FORMAÇÃO CONTINUADA EM LÍNGUA PORTUGUESA
ROTEIRO DE ATIVIDADES
9° ANO
3° BIMESTRE
AUTORIA
ADEMIR CALIXTO MARCIANO DUQUE DE CAXIAS
Rio de Janeiro 2012
APRESENTAÇÃO
O Roteiro de Atividades tem a função de servir de material didático modelar, no sentido da sua conexão explícita com os descritores do Currículo Mínimo e do seu nível de articulação entre atividades de leitura, uso da língua e produção textual.
O material pode ser utilizado em sala de aula na primeira etapa de cada ciclo que compõe as disciplinas de acompanhamento do bimestre e, já na primeira tarefa de cada ciclo das disciplinas do Aperfeiçoamento, você vai ser incentivado a ajustá-lo às características da sua sala de aula. A partir do segundo ciclo do bimestre, esse tipo de roteiro também vai servir como ponto de referência para que você mesmo construa seu próprio material didático. Além disso, ao longo desse processo você será convidado a compartilhar dúvidas e experiências relativas a esse processo de implementação do Currículo Mínimo com seus colegas, em fóruns virtuais criados justamente pra isso, e terá sempre o acompanhamento do seu tutor para ajudá-lo a resolver dificuldades e a aperfeiçoar o material que estará sendo produzido.
Outro ponto importante para reforçar a flexibilidade do esquema de trabalho que está proposto neste curso é que cada um dos roteiros apresentados a você foi elaborado para ser percorrido ao longo de apenas duas semanas de aula. Sendo assim, nos períodos sem cobertura você poderá desdobrar mais livremente atividades que julgar mais interessantes, rever conteúdos ou explorar outros pontos cobrados pelas avaliações externas.
Em termos da sua estrutura geral, os roteiros se apresentam em duas versões: uma para o professor e outra para o aluno. Constituem-se internamente de texto gerador, atividades e respostas comentadas.
O texto gerador é do gênero privilegiado pelo eixo bimestral do Currículo Mínimo, copiado e reproduzido para servir como ponto de partida de um trabalho que está previsto para percorrer duas semanas de aula. O texto, com direitos autorais liberados e atual, procura atender aos interesses dos alunos e tem extensão apropriada para compor a carga horária prevista para as aulas.
As atividades dirigem-se aos alunos do ensino básico e exploram o texto gerador em seções dedicadas à leitura, ao uso da língua e à produção textual. As atividades têm
comandos suficientemente precisos para gerar variações controladas e comentários que sirvam de orientação para você avaliar a produção dos seus alunos. Incentivam, ainda, o uso produtivo das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs).
As respostas comentadas estão presentes apenas no documento voltado aos professores. Apresentam um “gabarito” das atividades propostas e uma análise das respostas mais prováveis às questões propostas.
TEXTO GERADOR
O Texto Gerador é um recorte da parte final do romance Eurico, o presbítero, de Alexandre Herculano. A personagem Hemengarda elouquece depois da morte de seu grande amor, morto pelos mouros.
Transcrevemos, a seguir um pegueno trecho do capítulo final do romance Eurico,o presbítero.
Um contra três! ˗˗ Era um combate calado e temeroso.
O cavalheiro da cruz parecia desprezar Muguite: os seu golpes retiniam só nas armaduras dos dois Godos. Primeiro velho Opas, depois Juliano caíram.
Então, recuando, o guerreiro cristão exclamou: ˗˗ Meu Deus! Meu Deus! ˗˗ Possa o sangue do mártir remir o crime do presbítero!
E, largando o franquisque levou as mãos ao capacete de bronze e arrojou-o para longe de si.
Muguite, cego de cólera, vibrara a espada: crânio do seu adversário rangeu, e um jorro de sangue salpicou as faces do sarraceno.
Como tomba o abeto solitário da encosta ao passar do furacão, assim o guerreiro misterioso do Críssus caía para não mais se erguer!...
Nessa noite, quando Pelágio voltou à caverna, Hemengarda, deitada sobre o seu leito, parecia dormir. Cansado do combate e vendo-o tranquila, o mancebo adormeceu, também,
perto dela, sobre o duro pavimento da gruta. Ao romper da manhã, acordou ao som de cântico suavíssimo. Era sua irmã que cantava um dos hinos sagrados que muitas vezes ele ouvira entoar na catedral de Tárraco. Dizia-se que seu autor fora um presbítero da diosese de Híspalis, chamado Eurico.
Quando Hemergada acabou de cantar, ficou um momento pensando. Depois, repentinamente,soltou uma destas risadas que fazem eriçar os cabelos, tão tristes, soturnas e dolorosas são elas: tão completamente exprimem irremediável alienação de espírito.
