A Receita de Neemias Para Uma Vida Vitoriosa

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GERÊNCIA EDITORIAL E DE PRODUÇÃO Gilmar Chaves COORDENAÇÃO EDITORIAL Patrícia Nunan COORDENAÇÃO DE DESIGN

Marcos Henrique Barboza PESQUISA,

ESTRUTURAÇÃO E COPIDESQUE

Friedrich Gustav Schmid Jr. Patrícia Nunan

REVISÃO FINAL Patrícia Calhau Ribeiro DIAGRAMAÇÃO Sanderson Santos IMPRESSÃO E ACABAMENTO Esdeva

Copyright 2012 por Editora Central Gospel

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

MALAFAIA,Silas

A receita de Neemias para uma vida vitoriosa

Rio de Janeiro: 2012 64 páginas

ISBN: 978-85-7689-269-4

1. Bíblia - Vida cristã I. Título II. 1a edição: julho/2012

As citações bíblicas utilizadas neste livro foram extraídas da Versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), salvo indicação específica, e visam incentivar a leitura das Sagradas Escrituras.

É proibida a reprodução total ou parcial do texto deste livro por quaisquer meios (mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos etc.), a não ser em citações breves, com indicação da fonte bibliográfica.

Este livro está de acordo com as mudanças propostas pelo novo Acordo Ortográfico, que entrou em vigor em janeiro de 2009.

Editora Central Gospel Ltda Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara Cep: 22.713-001

Rio de Janeiro - RJ TEL: (21)2187-7000

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DIGITALIZADO POR

SEMEADORES DA PALAVRA

S I L A S M A L A F A I A

A receita de Neemias para

uma vida vitoriosa

CENTRAL

GOSPEL

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Sumário

Apresentação ... 7

Capítulo 1 — A importância de reconhecer o problema e desejar a solução ... 9

Tomando conhecimento do problema ... 11

Vivenciando as emoções ... 13

tomando uma atitude para resolver o problema ... 16

Capítulo 2 — Pedindo orientação a Deus pela oração ... 19

A adoração ao Senhor ... 20

A confissão a Deus de nossos pecados ... ‘21

A Palavra dc Deus como fundamento das nossas orações e petições ... 22

Petições objetivas ... 25

Capítulo 3 — Usando o nosso potencial para atingir nossos objetivos ... 28

Cultivando o bom ânimo... 28

Respeitando o protocolo ... 31

Usando bem as palavras ... 32

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Capítulo 4 — Ações práticas para a concretização de nossos

projetos... 37

Inspirar confiança e ter integridade ... 37

Planejar uma ação estratégica ... ... 39

Descansar e partir para a ação ... 41

Tomar pé da situação ... 43

Manter sigilo sobre o propósito ... 44

Compartilhar a visão e somar esforços para levar a cabo o projeto ... 46

Enfrentar críticas e oposição do modo certo ... 46

Capítulo 5 — A graça de Deus e o nosso potencial interagem para o milagre ... 50

Cooperando com Deus e abençoando outros ... 51

Usufruindo da bênção de Deus ... 53

Ajudando os necessitados ... 54

Rendendo graças a Deus ... 56

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Apresentação

Em toda narrativa bíblica, podemos encontrar "receitas" para aprimorar a nossa vida e o nosso caráter. Assim, muitas vezes consultamos as Escrituras em busca de mais do que exemplos para melhorarmos como pessoas; procuramos por algo que nos ajude a consertar o que está imperfeito em nós e a restaurar aquilo que foi destruído ao longo dos anos pelo nosso descaso ou pela ação do Inimigo.

Diante da necessidade que temos de aviva- mento e restauração, vamos destacar alguns princípios que Neemias considerou para restaurar os muros de Jerusalém e restabelecer a paz, a lei e a

ordem

na cidade. Essa "receita" poderá levar-nos a discernir alguns "ingredientes" essenciais na recuperação daquilo que Deus tem para nós.

Veremos quem foi Neemias e como ele superou a tristeza pela destruição de Jerusalém e obteve a autorização de Artaxerxes para ir até lá e reconstruir a cidade. Falaremos sobre a importância de orar e buscar a direção de Deus, bem como usar o nosso potencial para lutar por nossos sonhos

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e projetos. Enfatizaremos algumas características de Neemias que lhe permitiram aproveitar bem as portas que lhe foram abertas pelo Senhor e ressaltaremos o valor do planejamento de nossas ações e metas, bem como a relevância de superarmos críticas e oposições, a fim de concluirmos nossos empreendimentos e projetos.

Que a leitura deste livro o ajude a discernir o seu potencial e a usá-lo de modo que seus dons, talentos e projetos redundem em vitórias para você e todos os que o redeiam! Que você aprenda a usar

o seu potencial humano e a contar também com o elemento espiritual, a graça de Deus que lhe assegura bênçãos e o socorro na hora certa! Que você usufrua de suas conquistas com gratidão e alegria!

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Capítulo I

A importância de reconhecer o problema e desejar a solução

É muito difícil encontrar alguém que tenha uma existênciatranquila e sem problemas de alguma

ordem;alguém que não precise de restauração em certas áreas de sua vida.

Na Bíblia, vemos inúmeros relatos sobre a vida de pessoas que se depararam com problemas graves, mas que, por sua fé incondicional em Deus, não entregaram os pontos; antes, buscaram ao Senhor e descobriram nele a solução para cada uma das dificuldades com que se defrontaram. Esse foi

o caso de Neemias.

Esse homem reconhecido pelo seu temor a Deus, sua compaixão e sua perseverança foi um poderoso instrumento do Senhor usado por Ele para reconstruir Jerusalém e restaurar a vida dos remanescentes judeus ali no pós-exílio babilônico.

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A R E C E I T A D E N E E M I A S P A R A U M A V I D A V I T O R I O S A

Os projetos de Neemias em relação a seu povo foram concluídos, em grande parte, devido ao fato de ele ser um homem corajoso, persistente, coerente e capaz de reunir tantas pessoas em torno daquela empreitada. Isso possibilitou ao povo judeu obter a autorização do rei Artaxerxes para retomar a reconstrução de Jerusalém, restabelecer os limites que separavam essa cidade das outras circunvizinhas, controladas pelos samaritanos, restaurar a paz e a ordem na capital judaica e reconquistar o respeito dos povos vizinhos.

Isso porque, depois de reconstruir os muros de Jerusalém, Neemias foi mais longe em sua missão, ao restabelecer a Lei de Deus como o padrão ético e moral do povo. Ele leu a Torá diante dos israelitas, chamou-os ao arrependimento e a uma mudança de vida. Eles entenderam que foi sua conduta pecaminosa que os afastara do Senhor, levando-os à opressão e ao cativeiro inimigo.

Tendo em vista o posicionamento de Neemias diante do problema que seus contemporâneos israelitas viviam em Jerusalém, concluímos que

o primeiro ingrediente na "receita" dele para re-construir a sua vida foi ver-se como alguém que era imagem e semelhança de Deus e alvo da graça divina, sendo, portanto, capaz de resolver os problemas que afligiam a ele e a seus irmãos. Mas, é

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claro, para isso, ele teve de reconhecer que havia um problema a ser solucionado e tomar as devidas providências para solucioná-lo.

Tomando conhecimento do problema

Atentemos para os relatos sobre quando Neemias é informado da terrível situação dos que viviam em Jerusalém e sobre o que ele fez a seguir:

As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, fortaleza, que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá: e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que restaram do cativeiro e acerca de Jerusalém. E disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo. E sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus dos céus.

Neemias 1.1 -4 Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu tomei o vinho e o dei ao rei; porém nunca, antes, estivera triste diante dele. E o rei me disse: Por que está triste o teu

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rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira e disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?

