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PIS E COFINS ALGUNS TEMAS CONTROVERSOS. Prof. Douglas Rogério Campanini

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(1)

PIS E COFINS – ALGUNS TEMAS

CONTROVERSOS

(2)

Douglas Rogério Campanini

Sócio responsável pela área de Consultoria de Tributos Indiretos (ICMS, IPI, ISS, PIS e COFINS) da Athros Auditoria e Consultoria. Contador, Especialista em Direito Tributário (IBDT / IBET). Professor de Pós Graduação dos cursos de Gestão Tributária da Fundação Escola de Comércio Alvares Penteado – FECAP, Gestão Tributária da Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS e do MBA em Controladoria da UniFaat -Atibaia. Co-autor do livro Repertório Analítico de Jurisprudência do TIT-SP.

(3)

CONTEÚDO A SER ABORDADO:

 Conceito de Receita;

 Algumas situações que geram discussões quanto a incidência de PIS

e COFINS

 Rateio de Despesas  Bonificações

 Subvenções (Incentivos Fiscais)  Perdão de dívida;

 Exclusão do ICMS, ISS e PIS/COFINS da Base de cálculo do PIS e

COFINS;

 Conceito de Insumos

 Visão da RFB  Visão do CARF

(4)

CONCEITO DE RECEITA

“O conceito de receita refere-se a uma espécie de

entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos

cofres de uma entidade.

Nem toda entrada é uma

receita. Receita é a entrada que passa a pertencer

à entidade

. Assim, só se considera receita o

ingresso de dinheiro que venha a integrar o

patrimônio da entidade que a recebe”.

(5)

CONCEITO DE RECEITA

“Tanto a ideia de faturamento quanto aquela de totalidade das receitas auferidas se ligam à riqueza própria que se incorpora ao patrimônio do contribuinte.

...

O conceito de faturamento foi objeto de intensa discussão no STF nos últimos anos, tendo ficado assente que se restringe às receitas auferidas nas vendas de bens e serviços intrinsecamente ligadas ao objeto social do contribuinte. ...

Destarte, característica essencial para a conceituação de receita é que dever haver o ingresso da importância que integre, como riqueza nova, o patrimônio do contribuinte, não se enquadrando aqui meras entradas que têm passagem provisória pela empresa, que as recebe (inclusive em nome

(6)

CONCEITO DE RECEITA

“Isso não significa, porém, que toda e qualquer grandeza classificada contabilmente como receita é suscetível de incidência das contribuições. As

receitas que apenas transitam pelos registros contábeis, mas nada acrescentam ao patrimônio do contribuinte, não são passíveis de incidência das contribuições, eis que constituem receita/ou faturamento de terceiros.

...

O contribuinte do ICMS transfere o encargo do imposto ao adquirente da mercadoria, recebe o valor correspondente ao imposto e o repassa ao Estado. Nessas circunstâncias, o trânsito desse valor na contabilidade do contribuinte, por si só, não implica reconhecimento de uma grandeza passível de tributação. Não se trata de receita do contribuinte, mas de receita do Estado. Em verdade, para o contribuinte/, o ICMS não é receita, mas ônus, e não seria sequer razoável

(7)

CONCEITO DE RECEITA

Decreto Lei 1.598/77 com redação dada pela Lei

12.973/2014

Art. 12. A receita bruta compreende:

I - o produto da venda de bens nas operações de conta

própria;

II - o preço da prestação de serviços em geral;

III -

o resultado auferido nas operações de conta alheia

; e

(8)

CONCEITO DE RECEITA

Conta alheia

SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 70, DE 24 DE MAIO DE 2016

DOU de 28/07/2016, seção 1, pág. 19 ASSUNTO: Simples Nacional

EMENTA: AGÊNCIA DE PROPAGANDA. BASE DE CÁLCULO.

Por ser fruto de operação em conta alheia, estão excluídos da base de cálculo do Simples Nacional os valores recebidos por agência de publicidade para mero repasse aos veículos de comunicação e fornecedores, em razão de gastos feitos por conta e ordem do anunciante e em nome deste.

