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ANO II RIO D E JANEIRO, 14 D E OUTUBRO D E 1933 N . 140

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BOLETIM

ESTADOS UNIDOS DO BRASIL

(Decreto n . 21.076, de 24 de fevereiro de 1932)

ANO II RIO D E JANEIRO, 14 D E OUTUBRO D E 1933 N . 140

Recursos contra a expedição de diplomas ou reco- nhecimento de candidatos

Julgamentos designados pelo Exmo. Sr. ministro pre- sidente, de acordo com o disposto no Regimento Interno — art. 75, § 5

o

, 2

a

parte

(Boi. Eleit. n . 114, de 17-VII-1933)

SESSÃO O R D I N Á R I A E M 17 D E O U T U B R O D E 1933

1) Ação Penal n. 5 — Rio Grande do Norte — Réu, Manoel Procopio de Moura — Relator, o senhor Monteiro de Salles.

2) Ação Penal n. 8 — São Paulo — Réus, Maria Izabel Garcia e outros — Relator, o Sr. desembargador José Linhares.

3) Ação Penal n. 9 — Sergipe — Réu, Antônio Fran- cisco da Silva — Relator, o Sr. Affonso Penna Júnior.

S U M Á R I O

I — Atas do Tribunal Superior de J u s t i ç a Eleitoral 7» s e s s ã o e x t r a o r d i n á r i a , em 7 de outubro de 1933.

80" s e s s ã o o r d i n á r i a , em 10 de outubro de 1933 .

II — Recursos contra a e x p e d i ç ã o de diplomas ou re- conhecimento de candidatos:

Resultado da e l e i r í i o procedida na R e g i ã o — Rio Grande do Sul.

III — J u r i s p r u d ê n c i a do Tribunal Superior.

Processo n. 559 — Espirito Santo.

IV — Tribunal Regional do Distrito F e d e r a l : Editais e avisos.

T R I B U N A L SUPERIOR D E J U S T I Ç A E L E I T O R A L

ATAS

7" SESSÃO E X T R A O R D I N Á R I A , E M 7 D E O U T U B R O D E 1933 P R E S I D Ê N C I A 0 0 S R . M I N I S T R O H E R M E N E G I L D O D E B A R R O S ,

P R E S I D E N T E

1) Abertura da s e s s ã o ; 2) Leitura e aprova- ç ã o da ata da r e u n i ã o anterior, depois de falar o Sr. Carvalho M o u r ã o ; 3) A p r o v a ç ã o das conclu- s õ e s finais sobre o pleito no Estado de Minas Gerais, j á incluidos os resultados das e l e i ç õ e s re- novadas; 4) C o m u n i c a ç ã o do Sr. presidente, so-

bre uma r e p r e s e n t a ç ã o do candidato Asdrubal Gwyer de Azevedo; 5) C o n t i n u a ç ã o do julgamen- to referente a e l e i ç ã o do Estado de São Paulo e a p r o v a ç ã o das c o n c l u s õ e s finais; G) Encerramen- to do s e s s ã o .