A desgraçada tinha, de feito, enlouquecido.
Vocabulário:
Franquisque – arma utilizada pelos godos
Mártir – indivíduo que sofre ou se sacrifica muito Alienação – alucinação, pertubaçãomental,loucura ATIVIDADES DE LEITURA
QUESTÃO 1:
O Texto Gerador é um fragmento do último capítulo do romance e mostra a combate de Pelágio contra os mouros e enlouquecimento de sua irmã.
Considerando que o gênero textual “romance” – como outros textos narrativos – é composto por cinco elementos estruturais: apresentação, complicação, clímax e desfecho, responda: Qual desses elementos melhor caracteriza o Texto Gerador?
Justifique sua resposta.
Habilidade trabalhada:
Resposta Comentada:
Esta questão retoma a habilidade de identificar os elementos do enredo, já trabalhada no 2° bimestre e no 1° ciclo do 3° bimestre. Assim, após uma rápida revisão da função da apresentação, da complicação, do clímax e do desfecho na composição do enredo, é provável que o aluno identifique, com facilidade, o Texto Gerador como o desfecho do romance Eurico, o presbítero.
Para chegar a essa solução, algumas pistas são fornecidas pelo próprio enunciado da questão. A informação de que a morte de Eurico foi um acontecimento que desnorteou a vida de Hemengarda, provocando grande tristeza e seu enlouquecimento, identifica o clímax da história.
Outro dado é a morte do presbítero, o amor de sua vida.
QUESTÃO 2:
Quando lemos uma história, nem sempre conhecemos os significados de todas as palavras utilizadas pelo autor. No entanto, isso não nos impede de entender o texto, já que o próprio contexto em que a palavra desconhecida está inserida pode nos dar pistas de seu sentido.
Assim, observe a palavra destacada na passagem em seguida, tente compreender o seu significado a partir do contexto e responda:
1) O que você acha que a palavra "cólera" quer dizer?
2) Como você chegou a essa conclusão?
Muguite,cego de cólera, vibrava a espada.
Habilidade trabalhada:
Inferir o significado de palavras desconhecidas a partir do contexto em que são usadas.
Resposta Comentada:
Inicialmente, é válido reforçar para o aluno a ideia de que a compreensão de uma palavra vai além do mero reconhecimento de seu significado denotativo: seu sentido é ampliado pelo contexto (linguístico e extralinguístico) em que está inserida. Desse modo, o não conhecimento do significado de uma palavra pode não ser empecilho para sua compreensão.
Nessa perspectiva, mesmo desconhecendo o significado de "cólera", o aluno conseguirá inferir, pelo enunciado em que a palavra aparece (contexto linguístico), que ela significa ira, fúria e violência respondendo, assim, ao questionamento da letra a.
Em relação à letra b, que pergunta como o aluno alcançou a resposta do item a, ele provavelmente identificará a informação de que no contexto do cotidiano ouve-se a palavra no sentido medicinal ou de raiva.
Em um contexto maior de análise, pode-se levar a turma a verificar que o trecho analisado é uma fala do narrador, descrevendo o aspecto do personagem MUGUITE.
QUESTÃO 3
Você já ouviu falar na expressão “ler nas entrelinhas”? Isso é o que, muitas vezes, fazemos quando lemos um texto e tiramos conclusões sobre o seu conteúdo a partir de “pistas” que são apresentadas pelo autor. Em outras palavras, fazemos “inferências” a partir das informações dadas no texto.
Pensando nisso, leia a passagem que menciona o canto de Hemengarda em “Eurico, o presbítero” e responda: O que se pode deduzir sobre essa personagem e sobre seu papel?
...acabou de cantar, ficou um momento pensando. Depois,repentinamente, soltou uma dessas risadas que fazem eriçar os cabelos,tão tristes, soturmas e dolorosas...
Habilidade trabalhada:
Resposta Comentada:
Esta questão objetiva levar o aluno a perceber que a interpretação de um texto vai além do que está efetivamente escrito nele. É preciso que o discente note que as inferências que são realizadas em um processo de interpretação textual exigem uma leitura mais aprofundada e crítica do texto.
Desse modo, espera-se que o aluno venha a inferir que a personagem Hemengarda é uma pessoa que se encontra e completa alienação e devaneio.
ATIVIDADE DE PRODUÇÃO TEXTUAL QUESTÃO 4:
Ao longo deste bimestre, o romance Eurico, o presbítero, foi lido, e o resumo de seus capítulos foi elaborado pela turma. Agora, vocês já têm um bom conhecimento de toda a história de Eurico e demais personagens.
