• Nenhum resultado encontrado

AS PRÁTICAS DE ENSINO COM OS MUSEUS ESCOLARES NO ESTADO DE SÃO PAULO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "AS PRÁTICAS DE ENSINO COM OS MUSEUS ESCOLARES NO ESTADO DE SÃO PAULO"

Copied!
8
0
0

Texto

(1)

AS PRÁTICAS DE ENSINO COM OS MUSEUS ESCOLARES NO ESTADO DE SÃO PAULO

Camila Marchi da Silva

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo PEPG em Educação: História, Política, Sociedade Agência de Fomento: CAPES Eixo Temático 2: Pesquisa e Práticas Educacionais Categoria: Pôster

O que é o Museu Escolar?

A historiografia a respeito do museu escolar no Brasil ainda é escassa. Os museus escolares aparecem em trabalhos que tratam do estudo da cultura material escolar do século XIX, mas não são tema central da maioria das pesquisas dessa área. O interesse por este tema foi justamente esse, investigar um objeto que é recorrente na historiografia a respeito da cultura material escolar do século XIX, mas que ainda não foi totalmente investigado.

De acordo com Petry (2013 p. 31), o termo “museu escolar” possui diversos significados, variáveis de acordo com o contexto, portanto é considerado pela autora, um termo “polissêmico”. A autora distingue seis significados diferentes para o termo museu escolar. Destes, cinco dialogam diretamente com o tema desta pesquisa1:

1) Museu escolar: Alojado dentro das instituições educativas, deveria servir a professor e alunos para a realização de estudos pautados no concreto, isto é, agregar um conjunto de objetos para tornar a aprendizagem intuitiva. (p. 32)

2) Museu Escolar Brasileiro: Museu Escolar Brasileiro corresponde a uma coleção de quadros parietais produzidos na França, traduzidos, adaptados e trazidos para o Brasil. (p. 33)

3) Móvel: Móvel em madeira com portas parcialmente envidraçadas que guarda as coleções de objetos para as lições de coisas. (p.35)

4) Museu dentro da sala de aula: vincula-se especialmente aos móveis acima descritos, pois, em geral, este museu seria composto de

1 O sexto significado encontrado pela autora é “associação auxiliar da escola”, este termo está ligado ao estado de Santa Catarina especificamente, por isso, não fornece informações relevantes ao tema de pesquisa proposto. (Petry, 2013 p. 38)

(2)

armário, estante ou outro móvel que servisse como armazenador de objetos. (p.37)

5) Gabinete: o museu não só dava nome às coleções de quadros, objetos diversos e móveis, como poderia ocupar um espaço físico nas escolas, um pequeno gabinete onde seriam guardadas as coleções. (p. 38) De acordo com Vidal (2007 p. 200) a criação dos museus escolares e pedagógicos no final do século XIX no Brasil, esteve associada à disseminação do método intuitivo por meio das Lições de Coisas. Segundo a pesquisadora (2007 p. 206), o museu escolar era uma expressão da modernidade do ensino, pois refutavam os tradicionais métodos de memorização e repetição, em favor do método intuitivo, que centrava o aprendizado na visualização de imagens que eram apresentadas pelos quadros parietais, também denominados de museu escolar, conforme definição acima. Poggiani (2011) (2011 p. 12), por sua vez, mostra que o museu escolar exerceu importante papel na educação, pois teve como finalidades divulgar novos métodos de ensino, além de colaborar com o aprendizado de professores. Atualmente segundo a autora, o museu escolar é de suma importância para o tema da preservação do patrimônio escolar. Poggiani (2011 p.49 e p.50) ressalta ainda que os museus escolares foram criados para servirem de instrumentos ao ensino secundário e primário, porém foram utilizados com maior frequência nas escolas primárias. Quanto a sua definição, a pesquisadora identifica na literatura acadêmica que museu escolar também pode ser denominado como: museu pedagógico, museu da educação e museu de história natural.

Madi Filho (2013 p.4), ao estudar o uso dos taxidermizados em aulas de ciências, explica a importância das Ciências dentro de um projeto modernizador do ensino e nos mostra uma política de aproximação com os continentes europeu e norte-americano. Ainda de acordo com Madi Filho (2013), as escolas modernas deveriam destinar espaços próprios ao ensino de Ciências. Estes espaços seriam os museus escolares e os gabinetes de Física, Química e História Natural, para servir de instrumentos da nova escolarização (Madi Filho, 2013, p. 80).