E o rei me disse: Que me pedes agora? Então, orei ao Deus dos céus e disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique. Então, o rei me disse, estando a rainha assentada junto a ele: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo. Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os governadores dalém do rio, para que me dêem passagem até que chegue a Judá: como também uma carta para Asafe, guarda do jardim do rei, para que me dê madeira para cobrir as portas do paço da casa, e para o muro da cidade, e para a casa em que eu houver de entrar. E o rei mas deu, segundo a boa mão de Deus sobre mim.

Neemias 2.1 -8

Note que, quando Neemias acabou de ouvir o relato sobre a situação em que se encontravam os habitantes de Jerusalém, sua reação foi assentar-se e chorar, lamentar-se, jejuar e orar perante o Senhor (Neemias 1.4). Primeiro, ele ficou triste e chorou. Pareceu-lhe, talvez, naquele momento, que mais

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nada poderia mudar a situação tão infeliz de seu povo. O que ele, um exilado, um mero copeiro que servia na fortaleza de Susã, capital do Império Persa, poderia fazer por seus irmãos judeus além de condoer-se e orar para que Deus interviesse no sentido de demonstrar compaixão por Seu povo?

Em Jerusalém, os remanescentes judeus passa-vam fome e frio. Com muros derrubados e portões queimados, Jerusalém estava à mercê de todos os invasores. Isso se refletia no estado de espírito do povo e na economia local. Ao saber da miséria em que os judeus estavam vivendo, a reação de Neemias foi chorar. Ele teve uma reação tremendamente humana, pois aquela notícia terrível mexeu com as suas emoções. Então, ao chorar e lamentar-se pela sorte de seu povo, Neemias deu vazão aos seus sentimentos e os expôs diante daquele que poderia trazer a solução: Deus.

Vivenciando

as emoções

Nos momentos de estresse, como esse, faz parte do processo de solução identificar e extravasar nossos sentimentos em relação ao que nos aflige. Não adianta ficar tentando negar o problema ou dar uma de "supercrente". É necessário chorar, desabafar, orar e clamar Aquele que tem todo o poder para mudar a nossa sorte.

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Existem pessoas em nosso meio que, diante dos problemas, querem manter a pose de "supercrentes". Algumas tentam manter a aparência de "espirituais" falando em línguas estranhas, dando rodopios, anunciando "visagens" e "profetadas", para parecer que elas não enfrentam lutas e dificuldades como as outras. Acham, talvez, que não precisam vivenciar suas emoções nem carecem de restauração em área alguma de sua vida. Mas isso é um erro que pode levá-las a sérios transtornos psicoemocionais e a doenças psicossomáticas. As pessoas que sempre negam e reprimem suas emoções acabam aprisionando esses sentimentos ruins dentro de si e envenenando-se.

Normalmente os homens são os mais reprimidos, especialmente aqueles ensinados pelos pais a "engolirem o choro", porque "homem que é homem não chora". Esses pais não sabem o mal que estão fazendo aos filhos ao "programá-los" para passar por cima do que sentem. Lá na frente, essas emoções "enlatadas" virão à tona em forma de sintomas neuróticos e desordens afetivas, e eles vão ter de vivenciar o que sentem, mas de forma negativa.

Não é saudável negarmos nossas emoções e fingirmos que não temos problemas. É importante reconhecer e vivenciar o que sentimos. Até para resolver os problemas, precisamos primeiro identificá-los e reconhecer a nossa dependência de

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Deus. Mas, quando falo de vivenciar as emoções não estou dizendo para ninguém viver acorrentado ao passado, preso a coisas ruins que aconteceram há muito tempo.

Tem gente que, ao sofrer algum infortúnio ou perda, fica prostrada, chorando sem parar por algo que já passou. Ela não consegue levantar-se e dar a volta por cima.

Imagine uma mulher de 29 anos que se veste de preto todo dia e vive enlutada, chorando e lamentando-se, porque o marido dela morreu nove anos atrás. Esse comportamento seria normal se ele tivesse morrido há um ano. Mas há nove... Tem alguma coisa errada! Parece que quem morreu foi ela, e não o marido.

Com certeza, quando alguém morre, devemos chorar sim, mas não para sempre. E fundamental a pessoa que sofre uma perda vivenciar o luto, para ficar saudável emocionalmente e processar a dor, mas ela deve ir aos poucos retomando seus afazeres e reorganizando sua vida. Se não o fizer, perderá a saúde, o tempo e as oportunidades de ser feliz novamente.

Vivenciar uma emoção indefinidamente deixa-nos "travados", obcecados, e faz com que a deixa-nossa vida não progrida. É inútil chorar por coisas que já aconteceram e que não podem ser corrigidas. Então,

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se você caiu ou sofreu um revés, precisa levantar-se e seguir em frente, porque, como Deus disse a Elias, mui comprido te será o caminho (1 Reis 19.7b).

Tomando uma atitude para resolver o problema

Se prestarmos atenção ao texto bíblico, veremos que Neemias chorou e lamentou-se por alguns dias (1.4). Sabe o que ele fez a seguir? Esteve jeju- ando e orando perante o Deus dos céus. Neemias orou e se recompôs. Então voltou a servir ao rei. Foi então que o Senhor fez com que Artaxerxes percebesse que seu copeiro estava triste, indagasse por que e se inclinasse a atender à petição de seu servo.

Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu tomei o vinho e o dei ao rei; porém nunca, antes, estivera triste diante dele. E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira e disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? E o rei me disse: Que me pedes agora?Então orei ao Deus dos céus...

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Sabe o que Neemias fez novamente, diante dessa oportunidade de falar ao rei? Ele não pediu nada para si. De modo humilde e respeitoso, Neemias lembrou ao rei o quanto Jerusalém estava assolada e, ante a proposta do rei — Que me pedes agora? —, Neemias primeiro resolveu orara Deus, para ver o que e como pediria ao monarca.

Neemias, cujo nome significa o Senhor consolou, era um judeu, filho de Hacalis, exilado na Babilônia que serviu como copeiro do grande Artaxerxes Longimanus, que reinou na Pérsia de 464 a.C a 423 a. C.

Ser um copeiro naquela época era algo muito do que um mordomo ou uma governanta hoje. Quem

desempenhava essa função tinha privilégios devido à sua responsabilidade de servir diretamente vinho e alimentos ao monarca, fitando incumbido de, antes, provar tudo o que seria servido ao rei, para evitar a morte deste por envenenamento. E a proximidade do rei muitas vezes propiciava ao copeiro ouvir confidências daquele e influenciar suas decisões tanto para o bem como para o mal.

Mas Neemias não se fiou em sua proximidade do rei nem em méritos pessoais para falar àquele;

confiou inteiramente em Deus para achar graça í aos olhos do monarca e cooperar para o bem-estar

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daqueles que estavam passando maus bocados em Jerusalém.

Embora já soubesse o estado em que a cidade de seus antepassados estava — em ruínas desde a invasão babilônica em 586 a.C. (2 Reis 25.1-21)—, Neemias sofria por saber que os judeus que regres-saram a Jerusalém ainda não haviam concluído a obra de restauração do templo e da cidade devido à oposição que sofriam por parte dos gentios que se instalaram ali e subjugavam o povo (Esdras 1—6), levando-o a viver na miséria.

Neemias sabia que tudo isso acontecera porque eles pecaram afastando-se de Deus e infringindo de modo contumaz Sua Lei. Assim, o Senhor os julgara. No entanto, Ele prometeu que perdoaria Israel e traria restauração após o pecado ter sido expiado (leia Jeremias 29—31). E Neemias, fiado nas promessas do Altíssimo, roga pela restauração da cidade e da Lei divina. E o Senhor atende ao clamor de Seu servo, e permite que este volte a Jerusalém para ajudar os irmãos a reconstruir os muros e restabelecer um governante temente a Ele, que conduziria o povo a obedecer-lhe daí para a frente.

