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PROGRAM A DE FORTALECIMENTO DOS INSTRUMENTOS DE PLANEJAMENTO DO SETOR DE SANEAMENTO PLANO MUNI CIPAL DE SANEAMENTO BÁSICO

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Santos

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R4 - Revisão 5

Avenida das Nações Unidas, 13.771 – bloco 1 – 5º. Andar – Chácara Itaim – São Paulo/SP – Tel: 011 5501 8603

1 2

RELATÓRIO R4 3

PROPOSTA DO PLANO MUNICIPAL INTEGRADO DE SANEAMENTO BÁSICO 4

5

“Versão que incorpora comentários da Secretaria de Saneamento e Energia (SSE) e do 6

Grupo Executivo Local (GEL) em reuniões realizadas.” 7

8 9

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RELATÓRIO R4 10

PROPOSTA DO PLANO MUNICIPAL INTEGRADO DE SANEAMENTO BÁSICO 11 12 ÍNDICE 13 14 1. APRESENTAÇÃO ... 4 15

2. A REGIÃO METROPOLITANA DA BAIXADA SANTISTA ... 6 16

2.1. Características gerais ... 6 17

2.2. Aspectos físicos e territoriais ... 14 18 2.3. Potencialidades ... 16 19 2.4. Fragilidades ... 21 20 3. O MUNICÍPIO DE SANTOS ... 24 21 3.1. Caracterização físico-ambiental ... 24 22

3.2. Gestão territorial e desenvolvimento urbano ... 25 23

3.3. Ocupações em áreas irregulares ... 26 24

3.4. Bacias hidrográficas, clima e relevo... 27 25

3.5. Aspectos sociais e econômicos ... 28 26

3.6. Estatísticas vitais e de saúde ... 32 27

3.7. Estrutura organizacional ... 32 28

4. PROJEÇÃO POPULACIONAL ... 34 29

5. OBJETIVOS E METAS DO PLANO ... 37 30

5.1. Objetivos gerais ... 37 31

5.2. Conceituação do plano no contexto geral da lei ... 38 32

5.3. O plano como instrumento regulatório ... 39 33

5.4. O plano de metas ... 40 34

6. ABASTECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTAMENTO SANITÁRIO ... 43 35

6.1. Avaliação da prestação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento 36

sanitário...43 37

6.2. O plano de Abastecimento de água e esgotamento sanitário para 2010-2039 ... 49 38

7. DRENAGEM URBANA ... 85 39

7.1. Avaliação da prestação dos serviços de drenagem urbana ... 85 40

7.2. O plano de drenagem urbana para 2010-2039 ... 92 41

8. RESÍDUOS SÓLIDOS ... 124 42

8.1. Avaliação da prestação dos serviços de resíduos sólidos ... 124 43

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8.2. O plano de resíduos sólidos para 2010-2039 ... 137 46

9. EDUCAÇÃO AMBIENTAL ... 176 47

9.1. Avaliação da situação atual ... 176 48

9.2. O plano de educação ambiental para 2010-2039 ... 177 49

10. AVALIAÇÃO E IMPACTO DISTRIBUTIVO DOS INVESTIMENTOS DO PMISB ... 187 50

ANEXO I: DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA 51

ANEXO II: MAPAS DA BAIXADA SANTISTA E DO MUNICÍPIO 52

ANEXO III: PORTARIA Nº 518/2004 DO MINISTÉRIO DA SAÚDE 53

(5)

R4 - Revisão 5

4 54

1. APRESENTAÇÃO 55

O presente documento é objeto do contrato n° 2009/15/00004.8 firmado entre o DAEE - 56

Departamento de Águas e Energia Elétrica e a CONCREMAT Engenharia e Tecnologia S/A em 57

02/02/2009. Contempla o programa de apoio técnico à elaboração de planos integrados 58

municipais e regional de saneamento básico para a Unidade de Gerenciamento de Recursos 59

Hídricos da Baixada Santista - UGRHI-7, abrangendo os municípios de Bertioga, Cubatão, 60

Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente. 61

De acordo com o Termo de Referência, os serviços foram divididos em blocos, conforme 62

descrito a seguir: 63

BLOCO 1: Programa detalhado de trabalho; 64

BLOCO 2: Coleta de dados e informações, descrição dos sistemas existentes e 65

projetados e avaliação da prestação dos serviços de saneamento básico; 66

BLOCO 3: Estudo de demandas, diagnóstico completo, formulação e seleção de 67

alternativas; 68

BLOCO 4: Proposta do plano municipal integrado de saneamento básico; 69

BLOCO 5: Plano regional de saneamento básico. 70

Os serviços foram desenvolvidos mediante o esforço conjunto da Secretaria de Saneamento 71

e Energia, do Departamento de Águas e Energia Elétrica e dos municípios, representados pelos 72

respectivos Grupos Executivos Locais (GELs), envolvendo de maneira articulada os responsáveis 73

pela formulação das políticas públicas municipais e pela prestação dos serviços de saneamento 74

básico do município. 75

Esta etapa refere-se ao BLOCO 4, relativo ao município de Santos e este relatório reúne as 76

propostas do Plano de Saneamento a partir dos elementos discutidos nas diversas reuniões 77

realizadas no município e que foram consolidados nos relatórios das etapas anteriores. 78

Inicialmente é apresentada uma visão geral da Região Metropolitana da Baixada Santista 79

(RMBS) e do município de Santos, de forma que possibilite entender a dinâmica atual e as 80

perspectivas de desenvolvimento. Nessa ótica também são apresentados os estudos 81

populacionais cujas projeções foram realizadas em conjunto com os outros municípios da RMBS. 82

Após, são abordados alguns aspectos referentes aos objetivos e metas do Plano e sua inserção 83

no contexto geral da Lei n° 11.445/07. Finalmente é feito um resumo da avaliação da prestação 84

dos serviços e apresentada a proposta do Plano de Saneamento para 2010-2039, abrangendo 85

cada um dos temas que envolvem abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem 86

urbana e resíduos sólidos. 87

(6)

R4 - Revisão 5

5 Observa-se que os estudos detalhados que subsidiaram as propostas apresentadas 88

constam no Relatório R3 do BLOCO 3. 89

Salienta-se que devido ao prazo decorrido entre o início da elaboração deste plano e a 90

audiência pública, o marco inicial do plano indicado neste relatório como o ano de 2010, passa a 91

ser o ano de 2011. 92

(7)

R4 - Revisão 5

6 94

2. A REGIÃO METROPOLITANA DA BAIXADA SANTISTA 95

2.1. Características gerais 96

A Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS) é integrada por nove municípios, onde 97

vivem hoje (2010) cerca de 1,7 milhão de habitantes1. Ocupa a porção central do litoral do Estado 98

de São Paulo, com o Oceano Atlântico ao sul e a Serra do Mar como limite noroeste, 99

compreendendo planícies litorâneas, rios e estuários, ilhas, morros, e as escarpas da Serra do 100

Mar, que são seus condicionantes naturais. 101

O Mapa 2.1 mostra os limites dos municípios e as respectivas áreas urbanas, além de 102

indicar a localização no Estado de São Paulo da Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos 103

Baixada Santista (UGRHI-7), onde os municípios estão inseridos e que corresponde a unidade de 104

planejamento deste Plano de Saneamento. 105

Seu ambiente construído tem por características marcantes um dos principais portos da 106

América Latina, um complexo industrial de porte, e um turismo florescente associado a um litoral 107

diversificado. O Mapa 2.2 apresenta a infraestrutura de transporte com as principais rodovias, 108

ferrovias, portos atuais e propostos, e aeroportos existentes. 109

A ocupação da RMBS coincide com a origem do povoamento paulista, pois São Vicente é o 110

mais antigo povoamento do Brasil, fundado em 1532. Em função das águas protegidas no 111

estuário, tornou-se o local preferido para ancoragem dos navios e saída das expedições 112

exploratórias ao interior do país, passando por São Paulo, no planalto paulista, de onde saíam as 113