(9)

CONCEITO DE RECEITA

Conta alheia

SOLUÇÃO DE CONSULTA No 31, DE 8 DE ABRIL DE 2011 – 1ª. RF

D.O.U.: 21.09.2011

ASSUNTO: Simples Nacional

EMENTA: AGÊNCIAS DE TURISMO. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A intermediação na venda e comercialização de passagens individuais ou em grupo, passeios, viagens e excursões, bem como a intermediação remunerada na reserva de acomodações em meios de hospedagem, são operações em conta alheia, da agência de turismo. Nesses casos, a base de cálculo do Simples Nacional é apenas o resultado da operação (comissão ou adicional recebido pe1a

(10)

Regime Cumulativo

Juros recebidos por atraso no pagamento de clientes

Solução de Consulta COSIT 134/2018

ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. JUROS POR INADIMPLEMENTO. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. DESCONTOS CONDICIONAIS OBTIDOS. Cuidando-se de pessoa jurídica que se dedica ao comércio varejista de automóveis, no regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep:

a) estão sujeitas à incidência da contribuição as receitas auferidas em razão da cobrança contra seus clientes de juros por atraso no adimplemento de obrigação;

b) não se sujeitam à incidência da contribuição as receitas financeiras decorrentes de: b.1) rendimentos de aplicações de disponibilidades financeiras em investimentos com rentabilidade fixa ou variável;

(11)

Regime Cumulativo

Juros recebidos por atraso no pagamento de clientes

Solução de Consulta COSIT 134/2018

“DOS JUROS RECEBIDOS SOBRE INADIMPLÊNCIA

19. No caso de receitas decorrentes da cobrança de juros de clientes por atraso no pagamento, evidentemente se trata apenas de acréscimo à receita de venda,

e, portanto, sendo receitas resultantes do exercício da atividade

empresarial/principal da consulente, sujeitam-se à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no regime de apuração cumulativa, nos termos do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998.”

(12)

Regime Cumulativo

Juros recebidos por atraso no pagamento de clientes

Informação extraída do site da RFB

(http://receita.economia.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoes-e-demonstrativos/ecf-escrituracao-contabil-fiscal/perguntas-e-respostas-pessoa-juridica-2018-arquivos/capitulo-viii-lucro-operacional-2018.pdf)

“Receitas e Despesas Financeiras

139 - O que se consideram Receitas Financeiras e como devem ser tratadas?

Os juros recebidos, os descontos obtidos, o lucro na operação de reporte, o prêmio de

resgate de títulos ou debêntures e os rendimentos nominais relativos a aplicações financeiras de renda fixa, auferidos pelo contribuinte no período de apuração, compõem

as receitas financeiras e, assim, deverão ser incluídos no lucro operacional. Quando

referidas receitas forem derivadas de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateadas pelos períodos a que competirem. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do

(13)

CONCEITO DE RECEITA

Regime não cumulativo

Leis 10.637/2002 e 10.833/2003

Art. 1

o

A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

-Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das

receitas

auferidas

no

mês

pela

pessoa

jurídica,

independentemente de sua denominação ou classificação

contábil.

(14)

CONCEITO DE RECEITA

Regime não cumulativo

Reembolso de despesas

O reembolso de despesas ocorre quando uma

pessoa jurídica recebe, de outra, valores que

financeiramente foram assumidos pela primeira

pessoa jurídica, mas que correspondem a

despesas que são de responsabilidade da segunda

pessoa jurídica.

(15)

CONCEITO DE RECEITA

Reembolso de despesas - situações

Entre empresas do mesmo grupo: visa a redução / rateio de custos administrativos

internos, quando concentrados em apenas uma das áreas de apoio ou em apenas uma das empresas do grupo. Exemplo: reembolso de despesas de contabilidade, TI, Jurídico, RH, etc;.