A oração de Neemias foi algo crucial para que a restauração acontecesse. Por isso, no capítulo a seguir, veremos mais detalhadamente esse segundo "ingrediente" da "receita" dele para você usar e ver sua vida restaurada pelo Senhor.

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Capítulo 2

Pedindo orientação a Deus pela oração

O que podemos fazer quando damos de cara com um problema que julgamos insolúvel, Uma dificuldade que abateu as nossas emoções? Com certeza jamais resolveremos esse problema se ficarmoschorando indefinidamente. O primeiro passo para solucioná-lo é orar, pedindo direcionamento a Deus. E foi exatamente isso que Neemias

fez. Ele orou:

Ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e terrível, que guardas o concerto e a benignidade para com aqueles que te amam e guardam os teus mandamentos! Estejam, pois, atentos os teus ouvidos, e os teus olhos, abertos, para ouvires a oração do teu servo, que eu hoje faço perante ti, de dia e de noite, pelos filhos de Israel, teus servos; e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, que pecamos contra ti; também eu e a casa

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de meu pai pecamos. De todo nos corrompemos contra ti e não guardamos os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo. Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Vós transgredireis, e eu vos espalharei entre os povos. £ vós vos convertereis a mim, e guardareis os meus mandamentos, e os fareis; então, ainda que os vossos rejeitados estejam no cabo do céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome. Estes ainda são teus servos e o teu povo que resgataste com a tua grande força e com a tua forte mão. Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à oração dos teus servos que desejam temer o teu nome; e faze prosperar hoje o teu servo e dá-lhe graça perante este homem. Então, era eu copeiro do rei.

Neemias 1.5-11

Essa oração pode ser subdividida em quatro etapas — adoração, confissão de pecados, menção da Palavra de Deus, petições objetivas —, o que a torna um modelo inspiradíssimo a seguirmos. Vejamos, pois, cada etapa da oração de Neemias.

A adoração ao Senhor

A primeira etapa da oração de Neemias foi a adoração. Ele reconheceu a grandeza, a soberania,

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Ü benignidade e a fidelidade do Altíssimo. Neemias não foi à presença de Deus reclamando, murmurando e lamentando-se. Ele o adorou dizendo: Ah! SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e terrível, que guardas o concerto e a benignidade para com àqueles que te amam e guardam os teus mandamentos! (Neemias 1.5).

A adoração é algo importantíssimo na oração. É uma declaração de que nós conhecemos os atributos de Deus, bem como nossa dependência dele.

No Pai-Nosso, a oração modelo que Jesus ensinou a Seus discípulos, vemos que, antes de pedir qualquer coisa, devemos adorar o Senhor: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu (Mateus 6.9b, 10).

A confissão a Deus de nossos pecados

Nos versículos 6 e 7, Neemias faz uma declaração importantíssima. Ele confessa os pecados de sua nação:

Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Vós transgredireis, e eu vos espalharei entre os povos. E vós vos convertereis a mim, e guardareis os meus mandamentos, e os fareis; então,

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ainda que os vossos rejeitados estejam no cabo do céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome.

Neemias 1.6,7

Deus quer ouvir a nossa confissão. Não podemos permanecer na superficialidade, orando ao Senhor de uma maneira evasiva, falando coisas do tipo: "Pai, tu sabes o que eu tenho feito; então me perdoa". Precisamos abrir nosso coração, falar a verdade, contar o que fizemos de errado ou em que nos omitimos, confessar nossas culpas e nossos medos. Isso demonstra que temos consciência das nossas faltas, misérias e carências de perdão, purificação e restauração.

Confessar nossos pecados é fundamental para experimentarmos a misericórdia e a graça divina em forma de perdão, libertação e cura.

A Palavra de Deus como fundamento das nossas orações e petições

Em sua oração, Neemias citou uma promessa de Deus a Moisés e enalteceu a fidelidade divina.

Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo, dizendo: Vós transgredir eis, e eu vos

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f espalharei entre os povos. E vós vos convertereis a mim, e guardareis os meus mandamentos, e os fareis; então, ainda que os vossos rejeitados estejam no cabo do céu, de lá os ajuntarei e os trarei ao lugar que tenho escolhido para ali fazer habitar o meu nome. Estes ainda são teus servos e o teu povo que resgataste com a tua grande força e com a tua forte mão.

Neemias 1.8-10

Qual foi a terceira etapa da oração de Neemias? Ele orou usando a própria Palavra de Deus Como fundamento para o que pediu. Ele disse: Lembra-te, pois, da palavra que ordenaste... A razão de Neemias orar citando a Palavra do Senhor foi ele saber que o Altíssimo vela em fazer cumprida (Jeremias 1.12).

Orar usando a Palavra de Deus e citando Suas promessas é um meio poderoso de entrar em contato com Ele e demonstrar que o conhecemos e que nossa fé está apoiada não naquilo que imaginamos que Ele possa fazer, mas no que Ele prometeu fazer e que sabemos ser poderoso para cumprir. Esse é um modo de tocar o coração de Deus e ter a nossa petição atendida por Ele.

Em Hebreus 4.12, o autor nos diz que a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra

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até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.

Para as nossas orações se tornarem mais efi-cazes, elevemos orar de acordo com as promessas divinas nas Escrituras. Assim, entramos em concordância com Deus, de modo a revestir-nos com o poder de Sua Palavra, que dissipa nossas dúvidas e nos faz discernir os pensamentos e intenções do coração. Ela verdadeiramente é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho (Salmo 119.105).

Orar em conformidade com a Palavra que

o Senhor ordenou nos ajuda a potencializar nossa oração, além de ser uma oportunidade para aprendermos o que Deus realmente diz sobre certas coisas e situações e termos os nossos fardos aliviados por Ele.

Eu, particularmente, gosto de orar com a Bíblia aberta. Gosto de recitar as promessas de Deus quando estou pedindo-lhe o que preciso ou invocando Sua intervenção em algo que eu estou empreendendo. Por exemplo, se tenho me compadecido dos pobres, creio que a Sua promessa em Provérbios 19.17 — Ao SENHOR empresta o que se compadece do pobre, e ele lhe pagará o seu benefício — irá cumprir-se em minha vida. Se semeio

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muito, sei que muito também colherei, porque está escrito isso em Sua Palavra (2 Coríntios 9.6), e Ele vela em cumpri-la.

Devemos sempre orar com base no que foi dito por Deus, porque Ele sempre honra a Sua Palavra. Isso nos dá tranqüilidade para lidar com as coisas que nos afligem e nos leva a níveis mais elevados de fé, e então vencemos porque o Senhor se agrada disso. Ele quer que confiemos plenamente nele e em Sua Palavra, de modo a viver de acordo com ela e agir como se aquilo já fosse realidade em nossa vida.

Petições objetivas

Além de adorar ao Senhor, confessar-lhe nossos pecados, orar com base no que Ele promete em Sua Palavra, outra coisa que devemos observar em nossas orações é a objetividade. Devemos ser diretos e claros quanto àquilo que desejamos de Deus. Essa foi a tônica da oração de Neemias. Ele não fez rodeios; foi direto ao ponto. Queria obter d graça diante do rei, e foi exatamente isso que ele rogou ao Senhor.

Ah! Senhor, estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração do teu servo e à oração dos teus servos que desejam temer o teu nome; e faze prosperar hoje o teu

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A R E C E I T A D E N E E M I A S P A R A U M A V I D A V I T O R I O S A

servo e dá-lhe graça perante este homem. Então, era eu copeiro do rei.

