• Nenhum resultado encontrado

R ec ifeef ui fa ze

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "R ec ifeef ui fa ze"

Copied!
12
0
0

Texto

(1)

novo jogo de uma velha raposa

rqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

gfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

J u r a c i c o m e ç o u c e d o n a p o lític a , p a s s a n d o p e lo C e n tr o E s tu d a n ta l C e a r e n s e e p o r d ir e tô r io s a c a d ê m ic o s a n te s d e in g r e s s a r n o a n tig o M D B .

solidão e a saudade. A os 10 anos, veio para Fortaleza estudar e deixou o pai, a m ãe e os nove irm ãos em Senador Pom peu, cidade do interior do Estado.

N a época do vestibular, seguiu para R ecife.

Escolheu a M edicina por causa da lem brança da

figurado padrinho. D epois da form atura, exatam ente

cinco m eses, o doutor Juraci era aprovado em

concurso público e já garantia a estabilidade

financeira. H oje, com 39 anos de carreira, ele

atende a um a clientela fiel. N o fichário, m ais de 40

m il nom es -- m uitos deles a terceira geração de

clientes atendidos por Juraci.

N a vida pessoal, Juraci M agalhães confessa

ser um rom ântico e não esconde o saudosism o

quando recorda as festas do N áutico A tlético

C earense, um dos clubes m ais tradicionais da cidade, onde os bolerões das décadas de 50 e 60 em balavam

os tlertesde um grande galanteador. Tem po tam bém

do vento da esquina das ruas G uilherm e R ocha e

M ajor Facundo, quando espreitava o subir das saias

das garotas.

Falando nisso, Juraci nam orou todas, de A a

Z, e escolheu com o esposa a últim a do alfabeto: está

casado há 36 anos com dona Zenaide, com quem

teve um casal de filhos. Seu lazer atualm ente está

ligado ajogos m ais tranqüilos, com o xadrez, dam as

e baralho, devidam ente acom panhados pela

"vitam ina B -12" -- é assim que cham a sua bebida

preferida, B allantine's 12 anos. M as Juraci já foi

bom de bola tanto no vôlei com o no futebol, até que

se m achucou seriam ente e abandonou as quadras.

O jogo m ais atual de que Juraci participa é o

jogo da sucessão ao G overno do Estado. O

ex-prefeito garante que não é candidato, m as sem pre

que pode aparece em locais públicos, onde o sucessor

A ntônio C am braia está inaugurando obras. N ão é

difícil encontrá-lo tam bém em visitas sistem áticas

ao interior. N ovam ente entra em cena a rixa com o

ex-aliado C iro G om es e seu grupo, que vêem em

J uraci um a am eaça concreta à hegem onia tucana no

Estado. Juraci desdenha e faz piada da situação.

lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

A

costum ado com o anonim ato político,

Juraci V ieira de M agalhães, 62 anos,

conseguiu com apenas um m andato de

prefeito (cargo que assum iu por causa da candidatura de C iro G om es ao G overno do Estado), se tornar um dos hom ens públicos m ais populares da.história do

C eará. Juraci recebeu a prefeitura ofuscado pelo

brilho de um jovem político em ascensão -- com o era o caso de C iro G om es -- e conseguiu superar as

m elhores expectativas.

H oje os dois, antes com panheiros de chapa,

são inim igos políticos e não sobram criticas quando

um se refere

à

adm inistração do outro. M as os 30

anos que passou nos bastidores do M D B deram a

J uraci a experiência necessária para, em seu prim eiro

m andato, agradar com o poucos à classe m édia da

cidade. Foi assim que Juraci levou por água abaixo

os planos do PSD B e elegeu A ntônio C am braia

com o seu sucessor na prefeitura.

Juraci M agalhães não tem a política com o

• profissão -- na verdade ele é m édico, um

: derm atologista. E para chegar até R ecife, onde se

• form ou, com 23 anos, Juraci teve que enfrentar a

E ntrevista com o

ex-prefeito de

F ortaleza Juraci

M agalhães, dia 16/

9/93. P rodução: C arla S oraya e Leonardo P into A bertura: C arla S oraya R edação,

edição e texto final:

C arla S oraya

e

Leonardo P into

P articipação: A na

M aria X avier, A na P aula F arias, C arla S oraya F lorêncio,

C hristine R ocha de

A le edo, C ristiane P aren e, D jane N ogueira, E leuda de C arvalho, José M auricio Lim a, K arine

R odrigues, Leonardo

(2)

J u r a c i M a g a lh ã e s

lkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Ju ra ci ch e g o u p a ra a e n tre vista e m se u O p a la co r vin h o , p o n tu a lm e n te à s d u a s e m e ia d a ta rd e ; e sta va co ra d o e b e m d is-p o sto .

Ju ra ci ve stia ca m isa d e ca m b ra ia cá q u i, ca lça so cia l e scu ra e tra zia u m le n cin h o a zu l d e listra s b ra n ca s e m u m d o s b o lso s.

A o e n tra r n a sa la , o e x-p re fe ito se a ssu sto u co m o n ú m e ro d e g ra va d o re s: "E é e ssa b a te ria to d a ? C o m o é

q u e é ? "

rqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

4

E n tr e v is ta - P a r a c o m e ç a r . o s e n h o r p o d e r ia r e c a p itu la r s u a s a íd a d o in te r io r d o C e a r á , m u ito c e d o , c o m d e z a n o s e m e io . C o m o é q u e fo i e s s a s e p a r a ç ã o d a fa m ília ? O s e n h o r é u m a p e s s o a m u ito lig a d a a o s e u p a i o u p e lo m e n o s d e ix a tr a n s p a r e c e r is s o , fa la s e m p r e n e le . C o m o é q u e fo r a m a s a íd a e a s e p a r a ç ã o d a fa m ília ?

Juraci - É, eu nasci na cidade de

Senador Pom peu. Por questões políticas, m eu pai foi transferido para a cidade de Jaguaruana quando eu tinha 5 anos de idade. E de lá, aos dez anos e m eio ... Porque naquele tem po era o exam e de adm issão, eu tive que aum entar a m inha idade. V ocêspodem entrar na universidade com m enos de 18 anos. N a m inha época era im possí-vel. Fiz o exam e de adm issão, com ecei no ginásio, com ecei em Lim oeiro ... D epois devido àqueles problem as das doenças, da sezão, da m alária da zona jaguaribana, eu tive que m udar para Fortaleza. E aqui com ecei no C olégio São João, lá com o nosso professor

( O d i lo n ) B raveza e outros que a gente ainda se lem bra bastante. A liás, agora o colégio está sendo destruído, vão fazer um shopping center lá. U m colégio que tem um a vida form idável, que a gente fica recordando ... E aqui eu term inei o C ientífico -- na época era G inásio e C ientífico. Term inei o C ientífico e fui fazer o vestibular pra M edicina no R ecife. A razão é que o m eu pai nessa época já m orava no C rato. Já tinha passado por R ussas, tava no C rato. Já tinha um irm ão fazendo M edicina no R ecife e fui fazer o vestibular. N ão tinha essas conversas de cursinhos aí, né? E nem tinha esse risca-risca, não. Era vestibular em que a Língua Portuguesa era essencial. A gente tinha que fazer dissertações e eram corrigidas. Se errasse o Português não tinha esse negócio de Inglês ou de outra língua pra poder elim inar, não. Era Língua Portuguesa m esm o. E aos 17 anos eu entrei na U niversidade do R ecife.

E n tr e v is ta - - P o r q u e o s e n h o r e s c o lh e u M e d ic in a ?

Juraci --B em , isso aí tem um a série de pensam entos m eus. Prim eiro, o m eu padrinho de batism o era A lcides B arreira, m édico, tem até dois filhos m édicos hoje. E eu, na época, tive aquilo que se cham ava de tifo, a febre paratifóide. E ele foi quem m e salvou. E aí eu com aquela lem brança de criança, e tal. .. D epois, eu já tinha um irm ão m édico ... Então, a gente vai seguindo... Eu gosto realm ente da m inha profissão. N a época até existiam esses exam es psicotécnicos,

né? E eu fui a um exam e desses para saber e disse que eu dava pra

engenheiro ou dava pra m édico. E agora eu tô entendendo porque nós fizem os tanta coisa em Fortaleza, né?