Entre empresas contratantes: quando a contratada pelo serviço paga as despesas de seu

cliente o qual, conforme contrato firmado previamente entre as partes, fica responsável pelo reembolso à contratada. Exemplo: despesas de viagem, alimentação, locomoção e hospedagem dos profissionais que prestarão os serviços contratados.

Condomínio Empresarial: Uma das empresas do condomínio consta como “contratante”

dos serviços de limpeza, conservação, telefonia, segurança e, depois, efetua o repasse destes valores para as demais empresas localizadas no espaço.

(16)

CONCEITO DE RECEITA

Reembolso de despesas – Posição RFB

Solução de Divergência 23/2013

“10. De outro lado, deve-se reconhecer que o direito ao livre exercício da atividade empresarial, aliado também à globalização da economia verificada nas últimas décadas, levou à situação de que em muitos grupos econômicos, diversos departamentos de áreas consideradas “meio” (administração, contabilidade, jurídico etc), por questões de logística e de racionalização econômica, têm sua estrutura concentrada em uma única empresa, sendo que, posteriormente, as despesas mensais com a manutenção de tais departamentos são rateadas entre todas as empresas do grupo beneficiárias dos serviços centralizados.

(17)

CONCEITO DE RECEITA

Reembolso de despesas – Posição RFB

17. Sendo assim, no que tange ao IRPJ, despesas administrativas rateadas são dedutíveis se: a) comprovadamente corresponderem a bens e serviços recebidos e efetivamente pagos; b) forem necessárias, usuais e normais nas atividades das empresas;

c) o rateio se der através de critérios razoáveis e objetivos, previamente ajustados, devidamente formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes;

d) o critério de rateio estiver de acordo com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços, em observância aos princípios técnicos ditados pela Contabilidade;

e) a empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços aproprie como despesa tão-somente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar, orientando a operação conforme os princípios técnicos ditados pela Contabilidade.

(18)

CONCEITO DE RECEITA

Reembolso de despesas – Posição RFB

18. Quanto à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS, merecem análise a natureza jurídica do valor recebido como rateio de despesas pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas pelos integrantes do grupo econômico e a forma de apuração de eventuais créditos da não cumulatividade das referidas contribuições em relação às despesas compartilhadas.

19. Preliminarmente, destaca-se que as exigências para regularidade fiscal do rateio de despesas em voga, expendidas no item 17, permanecem, mutatis mutandis, válidas e sua observação será tomada como premissa nas análises que se seguem.

(...)

22. Neste contexto, impende reconhecer que os valores auferidos pela pessoa jurídica centralizadora como ressarcimento pelos demais integrantes do grupo econômico dos dispêndios que ela suportou com as atividades compartilhadas não constituem receita por lhes faltar essencialmente o elemento caracterizador desse tipo de ingresso, qual seja o ganho, o potencial para gerar acréscimo patrimonial.

(19)

CONCEITO DE RECEITA

Reembolso de despesas – Posição RFB

23. Com efeito, é peculiar ao gerenciamento concentrado de

despesas que uma entidade pertencente ao grupo econômico,

normalmente a matriz, assuma inicialmente os custos e despesas

necessários para operacionalização da sistemática. Tais dispêndios

são de responsabilidade de todas as unidades que usufruam dos

bens e serviços consumidos. O fato de a unidade centralizadora

dos custos e despesas receber das unidades descentralizadas as

importâncias que inicialmente suportou, em benefício destas, não

configura receita, mas simplesmente reembolso dos valores

(20)

CONCEITO DE RECEITA

Reembolso de despesas – se o valor reembolsado não

corresponder ao exatamente dispendido – Posição CARF

RESSARCIMENTO. RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. CONFIGURAÇÃO DE RECEITA. O critério utilizado para se realizar o rateio de despesas deve encontrar respaldo em razões econômicas, preservando a proporcionalidade dos valores pagos pelas empresas envolvidas; a empresa que assumiu a despesa relativa a terceiros não pode ter como objeto social o exercício da atividade causadora do dispêndio. Não se insere dentre as características da sociedade anônima o intuito não lucrativo, razão pela qual a atividade fim é sempre onerosa, ao contrário da atividade meio, onde o traço marcante é a “cooperação”, em havendo interesse do grupo de sociedades, centralizada em uma empresa. Recurso negado. ”

(21)

Benefícios ICMS

Guerra Fiscal - Subvenção

Leis 10.637/02 e 10.833/2003

Art. 1º (...)

§ 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...)

X - de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público;

(22)

Benefícios ICMS

Guerra Fiscal - Subvenção

Lei 12.973/2014 com alteração da Lei Complementar 160/2017

Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de

1976, que somente poderá ser utilizada para:

I - absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou

(23)

Benefícios ICMS

Guerra Fiscal - Subvenção

Lei 12.973/2014 com alteração da Lei Complementar 160/2017

§ 4

o

Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro-fiscais

relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da

Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito

Federal,

são considerados subvenções para investimento, vedada

a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste

artigo

.

(24)

Benefícios ICMS

Guerra Fiscal - Subvenção

CARF

– RECENTE POSICIONAMENTO – Acórdão 3402.006.315 –

Sessão de 26.03.2019

SUBVENÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL DE ICMS. NÃO CONTABILIZADA A RECEITA. CUSTEIO. INCIDÊNCIA

De acordo com as alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 e 11.941/2009 (adotando a chamada “Nova Contabilidade”, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas no resultado, sempre serão consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017). A não contabilização em conta de resultado, e não manutenção do valor da subvenção em reserva de lucros, implica em

(25)

Recuperação de Tributos

pagos indevidamente

Ato Declaratório Interpretativo SRF 25/2003

Art. 2º Não há incidência da Contribuição para Financiamento da

Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre

os valores recuperados a título de tributo pago indevidamente.

Art. 3º Os juros incidentes sobre o indébito tributário recuperado é

receita nova e, sobre ela, incidem o IRPJ, a CSLL, a Cofins e a

Contribuição para o PIS/Pasep.

(26)

Recuperação de Tributos

pagos indevidamente

Para Refletir!

“TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL SOBRE JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE, PARCIAL, SEM REDUÇÃO DE TEXTO, DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 7.713/88, DO ART. 17 DO DECRETO-LEI Nº 1.598/77, E DO ART. 43, INC. II E § 1º, DO CTN (LEI Nº 5.172/66). AFRONTA AO INC. III DO ART. 153 E AO ART. 195, INC. I, 'C', AMBOS DA CF.

1. A Corte Especial deste Regional, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nº 5020732-11.2013.4.04.0000 (em 24-10-2013), afastou a incidência do IR sobre os juros de mora, excepcionando, no entanto, os juros SELIC recebidos pelo contribuinte.

2. A taxa SELIC, a partir de 01-01-1996, é o único índice de correção monetária e de juros aplicável no ressarcimento de indébito tributário, a teor do disposto no

(27)

Recuperação de Tributos

pagos indevidamente

Para Refletir!

3. Em relação aos juros de mora (presentes na taxa SELIC), a Corte Especial deste Regional, no julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade nº 5020732-11.2013.4.04.0000 (em 24-10-2013), já definiu que não pode incidir o IR, dada a sua natureza indenizatória, sendo este entendimento em tudo aplicável à incidência da CSLL.

4. No tocante à correção monetária (também inclusa na taxa SELIC), esta tem como objetivo a preservação do poder de compra em face do fenômeno inflacionário, não consistindo em qualquer acréscimo patrimonial.

6. Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade conhecido e, no mérito, acolhido para declarar a inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, do § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713/88, do art. 17 do Decreto-Lei nº 1.598/77, e do art.

(28)

Mercadorias

em bonificação

Parecer CST 1.386/1982

“Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80.”

(29)

Mercadorias

em bonificação

SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF 06 nº 6020, DE 11 DE MAIO

DE 2015

ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade

Social – Cofins EMENTA:

As bonificações somente podem ser

consideradas descontos incondicionais, quando constarem em

uma mesma nota fiscal de venda dos bens

, aos quais se referirem.

SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA

COSIT N º 34, DE 21 DE NOVEMBRO DE 2013.

DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 1º, parágrafo 3º, inciso V, alínea “a” da

Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003; item 4.2. da Instrução

(30)

Perdão de Dívida

• Parcelamentos (REFIS, PERT, etc);

• Entendimento da RFB:

SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 65, de 01 de março de 2019

Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep

NÃO CUMULATIVIDADE. PROGRAMA ESPECIAL DE REGULAMENTAÇÃO TRIBUTÁRIA - PERT. REDUÇÃO DE ENCARGOS. INCIDÊNCIA.

No regime de apuração não cumulativa, compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor da redução dos encargos – juros de mora e multas compensatórias - quando da adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496, de 2017.

(31)

Perdão de Dívida

• Visão da Receita Federal do Brasil

Se ocorrer a anulação de um passivo (ou seja, de uma dívida), sem

que ocorra a extinção simultânea de um ativo, temos um acréscimo

do patrimônio.

Em resumo, o perdão da obrigação ocasiona num aumento

patrimonial do devedor, pois a consequência é o fim do passivo

com a consequente redução da dívida.

(32)

Perdão de Dívida

• CARF

Determinando a tributação

Número do Processo: 19515.002014/2005-17

Data de Publicação: 13/12/2016

Acórdão: 3201.002.117

Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2002

PERDÃO DE DÍVIDA. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. O perdão de

dívida

importa

para

o

devedor

acréscimo

patrimonial,

caracterizando-se como receita operacional, cujo valor deve ser

computado na base de cálculo do PIS apurado no regime não

(33)

Perdão de Dívida

• CARF

Afastando a tributação

Sessão: 30/03/2017

Acórdão: 3402.004.002

RECEITA BRUTA. CONCEITO CONTÁBIL E JURÍDICO. REDUÇÃO DE PASSIVO. O conceito contábil de receita, para fins de demonstração de resultados, não se confunde com o conceito jurídico, para fins de apuração das contribuições sociais.

Na esteira da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições.

(34)

Perdão de Dívida

• Judiciário

Liminar - Vara Federal Cível e Criminal da SSJ de Vilhena-RO, Processo 1000052-91.2018.4.01.4103

O presente mandamus diz respeito a suposto direito líquido e certo da parte impetrante de suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído em seu desfavor, referente a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre multas e de juros considerados pela autoridade impetrada como faturamento, após adesão da impetrante a programa de regularização tributária que deu ensejo ao perdão dos débitos.

No julgamento do Recurso Extraordinário 606.107 RS, que teve como objeto a incidência de PIS e COFINS sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros, restou consignado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, que o conceito de receita previsto no art. 195, I, b, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito

(35)

Perdão de Dívida

• Judiciário

“O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso

(36)

Perdão de Dívida

• Judiciário

A partir desse precedente, a remissão da dívida não poderia ser tratada como receita para fins de tributação (apenas para fins de demonstração de resultado da empresa), por não configurar ingresso.

As verbas decorrentes do perdão não integram ao patrimônio de forma inaugural, não havendo aquisição de disponibilidade nova, mas apenas eliminação de um comprometimento patrimonial existente.

Desse modo, os juros e multas remitidos não podem ser considerados faturamento e, portanto, é incabível o seu cômputo na base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS”.

Diante do exposto, defiro o pedido de liminar, na forma do art. 7º, inciso III, da Lei nº 12.106/09 c/c art. 300 do CPC, para determinar: i) a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários constituídos em face da impetrante, sendo eles IRPJ, CSLL, PIS e COFINS incidentes sobre a remissão de multas e dos juros moratórios em virtude da

(37)

Taxas das administradoras

de cartão de crédito e débito

• Judiciário

– STF declarou o tema como de repercussão geral – RE nº

1.049.811

– Tema - “inclusão do valor descontado por administradora

de cartão de crédito e débito a título de remuneração na

base de cálculo da Cofins e da contribuição ao PIS”;

– Argumento central – as comissões, geralmente já retidas

quando do pagamento, são receitas das administradoras,

sequer ingressando no caixa das empresas vendedoras;

(38)

Exclusão do ICMS da

Base de Cálculo do PIS e COFINS

• Tema já julgado pelo STF, faltando apenas o julgamento dos embargos

de declaração;

• ICMS destacado ou pago?

