem o criativo-social, gostem de pessoas de obstáculos de vida flexível as novidades e diferenças. E comunidade que acolha, respeite e demonstre uma atitude que favoreça á criatividade que se identifique com os objetivos e tarefas apresentadas.
1.3 TRAGETORIA HISTORICA DAS PRAÇAS
Até meados do século XVIII o projeto de praças estava normalmente restrito ao tratamento paisagístico, de grandes palácios, nem sempre inseridos no contexto urbano. Os espaços livres existentes nas cidades configuravam-se de forma não ordenada, em geral devido à existência de mercados populares ou às entradas de igrejas e catedrais. As praças que históricamente se formaram nas cidades Europeias normalmente estão relacionadas com a configuração natural de um espaço livre a partir dos planos de edifícios que foram sendo construídos ao redor de construções importantes, como igrejas, catedrais e prédios públicos. Durante o
seculo XIX, o desenho específico de praças passa a constituir matéria própria, em paralelo à constituição formal da profissão de arquiteto paisagista(simultaneamente ao trabalho de Olmsted no desenho de sistemas de espaços livres em Boston e Nova Iorque).
No Brasil o conceito praça esta associado ao verde e ao ajardinamento urbano, atualmente quando um espaço livre recebe um mair tratamento, equipamentos recreativos e contemplativos, como playgrounts, equipamentos para ginasticas, e Cooper, bancos e mesas, etc. Resultado de um projeto formase assim uma praça.
O Governo Federal Brasileiro criou o Programa de Aceleração do crescimento. PAC 2 (Março de 2010) no eixo Comunidade cidadã, nela a ação Praça dos Esportes e da Cultura (PEC). Entre os anos de 2011 a 2014 estava prevista a construção de 800 PECs.
O objetivo das Praças dos Esportes e da Cultura é integrar num mesmo espaço físico programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços sócio assistenciais, políticas de prevenção violência e inclusão digital, de modo a promover a cidadania em territórios de alta vulnerabilidade social das cidades Brasileiras.
A concepção, objetivos e projetos arquitetônicos de referência das Praças foram desenvolvidos por equipe multidisciplinar e interministerial. Esse grupo desenvolveu três modelos de Praças, previstos para terrenos com dimensões mínimas de 700 m², 3.000 m² e 7.000m².
Os projetos de arquitetura e engenharia das Praças disponibilizados pelo programa são de referência e podem ser adotados ou não pelos municípios e o Distrito Federal, cujo único compromisso deverá ser manter o programa básico proposto para cada um dos três modelos.
2 O CASO DE TRÊS DE MAIO
2.1 A HISTÓRIA
Para este relatório buscou-se informações junto à biblioteca municipal de Três de Maio, a secretária de educação de desporto a qual forneceu a planta atual da praça, a câmara de vereadores com o documento de lei numero 2.484, do ano de 16 de Abril de 2009 na qual consta a alteração do nome da praça, em livros publicados como o Nosso Abraço a Quem Trabalha Pelo Rio Grande, Três de Maio um Pouco de sua Historia, Relatório da Administração Municipal do Prefeito Walter Ullmann, informativo municipal 2014, além de inúmeras conversas, com o poder público atual, munícipes que participaram da história e viram as mudança sociais culturais da praça, ex-funcionários, comerciantes, dentre outros.
Três de Maio integrou a Província das Missões, que eram administradas pelos Jesuítas desde 1682, até o ano de 1750. A partir de 1750, após o Tratado de Madrid, a região onde fica o município passou a pertencer a Portugal. As Missões foram reconquistadas no ano de 1801, passando a fazer parte definitivamente ao Rio Grande do Sul.
Três de Maio integra a zona do alto Uruguai que constitui a região da mata subtropical Rio Grandense, situada, em sua maioria no aprazível vale do Rio Uruguai, isto de acordo com o departamento de geografia e estatística do estado.
As terras que hoje formam o município de Três de Maio pertenceram respectivamente aos municípios de: Rio Pardo, 1809; Cachoeira do Sul, 1819 e Cruz Alta, 1834 e a Santo Ângelo. A partir de 1876 à Santa Rosa.