Neemias 1.11

Neemias provavelmente já pensava em pedir a autorização de Artaxerxes para ir a Jerusalém ajudar seus irmãos. Mas, sabendo que o monarca poderia simplesmente não lhe conceder sua petição e poderia até mandar executá-lo, Neemias rogou a Deus que lhe concedesse graça — favor — diante do rei. Só então Neemias assumiu o risco de pedir algo àquele monarca.

Devemos sempre contar a Deus o que está acontecendo conosco, falar francamente sobre aquilo que nos perturba, indo direto ao ponto e orando com objetividade.

A Palavra de Deus nos orienta:

Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.

Filipenses 4.6,7

Aqui está uma "receita" para obtermos paz, alcançarmos nossos objetivos e a vitória que o

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Senhor tem para nós: orar apresentando todas as nossas petições a Deus com orações, súplicas e ação de graças. Neemias usou essa arma espiritual, e foi

bem-sucedido em seu projeto de reconstruir Jerusalém. Ele fez a sua parte, e Deus fez a dele. Será que você está fazendo a parte que lhe cabe para obter a restauração que está pedindo a Deus? Você tem orado e obedecido a Ele e à Sua Palavra, seguindo todas as orientações que o Senhor lhe dá? Tem usado o seu potencial, os dons e talentos que o Criador lhe concedeu em prol dos objetivos e propósitos que Ele colocou em seu coração? Se tem feito isso, terá êxito!

No capítulo a seguir, vamos falar de mais um elemento necessário a quem deseja ser mais que vencedor: o bom ânimo, o agente motivador do ser.

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Capítulo 3

Usando o nosso potencial para atingir nossos objetivos

S

e você ler com calma toda a história no livro de Neemias, constatará que ele creu em Deus | e buscou Sua direção, mas, em momento algum, esse israelita deixou de usar seu potencial. Pelo contrário, ele fez a sua parte, certíssimo de que o l Senhor também faria a dele.

Neemias teve bom ânimo, respeitou os pro-tocolos, soube identificar as oportunidades e usou bem o poder da comunicação.

Você sabia que o Senhor também quer usar o seu potencial para levá-lo a alcançar o Seu propósito para sua vida? Você pode espelhar-se em Neemias e colocar em prática esses elementos que ele usou para obter sua vitória.

Cultivando o bom ânimo

Nosso estado de espírito determina nossa capacidade de lutar e vencer, daí Deus ter exortado

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Josué (1.6): Esforça-te e tem bom ânimo, porque tu farás a este povo herdar a terra que jurei a seus pais lhes daria.

No caso de Neemias, vemos que primeiro ele ficou abatido com as más notícias sobre a situação de seus irmãos de Jerusalém; assim, chorou e lamentou-se. Mas, o bom ânimo lhe assegurou forças para orar a Deus e voltar às suas atividades como copeiro, certo de que Ele lhe responderia de modo favorável. E o Senhor honrou a atitude de Seu servo, permitindo que o rei percebesse o abatimento de Neemias e inquirisse o que este precisava.

E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira e disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao Deus dos céus e disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, á cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique.

Neemias 2.1-5

Artaxerxes percebeu algo diferente em Neemias assim que o viu. Não é preciso ser psicólogo, psicanalista ou psiquiatra, para perceber quando

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uma pessoa está abatida ou infeliz. O rei notou que alguma coisa estava acontecendo com Neemias porque seu servo não era uma pessoa que agia assim no dia a dia. Neemias normalmente servia ao rei com alegria, prazer e felicidade.

Se todo dia um empregado chega ao escritório emburrado ou mal-humorado, e alguém diz ao chefe que ele está com algum problema, este responderá que não é nada, que ele é assim mesmo, que

o sujeito sempre está com a mesma cara amarrada. Mas se é um empregado animado e produtivo que um dia chega calado, o chefe logo percebe que algo muito ruim aconteceu para abatê-lo.

Devemos trabalhar com alegria e felicidade, de modo que até os nossos colegas de trabalho notem que temos bom ânimo e que isso se reflete no alto padrão de qualidade no nosso trabalho e no nosso comportamento profissional e pessoal. Assim, quando o dia mau vier e o desemprego bater à porta, teremos mais condições do que os outros de permanecer na empresa, porque seremos vistos como pessoas produtivas e indispensáveis.

Além disso, o Senhor pode usar uma situação aflitiva para comover o coração de quem exerce au-toridade sobre nós, para nos abençoar. Foi isso que aconteceu com Neemias. Quando o rei percebeu que o copeiro estava triste, mostrou-se solícito

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S I L A S M A L A F A I A

para ajudá-lo; então a porta para a restauração de Jerusalém começou a ser aberta por Deus.

Sabe o que Neemias fez? Ele entrou por essa porta, mas não fez isso de qualquer jeito; ele o fez do modo certo, respeitando a autoridade do rei e todos os protocolos.

Respeitando o protocolo

Neemias podia estar passando por um grande problema, mas, quando se dirigiu ao rei, desejou ao soberano vida longa e próspera, como mandava o protocolo: Viva o rei para sempre! (Neemias 2.3a).

Existem protocolos que devem ser seguidos. Se estivermos com raiva de algo na nossa vida, do nosso fracasso, da nossa incompetência, seja porque jogamos fora uma oportunidade de restauração espiritual ou simplesmente porque está acontecendo algo de ruim com a nossa família, isso não nos dá o direito de violar princípios e protocolos.

Muitos cristãos misturam as coisas, e acabam fracassando. Mas o exemplo de Neemias pode orientá-los a não errarem mais. Afinal, a despeito do pesar de Neemias pela desgraça de seu povo, ele desejou em primeiro lugar vida longa ao rei, reconhecendo a autoridade deste, e olha que Neemias não estava ali servindo no palácio porque assim o desejou; ele era um cativo exilado. Em outras palavras, era um escravo. Mas servia de

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bom grado. E isso foi valorizado e recompensado pelo rei.

Neemias agiu em conformidade com a Palavra de Deus, que nos exorta: Honrai a todos. Amai a fraternidade. Temei a Deus. Honrai o rei. Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor ao senhor, não somente ao bom e humano, mas também ao mau.

Outra coisa muito interessante é que Neemias só disse ao rei o que estava se passando depois de o monarca lhe perguntar por que estava tão triste. Deveremos sempre evitar a intromissão quando estivermos em um meio do qual não fazemos parte, especialmente se ocuparmos uma posição subalterna. Quando não nos perguntarem algo, será melhor ficarmos calados. E não devemos jamais nos intro-meter na conversa de pessoas mais instruídas do que nós, especialmente quando não temos nada a dizer.

Depois de seguir o protocolo dirigindo-se ao rei da forma devida e só falando quando foi interpelado, Neemias finalmente contou seu problema: Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? (Neemias 2.3.)

Usando bem as palavras

O que essa resposta de Neemias nos ensina? Outra lição muito simples, mas profundamente significativa: aquele que realmente precisa de algo

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vem por baixo, ou seja, comporta-se de maneira humilde, mantendo-se na posição adequada diante de seu superior, e respeitando os direitos de todos os envolvidos na situação.

Neemias soube usar o poder da comunicação. Ele falou com sabedoria ao rei, de modo que este se compadeceu de Jerusalém, a cidade dos sepulcros dos pais de Neemais, que fora consumida pelo fogo.

Imagine se Neemias respondesse ao rei com ar de arrogância e superioridade: "O rei, como seu servo não estaria triste? A formosa, magnífica e fenomenal Jerusalém, cidade fundada pelo poderosíssimo rei Davi, está fendida, encontra-se destruída...". Diante de tanta empáfia, o rei replicaria da seguinte maneira: "E assim continuará, se depender de mim..."

