• Nenhum resultado encontrado

Biologia Molecular Métodos e Interpretação

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Biologia Molecular Métodos e Interpretação"

Copied!
166
0
0

Texto

(1)(2)(3)

■ ■ ■ ■ ■ ■    

As autoras deste livro e a EDITORA ROCA empenharam seus melhores esforços para assegurar que as informações e os procedimentos apresentados  no  texto  estejam  em  acordo  com  os  padrões  aceitos  à  época  da  publicação,  e  todos  os  dados  foram  atualizados  pelas

autoras  até  a  data  da  entrega  dos  originais  à  editora.  Entretanto,  tendo  em  conta  a  evolução  das  ciências  da  saúde,  as  mudanças

regulamentares  governamentais  e  o  constante  fluxo  de  novas  informações  sobre  terapêutica  medicamentosa  e  reações  adversas  a fármacos, recomendamos enfaticamente que os leitores consultem sempre outras fontes fidedignas, de modo a se certificarem de que as informações  contidas  neste  livro  estão  corretas  e  de  que  não  houve  alterações  nas  dosagens  recomendadas  ou  na  legislação regulamentadora. Adicionalmente, os leitores podem buscar por possíveis atualizações da obra em http://gen­io.grupogen.com.br.

As  autoras  e  a  editora  se  empenharam  para  citar  adequadamente  e  dar  o  devido  crédito  a  todos  os  detentores  de  direitos  autorais  de qualquer material utilizado neste livro, dispondo­se a possíveis acertos posteriores caso, inadvertida e involuntariamente, a identificação de algum deles tenha sido omitida. Direitos exclusivos para a língua portuguesa Copyright © 2015 by EDITORA GUANABARA KOOGAN LTDA.  Publicado pela Editora Roca, um selo integrante do GEN | Grupo Editorial Nacional Travessa do Ouvidor, 11  Rio de Janeiro – RJ – CEP 20040­040 Tels.: (21) 3543­0770/(11) 5080­0770 | Fax: (21) 3543­0896  www.grupogen.com.br | [email protected] Reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, em quaisquer formas ou por quaisquer  meios  (eletrônico,  mecânico,  gravação,  fotocópia,  distribuição  pela  Internet  ou  outros),  sem  permissão,  por  escrito,  da EDITORA GUANABARA KOOGAN LTDA. Capa: Bruno Sales Produção digital: Geethik Ficha catalográfica B513 Biologia molecular / organização Alexsandro Macedo Silva, Luciane Maria Ribeiro Neto; coordenação Monica V. N. Lipay, Bianca Bianco. ­ 1. ed. ­ Rio de Janeiro: Roca, 2015. 254 p. : il.; 24 cm. (Análises clínicas e toxicológicas : métodos e interpretação) Inclui bibliografia e índice ISBN 978­85­277­2767­9 1. Biologia molecular 2. Citologia. I. Silva, Alexsandro Macedo. II. Ribeiro Neto, Luciane Maria. III. Lipay, Monica V. N. IV. Bianco, Bianca. V. Série. 15­22189 CDD: 571.6 CDU: 576

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(4)

Colaboradores

Ana Claudia Trocoli Torrecilhas

Professora.  Especialista  em  Parasitologia  pela  Universidade  de  São  Paulo  (USP).  Mestre  em  Relação  Patógeno­ hospedeiro  pela  Universidade  Federal  de  São  Paulo  (Unifesp).  Doutora  em  Relação  Patógeno­hospedeiro  pela  USP. Professora Adjunta da disciplina Parasitologia e Imunologia Clínica do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp.

Carla Peluso de Paiva

Biomédica.  Especialista  em  Genética  pelas  Faculdades  Metropolitanas  Unidas.  Mestre  em  Ciências  da  Saúde  pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Professora Aulista da disciplina Genética do Departamento de Fisioterapia da FMABC.

Carolina Tosin Bueno

Farmacêutica. Doutoranda da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Denise Maria Christofolini

Geneticista. Mestre e Doutora em Genética pela Unifesp. Professora­assistente da disciplina Genética do Departamento de Morfologia da FMABC.

Eny Maria Goloni Bertollo

Professora  Universitária.  Geneticista.  Especialista  em  Genética  e  em  Biologia  Molecular  pelo  Conselho  Regional  de Biologia de São Paulo (CRBio­SP). Mestre e Doutora em Genética pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Livre­ docente em Genética Humana e Médica pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). Professora Adjunta  das  disciplinas  Genética,  Biologia  Molecular  e  Genética  Médica  do  Departamento  de  Biologia  Molecular  da Famerp. Pesquisadora e Orientadora do Programa de Pós­graduação em Ciências da Saúde da Famerp. Responsável pelo  Serviço  de  Aconselhamento  Genético  do  Hospital  de  Base  da  Fundação  Faculdade  Regional  de  Medicina (Funfarme/Famerp).

Érika Cristina Pavarino

Professora  Universitária.  Geneticista.  Especialista  em  Genética  e  em  Biologia  Molecular  pelo  CRBio­SP.  Doutora  em Ciências Biológicas pela Unesp. Livre­docente e Professora Adjunta do Departamento de Biologia Molecular da Famerp. Professora das disciplinas Genética, Genética e Médica e Biologia Molecular do Departamento de Biologia Molecular da Famerp, Unidade de Pesquisa em Genética e Biologia Molecular (UPGEM).

Fernanda Abani Mafra

Biomédica.  Especialista  em  Genética  Humana  pela  Universidade  Metodista  de  São  Paulo.  Mestre  e  Doutoranda  em Ciências da Saúde pela FMABC.

Fernando Luiz Affonso Fonseca

Farmacêutico­bioquímico. Mestre e Doutor em Hematologia e Clínica Médica pela FMUSP. Professor Adjunto da Unifesp (campus Diadema). Professor­assistente da FMABC. Coordenador do Laboratório de Análises Clínicas da FMABC.

Jane Zveiter de Moraes

Especialista em Imunologia pela Unifesp. Mestre e Doutora em Ciências da Vida pela Unifesp. Professora Associada da disciplina Físico­química do Departamento de Biofísica da Unifesp.

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(5)

Leiliane Rodrigues Marcatto

Farmacêutica. Mestranda da FMUSP.

Mariana Ferreira Leal

Professora Afiliada  e  Pesquisadora  do  Departamento  de  Ortopedia  e Traumatologia  da  Unifesp.  Mestre  e  Doutora  em Ciências pelo Programa de Pós­graduação em Morfologia/Genética da Unifesp.

Nívea D. Tedeschi Conforti (in memoriam)

Mestre e Doutora em Genética pela Unesp. Pós­doutora pela Universidade do Texas (EUA), ramo médico de Galveston. Professora Aposentada da Unesp (campus São José do Rio Preto). Coordenadora da Divisão de Farmacogenética do Centro de Genomas de São Paulo.

Patrícia Matos Biselli Chicote

Geneticista. Doutora em Ciências da Saúde pela Famerp. Pós­doutoranda do Programa de Pós­graduação da Famerp. Pesquisadora da UPGEM­Famerp.

Patricia Xander

Professora.  Doutora  em  Ciências  pela  Unifesp.  Professora  Adjunta  II  da  disciplina  Imunologia  Básica  e  Diagnóstico Laboratorial  das  Doenças  Infecciosas  e  Parasitárias  do  Departamento  de  Ciências  Biológicas  da  Unifesp  (campus Diadema).

Paula Fernanda da Silva Fonseca

Biomédica.  Especialista  em  Vigilância  Sanitária  pela  Universidade  Guarulhos.  Mestranda  em  Ciências  Médicas  pela FMUSP.

Paulo Caleb Júnior de Lima Santos

Professor do Programa de Pós­graduação em Ciências Médicas da FMUSP. Pós­doutor pelo Laboratório de Genética e Cardiologia  Molecular  do  Instituto  do  Coração  (InCor)  do  Hospital  das  Clínicas  da  FMUSP  (HC­FMUSP).  Doutor  pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Farmacêutico­Bioquímico pela Universidade Federal de Alfenas (Unifal).

