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NOVO REGIME DA ACTIVIDADE DO SECTOR DAS LEILOEIRAS

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Academic year: 2021

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NOVO REGIME DA ACTIVIDADE DO SECTOR DAS LEILOEIRAS

No dia 10 de Agosto foi publicado no Diário da República o Decreto-Lei 155/2015 tendo como principal objectivo, de acordo com o preâmbulo do diploma, “a necessidade de garantir a fiabilidade nas empresas leiloeiras de modo a proteger os interesses de todos os que com elas se relacionam, através da criação de um quadro regulamentador específico que estabelece um conjunto de requisitos considerados essenciais para a atividade leiloeira”.

O legislador entende que “a atividade leiloeira tem vindo a proliferar nos últimos anos, em parte fruto da conjuntura económica desfavorável que se iniciou em 2008, o que conduziu a um crescente e decisivo papel desempenhado pelas empresas leiloeiras nos atos de liquidação empresarial, de execuções judiciais e de insolvências. Esta situação originou o surgimento de alguns intervenientes, nesta atividade, destituídos da preparação e da idoneidade necessárias ao seu desempenho, com prejuízo dos interesses públicos e privados que a atividade convoca”. O diploma entra em vigor no dia 10 de Setembro de 2015 e aplica-se às pessoas singulares ou colectivas que já exerçam actividade leiloeira ou que venham a exercer, sendo que as entidades que já se encontrem a funcionar têm um período mais dilatado de 180 dias para darem cumprimento ao disposto na nova legislação.

As entidades que exerçam a atividade de leiloeiras vão ser obrigadas a dar provas da sua idoneidade e qualificação e a obter uma autorização prévia junto da Direção-Geral das Atividades Económicas (DGAE).

As entidades ficam também agora obrigadas a contratualizar um seguro de responsabilidade civil para indemnizações por eventuais danos do exercício da atividade, e cujo capital seguro tem um valor mínimo obrigatório de 200 mil euros.

Advogado: Tiago Gamboa

15 de Agosto de 2015

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O diploma torna ainda obrigatório reduzir a escrito os contratos de prestação de serviços de leilão, a tipificação dos deveres para com os clientes das leiloeiras, algumas obrigações de registo e de publicitação de informação, bem como regras aplicáveis aos leilões eletrónicos.

O diploma considera não ter idoneidade quem tenha sido declarado insolvente por decisão judicial os últimos cinco anos, encontrar-se em fase de liquidação, dissolução ou cessação de atividade, sujeita a qualquer meio preventivo de liquidação de patrimónios, salvo quando se encontrar abrangida por um plano especial de recuperação de empresas.

Os administradores, diretores ou gerentes das leiloeiras também não são considerados idóneos se tiverem sido condenados por crimes como tráfico de metais preciosos ou de estupefacientes, associação criminosa, branqueamento de capitais, administração danosa ou corrupção ativa, falsificação ou tráfico de influência, entre outros crimes.

O diploma determina ainda o levantamento de autos de contraordenação para quem não cumprir as exigências estabelecidas no diploma, variando as coimas entre os 750 euros e os 20 mil euros. Nos termos da nova legislação o processo inicia-se junto DGAE com o respectivo pedido, que será entregue na internet no “Balcão do empreendedor” através de formulário próprio, devendo constar os seguintes elementos:

a) Identificação do requerente com menção do nome ou firma e número de identificação fiscal;

b) Endereço da sede ou do domicílio fiscal, consoante se trate de pessoa coletiva ou de empresário em nome individual;

c) Código da certidão permanente ou declaração de início de atividade, consoante se trate de pessoa coletiva ou empresário em nome individual;

d) Certificado de registo criminal do requerente ou, tratando-se de pessoa coletiva, dos respetivos administra- dores, diretores ou gerentes;

e) Declaração escrita, sob compromisso de honra, ates- tando que em relação ao requerente ou, tratando-se de pessoa coletiva, aos respetivos administradores, diretores ou gerentes não se verifica qualquer uma das circunstâncias que determina a inidoneidade.

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A DGAE depois de verificar o processo comunica a decisão e sendo a mesma favorável a entidade deverá juntar prova da celebração do contrato de seguro obrigatório.