, ,Já tinha um irm ão

fazendo M edicina no

R ecife e fui fazer o

vestibular. N ão tinha

essas conversas de

cursinhos. E nem tinha

esse risca-risca, não. ' ,

Porque eu gosto tam bém de Engenharia. M as fui pro R ecife, um a cidade form idável, grande. A inda naquele tem po a m enoridade era com 18 anos, ainda de m enor... M as concluí m eu curso em 1954. E logo depois eu voltei pra m inha cidade, pra Fortaleza, e tive um a satisfação m uito grande. Éque com cinco m eses de form ado m e subm eti a um concurso para D erm atologia, que era m inha especialidade, e consegui ser aprovado, para o ex-IA PC .

E n tr e v is ta - - P o r q u e D e r m a to lo g ia ?

Juraci --Prim eiro porque eu tenho

m uito m edo desse negócio de cirurgia, certo? Eu não sou m uito disso, não

( r is o s ) . E a D erm atologia não m ata. Pode não curar, m as não m ata ( r is o s ) .

E n tr e v is ta - - M a s v o lta n d o u m p o u q u in h o : c o m o e r a a s u a v id a e m R e c ife ? Os e n h o r m o r a v a e m c a s a d e fa m ilia r e s o u n ã o ?

E n tr e v is ta - A n te s d is s o , e u q u e r ia v o /ta r m a is u m p o u q u in h o . E u q u e r ia s a b e r q u a is fo r a m o s p r o b le m a s p o lític o s q u e e s ta v a m a c o n te c e n d o e m S e n a d o r P o m p e u q u e fo r ç a r a m a fa m ília s a ir d e lá ?

Juraci -- N aquele tem po existiam

dois partidos: o PSD ( p a r tid o S o c ia l D e m o c r á tic o ) e aLEC ( L ig a E le ito r a l C a tó lic a ) . E o PSD foi o partido que deu origem à U D N ; o m eu pai era da U D N . E o pessoal lecista ganhou o governo e então transferiu m eu pai. Porque o prefeito de lá era esse m eu padrinho, A lcides B arreira. E aí, por causa disso, transferiram m eu pai pra não dem itirem . Era um tem po ainda difícil, pelo m enos m e conta m eu pai. D orm ia naquele tronco dos cajueiros. D orm ia todo m undo arm ado nas calçadas. H oje a coisa tá bem m ais diferente, porque nós gritam os, vocês gritam , m as tam bém não vai na violência, não. Então, no R ecife eu m orei em pensão. Era o que eu tinha

direito. Existiam os cearenses, lá se juntavam m uito. Por exem plo, o D jacu Paraíba era o presidente do D iretório A cadêm ico. N ós fazíam os aquele grupo do C eará. E m orávam os em república, tipo pensão, até o quarto ano.

E n tr e v is ta - - P e n s ã o m is ta ?

Juraci --A h, tinha tudo. E era bom

dem ais ( r is o s ) .

E n tr e v is ta - - E fo i d a í q u e s u r g iu o g r a n d e n a m o r a d o r J u r a c i M a g a lh ã e s ?

Juraci --N ão, não é tanto, não, m as até era bom ! M as com eçou a dar briga aqui na lm aculada ( C o lé g io lm a c u la d a C o n c e iç ã o ) . N ós com os cadetes. O s cadetes ali queriam ser donos daquelas m eninas dalm aculada e do colégio, do Justiniano de Serpa. E form avam -se os grupos. Eu m ora-va ... N essa época eu era m eninote, m as até que a gente gostava disso ... M orava ali na Franklin Távora e na D ona Leopoldina e tinha uns grupos ... A gente fazia pressão em cim a dos cadetes que as m eninas gostavam m uito.

E n tr e v is ta - - Os e u te m p o d e R e c ife a in d a . Q u e r d iz e r , o s e n h o r m o r a n d o s o z in h o , r a p a z o te n o v o ...

Juraci --N ovo, sozinho no m eio do

m undo acolá, perdido ..

"N o tem po a bebida

era R um M erino. ( ...)

O pessoal diz que eu

gosto de beber, gosto!

É a coisa m elhor do

m undo. N ão todo dia,

naturalm ente.

E n tr e v is ta - A p e r g u n ta é a s e g u in te : o s e n h o r fr e q ü e n to u m u ito a s . 'z o n a s " d e

Recife,

c o m o s a m ig o s , o s c o le g a s ? C o m e ç o u a to m a r u m a s b e b id in h a s n e s s a é p o c a ?

Juraci --É, porque quem sai de casa

(3)

o

pessoal

oue 'e'1l': t m D llf e b e b e r

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

o ~Éa 'ão todo

, a gente aquilo ali - eu as vezes era o

caixa, praJ q ele negócio - e

íamos pra Ia, pro Recife Velho. Era

uma beleza.

fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

E n t r e v i s t a - O s e n h o r c o m e ç o u a t o m a r g o s t o p e l a p o l í t i c a n e s s a é p o c a t a m b é m , n ã o f o i ?

Juraci -- Não, eu comecei aqui no

Centro Estudantal Cearense, Naquela

época existiam aqueles grupos. Do

meu compadre Joaquim Figueiredo

( e x - d e p u t a d o ) , daquele Ximenes Correia, do Aquiles Peres Mota ( e x -d e p u t a -d o e s t a d u a l ) e do Luís Edgard

Cartaxo de Arruda. Então, eu fiz

parte daquele pessoal que tinha as

idéias assim... não digo tão

avançadas.

E n t r e v i s t a - - OA q u i l e s P e r e s M o t a t a v a n e s s e g r u p o t a m b é m ?

Juraci - No nosso, não. O grupo que

estava sempre a gente acompanhando

era do meu amigo Luís Edgard

Cartaxo de Arruda, Até eu queria só

passar pra vocês aqui uma

informação: em 1966 se fundou o

MDB aqui e eu fui o primeiro

presidente. Então, um cidadão passou

lá no 23 BC ( 2 30

B a t a l h ã o d e C a ç a d o r e s ) e disse que eu era comunista por causa disso: primeiro porque fumava cigarro

Hollywood-e Hollywood-eu fumava mHollywood-esmo ( r i s o s ) . Depois porque era amigo dos amigos aqui,

né? E aí citaram os nomes lá do

Recife e tal. Então, eu estou só

colocando essa lembrança,

E n t r e v i s t a - O s e n h o r , a i n d a e m R e c i f e , t r a b a l h o u e m a l g u m a o u t r a c o i s a f o r a d a á r e a m é d i c a ?

Juraci - Trabalhei a partir daqui,

Com 14 anos de idade eu trabalhei na Cooperati va do seu Assis Barbosa

e do Manuel Barbosa. Eu comecei a

trabalhar aqui porque precisava. Eu

quis fazer a nossa Praça do Ferreira

porque era ali que eu morava. Na

Pedro Pereira, número 2, onde tem o mercado. Ali, vizinho àquele posto. Então, a gente ia e voltava a pé dali

até ocolégio São João. Não era por

outra razão não, viu? Dinheiro, E

quando a gente voltava, ficava na

Praça do Ferreira esperando dar

aquela hora pra gente ir embora.

Então, eu tinha aquela recordação

enorme. Às 3 horas, eu, Sérgio Girão,

Luís Carlos Fontenele, íamos lá para

do F erreira pra bater aquele

falar, naturalmente, da vida

da vida dos outros, Veio aí a

tal da Redentora ( r e f e r e - s e , i r o n i c a m e n t e , a o G o l p e M i l i t a r d e

1964) aí forma um bocado de caixão

ali para impedir que um olhasse o

outro. Então, assim que eu tive a

oportunidade, convidei dois

personagens formidáveis, o Fausto

Nilo e o Delberg ( P o n c e d e L e o n , a m b o s a r q u i t e t o s ) , e disse: " Vamos arrumar o Centro!" Fizemos aquele

projeto da Praça do Ferreira,

recuperando toda aquela situação da

vida da cidade, daqueles lugares

todos.

"Olha, eu nunca fui

tão besta, não. ( ...)

Tive aquelas paqueras,

eu já tive clientes

minhas que foram

minhas namoradas do

tempo ... Mas isso é

bom."

E n t r e v i s t a - - P o r f a l a r e m P r a ç a d o F e r r e i r a e n a s m e n i n a s d a E s c o l a N o r m a l , o s e n h o r f a z i a p a r t e d a t u r m a q u e i a v e r o v e n t o l e v a n t a r a s a i a d a s m e n i n a s ?