Ás nove horas, presentes os j u i z e s : m i n i s t r o s E d u a r d o E s p i n o l a e C a r v a l h o M o u r ã o , desembargador J o s é L i n h a r e s , doutores Affonso P e n n a J ú n i o r e M o n t e i r o de Sales, cinco (5), e o desembargador Renato Tavares, p r o c u r a d o r geral, abre-se a s e s s ã o . E ' l i d a a ata da s e s s ã o a n t e r i o r . O S R . C A R - V A L H O M O U R Ã O r e q u e r que seja r e t i f i c a d a a ata no sentido Oe ser declarado que as c o n c l u s õ e s aprovadas f o r a m as r e l a t i v a s á s s e c ç õ e s e l e i t o r a i s onde a , e l e i ç ã o f o i renovada por ordem do T r i b u n a l R e g i o n a l do E s t a d o de M i n a s G e r a i s . O S R . P R E - S I D E N T E declara que s e r á feita a r e t i f i c a ç ã o s o l i c i t a d a . E ' a p r o v a d a a ata da s e s s ã o a n t e r i o r . O S R . C A R V A L H O M O H Ã O apresenta e s ã o aprovadas unanimemente, as seguintes c o n - c l u s õ e s sobre o pleito referente á e l e i ç ã o referente ao Estado de M i n a s G e r a i s . Recurso e l e i t o r a l n. 14 (4* c l a s s e ) — M i n a s G e r a i s — C o n c l u s õ e s— I— D e v e m ser anuladas as v o t a ç õ e s nas seguintes s e c ç õ e s e l e i t o r a i s que o T r i b u n a l Regional a p u r o u : 1, ú n i c a de C ó r r e g o dos Machados; 2, ú n i c a de Rio P a r a n a i b a ; 3, ú n i c a de S ã o J o s é das P e r o b a s ; 4, 2* de C a m a n d u c a i a ; 5, r da cidade de M a n h u a s s ú ; 6, 8* de C u r v e l l o ; 7, 2* de M i r a i ; 8, 2* de S i l v e s t r e F e r r a z . II — Deve r e n o v a r - s e a e l e i ç ã o na 2* s e e ç ã o e l e i t o r a l de M i r a i e na 2* s e c ç ã o de S i l v e s t r e F e r - raz, ora a n u l a d a s ; porque o n ú m e r o de sobrecartas, na u r n a , n ã o c o r r e s p o n d i a ao de votantes, constante da a t a i p a r a o que se e s p e d i r á i m e d i a t a c o m u n i c a ç ã o ao presidente do T r i b u - n a l Regional p a r a os fins e nos termos do a r t . 75, § 11 do Regimento i n t e r n o . III — D e v e ser a p u r a d a a v o t a ç ã o c o - l h i d a a 3 de m a i o ( n ã o a que foi a p u r a d a pelo T r i b u n a l R e - gional, de v o t a ç ã o renovada por sua ordem) na seguinte s e c ç ã o eleitoral, que h a v i a sido anulada, mas que o n ã o de- v e r i a s e r : •— Ú n i c a de P e n h a do C a p i m ( A i m o r é s ) . I V — N ã o devem ser apuradas as v o t a ç õ e s que se efetuaram, por o r d e m do T r i b u n a l Regional, a 20 de agosto p r ó x i m o passa- do, nas seguintes s e c ç õ e s eleitorais, anuladas na 1* a p u r a ç ã o g e r a l das e l e i ç õ e s de 3 de maio, por m o t i v o s que legalmente n ã o d e t e r m i n a m a r e n o v a ç ã o da v o t a ç ã o : 1, ú n i c a de G r i s o l i a

( O u r o - F i n o ) ; 2, 4 ' s e c ç ã o de A n d r a d a s ( C a l d a s ) ; 3, 1" s e c ç ã o de A l é m P a r a í b a ; 4, 24' de C a r a n d a í ( B a r b a c e n a ) . V — D e v e m ser apuradas, como de legenda, as t r i n t a e nove (39) c é d u l a s encontradas na u r n a da 5 ' s e c ç ã o de I t a ú n a (54*

zona — d i s t r i t o de I t a t i a i a u s s ú , por o c a s s i ã o da a p u r a ç ã o das e l e i ç õ e s de 3 de maio, com a legenda " L i g a E l e i t o r a l C a - W l i c a " . V I — S ã o confirmadas, por seus fundamentos, as demais d e c i s õ e s do T r i b u n a l a quo, em recursos • sobre atos o u r e s o l u ç õ e s das T u r m a s A p u r a d o r a s , bem como sobre a r e n o v a ç ã o de v o t a ç ã o e sua a p u r a ç ã o em secções a n u l a d a s .

