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EIXO TEMÁTICO II
Sustentabilidade dos Sistemas de Saúde
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40130 - Dificuldades na vivencia da maternidade em privação de liberdade: histórias de mulheres
Jeferson Barbosa Silva1; Leidy Dayana Rozendo dos Santos2; Waglânia de Mendonça Faustino e Freitas3;
Eronyce Rayka de Oliveira Carvalho4; Camila Carla Dantas Soares5; Maria Djair Dias6.
Introdução: Apesar do número de mulheres em privação de liberdade ser expressivamente menor que de homens, seu
aumento vem ocorrendo de forma mais rápida e significativa. Este crescimento gerou uma elevação no número de mulheres vivenciando algumas das fases do período gravídico-puerperal dentro de instituições prisionais, despontando questionamentos acerca da vivência da gravidez e maternidade nessas instituições, ampliando, em especial, discussões referentes à assistência ao binômio e a necessidade de uma estrutura adequada para abrigar mãe e filho em um ambiente que, atualmente, ainda possui inúmeras vulnerabilidades. Objetivo: revelar histórias de mulheres que vivenciaram algum período do ciclo gravídico puerperal em privação de liberdade, identificando suas principais dificuldades. Método: Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva com abordagem qualitativa, realizada na maior instituição feminina de privação de liberdade do estado da Paraíba – PB, Brasil. A produção do material ocorreu por meio de entrevista semiestruturada, utilizando perguntas de coorte com base nos pressupostos teóricos da História Oral Testemunhal, ao final participaram seis das sete mulheres que se encontravam na cela destinada para grávidas e puérperas. A análise foi guiada pelo tom vital das narrativas, possibilitando o entendimento de experiências pessoais de cada mulheres. O estudo foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa envolvendo seres humanos, tendo aprovação sob o número do protocolo: 0367 e número CAAE: 45905915.3.00000.5188. Resultados: Emergiram como dificuldades ao quais são expostas as mulheres que vivenciaram a maternidade/puerpério em privação de liberdade: o abandono afetivo e familiar; déficits no cuidado pré e pós natal; risco de desenvolvimento, transmissão e agravos de doenças; falta de escolta para transportar a gestante à consultas médicas e atendimentos de saúde que não podiam ser prestados dentro da instituição e o despreparo e abusos por diferentes profissionais no ambiente hospitalar durante o trabalho de parto e parto. Conclusão: Observou-se um descumprimento sistemático de regras constitucionais e legais que culmina em dificuldades em garantir uma boa assistência à saúde dentro e fora da instituição de privação de liberdade, especialmente na área obstétrica e pediátrica, gerando riscos de surgimento e/ou agravamento de situações que comprometem a saúde das mulheres e seus filhos.
Descritores: Prisões; Gravidez; Período Pós-Parto; Saúde da mulher; Obstetrícia. Referencias
1. Oliveira LV, Costa GMC, Medeiros KKAS, Cavalcanti AL. Epidemiological profile of female detainees in the Brazilian state of Paraíba: a descriptive study. Online braz j nurs [Internet]. 2013 [acesso em 7 dez 2018]; 12(4):892-901. Disponível em: http:// www.objnursing.uff.br/index.php/nursing/article/view/4284
2. Walmsley R. World Female Imprisonment List. Institute for Criminal Policy Research [Internet]. England. 4th edition. 2017 [cited 2019 Jan]. Disponível em:
http://www.prisonstudies.org/sites/default/files/resources/downloads/world_female_prison_4th_edn_v4_web.p df
3. Walmsley R. World Prison Population List. Institute for Criminal Policy Research [Internet]. England. 12th edition. 2018 [cited 2019 Jan]. Disponível em:
http://www.prisonstudies.org/sites/default/files/resources/downloads/wppl_12.pdf
1. Mestre em Enfermagem. Universidade Federal da Paraíba - UFPB. João Pessoa, Paraíba, Brasil. 2. Enfermeira. Universidade Federal da Paraíba - UFPB. João Pessoa, Paraíba, Brasil.
3. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal da Paraíba - UFPB. João Pessoa, Paraíba, Brasil. 4. Psicóloga. Universidade Federal da Paraíba - UFPB. João Pessoa, Paraíba, Brasil.
5. Mestre em Enfermagem. Universidade Federal da Paraíba - UFPB. João Pessoa, Paraíba, Brasil. 6. Doutora em Enfermagem. Universidade Federal da Paraíba - UFPB. João Pessoa, Paraíba, Brasil. * Autor correspondente: [email protected]
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40362 - Perfil dos casos notificados de sífilis congênita
Layla Santana Corrêa da Silva1;Ana Clara Maas da Costa de Faria2; Maria de Lourdes Oshiro3
Introdução: A sífilis é uma doença infecciosa, sistêmica e prevenível, causada pela bactéria Treponema Pallidum.
Quando transmitida por via transplacentária, classifica-se em sífilis congênita¹. O Boletim epidemiológico da sífilis elaborado pelo Ministério da Saúde traz que do ano de 1998, quando se iniciou a notificação da sífilis congênita (SC), até 2016 houve um aumento de 4,7% nas taxas de notificação de casos², relacionado esse aumento a obrigatoriedade da notificação que iniciou em 2005³. Objetivo: Caracterizar a incidência da SC no estado de Mato Grosso do Sul (MS), no período de 2007 a 2016 e descrever o perfil epidemiológico das mães de crianças com sífilis congênita. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, transversal e retrospectivo. A coleta de dados correspondeu ao quantitativo de casos da SC, notificados no Sistema de Informações e Agravos de Notificações e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Sendo analisados por meio de estatística descritiva no Excel. Utilizando dados de domínio público, dispensa apreciação do comitê de ética. Resultados: Houve 2.578 casos notificados de SC no MS entre 2007 e 2016, tendo aumentado 8,93% na taxa de incidência. O perfil dessas mulheres se caracteriza por viverem em zona urbana (84,54%) e com ensino fundamental incompleto (33,55%). 77,58% delas realizaram consultas de pré-natal (PN) e 57,09% foram diagnosticadas neste momento. Acredita-se que a baixa escolaridade influenciou para um tratamento ineficaz (48,98%), devido a não compreensão da relevância da doença, além da resistência do parceiro para adesão do tratamento (50,06%), ocasionando a reinfecção. Foi observado nas notificações que independente da realização do tratamento, 85,6 % dos casos evoluiu para a SC recente. Conclusão: Apesar da oferta de testes rápidos e tratamento durante o PN de forma gratuita, as mulheres não aderem adequadamente ao tratamento com o parceiro, favorecendo a reinfecção. Observou-se que alguns dos dados da ficha de notificação estavam incompletos, o que leva a dificuldade na coleta de dados para o rastreamento dos casos e condutas prevenção. É necessário ações de esclarecimento e campanhas de alerta para a população de maneira geral sob os riscos que a sífilis impõe para uma criança que ainda está sendo gerada. Além disso esse período é marcado pela obrigatoriedade dos testes rápidos no PN, o desabastecimento da penicilina que gerou um colapso mundial também corrobora para o aumento dos casos4,5.
Descritores: Sífilis Congênita; Atenção Básica; Pré Natal; Saúde da Mulher Referências:
1. Moreira KFA, Oliveira DM, Alencar LN, et al. Perfil dos casos notificados de sífilis congênita. Cogitare Enferm;2017 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico. Sífilis. Brasília, 2017. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Portaria 33/2005.
4. Nunes PS, Zara ALSA, Rocha DFNC, Marinho TA, Mandacarú PMP, Turchi MD. Sífilis gestacional e congênita e sua relação com a cobertura da estratégia saúde da família, Goías, 2007-2014:estudo ecológico. Epidemiol. Serv. Saúde.2018
5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
1 Enfermeiro, Residente em enfermagem Obstétrica. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. 1 Enfermeiro, Residente em enfermagem Obstétrica. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. 1Farmacêutica, Doutora em Saúde Pública.Escola de Saúde Pública do Mato Grosso do Sul.