Juraci -- Claro que sim. Acabou-se

aquele vento! Eu me lembro dessa

época, na esquina da Guilherme

Rocha, com a Major Facundo

--aquela esquina ali, chamada" esquina

do pecado" . As meninas tinham uma

saia larga assim e o vento era

favorável. Hoje não, os meninos não

estão mais nem preocupados ( r i s o s ) .

Mas brechar naquele tempo era ótimo.

E n t r e v i s t a - S e r á p o r q u e a s m e n i n a s a g o r a u s a m m a i s c a l ç a s d o q u e s a i a ?

Juraci -- Sim, pois é essa dificuldade

toda, né? Mas isso era uma época boa, tá entendendo? Eu acho que hoje

dizer que os jovens estão mais

avançados ... Mas em todas as épocas

tinham as idas e as vindas, né?

Dependia de cada um.

E n t r e v i s t a - E o J u r a c i n a m o r a d o r e r a a v a n ç a d o ?

Juraci -- Olha, eu nunca fui tão

besta, não ( r i s o s ) . Não fui assim

demais, mas eu gosto muito, quero

dizer, eu gostava mesmo disso. Tive

aquelas paqueras, eu já tive clientes minhas que foram minhas namoradas

do tempo ... Mas, isso é bom. Tem

aquele diálogo, aquela discussão que

é o que eu acho que é o que às vezes falta aqui, principalmente nesse país, Eu sempre tenho dito que a imprensa

não tá fazendo aquela comunicação,

aquela opinião pública que todo

mundo espera, Porque agora é que

está entregando a vocês o direito de

discutir. Discutir as maneiras de se

comunicar, as maneiras de ser.

Lamentavelmente vocês passaram

esse tempo aí. Eu peguei duas

ditaduras, uma eu era menino, no

tempo do Getúlio ( V a r g a s - - 1937-45), rapazinho novo, de calça curta, e

peguei essa outra aí agora, Essa agora

liquidou, não deixou que ninguém

liderasse nada. Daí por que de vez

em quando estão atrás dos velhos de

novo, né? Porque as lideranças não

tiveram essa condição. Eu saía daqui

pro Recife, pra ver meus colegas de turma, e nós não podíamos ficar mais

do que dois. Porque em Recife era pior do que aqui. Recife teve aquele

movimento de camponês, aquela

coisa toda. Ali na rua Nova, na rua da

Imperatriz, eu passava com um

colega, ficava um de lado, o outro do

outro, certo? Porque senão vinha um

tapa, né? Tapa, telefone, aquelas

coisas todinhas que só aconteciam

no Recife, né. Um negócio sério.

E n t r e v i s t a - - O s e n h o r f a l o u a í d e d i t a d u r a . Q u a l f o i a a t u a ç ã o p o l í t i c a d o s e n h o r d u r a n t e e s s e p e r í o d o ?

Juraci - Bem, como eu disse, eu fIZ

parte do Centro Estudantal Cearense.

Depois, no Recife, eu fiz parte e fui

representante do meu curso de

Medicina, dentro do Diretório

Acadêmico de Medicina, E como eu

gostava mais disso, fui para o

Diretório Central dos Estudantes, fui

representante também. Porque lá, na

época quando eu entrei, era Medicina,

Odontologia e Farmácia n~ curso

só, E era a maior representação que

tinha. Então, nós tínhamos uma

representação grande para disputar o

Diretório Central. Então, eu fui pra

lá. Depois vim pra cá e não pensei mais em política. Vim trabalhar como

profissional. Quando foi em 1962, eu

venho do Rio de Janeiro, sabendo,

soube lá: juntou-se a UDN com o

PSD. E eu disse: "Então ninguém

vai ter direito a nada, né?" Aí quando

eu desci aqui no aeroporto, meu pai

tava lá e disse: "Como é?" E eu disse: "Já sou contra, eu já fui pro outro lado". Aí fui. Fiz a campanha

de Adahil ( B a r r e t o , e x - d e p u t a d o , j á f a l e c i d o ) , nessa época, Nessa época que Carlos Jereissati ( p a i ,j á f a l e c i d o , d o e x - g o v e m a d o r T a s s o J e r e i s s a t i )

foi eleito senador, Adahil perdeu pro

governo, Podia ser candidato a

deputado também, aí ele foi. Quando

veio a ~eFllu

F

C

964, eu

J u r a c i t e v e a c e s s o s d e t o s s e d u r a n t e a s d u a s h o r a s d a e n t r e v is t a e p o r v á r ia s v e z e s r e t ir o u o le n ç o d o b o ls o .

Q u a n d o f a la , o e x -p r e f e it o p o n t u a c a d a p a la v r a c o m f a r t a g e s t ic u la ç ã o , f r a n z e c o n s t a n t e m e n t e o c e n h o e m e x e o n a r iz .

A s e x p r e s s õ e s " N é ? " , " C e r t o ? " e " T á e n t e n d e n d o ? " s ã o f r e q ü e n t e s n o d is c u r s o d e J u r a c i M a g a lh ã e s .

(4)

J u r a c i a g r a d e c e u o c o n v it e e d is s e q u e s e s e n t ia h o n r a d o e m t r a n s m it ir s u a s e x -p e r iê n c ia s a o s a lu n o s d e C o m u n ic a ç ã o .

D u r a n t e a e n t r e v is t a , e le s e s e r v iu p o u c o d o s s a lg a d in h o s q u e lh e f o r a m o f e r e c id o s , p r e f e r in d o b e b e r C o c a -C o la .

N o s n a m o r o s , d is s e

q u e n ã o e r a

xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

"tãob e s t a " e f o i " a v a n ç a d o "

a lg u m a s v e z e s ; t e m -p o s d e -p o is e n c o n t r o u d e p o is e x - n a m o r a d a s n o c o n s u lt ó r io .

6

fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ã e s

chefiava um serviço no Estado. E eu como não topava o negócio mesmo, eu não queria, né ... Eu sou contra o arbítrio.

"Castello

Branco deu

o direito de o país ser

'mexicanalhado',

ter

um partido do governo

e outro contra. Eu fui

pro contra, porque era

contra o arbítrio. "

E n t r e v i s t a - - Q u a l o s e r v i ç o ?

Juraci - Um serviço de profilaxia de lepra, eu era chefe do Estado. Aí então, quando veio a Redentora, eu até disse a meu pai - que a gente gostava muito de andar de branco, né? Médico tem essa besteira, paletó e tal. Aí eu cheguei láedisse: "Papai, eu não quero mais conversa com essa história. Eu agora não uso mais paletó porque eles não merecem isso,né?'

E me afastei, pedi demissão de lá, e fui trabalhar. E trabalhar junto com uns colegas conversando e tal, sobre o regime muito dificil... Mas a gente sempre achando que o presidente Castello Branco era bom, ele fez uns projetos sociais bons, o fundo de garantia ... O erro dele foi entregar o governo pra gerenciar, né? Quando foi em 66, o presidente Castello Bran-co deu o direito de o país ser "rnexicanalhado", quer dizer, ter um partido do governo e outro contra. Aí eu fui pro partido contra, porque era contra o arbítrio. E fui fundador do MDB. Eu, o deputado Martins Rodrigues, o Paes de Andrade ( e x -d e p u t a -d o ) , Castelo de Castro ( e x -d e p u t a -d o , j á f a l e c i d o ) , Mauro Benevides ( s e n a d o r p e J o P M D B ) ,

Iranildo Pereira ( e x - d e p u t a d o e s t a d u a l ) , Chagas Vasconcelos( e x -d e p u t a -d o ) ,tem um bocado de nomes aí. O guarda chuva era grande. Todo o pessoal que hoje é intitulado mais de esquerda, tava todo mundo junto.

E n t r e v i s t a - Os e n h o r c h e g o u a s e r p r e s o ?