Em 1915 chegaram a esta região colonizadores descendentes de Alemães, Italianos, vindos das chamadas Colônias Velhas começaram a comprar as terras e fixar moradia, muitos eram oriundos dos seguintes municípios: Cachoeira do Sul, Montenegro, Lajeado, Estrela, entre outros.
Em 1916, com a divisão territorial de Santa Rosa instituída pelo ato numero 104, 10 de julho, foi criado o 7° distrito tendo por sede Três de Maio. O distrito mais pujante e progressista e auto-suficiente, pois era social e econômica mente
homogêneo, organizado sobre os fundamentos da pequena propriedade agrícola, com boa distribuição de riqueza, afastada de qualquer desigualdade social. Já tinha ótimas possibilidades de desenvolvimento pois possuía forte indústria e adiantado comercio.
Ainda sob a orientação do município sede Santa Rosa determinou-se que em 1938 fosse criada a primeira praça no ponto central de Três de Maio num dos terrenos da Avenida Uruguai, esta era constituída de canteiros de gramas com quatro entradas de chão batido que levavam ao centro no qual estavam os mastros para a bandeira nacional e do estado ao lado dois espaços em forma de meia lua para uso dos populares. Depois da emancipação os terrenos que pertenciam a populares que ladeavam com a praça foram solicitados pelo poder legislativo.
Em 1948 começa a campanha para a emancipação política administrativa através de uma consulta popular, muitos cidadãos se mobilizaram, enfrentaram as dificuldades surgidas na Assembléia Legislativa do estado para conquistar sua emancipação político administrativo. A emancipação foi conquistada, oficialmente, em dezembro de 1954, pela lei de criação n°2526 de 15 de dezembro de 1954, onde o então governador do estado Ernesto Dorneles cria o município de Três de Maio, com sede na localidade do mesmo nome. A instalação do novo município, no entanto, deu-se em 28 de fevereiro de 1955, tendo como primeiro prefeito Senhor Walter Ullmann e como vice-prefeito o Senhor Avelino Haas.
Para a primeira sede da prefeitura alugou-se o segundo piso do prédio onde funcionava a Tecidos Burrica, em frente à Igreja Católica, e começou-se o trabalho, de estruturação do novo município. No segundo período administrativo de Três de Maio foram iniciados os trabalhos de construção do Palácio Municipal sob a orientação do Prefeito Germano Dockhorn e concluído na terceira administração com o Senhor Walter Ullmann.
Hoje está composto de cinco distritos: Manchinha, Progresso, Quaraim, Consolata e Barrinha. Com uma população de 24.785 pessoas, sendo 31,39% na zona rural, clima temperado, com temperatura média entre 17 e 20 graus centígrados. O dia do município é comemorado dia 3 de Maio.
Quando Três de Maio, em 1916 era distrito de Santo Ângelo recebia o nome de Buricá, possivelmente por situar-se perto do rio Buricá que banha suas terras.
Com a criação do município de Santa Rosa, esta terra passou a chamar-se Santa Rosa do Buricá, porque se localiza entre os Rios que recebem estes nomes, Rio Buricá e Rio Santa Rosa.
Grandes foram os festejos pela ocasião do primeiro decênio de existência do clube que até hoje se chama Clube Buricá. A partir daí (1930) nos anos subseqüentes eram festejados no Clube Buricá os bailes de Kerb, de tradição alemã, comemorações que duravam três dias e culminavam no dia 03 de maio.