"VII — N ã o ê caso de se a n u l a r a e l e i ç ã o em toda a R e g i ã o ,

pois que as nulidades, reconhecidas ou decretadas por este

T r i b u n a l S u p e r i o r , evidentemente n ã o a t i n g e m á metade dos

votos de toda a R e g i ã o . V I I I — S ã o improcedentes as a r g u i -

ç õ e s e a l e g a ç õ e s dos recursos interpostos da p r o c l a m a r ã o ,

por parte do T r i b u n a l Regional, dos eleitos pela R e g i ã o , e,

por isso, o T r i b u n a l S u p e r i o r nega-lhes p r o v i m e n t o . O

S R . P R E S I D E N T E c o m u n i c a ao T r i b u n a l o despacho que p r o -

f e r i u c m u m o f i c i o do S r . A s d r u b a l G w y e r de Azevedo, por

ser esse o f i c i o d i r i g i d o t a m b é m ao T r i b u n a l , de a c ô r r d o com

o parecer do p r o c u r a d o r g e r a l . O T r i b u n a l decide que esse

oficio, como r e p r e s e n t a ç ã o , n ã o pode ser recebido, nos termos

do a r t . 116 do R e g i m e n t o Interno, e, como r e n u n c i a do m a n -

dato de deputado, t a m b é m n ã o o pode ser por n ã o competir ao

T r i b u n a l t o m a r conhecimento da m a t é r i a , u n a n i m e m e n t e . E '

(2)

a n u n c i a d a a c o n t i n u a ç ã o do j u l g a m e n t o do Recurso E l e i t o - ral n . 5 (classe 4 ' ) , r e l a t i v o á s e l e i ç õ e s r e a l i z a d a s no E s t a d o de S ã o P a u l o . O S a . A F F O N O P E N N A J Ú N I O R , r e l a t o r , r e q u e r que a v o t a ç ã o se faça englobadamente, apresentando os j u i z e s as d i v e r g ê n c i a s que t i v e r e m a respeito do parecer. O T r i b u n a l a p r o v a u n a n i m e m e n t e a proposta do r e l a t o r . S ã o aceitas as c o n c l u s õ e s do p a r e c e r , sobre os r e c u r s o s p a r c i a i s n ú m e r o s 180 a 203, u n a n i m e m e n t e . E ' aceita a c o n c l u s ã o do parecer, quanto ao r e c u r s o p a r c i a l n ú m e r o 204, c o n t r a o v o t o do S r . C a r v a l h o M o u r ã o , de acordo c o m as r a z õ e s que d e u a respeito do r e c u r s o p a r c i a l n ú m e r o 147, r e l a t i v o a 14* s e c ç ã o e l e i t o - ral da 1* zona ( B r a z ) . S ã o aceitas as c o n c l u s õ e s do parecer quanto aos recursos p a r c i a i s n ú m e r o s 205 a 225, u n a n i m e - mente, tendo o S r . C a r v a l h o M o u r ã o declarado, a r e s p e i t o do r e c u r s o p a r c i a l n ú m e r o 209, que v o t a r á somente p e l a c o n - c l u s ã o . S ã o u n a n i m e m e n t e aceitas as c o n c l u s õ e s do r e l a t o r que m a n d a m n ã o a p u r a r as v o t a ç õ e s das s e c ç õ e s : 2* d a 16*

zona ( A m p a r o ) e 2* d a 13G* zona ( X i r i r i c a ) , onde as e l e i ç õ e s f o r a m indevidamente renovadas, e alterando o c r i t é r i o pelo q u a l f o r a m proclamados os eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o de modo a i n c l u i r nesse quociente os candidatos m a i s v o t a - dos no 2° turno dentre os registados sob a m e s m a legenda, e n ã o os m a i s votados em I

