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REGIME FORFETÁRIO DOS PRODUTORES AGRÍCOLAS

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INFORMAÇÃO ABRIL 2| 2016

INFORMAÇÃO AGOSTO 5| 2016

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REGIME FORFETÁRIO DOS PRODUTORES AGRÍCOLAS

O regime forfetário do IVA dos produtores agrícolas1 que entrou em vigor no dia 1 de

janeiro de 2015, criado pela Lei do Orçamento do Estado 2015, prevê a atribuição de uma compensação aos pequenos produtores agrícolas isentos de IVA, de forma a atenuar o impacto do imposto (IVA) suportado nas aquisições de bens e serviços para o exercício da atividade económica.

O produtor agrícola por ser isento de IVA, não pode deduzir os montantes de IVA pagos aos seus fornecedores. Aderindo a este regime por opção, os produtores agrícolas isentos de IVA podem obter uma compensação calculada a partir da aplicação de uma percentagem de 6% sobre o total das vendas e serviços agrícolas por si efetuados em cada semestre a outros sujeitos passivos de IVA (empresas, outros produtores, cooperativas, comerciantes e prestadores de serviços em geral).

Quais as operações que não conferem direito à compensação forfetária?

● Vendas e prestações de serviços agrícolas a consumidores finais (particulares);

● Vendas e prestações de serviços agrícolas a produtores agrícolas enquadrados no regime forfetário (em Portugal ou noutro Estado-Membro com regime idêntico);

● Vendas e prestações de serviços que não se enquadrem no âmbito de uma atividade agrícola.

1 O regime forfetário dos produtores agrícolas está previsto nos artigos 59.º-A a 59.º-E do Código do IVA. A Portaria n.º 19/2015, de 4 de

fevereiro, aprova o modelo para formalização do pedido de compensação forfetária.

Foram, ainda, emitidas instruções administrativas relativas ao regime forfetário através do ofício-circulado n.º 30169, de 5 de fevereiro de 2015, da Área de Gestão Tributária – IVA.

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Quem pode beneficiar do regime forfetário?

Os produtores agrícolas enquadrados no regime de isenção do IVA (artigo 53.º do Código do IVA) ou que reúnam as condições para beneficiarem daquele regime, designadamente, que não tenham atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios2 (vendas e

prestação de serviços) superior a 10.000 euros ou que, no ano do início da atividade, prevejam obter um volume de negócios igual ou inferior àquele montante, que efetuem transmissões de produtos agrícolas e prestações de serviços que conferem direito à compensação forfetária3. É importante referir que no ano do início de atividade essa

previsão é anualizada de acordo com o valor indicado na declaração de início de atividade. O regime de isenção do artigo 53.º do CIVA e consequentemente no regime forfetário aplica-se aos sujeitos passivos que reúnam as seguintes condições:

● Produtores agrícolas que não possuam nem sejam obrigados a possuir contabilidade organizada;

● Não pratiquem operações de importação ou exportação;

● Não exerçam atividades que consistam na transmissão de bens ou prestação de serviços mencionadas no anexo E do CIVA (sucatas);

● E que não tenham atingido, no ano civil anterior, um volume de negócios superior a €10.000 ou que, no ano do início da atividade, prevejam obter um volume de negócios igual ou inferior àquele montante.

O regime forfetário dos produtores agrícolas aplica-se a sujeitos passivos de IRS e IRC, desde que cumpridas as condições de enquadramento. No caso de sujeitos passivos de IRC apenas se pode aplicar a entidades do sector não lucrativo que não disponham de contabilidade organizada e que estejam abrangidas pelo regime especial de isenção do artigo 53.º do CIVA.

Um produtor agrícola com o regime forfetario pode desenvolver simultaneamente outro tipo de atividades não agrícolas, desde que, no conjunto das operações que realiza, não ultrapasse os € 10 000 de volume de negócios.

2 O valor das ajudas da PAC (subsídios) não faz parte do volume de negócios. 3

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Se a par da atividade agrícola, o produtor agrícola desenvolver uma atividade isenta ao abrigo do artigo 9.º do Código do IVA, que não confere direito à dedução, pode calcular o volume de negócios, para efeitos de inclusão no regime forfetário, tomando apenas em conta os resultados relativos à atividade agrícola.

Como é calculada a compensação forfetária?

O valor da compensação a atribuir resulta da aplicação de uma percentagem de 6% sobre o total das vendas de produtos agrícolas ou das prestações de serviços agrícolas efetuadas, em cada semestre, a outros sujeitos passivos de IVA (empresas, cooperativas, outros produtores, comerciantes e prestadores de serviços em geral, transações intracomunitárias), que por sua vez não beneficiem do regime forfetário.

A compensação forfetária não revestindo a natureza de imposto, visa atenuar o impacto do IVA suportado pelo produtor agrícola na aquisição de bens e serviços necessários ao exercício da sua atividade, relativamente ao qual não pode exercer o direito à dedução.

1. Exemplo 1:

Um pequeno agricultor que optou pelo regime forfetário, efetuou durante o primeiro semestre do ano 2016 as seguintes vendas e prestações de serviços:

Vendas e prestações de serviços valor Compensação 6% Venda de produtos agrícolas a cooperativas agrícolas 2.900 € 174 € Prestações de serviços de sementeira e colheita a sociedades

agrícolas 900 € 54 €

Prestaçõesde serviços de sementeira e colheita a um produtor

agrícola no regime especial de isenção 600 € 36 €

Venda de produtos agrícolas a produtor com regime forfetário 400 € 0 €

Venda de produtos agrícolas a estabelecimentos comerciais 1.400 € 84 €

Venda de produtos agrícolas a particulares 570 € 0 €

Total 6.770 € 348 €

Compensação a que o agricultor tem direito a pedir à AT (Autoridade Tributária e Aduaneira) até final de agosto/2016, referente ao primeiro semestre: 348 euros

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2. Exemplo 2:

Um pequeno silvicultor que optou pelo regime forfetário, efetuou durante o ano de 2015, no segundo semestre, uma venda de €14.000, a uma sociedade, referente à extração de cortiça.

Este silvicultor tem direito a pedir pedir á AT uma compensação forfetária no valor de €840 (6%x€14.000), embora no ano de 2016 já não possa ficar no enquadrado no regime especial de isenção, e consequentemente no regime forfetário, porque no ano de 2015 ultrapassou o volume de negócios de €10.000.

Que vendas de produtos agrícolas conferem direito à compensação forfetária4

?

São abrangidas pelo regime forfetário do IVA as vendas de bens provenientes diretamente da exploração do produtor agrícola e que resultem do exercício das seguintes atividades: I - Cultura propriamente dita:

1 - Agricultura em geral, incluindo a viticultura;

2 - Fruticultura (incluindo a oleicultura) e horticultura floral e ornamental, mesmo em estufas;

3 - Produção de cogumelos, de especiarias, de sementes, de material de propagação vegetativa e exploração de viveiros.

II - Criação de animais conexa com a exploração do solo ou em que este tenha carácter essencial: 1 - Criação de animais; 2 - Avicultura; 3 - Cunicultura; 4 - Sericicultura; 5 - Helicicultura; 6 - Apicultura.

III - Culturas aquícolas e piscícolas. IV - Silvicultura.

4

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V - São igualmente consideradas atividades de produção agrícola as atividades de transformação efetuadas por um produtor agrícola sobre os produtos provenientes, essencialmente, da respetiva produção agrícola com os meios normalmente utilizados nas explorações agrícolas e silvícolas.

Que prestações de serviços agrícolas conferem direito à compensação forfetária5

?

Conferem direito à compensação forfetária as seguintes prestações de serviços, quando efetuadas com caráter acessório pelo produtor agrícola que utiliza os seus próprios recursos de mão-de-obra e equipamento normal da respetiva exploração:

● As operações de sementeira, plantio, colheita, debulha, enfardação, ceifa e recolha; ● As operações de embalagem e de acondicionamento, tais como a secagem, limpeza, trituração, desinfeção e ensilagem de produtos agrícolas;

● O armazenamento de produtos agrícolas; ● A guarda, criação e engorda de animais;

● A locação, para fins agrícolas, dos meios normalmente utilizados nas explorações agrícolas e silvícolas;

● A assistência técnica;

● A destruição de plantas e animais nocivos e o tratamento de plantas e de terrenos por pulverização;

● A exploração de instalações de irrigação e de drenagem;

● A poda de árvores, corte de madeira e outras operações silvícolas.

Como é solicitada a compensação forfetária?

A compensação forfetária é solicitada pelo produtor agrícola através do preenchimento de um requerimento de modelo oficial6, relativo a cada semestre, a ser entregue através do

Portal das Finanças ou em declaração verbal do sujeito passivo em qualquer serviço de finanças, até 20 de julho e 20 de janeiro de cada ano, respetivamente.

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Anexo G do Código do IVA

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O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais determinou, através do Despacho Nº 159/2016, que o pedido de compensação forfetária, respeitante ao 1.º semestre de 2016, poderá ser apresentado à AT, nos termos definidos na Portaria n.º 19/2015, de 4/02, até ao último dia do mês de agosto de 2016. Neste caso o pedido de compensação forfetária referente ao 1.º semestre de 2016, poderá ser feito até 31/08/2016.

Devem se confirmados os elementos do pedido que se encontram pré-preenchidos – o valor das transmissões de bens e prestações de serviços realizadas no semestre anterior, elegíveis para efeitos de compensação e os números de identificação fiscal dos adquirentes ou destinatários das operações.

Apenas relevam, para efeitos de pedido de compensação, as operações tituladas por faturas que contenham a menção “IVA - regime forfetário” e tenham sido devidamente comunicadas à Autoridade Tributária e Aduaneira

Pode ser alterada a informação que se encontre pré-preenchida no pedido de compensação, nomeadamente, se for o caso, inserindo os elementos que considere em falta. A validade dos elementos adicionados é verificada pela AT.

Posteriormente à data da submissão do pedido a AT procede á análise do pedido, efetuando a compensação que for devida no prazo de 45 dias a contar da apresentação da declaração, sendo a transferência bancária efetuada diretamente para a conta bancária que o agricultor indica na declaração do pedido de compensação.

Caso ocorra a cessação de atividade ou a renúncia ao regime o agricultor pode sempre pedir a compensação a partir do momento em que ocorre essa alteração tendo como prazo limite o estabelecido para os pedidos normais.

Como aderir ao regime forfetário?

● Para o produtor agrícola que já se encontre isento de IVA ao abrigo do artigo 53.º do Código do IVA para aderir ao regime forfetário do IVA basta apresentar a qualquer momento uma declaração de alterações em qualquer Serviço de Finanças ou através do Portal das Finanças (não tem data limite nem um momento próprio para o fazer, sendo que o regime só será aplicável após o momento da entrega da declaração de alteração).

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● Para os produtores agrícolas enquadrados no regime normal do IVA7 que, reunindo as condições para beneficiar do regime forfetário, pretendam aderir a este regime, terão de entregar uma declaração de alterações no mês de janeiro do ano seguinte àquele em que se verifiquem as condições para dele beneficiarem e produz efeito a partir de 1 de janeiro do ano da apresentação da declaração.

A opção pelo regime forfetário dos produtores agrícolas pode ser feita no início de atividade se o agricultor reunir as condições para ficar enquadrado no regime especial de isenção de IVA.

O sujeito passivo que tendo renunciado ao regime especial de isenção, é obrigado a ficar no regime normal durante um período de, pelo menos, 5 anos, não podendo optar pelo regime forfetário antes de decorrido esse prazo.

Formalismos e Obrigação de faturação

O produtor agrícola que beneficie do regime forfetário está sujeito às mesmas obrigações de faturação e comunicação que recaem sobre os sujeitos passivos enquadrados no regime especial de isenção do artigo 53.º do Código do IVA, sendo obrigado a emitir fatura por cada venda ou prestação de serviços.

O produtor agrícola deve indicar, nas faturas que titulem as suas operações agrícolas, a menção “IVA – regime forfetário”, independentemente da qualidade do adquirente, e fazer a sua comunicação à AT.

A comunicação dos elementos das faturas à AT, até ao dia 25 do mês seguinte à emissão da fatura, pode ser feita por uma das seguintes formas:

a) Por inserção direta no Portal das Finanças;

b) Por via eletrónica, conforme definido pela Portaria n.º 426-A/2012, de 28/12;

Posteriormente, a AT, para efeitos de determinação da compensação a atribuir, efetua o pré-preenchimento do pedido de compensação com os elementos comunicados pelo sujeito passivo.

7 Esta opção pelo regime forfetário pressupõe o enquadramento no regime especial de isenção, acarretando o cumprimento das

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Todas as menções obrigatórias da fatura devem ser pré-impressas tipograficamente. No caso das faturas emitidas através de sistemas informáticos, todas as menções obrigatórias devem ser inseridas pelo respetivo programa ou equipamento informático de faturação. Excecionalmente, no ano de 2015, o sujeito passivo pode apor manualmente a menção “IVA - regime forfetário”.

O regime forfetário também se aplica aos agricultores, cujas faturas sejam emitidas pelos seus clientes através de sistemas de autofacturação, desde que reúnam as condições e tenham optado pelo regime forfetário.

Se o produtor agrícola desenvolver outras atividades de natureza não agrícola, as operações inerentes a essas atividades devem ser tituladas por fatura com a menção “IVA – regime de isenção”, dado que os sujeitos passivos que tenham optado pelo regime forfetário mantêm o seu enquadramento no regime especial de isenção. Se ainda forem realizadas operações isentas ao abrigo do artigo 9.º do Código do IVA, a fatura correspondente deve ter a menção (“Isento – art.9º”).

O sujeito passivo pode ter apenas um livro de faturas, devendo prever a possibilidade de aplicação dos diferentes regimes e devendo o sujeito passivo indicar, na emissão da fatura, qual o regime ao abrigo do qual está a realizar a operação.

Cessação do regime forfetário

O regime pode cessar quando deixem de se verificar qualquer das condições previstas para o seu enquadramento.

O agricultor após a opção pelo regime forfetário também pode renunciar ao regime apresentando uma declaração de alteração que produz efeito no momento da sua entrega. Fazendo esta opção de renúncia o agricultor fica obrigado a permanecer no regime escolhido durante um período de pelo menos 5 anos.

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Pedidos compensação forfetária – alterações a partir de 01/01/2017

O Decreto-Lei n.º 41/2016, de 01 de agosto8, simplifica o regime forfetário dos produtores agrícolas, definindo-se a anualidade do regime, em substituição da atual entrega semestral do pedido de compensação forfetária, com aplicação a partir de 1 de janeiro de 2017.

A partir de 2017, o montante da compensação forfetária é calculado mediante a aplicação de uma taxa de 6% sobre o total das transmissões de bens e das prestações de serviços que conferem direito à compensação forfetária, realizadas em cada ano.

O pedido da compensação forfetária passa a ser feito anualmente, sendo submetido à Autoridade Tributária e Aduaneira, até ao último dia de março de cada ano.

Após a análise do pedido, a Autoridade Tributária e Aduaneira procede ao pagamento da compensação devida, no prazo de 45 dias contados a partir da data de apresentação do pedido.

Não existe lugar ao pagamento da compensação quando o montante calculado seja inferior a €10.

De acordo com as disposições transitórias do Decreto-Lei n.º 41/2016, de 1 de agosto, os pedidos de compensação forfetária referentes aos 1.º e 2.º semestres de 2016 são efetuados até 31 de agosto de 2016 e 28 de fevereiro de 2017, respetivamente.

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Referências

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