O município de Três de Maio com o auxílio do trabalho dos seus munícipes possuía bons meios de comunicação uma agencia de correios e telégrafos, centro telefônico, uma radio emissora de prefixo zyu-43 linhas permanentes de ônibus, comunicação via feria com os principais centros do estado é feita por intermédio município vizinho Santa Rosa, possui cerca de 240 indústrias mais de 150 estabelecimentos comerciais de categoria média ou superior, além de produzir considerável parcela no mercado Gaúcho de suínos, feijão, milho, soja, trigo, mandioca, fumo e madeira. Três de Maio destacasse também com um grande numero de estabelecimento de ensino dentre os quais Ginásio Dom Hermeto Jose Pinheiro, Ginásio PIO XII, Instituto Educacional São Paulo, Escola Técnica de Comercio, Escola Normal Rural Presidente Getúlio Vargas... Além de possuir três agencias bancarias, Banco Nacional do Comercio, Banco Agrícola Mercantil, e Banco Industrial e Comercial do Sul.
A população para divertir-se nas horas vagas sem preconceitos frequentava o tradicional Clube Buricá, os diversos clubes esportivos, o cinema, a praça central, e o Centro de Tradições Gaúchas.
A Prefeitura Municipal de Três de Maio pretendia adquirir para o patrimônio municipal a quadra 21 desta cidade, com a área total de 10.282m2 com o propósito de ali erguer o Palácio Municipal concentrar as repartições públicas, além de possibilitar a ampliação da atual Praça da Bandeira.
A dita quadra era de domínio privado e tinha como proprietários a Banco Agrícola Mercantil S.A. Senhor Germano Dockhorn e o Senhor Alfredo Henn. Nos termos do decreto lei federal numero 3.365 de 21 de Junho de 1941, aludia a quadra urbana para consequente desapropriação, visto que a municipalidade peticionaria
lançou mão do decreto numero 2 de 15 de Março de 1956 declarando-a de utilidade pública .
Toda a área da quadra 21, que é compreendida ao leste da Avenida Uruguai, ao oeste com a Rua Padre Cacique ao norte com a Rua Rio de Janeiro e ao sul com a Rua Minas Gerais é declarada de utilidade pública conforme ao decreto numero dois de 15 de Março de 1956, para futuras construções de edifícios públicos melhoramento de vias e da Praça da Bandeira. Apesar de muitos desentendimentos entre as partes chegou-se a um acordo hoje neste espaço encontrasse a Praça Henrique Becker Filho e o Palácio Municipal.
2.2 PRAÇA CENTRAL DE TRÊS DE MAIO
Na organização sociológica, conforme relatório em anexo da administração municipal de Três de Maio período de 28 de fevereiro de 1955 à 31 de dezembro de 1959, do Brasil vigente na época em que Três de Maio ainda era distrito, era tradicional que todas as cidades do interior, desde as mais importantes as mais pobres, tivesse como cartão de visitas e centro de confluência social, uma praça com canteiros verdes, iluminação farta, bancos de pedra e sempre que possível um parque infantil.
A implantação da primeira praça surgiu pela necessidade de suprir este problema social e pelas leis da época, o terreno para já estava destinado a praça, ele era de chão batido, com canteiros de grama quatro entradas que se ligavam no centro onde se localizavam os dois mastros das bandeiras nela os populares se reuniam para conversar, andar de bicicleta, assistir os desfiles cívicos, apresentações escolares, namorar, ali famílias se encontravam, este espaço já tomava a forma de uma praça, era um elo entre a sociedade e o poder público.
Ainda na primeira administração do Senhor Walter Ullmann no ano de 1956 á praça central de Três de Maio foi tomando forma com canteiros bem constituídos, cordões caiados, gramíneas plantadas, além de arbustos de todo gênero, como camélias, azaléias, jasmins, palmeiras, cravos, roseiras, ciprestes, pirâmides e arvores de sombra, já em pleno crescimento, a iluminação fluorescente foi instalada toda em cabos subterrâneos, uma parte dela foi destinada para um parque infantil onde as crianças pudessem usufruir ao ar livre um ambiente sadio para receber uma
educação adequada, onde as crianças podiam passar horas de prazer, brincando e se exercitando, também á noite nos brinquedos como cavalinhos roda giratória, balanços, gangorra giratória, escadas, caixa de areia, escorregadouros, e outros aparelhos instalados. Bancos de descanso para os pais e acompanhantes, sempre sob os olhares atentos de um zelador muito conhecido de todos Senhor Gemercindo Rodrigues Pereira, que trabalhou na praça por 30 anos.
