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FACULDADE INTEGRADA BRASIL AMAZÔNIA BRUNA TOSCANO GIBSON RESENHA

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FACULDADE INTEGRADA BRASIL AMAZÔNIA

BRUNA TOSCANO GIBSON

RESENHA

BELÉM

2010

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FACULDADE INTEGRADA BRASIL AMAZÔNIA

BRUNA TOSCANO GIBSON

RESENHA

Trabalho apresentado à disciplina Teoria e Técnica da Tradução e Interpretação II, do curso de Bacharelado em Letras – Habilitação em Tradução e Interpretação Português/Inglês da Faculdade Integrada Brasil Amazônia, como requisito parcial para a obtenção da aprovação na disciplina.

Professora: Nisreene Matar

BELÉM

2010

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Paulo Ottoni, em artigo intitulado A formação do tradutor científico e

técnico: Necessária e Impossível, analisa as chamadas “dicotomias” tradicionais

discutidas nos Estudos da Tradução. A partir de trabalhos dos autores Paulo Rónai, Jean Maillot, Georges Mounin e, principalmente, Jacques Derrida, Ottoni procura questionar essas dicotomias para definir de maneira mais precisa o papel do tradutor e também refletir sobre o seu relacionamento com os idiomas envolvidos no trabalho de tradução (p. 2).

Logo de início é estabelecida a perspectiva que permeará a reflexão de Ottoni: o Desconstrucionismo (ou Desconstrutivismo) do filósofo franco-argelino Jac-ques Derrida, e suas conseqüências teóricas e práticas no âmbito da formação do tradutor (p.1). Sobre essa corrente filosófica, encontramos uma breve definição no

Dicionário Houaiss:

Movimento intelectual que procura desfazer a interpretação tradicional dos textos literários e filosóficos na cultura ocidental, desestruturando simulta-neamente os valores e as "verdades" vinculados a esta tradição, tendo co-mo fundamento uma concepção pluralista e polissêmica do processo signicacional; desconstrução [Surgido no decênio de 1960, foi concebido pelo fi-lósofo contemporâneo Jacques Derrida (1930-) e propalado por uma série de epígonos, esp. nos E.U.A.]

Encarando a tradução como um acontecimento, Ottoni introduz as noções derridarianas de necessidade e impossibilidade (já no próprio título de seu trabalho) e do double bind.

Um double bind é um dilema de comunicação no qual um indivíduo (ou gru-po) recebe duas ou mais mensagens conflitantes, uma negando a outra. Is-so cria uma situação em que a resposta bem sucedida a uma mensagem resulta numa resposta má sucedida à outra, de modo que o indivíduo estará automaticamente errado independente de sua resposta.

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A partir desses conceitos e do quadro teórico da Desconstrução como um todo, Ottoni passa a refletir sobre a questão da formação do tradutor, analisando três dicotomias arraigadas nos Estudos da Tradução: tradução científica e técnica e tra-dução literária/poética e filosófica; teoria e prática; “original” e tratra-dução (esta, apenas brevemente mencionada).

A primeira “divisão estanque” (p.1) analisada por Ottoni é introduzida com uma citação de Paulo Rónai, eminente estudioso da tradução, sobre a imprescindibi-lidade do trabalho do tradutor técnico, em detrimento da função, poderíamos dizer, menos vital dos textos literário-poéticos. Ottoni menciona, inclusive, o fato de alguns autores mais radicais afirmarem que o tradutor do texto poético precisa ele mesmo ser um poeta, e que o tradutor científico-técnico deve procurar anular-se, não po-dendo ter qualquer participação naquilo que traduz. Ainda nesse viés, Ottoni comen-ta a justificativa de Jean Maillot (1969), o qual, através da dicotomia ciência/arte, o-pina que a tradução científica e técnica é mais favorável a um estudo nos moldes da ciência do que das artes.

Rónai e Maillot, ao adentrarem a questão da formação prática do tradutor, acabam por expressar um embate entre o técnico e o literário. Ambos admitem e assumem essa separação na teoria da tradução, entretanto admitem que a divisão não se apresenta de maneira tão evidente no ensino prático. Aqui, Ottoni concorda enfaticamente com a posição de Maillot, segundo a qual, sendo o estilo no fundo um modo de expressar o pensamento com a ajuda dos recursos lingüísticos, os mes-mos problemas surgirão sempre.

Em seguida (p. 2), Ottoni passa a discutir a dicotomia teoria e prática, uma das mais centrais nos Estudos da Tradução e a responsável por sustentar a própria dicotomia técnico e literário. Ambas estão relacionadas à questão da

fideli-dade (e aqui se inclui a terceira dicotomia: “original” e tradução, da qual Ottoni opta

por não tratar). Agora já é possível perceber a íntima relação que essas noções mantêm entre si, e como todas as reflexões sobre a tradução orbitam ao redor des-ses temas.