Priscila Keiko Matsumoto Martin

Biomédica. Mestre em Biologia Molecular pela Unifesp. Doutoranda da disciplina Biologia Molecular do Departamento de Bioquímica da Unifesp.

Renata Pellegrino

Biomédica. Mestre em Morfologia (Genética) e Doutora em Psicobiologia pela Unifesp. Pós­doutora em Genômica pelo The  Children’s  Hospital  of  Philadelphia.  Senior  Research  Associate  do  Center  for  Applied  Genomics,  The  Children’s Hospital of Philadelphia.

Sang Won Han

Professor Associado. Especialista em Terapia Gênica e Celular pela Unifesp. Mestre e Doutor em Bioquímica pela USP. Professor da disciplina Físico­química do Departamento de Biofísica da Unifesp.

Wagner Luiz Batista

Professor.  Doutor  em  Ciências  pela  Unifesp.  Professor Adjunto  III  das  disciplinas  Microbiologia  Básica  e  Diagnóstico Laboratorial das Doenças Infecciosas e Parasitárias do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp.

[email protected]

(6)

Dedicatória

Dedicamos este livro a pessoas especiais, 

que nos iluminam, inspiram e incentivam: 

Marco e André, Álvaro e Fernando.

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(7)

Agradecimentos

Aos  colaboradores,  por  aceitarem  fazer  parte  desta  jornada  conosco  e  nos  ajudarem  a  concretizá­la.  Obrigada  por  toda confiança, parceria e paciência e por colocarem seus conhecimentos à disposição. Ao Grupo GEN, pela oportunidade, pelo profissionalismo e pela dedicação com que nos acolheu. Aos Drs. Luciane Maria Ribeiro Neto e Alexsandro Macedo Silva, pelo convite para coordenar esta obra. Aos familiares da Dra. Nívea, por nos permitirem incluir seu último trabalho neste livro e, assim, homenagear a grande mestre e amiga que foi. À grande parceria desta e de outras jornadas. Monica V. N. Lipay  Bianca Bianco 6

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(8)

Apresentação da Série

A série “Análises Clínicas e Toxicológicas” é uma coletânea de livros na área de análises clínicas e toxicológicas que aborda os métodos empregados para o diagnóstico laboratorial de doenças e a interpretação dos resultados para garantir a qualidade  analítica  e  a  adequada  orientação  ao  paciente.  Esta  obra  foi  idealizada  para  ser  usada  por  estudantes  e profissionais  da  área  de  saúde  como  fonte  de  consulta.  Sua  leitura  permitirá  aprender,  revisar  ou  aprimorar  os conhecimentos sobre as questões analíticas, bem como a interpretação de seus resultados na área de análises clínicas e toxicológicas.

Esta série visa a facilitar o acesso às informações de forma prática e rápida, para a execução de métodos analíticos, a interpretação  de  resultados  e  a  resolução  de  problemas.  Os  autores  são  profissionais  e  docentes  atuantes  em  suas respectivas áreas, que contribuem para a qualidade, a clareza e a praticidade do conteúdo apresentado. Os principais temas abordados nesta série são: hematologia, bioquímica, imunologia, hormônios, citologia, parasitologia, biologia molecular, microbiologia e micologia e toxicologia ocupacional.

O objetivo de apresentar esses conteúdos em formato de série está fundamentado na importância das análises clínicas e toxicológicas  na  área  da  Saúde  Pública.  Por  meio  da  escolha  de  métodos  adequados  e  da  correta  interpretação  de resultados, é possível diagnosticar e tratar doenças de forma mais rápida e eficiente ou prevenir doenças, minimizando custos para o sistema de saúde e melhorando a qualidade de vida do paciente.

O estudante e o profissional que desejam atuar em análises clínicas e toxicológicas precisam ter o referencial teórico para  desenvolver  as  competências  que  a  área  requer.  Neste  sentido,  a  série  “Análises  Clínicas  e  Toxicológicas”  busca cumprir o seu papel de fonte de consulta na área, sendo sistematicamente revisada e atualizada. Portanto, os livros desta série pretendem ser referência de métodos analíticos, diagnóstico laboratorial, investigação clínica e terapêutica, contribuindo para a qualidade dos resultados analíticos e a promoção da saúde pública. Deseja­se que os leitores aproveitem as obras publicadas de forma crítica, para que possam avaliar e aplicar soluções de intervenção na prática das análises clínicas e toxicológicas. Alexsandro Macedo Silva  Luciane Maria Ribeiro Neto

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(9)

Apresentação

Editar  este  livro  envolveu  reflexão  e  perseverança  sobre  a  ideia  de  uma  obra  que  reunisse  diferentes  aspectos  das abordagens  da  Biologia  Molecular  e  suas  aplicações,  cada  vez  mais  diversificadas.  Em  nossa  visão  apaixonada  da Genética,  os  temas  selecionados  precisavam  partir  de  uma  obra  em  comum,  que  tornasse  essa  diversidade  acessível  e agradável  ao  público  surgido  de  sua  crescente  extensão.  Ao  compor  este  livro,  procuramos  selecionar  temas  de importância na aplicação das técnicas de Biologia Molecular ao estudo das doenças e características humanas. Ao finalizá­ lo,  percebemos  que  atingimos  mais  do  que  isso,  destacando  desde  aspectos  básicos  da  rotina  laboratorial,  de  coleta  e processamento  de  amostras,  até  as  metodologias  mais  utilizadas,  além  de  diversas  perspectivas  e  do  estado  da  arte  de técnicas sofisticadas, fruto das conquistas pioneiras do Projeto Genoma Humano e de toda a revolução que ele provocou na ciência.

Nesse  longo  processo,  desde  a  ideia  até  a  concepção  final,  esta  obra  revelou  um  time  de  pessoas  especiais,  que discorreram  sobre  temas  de  suas  especialidades  de  modo  dedicado  e  completo,  envolvendo  velhas  e  novas  amizades  e parcerias. E, desse modo, como um rio fica mais completo se houver pontes, nos permitimos navegar pelos caminhos da Biologia Molecular e explorar variados aspectos cruzando esse conhecimento por diferentes lados (ou margens!).

Agradecemos  a  todos  os  colegas  que  colaboraram  para  essa  conquista,  pela  dedicação,  paciência  e  parceria.  E esperamos  que,  aos  nossos  leitores,  essa  viagem  pela  Biologia  Molecular  atenda  às  expectativas  e  seja  tão  fascinante quanto é para cada um dos que construíram essa obra.

Monica V. N. Lipay  Bianca Bianco

[email protected]

(10)

Prefácio

Biologia  Molecular  pode  ser  considerado  um  guia  para  consulta  tanto  no  ambiente  dos  laboratórios  quanto  para

profissionais de áreas correlatas e estudantes de graduação e pós­graduação interessados no estudo das características e das doenças humanas.

Nos primeiros quatro capítulos são discutidos os aspectos básicos da biologia molecular, que envolvem o trabalho de laboratório:  organização,  preparo  de  reagentes,  coleta  e  amostragem  de  material  biológico,  conceitos  de  segurança  e controle de qualidade. Em seguida, são apresentadas as principais técnicas utilizadas na atualidade, com suas variações mais  frequentes.  O  livro  ainda  inclui  algumas  das  mais  importantes  aplicações  das  técnicas  empregadas  nesse  estudo, discutidas por profissionais com significativa expertise na área.