Juraci - Não. Mas quase ... Aí nós formamos o MDB. E por cargas d'água eu fui presidente do partido aqui, em 66. Até uns familiares meus chegaram para mim: "Você, num negócio desses! Já vem aí o Costa e Silva ..." Aí eu dizia: "Ué, mas esse presidente não disse que tinha di-reito a dois e um profissional liberal não podia' ser", aí eu entrei e fui

presidente do partido. Eu não fui preso não, mas o meu nome passou pelo 23° BC da seguinte maneira: eu gostava duma brincadeira para disputar quem pagava o cafezinho. Era aquele ri scazinha:cada um botava um numerozinho aqui e riscava. Eu tava aqui no Centro da cidade e fui brincar, e não sabia que tinha um major perto de mim. Aí eu disse pro meu amigo: "Você sabe o que é sapuruga"? Aí ele. disse: "Não".

" É filho de sapo com tartaruga.Éo

Castello Branco." ( r i s o s ) Fui charnadono23°BC, para saber o que era aquilo, né? Mas aí não houve nada,não. Semprea gentetem amigos, clientes ... Um cidadão até da Adesg

( A s s e c i a ç ã o d o s D i p l o m a d o s d a E s c o l a S u p e r i o r d e G u e r r a )foi lá no meu consultório, aí depois chamou esse major, foi me apresentar ... E eu disse que foi só uma piada, mesmo porque o bicho era feio e andava devagar( r i s o s ) .

E n t r e v i s t a - - A n t e s d e e n t r a r m a i s n e s s e c a m p o d a p o l í t i c a , e u g o s t a r i a d e s a b e r m a i s c o i s a s d o s e n h o r m e s m o , d a s u a j u v e n t u d e ... P o r e x e m p l o , e m r e l a ç ã oàm ú s i c a . E u l i u m a r e p o r t a g e m n o j o r n a l q u e o s e n h o r g o s t a v a m u i t o d e d a n ç a r c o m a d o n a Z e n a i d e , n o I d e a l C l u b e . Q u e t i p o d e m ú s i c a o s e n h o r c u r t i a q u a n d o t i n h a 17,18a n o s ?

Juraci - QUando a gente ganhava esse dinheiro, tinha aquelas eletrolas bem grandes, em que os discos eram colocados assim( n a v e r t i c a l ) ,certo? A gente chegava ali e comprava as fichas. Gomo nós éramos aqui do Ceará e gostávamos muito de baião, tinha uma determinada hora lá em que a gente já tinha tomado duas doses e botavaJ u a z e i r o um atrás do outro pra espantar a freguesia, pra gente ficar só com as meninas( r i s o s ) .

" Eu disse promeu

amigo: ' Você sabe o

que

é

sapuruga '? Ele

disse: 'Não'.

filho

de sapo com tartaruga.

É

Castello Branco.'

Fui chamado no 23.

0

BC."

E n t r e v i s t a -

o

s e n h o r a i n d a h o j e g o s t a d e b a i ã o , d e m ú s i c a n o r d e s t i n a ?

Juraci - Gosto, gosto.

Entrevista

E n t r e v i s t a - E a i n d a d a n ç a ?

Juraci - Danço.

E n t r e v i s t a - - F o r r ó ?

Juraci - Gosto. E danço. Eu só não aprendi foi lambada ( r i s o s ) .Agora tanto wn forró como bolero, ou fox... aquilo ali eu gosto. Eu aprendi e valsa, né?

E n t r e v i s t a - - E ob o l e r o ? C o m o f o i q u e o b o l e r o e n t r o u n a v i d a d o J u r a c i ?

Juraci - Ah, o bolero é bom! O bolero tem a posição da mão do parceiro e da parceira que é um espetáculo, né? Você sabe que a gente dançava, puxava a mão aqui, puxava lá, certo? Dependia se você queria mais perto ou mais longe( r i s o s ) .

E n t r e v i s t a - - C o m o p r o f i s s i o n a l d e M e d i c i n a , o s e n h o r f a l o u p r a g e n t e q u e t r a b a l h o u n o D e p a r t a m e n t o d e L e p r a ...

Juraci -- É, no de profilaxia, isso já depois de médico.

E n t r e v i s t a - - E x a t o , d e p o i s d e m é d i c o . E c o m o é e s s e s e r v i ç o ,j á q u e a l e p r a é u m a d o e n ç a a s s i m t ã o e s t i g m a t i z a d a n a s o c i e d a d e . C o m o é q u e f i c a o t r a b a l h o d e u m m é d i c o n e s s a á r e a ?

Juraci - Bem, isso aí é uma coisa que você faz bem em explicar. A lepranãoéum problema mais médico, é problema social. É um estigma.

Ainda hoje de manhã, um cidadão queria apresentar um projeto, é, no sentido de discriminar o aidético. Eu digo: "Negativo". Nos idos de 1930 até 1950, o leproso foi discriminado, era segregado. Estão aí as colônias hoje, o governo gastando um dinheirão danado, sem razão . nenhuma, não precisa. Existem aí aquelas seqüelas, aquelas coisas todas. Mas depois, inclusive, quando o doutor Tancredo ( N e v e s )assumiu naquela interinidade do parlamentarismo do J ango ( e x -p r e s i d e n t e J o ã o 'G o u l a r t ) , ele

apro-vou um trabalho feito pelo Orestes Diniz. Eu trabalhei nesse serviço de campanha nacional...

E n t r e v i s t a - - O r e s t e s ... ?

Juraci - Orestes Diniz. Era um cidadão mineiro, amigo do Juscelino

(5)

Juraci

. Iagalhães

xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

minha

PH:m.ssão e a

ex

om uma

sati fa ão muito

grande. Eu exercito

mesmo e gosto.

Depois, eu não dou

pra parlamentar."

A população acima de 12 anos hoje,

tá em 80 por cento de resistência.

Dando o diagnóstico, não havia

porque segregar. Daí por que hoje eu

disse a esse cidadão: "Não vá

segregar o aidético; todo hospital

tem que receber o aidético. Tem que tratar a pessoa como ela é, uma pessoa humana. Se fizer isso, mais tarde vai

ficar marcado".

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Éo estigma que tem

hoje a hanseníase. Mudou-se de

nome, de lepra pra hanseníase, MH

fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

( l v I a l d e H a n s e n ) , essas coisas todas,

mas não tira aquilo da mente do

povo, porque éuma doença que desde

a Bíblia que se falava nela, né?

E n t r e v i s t a - -Os e n h o r m i l i t o u m u i t o t e m p o n a p o l í t i c a . m a s n o s b a s t i d o r e s , o u p e l o m e n o s e m n e n h u m c a r g o e l e t i v o . E u q u e r o s a b e r s e n a q u e l a é p o c a o s e n h o r j á t i n h a a m b i ç ã o d e a l g u m c a r g o e l e t i v o ? O

s e n h o r j á p e n s a v a e m s e r p r e f e i t o ? S e s i m , p o r q u e d e m o r o u t a n t o ?

Juraei -- Primeiro é o seguinte.

Realmente eu sempre trabalhei .. Em

66 eu fui presidente ( d o M D B ) .

Naquele tempo, só podia ser

candidato ao Senado, que era a única eleição direta que tinha o direito de

ser disputada. O resto tudo era um

caboclo de cinco estrelas que botava

um de três pra govemador, outro

botava o prefeito acolá como

secretário. Em 1974 eu era vizinho

de Mauro Benevides. E Mauro saiu

pra candidato ao Senado. Me

convidaram pra eu ser candidato a

deputado porque ele não queria

colocar o pai dele como candidato. E

eu não concordei E ele foi lá na casa

de papai. Sabia que o papai era

político. "Mauro, depende de um

consentimento e eu não vou." E, em 197~,já era o PMDB, eu voltei para

ser presidente, 79 a 83. A Maria

Luíza ( F o n t e n e l l e , d e p u t a d a f e d e r a l )

era secretária, o Fausto Arruda

(ex-d e p u t a (ex-d o e s t a d u a l , j á f a l e c i d o ) era tesoureiro, Narcílio ( A n d r a d e , v e r e a d o r ) o vice, e o Araújo de Castro

( e x - v e r e a d o r ) era o líder. Daí você está vendo que tinha diversos partidos

aí, nasceu tudo aí desse guarda-chuva.

Mas também não concordei em ser candidato, certo?

E n t r e v i s t a - P o r q u ê ?