Percebe-se até aqui que o museu escolar desempenhou um importante papel nos ensinos primário e secundário nos séculos XIX e, em alguns casos, até meados do XX. Sua utilização esteve ligada às disciplinas de Ciências e História Natural, em que era necessária a utilização de instrumentos de ensino específicos a cada disciplina. Estes instrumentos ficavam acomodados em espaços denominados gabinetes ou laboratórios, e era nestes locais onde também estavam os museus escolares. No entanto, muitas vezes os museus escolares poderiam estar dentro das

(3)

próprias salas de aulas a fim de facilitar não só a guarda e observação de objetos, como também para sua possível utilização durante as aulas.

Percebe-se ainda que o termo museu escolar é considerado polissêmico, pois pode definir tanto um armário, quanto uma coleção de quadros, e que pode ser composto por objetos diversos, tanto ligado aos ensinos de ciências físicas e químicas, quanto à história natural, além de ter diversas configurações funcionais.

Definição do tema e problema

Uma das definições sobre “museu escolar”, encontrada por Petry (2013) é o “museu escolar do tipo armário” que é um objeto de ensino que ora servia para a guarda de objetos organizados pelos professores, ora por objetos trazidos pelos alunos, ora por instrumentos adquiridos em casas especializadas. Nesse sentido, com base nas informações apresentadas, este projeto propõe uma pesquisa sobre os “Museus Escolares” dando ênfase ao tipo “armário”. O que seriam estes museus escolares? Da pergunta principal surgem outras perguntas: Como eles foram apresentados no ensino paulista? Que tipo de artefatos os compunha? Quem fabricava estes museus? Como eles eram utilizados em sala de aula? Eles eram utilizados? Onde eles eram instalados? E os objetos dentro deles, eram utilizados ou serviam somente para serem vistos? Como foram organizadas essas práticas no estado de São Paulo?

Objetivos

Este tipo de Museu Escolar poderia ser comprado em alguma empresa do ramo, ou montado por professores e alunos. Tais armários eram encontrados tanto em espaços específicos na escola, como dentro de algumas salas de aula. Nesse sentido, o objetivo de pesquisa é compreender a relação deste tipo de Museu Escolar do “tipo armário”, com o espaço no qual está inserido e as práticas desenvolvidas por meio deste objeto. O objetivo é compreender como se relacionam objetos e práticas de ensino, entre a normatização e a ação de pessoas em sala de aula, por intermédio de seu Museu.

Justificativa

Souza (2007 p. 179 e 180) afirma que “o estudo histórico dos materiais escolares pode ser um instrumento valioso para decifrar a cultura escolar à medida que as práticas são mediatizadas, em muitos sentidos, pelas condições materiais.” No

(4)

entanto, a pesquisadora chama a atenção para o fato de que estes materiais escolares nem sempre são preservados, são muitas vezes esquecidos e até mesmo descartados. Nesse sentido, o estudo sobre os museus escolares permitirá compreender como os objetos se tornam vetores de práticas e das relações construídas a partir da utilização destes objetos e procura, do mesmo modo, a partir da pesquisa, estimular a prática de salvaguarda do patrimônio material escolar.

Hipótese

Acredita-se que novas configurações de museus escolares serão descobertas ao longo da pesquisa, levando em consideração às práticas de montagem de museus por professores e alunos. Isso nos faz pensar que o “museu escolar” era muito mais uma instituição intelectual voltado ao ensino de ciências, construída na rede de significações dadas por professores e alunos em loco, por meio de ações escolares, do que, meramente, o local onde se guardava os aparelhos e objetos voltados ao ensino. Em outras palavras “museu escolar” acabou se tornando mais um sentimento de guarda, o que lhe rendeu várias configurações, do que tipos de depósitos de coisas.

Procedimentos de pesquisa

A pesquisa será feita com base na investigação em três tipos de documentação: documentação escrita; iconográfica; e artefatos de ensino.

As documentações estão disponíveis nos seguintes arquivos e acervos:

 Documentação Escrita e iconográfica - Arquivo Público do Estado de São Paulo, centro de referência Mário Covas (Acervo do Colégio Caetano de Campos); acervo de documento do antigo Ginásio do Estado (presente na atual E. E. São Paulo); análise de livros didáticos da Biblioteca do Livro Didático da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP);

 Artefatos encontrados nos seguintes colégios: Colégio D. Pedro II (Rio de Janeiro), Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo, Colégio São Luis (Jesuítas), Colégio “Culto à Ciência” (Campinas); Colégio Americano (atual Escola estadual bento de Abreu – Araraquara).

