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Abstract: The stroke plays an important role in health care, not only by the high incidence but also the mortality

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Academic year: 2021

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Patrícia Isabel da Palma Brás

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Escola Superior de Despor de Rio Maior

Licenciatura em Psicologia do Desporto e do Exercício

Resumo:

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) assume um papel importante nos cuidados de saúde, não só pela alta incidência mas também pela mortalidade e morbilidades que provoca. Assim, neste artigo de revisão de literatura são abordados aspetos relacionados com o AVC, nomeadamente a história, definições e a sua classificação; bem como, os problemas associados a esta tipologia de lesões neurológicas sendo a atividade física um fator importante para a Qualidade de Vida do sujeito após AVC.

Palavras-chaves: Acidente Vascular Cerebral; Atividade física; Qualidade de Vida

Abstract:

The stroke plays an important role in health care, not only by the high incidence but also the mortality and morbidities it cause. So in this literature review article examines aspects related to stroke, including history, definitions and its classification; as well as the problems associated with this type of neurological injuries and physical activity an important factor in the quality of the subject's life after stroke.

Key Words: Stroke; Physical activity; Quality of Life

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Acidente Vascular Cerebral em Portugal

O s acidentes vasculares cerebrais (AVCs) estão entre as principais causas de morte e incapacitação física no mundo. (Oliveira, R. &

Andrade, L.)

Na Europa em cada ano cerca de um milhão de pessoas sofre um AVC isquémico, e no seu conjunto é a 3ª causa de morte estima-se que morram 400 000 pessoas anualmente em consequência de AVC.

Em 1992, foi considerada a primeira causa de morte em Portugal, porém verificou-se uma diminuição na taxa de mortalidade entre 2007 e 2011. (Correia, M., 1997; Sousa-Uva, M. &

Dias, C., 2013)

Contudo apesar do AVC constituir a principal causa de morte em Portugal, a maior parte dos indivíduos vítimas de AVC sobrevive com variadíssimos graus de incapacidade e morbilidade. (Ventura, M.; 2000)

Segundo Magalhães e Bilton (2004) os acidentes vasculares cerebrais ocorridos na população idosa são da mesma natureza dos observados nas pessoas mais jovens. De acordo com Ventura (2000) o AVC resulta da interrupção da irrigação sanguínea numa área do cérebro ou rutura de um vaso, causando lesão cerebral e alterações nas funções neurológicas, podendo provocar danos nas funções motoras, sensoriais e de linguagem.

Conforme Menezes (2001, cit. por Magalhães e Bilton, 2004) o AVC acontece quando o sangue que alimenta uma parte do cérebro é cortado

devido a um entupimento de um dos vasos, AVC isquémico, ou a um sangramento, AVC hemorrágico.

Tipos de Acidentes vasculares cerebrais

A determinação do tipo de AVC depende do mecanismo que o originou.

Como foi referido anteriormente, o AVC divide- se em dois: os acidentes vasculares cerebrais isquémicos (AVCIs) e os acidentes vasculares cerebrais hemorrágicos (AVCHs).

A isquemia diz respeito a qualquer processo durante o qual um tecido não recebe os nutrientes – e em particular o oxigénio - indispensáveis ao metabolismo das células.

(Cancela, 2008)

Segundo Garett (1994) citado por Cancela (2008) o AVCI é induzido por entupimento de um vaso ou redução de perfusão cerebral, ou seja, quando o tecido cerebral é privado do fornecimento do sangue arterial.

Por outro lado Pires et. al (2004 ) afirma que o AVCI é um défice neurológico resultante da insuficiência de suprimento sanguíneo cerebral, que pode ser transitório ou permanente.

Assim sendo, os AVCIs podem ser classificados

segundo a sua patologia: lacunar, trombótico e

embólico. Um AVC é trombótico quando o

processo patológico responsável pela oclusão do

vaso se desenvolve no próprio local da oclusão,

ou seja, é a formação ou desenvolvimento de um

coágulo de sangue ou trombo no interior das

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artérias cerebrais, ou dos seus ramos. A embolia cerebral define-se como todo o processo em que se verifica a oclusão arterial por um corpo estranho em circulação, que são libertados na corrente sanguínea e que se deslocam até às artérias cerebrais. (Cancela, 2008).

No que se refere ao AVC hemorrágico (AVCH) este é consequência da extravasão de sangue para fora dos vasos. Quando ocorre uma hemorragia, o sangue pode expelir: 1) para o interior do cérebro, provocando uma hemorragia intracerebral; ou 2) para o espaço entre o cérebro e a membrana aracnóide, provocando uma hemorragia subaracnoide.

A hemorragia pode ocorrer de várias formas, sendo as principais: 1) Aneurisma ou 2) Rutura de uma parede arterial. (Cancela, 2008)

Independentemente do tipo de AVC sabe-se que esta doença é altamente incapacitante e que muitos doentes ficam dependentes após lesão.

Assim as áreas afetadas e a extensão da lesão diferenciam as consequências funcionais de um AVC à esquerda ou à direita.