A problemática da polissemia é o próximo tema abordado, momento em que Ottoni demonstra uma aguda diferença entre os teóricos “tradicionais” (Maillot e

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Rónai) e a visão desconstrucionista: a polissemia, na visão anterior, é percebida como uma enfermidade, algo que deve ser sanado e evitado a qualquer custo. Otto-ni aponta para o erro dessa concepção: foi proposta por esses pensadores uma fide-lidade que se localiza no plano das palavras de forma isolada; o texto como um todo foi esquecido. Acontece que, como o Desconstrucionismo nos revela, essa “enfermi-dade” existe desde sempre no texto de caráter científico e técnico, pois, como expli-cita Ottoni, não é possível separar a terminologia técnica que se vai traduzir da lín-gua como um todo (afinal, além de dominar os termos técnicos, o tradutor também deve ter competência para tratar dos não-técnicos – verbos, pronomes etc.).

Trazendo à discussão um excerto do teórico Georges Mounin (p. 3), Otto-ni aborda a questão da necessidade de conhecer o “sentido e a matéria” da obra que se procura traduzir, ou seja, a importância do conhecimento técnico e lingüístico. Mais uma vez, Ottoni luta contra o pensamento dicotômico, afirmando que a “maté-ria” não pode ser vista separada do “espírito do idioma”, pois ambos estão ligados de maneira definitiva, tanto na tradução literário-poética como na científica. Nesse ponto, Ottoni apresenta seu argumento-chave, derrubador da visão dicotômica: a “língua” se impõe da mesma maneira para ambos os tipos. O problema causado pe-lo tratamento “estanque” da questão jaz no fato de que, nesse viés, não se questio-na o papel do tradutor durante a tradução, e acaba-se por prever de modo diferenci-ado sua participação na produção e transformação dos significdiferenci-ados.

Chegamos, então, a um tema central na teoria Desconstrucionista, que podemos adaptar da seguinte maneira: a questão da separação entre tradutor e lín-gua e, mais especificamente no âmbito do artigo, os problemas de estilo (que reto-mam a problemática do envolvimento e interferência do tradutor em sua atividade).

Como vimos há pouco, Ottoni nos esclarece que os problemas de estilo permeiam a língua como um todo, mesmo em seu uso mais técnico. Nesse momen-to do texmomen-to, o aumomen-tor vai mais longe: afirma que não é mais possível fazer uma distin-ção entre o texto técnico e o literário, no âmbito da formadistin-ção institucional do tradutor. Consolida-se, agora, a proposta de Ottoni: tratando o problema da tradução a partir do conceito de double bind, é estabelecida uma lógica que poderíamos chamar de diferenciada, a qual nos revela que a questão “tradicional” das dicotomias não nos é posta mais da maneira como vinha sendo tratada.

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Assim, Ottoni, a partir dessa “outra lógica” (p.4), também estabelece um outro foco: não o da distinção entre tradução técnica/literária ou entre a teoria/prática na formação do tradutor, mas o da língua e da relação que o tradutor mantém em relação às línguas envolvidas numa tradução. É importante notar, como nos revela o autor, que existe uma diferença até mesmo de sistema de língua numa mesma

lín-gua – de fato, as línlín-guas existem justamente porque não há sentido único e estável

e, por não haver uniformidade e estabilidade, as “impurezas” ou “enfermidades” (constitutivas da linguagem, como vimos), são inevitavelmente produzidas pelo tra-dutor, em qualquer âmbito (leia-se, literário ou científico).

Chegamos ao que Ottoni considera ser prioritário na formação do tradutor: o envolvimento deste com a língua estrangeira e a sua língua materna – “envolvi-mento” porque, nesse double bind (e na dimensão desconstrucionista como um todo) a participação do tradutor na produção de significados é fato. O tradutor em forma-ção, portanto, não deve se prender às dicotomias, mas aceitar o double bind, para que evite o sofrimento desnecessário do sentimento de intraduzibilidade e possa, finalmente, dedicar-se à tarefa de reconciliar o intraduzível e a tradução, pois é nes-se meio que nes-se encontra o ato paradoxal de traduzir – “não há nada de absoluta-mente intraduzível, nem de absolutaabsoluta-mente traduzível” (p. 4). As dicotomias, no final, acabam dificultando que o tradutor encare o envolvimento que tem com as línguas.

Concluindo, podemos afirmar que o double bind é inevitável, pois é este conceito que intermedeia a relação de envolvimento do tradutor com a(s) língua(s). A distinção científico/literário, apesar de cumprir certos fins pedagógicos, não condiz com a realidade de que a língua é uma só para ambos os tipos, e que, não importa de que texto se trate, o tradutor sempre interfere na produção de significados, pois as “impurezas” são parte integrante da linguagem, e não de uma linguagem científi-ca ou literária. Desse modo, é um imperativo à formação do tradutor (para Ottoni, e também para o Desconstrucionismo) que ele aprenda a conviver com o paradoxo do

Referências

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