E-mail para contato: [email protected]
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40888 - Resultados adversos do parto em maternidades de ensino de alto risco
Thais da Costa Oliveira1, Jovania Marques de Oliveira e Silva2
Introdução: Os serviços de saúde na área obstétrica representam nós críticos para a qualidade em saúde e segurança do paciente1. Estima-se que 29% das internações para o parto apresentem algum tipo de complicação2,3, com
os danos relacionados à assistência correspondendo a 5 a 26% dos nascimentos3. Objetivo: Analisar os resultados
adversos em maternidades de ensino de Maceió, Alagoas, Brasil. Método: Estudo transversal, retrospectivo e analítico, com amostra aleatória de 480 prontuários de puérperas de parto cirúrgico de 2016, utilizando-se o Adverse Outcome
Index4: morte materna intra-hospitalar, morte neonatal intra-hospitalar >2500g e >37 semanas, rotura uterina,
admissão materna não planejada em unidade de terapia intensiva, trauma de parto no recém-nascido, retorno à sala cirúrgica, admissão em unidade intensiva neonatal com >2500g e >37 semanas por mais de um dia, Apgar <7 no quinto minuto, hemotransfusão materna e laceração perineal de 4º grau. Os dados foram analisados por meio do software Statistical Package for the Social Sciences versão 22.0. A pesquisa foi apreciada e aprovada pelo Comitê de Ética sob parecer CAAE 61093616.8.0000.5013. Resultados: A taxa de resultados adversos foi 21%, na proporção de 26,4 para cada 1000 partos-dia, com maior ocorrência de admissão neonatal em terapia intensiva com >2500g e >37 semanas por mais de um dia (52,5%), hemotransfusão materna (20,8%) e admissão materna não planejada em terapia intensiva (17,8%). Mulheres da faixa etária adulta-jovem (19-34 anos), pardas, sem companheiro, com atividade remunerada e de menor escolaridade tiveram maior ocorrência de resultados adversos. Os valores de pressão arterial à admissão <120mmHg e <80mmHg, presença de acompanhante, encaminhamento de outro serviço, história de gestações anteriores e admissão antes do termo e cesáreas eletivas se relacionaram à maior frequência de resultados adversos.
Conclusão: O índice de resultados adversos na amostra foi de 21%, sendo 26,4 por cada 1000 partos-dia, e o escore
ponderado de 8,11 e 38,56 em relação ao índice de gravidade. O panorama dos desfechos desfavoráveis relacionados à segurança em maternidades de alto risco através do uso de indicadores de resultado proporciona a correlação de ferramentas epidemiológicas tradicionais à análise da qualidade sob a perspectiva de eventos que representam falhas no cuidado materno-infantil.
Descritores: Avaliação de Resultados; Indicadores de Qualidade em Assistência à Saúde; Segurança do Paciente;
Cuidado Perinatal; Maternidades; Enfermagem.
Referências
1. Draycott T, Sagar R, Hogg S. The role of insurers in maternity safety. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 2015; 29(8):1126-31. doi: 10.1016/j.bpobgyn.2015.07.002.
2. Berg CJ, Callaghan WM, Syverson C, Henderson Z. Pregnancy-related mortality in the United States, 1998–2005. Obstet Gynecol. 2010; 116(6):1302-9. doi: 10.1097/AOG.0b013e3181fdfb11.
3. Forster AJ, Fung I, Caughey S, Oppenheimer L, Beach C, Shojania KG, Van Walraven C. Adverse events detected by clinical surveillance on an obstetric service. Obstet Gynecol. 2006; 108(5):1073-83. doi:
10.1097/01.AOG.0000242565.28432.7c
4. Mann S, Pratt S, Gluck P, P Nielsen, Risser D, Greenberg P, Marcus R, Goldman M., Shapiro D, Pearlman M, Sachs B. Assessing quality obstetrical care: development of standardized measures. Jt Comm J Qual Patient Saf. 2006 [cited Mai 5, 2018]; 32(9):497-505. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17987873.