“Entradas” e as “Bandeiras”. 114

Em meados do século XIX, a expansão da cultura do café pelo interior do Estado de São 115

Paulo fez com que a Serra do Mar fosse vencida pela ferrovia em 1867, estabelecendo um canal 116

de escoamento da produção e demandando a implantação de um porto de fato em Santos, o que 117

ocorreria em 1892. 118

O porto de Santos (que se espraia ocupando a margem direita do estuário em Santos e a 119

margem esquerda no Guarujá) expandiu-se até se tornar um dos mais longos cais acostáveis do 120

mundo e tornou-se energeticamente independente já em 1910, com a inauguração da hidrelétrica 121

de Itatinga. Seu dinamismo alavancou outras oportunidades, como a Refinaria Presidente 122

Bernardes em Cubatão, usando também como fonte de energia a Usina Hidrelétrica Henry 123

Borden, desenvolvida entre 1927 e 1954. A disponibilidade de derivados de petróleo e de energia 124

elétrica permitiu o estabelecimento de um pólo petroquímico em Cubatão, que logo se 125

diversificaria, atraindo outros segmentos industriais, como o siderúrgico e o de fertilizantes. Assim, 126

(8)

R4 - Revisão 5

7 o porto e o parque industrial foram os responsáveis pelo crescimento econômico da Baixada 127

Santista ao longo do século XX, tornando suas cidades dinâmicas e paulatinamente mais densas. 128

Em função da extensa orla marítima e da proximidade com a Região Metropolitana de São 129

Paulo, a RMBS passou a receber também afluxos de turistas nas temporadas, desenvolvendo 130

uma ocupação urbana mista de habitação local com casas e apartamentos de veraneio, 131

conjugada com serviços e infraestrutura urbana. Alguns dos municípios da RMBS são morada de 132

um contingente de aposentados que, com independência econômico-financeira, aliam a 133

oportunidade de viver próximo ao litoral sem abrir mão das comodidades que existem em uma 134

cidade mais desenvolvida. 135

Os municípios de Santos, Cubatão, Guarujá, São Vicente e Praia Grande representam a 136

maior concentração populacional da região, com suas áreas urbanas formando uma mancha 137

quase contínua na parte mais central da RMBS, tornando-se rarefeita e/ou descontínua à medida 138

que se dirige para o sul, em direção a Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, ou para o norte, em 139

direção a Bertioga. Santos, São Vicente e Praia Grande são os municípios mais verticalizados, 140

sendo a disponibilidade de áreas de expansão urbana bastante restrita na porção insular dos dois 141

primeiros. 142

A RMBS conta com várias unidades de conservação ambiental, como os parques Xixová-143

Japui, Marinho da Laje de Santos, da Serra do Mar (núcleos Curucutu e Itutinga-Pilões), as 144

Estações Ecológicas de Juréia-Itatins2 e dos Banhados do Iguape, além de duas RPPNs (Marina 145

do Conde, em Guarujá, e Ecofuturo, em Bertioga). Devem ser mencionadas ainda, a área de 146

Proteção Ambiental (APA) de Cananéia-Iguape-Peruíbe e as áreas de Relevante Interesse 147

Ecológico (ARIE) da Ilha do Ameixal (Peruíbe) e das Ilhas Queimada Pequena e Queimada 148

Grande (Peruíbe e Praia Grande). São consideradas áreas naturais tombadas3: a Serra do Mar e 149

de Paranapiacaba, a Paisagem Envoltória do Caminho do Mar (Cubatão), os morros do Botelho, 150

do Monduba, do Pinto (Toca do Índio) e do Icanhema (Ponte Rasa) e a Serra do Guararu, em 151

Guarujá, o Vale do Quilombo (Santos) e as Ilhas do Litoral Paulista existentes na Baixada 152

Santista. 153

Está em fase de consolidação o Polígono de Bertioga. Esta área, que engloba as fozes dos 154

rios Itaguaré e Guaratuba e a floresta localizada - entre a rodovia Mogi-Bertioga e a faixa das 155

linhas de alta tensão - está submetida desde 30 de março de 2010 à “limitação administrativa 156

provisória”. A medida tem por objetivo permitir o aprofundamento de estudos que indicam a 157

necessidade da criação de um regime especial de proteção aos ecossistemas ali existentes. Há, 158

2 Integra o Sítio do Patrimônio Natural Mundial Unidade de Conservação Mosaico Juréia-Itatins. 3Fonte: http://www.sigrh.sp.gov.br/sigrh/basecon/r0estadual/quadro37.htm.

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R4 - Revisão 5

8 também, sete terras indígenas distribuídas em quatro municípios (Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá e 159

São Vicente). 160

Bertioga, Santos e Peruíbe possuem mais de 80% de seus territórios sob uso controlado em 161

função das áreas de proteção ambiental. Guarujá, Mongaguá, Praia Grande e São Vicente são os 162

municípios da região que apresentam maior disponibilidade de área passível de ocupação urbana. 163

O Mapa 2.3 indica as unidades de conservação e terras indígenas que constituem restrições 164

para expansão da malha urbana. 165

A hidrografia da região é composta por rios relativamente curtos, com pequena bacia de 166

contribuição com nascentes no planalto ou nas encostas da serra. Todavia, os índices 167

pluviométricos situam-se como alguns dos mais elevados do país, atingindo 2.500 mm/ano, 168

devido a condições de encontro de frentes tropicais e polares atlânticas e ao efeito orográfico da 169

Serra do Mar. Assim, os rios locais, mesmo com bacias de contribuição pequena, adquirem 170

vazões significativas e formam canais largos em seus estuários. Na porção central da RMBS, 171

alguns destes rios formam o estuário de Santos que, ao mesmo tempo em que abriga o porto, 172

segmenta fortemente os municípios de Santos, São Vicente e Cubatão. 173

A Unidade de Gerenciamento de Recursos Hídricos da Baixada Santista (UGRHI-7) 174

compreende a região do estuário de Santos, São Vicente e Cubatão, as bacias do litoral norte em 175

Bertioga, e as do litoral sul e centro-sul em Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá e Praia Grande. Limita-176

se a nordeste com a UGRHI-3 (Litoral Norte), a leste e sul com o Oceano Atlântico, a sudoeste 177

com a UGRHI-11 (Rio Ribeira de Iguape e Litoral Sul), e ao norte com a UGRHI-6 (Alto Tietê). 178

O Quadro 2.1 indica as sub-bacias definidas na UGRHI-7 com suas respectivas áreas de 179

drenagem4 e os municípios que as integram. 180

181

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R4 - Revisão 5

9 182

Quadro 2.1 – Subdivisão da UGRHI-7

183

Sub-bacia Área de drenagem

(km²)

Municípios

Praia do Una 33,09 Peruíbe

Rio Perequê 64,34 Peruíbe

Rio Preto Sul 101,83 Peruíbe

Rio Itanhaém 102,57 Itanhaém

Rio Preto 324,63 Itanhaém

Rio Aguapeu 188,01 Itanhaém/Mongaguá

Rio Branco 411,66 Itanhaém

Rio Boturoca 182,84 Praia Grande

Rio Cubatão 175,55 Cubatão

Rio Piaçabuçu 58,60 Praia Grande

Ilha de São Vicente 85,81 São Vicente/Santos

Rio Mogi 68,39 Cubatão

Ilha de Santo Amaro 142,70 Guarujá

Rio Cabuçu 69,65 Santos

Rio Jurubatuba 79,36 Santos

Rio Quilombo 86,88 Santos

Rio Itapanhaú 149,32 Bertioga

Rio Itatinga 114,88 Bertioga

Rio dos Alhas 108,27 Bertioga

Ribeirão Sertãozinho 131,66 Bertioga

Guaratuba 108,78 Bertioga

Total 2.788,82

Fonte: Relatório Zero. Citado no Plano de Bacia Hidrográfica para o Quadriênio 2008-2011 do Comitê da Bacia

184

Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS). Minuta do Relatório Final. Volume I. Dezembro/2008.

185 186

Uma parte das vazões do reservatório Billings é transferida para a Baixada Santista através 187

da Usina Hidrelétrica (UHE) Henry Borden, que gerava a energia em abundância e a preços 188

baixos de modo a impulsionar o desenvolvimento do pólo industrial de Cubatão a partir da década 189

de 1950. Com a deterioração da qualidade das águas dos rios da Região Metropolitana de São 190

Paulo (RMSP) e a reversão praticamente total até 1982, a qualidade das águas da Billings foi 191

temporariamente comprometida, chegando a afetar, naquele tempo, a qualidade da água do Rio 192

Cubatão, na RMBS. 193

O esquema de plena reversão foi alterado a partir de 1982 por decisão operacional de 194

Governo, e passou a ser oficialmente restrito a partir da Constituição Estadual de 1989. 195

Atualmente, a UHE Henry Borden opera apenas nos horários de pico com sua plena capacidade. 196

Isso segue uma Resolução conjunta da Secretarias do Meio Ambiente e da antiga Secretaria de 197

Recursos Hídricos, Saneamento e Obras (hoje Secretaria de Saneamento e Energia), que 198

regulamenta a Disposição Transitória n° 46 da própria Constituição Paulista. O bombeamento do 199

Rio Pinheiros para o reservatório Billings só pode ser feito em casos de riscos de enchentes na 200

RMSP. 201

(11)

R4 - Revisão 5

10 Se até a década de 1980 tal reversão era mais intensa e prejudicava a qualidade das águas 202

do reservatório Billings e por vezes até do Rio Cubatão, a situação hoje é distinta, pois as vazões 203

revertidas ajudam a manter o balanço hídrico e contribuem para a não intrusão da cunha salina de 204

modo a afetar a captação de água da Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA), mantendo-se os 205

índices de qualidade das águas do Rio Cubatão. O Índice de Qualidade das Águas (IQA)5 206

monitorado pela CETESB mostrou-se entre bom e ótimo no Canal de Fuga da UHE Henry Borden, 207

através do qual as águas da Billings são transferidas para a RMBS, desaguando no rio Cubatão. 208

O Mapa 2.4 mostra a hidrografia e a localização dos pontos monitorados pela CETESB na 209

UGRHI-7. No Quadro 2.2 a seguir constam os valores do IQA ao longo dos 12 meses de 2009 e a 210

média anual dos referidos pontos. 211

212

Quadro 2.2 - Valores de IQA monitorados pela CETESB na UGRHI-7 em 2009 (rede básica)

213

Ponto Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média

ANCO02900 43 62 54 60 45 56 53 BACO02950 63 69 71 56 71 66 CAMO00900 62 78 69 70 61 77 70 CFUG02900 74 82 77 72 78 82 78 CUBA02700 59 68 60 63 57 72 63 CUBA03900 65 58 48 58 61 56 58 IPAU02900 51 63 56 54 56 ITAE02900 74 67 54 55 62 MOJI02800 52 53 58 52 51 63 55 NAEM02900 48 62 58 52 60 56 PERE02900 67 76 59 62 72 75 69 PETO02900 45 57 45 39 53 48 PIAC02700 60 40 38 36 37 61 45 REIS02900 46 69 53 49 61 56 TUBA02900 71 67 57 58 63

Legenda Ótima Boa Regular Ruim Péssima

Rio Preto Rio Piaçaguera Rio Canal Barreiros Rio Guaratuba Rio Itaguaré Rio Moji Rio Itanhaém Rio Perequê

Canal de Fuga II UHE Henry Borden Rio Cubatão

Rio Cubatão Rio Itapanhaú

Descrição Rio Branco

Rio Branco (Itanhaém) Reservatório Capivari-Monos

214

Fonte: CETESB, 2010. Relatório de qualidade das águas superficiais no Estado de São Paulo 2009.

215 216

As deficiências no sistema de esgotamento sanitário - lançamentos em sistemas de 217

drenagem de águas pluviais, falta de rede e de conexão de parte das redes existentes aos 218

coletores que deveriam conduzir os esgotos ao tratamento – se refletem na qualidade das praias. 219

O Quadro 2.3 mostra a evolução da qualidade das praias, conforme dados disponibilizados 220

pela CETESB no período de 2001 a 2008. Na sequência estão apresentados os Quadros 2.4 e 221

2.5 com as classificações semanais nos 12 meses de 2009 e de janeiro a julho de 2010. 222

É importante observar que esses dados ainda não traduzem os resultados dos vultosos 223

investimentos que vem sendo feitos na RMBS, especialmente na área de esgotamento sanitário 224

5 Para o cálculo do IQA são consideradas variáveis de qualidade que indicam o lançamento de efluentes sanitários para o corpo d’água, fornecendo uma visão geral sobre a condição da qualidade das águas superficiais. Este índice é calculado para todos os pontos da rede básica.

(12)

R4 - Revisão 5

11 através do Programa Onda Limpa da SABESP. Os investimentos são recentes e resultados mais 225

significativos deverão ser percebidos nos dados de monitoramento dos próximos anos. 226

227

Quadro 2.3 – Evolução da qualidade das praias da RMBS – qualificação anual - 1991 a 2008

228

Município / Praia / Local

1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

Bertioga

Boracéia - Colégio Marista - - - Boracéia Guaratuba S. Lourenço - Junto ao Morro S. Lourenço - Rua 2 - Enseada - Indaiá - - - Enseada - Vista Linda Enseada - Colônia do SESC Enseada - R. Rafael Costabili - - -

Guar

ujá

Perequê Pernambuco Enseada - Estr. Pernambuco - Enseada - Av. Atlântica Enseada - R. Chile - Enseada - Av. Santa Maria - - - Pitangueiras - Av. Puglisi Pitangueiras - R. Sílvia Valadão Astúrias Tombo Guaiúba Santos Ponta da Praia Aparecida Embaré Boqueirão Gonzaga José Menino - R. Olavo Bilac José Menino - R. Fred. Ozanan

São Vicente

Praia da Divisa - - -

Itararé - Posto 2 Praia da Ilha Porchat Milionários Gonzaga

Fonte: CETESB. http://www.cetesb.sp.gov.br/agua/municípios/evolucao.asp.

229 230

(13)

R4 - Revisão 5

12

(conclusão)

231

Município / Praia / Local

1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Praia Gr ande Canto do Forte - - - Boqueirão Guilhermina - - - Aviação - - - Vila Tupi - - - Ocian - - - - Vila Mirim Maracanã - - - Vila Caiçara Real - - - Flórida - - - - - - Jardim Solemar Mongaguá Itapoã

Central

Vera Cruz

Santa Eugênia - - - -

Itaóca

Agenor de Campos

Itanhaém Campos Elíseos - - - -

Suarão

Parque Balneário - - - -

Centro

Praia dos Pescadores

Sonho

Jardim Cinratel

EstÂncia Balneária - - - -

Jardim São Fernando - - - -

Balneário Gaivota - - - -

Peruíbe

Peruíbe - R. Icaraíba

Peruíbe - R. das Orquídeas

Peruíbe - Balneário S. João Batista

Peruíbe - Av. São João

Prainha

Guaraú

Legenda: Ótima Boa Regular Ruim Péssima Sistematicamente boa

Fonte: CETESB. http://www.cetesb.sp.gov.br/agua/municípios/evolucao.asp.

232 233 234

(14)

R4 - Revisão 5

13 235

Quadro 2.4 - Evolução da qualidade das praias – classificação semanal - 2009

236

Praias do Município de Data da coleta para análise

SANTOS Própria Imprópria Ponta da Praia Aparecida Embaré Boqueirão Gonzaga José Menino - Rua Olavo Bilac José Menino - Rua Fred. Ozanan

JAN 0411 1825 FEV 0108 1522 MAR 0108 1522 29 ABR 05 1219 26 MAI 03 1017 2431 JUN 0714 2128 JUL 0512 1926 AGO 0209 1623 30 SET 06 13 20 27 OUT 04 11 18 25 NOV 01 08 15 22 29 DEZ 06 13 20 27 237

Fonte: CETESB. http://www.cetesb.sp.gov.br/agua/praias/evolucao.asp.

238 239

Quadro 2.5 - Evolução da qualidade das praias – classificação semanal - 2010

240

Praias do Município de Data da coleta para análise

SANTOS Própria Imprópria Ponta da Praia Aparecida Embaré Boqueirão Gonzaga José Menino - Rua Olavo Bilac José Menino - Rua Fred. Ozanan

JAN 0310 1724 31 FEV 07 1421 28 MAR 07 1421 28 ABR 04 1118 25 MAI 02 0916 2330 JUN 0613 2027 JUL 0411 1825 AGO 0108 1522 29 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - SET 05 1219 26 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - OUT 03 1017 2431 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - NOV 0714 2128 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - DEZ 0512 1926 - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 241

Fonte: CETESB. http://www.cetesb.sp.gov.br/agua/praias/evolucao.asp.

242 243

Institucionalmente, conforme consta no Plano Metropolitano de Desenvolvimento Integrado 244

(PMDI), a Região Metropolitana da Baixada Santista foi pioneira na adoção do novo modelo de 245

ordenamento jurídico proposto pela Constituição Federal de 1988, que compreende o Conselho 246

de Desenvolvimento Metropolitano da RMBS (CONDESB), a Agência Metropolitana da Baixada 247

Santista (AGEM) e o Fundo de Desenvolvimento Metropolitano da Baixada Santista (FUNDO). 248

Constata-se, assim, que existem mecanismos básicos para a adoção de ações 249

metropolitanas integradas, abrangendo mais de um município – algo necessário no caso da 250

RMBS, onde se percebe uma integração crescente. Destaca-se as interfaces nos temas de 251

saneamento básico, em especial no abastecimento de água e gerenciamento de resíduos sólidos, 252

e até mesmo do sistema de esgotamento sanitário e de drenagem urbana, com soluções 253

integradas abrangendo vários municípios em alguns casos. 254

(15)

R4 - Revisão 5

14 256

2.2. Aspectos físicos e territoriais 257

A bacia hidrográfica da Baixada Santista está inserida na Província Geomorfológica 258

Costeira, correspondente à área drenada diretamente para o mar, constituindo o rebordo do 259

Atlântico. A região é heterogênea, com planícies costeiras, mangues e formações associadas e 260

também relevos bastante acidentados de serra, englobando as escarpas de alta declividade, 261

como a Serra do Mar. 262

O clima é tropical chuvoso, sem estação seca e com a precipitação média do mês mais seco 263

superior a 60mm, conforme classificação Af de Koeppen, mostrada na Figura 2.1, a seguir. 264 265 ‐ 50 100 150 200 250 300

J an F ev Mar A br Mai J un J ul A go S et O ut Nov Dez 266

Figura 2.1 - Precipitações Médias Mensais na RMBS. Fonte: FCTH/DAEE – SP.

267 268

O clima da RMBS é influenciado por massa de ar tropical atlântica, com características 269

quente e úmida, e de massa de ar polar atlântica, fria e úmida. O confronto destas duas massas 270

de ar na estação do verão, junto com os fatores climáticos da Serra do Mar, produz grande 271

instabilidade, traduzida em elevados índices pluviométricos colocando a região entre as áreas 272

onde mais chove no Brasil. 273

As observações entre 1941 e 2003, mostradas na Figura 2.2 a seguir, indicam que a 274

precipitação média anual varia de um mínimo absoluto de 1.200 mm no ano de 1969 a 3.400 mm 275

em 1966, com a maioria dos anos oscilando entre 1.500 e 2.500 mm/ano. Note-se que chegou a 276

ultrapassar os 3.000 mm/ano pelo menos em 3 anos deste período, bem como ultrapassou os 277

2.500 mm/ano outras 10 vezes. 278

(16)

R4 - Revisão 5 15 0 500 1.000 1.500 2.000 2.500 3.000 3.500 1941 1946 1949 1952 1955 1958 1961 1964 1967 1970 1973 1976 1979 1982 1985 1988 1991 1994 1997 2000 2003 P re c ip it a ç ã o ( mm/a n o ) 279

Figura 2.2 - Evolução das Precipitações Anuais na RMBS entre 1941 e 2003.

280

Fonte: FCTH/DAEE – SP.

281 282

A rede hidrográfica da RMBS está dividida em 21 sub-bacias e os principais cursos d’água 283

são: rios Cubatão, Mogi e Quilombo ao centro; rios Itapanhaú, Itatinga e Guaratuba ao norte; e, 284

rios Branco, Preto e Itanhaém, ao sul. 285

Os cursos naturais dos rios Guaratuba, em Bertioga, e Capivari, em Itanhaém, que possuem 286

suas nascentes nas encostas da Serra do Mar, são revertidos através de represamentos e 287

bombeamentos para o planalto, com o intuito de incrementar o abastecimento de água da Região 288

Metropolitana de São Paulo. Em contrapartida, as águas do rio Tietê são revertidas à Baixada 289

Santista, através do sistema Pinheiros/Reservatório Billings, pois, após serem utilizadas na 290

geração de energia elétrica na Usina Henry Borden, são lançadas no rio Cubatão, principal 291

manancial que atende ao abastecimento humano das cidades de Santos, Cubatão, São Vicente, e 292

parcela de Praia Grande, assim como às atividades industriais do pólo de Cubatão. A RMBS, 293

portanto, convive há décadas com transferências de vazões da RMSP. 294

As nascentes da Baixada Santista encontram-se na vertente marítima da Serra do Mar e 295

Planície Litorânea ou Costeira, e após vencer desníveis variando entre 700 e 1.175 m (pontos 296

mais “baixos” da escarpa da Serra do Mar, em Paranapiacaba, e mais elevado, com um pico 297

igualmente na divisa com Santo André, na RMSP), seus rios conformam planícies flúvio-marinhas, 298

drenam manguezais e deságuam no oceano ou em canais estuarinos. 299

O Quadro 2.6 apresenta alguns rios identificados pela abrangência e relevância municipais. 300

(17)

R4 - Revisão 5

16

Quadro 2.6 - Rios identificados pela abrangência e relevância municipal

302

Município Curso d’água

Bertioga Rio Itapanhaú, Rio Itaguaré, Rio Guaratuba

Cubatão Rio Cubatão, Rio Perequê, Rio Mogi

Guarujá Rio Santo Amaro, Rio do Meio, Rio do Peixe

Itanhaém Rio Mambú, Rio Preto, Rio Branco

Mongaguá Rio Bichoro, Rio Aguapeú, Rio Mongaguá

Peruíbe Rio Preto, Rio Branco

Praia Grande Rio Branco ou Boturoca e todos seus afluentes

Santos Rio Quilombo, Rio Jurubatuba, Rio Diana

São Vicente Rio Branco ou Boturuca, Rio Cubatão

Fonte: CBH-BS (Comitê da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista). Relatórios de Situação dos Recursos Hídricos da

303

Bacia Hidrográfica da Baixada Santista de 1999. Relatório Zero. Citado pelo Plano de Bacia Hidrográfica para o

304

Quadriênio 2008-2011 do CBH-BS. Minuta do Relatório Final. Volume I. Dezembro/2008.

305 306

A RMBS apresenta, ainda, duas importantes ilhas estuarinas: a de São Vicente e a de Santo 307

Amaro, estreitamente ligadas ao continente. As ilhas marítimas são todas de menor porte e 308

importância, com relevo mais acidentado, dificultando sua ocupação. 309

As praias também são importantes ecossistemas devido à diversidade biológica e 310

interferência na área costeira. Esta Região possui 160,9 km de costa, o que corresponde a 37,7% 311

da extensão total do Estado, possuindo 82 praias. 312

O Mapa 2.4, já mencionado anteriormente, mostra a hidrografia da região e indica as 313

principais praias. O Mapa 2.5 apresenta a altimetria. 314

315

2.3. Potencialidades 316

A atividade econômica na RMBS é considerada predominantemente industrial segundo 317

caracterização do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH 2004-2007), incluindo o porto de 318

Santos. Ainda assim, a RMBS dispõe de parte razoável (69%) de seu território com cobertura 319

vegetal nativa. Este percentual é bem superior ao do Estado (14%) sendo superado apenas pelo 320

do Litoral Norte, que tem 80% de cobertura por vegetação nativa. 321

A RMBS é dotada de várias potencialidades que dão suporte ao desenvolvimento 322

econômico e social que a coloca em posição privilegiada no que se refere ao ranking estadual. 323

A Região Administrativa de Santos mantém-se em 1° lugar no ranking do indicador de 324

riqueza municipal, desde o ano 2000 até 2006, conforme se pode visualizar no Quadro 2.7, 325

seguido em 2° lugar pela RMSP. Este fato é relevante, na medida em que, apesar de alguns 326

municípios que formam a Região apresentarem indicadores bem abaixo da média, o conjunto 327

como um todo mostra potencial para a sustentabilidade regional. 328

(18)

R4 - Revisão 5

17

Quadro 2.7 - Ranking do indicador de riqueza municipal das regiões administrativas do Estado de

330

São Paulo

331

Região 2000 2002 2004 2006

Região Metropolitana de São Paulo 2 2 2 2

Região de Registro 15 15 15 15

Região de Santos 1 1 1 1

Região de São José dos Campos 3 3 3 3

Região de Sorocaba 7 7 6 7

Região de Campinas 4 4 4 4

Região de Ribeirão Preto 5 5 5 5

Região de Bauru 8 9 8 9

Região de São José do Rio Preto 10 10 10 11

Região de Araçatuba 12 12 12 12

Região de Presidente Prudente 14 14 14 14

Região de Marília 13 13 13 13

Região Central 6 6 7 6

Região de Barretos 9 8 9 8

Região de Franca 11 11 11 10

Fonte: Fundação SEADE, 2008.

332 333

Conforme mencionado anteriormente, a dinâmica econômica se originou no 334

desenvolvimento do Porto de Santos para escoamento das safras de café produzidas no interior 335

do estado, seguido pelo desenvolvimento do pólo industrial (petroquímico, químico e siderúrgico) 336

de Cubatão, e pelo turismo de veraneio, conjugando um litoral extenso à proximidade com a 337

RMSP, maior aglomeração urbana do País. 338

O Quadro 2.8 a seguir mostra a evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 339

para os municípios da RMBS (IDH-M) em 1991 e 2000, bem como sua posição no “ranking” 340

nacional e os valores dos elementos de IDH-M (municipal) para renda, longevidade e educação. 341

Como se pode ver no quadro citado, os valores de IDH-M nos municípios da RMBS são 342

bastante diversos, havendo desde Santos no 5° lugar do “ranking” brasileiro, a Cubatão, na 1.267ª 343

posição. É notável, no entanto, que todos os municípios tiveram avanços em todos os 344

componentes entre 1991 e 2000, além da melhora nos indicadores gerais de IDH-M. Os 345

componentes de renda têm valores inferiores aos de educação e igualmente diversos conforme o 346

município, ao passo que no aspecto longevidade, a variação entre os municípios é menor. 347

(19)

R4 - Revisão 5

18

Quadro 2.8 - Valores de Índice de Desenvolvimento Humano - IDH - por Município da RMBS (IDHM),

349

1991 e 2000 e Aspectos Componentes (Renda, Longevidade e Educação)

350

Município da RMBS

Posição no Ranking

Valores de IDH-M (Geral e por Aspecto)

Geral Renda Longevidade Educação

1991 2000 1991 2000 1991 2000 1991 2000 Santos 5° 0,838 0,871 0,825 0,873 0,775 0,788 0,913 0,952 São Vicente 622° 0,765 0,798 0,727 0,741 0,717 0,749 0,852 0,904 Praia Grande 652° 0,740 0,796 0,713 0,763 0,667 0,733 0,841 0,891 Bertioga 744° 0,739 0,792 0,721 0,744 0,717 0,749 0,780 0,882 Guarujá 853° 0,720 0,788 0,689 0,730 0,667 0,749 0,805 0,885 Mongaguá 982° 0,726 0,783 0,685 0,729 0,680 0,756 0,812 0,865 Peruíbe 988° 0,733 0,783 0,724 0,731 0,675 0,744 0,799 0,873 Itanhaém 1.085° 0,730 0,779 0,700 0,716 0,675 0,744 0,816 0,876 Cubatão 1.267° 0,723 0,772 0,683 0,706 0,667 0,722 0,819 0,888

Fonte: PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, 2008.

351 352

Observa-se uma inequívoca liderança pelos valores de Santos, seguido de longe pelos 353

demais municípios, com certa proximidade entre os IDH-Ms (Geral) de São Vicente e Praia 354

Grande, bem como entre os de Mongaguá e Peruíbe. 355

Do ponto de vista educacional a RMBS já abriga ofertas substanciais e em evolução no 356

último período inter censitário, abrigando, inclusive, instituições de formação educacional de nível 357

superior, atendendo em grande parte às demandas que transcendem a própria Região. 358

No que tange à longevidade, aspecto este influenciado por melhores ou piores condições de 359

asseio urbano – saneamento básico inclusive – novamente há um maior destaque para Santos, 360

mas menos expressivo do que nos demais aspectos. 361

No que se refere ao aspecto de renda, o Porto de Santos e o Pólo Industrial de Cubatão 362

aumentaram substancialmente a oferta de empregos, mas não necessariamente contribuíram de 363

forma tão significativa para a distribuição de renda entre a população – ainda assim o IDH-M - 364

Renda de Santos é substancialmente maior do que o dos demais municípios da RMBS. O mesmo 365

não ocorre com Guarujá (que tem parte do porto localizado em seu território, mas também o muito 366

pobre distrito de Vicente de Carvalho), e tampouco com Cubatão (que, apesar de suas 23 367

indústrias de porte, envolve conflitos das mais diversas naturezas), cujo IDH-M - Renda ainda é o 368

mais baixo da RMBS. Além disso, novos investimentos como a exploração petrolífera da camada 369

Pré-Sal, mais o eventual Porto Brasil em Peruíbe e a associada revitalização da ferrovia de 370

acesso pela América Latina Logística (ALL) devem ser fatores indutores de crescimento e de 371

aumento de renda, mas também de pressões e aumento de demanda por serviços de 372

saneamento. 373

(20)

R4 - Revisão 5

19 Nesse contexto, é importante mencionar o estudo de Acessibilidade e o Plano de Expansão 374

para o Porto de Santos, elaborados pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP). 375

No estudo de acessibilidade, foram avaliadas as condições necessárias para que as vias de 376

acesso ao Porto de Santos possam estar dimensionadas para o crescimento previsto referente a 377

movimentação de carga, com foco dirigido sobre a hinterlândia6 primária. 378

O Plano de Expansão caracteriza o cenário portuário nos próximos 15 anos, considerando 379

o momento atual, os principais projetos consolidados e os factíveis, aliados a estudo de demanda 380

da hinterlândia, abrangendo mercados de origem e destino, principais parceiros comerciais e PIB 381

médio brasileiro e mundial, entre outras variáveis. O resultado aponta, num aspecto otimista, para 382

uma movimentação de cargas em 2024 de 230 milhões de toneladas, ou seja, praticamente o 383

dobro da capacidade atual. 384

Atualmente existem acordos envolvendo a CODESP, administrações municipais de Santos 385

e Guarujá, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Secretaria de Portos que visam à 386

consolidação de Santos como o maior porto da América Latina e o grande hub port7 brasileiro. 387

Dos R$ 5,2 bilhões para o setor portuário nacional previstos no Programa de Aceleração do 388

Crescimento (PAC) 2, cerca de R$ 1,552 bilhão em investimentos estão destinados ao Porto de 389

Santos nos próximos 4 anos. 390

A alternativa mais viável para melhorar a distribuição de renda e, em conseqüência, para um 391

avanço substancial no IDH-M – Renda dos municípios da RMBS pode estar nos setores de 392

comércio e serviços, os quais se desenvolvem neste caso, não somente devido à população local, 393

mas ao turismo. Neste caso, há tanto o turismo de curta duração, com pessoas que ficam nos 394

hotéis e pousadas ali localizadas, quanto o de um dia, com excursões de ônibus que vão às praias 395

da RMBS cedo nas manhãs dos dias e finais de semana de temporada, regressando ao final do 396

dia. Além disso, há um grande número de casas de veraneio e temporada, ocupadas apenas 397

durante alguns meses do ano e predominantemente nos finais de semana. 398

Isso configura diferentes desafios. Para o saneamento, a população flutuante envolve uma 399

enorme dificuldade, pois a infraestrutura deve ser planejada e construída para atender à essa 400

demanda, mas acaba por permanecer ociosa boa parte do tempo. Para a RMBS como um todo, 401

há flutuação também na oferta de postos de trabalho na prestação de serviços e no comércio, que 402

precisa recrutar trabalhadores temporários nas temporadas de verão e de férias, mas não 403

consegue manter tais empregos fora da estação de maior movimento e demanda. 404

6 Região servida por um porto ou via navegável. 7 Porto concentrador.

(21)

R4 - Revisão 5

20 No que se refere ao desenvolvimento do turismo, que se firma como um potencial de grande 405

expansão e diversidade, o Plano Diretor de Turismo da Baixada Santista (PDTUR), elaborado pela 406

Agência Metropolitana da Baixada Santista (AGEM), alinha entre os aspectos favoráveis: 407

 Possibilidade de desenvolver um conceito metropolitano de turismo receptivo, que 408

possibilite a integração dos municípios às vantagens competitivas resultantes da ação 409

conjunta. 410

 Condição de criar uma imagem forte e diferenciada da RMBS no mercado turístico 411

nacional e internacional, evidenciando a sua característica de aglomerado ou pólo 412

turístico (“cluster”). 413

 Condição de ressaltar os fatores de integração dos municípios (elementos comuns ao 414

conceito metropolitano) e, simultaneamente, valorizar as diversidades de cada um, de 415

modo que cada município possa desenvolver ações específicas. 416

 O atrativo turístico da Baixada Santista não se resume apenas à sua história. Seus 417

aspectos ambientais - rios, cachoeiras, morros, a Mata Atlântica, a Reserva Ecológica 418

Juréia-Itatins, localizada entre os municípios de Peruíbe (Baixada Santista) e Iguape 419

(região do Vale do Ribeira) e ao próprio Parque Estadual da Serra do Mar - oferecem 420

alternativas para se firmar como pólo de ecoturismo. 421

 Além das belas praias, gastronomia e infraestrutura hoteleira de qualidade. 422

423

424

Figura 2.3 - Santos – Orla da praia e jardins. Fonte: Prefeitura Municipal.

(22)

R4 - Revisão 5

21 426

2.4. Fragilidades 427

Ao mesmo tempo em que o compartilhamento de uma configuração espacial, populacional e 428

econômica é potencial positivo da RMBS, alguns elementos desta condição criam, 429

antagonicamente, fragilidades. Entre elas estão: a sazonalidade; a concorrência interna entre os 430

municípios; a infraestrutura compartilhada, especialmente no que se relaciona ao saneamento; a 431

ociosidade de infraestrutura e equipamentos urbanos que precisam ser dimensionados pelo pico e 432

que no restante do ano representam um ônus. 433

A solução de problemas pontualmente em um município não melhora a condição regional se 434

não for acompanhada por ações correspondentes nos demais – o saneamento é um caso especial 435

em que isso é notado. A estreita vinculação e a necessidade de equacionamento compartilhado 436

da solução dos problemas torna obrigatório o exercício do planejamento integrado regional, 437

através de um processo de atuação permanentemente articulada entre diversos segmentos 438

públicos, com a participação da sociedade. 439

Na divisão em grandes linhas, proposta pelo PMDI, Santos é colocado como o ponto de 440

fulcro da RMBS, liderando-a economicamente em função da maior especialização junto ao parque 441

de negócios, com destaque para a atuação do Porto. E, como a “virtu” chama mais “virtu”, é 442

possível que Santos adquira a liderança natural também no desenvolvimento da exploração 443

petrolífera da camada Pré-Sal. Cubatão é referenciado como centro industrial e de suporte 444

logístico, Guarujá, Praia Grande e São Vicente, como áreas de especialização em lazer e turismo 445

e centros de suporte logístico associado ao turismo, enquanto que Bertioga, Itanhaém, Mongaguá 446

e Peruíbe, com especialização predominante em lazer e turismo, seguindo como incógnita o 447

desenvolvimento do Projeto Porto Brasil em Peruíbe, com conexão através de Praia Grande pela 448

ferrovia ALL (antigo ramal de Juquiá da Sorocabana, depois FEPASA, hoje desativado). 449

Para todos estes usos, assegurar a captação, o tratamento e o abastecimento de água é 450

mister, sem dúvidas. Mas não só: o esgotamento sanitário é o grande esforço em curso na RMBS, 451

tendo havido um avanço significativo na melhoria da destinação dos resíduos sólidos, restando o 452

desafio de resolver os problemas de drenagem urbana em uma região tão plana e ao mesmo 453

tempo tão chuvosa. Todos estes elementos revelam conflitos potenciais, demandam 454

investimentos de difícil mensuração, e geram fragilidades para a RMBS se não forem enfrentados 455

com responsabilidade e atenção pelos gestores da infraestrutura de saneamento. 456

No que tange ao abastecimento de água das cidades, o desenvolvimento do sistema 457

Mambu-Branco pela SABESP deverá atender adequadamente Praia Grande, Mongaguá, Peruíbe, 458

São Vicente (continental) e Itanhaém, ao passo que a ETA Cubatão (que atende a maioria de 459

(23)

R4 - Revisão 5

22 Santos, São Vicente e parte de Praia Grande) está sendo praticamente reconstruída. A 460

reservação é, em geral, suficiente nas partes de maior consumo, e vem recebendo reforços nas 461

porções mais críticas de desenvolvimento mais recente, mas ainda causa preocupações nos 462

municípios mais ao sul (Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe), nos quais a proporção de população 463

flutuante “versus” fixa é ainda maior do que nos demais nos momentos de pico das temporadas. 464

Há potenciais conflitos com incrementos de reversões do sistema Itatinga-Itapanhaú para a RMSP 465

em detrimento do abastecimento de Bertioga e Guarujá, o que deve ser analisado com cuidado e 466

atenção, pois a demanda de ambos ainda tem potencial de incremento em função da perspectiva 467

de desenvolvimento urbano com incremento de verticalização em alguns pontos. Já as indústrias 468

poderão ter suas soluções individuais (inclusive por demandarem diferentes níveis de qualidade 469

de água e por utilizarem grandes quantidades de água em torres de resfriamento), mas 470

eventualmente com conflitos locais por captações potenciais para usos públicos. 471

O esgotamento sanitário vem recebendo, através do Programa Onda Limpa, investimentos 472

de mais de R$ 1 bilhão em inúmeras obras, incluindo redes, coletores, interceptores e emissários 473

terrestres e submarinos. Ocorre que a prática de se manter apenas pré-condicionamento dos 474

esgotos antes de seu encaminhamento para emissários submarinos vem sendo questionada pela 475

CETESB e pelas autoridades ambientais, que forçam a adoção de tratamento secundário dos 476

esgotos, certamente demandando investimentos muito maiores do que aqueles já estruturados e 477

em curso. Ademais, muito investimento já foi feito e, mesmo assim, restam as “cargas difusas”, 478

muitas delas associadas às descontinuidades e problemas operacionais do sistema de 479

esgotamento sanitário, fazendo com que os canais de drenagem sigam contaminados e a 480

balneabilidade, em vários locais, comprometida. Uma boa balneabilidade teria uma inegável 481

sinergia com o desenvolvimento do turismo na RMBS, não devendo ser tratada como uma 482

“externalidade”, mas como um problema claro a ser resolvido pela concessionária do sistema de 483

esgotamento sanitário de todas as cidades da RMBS – a SABESP. 484

A parte de disposição de resíduos sólidos registrou grande avanço em anos recentes, com o 485

desenvolvimento de um bom aterro em Santos (utilizado por este município, Bertioga, Cubatão, 486

Guarujá e Itanhaém) e outros municípios (Mongaguá, Praia Grande e São Vicente) depositando 487

seus resíduos em um segundo aterro igualmente bem avaliado pela CETESB, mas a uma grande 488

distância (em Mauá, na RMSP). Apenas Peruíbe continua destinando seus resíduos para um 489

aterro sanitário que chegou a receber Licença de Instalação (LI), mas nunca obteve a Licença de 490

Operação (LO), e vem sendo sistematicamente mal avaliado pela CETESB desde 2002, na 491

contramão dos demais municípios. Ocorre que alguns destes municípios praticam um transbordo 492

de resíduos para otimizar o transporte, o que nem sempre é feito em condições ambientais 493

(24)

R4 - Revisão 5

23 adequadas, além disso, o reaproveitamento e a reciclagem de resíduos sólidos na RMBS são 494

muito limitados, demandando ações planejadas e concatenadas de longo prazo. Trata-se de uma 495

mudança cultural difícil de ser fomentada, mas de cunho estratégico importante não apenas para 496

resgatar uma relação mais digna dos munícipes com seu meio ambiente, mas também para não 497

comprometer a vida útil dos aterros sanitários utilizados, cuja substituição por novas unidades 498

envolve muito mais do que grandes investimentos, um potencial ônus político em conflitos de 499

vizinhança. Os estudos da Secretaria de Saneamento e Energia (SSE) e da Empresa 500

Metropolitana de Águas e Energia S/A (EMAE) para verificar a eventual viabilidade de incineração 501

com ou sem recuperação de energia para os resíduos sólidos da RMBS estão em curso, e devem 502

ser analisados com cuidado quando terminados e disponíveis. 503

A drenagem urbana, por sua vez, ganha aspectos de relevância devido à conotação do 504

binômio quantidade e qualidade: há, nos diversos municípios, muitas áreas planas (algumas 505

depressões geográficas, até), canais praticamente horizontais, muitas vezes sob a influência das 506

marés, que geram inundações por refluxos e falta de capacidade de escoamento, com diversos 507

tipos de transtornos à rotina das comunidades. Ademais, no aspecto qualidade, há uma forte 508

interface com o gerenciamento de resíduos sólidos e com a necessidade de educação ambiental, 509

mas não apenas aqui se deve ter atenção: muitos dos problemas de balneabilidade nas praias 510

decorrem de ligações clandestinas ou indevidas de esgotos nos sistemas de drenagem. Por outro 511

lado, o desenvolvimento urbano deve levar em conta as condições de drenagem cada vez mais 512

desafiantes, pois as áreas mais elevadas já foram sistematicamente utilizadas, ao mesmo tempo 513

em que alguns novos loteamentos, intervenções e mesmo obras viárias podem causar obstruções 514

complexas aos fluxos de escoamento, causando novos problemas a serem enfrentados. 515

O que une todos estes elementos é a política de desenvolvimento urbano da RMBS, a qual 516

deve ser reorientada nesse momento de investimentos crescentes, pelas parcerias da Companhia 517

de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) com as prefeituras 518

locais na viabilização de moradias e unidades habitacionais de interesse social voltadas à 519

população de baixa renda, visando a abater o substancial déficit populacional que se associa ao 520

déficit de condições salubres – há milhares de famílias ainda morando em palafitas e favelas sem 521

sequer um banheiro em suas casas – e demandando, por conseqüência, um novo incremento no 522

atendimento integrado por saneamento – abastecimento água, esgotamento sanitário, gestão de 523

resíduos sólidos e drenagem urbana adequados. 524

Neste contexto, as fragilidades da RMBS devem ser conhecidas, minimizadas e mitigadas, 525

evitando-se a criação de novos passivos, aumentos de déficits e o estabelecimento de círculos 526

viciosos quando se pretende alavancar círculos virtuosos. 527

(25)

R4 - Revisão 5 24 529 3. O MUNICÍPIO DE SANTOS 530 3.1. Caracterização físico-ambiental 531

A área total do município de Santos é de 271,0 km2 sendo 39,4 km2 de área insular. A 532

porção continental de Santos estende-se por 231,6 km², representando a maior parte do território 533

do município. Quase 80% dessa área é classificada como Área de Proteção Ambiental por estar 534

situada dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar e por abrigar uma grande área de 535

Mata Atlântica nativa sobre as escarpas da Serra do Mar. Nas partes planas encontram-se vastas 536

extensões de manguezais ao longo do Canal de Bertioga, cortadas por rios que formam meandros 537

na planície: rios Diana, Sandi, Iriri e Quilombo. Os vales desses rios em geral são ocupados por 538

sítios e bananais, com a atividade rural apresentando-se em geral bem rudimentar. Os sítios 539

ocupam uma área chamada de mata de jundu, composta de palmitais e palmeiras locais. Essa 540

mata, no entanto, está seriamente danificada pela ocupação. Essas áreas hoje são consideradas 541

área de expansão urbana pelo Plano Diretor de Santos. 542

Ao norte do Rio Quilombo, há problemas ambientais também devido à expansão do Pólo 543

Industrial de Cubatão que extrapolou o limite municipal. Ao sul desse vale, no bairro do Sítio das 544

Neves, encontra-se o aterro sanitário municipal, no terreno de uma antiga pedreira. 545

Por apresentarem parte substancial dos problemas urbano-ambientais em fase de 546

equacionamento cita-se a caracterização físico-ambiental feita no Programa Santos Novos 547

Tempos89 sobre a Zona de Morros: 548

549

“Os morros da cidade de Santos constituem um grande corpo desenvolvido sob a direção norte-sul,

550

situado no centro da área urbana. Apresentam altitudes máximas de 200m acima do nível do mar, numa

551

área total de 6,50 Km2

552

...

553

As ocupações em encostas estão sujeitas aos movimentos gravitacionais de massa que dependem

554

do material mobilizado (solo e/ou rocha), velocidade relativa do movimento, tipo de movimento

555

predominante (translacional, rotacional), geometria das rupturas (planar, cunha, circular), agentes

556

deflagradores etc. Nas encostas da Zona dos Morros, os escorregamentos estão relacionados, na maioria

557

dos casos, aos processos de instabilização em cortes/aterros, seguidos dos processos de instabilização em

558

encostas naturais e quedas/rolamento de blocos rochosos.

559

8 Programa da Prefeitura Municipal de Santos. É o principal programa de desenvolvimento urbano, social e ambiental do município. 9 Relatório de Avaliação Ambiental dos Componentes do Programa de Desenvolvimento Estratégico de Santos e Infraestrutura Urbana

(26)

R4 - Revisão 5

25

As áreas de risco distribuem-se por todo o município em várias litologias e feições de relevo. A

560

declividade das encostas de Santos é um dos principais fatores que contribui para a deflagração dos

561

movimentos de massa.

562

...

563

Nas encostas situadas no Granito Santos, que correspondem ao Morro Santa Terezinha, em função

564

dos tipos de estrutura e alteração superficial, desenvolvem-se matacões, gerando a predominância de

565

quedas/rolamento de blocos rochosos.