Mas Neemias não recaiu no pecado da soberba. Usar palavras fortes que descreveram o quadro de desolação em que se encontrava sua cidade natal foi uma atitude muito inteligente da parte de Neemias, o que comoveu o coração de Artaxerxes e convenceu-o de que a intenção de seu servo era realmente ajudar seus compatriotas e voltar a servi-lo.

O rei com certeza conseguiu visualizar, na descrição feita por Neemias, a imagem de pessoas mortas, de cemitérios profanados, descrevendo em detalhes a destruição de que Neemias lhe falou. E o soberano com certeza ficou sensibilizado. O copeiro se comportou assim porque, como dissemos há pouco, "quem precisa vem por baixo".

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A R E C E I T A D E N E E M I A S P A R A U M A V I D A V I T O R I O S A

Agindo com cautela para aproveitar as oportunidades

Quando precisamos de alguma coisa, devemos agir com cautela e sem arrogância. Ao pedir algo a alguém, não devemos mostrar-nos orgulhosos e andar com o nariz empinado. A prudência é uma virtude. E isso vale para todas as relações de poder — inclusive na relação patrão-empregado. Para conseguir o que almejamos, é preciso saber como nos aproximar ou mesmo ter acesso a um ambiente em que sabemos que o nosso superior esteja.

Não devemos forçar a barra para pedir algo a um superior, falando-lhe de modo impertinente e constrangendo-o a atender-nos. Senão, desperdiça-remos nossa oportunidade logo de cara. Neemias não agiu assim. Ele foi cauteloso quando o rei lhe perguntou o que queria. Diz o texto bíblico que Neemias orou ao Senhor novamente (2.4), queria ser guiado por Deus para continuar falando com sabedoria, para obter o favor do rei.

Não é porque uma porta se abriu que devemos abrir mão dos protocolos e do respeito à autoridade, abusando da boa vontade dela. Na verdade, quando nos dão uma oportunidade para falar e agir, estamos sendo testados. Então, precisamos saber como aproveitar essa chance de acordo com as nossas possibilidades. Não podemos sair "metendo o pé", porque a mesma porta que se abriu

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para nós pode fechar-se em seguida diante de nós e nunca mais termos outra oportunidade. Então, não devemos, de maneira nenhuma, desperdiçar as portas que Deus abre para nós.

No caso de Neemias, ele soube como aproveitar a oferta do rei. Ele havia chegado a um impasse: ou avançava ou retrocedia a partir dali. Então, orou ao Deus dos céus (Neemias 2.4).

Podemos tomar decisões triviais com base na nossa própria inteligência. Contudo, se nos apoiarmos apenas naquilo que sabemos ou achamos ao tomar decisões cruciais da nossa vida, estaremos fadados ao fracasso (leia Provérbios 3.5-7; Jeremias 1 7.5).

Diante de oportunidades de ouro, precisamos pedir orientação a Deus: "Senhor, de que maneira devo entrar por essa porta que se abriu para mim? Meu Deus, oriente-me, dirija-me, revele-me o caminho, para que eu não jogue fora essa oportunidade de maneira nenhuma!"

O problema é que muitos oram para que a porta se abra, e quando isso acontece eles se lançam lá dentro, e passam vergonha, porque não se prepararam para receber a bênção completa.

Não é assim que devemos comportar-nos. O momento é de orar, pedindo a Deus instruções sobre como aproveitar a oportunidade quando ela nos é oferecida, e assim poder atravessar aquela porta aberta.

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A R E C E I T A D E N E E M I A S P A R A E M A V I D A V I TOR I OS A

Neemias seguiu todos os protocolos e não se precipitou ao fazer sua petição ao rei; antes, submeteu-se à vontade deste: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique (Neemias 2.5).

Ele entendia perfeitamente que quem tem o poder de autoridade não gosta de ser desafiado, muito menos de sentir-se obrigado a fazer algo.

Desafiar alguém que tem o "poder da caneta" é uma péssima ideia. Neemias sabia disso e, então, usou o seu potencial humano para falar do modo correto diante de alguém poderoso e obteve o i favor que pleiteava: licença para ir até Jerusalém, reconstruir a cidade e ajudar o povo local.

Ninguém com autoridade admite que uma faca seja colocada em seu pescoço. Essa pessoa imediatamente manifestará a autoridade contra quem quer que a tenha ameaçado. E o tom da conversa conta muito nesses momentos. Se for um tom de ameaça, porta nenhuma se abrirá diante de nós. Í Quando somos arrogantes, as portas se fecham.

Uma coisa é fazer uma pergunta com arrogância, cobrando de seu superior uma solução para um problema seu; outra coisa é pedir o mesmo de maneira cordial, demonstrando um comportamento pacífico. Isso muda tudo em qualquer conversa.

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Capítulo 4

Ações práticas para a concretização de nossos projetos

A

lém de ter bom ânimo, respeitar os protoco- los, identificar as oportunidades e usar bem o poder da comunicação, Neemias agiu com in- tegridade e respeito às autoridades e traçou uma estratégia de trabalho, compartilhou sua visão e

seus esforços com as pessoas certas, que o ajudaram a alcançar seu objetivo de reedificar Jerusalém.

Deus abençoou as iniciativas de Seu servo, e todos os moradores daquela cidade foram beneficiados e alegraram-se, tributando a Ele a honra e a glória devidas pela restauração da vida deles.

Inspirar

confiança

e ter

integridade

Como podemos discernir que Neemias era um homem íntegro? Pelo fato de o rei — que naquela épo-ca tinha o poder absoluto em seus domínios, inclusive poder de vida e de morte sobre seus súditos —, após

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ter perguntado a Neemias Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? (Neemias 2.6 a), ter liberado este para ir a Jerusalém, certo de que ele retornaria no tempo estabelecido.

O rei o considerava seu servo indispensável, por isso perguntou com tanta veemência quando ele estimava sua volta. Quando Neemias estipulou uma data, o rei o dispensou: E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo (Neemias 2.6b).

Sabe por que Artaxerxes permitiu que Neemias se ausentasse? Porque este era um homem íntegro, que sempre falava a verdade. Não dava golpes nos seus superiores nem tentava passá-los para trás. Ele não tinha inventado uma desculpa para tirar umas "férias" extras. Quem age sempre assim não tem credibilidade. Inventa tanta desculpa que ninguém mais acredita nele.

Como cristãos, é nossa obrigação sermos ín-tegros e demonstrarmos integridade e retidão em tudo o que fizermos. De outro modo, como ter credibilidade? Impossível!

Neemias era um homem íntegro e da confiança do rei, por isso tinha crédito com o monarca, e teve seu pedido atendido por ele não apenas quanto à dispensa por um tempo do trabalho na corte, mas também quanto a tudo de que precisava para sua viagem e seu projeto de reedificar os muros de Jerusalém.

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S I L A S M A L A F A Í A

Planejar uma ação estratégica

Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, dêem-se-me cartas para os governadores dalém do rio, para que me dêem passagem até que chegue a Judá; como também uma carta para Asafe, guarda do jardim do rei, para que me dê madeira para cobrir as portas do paço da casa, e para o muro da cidade, e para a casa em que eu houver de entrar. E o rei mas deu, segundo a boa mão de Deus sobre mim. Então, vim aos governadores dalém do rio e dei-lhes as cartas do rei; e o rei tinha enviado comigo chefes do exército e cavaleiros.

Neemias 2.7-9

Nesse texto, vemos outra lição tremenda que Neemias nos ensina sobre a importância de pensar antes de falar e ir obtendo gradualmente aquilo que precisamos. Ele foi sábio e estratégico. Primeiro, pediu para ir a Jerusalém. Tendo o rei se mostrado favorável, Neemias pediu outras coisas fundamentais para a conclusão de seu projeto: cartas de salvo-conduto para ele poder transitar livremente pelas terras do império, "guarda-costas" para assegurar sua integridade física, e madeiras para ele poder reconstruir os muros fendidos.