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1Enfermeira, Mestre em Enfermagem. Hospital Universitário Professor Alberto Antunes. 2Enfermeira, Doutora em Enfermagem. Universidade Federal de Alagoas.
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41923 - Mortalidade perinatal como indicador de saúde pública e acesso à saúde
Maria Eliane Barbosa de Araújo¹, Lucyla Liberato Silva1, Wellingta Larissa Ribeiro Dias1, Priscylla Mayanne Santos1,
Rafaela Barbosa da Silva2, Nayale Lucinda Andrade de Albuquerque3.
Introdução: O período perinatal se inicia na 22° semana de gestação ao 7° dia após o nascimento. Para calcular a taxa
de mortalidade desse período precisa considerar o número de óbitos dessa fase por o número de nascidos vivos do determinado espaço geográfico, considerando o mesmo intervalo de tempo. A mortalidade perinatal é um importante indicador de saúde pública, tendo em vista que está vinculado a causas preveníveis e a qualidade da assistência pré-natal, ao parto e ao recém-nascido. Objetivo: Descrever o índice de mortalidade perinatal na Região Nordeste dos anos de 2013 a 2017. Metodologia: Estudo de base quantitativa, descritiva, exploratória de caráter inferencial, com os dados colhidos a partir do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) entre os anos de 2013 a 2017. Os dados foram transcritos em tabelas, organizados de forma quantitativa, analisados em estatística descritiva e inferencial. As variáveis foram extraídas em setembro de 2019, considerando à caracterização da mortalidade perinatal na Região Nordeste. Para analisar os dados utilizou-se o Programa Microsoft Office Excel, versão 2007. Resultados: As taxas de mortalidade perinatal na região Nordeste foram superiores às taxas nacionais durante esse mesmo intervalo de tempo. Em 2013 a taxa nacional era de 15,42%, diminuindo um valor pouco significativo de 0,03% em 2017. Em comparação, a região Nordeste apresentava um índice de 18,66% em 2013, reduzindo 0,6% em 2017. Fatores como condições sociais e acesso à saúde já foram identificados em outros estudos como maior risco para à mortalidade perinatal. A morte fetal de causa não especificada, pode ser resultante de má-nutrição fetal, infecções, doenças maternas, que podem ser amenizadas por uma boa assistência pré-natal e acesso à saúde. Conclusão: Mediante o exposto, observa-se que a região Nordeste nos anos do estudo, apresentava um índice de mortalidade perinatal superior ao coeficiente nacional de aproximadamente 3%, sendo um indicador de vulnerabilidade à saúde da gestante e do neonato. Portanto, faz-se necessário uma melhor assistência à saúde e qualidade da informação para ampliar as possibilidades de investigação desses óbitos, visando o enfrentamento desta fragilidade.
Descritores: Mortalidade perinatal; Assistência à saúde; Enfermagem; Enfermagem perinatal. Referências:
1. Fonseca SC, Coutinho ESF. Pesquisa sobre mortalidade perinatal no Brasil: revisão da metodologia e dos resultados. Cad. Saúde Pública 2004; 20:1678-4464.
2. Martins EF, Rezende EM, Almeida MCM, Lana FCF. Mortalidade perinatal e desigualdades socioespaciais. Rev. Latino-Am. Enferm. 2013; 21(5):[09 telas].
¹Discente do Bacharelado em Enfermagem. Centro Universitário Tabosa de Almeida – ASCES-UNITA
2Enfermeira, Mestre em Ciências da Saúde. Universidade Federal de Pernambuco - UFPE
3Docente do Bacharelado em Enfermagem. Centro Universitário Tabosa de Almeida – ASCES-UNITA, Doutoranda em Saúde Integral do Instituto de
Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP.