ReBn, 34 3-5, 1981
XXX I I CON G R ESSO B RAS I LE I RO D E E N F ERMAGEM
Jose
N eri da Silveira eReBEn/Ol
SILRA, J.N. - XII Congresso Brasileiro de Enfermagem. Rev. Bras. Enf. ; DF, 34 : 3 -5, 1981.
A ssocia;ao Brasileira de Enfer magem confere-me inexcedivel distin �ao, em me recebendo no seio de sua comunidade, como Membro Honorario. stou consciente da 'extrema prodigali dade do gesto, ben como da inafastavel desproporao entre a alta honraria e o nenhum merecimento, para tanto, do agraciado. Como escreveu, orem, 0 autor de "0 Pequeno Principe", "quando o misterio se nos depara impressionan te, a gente nao ousa desobedecer".
Justificadamene, no poderia ima ginar 0 entao jovem advogado, quando, a 15 de janeiro de 1957, na cidade de Poro Alegre, recebeu, em consulta pro fissional, no seu escritOrio, a uma jo vial quartanista da Escola de Enfer magem, da Capital gaucha, que, ai, se estaria plantando 0 marco incial, 0 instante primeiro desta noire solene e plena de agradaveis reminiscencias. Tratava-se, segundo a consulente, de uma ontroversia que se instalara en tre a dire;ao de sua Escola, a eoca, anexa a Faculdade de Meicna de Porto Alegre, e 0 Diretor deste estabe leclmento, em virtu de da exonera;ao da
Diretora e Vice-Diretora da Escola de Enfermagem. s dezesseis concluintes da Quarta Turma de Enfermeiras gau chas pretendiam a permanenCia da Diretora e Vice-Diretora de sua Escola. Percebi, entao, no desdobrar ds entre vistas, pelo entusiasmo das jovens, pelo ardor de sua atitude solid aria as mes tras, que sustentavam injusti;adas, nao s6 0 anseio por uma afirma;ao profis sional e pela autonomia de sua Escola, mas ainda a seguran;a com que deba tiam os principlos de sua ciencia, des tinada a conviver com as demais que se conumeram no camo da saude. Empolgando-se com a causa, 0 jovem advogado manuseou livros e revistas de enfermagem que as simpattcs consti tuintes lhe trouxeram. m longo me morial, ei-Io a argumentar quanto ao carater cientifico da Enfermagem, a autonomia dessa ciencia nos dias em curso, a necessidade de passuir ensi no, com diregao e orienta;ao exclusi vs de enfermeiros, cumprindo, em conseqiencia, ser respeitada a autono mia de suas Escolas, sob os pontos de vista aministrativo e didatico. Como
• Presidente do ribunal Federal de Recursos - Discurso de agradecimento - Brasi lia - Dlstrlo Federal - XXXII Congresso rasileiro de Enfermagem - 5/6/80.
SILEIRA, J.N. - XXII Congresso Brasileiro de nfermagem. Rev. Brs. Enf.; DF, 34 : 3-5, 1981.
eria curial, nao faltaram, no traba lho, as citag5es ao sistema da imortal
FLORENCE NIGHTINGALE. 0 arrazoa do, todavia, na� logrou exito. Recebi das pelo sisudo Diretor, as jovens estu
dantes experimentaram, entretanto, 0
dissabor da derrota. As organizadoras
de sua Escola cairam, de pe, numa pos
tura caracteristica dos que lutam e
quedam por um ideal autenticamente humano, nobre e justo.
Do epis6dio, e certo, houve somente um grande beneficiirio. 0 jovem advo.. gada perdeu a causa, mas recebeu a mais gratificante de todas as recom ensas de sua vida: dentre as inte grantes da Turma de Enfermeiras de 1957, de Porto Alegre, saiu a sua es posa, mae de seus sete filhos, dos quais a primogenita ja e tambem estudante d� Enfermagem, da Universidade Fe deraldo Rio Grande do SuI.
mbora dedicado, constantemente,
as tides da Jurisprudencia, desde ai, de
modo especial, por forga dessas circuns
tancias, para mim tao felizes, a causa
da Enfermagem tem eietivamente es
tado dentro de meu coragao.
Bem podeis, assim, avaliar, Senha," ras Enfermeiras e Senhores Enfermei ros, 0 quanto me sensibiliza 0 titulo que me concedeis. A Associagao Brasi-1eira de Enfermagem, com quase cin qienta anos de existencia, congrega a comunidade cientifi.ca e inte1ectual da Enfermagem brasileira, realizando obra cultural de extraordinario merecimen to, de que este magnifico XXII Con gresso Brasileiro e exemplo assinalado. Promovendo 0 desenvolvimento da En fermagem no Brasil, contribui tambem para a me1horia dos padr5es de seu ensino, reafirmanda rumos do exercicio prof'ssional, bu�cando 0 aprimoramento de seus membros e sendo, em conse qiencia de tudo isso, instrumento efi caz a servigo da me1horia da ass is iencia a saude de nosso pavo.
