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J. bras. pneumol. vol.42 número4

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Academic year: 2018

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ISSN 1806-3713 © 2016 Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37562016000000099

Índice de respiração rápida e supericial

como previsor de sucesso de desmame da

ventilação mecânica: utilidade clínica quando

mensurado a partir de dados do ventilador

Luiz Alberto Forgiarini Junior1, Antonio M. Esquinas2

1. Curso de Fisioterapia, Programa de Pós-Graduação em Biociências e Reabilitação e Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Inclusão, Centro Universitário Metodista, Instituto Porto Alegre, Porto Alegre (RS) Brasil.

2. Unidad de Medicina Intensiva, Hospital Morales Meseguer, Murcia, España.

Primeiramente, gostaríamos de parabenizar Souza et al. pelo artigo intitulado “Índice de respiração rápida e

supericial como previsor de sucesso de desmame da ventilação mecânica: utilidade clínica quando mensurado a partir de dados do ventilador”, publicado recentemente

no JBP.(1) O assunto é de grande importância para

proissionais de unidade de terapia intensiva, e o artigo apresenta uma nova ferramenta para a avaliação de pacientes críticos sob ventilação mecânica.

Na literatura, há uma variedade de estudos demons

-trando o uso do índice de respiração rápida e supericial (IRRS) calculado diretamente a partir de dados do venti

-lador mecânico. Entretanto, a má qualidade metodológica

desses estudos impossibilita a implementação do IRRS diretamente na prática clínica e a determinação do ponto

de corte adequado para o mesmo. O desenvolvimento de novas ferramentas de avaliação que possam ser adaptadas

para uso na prática diária é extremamente importante

para a eiciência do cuidado prestado por uma equipe multidisciplinar. Melhorias no uso de fatores preditores do desmame já foram relatadas na literatura. Por exemplo,

Takaki et al.(2) realizaram um estudo concebido para

avaliar os melhores previsores de sucesso da extubação na unidade de cuidados intensivos cardíacos corrigindo os valores do IRRS para as características antropométricas dos pacientes. Esses autores demonstraram que o IRRS modiicado ajustado para peso corporal atual ou índice de massa corporal apresenta maior poder preditivo do que o IRRS convencional.

Um achado interessante apresentado por Souza et al.(1) é

que mesmo que haja diferença signiicativa na comparação

direta do IRRS obtido por espirometria ou diretamente

do ventilador, os dois são muito semelhantes quanto à acurácia, o que justiica o uso tanto de um quanto do outro método. Embora tenhamos observado uma diferença estatisticamente signiicativa na comparação direta dos métodos de medição, os valores obtidos em ambos os grupos icaram abaixo de 105, o que é indicativo de

sucesso do desmame.

Acreditamos que pesquisas relacionadas a um índice ou ferramentas que avaliam o potencial para desmame também devem considerar a população estudada. Por exemplo, o IRRS não se mostrou um previsor coniável

de sucesso do desmame em pacientes com danos

neurológicos. Isso é evidente no estudo realizado por

Kutchak et al.,(3) que avaliaram o uso do PFE de tosse

relexa como previsor de sucesso da extubação em pacientes neurológicos. Esses autores mostraram que, embora todos os pacientes (aqueles com sucesso e aqueles

com insucesso na extubação) tenham apresentado IRRS

< 105, o PFE de tosse relexa apresentou acurácia de 0,81 na previsão de sucesso da extubação.

Sem dúvida, apesar dos interessantes achados do

estudo de Souza et al.,(1) novas pesquisas que demons

-trem a eicácia do IRRS em diferentes populações ou que ajustem seus valores para fatores clínicos devem

ser encorajadas.

REFERÊNCIAS

1. Souza LC, Lugon JR. The rapid shallow breathing index as a predictor of successful mechanical ventilation weaning: clinical utility when calculated from ventilator data. J Bras Pneumol. 2015;41(6):530-5. http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132015000000077

2. Takaki S, Kadiman SB, Tahir SS, Ariff MH, Kurahashi K, Goto T. Modiied

rapid shallow breathing index adjusted with anthropometric parameters increases predictive power for extubation failure compared with the

unmodiied index in postcardiac surgery patients. J Cardiothorac Vasc

Anesth. 2015;29(1):64-8. http://dx.doi.org/10.1053/j.jvca.2014.06.022

3. Kutchak FM, Debesaitys AM, Rieder Mde M, Meneguzzi C, Skueresky AS,

Forgiarini Junior LA, et al. Relex cough PEF as a predictor of successful

extubation in neurological patients. J Bras Pneumol. 2015;41(4):358-64. http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132015000004453

J Bras Pneumol. 2016;42(4):306-306

306

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