o

turno, j u s t i f i c a n d o longamente o seu voto o m i n i s t r o E d u a r d o E s p i n o l a . E ' dado p r o v i m e n t o ao recurso do S r . A n t ô n i o A u g u s t o Covello, candidato m a i s votado em 2° turno pelo P a r t i d o da L a v o u r a , p a r a o f i m de ser considerado como eleito pelo quociente p a r t i d á r i o , u n a - n i m e m e n t e . Quanto ao r e c u r s o desse mesmo r e c o r r e n t e e m r e l a ç ã o a e r r o na contagem de votos pelo T r i b u n a l R e g i o n a l , d ã o p r o v i m e n t o p a r a que seja atendida a r e c l a m a ç ã o p o r o c a s i ã o de ser levantado o m a p a p e l a S e c r e t a r i a , u n a n i m e n t e . E ' dado p r o v i m e n t o ao r e c u r s o do S r . F r e d e r i c o V i r m o n d de L a c e r d a W e r n e c k , p a r a o f i m de ser, como o t e r c e i r o c a n d i - dato votado em 2° t u r n o pelo P a r t i d o S o c i a l i s t a B r a s i l e i r o , i n c l u í d o entre os eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o desse P a r - tido, unanimemente. O r e l a t o r m o d i f i c a o seu voto quanto a i n a d m i s s i b i l i d a d e do recurso do P a r t i d o da L a v o u r a , aceitando as p o n d e r a ç õ e s do S r . C a r v a l h o M o u r ã o , e manifesta-se pelo p r o v i m e n t o do mesmo r e c u r s o . E ' aceito o voto do r e l a t o r , u n a n i m e m e n t e . E ' negado p r o v i m e n t o ao r e c u r s o do S r . C a r - melo S a l v a d o r F r a n c i s c o J o s é Segismundo C r i s p i n o , pedindo que sejam cassados os d i p l o m a s expedidos aos candidatos da

" C h a p a Ú n i c a por S ã o P a u l o U n i d o " , p o r serem i n e l e g í v e i s ex-vi do decreto n . 22.194, a r t . I

o

letras h e j, u n a n i m e - m e n t e . S ã o , finalmente, aprovadas, u n a n i m e m e n t e , as se- guintes c o n c l u s õ e s : a) que se anule a v o t a ç ã o a p u r a d a nas e l e i ç õ e s indevidamente renovadas da 2* s e c ç ã o de A m p a r o , 16* zona, e 2* de X i r i r i c a , 136* z o n a ; n a 1* de I t a r a r é , 59*

zona; 9* de L i b e r d a d e , 5" zona da C a p i t a l ; 16* de Santa C e c í - l i a , 3* zona; 1* de Assis, 22* z o n a ; 2* de C r u z e i r o , 3 5 ' z o n a ; 5*, t a m b é m de C r u z e i r o , 35* z o n a ; 7* de Santa E f i g e n i a , 5*

zona 1* de A v a n h a n d a v a , 84* z o n a ; 7* de S é , 5* z o n a ; s e c ç ã o ú n i c a de P a r a g u a s s ú , 80* z o n a ; 4* de P e r d i z e s , 4* z o n a ; 5* de Santa E f i g e n i a , 5" z o n a ; 5* de S é , 5* z o n a ; 1* de J a ú , 65* z o n a ; 7* de I t a p e t i n i n g a , 55* z o n a ; 2 ' de S ã o J o s é dos Campos, 116*