A praça contava também com instalações sanitárias, com mictórios, wc, e água corrente, com compartimentos higiênicos e modelares, distintos para meninas e meninos, homens e mulheres.
Ainda na praça da bandeira foi construída uma quadra esportiva, para que jovens e adultos, pudessem dela usufruir, em busca do preparo físico, que é parte importante da formação intelectual e corporal das pessoas, reconhecendo assim a importância do poder público em sua responsabilidade de favorecer recursos para que homens e mulheres bem orientados na vida, com sentimentos puros para que juntos fosse possível construir um Brasil melhor. Jogos passam a ser realizados a cada noite, despertando o entusiasmo dos jovens pelas diversões sadias, onde indistintamente de suas condições de pobreza ou riqueza todos os munícipes, se divertem diariamente na praça da Bandeira. Ali também aconteciam torneios intercolegiais e municipais.
A quadra esportiva é constituída de cimento armado, revestida com tinta encorpada que a torna macia e de conservação permanente mede 36x25 metros e se achava circundada com tela de arame suportada em canos galvanizados robustos com a altura de 3,5metros sendo ao lado sul, construídas em cimento armado as arquibancadas para a assistência. Nesta quadra era possível jogar futebol de salão, basquete, tênis, voleibol.
Com o passar dos anos a quadra de esportes chegou a ser revestida com areia, mas devido a reclamação da vizinhança voltou a ser como antes a parte arborizada foi adquirindo sofrendo alterações como um local próprio para os 3 mastros de bandeiras e pira do fogo simbólico mudanças no jardim, surge um local para o ponto de taxi que permanece até os dias de hoje. O local era frequentado pela população para lazer, e esporte, pelos colégios que realizavam torneios, por equipes de voleibol para treino, com horários agendados pela prefeitura, além de ser ponto referencia nos desfiles cívicos, diversão para as crianças que podiam correr e
andar de bicicleta, conversar, namorar, para rodas de chimarrão, reunir grupos de amigos para jogar voleibol, futsal. Desde 2010 á praça sofreu modificações sem que houvesse um consenso entre os populares, a mudança do nome de praça da Bandeira para praça Henrique Becker Filho desagradou a muitos que ainda hoje referem-se a ela pelo antigo nome, a parte arborizada deu lugar a uma academia ao ar livre, bancos e um pequeno palco para apresentações, mantendo o ponto de taxi. A quadra de esporte permaneceu, a pracinha com menos brinquedos dando lugar a uma pista de skate. Segundo depoimentos de servidores públicos o projeto foi apresentado e aceito, sem a realização de uma consulta popular, verificando se as mudanças propiciariam benefícios aos frequentadores acredita-se mais que foi por uma questão de modismo e imposição de lei federal, visto que na época em questão muitos municípios proporcionaram espaços nestes moldes para a atividade física a sua população. Atualmente conforme relatos abaixo, da população do município de Três de Maio a praça é bem menos utilizada, a academia ao ar livre é boa, mas as pessoas não sabem utilizá-la, ou sentem-se inseguras, visto que não há acompanhamento profissional, a quadra esportiva ainda é a mais utilizada por munícipes que gostam de reunir-se com os amigos para jogar, vôlei o futebol, quanto á pista de skate, devemos lembrar que esta não é uma modalidade esportiva típica de nossa cidade, mas corresponde ao pacote de construção de praças do governo do estado, quanto á pracinha para as crianças foi a que mais sofreu, pois diminui muito o número de brinquedos além do espaço. Também observa-se a diminuição da área verde a ela destinada.
3 DEPOIMENTOS DOS ENTREVISTADOS
Para realizar este relatório buscaram-se informações com alguns munícipes da cidade de Três de Maio/RS, estes que de alguma forma conheceram e tiveram pessoas próximas que fizeram parte da historia da praça.
Para chegar às pessoas certas, conversei com muitos munícipes, para saber nomes, datas, as quais me direcionaram á familiares de ex-prefeitos, trabalhadores da prefeitura na época, donos das terras onde hoje esta a praça.