Ju raei - Primeiro eu gosto da minha

profissão e a exerço com uma

satisfação muito grande. Eu exercito mesmo e gosto. Depois, eu não dou

pra parlamentar. Eu nunca gostei

realmente ... Gosto de política, mas

não de ser parlamentar. Também não

esperava ser prefeito. O que foi que

houve? Em 1986, foi lançada a

candidatura do doutor Tasso

( J e r e i s s a t i , p r e s i d e n t e n a c i o n a l d o P S D B ) ao govemo do Estado. E

disseram pra ele que eu conhecia

Fortaleza, que eu conhecia a política

de Fortaleza. E, uma noite, eu fui lá

para a casa dele. Eu e o Mauro fomos para lá, e tava ele e o Sérgio Machado

( d e p u t a d o f e d e r a l p e l o P S D B ) . Então começamos a conversar sobrepolitica essa coisa toda. Aí ele disse: "Como é a política de Fortaleza?" Eu fui e dei uns toques. "Eu quero que você

vá coordenar a campanha aqui,

pronto." Aí eu digo : "Tá certo,

agora me dê permissão". Eu fui lá

pra um lugar, aí escrevi as condições em que podia ser feito, o organograma

da campanha. E foi aceito. Lancei o

meu pensamento de como devia ser a

campanha do doutor Tasso aqui em

Fortaleza. Aí botei em cima: "Projeto

A v o n " .

E n t r e v i s t a - A v o n ? D e p o r t a e m p o r t a ?

Juraei --Avon, de porta em porta, que ninguém conhecia ele. Precisava

levá-lo a todos os lugares. E fui

mostrar a ele na prática. Ele

considerou aquilo e saiu no nosso

carro. O Assis Machado ( p r e s i d e n t e d o P S D B - C E ) guiando, o Tasso do

lado direito, o Sérgio ali e eu. Aí

chegamos lá no Montese, ali perto do

Café Guimarães. Aí pedi: "Assis, pára aí". Chamei uma senhora, ela olhou assim pro doutor Tasso, o Tasso

olhou. "A senhora conhece o nosso

candidato, o doutor Tasso

Jereissati?" Ela cuspiu na cara dele e disse que não sabia quem era. Aí eu

disse: "E sabe onde é a casa do

vereador Narcílio Andrade?' " Sei,

é aquela melhor casa que tem na

Avenida Expedicionários." Quando

nós saímos eu disse: "T ávendo como é que é a história?" Aí o projeto é

esse: Avon. Tinha que mostrar, de

casa em casa. E nós fomos bem

sucedidos. Eu tinha prometido

inicialmente que ele ia ganhar por

150 mil votos aqui e ele acabou

ganhando por 350 mil. Eu tava nessa época no primeiro cargo público que

eu assumi de chefia:

Superin-tendência da Previdência Social, que

hoje é o INSS, né? Era INPS. Aí

fomos lá para a casa do doutor

Expedito ( M a c h a d o , e x - d e p u t a d o e e x - m i n i s t r o d a V ia ç ã o e O b r a s I 'ú b l i -c a s d e J o ã o G o u l a r t , p a i d o d e p u t a d o S é r g i o M a c h a d o ) . E os

vereadores--porque eram 33, mas 26 estavam

envolvidos na campanha, né?

--acharam de apresentar meu nome

para o Tasso para eu ser secretário da

Ação Social. Não sei se era porque eu gostava mesmo de fazer esse

movi-mento, né? Mas quando eu cheguei

na casa do doutor Expedito, ele me

chamou assim e disse: "Jura, você tá aqui pra modo ser senador". "Não,

eu não quero, eu já sei como é a

história, eu quero ficar é lá no INPS." O Tasso disse: "Bom, tá resolvido ". Quando foi em 88, eu lhe digo que era um dia de quarta feira, dia 7 de

julho ... Eu tô lá na Previdência, o

Sérgio Machado me telefona. "Jura

vem almoçar aqui comigo". Lá no

Cambeba. E eu fui. Quando cheguei lá era sempre aquele grupo, Tasso, Sérgio, Assis e eu.

E n t r e v i s t a - - O s e n h o r n ã o u s a v a c a m i s i n h a d e l i s t r a n ã o , u s a v a ?

Juraei - Hum?

E n t r e v i s t a - A q u e l a c a m i s i n h a d e l i s t r a ?

Juraei - Não. Eu quem fui que ensinei a eles como era. A listra era

minha. Só que eles usavam azul e a minha era vermelha.

E n t r e v i s t a - A l g u m m o t i v o e s p e c i a l ? A l g u m a e x p l i c a ç ã o ?

Juraei --Pra vermelha?

"'Você quer fazer de

mim o que a Maria

Luíza fez com o

Américo Barreira?

Então mande uma'

mensagem criando o

gabinete da

Vice-Prefeitura. ' , ,

E n t r e v i s t a - - S i m .

Juraei --Era porque eu tenho nojo

dos outros ... Bom, é brincadeira, o

que estou dizendo aqui. Bem, é que

eu tenho raiva daquele que é

prepotente. Eu não tô dizendo que eu

não gosto de vermelho ... É que eu

tenho raiva daquele cidadão que acha

que é o dono do mundo. Mas na

verdade é só a listra.

Q u a n d o e s t a v a e m R e c if e , e le e o s a m ig o s g a s t a v a m d in h e ir o c o m f ic h a s d e e le t r o la ; m a t a v a m a s s a u d a d e s d o C e a r á o u v in d o " J u a z e ir o " .

A s s u s t o u - s e n o v a -m e n t e c o -m o s g r a v a -d o r e s e in t e r r o m p e u u m a r e s p o s t a , q u a n d o a lg u n s d e le s c o m e ç a -r a m a d is p a -r a -r .

..•

A p o n t a d o in d ic a d o r d a m ã o d ir e it a d e J u r a c i t e m u m a m a n c h a a m a r e la d a , c a r a c t e -r í s t ic a d e f u m a n t e s a s s í d u o s .

(6)

A p e s a r d e s e r u m f u m a n t e a s s u m id o , o e x - p r e f e it o p e d iu lic e n ç a p a r a a c e n d e r a p e n a s u m c ig a r r o d u r a n t e a e n t r e v is t a .

U m ú n ic o c ig a r r o a c e s o , J u r a c i f u m o u - o a t é o f ilt r o ; n a ú lt im a

t r a g a d a

xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

já e s t a v a a p a g a d o .

A p ó s a e n t r e v is t a , o e x -p r e f e it o c o n t in u o u a c o n v e r s a e c o n t o u a lg u m a s p ia d a s p a r a o s a lu n o s , d e n t r e e la s a d o " a p a t o s s a u r o " .

8

fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

J u r a c i M a g a l h ã e s

E

E n t r e v i s t a - - A t é c e r t o p o n t o , s e u s u c e s s o n a p r e f e i t u r a e s t a v a a r q u i t e t a d o ? Q u e r d i z e r ,

°

s e n h o r d e m o n s t r o u , p e l o q u e j á r e l a t o u , q u e j á c o n h e c i a b e m a f u n d o . Os e n h o r j á

e s p e r a v a , q u a n d o a s s u m i u a p r e f e i t u r a , f a z e r ...

Juraci -- Não. Realmente aí tem as

partes, né, que eu vou chegar ...

Quando chegou lá o doutor Tasso

perguntou: "Como é que vai o

resultado?" Aí começou a perguntar

mais alguma coisa a respeito. Ele

disse: "Saia que você vai ser

candidato a vice-prefeito". Aí o

Sérgio foi e disse: "Vá entregar o

INPS, diga que vai ser candidato a

vereador". Aí eu disse que precisava

de tempo. No dia seguinte,

quinta-feira, eu reuni meus irmãos lá em

casa. E liguei para o Mauro dizendo que tinha havido isso. O Mauro me

telefonou sexta-feira, lá pro consultório, e disse: "E você quer

ser?" Aí eu digo: "Quem é que não tem vaidade de ser?" Pois a conversa

todinha é essa aí. Num sábado nós

definimos isso lá na casa do Sérgio,

na segunda-feira eu viajei e entreguei

meu cargo dia li. E fui trabalhar a

Região Metropolitana. E aí fui

pre-feito, vice-prefeito. Quando nós

assumimos eu fui lá ao doutor Ciro

( G o m e s , g o v e r n a d o r ) e perguntei a ele: "Você quer fazer de mim o que

a Maria fez com o Américo Barreira

( e x - v i c e - p r e f e i t o n a g e s t ã o M a r i a

Luiza)'t" Ele disse não. "Então

mande uma mensagem na Câmara

criando o gabinete da Vice-Prefeitura. Porque eu vou querer trabalhar, né?"