zona; 4" de B e l e m z i n h o , 7* z o n a ; s e c ç ã o ú n i c a de C o n c e i ç ã o de Monte A l e g r e , 80* z o n a ; s e c ç ã o ú n i c a de E n g e n h e i r o Schmidt, 101* z o n a . A o todo, v i n t e e u m a s e c ç õ e s ; 6) que se não contem â " C h a p a Ú n i c a p o r S ã o P a u l o U n i d o " , as duas c é d u l a s , tendo por p r i m e i r o nome o do candidato J o s é de A l - c â n t a r a Machado de O l i v e i r a , r e c o l h i d a s n a 14* s e c ç ã o de Braz, 1* zona e i n d e v i d a m e n t e a p u r a d a ; c) que se conte á mesma " C h a p a Ú n i c a " a v o t a ç ã o das duas c é d u l a s r e c o l h i d a s na s e c ç ã o ú n i c a de Casa V e r d e , 2" zona, cujo p r i m e i r o nome 6 o"do candidato J o s é de A l m e i d a C a m a r g o ; d) que se des- contem aos candidatos do " P a r t i d o S o c i a l i s t a B r a s i l e i r o p o r São P a u l o F o r t e no B r a s i l U n i d o " u m voto de 2° t u r n o , que lhes foi indevidamente contado, em v i r t u d e da d e c i s ã o do T r i b u n a l Regional no r e c u r s o n . 163 (caso de duas c é d u l a s diferentes n a m e s m a s o b r e c a r t a ) ; e) que n ã o se d á a h i p ó t e s e legal de n o v a e l e i ç ã o em toda a r e g i ã o e l e i t o r a l ; /) que deve haver nova e l e i ç ã o , nos termos da l e i , nas seguintes s e c ç õ e s , cuja a n u l a ç ã o se p r o p ô s : 9* de L i b e r d a d e ; 16* de Santa C e - c í l i a ; 1* de A s s i s ; 2* e 5* de C r u z e i r o ; 5" e 7* de S a n t a E f i - genia; 5* e 7 ' de S é ; 4* de P e r d i z e s ; 1* de J a ú ; 7* d e ' I t a p e - t i n i n g a ; 2* de S ã o J o s é dos C a m p o s ; 4* de B e l e m z i n h o ; ao todo quatorze s e c ç õ e s ; g) que seja r e f o r m a d a a d e c i s ã o do T r i b u n a l r e c o r r i d o concernente á e x p e d i ç ã o dos d i p l o m a s , a f i m de c o n s i d e r a r e m eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o , t a n - tos quantos bastem p a r a c o m p l e t á - l o , os candidatos votados em 2" turno, p e l a o r d e m de v o t a ç ã o o b t i d a ; h) que n ã ó se p r o v o u a i n e l e g i b i l i d a d e de q u a l q u e r dos c a n d i d a t o s . N a d a m a i s havendo a tratar, o S r . presidente d e c l a r a encerrada a s e s s ã o . L e v a n t a - s e a s e s s ã o á s dez horas e v i n t e e cinco m i - nutos.

J u s t i f i c a ç ã o de voto do ministro Eduardo Espinola, sobre

"Quociente eleitoral e quociente partidário — Deputado eleito em primeiro turno — " no processo referente á elei- ção do Estado de S ã o Paulo, quanto ao critério adotado pelo Tribunal Regional, quanto á e x p e d i ç ã o de diplomas aos candidatos eleitos

N . 5 ( Q U A R T A C L A S S E ) — SÃO P A U L O

Q U O C I E N T E E L E I T O R A L E Q U O C I E N T E P A R T I D Á R I O — D E P U T A D O S E L E I T O S K M P R I M E I R O T U R N O

E s t e T r i b u n a l , desde o a c ó r d ã o , que p r o f e r i u a 28 do a b r i l , n u m a c o n s u l t a do T r i b u n a l R e g i o n a l do E s t a d o do R i o de J a n e i r o , d e c i d i u que •— em seguida aos candidatos, que o b t i v e r a m o quociente e l e i t o r a l , devem ser proclamados e l e i - tos pelo quociente p a r t i d á r i o os candidatos sob a mesma l e - genda, n a o r d e m da v o t a ç ã o p a r a o segundo turno, a t é ser a t i n g i d o esse quociente — , do q u a l se deduz o n ú m e r o de candidatos do mesmo p a r t i d o , eleitos pelo quociente e l e i t o r a l .