Monica V. N. Lipay  Bianca Bianco

[email protected]

(11)

  1   2   3   4   5   6   7   8   9 10 11 12 13 14 15 16

Sumário

Bases Teóricas para Investigação Laboratorial Amostragem de Material Biológico Principais Técnicas Utilizadas em Coletas e Extrações de Ácidos Nucleicos Controle de Qualidade no Laboratório de Biologia Molecular Reação em Cadeia da Polimerase Desvendando a Técnica de MLPA Análise de Proteômica Quantitativa Microarrays | Microarranjos de DNA Aplicações da PCR e suas Variações na Microbiologia Clínica Aplicações da PCR na Parasitologia Aplicações da Biologia Molecular em Farmacogenômica Aplicações da PCR em Hematologia Aplicações da Biologia Molecular em Genética de Populações Técnicas de FISH e CGH nas Análises Clínicas e Toxicológicas Citogenômica Aplicada à Medicina Terapia Celular

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(12)

Introdução

Desde  a  primeira  metade  do  século  19,  alguns  países  europeus  e  também  os  EUA  começaram  a  adotar  descobertas  no campo das ciências e técnicas biomédicas. No decorrer desses 100 anos, o triunfo da clínica, a medicina pré­industrial, o desenvolvimento da medicina laboratorial e experimental e a descoberta do compartimento das células culminaram com o uso da investigação laboratorial e, mais especificamente, dos métodos moleculares para essas investigações. O triunfo da clínica teve seu início no século 18, quando o médico passou a utilizar o ambiente hospitalar para estudos das doenças (casos clínicos). Esse ambiente ainda é usado como cenário de prática para sua própria formação acadêmica e científica. Contudo, na era pré­industrial, o diagnóstico era realizado pelo “olhar” clínico singular, ao que se chamava “arte  do  diagnóstico  por  excelência”.  Nessa  época,  houve  uma  passagem  lenta  da  medicina­arte  para  medicina­ciência (baseada  na  observação,  sistemática,  controlada  e  voltada  para  o  doente).  Além  disso,  nesse  período,  iniciou­se  o desenvolvimento  da  fisiologia,  da  química  e  da  biologia,  de  modo  que  a  formação  dos  médicos  se  fundamentou  na anatomia  e  na  patologia. Assim,  com  a  introdução  da  patologia,  a  arte  do  diagnóstico  consistia,  de  certa  maneira,  em antecipar o que a anatomia patológica descobriria depois da morte.

O desenvolvimento da medicina laboratorial e experimental provocou uma mudança na medicina como um todo, que passou a sofrer uma transformação e, já no século 20, viu a aplicação do conhecimento baseado na bacteriologia e nos estudos laboratoriais. Essa transformação foi marcada pelo aumento de contingente de pessoal médico e paramédico dentro dos  hospitais  e  pela  interação  entre  as  ciências  biológicas  e  não  biológicas,  como  a  física  e  a  química,  que  foram desenvolvidas por Pasteur, Koch e Bernard.

Claude  Bernard,  fisiologista,  pode  ser  considerado  um  dos  fundadores  da  medicina  laboratorial.  Sua  descoberta  da produção hepática do glicogênio foi o início do uso do laboratório para fundamentar as bases da determinação de analitos inerentes  ao  funcionamento  de  órgãos  ou  sistemas.  Já  Louis  Pasteur  pode  ser  considerado  o  criador  da  bacteriologia patológica, pois conseguiu demonstrar a teoria do germe, a partir da qual descobriu os microrganismos como causadores de doenças, colocando fim na teoria da geração espontânea. Além disso, foi capaz de unir esses conhecimentos laboratoriais para identificação dos estreptococos à observação clínica e, assim, desenvolveu a vacina contra a raiva. Robert Koch, por sua  vez,  identificou  o  bacilo  da  tuberculose  e,  em  viagem  ao  Egito  e  à  Índia,  isolou  o  vibrião  da  cólera  e  definiu  a sequência da investigação bacteriológica, definindo métodos de análises pautados em epidemiologia.

O  fim  dessa  transformação,  tanto  na  Europa  quanto  nos  EUA,  foi  marcado  pelo  enfeudamento  do  hospital  com  o laboratório, quando o primeiro passou a fornecer casos ao segundo, o qual passou a compartilhar os frutos das ciências com o hospital.

O  desenvolvimento  das  metodologias  laboratoriais  moleculares  só  foi  possível  por  causa  do  descobrimento  do compartimento  nuclear  (núcleo),  a  partir  do  qual  houve  o  desenvolvimento  da  citologia  clínica,  da  teoria  da  seleção natural e das leis da hereditariedade e a descoberta da molécula do DNA, do cromossomo e do código genético. Com essa

[email protected]

(13)

• • • •

riqueza de informações, foi possível introduzir os métodos moleculares para investigação de doenças.

Medicina diagnóstica e medicina laboratorial

“Medicina diagnóstica” é o termo usado atualmente para se referir a um conglomerado de especialidades direcionadas à realização de exames complementares no auxílio ao diagnóstico, com impacto nos diferentes estágios da cadeia da saúde: prevenção,  diagnóstico,  prognóstico  e  acompanhamento  terapêutico.  Fazem  parte  desse  mercado  os  laboratórios  de patologia  clínica  e  medicina  laboratorial,  de  anatomia  patológica,  as  clínicas  de  radiologia  e  imagem  e  outras especialidades, conjuntamente denominadas centros de diagnósticos, que fornecem todas as informações sobre o paciente.

Cada  vez  mais,  percebem­se  tendências  à  integração  desses  serviços  na  medicina  diagnóstica.  Essa  integração  traz benefícios  para  as  diferentes  partes  relacionadas,  como:  os  pacientes,  que  passam  a  contar  com  centros  de  alta resolubilidade;  a  comunidade  médica,  oferecendo  laudos  e  suporte  por  meio  de  diagnósticos  integrados;  e  o  próprio mercado, que se torna ainda mais competitivo e passa a ter empresas sólidas com alto poder de investimento, favorecendo o crescimento e a profissionalização dos que trabalham com saúde, além de incentivar o uso de novos meios de gestão nas empresas de saúde.

A  medicina  laboratorial  refere­se  à  prática  da  seleção,  provisão  e  interpretação  do  exame  diagnóstico  que  usa principalmente amostras de pacientes. Os exames na medicina laboratorial podem ser direcionados para confirmar uma suspeita clínica, excluir um diagnóstico, auxiliar na seleção, na otimização e no monitoramento do tratamento, fornecer um prognóstico ou fazer a triagem para a doença na ausência de sinais ou sintomas clínicos. O exame também é usado para estabelecer e monitorar a gravidade de um distúrbio fisiológico.

Essa medicina inclui desde a bioquímica clínica até os diagnósticos moleculares e as disciplinas tradicionais, como toxicologia,  endocrinologia,  genética  molecular,  microbiologia,  hematologia,  hemostasia,  medicina  transfusional  e imunologia,  além  da  citologia  e  da  anatomia  patológica.  O  manejo  e  a  interpretação  das  informações  (incluindo informática  laboratorial)  são  aspectos  essenciais  do  serviço  de  medicina  laboratorial,  assim  como  as  atividades relacionadas  com  manutenção  da  qualidade  (controle  de  qualidade,  testes  de  proficiência,  auditoria,  aferição)  e  gestão clínica (administração das organizações de saúde).

Medicina baseada em evidências

Atualmente, houve a introdução na medicina laboratorial dos campos da epidemiologia clínica e da medicina baseada em evidências  (MBE).  Os  epidemiologistas  clínicos  desenvolvem  projetos  de  estudo  para  quantificar  a  acurácia  do diagnóstico dos exames desenvolvidos em medicina laboratorial e métodos de estudo para avaliar o efeito e o valor do exame  laboratorial  na  assistência  à  saúde.  Dessa  maneira,  priorizam  o  uso  da  melhor  evidência  disponível  a  partir  dos estudos  bem  projetados  no  cuidado  dos  pacientes  individualmente.  Além  disso,  essa  prática  reformula  problemas  no cuidado clínico dos pacientes em perguntas estruturadas, procura evidências clínicas disponíveis, avalia a qualidade dos estudos clínicos e as implicações clínicas dos resultados e fornece ferramentas para ajudar os médicos a usarem de maneira ideal aqueles resultados no cuidado dos pacientes individualmente. Pode­se definir a MBE como o uso consciencioso, criterioso e explícito da melhor evidência na tomada de decisões sobre o cuidado individual dos pacientes. A palavra “criterioso” significa o uso de habilidades de médicos experientes em colocar as evidências em um contexto e em reconhecer a individualidade e as preferências dos pacientes. Um dos objetivos da MBE é incorporar as melhores evidências da pesquisa clínica às decisões clínicas – a palavra “melhores” significa a necessidade de avaliação crítica; as palavras “tomar decisões” indicam por que os princípios da MBE podem e devem ser aplicados na medicina laboratorial, uma vez que esta é uma das ferramentas essenciais usadas na tomada de decisões na prática médica.