E fizemos um gabinete com 12

pessoas, quase todas da Prefeitura

que eu conhecia, e começamos no

centro da cidade a buscar, pesquisar,

certo? Começamos a ver como

moravam quatro tipos da família em

Fortaleza.

E n t r e v i s t a - - O s e n h o r f e z e s s e l e v a n t a m e n t o e n q u a n t o e r a v i c e -p r e f e i t o d o C i r o . Os e n h o r t i n h a a p r e o c u p a ç ã o d e q u e p u d e s s e v i r a s e r

°

p r e f e i t o d a c i d a d e ?

Juraci -- Não. Primeiro, porque-- eu

digo sempre -- eu não era vice do

Tancredo ( r i s o s ) , certo? Mas eu tinha

que substituí-Io em algumas

oportunidades que ele me deu. Esse

grupo que trabalhava comigo era um

grupo muito bom, um grupo dejovens, e queria trabalhar ...

E n t r e v i s t a - - E q u e m e r a ...

Juraci -- Hum?

E n t r e v i s t a - - E q u e m e r a

°

g r u p o ?

Juraci - Afora o Gerardo Campos, é

da minha idade, era uma turma

todinha de jovens da prefeitura. Era

advogado, era economista ... Tinha

também pessoal da Psicologia, que

estava abandonado, lá na prefeitura ...

, 'Ele foi lá em casa,

me cantar pro segundo

turno, achando que ia

disputar com o Lúcio.

Eu digo: 'Doutor

Tasso, o senhor vai

disputar é comigo' .' ,

E n t r e v i s t a - - T i n h a j o r n a l i s t a a b a n d o n a d o t a m b é m ?

Juraci -- Não, mas era esse pessoal

assim. Esse foi o pessoal que

trabalhou comigo. Tudojovem. Fora

eu e o Gerardo, abaixo ou em tomo de 30 anos.

E n t r e v i s t a - - Os e u r e l a c i o n a m e n t o c o m

°

p e s s o a l h o j e d o C a m b e b a ...O

q u e a g e n t e p o d e c o n c l u i r a q u i é u m r e l a c i o n a m e n t o n o r m a l . O n d e é q u e h o u v e e s s a r u p t u r a e p o r q u e h o j e i s t o e s t á c o m o e s t á ?

Juraci --Ainda hoje, eu e o Tasso temos um relacionamento muito bom.

Na campanha mesmo. Ele foi lá em

casa,já tinha ido lá, foi pra me cantar

pro segundo turno, achando que ia

disputar com o Lúcio ( A l c â n t a r a , v i c e - g o v e m a d o r ) . Eu digo: "Doutor

Tasso, o senhor vai disputar é

comigo". Ele disse :" Jura, ninguém

transfere voto. " Eu digo: "Mas esse trabalho tá aí, certo?" Mas eu até hoje não sei qual a razão do doutor Ciro ter se preocupado comigo e estar

se preocupando muito ainda. Porque

ele não encontra nenhuma razão para

explicar ao pessoal do PSDB porque

foiqueperdeuaeleiçãôemFortaleza.

"O candidato era o

Sérgio. Aí então eles

resolveram passar o

Ciro, porque tava

dando aquela figura

colorida, né? Como

deu o Collor. O povo

tava querendo, ' ,

E eu digo muito fácil, por que fui eu que ganhei. Porque política se escreve

com quatro letras: V-O-T-O. Quem

tem voto é quem ganha. E quem

ganha é porque tem o povo do lado.

Então pronto, para ganhar é fácil

explicar. Agora, pra perder. .. Olhe,

naturalmente foi isso que realmente

ocorreu. E ele era do meu partido.

Ele foi eleito pelo PMDB. Ele disse

que eu o havia traído. "Traiu foi

você, que saiu, e o Tasso."

E n t r e v i s t a - - O s e n h o r a c e i t o u s e r c a n d i d a t o a v i c e - p r e f e i t o d o C i r o G o m e s . E m a l g u m m o m e n t o f i c o u e x p l í c i t o q u e d o i s a n o s d e p o i s e l e s a i r i a p a r a

°

g o v e r n o d o E s t a d o e

°

s e n h o r a s s u m i r i a a P r e f e i t u r a ?

Juraci -- Não,não ... Ele foi candidato

ao governo do Estado. Primeiro, a

pesquisa em janeiro dava uma

previsão direcionada para ele.

Desejava a população um cidadão

Jovem, inteligente. O Sérgio

( M a c h a d o ) não emplacou na

pesquisa, porque o candidato era o

Sérgio. Aí então eles resolveram

passar o Ciro, porque tava dando

aquela figura colorida, né? Como

deu o Collor. O povo tava querendo,

acho que porque era mais jovem.

Agora, tenha cuidado, viu.quejovem vai viver muito ( r i s o s ) .

E n t r e v i s t a - G o s t a r i a d ev o l t a r a q u i u m p o u c o àc a m p a n h a d o T a s s o . A s p e s s o a s q u e e s t u d a m

°

f e n ô m e n o

T a s s o J e r e i s s a t i a t r i b u e m s u a v i t ó r i a e m c i m a d o s c o r o n é i s , p r i m e i r o a o d i n h e i r o d o C I C ( C e n t r o I n d u s t r i a l d o C e a r á ) - -

°

g r u p o e m p r e s a r i a l q u e

°

a p o i a v a . S e g u n d o , à m í d i a . M a s , p e l o q u e s e f a l o u , a v i t ó r i a d o T a s s o e s t á c r e d i t a d a a o t r a b a l h o d e p o r t a e m p o r t a , o r g a n i z a d o p e l o s e n h o r . Os e n h o r c r e d i t a a v i t o r i a d o T a s s o a o s e u t r a b a l h o ?

Juraci - ão. Olha, é o seguinte.

Isso aí foi umarnanetra de eu explicar.

Ele era uma pe soa carismática,

odiava político e e tava contra os

coronéis. Tinha, naturalmente, o

respaldo de dinheiro - e político

precisa também. E mesmo sendo

conhecido, ninguém o maltratava.

Agora, ele precr ava era ser

conhecido fora do ambiente de

trabalho dele Ele é uma pessoa

tímida, e as vezes não gostava. E

começamos a marcar encontros, em

bairro , em tinha -O, 60, cem

pessoas e e e 1 anuliarizando.

De maneira - fOI1 aí, não.

Foi esse onj

E n t r e v i t a C r u z a d o , n e

Juraci

vantag

Porque e

naturalm

(7)

- Só que nós e eição agora porque

ão éramo- organizados, nós

eramo um organismo, certo? Que é

diferente. Na hora eu dizia, isso até

na brincadeira: isso é um organismo

tão completo que na hora de mijar, a

bexiga tá cheia. E dava tudo certo

fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

( r i s o s ) .

, 'Claro que ele tinha

essa pretensão e tinha

até esses valores que

ele tem, certo? Só que

o partido dele não tem

condições. Não tem

pena, só tem bico."

E n t r e v i s t a - - E n t ã o d a v a t u d o c e r t o ?

Juraci -- Sim, nós não éramos

organizados, ninguém tinha

organização. Eles são organizados,

tinham dinheiro e tinham carisma. E um projeto. Que você sabe que valeu.

E n t r e v i s t a - - M a s n ã o t i n h a v o t o .

Juraci -- O voto ele foi buscar, né?

Porque ele realmente não era

conhecido. Pouco a pouco ele foi se

adaptando àquela situação, àquela

vivência e é fácil. O povo é bom ...

E n t r e v i s t a - -Os e n h o r a c r e d i t a q u e e l e ( f a s s o ) a l g u m d i a p o s s a c h e g a r à

P r e s i d ê n c i a d a R e p ú b l i c a ?

Juraci -- Claro que ele tinha essa

pretensão e tinha até esses valores

que ele tem, certo? Só que o partido

dele não tem condições. Não tem

as-sento para presidente. Não tem pena,

só tem bico ( r i s o s ) .

E n t r e v i s t a - -

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

O s e n h o r r e s u m i u a e l e i ç ã o p a r a a p r e f e i t u r a c o m

" G a n h a q u e m t e m v o t o ' '. E d i s s e q u e t i n h a v o t o . D á p r a e s c o n d e r , d i a n t e d i s s o t u d o , q u e o s e n h o r éo c a n d i d a t o m a i s f o r t e a o g o v e r n o d o E s t a d o e m 94? A i n d a d á p r a d e s m e n t i r ?