O T r i b u n a l R e g i o n a l de S ã o P a u l o entendeu que se n ã o d e v i a submeter a esse c r i t é r i o , que, em conciencia, se lhe a f i g u r a desautorizado p e l a l e g i s l a ç ã o e l e i t o r a l , acreditando que o T r i b u n a l S u p e r i o r , ao a p r e c i a r os novos argumentos e m o t i v o s de c o n v i c ç ã o , que lhe oferece, bem p o d e r i a r e c o n - s i d e r a r a s o l u ç ã o pela q u a l se p r o n u n c i o u .

P a r a o T r i b u n a l R e g i o n a l de S ã o P a u l o , os candidatos eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o s ã o os registados pelo P a r - tido, que, n ã o tendo a t i n g i d o o quociente e l e i t o r a l , f o r a m m a i s votados p a r a o p r i m e i r o t u r n o , a t é se perfazer aquele q u o c i e n t e .

N ã o me parece que q u a l q u e r dessas i n t e r p r e t a ç õ e s se deva condenar in limine, por absurda, como n ã o v a c i l a m em p r o c l a m a r alguns de seus opugnadores, no a r d o r de defender a o u t r a .

P o d e a f i r m a r - s e que, em geral, dos inconvenientes, que se apontam, em r e l a ç ã o a u m a das s o l u ç õ e s , n ã o s a i ilesa a outra, se s u b m e t i d a a exame d e s a p a i x o n a d o .

O que, i n q u e s t i o n a v e l m e n t e , ao i n t e r p r e t e se i m p õ e , m o r m e n t e ao que tem de a p l i c a r a l e i , é s u b m e t e - l a a u m processo r i g o r o s o do h e r m e n ê u t i c a , p r o c u r a n d o conhecer-lhe o alcance e c o n t e ú d o , por meio da f o r m u l a empregada e de s u a c o m b i n a ç ã o c o m os outros d i s p o s i t i v o s , de sorte que os textos se c o m p l e t e m e e x p l i q u e m , uns pelos outros, se c o m - preendam em i n t e l i g ê n c i a h a r m ô n i c a , sem se perder de vista o e s p i r i t o , ou a i d é a o r i e n t a d o r a do d i p l o m a em a n a l i s e .

T e m - s e d i t o e repetido, c o m r a z ã o , que o p r i n c i p i o da r e p r e s e n t a ç ã o p r o p o r c i o n a l é d a e s s ê n c i a do sistema e l e i t o r a l i n s t i t u í d o pelo C ó d i g o .

P a r a assegurar essa r e p r e s e n t a ç ã o p r o p o r c i o n a l , o p r i - m e i r o processo é o do quociente e l e i t o r a l .

Esse quociente e l e i t o r a l só se o b t é m pelo voto dado p a r a o p r i m e i r o t u r n o , isto é — só p o d e r á obter o quociente e l e i - t o r a l o candidato que tenha o preciso n ú m e r o de votos, como p r i m e i r o nome de c é d u l a .

Como o quociente e l e i t o r a l se d e t e r m i n a , d i v i d i n d o - s e o n ú m e r o t o t a l de votos v a l i d o s apurados na r e g i ã o pelo n ú - mero de lugares que cabem a essa m e s m a r e g i ã o , desprezada a f r a ç ã o , segue-se que e s t a r i a m eleitos e m p r i m e i r o t u r n o todos os deputados, se todas as c é d u l a s c P í i t i v e s s e m votos para esse t u r n o , d i s t r i b u i n d o - s e , sem p e r d a a l g u m a , entre tantos candidatos, quantos s ã o os elegendos.

Semelhante h i p ó t e s e ó p r a t i c a m e n t e i r r e a l i z a v e l . Antes, o que a p r a t i c a demonstra é que, pelo processo do quociente e l e i t o r a l , m u i t o r e d u z i d o é, em cada r e g i ã o , o n ú m e r o de e l e i t o s .