As  justificativas  para  uma  abordagem  baseada  em  evidências  para  a  medicina  estão  fundamentadas  na  constante exigência de informações, na adição frequente de novas informações, na qualidade precária do acesso a boas informações, no declínio do conhecimento atualizado e/ou da experiência com o passar dos anos de uma prática médica individual, no tempo  limitado  disponível  para  consultar  a  literatura  e  na  variabilidade  dos  valores  e  preferências  individuais  dos pacientes. A estas, podem­se adicionar, especificamente em relação à medicina laboratorial: Número limitado e qualidade precária dos estudos que ligam os resultados dos exames aos benefícios aos pacientes Avaliação ruim do valor dos exames diagnósticos Demanda sempre crescente de exames Abordagem incoerente à alocação de recursos na medicina laboratorial (limites de orçamentos).

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(14)

• • • •

A prática da MBE requer: conhecimento do processo e conversão de um objetivo clínico em pergunta que possa ser respondida;  facilidade  para  originar  e  avaliar  criticamente  as  informações  para  gerar  conhecimentos,  um  recurso  do conhecimento  criticamente  avaliado;  capacidade  para  usar  o  recurso  do  conhecimento,  isto  é,  um  meio  de  acessá­lo  e distribuí­lo;  uma  estrutura  de  responsabilidade  clínica  e  econômica  de  prestação  de  contas;  e  uma  estrutura  de administração da qualidade.

A Tabela 1.1 elenca outros fatores que não devem mais ser usados na prática médica e laboratorial.

Medicina laboratorial baseada em evidências

Os serviços de medicina laboratorial são ferramentas importantes na disposição dos médicos para responder a perguntas diagnósticas e ajudar a tomar decisões.

As ferramentas fornecidas pela medicina laboratorial são chamadas de exames diagnósticos, os quais são usados muito mais amplamente do que apenas para fazer um diagnóstico. Como mencionado anteriormente, exames também podem ser realizados  para  fazer  um  prognóstico,  excluir  um  diagnóstico,  monitorar  um  tratamento  ou  processo  de  doença  e  fazer triagem para esta.

Tabela 1.1 Outros fatores além da MBE que podem influenciar as decisões clínicas.

Prática médica Características

Medicina baseada em eminência Colegas mais experientes que acreditam que a experiência supera as evidências Medicina baseada em veemência Substituição das evidências pelo volume e pela estridência

Medicina baseada em eloquência Elegância sartória e eloquência verbal Medicina baseada em providência A decisão é deixada nas mãos do líder religioso

Medicina baseada em di〼‾dência O médico di〼‾dente não faz nada por causa de um sentimento de desespero Medicina baseada em nervosismo O medo de um processo é um estímulo para o excesso de investigação e de

tratamento Medicina baseada em con〼‾ança Bravata Modificado de Isaacs e Fitzgerald, 1999.1

A  medicina  laboratorial  baseada  em  evidências  é  simplesmente  a  aplicação  de  princípios  e  técnicas  da  MBE  na medicina laboratorial. O médico que pede uma investigação espera que o resultado do exame o ajude a responder a uma pergunta e auxilie na sua decisão. Assim, o processo de tomada de decisão envolve um dos quatro cenários exemplificados pelas seguintes perguntas: Qual é o diagnóstico? Outro diagnóstico pode ser descartado? Qual é o prognóstico desse paciente? Qual é a condição desse paciente? Dentro de uma lógica clínica e laboratorial, a solicitação dos exames serve de base para unir as suspeitas do médico quando realizada a história clínica. Na primeira pergunta, procura­se um diagnóstico. As conclusões levam a uma decisão e a alguma forma de ação, o que frequentemente envolve uma intervenção projetada para melhorar os desfechos. Assim, quando  se  solicita  a  dosagem  de  paracetamol  e  nota­se  elevação  desse  fármaco,  por  exemplo,  a  administração  de  N­ acetilcisteína reduzirá o risco de um desfecho fatal. Nesse caso clínico, a mensuração do paracetamol é chamada de “exame para inclusão”.

Na  segunda  pergunta,  o  resultado  do  exame  exclui  um  diagnóstico  –  este  é  chamado  de  “exame  para  exclusão”. Quando um paciente se queixa de dor torácica e há suspeita de infarto agudo do miocárdio, o achado de que a troponina I

[email protected]

(15)

é indetectável no plasma pode ser usado para descartar a necrose miocárdica aguda.

Já  na  terceira  situação,  a  pergunta  é  usada  para  o  prognóstico,  que  pode  ser  considerado  a  avaliação  de  risco,  e complementa a aplicação do diagnóstico. Exemplo dessa situação é quando se mensura a concentração de RNA do vírus da imunodeficiência humana (HIV) no plasma. Após o diagnóstico inicial de infecção pelo HIV, a medida da concentração pode ser usada para prever o intervalo antes do colapso imune se o distúrbio não for tratado.

A quarta pergunta está relacionada com o tratamento do paciente. O resultado do exame de um paciente com uma doença crônica pode ser usado para selecionar o tipo de intervenção e avaliar sua efetividade. Exemplo disso ocorre nos pacientes  diabéticos,  em  que  as  mensurações  de  hemoglobina  glicada  (HbA1c)  são  usadas  para  avaliar  o  controle glicêmico e, assim, a efetividade da terapia. Se a HbA1c estiver alta, deve­se considerar a mudança do tratamento; se não estiver alterada, mostrando­se dentro dos valores desejáveis, o tratamento vigente deve ser mantido.

Em  cada  um  dos  exemplos  supracitados,  há  três  componentes  presentes:  uma  pergunta,  uma  decisão  e  uma  ação. Identificá­los é crucial para o planejamento de estudos de utilidade ou desfecho do exame. O reconhecimento dessa tríade levou  à  definição  de  um  pedido  de  exame  adequado,  aquele  que  possui  uma  pergunta  clínica  para  a  qual  o  resultado fornecerá uma resposta, possibilitando ao médico tomar uma decisão e iniciar a ação que levará a um benefício de saúde para o paciente. O critério principal para a utilidade de um exame é que o resultado possa levar a uma mudança na probabilidade da presença do distúrbio­alvo. A mudança na probabilidade em si não é fator decisivo. O médico tem de usar essa informação, aliada a outros achados e ao julgamento clínico, para tomar decisões ou fazer recomendações sobre o cuidado. Na maioria dos casos, o exame deve ser seguido de uma intervenção apropriada para produzir um desfecho desejado. Um resultado de exame sozinho pode tranquilizar ou permitir compreender a origem de uma queixa, mas, ainda assim, podem ser exigidas explicações e tranquilização por parte do médico. Por causa da dificuldade de se documentar que determinado exame melhora os desfechos do paciente, grande parte das pesquisas aborda apenas as características analíticas e o desempenho diagnóstico dos exames, e não seus efeitos na vida dos pacientes. A pesquisa restrita prejudica a compreensão e a contribuição dada pelo resultado do exame. Um exemplo disso pode ser um estudo randomizado de um protocolo rápido de avaliação de dor torácica, que mostra que os resultados normais para marcadores cardíacos descartam o infarto do miocárdio, mas não abordam o fato de o exame levar a menos admissões na unidade de cuidados coronarianos, com redução da mortalidade e morbidade.