Considerando o resumo da narrativa integral, procure, em grupo, registrar, de forma organizada e esquemática, os seguintes itens relacionados ao romance lido:
a) tema;
b) foco narrativo (1° pessoa ou 3° pessoa);
c) época;
d) lugar;
e) personagens;
f) conflito;
g) desfecho.
Feito isso, proponha a alteração de um dos itens e justifique sua escolha diante do grupo, escolhendo um colega que possa propor outra alteração. Siga, então, nessa dinâmica, até que todos os itens listados acima tenham sido alterados.
Depois de todos os itens alterados, elabore, em grupo, uma narrativa com base nas novas informações.
Habilidade trabalhada
Produzir coletivamente um texto narrativo cuja estrutura se aproxime do romance.
Comentário
A atividade proposta deve ser avaliada em relação à capacidade de planejamento dos alunos, à estrutura geral da narrativa e à necessidade de cada item se articular aos demais, de forma interessante e significativa. A consistência da justificativa para as mudanças propostas deve ser levada em conta, assim como o grau de imaginação e a capacidade de concentração demonstrados pelos alunos.
TEXTO COMPLEMENTAR (fragmento)
Já escrevi duas levas de textos contra o celibato de padres da Igreja Católica.A primeira foi em outubro de 2007. Integram esse grupo posts como O desastre do celibato: São Pedro tinha sogra! e Igreja não é armário. Voltei com uma nova série em 2008, quando o padre Júlio Lancelotti foi acusado de molestamento por um rapaz com quem ele mantinha uma relação que se mostrou imprópria, ainda que fosse pia.
Vejo, agora, a Igreja sacudida por novas acusações de pedofilia na Europa e no Brasil: há um caso escabroso em Arapiraca, em Alagoas, noticiado na VEJA desta semana. Como o ódio à Igreja é grande mais por seus acertos do que por seus erros, procura-se magnificar o que já é criminoso e desastroso: tenta-se arrastar o próprio papa para o centro do furacão: seu irmão, também sacerdote, teria protegido um padre pedófilo.
E isso não vai acabar tão cedo. Aproveita-se a fragilidade da Igreja para tentar pôr a igreja de joelhos — diante do laicismo, não de Deus.
A condição de casado ou celibatário, em si, não faz alguém ser mais ou menos fiel aos princípios que abraçou.
Mas é inegável que a exigência do celibato acaba sendo, em muitos casos, uma solução socialmente aceitável para muitos rapazes que, de outro modo, teriam de se haver com explicações nem sempre fáceis perante a família e a comunidade.
Que importa que a esmagadora maioria dos padres cumpra o seu compromisso? Bastam uns poucos para produzir o desastre...
Veja, abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ou-a-igreja-acaba-com-o-celibato
ATIVIDADE DE USO DA LÍNGUA QUESTÃO 5:
Observe o quadro:
Apesar de todos esses escândalos sucessivos o alto escalão da igreja não toma uma posição a respeito dos fatos.
Identifique a ideia expressa pela conjunção “Apesar de” e assinale a alternativa que apresenta a melhor reescritura do trecho, pois mantém seu sentido original.
Conseguem sobreviver e trilhar o caminho longínquo marcado de mais tristeza do que alegria porque não possuem o mínimo de escolha.
Conseguem sobreviver e trilhar o caminho longínquo marcado de mais tristeza do que alegria mesmo não possuindo o mínimo de dignidade.
Como não possuem o mínimo de escolha, conseguem sobreviver e trilhar o caminho longínquo marcado de mais tristeza do que alegria.
Ao passo que não possuem o mínimo de escolha, conseguem sobreviver e trilhar o caminho longínquo marcado de mais tristeza do que alegria.
Conseguem sobreviver e trilhar o caminho longínquo marcado de mais tristeza do que alegria para não possuírem o mínimo de escolha.
Habilidade trabalhada:
Relacionar o uso de conjunções subordinativas variadas aos sentidos produzidos nas sequências.
Resposta Comentada:
Nesta questão, o aluno deverá buscar a alternativa que apresente um conector que possa exprimir a mesma relação semântica indicada pelo que o conector “Apesar de”: a concessão.
Com base nisso, as alternativas a e c estão erradas, haja vista que os conectores “porque” e “como” (na posição inicial da frase) propiciam um efeito de causa. As opções d e
e também estão incorretas, pois os conectores “ao passo que” e “para” expressam as ideias de
proporção e de finalidade, respectivamente. A opção b é, então, a alternativa correta, devido ao fato de o conector “mesmo” poder ser equivalente a “apesar de”, estabelecendo uma ideia de concessão no contexto em que se encontra.