Desde o primeiro contato com as pessoas que conversei fui muito bem recebida, e ao relatar sobre o que estava pesquisando, ficavam surpreendidos, pois também perceberam as mudanças ocorridas e nunca puderam dar sua opinião sobre. Fiquei muito grata com os depoimentos prestados, que me serviram como uma base para relembrar a história da praça do município de Três de Maio/RS.
Erica Esch Muller – Filha de Emilio Henrique Esch dono de parte das terras onde hoje está localizada a Praça Central do Município Henrique Becker Filho.
Segundo Erica a praça foi criada em 1938 quando ainda era pertencente ao município de Santa Rosa.
Me recordo bem quando era pequena meu pai falando que o local aonde esta a praça era para ser nosso, mas quando iriam comprá-lo o município não quis vende-lo então compramos os terrenos da frente, e ai foi construída a praça da bandeira hoje Henrique Becker Filho, a praça era muito bonita nós íamos andar de bicicleta, brinca, correr tinha grama, chão batido e umas florzinha, a escola nos levava lá para as apresentações de 7 de setembro os desfiles cívicos era muito bonito a cidade inteira se encontrava lá nas datas festivas, meu pai dizia que a praça foi construída para ser um ponto de encontro da comunidade, que na época todas as cidades estavam criando as praças podendo ser algo estipulado pelas prefeituras. A primeira praça foi a mais bonita e que mais aproveitei, depois veio a praça dos
brinquedos lembro que na parte de cima tinha arvores que faziam bastante sobra uns bancos e calçadinhas de pedra, lá em baixo colocaram uns brinquedos pras crianças, me lembro bem de uma roda grande, tinha uma cerca que separava os brinquedos do resto da praça bem interessante, pois não tinha como as crianças saírem dela sozinhas, tinha também a quadra de vôlei que tem hoje, eu gostava desta praça tinha espaço pras crianças e para tomar mate sentar na sobra passear, mas já a de hoje não gostei nem tenho vontade de ir lá, não sei porque tiraram as arvores só tem sol e um monte de concreto aquele palco que ninguém usa e a academia, o espaço das crianças também ficou menor e perigoso, a praça não é mais o que era sem segurança um lugar onde a bebida e a droga tomo conta, não vejo muita gente usar o que tem antigamente sim era bonita.
Pedro Eugenio Gerarrdi – comerciante
Eu me lembro, a primeira praça era na Rua Bertoldo Beck, depois foi esta há do centro na frente da nossa prefeitura que era utilizada para as apresentações cívicas, ela tinha um ajardinamento com um circulo central com entrada e saída para os quatro cantos da praça cheia de palmeiras que com os anos foram sendo substituídas por outras arvores, havia canteiros de grama, se apresentava assim na década 40 na década de 50 foi modificada, sendo desmanchado o centro onde estavam as bandeira e o fogo simbólico, a primeira praça feita ali no centro foi a mais bonita, a segunda modificação as apresentações ficaram na frente da praça o repartiram no meio e a metade ficou arborizada para a população passar horas de lazer e a outra metade própria sendo com brinquedos, ainda usavam a praça pra bater papo, era o local onde conversava com meus colegas, porque tinha bastante sombra, um lugar bom e nesta ultima veio o desleixo pela conservação dos bens públicos de uso da população em geral, cada administração que entrava lá queria fazer algo diferente e cada vez ficou pior, mas agora foi eu acho muito ruim, mesmo quando tinha a primeira praça não tinha ponto de taxi na praça quando entrou o segundo modelo de praça ali já começaram a oficializar o local dos taxistas o que tornou o lugar dela, de sã consciência não gostei nenhum pouco desta ultima praça virou um lixão, os brinquedos de agora não tem como levar as criança pequena o que eles vão fazer naqueles brinquedos lá a pista de skate é para os maiores já, eu
me recordo que um antes tinha uma quadra de areia onde as crianças brincavam e agora vão brincar no que, e aqueles aparelhos de academia quem tá usando? a prefeitura? Nunca tem gente lá estes exercícios deveriam ser feitos em uma área coberta e não em praça publica, com acompanhamento de um profissional.