Juraci -- Dá! ( r i s o s ) Eu não tenho nada a ver com isso aí não. O que eu disse é que ganha quem tem voto. O que foi que ocorreu na eleição passada para prefeito? Nós fomos a 148

comí-cios. A gente só tinha 5 minutos de

televisão. Eles tinham 29. Nós não

tínhamos dinheiro. Quando eles

fizeram Chitãozinho e Chororó, eu

contratei Pacajus e Chorozinho

( r i s o s ) .A gente tinha que encarar

essa na conversa, né? Aí foi corpo a

corpo. E sentindo aquela

espon-taneidade. E nós começamos a

mostrar à população que no dia se

convenceu de que Cambraia ia dar

continuidade a esse trabalho. E que o

Cambraia tinha três qualidades na

letra S. Não era sacana, nem era

safado, eram outras três qualidades.

E n t r e v i s t a - - Q u a i s ?

Juraci -- Um camarada simples,

sincero e solidário.

E n t r e v i s t a - S a b i d o n ã o ?

Juraci -- Também ( r i s o s ) .Enquanto

que outros candidatos foram para a

letra B, né? Era o barulhento,

bonequeiro, botocudo, essas coisas

todinhas, né?

E n t r e v i s t a - - B o t o c u d o ?

Juraci -- Sim, porque você sabe que

os tupiniquins perderam pros

botocudos. Eles bateram em cima,

derrubaram o Lúcio e polarizaram a

campanha. Isso foi um erro político.

E n t r e v i s t a - - Os e n h o r a c h a v a q u e e s s a c a m p a n h a s e d e f i n i r i a n o p r i m e i r o t u r n o l o g o , d o j e i t o q u e f o i ?

Juraci -- Claro. Nós dizemos isso aí

por uma razão muito simples. E vou

lhe explicar por quê. Quem era que

podia disputar, dentro de uma

determinada área da cidade, no voto?

Lúcio e Carnbraia. Eles pensaram

que o Lúcio era mais forte, aí na

segunda semana quebraram o Lúcio.

Aí então, todo aquele pessoal

começou a vir pra cá. Polarizou, não

dá certo! Eu sei que agora, por

exemplo, se houver a polarização ...

Não houve a polarização Lula-Collor e acabou saíndo Collor? Então, não dá certo. Eu disse agora em Brasília.

Tem que ter um carbono bom e novo

pra ter a terceira via. Porque senão

vai polarizar de novo entre dois, que talvez não sejam o ideal.

"Não houve a

polarização

Lula-Collor e acabou saíndo

Collor? Então, não dá

certo. Eu disse agora

em Brasília. Tem que

ter um carbono bom e

novo pra ter a terceira

via.' ,

E n t r e v i s t a - A i n d a n a c a m p a n h a p a r a p r e f e i t o , o s e n h o r f a l o u , a n t e s d e d e i x a r a p r e f e i t u r a , q l l e s e u

s u c e s s o r n ã o s e r i a u m a p e s s o a c o n h e c i d a , m a s t e r i a q u e t e r l i m a h i s t ó r i a a c o n t a r . Q u a l a h i s t ó r i a q l l e t e m o p r e f e i t o A n t ô n i o C a m b r a i a ?

Juraci -- Bem, primeiro, a primeira

versão eles fizeram do Cambraia

sargento. Ali foi uma versão

horrorosa, porque eles queriam

" Ele achou por bem

deixar o PMDB

porque se adaptava

no ninho, unindo-se

à

social-democracia que

não existe, pelo menos

na minha ótica. ' ,

colocar o Cambraia como um sargento

que tinha dado pancada nos outros.

Mas eles não sabiam que era o

Cambraia um sargento monitor da

Escola Preparatória de Cadetes. Quer

dizer, um camarada dentro de um

certo ní vel, entendeu? Aí quebrou. A

outra, disseram que o Cambraia era

uma pessoa que eu tinha tirado do meu bolso, era um boneco. Quebrou.

Nós mandamos insuflar uns

bonequinhosecomeçamos a distribuir

com os meninos e pronto. O negócio

se chegou e os meninos chegavam e

diziam: "Pai, mãe, avó, vote no

Cambraia". E é um camarada

simples. Então, o povo começou a

acreditar, porque senão como é que

você ia votar no secretário de

Finanças, que é aquele que toma o

dinheiro? E depois eu dizia sempre: "Estou fazendo isso aqui com o seu

dinheiro, mas graças a esse cidadão aqui, que ele guardou e não estragou o dinheiro da Prefeitura". Tanto é

que eu só vim saber do saldo da

Prefeitura no dia que ele saiu, 2 de

julho. Ele tiilha 200 bilhões em

dinheiro guardadinho ali, certo?

Contadinho, na financeira. Isso

significava 40 milhões de dólares.

Aí eu digo, ora, vou deixar esse

dinheiro pra quem? Vou gastar. Aí

taquei o sarrafo. De julho em diante, botei o IJF pra frente, os trabalhos de manhã, de tarde e de noite. Aí fazia

viaduto que nunca ninguém ia fazer.

Fazia ponte, alargava rua,

desapropriava.

E n t r e v i s t a - - N ã o s e i s e o s e n h o r c o n c o r d a r i a c o m i s s o : o C i r ofalou

q u e o s e n h o r t e r i a d i t o q u e a p r e f e i t u r a e s t a v a c o m c a i x a z e r a d o e q u e e l e ( C i r o ) n ã o t i n h a d e i x a d o

,

~

r~ __

. '" '~

~

J

(

.

-, , »" ? " _ '"

'. : . " j. , : ~

E n t r e o s m o m e n t o s d e d e s c o n t r a ç ã o d e s t a -c a m - s e a q u e le s e m q u e e le f a lo u s o b r e a m o c id a d e .

P a r a m a r c a r a e n t r e -v is t a c o m J u r a c i, a e q u ip e d e p r o d u ç ã o m a n t e v e v á r io s c o n -t a -t o s p o r t e le f o n e .

J á a r e u n iã o d e p a u t a d a e n t r e v is t a d o J u r a c i d u r o u q u a s e d u a s h o r a s .

(8)

H o u ve u m m o m e n to d u ra n te a e n tre vista e m q u e Ju ra ci p e d iu p a ra o s g ra va d o re s se re m d e slig a d o s.

F o i ju sta m e n te q u a n d o fa lo u so b re o G o -ve m a d o rc íroG o m e s.

Ju ra ci d iz g o sta r d a p ro fissã o d e m é d ico , m a s a p o lítica fa z o s o lh o s d e le b rilh a re m .

10

srqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

J u r a c i M a g a lh ã e s

d in h e ir o p r o s e n h o r . T a lv e z e s s e tiv e s s e s id o o in íc io d o c o n flito ?

Juraci - N ão, de m aneira nenhum a, O caixa tem dois lados, tem o crédi to e o haver. E le publicou, no dia 30 ou 31 de m arço, não m e lem bro bem a data, só o caixa que tinha dinheiro. E le não publicou o outro, que estava devendo. E ntão, no dia 2 de abril, quando eu recebi a prefeitura, ele já tinha tirado o dinheiro pra Sum ov

( S u p e r in te n d ê n c ia M u n ic ip a l d e O b r a s e V ia ç ã o ) , o dinheiro pra E m lurb ( E m p r e s a M u n ic ip a l d e L im p e z a e U r b a n iz a ç ã o ) . T irou isso da sexta-feira pro ''sábado, ele e o M aurinho ( M a u r o B e n e v id e s F ilh o , e x - s e c r e tá r io m u n ic ip a l d e F in a n ç a s , d e p u ta d o e s ta d u a lp e lo P S D B e a tu a l s e c r e tá r io d e G o v e m o ) . Pagando as contas das em preiteiras, tirando o dinheiro do funcionário, que era m ais de 60% daquele dinheiro que estava em caixa. D e m aneira que, quando que peguei a Prefeitura, ela estava com um déficit de 1.670.000 cruzeiros.

E n tr e v is ta - - F a la n d o d o M a u r in h o , c o m o é q u e o s e n h o r v ê a id a d e le p r o la d o o p o s to a o d o M a u r o B e n e v id e s ?