566

Nas demais encostas os fatores geomorfológicos (rupturas de declives positivas, formas retilíneas ou

567

convexas) e morfométrico (declividade alta) favorecem a ocorrência de movimentos de massa, dependendo

568

ainda da existência de blocos rochosos em posição desfavorável e de fraturas propícias ao desprendimento

569

de blocos ou placas (IPT, 1980)”.

570 571

3.2. Gestão territorial e desenvolvimento urbano 572

O território do município de Santos é disciplinado pelas legislações urbanísticas 573

(zoneamento da área insular e continental), ambientais e pelo Plano Diretor Municipal, instituído 574

pela Lei Complementar n° 311/98, além de outras normas pertinentes (Plano de Transportes e 575

Sistema Viário, Zona Especial de Interesse Social - ZEIS, etc.). Conforme comentado nas 576

justificativas do Programa Santos Novos Tempos, a área continental sofre severas restrições para 577

a expansão urbana nesta região, devido, principalmente, aos remanescentes de Mata Atlântica e 578

manguezal, ainda presentes, limitando os usos e as ocupações urbanas associadas, 579

principalmente, às habitações. 580

O Mapa 3.1 apresenta o zoneamento da área insular e continental e o Mapa 3.2 mostra o 581

abairramento de Santos. 582

A Zona Noroeste é a principal área de expansão urbana da cidade, ocupando 38% do 583

território da Ilha de São Vicente, o que equivale a uma área de 11 milhões e 470 mil m². Isso 584

engloba 12 bairros e abriga cerca de 120 mil moradores. A Favela do Dique da Vila Gilda é o 585

principal assentamento precário da Zona Noroeste, situando-se às margens do Rio dos Bagres, 586

que serve de divisa entre os municípios de Santos e São Vicente. Tem no seu conjunto 587

336.491,29 m² de área onde se encontram, além do rio, o dique construído para contenção das 588

cheias, moradias sobre aterros, palafitas sobre o rio, mangues e canais deteriorados. 589

O município de Santos teve uma expansão que o tornou um importante centro econômico 590

da região e eixo de desenvolvimento do Estado. A melhoria da infraestrutura viária, possibilitando 591

uma ligação rápida, através de modernas autopistas, com a capital do Estado e outras regiões 592

metropolitanas facilitou o florescimento do turismo de veraneio. 593

(27)

R4 - Revisão 5

26 Se por um lado a Região de Santos ganhou, de 2000 a 2006, o primeiro posto no ranking 594

do indicador de riqueza municipal, os reflexos dessa situação privilegiada não tardaram. A rápida 595

urbanização e as características geográficas de Santos em particular - com grandes áreas 596

classificadas como de proteção ambiental que se viram tomadas por habitações irregulares - 597

criaram zonas de exclusão social com vários problemas, como os detectados pela análise 598

ambiental do Programa Santos Novos Tempos, já referida anteriormente: 599

600

“O Programa Santos Novos Tempos ao prever intervenções em canais urbanos, córregos

601

assoreados (total ou parcialmente), áreas verdes, etc., em plena região litorânea da Baixada Santista,

602

buscará reverter os atuais passivos ambientais decorrentes da ocupação urbana e da supressão das áreas

603

de estuário e de mangue, historicamente degradadas em função do desaparecimento de espécies vegetais,

604

caça predatória (sobretudo do caranguejo) e aterramento dessas regiões para fins de urbanização e

605

moradia (quando não em palafitas). O Programa também prevê ações de contenção geotécnica em morros

606

e encostas íngremes, na Zona dos Morros, cujas regiões também são consideradas áreas de preservação

607

permanente (sobretudo nos locais onde haverá remoções”.

608 609

A decisão da municipalidade de Santos, com o apoio dos governos estadual e federal, e o 610

aporte de recursos internacionais, via Banco Mundial, de investir na recuperação ambiental da 611

região Noroeste e dos Morros revela não somente a preocupação com as responsabilidades 612

legais de preservação de áreas protegidas. Como cita o referido relatório, as zonas Noroeste e 613

dos Morros totalizam pouco mais de 147 mil habitantes (ou 36% da população total do município), 614

segundo dados do IBGE/2000. 615

616

3.3. Ocupações em áreas irregulares 617

Conforme já mencionado, uma característica comum dos municípios da Baixada Santista é 618

que grandes porções de seu território estão em áreas de preservação permanente e em faixas de 619

domínio que foram sendo ocupadas de forma irregular. O Plano Municipal Integrado de 620

Saneamento Básico de Santos ao propor a meta de universalização dos serviços de água e 621

esgoto, drenagem, limpeza urbana e coleta e disposição dos resíduos deve levar em conta o 622

atendimento a estas populações. 623

Parte deste problema está sendo equacionado com programas como o Santos Novos 624

Tempos e o Cidade Legal10. No levantamento realizado pelo Programa de Identificação e 625

10 Programa Estadual de Regularização de Núcleos Habitacionais - Cidade Legal instituído pelo Decreto nº 52.052/2007, destinado a

implementar auxílio a Municípios mediante a orientação e apoio técnicos nas ações municipais de regularização de parcelamentos do solo e de núcleos habitacionais, públicos ou privados, para fins residenciais, localizadas em área urbana ou de expansão urbana, assim definidas por legislação municipal.

(28)

R4 - Revisão 5

27 Monitoramento de Habitações Desconformes (PRIMAHD), elaborado pela AGEM em 2005, foram 626

identificadas 20 (vinte) áreas com habitação desconforme. Destas, nove estão em áreas de 627

preservação permanente (APPs), de mangue ou próximas a corpos d’água e uma encontra-se na 628

Unidade de Conservação Ambiental Tombado da Serra. Outras se situam em faixas de domínio 629

de rodovia, linha férrea e linha de transmissão. 630

Os assentamentos encontram-se localizados em área pública e particular sendo que o 631

número de habitação desconforme encontrado, segundo cálculos baseados nos setores 632

censitários do IBGE, é de 8.018 moradias distribuídas numa área de 297,31 ha. 633

O Mapa 3.3 mostra as ocupações em áreas irregulares de acordo com o PRIMAHD 634

No Plano Municipal de Habitação de Santos (2009) foi estimada a necessidade de 635

regularização de 11.715 unidades habitacionais. Deste universo, 8.249 estão em processo de 636

regularização fundiária, dos quais 6.422 fazem parte do convênio com o Governo do Estado de 637

São Paulo através do programa Cidade Legal. Há, ainda, 4.492 unidades habitacionais com 638

carência de infraestrutura em assentamentos simples e outras 3.338 que demandam urbanização 639

complexa. Há necessidade de construção de banheiro em 1.274 domicílios e ampliação em 4.900 640

casas com adensamento excessivo. 641

Na avaliação feita pelo Programa Regional de Identificação e Monitoramento de Áreas 642

Críticas de Inundações, Erosões e Deslizamentos (PRIMAC), também elaborado pela AGEM, em 643

2002 - em Santos várias vezes por ano, diversos locais ficam submersos. As favelas invadem os 644

leitos dos rios provocando obstruções e facilitando a proliferação de vetores de doenças de 645

veiculação hídricas. Na populosa área Noroeste, a freqüência e o nível de enchente é generalizada 646

para todos os nove bairros da região, onde se observa o nível de água invadindo as casas de 0,5 647

metro até 1 metro. 648

649

3.4. Bacias hidrográficas, clima e relevo 650

As bacias passíveis de uso como manancial para Santos estão situadas na vertente 651

oceânica da Serra do Mar e na Baixada Litorânea. O clima da região é tropical chuvoso na faixa 652

costeira e mesotérmico na região das encostas da serra, influenciados pela grande pluviosidade, 653

que varia de 2.500 a 4.000 mm/ano dependendo da região. A pluviosidade nas encostas da Serra 654

do Mar é maior do que na planície litorânea, pois na planície costeira varia entre 1.600 a 655

3.000 mm/ano. 656

A temperatura média anual no topo da Serra do Mar é de aproximadamente 17,5°C, ao 657

passo que na baixada litorânea é de cerca de 22°C. 658

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