Devemos planejar a conquista do que queremos por etapas. Em primeiro lugar, devemos definir aquilo de que necessitamos. Em segundo

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lugar, precisamos estabelecer os recursos e metas para chegarmos ao nosso objetivo.

Para conquistarmos nossos objetivos, precisamos ter calma, porque todo processo deve ser realizado por etapas segundo um planejamento. A restauração também é um processo, que pode ser mais lento ou mais rápido de acordo com o indivíduo e com o grau de destruição na vida dele. Sendo assim, deve ser empreendida passo a passo, galgada degrau por degrau. Se resolvermos subir muito rápido, queimando etapas importantes, poderemos levar um tombo, cair e voltar à estaca zero.

Não devemos ir com muita sede ao pote. Devemos fazer um planejamento estratégico e ir conquistando cada meta até chegar à conclusão de nosso sonho. Tudo tem seu tempo, sua hora. Prossigamos etapa por etapa até chegar ao lugar da vitória!

Neemias sabia que seria necessário organizar um roteiro da viagem e estabelecer um plano de restauração de Jerusalém, porque ninguém atinge a sua meta sem planejamento. Basicamente, o que ele fez foi definir seu objetivo e, em seguida, identificar os primeiros passos para torná-lo realidade. E ele continuou sendo estratégico e flexível para fazer os ajustes necessários ao seu projeto. Afirmamos isso porque, ao chegar a Jerusalém, Neemias descansou

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da viagem, para recobrar as forças, e, sem dizer uma palavra a ninguém, percorreu a cidade para ver por si mesmo a extensão do problema e, certamente, traçar um plano de trabalho.

E cheguei a Jerusalém e estive ali três dias. E, de noite, me levantei, eu e poucos homens comigo, e não declarei a ninguém o que o meu Deus me pôs no coração para fazer em Jerusalém; e não havia comigo animal algum, senão aquele em que estava montado. E, de noite, saí pela Porta do Vale, para a banda da Fonte do Dragão e para a Porta do Monturo e contemplei os muros de Jerusalém, que estavam fendidos, e as suas portas, que tinham sido consumidas pelo fogo. E passei à Porta da Fonte e ao viveiro do rei; e não havia lugar por onde pudesse passar a cavalgadura que estava debaixo de mim. Então, de noite, subi pelo ribeiro e contemplei o muro; e voltei, e entrei pela Porta do Vale, e assim voltei. E não souberam os magistrados aonde eu fui nem o que eu fazia; porque ainda até então nem aos judeus, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra tinha declarado coisa alguma.

Neemias 2.11 -1 6

Descansar e partir para a ação

Leiamos novamente o versículo 11 de Neemias 2: E cheguei a Jerusalém e estive ali três dias (Neemias 2.11). Depois de andar mais de dois

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mil quilômetros, com a pesada carga na comitiva, Neemias finalmente chegou a Jerusalém. E o que ele fez? Descansou durante três dias. Descansar é uma precondição para a saúde e a eficiência.

Deus é o maior exemplo de criatividade, poder e eficiência que conhecemos. E o próprio Deus também descansou após uma obra colossal. Ele não descansou porque estava fatigado. Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não há esquadrinhação do seu entendimento (Isaías 40.28). O Criador descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito (Gênesis 2.2) como um artista faz: de modo contemplativo, Ele avaliou o que criara e deu-se por satisfeito.

Neemias também descansou, porque precisava de paz de espírito e recobrar as forças para o empreendimento que estava por ser realizado em Jerusalém. Da mesma maneira, nós também pre-cisamos descansar. Se vivermos trabalhando sem parar, como máquinas, sem tempo para nada que não seja o trabalho, poderemos ser forçados a descansar num hospital ou numa clínica psiquiátrica. E, se tivermos família, talvez tenhamos de mandar nosso cônjuge e/ou nossos filhos ao psicólogo para que eles possam receber um pouco de atenção, equilibrar suas emoções e compensar a falta que sentem da gente.

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Sabia que existem obreiros que trabalham em excesso como alucinados, esquecendo-se da mulher e dos filhos, porque acham que têm de trabalhar o tempo inteiro, senão Deus ou o pastor presidente vão ficar zangados? Eles se esquecem do que Jesus disse em Marcos 2.27: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem, por causa do sábado. Deus instituiu um dia de descanso semanal porque sabe que precisamos dar uma paradinha para recobrar as forças e reprogramar nossa mente para o que está diante de nós. Além do descanso semanal, anualmente devemos tirar férias, pelo menos de 15 dias. Isso é fundamental para nossa saúde física, emocional, psicológica e espiritual!

Neemias tinha conhecimento da Lei do Senhor e agia com base nela. Assim descansou de sua viagem, o que foi imprescindível para ele reunir forças e partir para ação. Então ele andou pela cidade, e viu o que precisava ser feito.

Tomar pé da situação

O que Neemias fez foi inicialmente tomar pé de toda a situação, uma vez que o seu objetivo era reconstruir o muro e a cidade. Então, ele inspecionou o terreno a cavalo e, quando chegou a um riacho, seguiu caminhando. O objetivo dele era analisar tudo o que tinha a ver com o seu propósito.

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Como é possível conquistar a vitória sem pes-quisar, aprender, buscar informações, observar e estudar? A conquista da vitória depende de tudo isso. Para termos sucesso e conquistarmos a vitória, precisamos conhecer a realidade, as dificuldades e todos os detalhes envolvidos no propósito de Deus para a nossa vida, de modo a estarmos aptos a elaborar uma estratégia eficaz.

Por exemplo, para construirmos uma casa, é preciso que nos informemos sobre tudo o que está envolvido na construção dela, antes de chamarmos alguém para edificá-la. Quanto gastaremos? De que licenças precisaremos? Devemos fazer um apanhado, em detalhes, dos materiais e profissionais que serão necessários para tornar o nosso projeto uma realidade.

Foi exatamente assim que Neemias agiu. Ele observou tudo, mapeou os locais em que havia os piores problemas e os defeitos mais graves, colocou tudo em uma escala de prioridades dentro de uma análise geral que contemplava seus propósitos.

Manter sigilo sobre o

propósito

E não souberam os magistrados aonde eu fui nem o que eu fazia; porque ainda até então nem aos judeus, nem aos nobres, nem aos magistrados, nem aos mais que faziam a obra tinha declarado coisa alguma.

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E tudo isso deve ser feito sempre em sigilo, porque ele é muito mais importante do que imaginamos. Neemias sabia que, se falasse do que iria ser feito, logo surgiriam resistência e problemas.

Existe um tempo certo para anunciarmos o nosso propósito. Quando o fazemos na hora errada, corremos o risco de estragar tudo. Assim, Neemias não disse nada a ninguém, porque não havia ainda chegado a hora. Mas ele mesmo sabia que o momento certo estava próximo.

Só depois de constatar o grau de destruição de Jerusalém e a miséria em que vivia seu povo (Neemias 1.2-4), Neemias discerniu o que fazer para reverter aquela situação. Ele reuniu os líderes israelitas, compartilhou sua visão e seu desejo com eles.

Então, lhes disse [aos magistrados]: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada e que as suas portas têm sido queimadas; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém e não estejamos mais em opróbrio. Então, lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito. Então, disseram: Levantemo-nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.