O s e n h o r é u m c a r a fie l a o s e u p a r tid o , fie l a s e u s a m ig o s , é a m ig o

e c o m p a n h e ir o d e p a r tid o d o M a u r o . C o m o o s e n h o r a v a lia e s s a m u d a n ç a d e la d o d o filh o d e le ?

Juraci -- B em , é w n direito ...

E n tr e v is ta - - S ó c o m p le m e n ta n d o e s s a h is tó r ia : o M a u r in h o p a s s o u p a r a o P S D B e to d a s a q u e la s p e s s o a s q u e o s e n h o r tê m c o m b a tid o , d a é p o c a d a " R e d e n to r a " , e s tã o d o la d o d o s e n h o r lh e a p o ia n d o c o n tr a o C a m b e b a . C o m o é q u e o s e n h o r a n a lis a e s s a r e v e r s ã o d e p o la r id a d e ? H o je e s tá a lia d o c o m A é c io d e B o r b a , A q u ile s P e r e s M a ta .

Juraci -- B em , o direito de ir e vir, que é garantido pela C onstituição, o direito de professar a religião, a política, não tem sexo, não tem cor. E ntão, ele achou por bem deixar o PM D B porque se adaptava m ais lá no ninho, unindo-se à social-dem ocracia que não existe, pelo m enos na m inha ótica. E naturalm ente, tá lá, tá tudo bem , o pai continua presidente do PM D B , continua líder do PM D B no Senado, continua a dizer que é do Partido e que se for perm itido vai ser candidato

à reeleição ao Senado. A té já perguntaram a ele e a m im se o filho fosse candidato o que é que ele faria. M as esse m esm o direito de ir e vir é aquele que você falou agora, da antiga A rena, do antigo PD S, PFL , essa coisa. O governo do doutor C iro, se não m e engano, é quase todo com o

ele, rem anescente da A rena, doPD S N ão tem diferença nenhum a daq tem po quando diziam que 0

-deputados do ( e x - g o v e m a d o r ) C esar C aIs cabiam num Jeep. E ntão, outros ficaram órfãos. A í acharam que era um a opção. V otaram , então para prefeito. E les m e apoiavam na C âm ara, m as sem nenhum com prom isso. A gora não sei, todo eles dizem que vão apoiar o candidato de oposição ao governo.

E n tr e v is ta - E o s e n h o r a c e ita d e b o m g r a d o e s s a c o is a ?

Juraci -- O lha, dizia o doutor T ancredo N eves que político que não quer voto é burro. E le dizia isso: "M eu filho, político quer é voto".

E n tr e v is ta - - E e le s tê m v o to a in d a ?

J u raci - T êm voto e m ostraram aqui

( n a e le iç ã o d e 1 9 9 2 ) .

E n tr e v is ta - O s e n h o r fa lo u h á p o u c o s m in u to s q u e n ã o e x is te a s o c ia l- d e m o c r a c ia . M a s e m e n tr e v is ta p u b lic a d a n o jornal O P o v o , e m 24 d e fe v e r e ir o d e 1 9 9 1 , o s e n h o r d is s e o s e g u in te : " S o u d o P M D B , d a q u e le q u e fa z , p r o p a g a e p r a tic a a s o c ia l- d e m o c r a c ia ' '...

"Já

tem o grupo do

PM D B , que quer o

voto distrital m isto.

Q uer um

parlam entarism o

fajuta, porque não tem

oposição nem algum a

coisa de um a idéia

realm ente.' ,

Juraci -- M as eu disse no PSD B do B rasil. E u tô dizendo que não existe social-dem ocracia brasileira. Q uer dizer, o PSD B . Q ual é? N ão vam os para program a, não. E screver, todo m undo escreve. E u quero saber é praticar, vontade de fazer. Q ual é o projeto que tem dentro do PSD B , que é m uito bem escrito, feito na prática? Q ual foi aquele que buscou dar valor ao trabalho? V ê se tem algum a prática de algum deles aí. N ão tem . E ntão, tô dizendo que não existe. A í não sei se ela é social-dem ocracia m arrom , né, ou am arela, ou preta. A gente não sabe. N ão tem acordo. Isso é que eu vejo. C om o é que se pratica um a social-dem ocracia e sai daqui aliciando prefeito? C om o é que se descarta aquele que perdeu a eleição?

Entrevista

C om o é que você pode adm itir, se ga lá no m unicípio e diz: "O lhe, . tem candidato pelo PSD B m as

e eu só quero quem ganhou". ta o sujeito e pega o prefeito

ue ganhou. E u não tô enlleD deIJtdoessa prática, entendeu?

E s a r e v i: - E n tã o o s e n h o r p o d e r ia n o s r e x e m p lo d e s o c ia l-d e o c r a c ia d e n tr o d o P M D B , c o n tr a r io a e s s e s te r m o s q u e e s tá e x p o n d o . D e n tr o d o P .\fD B , e m to d o o B r a s il, c to d a e s s a d iv e r s id a d e d e p e s s o a s , d e I d é ia s , d e p a lític o s , n in g u é m te m e s s a m e s m a p r á tic a q u e e x is te n o P S D B h o je n o C e a r á c o m o o s e n h o r e s tá fa la n d o ?

Juraci - O lhe, e o e m te se nós form os analisar as lutas de resgate da cidadania, vario partidos participaram , m as a m aior bandeira foi desfraldada pelo PM D B , com o cidadão cham ado U lysses G uim arães. Foi ele que foi até anticandidato pra poder lhe dar o direito de ser cidadão. C om todas aquelas lutas, inclusive essa últim a agora, que participou e enfrentou, for essa do im peachm ent do C ollor. M as falta um a discussão direta, com o segm ento da sociedade civil... Isso aí é pecado, pecado de todos os partidos, por isso é que existe pouco partido ai. Pra dizer com o deva se com portar em todos os procedim entos, que tenha que tom ar um a atitude, certo? D aí porque, e aí é onde eu acho que nós praticam os a dem ocracia, nós tam os todo dia brigando aí e a im prensa diz m esm o o PM D B tá rachado, tá brigando, Porque realm ente continua ainda o m ovim ento, ainda continua à frente, certo? B uscando esse cam inho. E , naturalm ente, você encontra. Q uantos não se acoplaram depois, né? Q ue já foram de outros partidos. A gora m esm o nessa reform a eleitoral, certo? T inha um pessoal aí, ligado a essa social-dem ocracia e queria apertar aqui e deixar quatro ou cinco partidos só no país, certo? E nquanto que o PM D B foi o prim eiro que assegurou pelo m enos dois partidos que têm idéia, fora o PT , porque o PT tem representati vidade, né? M as o PC doB e o PPS, que continuassem a ser partidos políticos, qualquer que fosse a dim ensão dada à representati vidade. Isso aí já é um avanço. E xem plo: a social-dem ocracia quer um voto distrital puro. Isso significa m artelar o direito da m inoria. Já tem o grupo do PM D B , que quer o voto distrital m isto. Q uer w n parlam entarism o fajuta, porque não tem oposição nem algum a coisa de um a idéia realm ente.

Referências

Documentos relacionados

De fato, a aplicação das propriedades da regra variável aos estudos lingüísticos além da fonologia não constitui assunto tranqüilo, seja porque a variável passa a ser

Se o movimento que derrubou o governo institucional foi repudiado por parte da sociedade civil, por outro lado, foi saudado com entusiasmo por parcelas sociais – não exclusivos das

E o Anjo do Senhor Jesus Cristo que é o profeta da Dispensação do Reino vem à Igreja de Jesus Cristo neste tempo final, enviado por Jesus Cristo para lhe dar testemunho

1 - Usa-se senão (junto), quando possui os seguintes significados: a não ser, exceto, mas, mas sim, mas também, caso contrário, do contrário.. Ex.: Não faz mais nada, senão

Tem homens que são calvos e que não tem essa queda porque tem menos cabelo já. e porque também às vezes os cabelos evoluem ao invés

 Se o consorciado indicar um terceiro para assinatura do contrato de alienação ou Carta Fiança: Deverá enviar procuração pública, onde o procurador possua poderes para

O descumprimento do prazo acarretará em multa pelo DETRAN e a alienação fiduciária não poderá ser baixada (após a quitação do contrato) caso o documento do veículo não esteja

 Do comprador: “poderes para adquirir o imóvel (identificar o imóvel, se possível com a descrição estabelecida na matrícula), inclusive, para contratação de