Em investigação inicial buscou-se compreender como os museus escolares eram definidos pela legislação educacional. Até o momento, foram listados os seguintes documentos: a) Reforma Leôncio de Carvalho de 1879; b) Reforma

(5)

Benjamin Constant de 1890 e c) Código de Educação do Estado de São Paulo de 1933.

Tais documentos no entanto, instigaram a busca por outros tipos de documentos com o objetivo de tentar compreender como era utilizado o museu escolar na prática. Em pesquisa realizada no Arquivo Público de São Paulo foram pré-selecionados até o momento os seguintes documentos: Anuários; Programas de Ensino; Registros de Bens Escolares; Relatórios de Ensino e Revistas Escolares.

Procedimentos de Análise

Portanto, como procedimentos de análise, com base nos referenciais documentais expostos acima, propomos que a pesquisa seja dividida em três partes, estudadas de forma diferenciadas, porém relacionadas por meio de análise crítica: a primeira, pensada como uma investigação a respeito do que é e como foi utilizado o museu escolar do tipo armário feita com base numa documentação escrita; a segunda, uma investigação a respeito dos objetos guardados dentro deste tipo de museu escolar, tendo por base a documentação iconográfica; por fim, a relação entre as documentações, mostrando o estudo das fontes escritas em relação ao material utilizado e preservado em coleções museológicas.

Para destacar os materiais e fazer um estudo sobre as ações praticadas em torno deles, pretende-se fazer um elenco de objetos que forem apresentados como partes integrantes de museus escolares, fossem elas industrializadas ou não (caso se encontrem tais objetos). A partir desse elenco, busca-se o cotejamento das práticas de ensino com tais objetos relacionando-os ao que está exposto em livros didáticos, revistas de ensino e normatizações variadas.

Trata-se de um estudo, portanto, que rastreia a constituição e uso de museus escolares no estado de São Paulo a partir do cotejamento equilibrado entre fontes diferenciadas, não necessariamente dando ênfase, muito embora sem descartá-las, à documentação escrita.

Resultados Parciais

A primeira menção sobre museus escolares em legislação encontrada até o momento aparece na Reforma Leôncio de Carvalho de 1879. O decreto que tem como objetivo a reforma dos ensinos primários e secundários da corte imperial, determina no artigo sétimo a criação nos diferentes distritos do mesmo município pequenas bibliotecas e museus escolares.

A presença de museus escolares no ensino foi mantida e ampliada pela Reforma Benjamin Constant de 1890. No artigo de número nove, fica determinado que

(6)

cada escola primária deverá ter um museu escolar provido de coleções mineralógicas, botânicas e zoológicas, de instrumentos e de quanto for indispensável para o ensino concreto. A Reforma Benjamin Constant determinou também, no título quatro, a criação do Pedagogium, sua função era a de oferecer ao público e aos professores instrução profissional, os melhores métodos de ensino e fornecimento de material de ensino às escolas.

O terceiro documento legal analisado foi o Código de Educação do Estado de São Paulo de 1933. O capitulo dez deste código dispõe sobre a criação do Serviço de Bibliotecas e Museus Escolares. Tal departamento tinha como objetivo despertar nas crianças o gosto pela leitura literária e cientifica, para cumprir tal objetivo, o código determinava a existência de bibliotecas e museus escolares em todos os estabelecimentos de ensino do primário até o ensino superior. O artigo 115 do código orienta que os museus escolares deveriam compreender coleções de objetos industriais, comerciais e agrícolas. Esses objetos poderiam ser recolhidos pelos próprios alunos em excursões escolares.

Já no artigo 116 o código determina a criação de três tipos de museus escolares: a) museu de classe – deveria revelar o trabalho e cooperação dos alunos composto por diversos assuntos tratados nas aulas; b) museu de escola – deveria conter além de exemplares de matérias-primas e produtos da região, expor os melhores trabalhos dos alunos; c) museu central – ajuda técnica aos professores para aperfeiçoamento de suas aulas e práticas. Por fim, no artigo 117 o código instrui que para a organização dos museus as escolas deveriam buscar auxílio no: Almoxarifado do Departamento de Educação; doações particulares; auxílio das municipalidades e dádivas particulares.

Em análise ao Relatórios de Ensino enviados pela Escola Normal foi localizado no exemplar de 1893 indícios da presença de museus escolares neste estabelecimento de ensino.

O documento relata o envio de coleções fornecidas pelo Museu Estado (atual Museu Paulista) e da Comissão Geográfica e Geológica, para o Museu de História Natural, bem como a importação de novas coleções vinda de Paris para o colégio. A hipótese é de que muitos destes objetos estariam guardados em museus escolares.O museu escolar é mencionado também no ano inicial de tiragem da Revista Escolar. A Revista Escolar passou a ser publicada a partir do ano de 1925. Era organizada pelo órgão da diretoria geral de instrução pública, e tinha como principal objetivo orientar os professores por meio de planos de aula.