Hermeto Gerarrdi – (trabalhador da prefeitura na época – responsável pelas reformas feitas na praça.)
Eu me recordo de muitas coisa da nossa praça tu sabia que ali onde esta a prefeitura hoje era para ser continuidade da praça mas por politica resolveram dividir e construir a prefeitura, olha que bonito que seria tudo ali praça com arvores, bom a primeira praça tinha muitas arvores lembro de uma muito grande pé de canela eram todas grandes, depois o seu Ullmann construiu a outra praça antes desta em 50 tinha a parte dos brinquedos, a quadra e área verde com canteiros. Eu também me lembro, que nos erramos chamados pelo Ullmann para fazer as reformas na praça, os canteiros tinham a forma de telhados japonês... ( desenhou), colocamos cada tijolo com a ponta para cima um ao lado do outro, também chamava para fazer a manutenção nos brinquedos mais ou menos de seis em seis meses, eu meu irmão e o pai construímos também o muro ao redor dela e mais tarde nos chamou para concretar o piso na quadra de esporte, a praça sempre estava sendo arrumada os brinquedos bancos, os canteiros. O pessoal se reunia pra conversa era um ponto de encontro entre amigos. Depois foi mudando de prefeitos e a praça foi ficando um pouco de lado e a alguns anos construíram esta que esta lá hoje ... mas olha Carolina o que eu vou disser é um lugar sem graça... isto ai eu não gostei não concordo como o novo nome porque não deixar praça da bandeira todos conhecem assim este novo nome quem não conhece o passado não compreende o porque e quem conhece também pensa porque mudar. A pista de skate fico mau planejada quem vai andar lá ela já caiu uma vez os brinquedos quebrados cada vez mais fracos, e aquela academia nunca vi gente lá quem vai lá fazer ginástica, será que Três de Maio não tem um arquiteto, engenheiro alguém que faria melhor que isto, é uma pena a cidade tá cada vez pior em se tratando de espaços de lazer a praça ficou assim, mas fazer o que. (emocionou-se ao relatar).
Erminia Rech Ullmann – filha do primeiro prefeito de Três de Maio Walter Ullmann
Tenho muitas lembranças da praça e do tempo em que meu pai Prefeito Ullmann estava na prefeitura, ele deixou alguns livros, documentos pois tudo que fazia fotografava e escrevia. A primeira praça construída em Três de Maio já emancipado, foi no tempo de meu pai era um local de reunir a família amigos deixar as crianças brincar, a quadra de esportes foi a primeira do município onde ocorria os jogos de basquete futsal nossa... muita gente se reunia para torcer pelos seus times a praça sempre estava cheia em dia de jogo e dias festivos. Emocionasse ao lembrar do seu pai na época prefeito que lutou para ter a praça e próximo a ela trazer a prefeitura. Relata e traz documentos com fotos referentes a praça, citando cada mudança feita nesta praça. Depois que a praça já estava pronta sempre estavam realizando manutenções, pessoas de todas as idades era vistas na praça, hoje muita coisa mudou a praça ficou um mar de concreto poucas pessoas ao ate lá, não ocorrem mais campeonatos os desfiles não reúnem um grande numero de pessoas ficou um lugar sem atrativos a praça não acompanhou a vontade dos usuários, não concordo também com a mudança de nome pois todos conhecem as praças da cidade pelo nome de praça da matriz e praça da bandeira.
Eurico Rodrigues Pereira - (filho do antigo zelador da praça Gomercindo Rodrigues Pereira).