Uso clínico do exame laboratorial

A prática clínica geralmente se depara com perguntas e incertezas, resultantes da primeira análise de informações oriundas do paciente. Os testes diagnósticos, laboratoriais ou não, são uma ferramenta valiosa que o clínico utiliza para, aliado ao seu juízo crítico e conhecimento prévio, estabelecer a etiologia das queixas ou anormalidades dos pacientes. Para a prática da medicina sob o novo paradigma da MBE, tanto o médico quanto o analista clínico devem estar familiarizados com as questões que dizem respeito à precisão, à exatidão e à acurácia de determinado teste, baseado nesses conceitos básicos e nos quais estará centrada a discussão da aplicabilidade e da validade do resultado para o paciente em questão.

A  seguir,  são  descritos  alguns  conceitos  básicos  e  extremamente  importantes  para  a  avaliação  correta  de  um  teste diagnóstico, laboratorial ou não.

Acurácia do teste

A relação entre o resultado de uma prova diagnóstica, seja laboratorial ou não, e a ocorrência da enfermidade que ela busca diagnosticar é normalmente visualizada em uma tabela 2×2, como mostra a Tabela 1.2. Nota­se que apenas em duas dessas combinações o teste está correto. Isso ocorre porque, na verdade, não existem provas perfeitas, capazes de acertar todos os diagnósticos. A  acurácia  é  a  proporção  de  testes  verdadeiramente  positivos  e  verdadeiramente  negativos  em  relação  à totalidade dos resultados (a+d/a+b+c+d). A capacidade do teste, entretanto, é mais frequentemente medida por meio de sua sensibilidade e especificidade, igualmente derivadas dessa tabela.

Tabela 1.2 Tabela 2×2, para cálculo de acurácia, sensibilidade e especificidade de um teste diagnóstico.

  Enfermidade

Teste Presente Ausente

[email protected]

(16)

Positivo Verdadeiro-positivos (a) Falso-positivos (b) Negativo Falso-negativos (c) Verdadeiro-negativos (d)

  O indicador utilizado para determinar a presença ou não da doença é o que se chama de “padrão­ouro”, normalmente difícil de ser encontrado. Na maioria das vezes, a certeza sobre a existência da doença só se dá com o uso de metodologias invasivas, como cirurgias e biopsias, ou já inúteis para aquele caso em particular, como as necropsias.

Sensibilidade

É definida como a proporção de indivíduos doentes que têm o teste positivo. A casela “a” da tabela 2×2 serve de base para o cálculo da sensibilidade, ou seja, S = a/a+c. Um teste muito sensível dificilmente deixa de identificar as pessoas doentes. Sua aplicação clínica ideal, portanto, seria para excluir doentes. Convém ressaltar a diferença entre a sensibilidade aqui definida  e  a  sensibilidade  analítica,  quantidade  mínima  do  analito  capaz  de  ser  diferenciada  de  zero  pelo  método  em particular.

Especificidade

Definida como a proporção de indivíduos sadios que apresentam teste negativo, é relacionada com a casela “d” da tabela 2×2, ou seja: E = d/b+d. Um teste muito específico exclui a grande maioria das pessoas sadias testadas. Sua aplicação clínica recomendável seria para confirmar uma doença.

Valores preditivos

Assim como a sensibilidade e a especificidade estão diretamente relacionadas com o desempenho ou a acurácia de um teste,  os  valores  preditivos  estão  relacionados  com  a  estimativa  da  presença  ou  não  da  doença,  com  base  no  resultado positivo ou negativo do teste. Calculadas nas linhas horizontais da tabela 2×2, as fórmulas são as seguintes: VPP (valor preditivo positivo): a/a + b × 100 (percentual) VPN (valor preditivo negativo): d/d + c × 100 Os resultados de VPP devem ser interpretados levando em conta as prevalências das doenças nas populações testadas. Assim, um teste para diagnóstico do HIV que tenha VPP de 20% pode parecer ineficaz, mas torna­se útil quando se sabe que a prevalência da doença na população geral é menor do que 1%.

Likelihood ratio ou razão de probabilidades (razão de

verossimilhança)

A  mais  valiosa  ferramenta  para  a  prática  clínica  e  laboratorial  na  análise  de  um  teste  diagnóstico  é,  sem  dúvida,  o

likelihood ratio (LR). Definido como a possibilidade de um resultado de um teste em particular para uma pessoa com a doença de interesse, é dividido pela probabilidade daquele resultado de teste para uma pessoa sem a doença de interesse. Matematicamente, obtêm­se os LR usando­se a seguinte fórmula: LR+: Sensibilidade/1­Especificidade LR–: 1­Sensibilidade/Especificidade Neste caso, os valores de S e E são expressos em proporções, e não em porcentagens. Quanto maior o valor LR+ de um teste, maior a sua capacidade de diagnosticar a doença, enquanto um valor de LR– baixo revela uma baixa suspeita da doença  em  pacientes  com  teste  negativo.  Como  sempre  se  parte  da  probabilidade  inicial  da  doença  (conhecida  como probabilidade pré­teste), o valor de 1 é neutro, ou seja, um teste com LR+ de 1 não acrescenta nada ao diagnóstico, mesmo sendo  positivo.  Conhecendo­se  ou  estimando­se  uma  probabilidade  pré­teste  e  o  LR  do  teste  aplicado,  pode­se,  com tranquilidade, definir quantas vezes aumentou ou diminuiu a chance do paciente que tem um teste positivo ou negativo. A probabilidade  pré­teste  depende  da  combinação  de  valores  epidemiológicos  (prevalência),  mas  principalmente  de  uma avaliação  clínica  criteriosa  e  quantitativa.  A Tabela  1.3  mostra  o  comparativo  entre  duas  metodologias  aplicadas  à

[email protected]

(17)

determinação  da  HbA1c.  A  metodologia  X  (nova  metodologia)  está  sendo  comparada  a  partir  da  metodologia  Y (metodologia de referência e consagrada) cujo ponto de corte é a concentração acima de 6,5%.

Avaliando­se a tabela, nota­se, no ponto de corte de 6,5% determinado pelo método Y (consagrado pela literatura), o valor  de  82%  dos  indivíduos  classificados  corretamente  como  alterados  para  o  parâmetro  HbA1c.  Nessa  faixa  de avaliação,  a  sensibilidade  é  de  74,1%  e  a  especificidade  é  de  87,3%. A  chance  do  paciente  é  de  5,85  vezes  de  não responder ao tratamento, já que o LR+ foi de 5,85.

Adiciona­se à avaliação citada anteriormente o ponto de corte ou valor de referência. Não há dúvidas de que um ponto crucial na correta interpretação de um teste laboratorial é o seu “ponto de corte”, ou seja, o limiar a partir do qual ele se torna “positivo” ou discriminador da doença. Os profissionais devem estar cientes de que, dependendo da maneira em que esse ponto for definido, muda o enfoque com que o teste passa a ser visto.

O  modo  clássico  com  que  os  laboratórios  de  análises  clínicas  definem  seus  valores  de  referência  segue  os recomendados  pelo  fabricante  do  kit  que  está  sendo  usado.  Esse  procedimento  pode  levar  a  interpretações  errôneas  e aquele que deseja fazer o melhor uso dos testes diagnósticos deve ter extrema cautela com esse hábito. Uma análise mais criteriosa por parte do responsável pelo laboratório deveria ser feita antes de se adotar um ponto de corte preestabelecido. Sugerem­se os seguintes pontos para essa determinação: Tabela 1.3 Capacidade do método X de classificar indivíduos segundo valores de hemoglobina glicada comparado ao método Y. Ponto de corte – Método X

(%) Sensibilidade (%) Especi␀⠀cidade (%) Classi␀⠀cados corretamente(%)