Hemisfério esquerdo / hemisfério direito

Apesar de o cérebro ser uma estrutura única, este encontra-se dividido em hemisfério esquerdo (HE) e hemisfério direito (HD).

Segundo Aventura (2000) anatomicamente, cada hemisfério parece ser uma imagem do outro.

Funcionalmente, o controlo de movimentos e sensações básicas do corpo está dividido de

maneira uniforme entre os dois hemisférios cerebrais. Este controlo acontece de forma cruzada, ou seja, o hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo e o hemisfério direito controla o lado esquerdo, pelo que, uma lesão do lado esquerdo do cérebro poderá causar problemas de movimentos ou falta de força do lado direito do corpo.

Logo, os prejuízos cognitivos e neuropsiquiátricos após uma lesão vascular são fortemente influenciados pela área cerebral afetada e pela extensão da lesão. Após uma lesão vascular no hemisfério esquerdo (LHE), os pacientes tendem a apresentar prejuízos nos aspetos estruturais da linguagem, memória verbal e algumas componentes de funções executivas. Por outro lado, pacientes com lesão no hemisfério direito (LHD) podem apresentar défices na perceção, memória visual, em algumas componentes das funções executivas e no processamento emocional (Cardoso et. al,2012).

Assim sendo, quando a lesão ocorre no hemisfério esquerdo, o paciente pode apresentar paralisia no lado direito do corpo e dificuldades na fala. Estes fatos foram confirmados pelo famoso cientista francês Pierre Broca, que descobriu que o centro motor da linguagem (fala) encontra-se apenas no hemisfério esquerdo. Uma lesão nesta área torna a pessoa total ou parcialmente afásica, isto é, sem a capacidade de enunciar a voz, sem entretanto alterar outras funções relacionadas linguagem.

Por outro lado, quando a lesão ocorre no

hemisfério direito é frequente observar-se

alterações a nível emocional e de humor,

dificuldades preceptivas e viso-espaciais.

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Logo, podemos considerar que os doentes com lesões do HD, apesar de poderem comunicar eficazmente, terão dificuldades no desenvolvimento das tarefas e no cumprimento do programa de reabilitação. Pelo contrário, doentes com lesão à esquerda, apesar das dificuldades de comunicação verbal, poderão beneficiar bastante com a reabilitação, aprendendo com os erros, o que leva a serem capazes de sintetizar partes de uma tarefa e a partir de um programa adequado poderão com certeza progredir tanto ou mais na sua autonomia que os doentes com lesão à direita.

(Ventura, 2000).

Reabilitação após AVC

A reabilitação é o processo de recuperação ou de aprendizagem da gestão dos danos que o AVC causou. Reabilitação envolve voltar à vida normal alcançando o melhor nível de independência possível através de:

 Reaprender capacidades e habilidades;

 Aprender novas capacidades;

 Adaptar-se a algumas situações causadas pelo AVC;

 Encontrar suporte prático, emocional e social em casa e na comunidade.

Assim sendo, a reabilitação tem como objetivo minimiar a incapacidade do doente e sendo esta um processo dinâmico, orientado para a saúde, que auxilia o individuo doente ou incapacitado a atingir o seu maior nível de funcionamento físico, mental e económico. (Ventura, 2000)

Segundo Cancela (2008), se uma pessoa sofrer algum tipo de dano cerebral, uma ou várias funções cognitivas podem ser afetadas. Para recupera-las será necessário empreender estratégias terapêuticas especificas para cada tipo de alteração. Assim, a reabilitação cognitiva é o processo que visa recuperar ou estimular as capacidades funcionais e cognitivas, ou seja, (re) construir os seus instrumentos cognitivos. Esta possui dois objetivos gerais: 1) favorecer a recuperação de funções, isto é, a recuperação da função em si mesma, dos meios, capacidades ou habilidades necessárias para alcançar determinados objetivos- restituição da função; e 2) favorecer a recuperação de objetivos, trabalhar com o doente para que possa desenvolver e alcançar determinados objetivos usando meios diferentes aos usados antes da lesão – substituição ou compensação da função.

Os programas de reabilitação devem sempre constar exercícios que possam ser aplicados através de qualquer meio capaz de representar situações do quotidiano nas quais o paciente é incentivado a concentrar-se, interagir, raciocinar, tomar decisões, entender o discurso corrente e expressão sentimentos e pensamentos.

Assim a reabilitação está dependente do tipo de AVC, da extensão e da localização da lesão.

Dada a especificidade referida para cada um dos

hemisférios, há diferenças entre as capacidades

de aprendizagem dos doentes com lesões no HD

ou HE. Estas influenciam o modo como o doente

percebe e aprende e, consequentemente, os

profissionais de reabilitação devem usar

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diferentes abordagens dependendo da lateralidade da lesão. De acordo com Garrison et al. (cit. por Ventura, 2000), o doente hemiplégico esquerdo (lesão à direita) apresenta muitas vezes comprometimento de perceção viso-motora, perda da memória visual e anosognosia. Estes ainda revelam alguma lentidão no que se refere a aprendizagem das atividades de vida diárias (AVDs). Por outro lado, doente com lesões à esquerda, apesar de alterações de comunicação, a recuperação pode ser bem-sucedida uma vez que estes são capazes de compreender.