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A R E C E I T A D E N E E M I A S P A R A Ü M A V I D A V I T O R I O S A

Compartilhar a visão e somar esforços para

levar s

cabo o projeto

Há sempre a hora certa para compartilharmos nossos sonhos e ideias. Por quê? Porque, sozinhos, não vamos a lugar algum. E quando Neemias ma-nifestou sua visão e seu propósito, ele conseguiu envolver outras pessoas no seu projeto, e elas passaram a sentir-se parte daquilo e trabalharam em prol dos mesmos objetivos: a reconstrução dos muros da cidade em que viviam e que desejavam ver novamente restaurada.

Quando definimos metas e objetivos e com-partilhamos propósitos comuns com as pessoas certas, elas se sentem prestigiadas e envolvem-se nesses empreendimentos; então, começam a trabalhar em sinergia de modo que cada uma faz a parte que pode e lhe cabe, dispondo de seu tempo e de seus recursos para levar a cabo o projeto.

No momento em que Neemias conclamou as pessoas a levantarem-se para reedificar a cidade de Jerusalém, ele as reuniu em torno de um mesmo propósito, então aquilo que Deus havia prometido a Seu povo aconteceu.

Enfrentar críticas e oposição do modo certo Se você pensa que, depois disso, tudo transcorreu na mais perfeita paz, e ninguém se opôs à obra,

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S I L A S M A L A F A I A

está errado! Atente para o que é dito em Neemias 2.19: O que ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, e Gesém, o arábio, zombaram de nós, e desprezaram-nos, e disseram: Que é isso que fazeis? Quereis rebelar-vos contra o rei?

Como podemos notar nesse texto, sempre encontraremos empecilhos e inimigos no caminho até a vitória. Sendo assim, precisamos estar preparados para ter uma ação eficaz e ter nosso projeto concluído.

Mas, como diz Mike Murdock, "nossos amigos nos fazem bem; nossos inimigos nos promovem". Nossos inimigos costumam ser usados por Deus para nos corrigir e aperfeiçoar, além de dar um sabor especial à nossa vitória.

A crítica e a oposição podem até ser uma evi-dência de que estamos no caminho certo rumo à conquista que almejamos. Falo isso porque há pessoas que não fazem nada para nos ajudar. Elas nos veem caídos, e nada fazem para nos reerguer. Mas basta darmos sinais de melhora e nos levantarmos para que "caiam de pau" em cima da gente. Então demonstram que, no fundo, não eram apenas indiferentes ao nosso problema; torciam contra nós, vibravam com a nossa derrota e destruição e, agora, estão incomodadas com a nossa restauração.

Sambalate, Tobias e Gesém eram assim. Isso já havia sido denunciado em Neemias 2.10: O que

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ouvindo Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, lhes desagradou com grande desagrado que alguém viesse a procurar o bem dos filhos de Israel. Eles tinham se aproveitado da calamidade em Jerusalém para subjugar os judeus. Quando Neemias chega tentando reverter a situação, aqueles homens passam a caluniá-lo e a fazer uma oposição acirrada contra ele. Então Neemias dá uma resposta tremenda, que os expõe como inimigos diante de todos e já lhes anuncia a derrota: O Deus dos céus é o que nos fará prosperar; e nós, seus servos, nos levantaremos e edificaremos; mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém.

Com isso, aprendemos que não devemos permitir que quem zomba de nós participe do nosso propósito. Precisamos evitar aqueles que não acreditam em nós e nos sonhos de Deus para a nossa vida, que debocham da gente e que trabalham contra nós.

Faça como Neemias. Diga o seguinte àqueles que se levantaram contra o seu povo e que batalharem contra o seu propósito: "Sinto muito, mas vocês não têm parte nisso!" Deixe os adversários de fora! Não queira ser mais justo que Deus.

Por que andar lado a lado com aquele que se omite nos momentos ruins, mas que, na hora da bênção, aproxima-se de você para tirar proveito ou desviá-lo do foco? Diga-lhe: "Estou fazendo

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uma grande obra. Não posso parar para conversar com você!"

Lembre-se de que existem vários fatores in-teragindo para sua vitória, mas também haverá inimigos e obstáculos suscitados pelo diabo para tentar impedi-la. Então, você não deve deixar que nada tire o seu foco ou o desvie daquilo que Deus lhe designou. Prossiga até o fim naquilo que estiver fazendo, certo de que Ele é com você! Foi isso que Neemias fez, e ele foi muito bem-sucedido ao agir assim!

A seguir, veremos outras atitudes desse líder judeu que asseguraram a restauração duradoura de Jerusalém.

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Capítulo 5

A graça de Deus e o nosso potencial interagem para o milagre

Ao longo deste livro, vimos que Neemias soube lidar com sua responsabilidade, mostrou iniciativa e foi proativo. Ele estabeleceu um objetivo

— restaurar os muros de Jerusalém; teve sabedoria para pedir permissão e recursos ao rei; agiu de modo estratégico, apurando os fatos e cercando- -se das pessoas certas para implementar e concluir seu projeto e, como ele mesmo disse, prosperou porque a boa mão de Deus estava sobre ele. Seu propósito estava completamente de acordo com a vontade do Senhor de restaurar Seu povo.

É importante observarmos os princípios que Neemias considerou, para traçar um plano de ação e atingir as nossas metas usando os critérios utilizados por ele. Mas tão importante quanto reconhecer os ingredientes da "receita" que esse líder usou é entender que essa conquista não foi fruto somente da determinação e do planejamento dele.

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A restauração de Jerusalém implicou a restauração da Lei, da ordem e da identidade dos judeus como povo santo e escolhido pelo Senhor como luz para as nações — identidade que havia ficado comprometida quando os israelitas pecaram de modo sistemático e contumaz, afastando-se de Deus e de Seus propósitos, o que culminou na invasão e no exílio babilônicos.

É importante entendermos o papel de dois po-derosos elementos que o Altíssimo usou para trazer vitória a Israel: o potencial humano e a Sua graça. O Senhor usou os dons e habilidades de Neemias e dos moradores de Jerusalém para levar a cabo aquela obra de edificação, e Ele próprio agiu no sentido de quebrantar o coração do rei Artaxerxes para prover os recursos necessários à reedificação da cidade e de unir o povo judeu em torno desse objetivo.

Vemos uma alusão a esses dois elementos, o humano e o divino, nesta declaração de Neemias (2.20): O Deus dos céus é quem nos dará bom êxito; nós, seus servos, nos disporemos e reedificaremos.

Quem assegurou o bom êxito ao projeto? O Deus dos céus. Quem trabalhou em prol da conclusão dele? Seus servos.

Cooperando com Deus e abençoando outros

Somos cooperadores de Deus (1 Coríntios 3.9); devemos, portanto, agir em sintonia e sinergia

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com Ele, a fim de vermos Sua mão poderosa se manifestando para nos favorecer.

O Senhor nos ajudará sempre que fizermos a nossa parte. Não podemos pedir a ajuda dele e não fazer nada! Deus não moverá uma palha se formos acomodados, até porque Ele acredita no potencial que colocou em nós a fim de ser usado.

Se formos fiéis ao Senhor e à Sua Palavra, se nos esforçarmos e trabalharmos, usando as estratégias certas, Ele sempre nos fará prosperar, como promete em Deuteronômio 29.9: Guardai, pois, as palavras deste concerto e cumpri-as para que prospereis em tudo quanto fizerdes.

Deus nos ama e tem interesse em ver nossa vida espiritual, emocional e material restaurada. Ele deseja o nosso bem mais do que qualquer outro e quer orientar-nos, a fim de que sejamos pessoas saudáveis, realizadas e felizes. Cabe a mim e a você aceitarmos essa orientação e segui-la à risca.