Esta entidade disponibiliza no mesmo site o título de autorização para o exercício da actividade. Nos termos do artigo 11º a 14º existem uma série de obrigações para as leiloeiras como sejam: 1.

a) Disponibilizar no local de realização do leilão, bem como no seu sítio na Internet, o respetivo regulamento com as condições de funcionamento do leilão;

b) Organizar e conservar atualizado um registo de todos os contratos de leilão celebrados no exercício da respetiva atividade;

c) Conservar em arquivo cópia de todos os contratos de leilão celebrados no exercício da atividade, pelo período mínimo de cinco anos a contar da respetiva assinatura;

2. São livros obrigatórios das empresas leiloeiras:

a) Registo de entrada, por ordem, de todos os bens que lhe sejam remetidos para venda; b) Diário de saída, de todos os bens, efetivamente vendidos ou apenas devolvidos, com

menção da data do leilão, nomes dos vendedores e compradores e dos preços obtidos; c) Diário de leilões, destinado à escrituração de todos os leilões realizados, por ordem

cronológica, com indicação da data de leilão, nome do comitente, números dos lotes, nomes dos compradores e a soma total do produto bruto do leilão;

3. Os representantes das empresas leiloeiras e os respetivos técnicos de leilão devem, no exercício da atividade, estar devidamente identificados com cartão que identifique a empresa e tenha aposto o seu nome;

4. As empresas leiloeiras devem dispor de livro de reclamações;

5. As empresas leiloeiras devem evidenciar a sua identificação em todos os estabelecimentos de que disponham em território nacional, incluindo nos de caráter provisório e nos respetivos sítios na Internet, com indicação da denominação e do número da respetiva autorização ou do seu registo na DGAE.

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Os artigos 16º e 17º, estabelecem alguns deveres da leiloeira para com os clientes e destinatários da venda, sendo que a leiloeira é obrigada a:

a) Certificar-se, no momento da celebração do contrato, de que os seus clientes têm capacidade e legitimidade para contratar nos negócios que irá promover;

b) Respeitar as disposições previstas no Decreto- -Lei n.o 24/2014, de 14 de fevereiro, alterado pela Lei n.o 47/2014, de 28 de julho, relativo aos contratos celebra- dos à distância e aos contratos celebrados fora do estabelecimento comercial, que lhes sejam aplicáveis, designadamente a disponibilização de informação pré-contratual;

c) Comunicar imediatamente aos destinatários qualquer facto que possa pôr em causa a concretização do negócio visado;

d) Avisar de imediato os clientes e destinatários sempre que constatem que o estado dos bens que lhes são confiados não corresponde à descrição constante nos documentos que titularam a entrega ou levantamento dos mesmos;

e) Facultar ao público o exame das coisas a leiloar por um período mínimo de duas horas. A empresa leiloeira pode exigir ainda o registo prévio dos destinatários do leilão interessados em licitar os bens, bem como o pagamento de uma caução.

São ainda estabelecidas obrigações especificas para leilões electrónicos, como sejam:

a) Divulgação, de forma clara e inequívoca, do dia e hora de abertura e de termo de cada leilão eletrónico com, pelo menos, três dias de antecedência face ao seu início;

b) Indicação, no respetivo sítio na Internet, do local e do horário em que os bens podem ser examinados, quando aplicável;

c) As ofertas de licitação, uma vez introduzidas no sistema, não podem ser retiradas;

d) Divulgação do resultado do leilão eletrónico no sítio na Internet, com indicação do montante pelo qual os bens foram adjudicados, de forma clara e inequívoca;

e) Comprovação da identidade dos participantes no leilão através de meios de autenticação segura, nomeada- mente o cartão de cidadão ou a chave móvel digital.

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Por fim, realçar que a escritura pública ou o documento particular que titule negócio sobre bem leiloado deve mencionar se o mesmo foi objeto da intervenção de empresa leiloeira, com indicação, em caso afirmativo, da respetiva denominação social e número da autorização, devendo o notário ou profissional equiparado que intervenha em negócios sobre bens leiloados advertir os intervenientes do dever de fazerem constar dos documentos respetivos a intervenção.

Contactos

Advogado: Tiago Gamboa E-mail: [email protected]

Oliveira, Gamboa & Associados, Sociedade de Advogados, R.L. Sociedade inscrita na Ordem dos Advogados sob o n.º 38/09 NIPC: 509069355 Estrada da Outurela, n.º 121 Edifício Strapex 2794-051 Carnaxide, Portugal Telefone: (+351) 214 16 18 29 Fax: (+351) 210 43 58 94

Referências

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