Razão de verossimilhança Positivo Negativo ≥ 4 100,0 0,0 40,6 1,04 < 0,001 ≥ 5 100,0 40,5 64,7 1,68 < 0,001 ≥ 5,7 92,6 74,7 82,0 3,66 0,10 ≥ 5,8 90,7 78,5 83,5 4,22 0,12 ≥ 5,9 87,0 79,8 82,7 4,30 0,16 ≥ 6 83,3 83,5 83,5 5,06 0,20 ≥ 6,1 83,3 86,1 85,0 5,98 0,19 ≥ 6,2 79,6 86,1 83,5 5,72 0,24 ≥ 6,3 75,9 87,3 82,7 6,00 0,28 ≥ 6,5 74,1 87,3 82,0 5,85 0,30 ≥ 6,6 72,2 89,9 82,7 7,13 0,31 ≥ 6,7 66,7 89,9 80,5 6,58 0,37 ≥ 6,8 64,8 89,9 79,7 6,40 0,39 ≥ 6,9 63,0 91,1 79,7 7,11 0,41 ≥ 7 63,0 92,4 80,5 8,29 0,40 ≥ 8 44,4 97,5 75,9 17,56 0,57

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(18)

• • • • • • • • •   1. ≥ 8,9 33,3 98,7 72,2 26,3 0,68 Obs.: ponto de corte para método Y > 6,5%. As populações de “sadios” e “doentes” com os quais o fabricante determinou seu valor de referência correspondem à realidade prática do laboratório? Há quanto tempo esse valor está estabelecido pelo fabricante? Existem consensos na literatura especializada corroborando os valores propostos? Há na literatura algum registro recente de trabalhos que referendam ou reveem os valores estabelecidos no caso em particular? A observação desses itens poderá permitir uma informação com maior grau de confiabilidade por parte do laboratório. Outro  fator  relevante  que  se  deve  recordar  é  que  a  mudança  do  ponto  de  corte  afeta  os  valores  de  sensibilidade  e especificidade de um teste e, consequentemente, todos os cálculos deles derivados influenciam decisivamente na maneira como o teste pode ser usado. O exemplo da Tabela 1.3 mostra essa relação quando outros pontos de corte são usados a partir  da  metodologia  X.  Nota­se  que  os  valores  de  sensibilidade  e  especificidade  se  alteram  de  acordo  com  os  novos pontos de corte estabelecidos.

Necessidades de informações na medicina baseada em

evidências

Os estudos no campo da medicina laboratorial baseada em evidências têm cinco objetivos principais: Caracterização da acurácia diagnóstica dos exames pelo estudo dos grupos de pacientes Determinação do valor do exame (desfecho) para os indivíduos testados Revisão sistemática dos estudos de acurácia diagnóstica ou desfechos dos exames para responder a uma pergunta clínica específica Avaliação econômica dos exames para determinar quais exames poderão ser usados Auditoria do desempenho no decorrer dos exames para responder a questões sobre seu uso. A prática da MBE parece ter lugar cativo no futuro dos serviços de saúde, graças a alguns benefícios palpáveis que pode oferecer tanto a pacientes quanto a instituições. Os profissionais de laboratório não podem e não devem ficar alheios a esse processo. A MBE na prática clínica inicia­se com o estabelecimento de questões e a tentativa de respondê­las com o máximo de evidências possíveis. Nas questões relativas a diagnóstico, terapêutica e prognóstico, é inegável a relevância do laboratório clínico. Assim, o uso correto dos exames laboratoriais é a base para a aplicação e o êxito dessa nova prática médica laboratorial.

Considerações finais

Os  princípios  da  medicina  laboratorial  baseada  em  evidências  podem  servir  de  base  para  o  modo  como  a  medicina laboratorial é praticada, desde a descoberta de um novo exame diagnóstico até sua aplicação no cuidado de rotina do paciente. Os princípios fornecem a lógica pela qual todos os elementos da prática são fundamentados. As ferramentas da medicina laboratorial baseada em evidências, se seguidas da maneira exposta neste capítulo, fornecem os meios para a prestação da mais alta qualidade de serviço ao atender às necessidades dos pacientes e profissionais de saúde que o servem. A  aplicação  da  prática  baseada  em  evidências  é  muito  mais  complexa  para  a  medicina  laboratorial  do  que  para  as intervenções terapêuticas, porém é crucial para o sucesso.

Referência bibliográfica

Isaacs D, Fitzgerald D. Seven alternatives to evidence­based medicine. BMJ. 1999;3:98­103.

Bibliografia

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(19)

Campana GA, de Faro LB, Gonzalez CPO. Fatores competitivos de produção em medicina diagnóstica: da área técnica ao mercado. J Bras Patol Med Lab. 2009;45:295­303. Drummond JP. O que é medicina baseada em evidências? In: Drummond JP, Silva E, Coutinho M. Medicina baseada em evidências. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2002. Dufour DR, Lott JA, Nolte FS, Gretch DR, Koff RS, Seef LB. Diagnosis and monitoring of hepatic injury. Performance characteristics of laboratory tests. Clinical Chemistry. 2000;46:2027­43. Fleiss JL. The design and analysis of clinical experiments. New York: John Wiley & Sons, 1986. Greenberg RS, Daniels SR, Flanders WD, Eley JW, Boring III JR. Epidemiologia clínica. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. Greenhalg T. How to read a paper: papers that report diagnostic or screening tests. British Medical Journal. 1997;315:540­43.

Halkin A,  Reichman  M,  Schwarber  M,  Paltiel  O,  Brezis  M.  Likelihood  ratios:  getting  diagnostics  testing  into  perspective.  QJM. 1998;91:247­58. Horvath AR, Pewsner D, Egger M. Systematic reviews in laboratory medicine: principles process and practical considerations. Clin Chimi Acta. 2004;342:23­9. Knottnerus JA, Van Weel C, Muris JWM. Evaluation of diagnostics procedures. British Medical Journal. 2002;324:477­80. Kuhn T. A estrutura da revolução científica. São Paulo: Perspectiva, 2003. Lin LI. Assay validation using the concordance correlation coefficient. Biometrics. 1992;48:599­604.

McQueen  MJ.  Overview  of  evidence­based  medicine:  challenges  for  evidence­based  laboratory  medicine.  Clinical  Chemistry. 2001;47:1536­46. Oosterhuis WP, Bruns DE, Watine J, Sandberg S, Horvarth AR. Evidenced­based guidelines in laboratory medicine: principles and methods. Clin Chem. 2004;50:806­1. Steurer J, Fischer JE, Bachmann LM, Koller M, Riet G. Communicating accuracy of tests to general practitioners: a controlled study. British Medical Journal. 2002;324:824­6. Van Walraven C, Naylor CD. Do we know what inappropriate laboratory utilization is? JAMA. 1998;280:550­8.

[email protected]

PRODUTOS: http://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_161477952

(20)

Introdução

O conhecimento e a apreciação das ferramentas em biologia molecular, que estão em constante desenvolvimento, devem ser incorporados em projetos de estudo e procedimentos laboratoriais. Sob esse aspecto, algumas considerações devem ser feitas para a preparação, a conservação e o armazenamento de amostras biológicas para esses estudos epidemiológicos e de monitoramento. Apesar da importância da coleta de amostras e da construção de bancos de dados biológicos, pouco tem sido publicado sobre a seleção e a validação dos procedimentos e como eles podem afetar o resultado desses estudos. O objetivo deste capítulo, portanto, é discutir os procedimentos, os desafios e as armadilhas em coleta, processamento e armazenamento de amostras biológicas.

Coleta da amostra

Para  uma  coleta  de  amostra  confiável  e  consistente,  é  essencial  estabelecer  uma  comunicação  eficaz  entre  médicos  ou pesquisadores,  funcionários  e  pacientes  do  estudo.  Procedimentos  especiais  de  coleta  podem  ser  necessários  caso envolvam espécimes de uma população especial, como crianças, nas quais a coleta de sangue muitas vezes requer uma pessoa habilitada e experiente nessa atividade.

Os  responsáveis  pelo  procedimento  devem  entregar  instruções  ao  pessoal  envolvido  (funcionários  e  pacientes), incluindo o período recomendado para coleta, a necessidade ou não de jejum ou abstinência, os volumes necessários, os recipientes específicos a serem utilizados e até mesmo o tamanho da agulha para a punção venosa. Instruções detalhadas são reforçadas por protocolos operacionais de comunicação escrita e frequente. Caso o local do processamento laboratorial seja  diferente  do  local  de  coleta  da  amostra,  é  importante  assegurar  que  o  processamento  receba  os  espécimes adequadamente, de modo a evitar perda ou dano de transporte, armazenamento prolongado ou tentativas de entrega sem sucesso.