Eu me lembro muito bem do meu pai ele trabalhava para prefeitura era zelador da praça da bandeira e do campo municipal lá em cima aonde hoje tem a creche nova, ele tinha uma casinha e morou a vida toda lá ate morrer. Na praça ele começou no primeiro mandato do seu Ullmann já falecido, trabalhou como zelador uns 30 anos, a vida toda, o pessoal lembra bem dele, sempre era rigoroso quando cuidava praça pedia pra não subir nos canteiros pra não estraga as gramas, me lembro ate de uma historia que aconteceu na praça um amigo dele medico respeitado da cidade hoje falecido, foi na praça olha um jogo e subiu no canteirinho de grama que tinha lá o pai xingou, ele e disse que iria reclamar do ocorrido na
prefeitura com o prefeito, brigou um monte, mas acabaram se acertando mas lembro bem ele contando, pois meu pai não fazia distinção entre as pessoas ele zelava pelo bom cuidado da praça.... Relatei a Eurico que todas as pessoas com que conversei falaram muito bem sobre seu pai e que ele fez parte da historia da praça da bandeira, Eurico ficou orgulhoso e se emocionou ao contar e lembrar de seu pai.
Eu me recordo de eu guri, brincado na praça, e o pai de bombacha por lá, sempre rigoroso com o pessoal, (risos) lá na quadra sempre ocorria os jogos que reunia muita gente os canteiros eram bonitos com grama tinha arvores era um local bem frequentado, já há de hoje não sei o que houve esta meio abandonada e bem diferente da de antes.
Ao conversar com os munícipes da cidade de Três de Maio/RS percebi o imenso carinho que todos indistintamente, tinham pela Praça da Bandeira as recordações das brincadeiras, das broncas, do trabalho, dos momentos de encontro, das festividades que nela aconteciam, dos dias de desfile onde os pés de camélias eram utilizados para registrar estes momentos em fotografias. Assim também como a tristeza de ver no que a praça se tornou, pois para a maioria da população, foi apenas para cumprir um desejo político e responder a uma lei mal planejada, sem levar em conta a sociedade reformou-se e mudou-se o nome da primeira Praça de Três de Maio, com isso perdeu-se a identidade, ela ficou fria aos olhos da população que não sabe como, nem sente vontade de frequentá-la como antes.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que a preocupação com os espaços destinados ao lazer e a prática esportiva ao aceso de todos sem discriminação é uma preocupação antiga dos governos tanto do estado como do município. A primeira praça da cidade de Três de Maio surgiu obedecendo à legislação da época, devendo haver um ponto onde as pessoas pudessem confraternizar. Com a emancipação de Três de Maio, surge mais forte o desejo de realizar os trabalhos para adequar o espaço já destinado a praça, onde os munícipes pudessem usufruir de um local sadio, simples, arborizado, voltado para a educação e a socialização.
As praças em uma cidade existem para exercer uma função, seja ela lazer, embelezamento, interação ou convívio social. As praças podem ser classificadas em espaços públicos municipais, ou seja, são de grande porte e existem para atender a todo o município, abrangendo uma grande diversidade de atividades. Através delas podemos conhecer a história de um povo, pois elas exprimem a relação existente entre o homem e a natureza. .O professor Gaelzer fez regulamentar as praças de educação física em Porto Alegre (1929) subordinadas ao departamento de praças públicas e jardins. A partir dos seus estudos podemos observar que a delinquência juvenil ocorre em muitos casos pela falta de qualidade de lazer que cada cidade dispensa a sua mocidade. Para muitos profissionais a educação permanente e a humanização das cidades é de suma importância em todos os tempos, para ajudar aos jovens crianças e adultos em suas escolhas, vivência e formação de caráter, pois o ser humano é um ser social precisa interagir com pessoas e com a natureza.
Uma praça é formada por espaços edificados e outros livres de edificação, que busca proporcionar convivência ou lazer para seus usuários A Praça da Bandeira de Três de Maio com o passar dos anos sofreu alterações, acompanhou a legislação, as mudanças culturais e políticas, mas não o desejo dos munícipes, na atual investiu-se em equipamentos modernos, em que a maioria das pessoas não sabem, como utilizar, pouca arborização inviabilizando os passeios e rodas de chimarrão e falta de responsáveis pelo local ou uma liderança recreacional, um
conjunto de profissionais que se empenham na realização de programas na área de lazer comunitário que visem a promoção humana.