Atividade física, qualidade de vida em

doentes com AVCI

Segundo um estudo de Costa & Duarte (2002) as pessoas com sequelas de AVC estão, na sua maioria, excluídas da prática de atividade física regular. O que lhes é oferecido resume-se à prática de exercício de manutenção no âmbito da fisioterapia.

Neste estudo, os programas de atividade física regular desenvolvidos, têm como objetivo o caráter preventivo, ou seja, atividades que evitem a ocorrência de um AVC.

Neste estudo participaram 18 pacientes do sexo masculino, aos quais foi oferecido um programa de atividade física e recreativa composto por:

caminhada, atividades aquáticas e atividades com cavalos. Estas atividades foram escolhidas em conjunto com os sujeitos da pesquisa, tendo em consideração os seguintes aspetos: 1) atividade

que pudessem realizar de acordo com o ritmo e capacidade funcional de cada um dos participantes; 2) que pudessem ser realizadas em grupo ou individualmente, após o fim do estudo e por último 3) atividades que proporcionassem motivação, alegria e prazer.

Os resultados obtidos deram origem a oito domínios. No domínio social, verificou-se uma melhoria após a realização do programa. Este resultado pode ser comprovado pela afirmação de Bos (1992, cit. por Costa & Duarte, 2002), que descreve a atividade física e/ ou desportiva regular como um meio para se movimentarem mas também como a oportunidade de criar e sedimentar relações de amizade. Para os indivíduos com sequelas de AVC, esta atividade física regular permite que sejam estabelecidas relações com o ambiente exterior, pois permitem a convivência com outras pessoas que não aquelas do seu quotidiano.

No domínio da capacidade funcional, houve uma melhoria no que se refere as capacidades funcionais gerais. Pois a perda desta capacidade leva o individuo à incapacidade para realizar simples tarefas da sua vida diária afetando a sua qualidade de vida.

No domínio do estado geral de saúde, a atividade

física regular não só tem influência direta sobre a

saúde em geral, como também influencia no

aspeto de se sentir saudável, verificou-se assim

que o ponto de vista da perceção subjetiva do

estudo geral de saúde modificou-se

profundamente, os pacientes sentiram-se muito

mais saudáveis após a realização do programa.

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Nestes casos o aspeto emocional é muito importante, pois as alterações emocionais podem interferir na realização de atividade de vida diária do individuo. Observou-se que após a realização do programa o aspeto emocional deixou de representar uma limitação para as suas AVDs.

No domínio da dor observou-se no início um elevado número de queixas por parte dos participantes, no entanto após a realização do programa está foi aliviada.

As limitações por aspetos físicos foram um dos domínios que apresentou melhor modificação.

Contudo, não significa a eliminação ou mesmo a minimização das sequelas motoras ou das limitações físicas causadas pelo AVC.

A saúde mental do individuo deve ser dos domínios em que os profissionais de saúde têm que prestar mais atenção. Este domínio tende-se a focar nos efeitos que a atividade física tem na redução do stress, ansiedade e depressão. Os resultados obtidos foram satisfatórios, pois constatou-se uma melhora significativa. Podemos atribuir essa evolução com o aspeto emocional, pois, acredita-se que o fortalecimento da sua auto-imagem e maior segurança na realização das tarefas torna-os mais confiantes.

E por último no que diz respeito ao domínio da vitalidade pode-se afirmar, através dos resultados obtidos neste estudo, que o programa de atividade física regular exerceu uma influência benéfica e significativa, proporcionando aos participantes maior energia e vitalidade.

Considerações finais

Atividades físicas regulares como, caminhar, dançar, nadar, andar de bicicleta, jogar ténis ou golfe, ajudam a baixar a pressão arterial, criam um equilíbrio saudável das gorduras do sangue e melhoram a capacidade do seu corpo para lidar com a insulina.

Bibliografia

Oliveira, R. & Andrade, L. Acidente Vascular Cerebral.Rev.Bras.Hipertens.8: 280-90,2001.

Costa, A.M., Duarte, E. Atividade física e a relação com a qualidade de vida, de pessoas com sequelas de acidente vascular cerebral isquémico (AVCI). Rev. Bras.Ciên.eMov.10 (1): 47-54, 2002.

Ventura, M. Influência do Hemisfério Afectado

na Reabilitação do Doente com Acidente

Vascular Cerebral. Rev. Referência(5). (2000).

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Magalhães, L. & Bilton,T. Avaliação de linguagem e de deglutição após acidente vascular cerebral. Rev.Distúrbios da Comunicação.16 (1): 65-81, 2004.

Cancela, D. O acidentes vascular cerebral- classificação, principais consequências e reabilitação.2008.

Cardoso, C. et al. Tomada de decisão no IGT:

Estudo de caso pós-AVC de hemisfério direito versus esquerdo. Psico-USF.17(1):11-20,2012.

Pires, S. et al. Estudo das frequências dos principais fatores de risco para acidente vascular cerebral isquémico em idosos.

Arq.Neuropsiquiatr.62.(3-8): 844-851.2004.

Referências

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