Instruções claras devem ser fornecidas aos pacientes quando há necessidade de autocoleta e na coleta seriada. Essas instruções podem ser fornecidas por via oral e/ou escrita e devem relatar a necessidade ou não de jejum, interação com medicamentos  ou  alimentos,  higiene,  conservação  da  amostra  coletada,  armazenamento  e  transporte  de  amostras  ao laboratório. Por exemplo, pode ser importante colocar a amostra de urina imediatamente no refrigerador ou em gelo até que seja  transferida  para  o  laboratório,  para  que  não  afete  o  nível  de  metabólitos  e/ou  a  integridade  das  células  uroteliais. Também pode ser necessário comunicar ao participante a importância de seguir com precisão os protocolos de coleta de amostras.

[email protected]

(21)

Métodos não invasivos de coleta

A coleta invasiva, às vezes, é necessária para análises específicas. A coleta de sangue é o método mais frequentemente utilizado para obter amostras biológicas, uma vez que certamente é menos invasiva do que biopsias, por exemplo. No entanto,  mesmo  métodos  menos  invasivos,  como  a  coleta  de  células  descamadas  da  boca  ou  urina  (células  uroteliais), podem  ser  adequados  para  determinados  fins  (genotipagem,  citogenética,  detecção  de  mutações  ou  lesões)  e  para minimizar a utilização de amostras de sangue valiosas ou mesmo reduzir o volume de sangue necessário a ser obtido de cada paciente. Além disso, o uso desses métodos pode aumentar a adesão ao exame, uma vez que muitos participantes podem estar mais dispostos a fornecer uma amostra obtida pelo uso de um swab bucal ou mesmo de urina.

A coleta de células descamadas é logisticamente menos difícil e não requer pessoal altamente treinado, como na coleta de sangue. Assim, amostras alternativas podem ser mais viáveis em determinadas situações.

Questões relacionadas com o timing da amostra

Os  níveis  de  biomarcadores  podem  ter  uma  variação  metabólica  tempo­dependente.  Por  exemplo,  há  uma  diferença hormonal e de vários níveis de metabólitos detectados na primeira urina da manhã em comparação com as demais do dia. Em algumas investigações, são necessárias várias coletas em diferentes momentos, a fim de se obter a evolução no tempo da verdadeira relação entre a exposição e o desenvolvimento de anomalias e possibilitar o estabelecimento de associações causais. O efeito da pré­clínica, nos níveis de biomarcadores, tem sido uma questão amplamente debatida, especialmente para biomarcadores medidos durante o curto período antes do início da doença. Se o momento da coleta está dentro do período do início da doença, mas antes de esta ter sido manifestada clinicamente, há uma possibilidade de alguns dos parâmetros biológicos  medidos  serem  resultado  da  doença  em  si,  e  não  do  valor  preditivo  para  tal. Amostras  coletadas  um  longo tempo antes do aparecimento da doença podem ser mais informativas e mais bem associadas à causa da doença.

Estabilidade das amostras

Fatores que afetam a estabilidade de amostras biológicas incluem anticoagulantes, agentes de estabilização, temperatura, tempo  antes  do  processamento  inicial,  condições  de  esterilidade,  fatores  endógenos  (enzimas  que  degradam  as propriedades, morte celular) etc.

Anticoagulantes

Na obtenção de amostras de sangue para análise, destaca­se a importância da seleção adequada do fator anticoagulante. Enquanto certos anticoagulantes são melhores ou mesmo necessários para fins analíticos, outros podem ser absolutamente contraindicados. Por exemplo, o citrato de sódio pode proporcionar uma melhor qualidade de RNA e DNA em relação a outros anticoagulantes e produz maior rendimento de linfócitos para a cultura, ao passo que a heparina afeta a proliferação de células T e liga­se a muitas proteínas. Além disso, o ácido etilenodiamino tetra­acético (EDTA) é bom para ensaios baseados em DNA, influencia a concentração de Mg2+ e gera problemas para a análise citogenética (aumenta a permuta de cromátides  irmãs,  diminui  o  índice  mitótico  etc.).  A  coleta  de  sangue  total,  em  qualquer  tipo  de  tubo  contendo anticoagulante, pode induzir a produção de citocinas in vitro e, provavelmente, resultar em concentrações artificialmente elevadas.

Agentes de estabilização

Muitos componentes do sangue, potenciais biomarcadores, são instáveis e devem ser conservados utilizando­se agentes estabilizadores. O EDTA e o ácido ascórbico, por exemplo, são agentes de estabilização de folato no sangue e devem ser adicionados o mais rapidamente possível após a coleta, a fim de garantir a qualidade da análise. O ácido metafosfórico ou a  glutationa  reduzida  são  utilizados  para  preservar  o  ácido  ascórbico.  Há  também  considerações  especiais  para  a determinação dos compostos voláteis, como biomarcadores, ou o efeito de hemólise sobre os níveis de eletrólitos. Esses fatores de estabilidade devem ser explorados e validados em um estudo­piloto antes que ocorra uma coleta em larga escala.

Tempo decorrido antes do processamento inicial

O tempo permitido entre a coleta e o processamento de amostras biológicas depende dos componentes de interesse e de sua estabilidade. Se a alta viabilidade de células é desejada, o processamento de sangue, esfregaços bucais ou amostras de urina precisariam ter prazo de 24 a 48 h.

[email protected]

(22)

Da mesma maneira, para muitos biomarcadores, o tempo entre a coleta e o processamento afeta a estabilidade, apesar da presença  de  agentes  estabilizadores.  Essas  considerações  determinam  a  periodicidade  e  o  processamento  das  amostras coletadas. Por exemplo, se a distância física entre as instalações de coleta e do processamento puder acarretar atrasos de transporte, a análise de biomarcadores instáveis deve ser excluída. Como alternativa, para garantir a sua integridade, pelo menos o mínimo de passos iniciais tem de ser conduzido antes da transferência da amostra.

Temperatura

A  temperatura  pode  afetar  a  estabilidade  da  amostra  basicamente  em  duas  fases:  durante  o  tempo  entre  a  coleta  e  o processamento da amostra (se as amostras não são processadas imediatamente) e durante o armazenamento a curto e longo prazos. Geralmente, o DNA isolado é armazenado a 4°C durante várias semanas, a –20°C durante vários meses e a –80°C durante vários anos; RNA isolado deve ser armazenado a –80°C. Células vivas são estáveis à temperatura ambiente por até 48 h, mas devem ser cultivadas ou criopreservadas em nitrogênio líquido a –132°C, a fim de permanecerem viáveis. Soro e plasma contêm um grande número de moléculas solúveis e a maioria requer temperatura muito baixa para se manter intacta (–80°C). O controle da temperatura durante o tempo entre a coleta e o processamento de amostras até o armazenamento final é essencial, especialmente quando envolve várias horas. A temperatura adequada depende do biomarcador de interesse. Se um biomarcador bioquímico muito lábil é o foco principal do estudo (p. ex., citocinas) e as amostras não serão analisadas imediatamente, estas necessitam ser congeladas a –80°C e ciclos repetidos de congelamento e descongelamento devem ser evitados. Congelar a amostra coletada sem processamento é incompatível com a manutenção de células viáveis, visto que estas se romperão se congeladas sem dimetilsulfóxido (DMSO). Portanto, o investigador tem de escolher entre a separação imediata dos componentes da amostra, de modo que cada um possa ser preservado em conformidade, e a seleção de um componente da amostra para preservação imediata (p. ex., citocinas), sacrificando os demais que necessitam de diferentes condições  (p.  ex.,  células  vivas).  Contudo,  para  manter  a  viabilidade  das  células  durante  várias  horas  ou  dias,  deve­se manter a amostra à temperatura ambiente (até 48 h).