Levantemo-nos, pois, e reedifiquemos a nossa vida, restaurando-a em conformidade com os prin-cípios da Palavra de Deus. Assim, Ele concederá a vitória a nós e a nossa família. Abrirá a porta da oportunidade e trará os recursos de que precisamos para cumprir Seus propósitos. Ele envergonhará os nossos adversários e nos conduzirá em triunfo.

À medida que nossos projetos forem sendo concluídos, mais uma vez deveremos fazer como Neemias: tributar a Deus a honra e a glória e ser

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canal de bênção para outros, repartindo aquilo que recebemos do Senhor.

Em meio a lutas, dificuldades e oposição, à re-paração dos muros foi completada, aos vinte e cinco de elul, em cinqüenta e dois dias (Neemias 6.15). No sétimo mês, já tendo a vida voltado ao ritmo normal, Neemias, Esdras e outros líderes israelitas reuniram o povo na praça pública, a Lei foi lida, e os judeus adoraram a Deus e reafirmaram sua aliança com Ele.

Era um dia de celebração e ação de graças. O povo ficou emocionado pela restauração que o Senhor lhe havia concedido, e começou a chorar ao ouvir a Lei, então Esdras e Neemias disseram:

Este dia é consagrado ao SENHOR, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei. Disse-lhes mais: Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai

porções aos que não têm nada preparado para si: porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do SENHOR é a vossa força.

Neemias 8.9b,10

Usufruindo

da bênção de Deus

A primeira lição que podemos tirar desse texto é que devemos aprender a usufruir da nossa vitória — Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras.

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A R E C E I T A D E N E E M I A S P A R A U M A V I D A V I T O R I O S A

Há um tempo para chorar e um tempo para rir. Devemos aprender a vivenciar cada um deles. Se não soubermos como usufruir de algo concedido por Deus, alguém usufruirá disso em nosso lugar, e ficaremos frustrados, pois sentiremos que nosso trabalho foi em vão, quando na verdade fomos nós que nos privamos do fruto desse trabalho.

E sabia que tem gente que trabalha de sol a sol e não usufrui de nada? Depois morre, e vem outro e toma posse de tudo. Não aja assim. Atente para o que o sábio diz em Eclesiastes 3.12,13: Já tenho conhecido que não há coisa melhor para eles do que se alegrarem e fazerem bem na sua vida; e também que todo homem coma e beba e goze do bem de todo o seu trabalho. Isso é um dom de Deus.

Não seja mesquinho consigo mesmo. Quando Deus lhe conceder mais recursos, desfrute de coisas melhores que estiverem ao seu alcance. Coma melhor, ande num carro mais confortável, tire um dia para passear com sua família. Alegre-se no Senhor! Isso é um dom dele!

Ajudando os necessitados

A segunda lição nesse texto é que devemos compartilhar o que recebemos de Deus com outras pessoas, especialmente as necessitadas —enviai porções aos que não têm nada preparado para si.

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S I L A S M A L A F A I A

Por maior que seja o nosso problema, tem sempre alguém numa situação pior que a nossa. Por exemplo, você sabia que um bilhão de pessoas ainda não comeu nada hoje? A fome é com certeza um problema terrível e de difícil solução não porque não há alimento suficiente para todos, mas por causa do egoísmo do ser humano, que leva uns a não compartilharem nada do que têm com outros que nada possuem.

Sabe qual é o remédio de Deus para o egoísmo? O altruísmo, sentimento que demonstramos, de fato, ter quando sentimos compaixão pelo sofrimento alheio, movendo-nos para ajudar os outros e compartilhando com os necessitados algo que possuímos para socorrê-los. Fé sem obra é morta!

Por mais que tenhamos dificuldades e lutas, Deus sempre nos concede graça para ajudarmos outros. Somos os cooperadores e instrumentos que Ele usa para conceder a vitória a muitas pessoas que estão passando por problemas realmente sérios.

Neemias, por exemplo, deixou de lado seus afazeres na corte e foi para Jerusalém trabalhar muito e enfrentar lutas tremendas para ajudar seu povo, que estava na miséria.

Muitas vezes, precisaremos deixar de lado os nossos interesses pessoais para socorrer outros, agindo em conformidade com o que é recomendado por Paulo em Gálatas 6.2 — Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo

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— e em 1 Coríntios 10.24: Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem.

Em Efésios 6.8, Paulo diz que devemos estar certos de que cada um, se fizer alguma coisa boa, receberá isso outra vez do Senhor, quer seja servo, quer livre.

Nossa atitude será honrada e recompensada por Deus! Essa é a lei da semeadura, que funciona em todas as áreas da nossa vida.

Então, se queremos que o Senhor nos ajude a solucionar nossas questões, devemos ajudar outras pessoas a resolverem seus problemas; então, Ele mesmo sanará a situação que nos aflige ou levantará alguém para nos ajudar a resolvê-la.

Quem planta semente de manga colhe manga. Quem planta semente de abacate colhe abacate. Você já viu alguém plantar manga e colher abacate? Eu não! Quem semeia indiferença colhe indiferença; quem é egoísta colhe egoísmo. Já quem é amoroso colhe amor; quem é atencioso recebe atenção; quem é sincero colhe sinceridade. É assim que funciona: colhemos o que plantamos. Então, se queremos colher o melhor, plantemos coisas boas, e confiemos no Senhor para fazer nossas boas sementes frutificarem!

Rendendo graça Deus

A terceira lição que tiramos do texto em Neemias 8.9,10 é que devemos tributar nossa vitória

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integralmente a Deus, rendendo-lhe honra e glória por tudo o que somos e temos. Devemos consagrar nosso ser e nossa vida exclusivamente Aquele que nos criou, salvou e restaurou a nossa sorte.

Foi isso que Neemias e o povo judeu fizeram após completarem a reedificação dos muros. Eles adoraram ao Senhor e separaram um dia para louvá-lo, bendizê-lo e renovar seu compromisso com Ele.

Será que você tem consagrado tudo que é e tem ao Senhor? Ele pode contar com seus dons, talentos, seu tempo e seus recursos para abençoar Sua obra e edificar vidas? O que tem dedicado a Deus daquilo que conquistou?

Hoje nas igrejas evangélicas há pessoas milioná-rias. No entanto, as ofertas que esses servos dão são menores que as dos irmãos com menos recursos. E não é só isso. As vezes quem socorre os necessitados são exatamente estes, e não aqueles que têm dinheiro sobrando. Para quem diz servir a Deus e age assim, deixo o ensino do apóstolo Paulo a Timóteo:

É claro que a [verdadeira] religião é uma fonte de muita riqueza, mas só para a pessoa que se contenta com oque tem. O que foi que trouxemos para o mundo? Nada! E o que é que vamos levar do mundo? Nada! Portanto, se temos comida e roupas, fiquemos contentes com isso. Porém os que querem ficar ricos caem em pecado, ao serem

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A R E C E I T A D E N E E M I A S P A R A U M A V I D A V Í T O R Í O S A

tentados, e ficam presos na armadilha de muitos desejos tolos, que fazem mal e levam as pessoas a se afundarem na desgraça e na destruição. Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males. E algumas pessoas, por quererem tanto ter dinheiro, se desviaram da fé e encheram a sua vida de sofrimentos. Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros.

1 Timóteo 6.6-11 NTLH

Há cristãos que se tornaram milionários e acabaram amando o dinheiro e usando as pessoas, quando deveria ser o contrário. Eles esquecem que tudo o que conquistarem de material permanecerá aqui, nesta terra, quando morrerem, e não valerá nada na eternidade.

Essas pessoas pensam que, quando estiverem diante de Deus, poderão dar desculpas esfarrapadas e impunes pelo egoísmo e pela frivolidade em que viveram.

Jesus foi taxativo:

Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ou há de aborrecer a um e amar ao outro ou se há de chegar a um e desprezar ao outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.

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