No exemplar número cinco da revista, deste primeiro ano, foi destinado um artigo na página oitenta sobre a importância da organização de museus escolares nas

(7)

escolas paulistas. O artigo defende que o uso do museu escolar nas escolas primárias era imprescindível para o bom andamento do ensino intuitivo, sendo assim, o artigo orienta que todos os estabelecimentos do ensino primário deveriam organizar um museu escolar.

Ainda de acordo com tal artigo, estes museus escolares deveriam ser constituídos de espécimes zoológicas, mineralógicas e botânicas. Sendo que estes objetos poderiam ser recolhidos e organizados pelos próprios alunos.

Portanto, em resumo, podemos dizer que sobre os museus escolares, temos as seguintes informações parciais, a utilização do museu escolar nas escolas paulistas foi amplamente incentivado pelo governo de diversas épocas, desde o final do século XIX até meados de século XX, por meio da legislação, publicações oficiais e fornecimento de materiais pelo Museu do Estado e outros órgãos público, ou através do envio de verba para aquisição de objetos. Percebe-se, portanto, uma preocupação por parte destes governos de tentativa de modernização dos ensinos primários e secundários. Nesse sentido, os museus escolares aparecem em tais documentos como vetores dessa modernização almejada.

Referências Bibliográficas

MADI FILHO, José Maurício Ismael. 2013. Animais taxidermizados como materiais de ensino em fins do século XIX e início do XX. Dissertação de Mestrado apresentada ao programa Educação: História, Política, Sociedade da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC SP.

PETRY, Marilia Gabriela. 2013. Dá recolha a exposição: a constituição de museus escolares em escolas públicas primárias de Santa Catarina (Brasil 1911-1952). Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

POGGIANI, Ana Maria Lourenço. 2011. Os Museus Escolares na primeira metade do século XX: Sua importância na educação brasileira. Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Católica de Santos.

VIDAL, Diana. 2007. O museu escolar brasileiro: Brasil, Portugal e França no âmbito de uma história conectada (final do século XIX). In: FERNANDES, Rogério; LOPES, Alberto; FARIA FILHO, Luciano Mendes de (Orgs.). Para a compreensão histórica da infância. Belo Horizonte: Autêntica, 2007. p.199-220.

Fontes

(8)

http://www2.camara.gov.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-7247-19-abril-1879-547933-publicacaooriginal-62862-pe.html Acessado: 06/01/2014 ás 14:57

Reforma Benjamin Constant de 1890

http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/fontes_escritas/4_1a_Republica/decret o%20981-1890%20reforma%20benjamin%20constant.htm Acessado em 12/01/2014 as 11:10h

Código de Educação do Estado de São Paulo de 1933

http://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/1933/decreto-5884-21.04.1933.html Acessado dia 06/01/2014 ás 14:49

Arquivo Público do Estado de São Paulo. Relatório do diretor da Escola Normal de 1893. Fundo – Instrução Pública

Arquivo Público do Estado de São Paulo. Revista Escolar de 1925. Fundo – Publicações.

Referências

Documentos relacionados

Oncag, Tuncer & Tosun (2005) Coca-Cola ® Sprite ® Saliva artificial Compósito não é referido no estudo 3 meses 3 vezes por dia durante 5 minutos Avaliar o efeito de

Para além deste componente mais prático, a formação académica do 6º ano do MIM incluiu ainda disciplinas de cariz teórico, nomeadamente, a Unidade Curricular de

Muitos desses fungos podem ser encontrados nos grãos de café durante todo o ciclo produtivo, porém sob algumas condições especificas podem causar perda de

Assim, almeja-se que as ações propostas para a reformulação do sistema sejam implementadas na SEDUC/AM e que esse processo seja algo construtivo não apenas para os

5 “A Teoria Pura do Direito é uma teoria do Direito positivo – do Direito positivo em geral, não de uma ordem jurídica especial” (KELSEN, Teoria pura do direito, p..

One of the main strengths in this library is that the system designer has a great flexibility to specify the controller architecture that best fits the design goals, ranging from

A dispensa de medicamentos é a função primordial do Farmacêutico e deve ser feita unicamente em Farmácia, por Farmacêuticos ou técnicos devidamente habilitados, sempre sob

Portanto, conclui-se que o princípio do centro da gravidade deve ser interpretado com cautela nas relações de trabalho marítimo, considerando a regra basilar de