Baixas temperaturas (4°C) geralmente são uma boa opção entre os dois extremos de congelamento ou à temperatura ambiente  –  as  células  podem  permanecer  viáveis  (viabilidade  reduzida  em  comparação  com  a  temperatura  ambiente)  e protegidas também, pelo menos em certa medida, contra a degradação enzimática das sensíveis proteínas biomarcadoras.

Esterilidade

O requisito para as condições assépticas durante o processo de coleta é essencial, especialmente se a intenção for isolar RNA ou realizar cultura de células da amostra. Bactérias ou contaminação fúngica podem ser prejudiciais para a qualidade dos biomarcadores, introduzir novos produtos e metabólitos e tornar a amostra não confiável.

Degradação

A  degradação  enzimática  pode  afetar  muitos  biomarcadores  bioquímicos. As  proteínas  são  sensíveis  à  degradação  por proteases,  em  particular  se  a  integridade  celular  foi  comprometida.  A  integridade  proteica  é  protegida  por  adição  de inibidores  de  protease  disponíveis  comercialmente,  utilizados  logo  após  a  coleta.  É  importante  mencionar  que  os inibidores da protease são tóxicos para células vivas e, portanto, não devem ser adicionados ao sangue total quando se deseja viabilidade celular. Além disso, todas as etapas durante o processamento de proteína devem ocorrer no gelo.

O  RNA  também  é  particularmente  sensível  à  degradação  por  nucleases  abundantes  e  ubíquas.  A  manutenção  da integridade  do  RNA  é  possível  por  manuseio  em  ambiente  livre  de  ribonucleases  (RNAses),  por  adição  de  inibidores disponíveis comercialmente.

Em  contraste,  o  DNA  é  o  componente  mais  estável  em  amostras  biológicas,  incluindo  sangue,  células  esfoliadas  e outros tecidos. Existem relatórios mostrando que, a partir de amostras de células esfoliadas, o DNA permaneceu estável por até 1 semana em temperatura ambiente. Na verdade, exposição a 37°C por 1 semana também não afeta o rendimento do DNA. A  estabilidade  do  DNA  permite  que  ele  seja  recuperado  e  analisado  a  partir  de  fluidos  corporais  secos,  sangue coagulado, manchas de sangue seco, de lâminas ou mesmo roupas, como é frequente nos casos de investigações forenses.

Recipientes/equipamentos

A escolha do tamanho e das características dos tubos, garrafas ou outros recipientes para coleta e transporte de amostras depende do volume, dos meios de transferência para o laboratório, do custo, da eficiência do armazenamento e dos tipos de análises  pretendidas.  Pequenas  amostras  de  sangue  podem  ser  colhidas  por  picada  no  dedo  em  cartões  disponíveis, comercialmente pré­tratados para evitar a degradação e a contaminação da amostra. Células epiteliais são normalmente

[email protected]

(23)

coletadas com uma pequena escova citológica (swab) ou espátula, que é, então, enxaguada em tubos de centrífuga cônicos contendo  tampão  de  estabilização.  O  uso  de  sistema  para  coleta  de  lavados  bucais  ou  saliva  recentemente  ganhou popularidade. A coleta de células bucais também pode ser feita em placas pré­tratadas. Veículos secos e compactos para coleta de células bucais podem ser particularmente úteis se o tratamento não for possível no local de coleta e requerer transporte para processamento. No entanto, os veículos secos para coleta de amostras biológicas limitam sua utilidade para um número menor de aplicações, como o isolamento de DNA, a detecção de compostos inorgânicos (p. ex., Hg e As) etc.

Além disso, o recipiente primário utilizado para a coleta de amostras e os recipientes subsequentes do processo podem afetar  a  qualidade  da  amostra.  Recipientes  certificados  livres  de  RNAses  devem  ser  utilizados  para  todos  os  passos  de manuseio  de  amostras  de  RNA.  De  utilização  única,  tubos  estéreis  de  laboratório  são  adequados  para  essa  finalidade, desde  que  todo  o  manuseio  associado  não  introduza  fontes  de  contaminação  (p.  ex.,  o  uso  de  luvas  e  de  uma  área  de trabalho  livre  de  RNAses).  Frascos  estéreis  de  uso  único  também  devem  ser  utilizados  em  caso  de  manipulação  e isolamento de células em cultura e/ou de criopreservação.

Segurança

Várias  questões  de  segurança  surgem  a  respeito  do  manuseio  de  materiais  biológicos  humanos,  devendo  ser  tomadas precauções em todas as fases do trabalho. Tecidos humanos são potencialmente infecciosos e testes detalhados para perfis de organismos patogênicos não são realizados, a menos que sejam parte do estudo, como HIV, hepatite ou outros agentes transmissíveis  ou  parasitários.  Os  funcionários  devem  ser  treinados  para  lidar  com  materiais  humanos,  tomando  as precauções de segurança necessárias para sua própria proteção e de outros envolvidos em todo o processo (p. ex., pessoal de transporte).

Há uma preocupação de segurança particularmente elevada sobre grupos de amostras provenientes de países com alta incidência de doenças infecciosas, como hepatite, na China; tuberculose, em países do Leste Europeu; o HIV, na África etc.  A  conduta  geral  preconiza  que,  a  menos  que  os  sujeitos  do  estudo  sejam  selecionados  e  diagnosticados  como negativos,  o  risco  é  desconhecido  e,  portanto,  os  cuidados  devem  ser  tomados  como  se  as  amostras  fossem  infectadas. Objetos afiados, como agulhas, representam um risco particularmente elevado para a contaminação do pessoal.

Recomendam­se disponibilidade de manuais e treinamento de práticas de segurança e saúde ocupacional.

Transporte

A consciência dos riscos potenciais durante o transporte de materiais biológicos tem aumentado não só entre os cientistas, mas  também  entre  o  público.  Materiais  biológicos  apresentam  potencial  e  muito  alto  risco  de  transmissão  de  doenças infecciosas. Portanto, o responsável pelo laboratório deve fornecer treinamento para seus funcionários a fim de assegurar a conformidade com os regulamentos, que não permitem qualquer margem para erro. Além disso, produtos embalados ou rotulados inadequadamente serão recusados para o transporte pelas companhias aéreas e terrestres ou retidos na alfândega. Todas as operações do processo de transporte devem ser padronizadas por meio de Procedimento Operacional Padrão (POP), que deve incluir, entre outras etapas, condições de acondicionamento e transferência do material, armazenamento temporário, limpeza e manutenção dos equipamentos e veículos.

Documentação

A  documentação  apropriada  inclui  detalhes  como  data  de  coleta,  número  da  amostra,  tipos  e  volumes,  informações  de entrega (FedEx e recibo eletrônico) e cadeia de formas de custódia. Informações pessoais sobre os participantes devem ser codificadas, em conformidade com as normas de proteção da privacidade.

Os  formulários  de  papel  podem  ser  substituídos  por  sistemas  informatizados  mais  versáteis  de  bases  de  dados eletrônicos. Códigos de barras são cada vez mais utilizados para catalogar eficazmente amostras e permitir a verificação eletrônica  e  de  processamento.  Além  disso,  todos  os  protocolos  de  coleta  e  processamento,  bem  como  os  registros eletrônicos, devem ser armazenados em locais seguros e conservados por período a ser determinado.

Adesão estrita aos protocolos

Quanto  maior  o  estudo,  maior  é  o  desafio  para  a  consistência  na  manipulação  de  todos  os  espécimes  biológicos.  É inevitável  que  alguns  indivíduos  e,  possivelmente,  vários  laboratórios  manipulem  as  amostras,  seja  na  coleta  ou  nos estágios de processamento. O desafio, nesse caso, além de produzir protocolos claros e explícitos, utilizar POP e treinar todas  as  pessoas  sobre  os  passos  a  serem  seguidos,  é  garantir  que  todos  adiram  estritamente  aos  POP.  Para  tanto,  os fluxogramas ajudam a equipe técnica a evitar confusões e mal­entendidos.

[email protected]

Referências

Documentos relacionados