Desde o inicio até os dias atuais, à Praça da Bandeira sofreu diversas alterações, seguindo as mudanças culturais, políticas e administrativas vigentes em cada período, hoje o seu nome oficial é Praça Henrique Becker Filho, e o espaço físico completamente modificado. Durante todos este tempo, observa-se que, a praça foi mais frequentada no passado, onde as pessoas tinham o habito de reunir-se para jogar, festejar, ou simplesmente conversar. O perfil dos usuários da praça mudou muito, hoje temos a tecnologia às academias com profissionais atentos e o que a Praça oferece não é atrativo, além de não dispor de pessoas com condições de orientar para o bom uso da mesma. Como muitos dos estudiosos que orientam esta pesquisa Lenea, Gaelzer, Kely, Becker, querem nos lembrar da importância de não deixar a população afastada, longe do poder público, do convívio social, da natureza, além da necessidade de orientação profissional, através da educação, para fortalecer a moral, o respeito ao próximo e a si mesmo, o cuidado com o material que pertence a todos. Uma praça bem planejada que envolva a todos indistintamente, que seja mais que uma simples obrigação presente nos estatutos municipais.
Conforme Froebel (apud NASH 1968, p. 60) “a recreação é a pura, a mais espiritual atividade do homem, proporciona alegria, liberdade, repouso exterior e interior, paz com o mundo”. E poder realizá-las em um ambiente preparado e ao alcance de todos é um dos objetivos dos idealizadores das praças. Que infelizmente não ocorre e faz com que cada vez menos a praça seja procurada para fins de lazer e encontro.
Hoje a tecnologia invade todos os aspectos da vida e é alarmante o aumento da violência. Por isso não podemos aceitar uma educação neutra existe uma grande necessidade de uma nova cultura, a escola precisa ajudar o povo a pensar e agir, para isso é preciso aprender a conviver, aceitar valores comuns e perceber a importância das praças, como devemos cuidar deste bem que é de todos, participar das atividades oferecidas. A educação tem valor se for relacionado com a vida e ao modo de viver. Na atual praça, apesar de sua modernidade, observamos uma grande insatisfação dos munícipes, tanto na questão física como quanto a troca do
nome, pois para a maioria ela continua sendo a Praça da Bandeira, isto representa que não houve um consenso também nesta questão e prevaleceu o lado político.
As praças devem aguçar o interesse da população para o desenvolvimento social, seja através do esporte, musica literatura buscando uma sociedade humanística, voltada a natureza, em busca de um estilo de vida saudável, respeitando as diferenças culturais e sociais de seus frequentadores, para tanto é preciso que educação e poder público andem juntos, em busca do bem estar da população, ouvindo o desejo de seus frequentadores, conhecendo a comunidades, buscando lideres que gostem de se entrosar com as pessoas, que sejam flexíveis as novidades e diferenças, deixando de lado as diferenças políticas.
O passado ajuda a compreender o presente, com ele devemos aprender, para evitar que no futuro prevaleçam leis e normas que visem favorecer pequenos grupos ao invés do bem comum, lembrando sempre que não devemos fazer distinção de raça ou grupo social.
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TEIXEIRA, Ana Lúcia (Org.) Porto - de muitos parques - Alegre. Porto Alegre: Viver no Campo, 2008.
ANEXO A - FOTOS
Fotos: Erica Esch Muller – Filha de Emilio Henrique Esch, na primeira praça construída em Três de Maio época que ainda era pertencente à Santa Rosa década de 30.
Fotos: família de Gomercindo Rodrigues Pereira antigo zelador da praça da bandeira.
Fotos: frente da praça da bandeira em Abril de 1964
Fotos: Time de futsal masculino de Três de Maio na praça da Bandeira 1984. Desfile cívico 7 de Setembro em frente a praça da bandeira 1997
PRAÇA HENRIQUE BECKER FILHO 2015
Quadra de esportes Pista de Skate com parquinho
Parquinho Infantil Pista de Skate
Quadra de esportes e parquinho Parquinho Infantil
Passeio em torno da praça academia ao ar livre