Como efeito, de seu espirito de ayao, sem duvida, ja resu1taram nao
4
s6 os Sindicats de Enfe'meiros no s
tado do Rio Grande do SuI e no Rio de Janeiro, para citar os primeiros, mas, ainda, os 6rgaos de natureza es (atal, visando a disciplina pro fissional, que sao os Conselhos Federal e Re
ionais de Enfermagem, tambem mo delarmente organizados, segundo 0 sen tido de ordem, de objetividade e de
5eguranga, tao entranhado na nobreza
da alma do enfermeiro.
Busca, e exato, a Enfermagem no Brasil, PO' intermedio de suas entida des representativas e de suas lideran gas, a definigao de itinerarios mats precis os e consentineos com 0 progres-50 de sua ciencia, para a agao como profissao liberal. E, hoje, ponto assente que a atengao a saide constitui pro blema multiprofissional. 0 enfermeiro, como integrante da equipe de saide, ten de, tambem, j a 0 proclamou em 1975 a Organizagao Mundial da Saide, t promogao, protegao e recuperagao da saide da pessoa, da familia e da comu nidade, sen do justo, dessarte, reconhe ce' a necessidade de sua presenga no planejamento e programagao das ins tituig5es e servigos de saude, asssegu rando-Ihe, outrossim, autonomia tecni ca no planejamento, organizagao, exe cugao e avaliagao da assist en cia espe cifica de enfermagem. Dai por que, no particular, penso que fOi, com inteira propriedade, que sinalou a culta pro fessora e ilustre Enfermeira, Dra. RO SALDA CRUZ NOGUEIRA PAIM, m seu livro "Metodologia Cientifica em Enfermagem", pags. 104/105, referindo se t legislagao reguladora das atribui goes do Enfermeiro (Dei n.o 775/49, Lei n.o 2.604/55 e Decreto n.o 50.387/61):
"Com 0 perpassar dos anos e a evolugao
da enfenn.lgem e do enfemeiro, n.o mais correspondem (esses diplomas) aos obj,etivos a que se propuseram, necessi tando assim de reajuste', por iso que se
SILEIRA, J.N. XXXII Congresso Brasileiro de fermagem. v. s. Enf.; DF. 34 : 3-5, 1981.
A obra legislativa
-que, nesse sen riam Gra a Pereira, interpre
tido, por certo, se realizara, em futuro te
;; Generoso
da ABEn, neste istan'te, els pla proximo, ha de constituir, dessa ma vras de generosidade e de extrema bon neira, instrumeno eficiente a propor dade com que me saudu em hora cionar novos desenvolvimentos da En emot;ao. Ja se dise que a enfeme
de ir e fermagem, nos dominios da ciencia, da uma professora da saude, pela rela;io pesquisa, das tecnicas, do ensino e do direta entre a confian;a que
controle do exercicio pro fissional, 0
inspira,
a
a solidez de seu preparo e a eficiencia que, em tudo, concorrera
0
para a gran de seu ensino. lem de tudo iso, a Dra. deza da profissao e cumprimento de Miriam Gra Generoo Pereira, m iua missao social. Nessa linha, de ou suas palavras amigas e cordialisimaa, ,ra parte, cumpre nao perder de vista. evidenciou terem realizado, em i, s �ambem, a indiscutivel conveniencia de fermeiras do Brasil, tambem, 0
en ideal ,e tornar cad a vez mais harmonica a
\nter-rela;;ao entre s
indicado por LORENCE NIGHTINGA as diversas profis LE ao escrever: "A enfermeira deve ;oes, que aplicam ciencias da saude, ser. .. possuidora de sentimentos ele em ordem a coexistirem num lucido e vados e delicados."
saudavel espirito de compreensio, cientes todos de que e
cons
somente no con Muio obrigado!
vivio feliz dos diferentes profissionais categoria podera 10-�rar
la saude a
que cada
JOE
(Discurso proferido pelo Ministro plenitude de seus objetivos e a NERI DA SILVEIRA, no XII Pat,ria comum alcan�ar a saude geral Congresso Brasileiro de Enfermagem, de seu povo.
culta
Sou profundamente agradecido t
no Centro de Conven;oes em Brasilia, a 5-6-1980, agradecendo 0 titulo de e abnegada Enfermeira, Dra. Mi- "Membro Honorario" da ABEn).