• Saldo Credor de ICMS – não pode recuperar?

• Saldo Credor de PIS e COFINS – como recuperar?

• ICMS parcelado – o que fazer?

(39)

Exclusão do ISS da

Base de Cálculo do PIS e COFINS

• Reflexos da Exclusão do ICMS.

• Judiciário

– “O que importa, para o veredicto judicial, é a consideração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal ao julgar o RE nº 574.706/PR, sob a sistemática da repercussão geral, que fixou a tese de que ‘o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS’, na medida em que o imposto estadual não corresponde a faturamento ou mesmo receita da pessoa jurídica, por não se incorporar ao patrimônio desta, mas apenas transitar pela respectiva contabilidade, o que, como visto, em tudo se aproveita à discussão acerca do ISS-QN.” ( Juíza Federal Cristiane Conde Chmatalik, da 6ª vara Federal Cível de Vitória/ES – Processo 5016729-26.2018.4.02.5001)

(40)

Exclusão do PIS e COFINS

da Base de Cálculo do PIS e COFINS

• Reflexos da Exclusão do ICMS.

• Judiciário

– Do mesmo modo, observo que, se é verdade que o ICMS não deve compor a base de cálculo do PIS e da COFINS, de igual sorte não pode, a meu ver, que determinada importância tida como “entrada” na contabilidade da empresa induza a existência de receita tributável, ou seja, o PIS e a COFINS não são acréscimos patrimoniais, não é uma variação positiva do patrimônio da empresa, a empresa não fatura contribuições, no caso em tela, apenas repassa esses valores a quem de direito.

(...)

A busca é possível, já que, a discussão sobre o tema tem exatamente o mesmo fundamento da tese da decisão do Supremo que excluiu o ICMS da

(41)

Créditos de PIS e COFINS – conceito de insumo

Receita Federal possui posição mais restrita

demonstrada por meio de soluções de

consultas;

CARF (Conselho Administrativo de Recursos

Fiscais) tem adotado posição mais técnica

(critério intermediário);

(42)

Créditos de PIS e COFINS – conceito de insumo

 Judiciário – STJ - recurso repetitivo (REsp

1.221.170/PR);

“O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos

critérios de

essencialidade

ou

relevância

, vale dizer,

considerando-se

a

imprescindibilidade

ou

a

importância de determinado item, bem ou serviço

para o desenvolvimento da

atividade econômica

(43)

Créditos de PIS e COFINS – conceito de insumo

 Judiciário – STJ - recurso repetitivo (REsp

1.221.170/PR);

Necessidade de comprovação;

Análise caso a caso;

(44)

Créditos de PIS e COFINS – conceito de insumo

 Posição da RFB após a decisão do STJ – Parecer Normativo

05/2018

• não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete)

de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre

estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou

para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados

em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de

mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras

• materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos

utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação

de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos

(45)

Créditos de PIS e COFINS – conceito de insumo

 Posição da RFB após a decisão do STJ – Parecer Normativo 05/2018

• Gastos com pesquisas e desenvolvimento de novos produtos apenas geram créditos de PIS e COFINS se estes dispêndios resultarem, efetivamente, na criação de um novo produto. No caso de serem malsucedidos, não geram crédito.

• Terceirização de mão-de-obra geram créditos (observado a regra do insumo, não sendo qualquer terceirização);

• Testes de qualidade de produtos e tratamento de efluentes podem ser considerados insumos.

(46)
(47)

ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

POSIÇÃO RFB – GUIA EFD

INFORMAÇÃO IMPORTANTE – OPERAÇÕES EXTEMPORÂNEAS:

Tendo em vista a possibilidade da pessoa jurídica de proceder à retificação da escrituração em até cinco anos, a partir da vigência da IN RFB nº 1.387/2013,

a inclusão de novas operações representativas de créditos ou de

contribuições, ainda não incluídos em escrituração digital já transmitida,

deve ser formalizada mediante a retificação do arquivo digital do período de apuração a que se referem às citadas operações.

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ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

POSIÇÃO RFB – GUIA EFD

Neste sentido, a partir do período de apuração referente a agosto de 2013, a apuração e escrituração de créditos vinculados a serviços contratados ou a produtos adquiridos com direito a crédito, referentes a períodos anteriores, serão prestadas em arquivo retificador, nos registros A100 (serviços) e/ou C100 (bens para revenda e insumos adquiridos), por exemplo, do período de competência a que se referem, e não mais, nos antigos registros de créditos extemporâneos 1101/1102 (PIS/Pasep) e 1501/1502 (Cofins), ou de contribuições extemporâneas 1200/1210/1220 (PIS/Pasep) e 1600/1610/1620 (Cofins).

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ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

POSIÇÃO RFB – GUIA EFD

Ressalte-se que os registros para a escrituração das operações geradoras de crédito e de receitas auferidas, dos blocos “A”, “C”, “D” e “F”, validam a escrituração de documentos correspondentes aos períodos de apuração da escrituração, mesmo que a data de emissão do documento fiscal seja diferente (anterior ou posterior) à data a que se refere a escrituração, descrita no registro “0000”.

A interrupção na validação dos registros extemporâneos é determinada em função do período de apuração da escrituração, ou seja, para as escriturações com período de apuração a partir de agosto de 2013, inclusive.

O PVA na versão 2.05 e posteriores continua validando eventual registro extemporâneo, se o arquivo txt importado se referir a PA igual ou anterior a julho de 2013. Para as escriturações com período de apuração a partir de agosto de 2013, o PVA não valida nem permite a geração de registros de operação extemporânea,

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ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

LEGISLAÇÃO – LEIS 10.637/02 E 10.833/03

Art. 3

o

Do valor apurado na forma do art. 2

o

a pessoa jurídica

poderá descontar créditos calculados em relação a:

(...)

§ 4

o

O crédito não aproveitado em determinado mês poderá

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ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

CARF – ACÓRDÃO 3403.002.420 DE 21.08.2013

“ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS

PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO.

Quando o contribuinte verifica que tinha direito a crédito de PIS/Cofins não-cumulativo em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, pode proceder de duas formas:

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ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

CARF – ACÓRDÃO 3403.002.420 DE 21.08.2013

- a primeira consiste em fazer o aproveitamento no mês em que o crédito foi gerado, promovendo a retificação do DACON daquele período de apuração e dos períodos subseqüentes, bem como da DCTF para, então, promover a compensação por meio de DCOMP, utilizando como crédito o valor que recolheu a maior, inclusive com atualização;

- a segunda consiste em aproveitar o crédito no período de apuração corrente, incluindo-o na DACON, sem precisar retificar nenhuma declaração em relação ao passado, mas aproveitando o crédito pelo seu valor nominal, sem atualização (art. 13 da Lei nº 10.833/2003).

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ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

CARF – ACÓRDÃO 3403.002.420 DE 21.08.2013

“2. Créditos extemporâneos.

Parte do lançamento fiscal decorre da glosa de créditos que o contribuinte apropriou em janeiro de 2010, mas que se referem a fatos ocorridos entre 2005 e 2009, por ter entendido a Fiscalização que o contribuinte apenas poderia aproveitá- los no mesmo período em que foram gerados, por meio da retificação da DCTF e do DACON.

Entendo que não assiste razão à Fiscalização, devendo ser provido o recurso do contribuinte nesta parte.

A razão central está em que a legislação – nem a Lei, nem o regulamento – não veda o procedimento adotado pelo contribuinte, de fazer a

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ESCRITURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS CRÉDITOS

CARF

Decisões no mesmo sentido:

• Acórdão 3403.002.718

• Acórdão 3401.001.585

• Acórdão 3401.001.577

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