Cogitou-se, e n t ã o , de assegurar a r e p r e s e n t a ç ã o p r o p o r - c i o n a l por outro processo, tendo em v i s t a especialmente as correntes p a r t i d á r i a s , cujos votos, dispersos p a r a o p r i m e i r o t u r n o entre v á r i o s de seus candidatos, s e r i a m insuficientes p a r a lhes a t r i b u i r o quociente e l e i t o r a l , podendo, entretanto, d e m o n s t r a r c o n s i d e r á v e l f o r ç a e p r e s t i g i o no corpo de e l e i - t o r e s .

E ' o processo do quociente p a r t i d á r i o : a tantos deputados tem d i r e i t o o p a r t i d o , quantas vezes o n ú m e r o de votos sob sua legenda contenha o quociente e l e i t o r a l .

A s s i m , n a v o t a ç ã o p a r a o p r i m e i r o t u r n o f i c o u desde logo estabelecido que os candidatos, que o b t i v e r a m o q u o - ciente e l e i t o r a l , sejam candidatos de p a r t i d o o u avulsos, e s t ã o eleitos, passando-se a considerar, em seguida, os candidatos de p a r t i d o , a t é se c o m p l e t a r o respectivo quociente p a r t i - d á r i o .

A q u e m tenha presente que a v o t a ç ã o se faz " e m dois

turnos s i m u l t â n e o s , em u m a c é d u l a só, encimada, ou n ã o , de

legenda" ( C o d . , a r t . 58, n . 2 ) , e que " e s t ã o eleitos em p r i -

m e i r o t u r n o " , n ã o somente "os candidatos que tenham obtido

(3)

o quociente e l e i t o r a l " ( C o d . , a r t . c i t . n . 5, l e t r a a ) , mas igualmente, "na o r d e m da v o t a ç ã o obtida, tantos candidatos registados sob a mesma legenda, quantas i n d i c a r o quociente p a r t i d á r i o " ( C o d . , a r t . e n . c i t s . , l e t r a b), o c o r r e m logo duas q u e s t õ e s .

S ã o elas:

P r i m e i r a — S i o quociente p a r t i d á r i o se d e t e r m i n a ,

" d i v i d i n d o - s e pelo quociente e l e i t o r a l o n ú m e r o de votos e m i - tidos em c é d u l a s sob a m e s m a legenda" ( C o d . , a r t , 58 n . 7 ) , t s i os candidatos eleitos pelo qiiooienle p a r t i d á r i o e s t ã o e l e i - tos em p r i m e i r o t u r n o , q u a i s as c é d u l a s sob legenda que se devem contar p a r a a d e t e r m i n a ç ã o do quociente p a r t i d á r i o ? somente as que contenham votos p a r a o p r i m e i r o t u r n o , o u t a m b é m as que só tenham votos p a r a o secundo t u r n o ? E m outras palavras, o c o m p u t o se faz n a a p u r a ç ã o p a r a o p r i - m e i r o t u r n o , ou n a a p u r a ç ã o p a r a o segundo t u r n o ?

Segunda — A o r d e m d a v o t a ç ã o obtida pelos candidatos de partido deve ser atendida, nos votos dados p a r a o p r i m e i r o turno, ou nos que o b t i v e r a m eles p a r a o segundo t u r n o ?

Quanto á p r i m e i r a :

U m a v e z que os eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o e s t ã o eleitos e m p r i m e i r o t u r n o , nos termos expressos da l e i , f o r a p o s s í v e l c o n c l u i r que, ao d e f i n i r o quociente p a r t i d á r i o , t i - v e r a o Código em v i s t a as c é d u l a s sob a m e s m a legenda c o n - tendo votos p a r a o p r i m e i r o t u r n o ; s e r i a , a s s i m , o quociente p a r t i d á r i o determinado n a a p u r a ç ã o p a r a o p r i m e i r o t u r n o . Sendo, por exemplo, 3.000 o quociente e l e i t o r a l , n u m a r e g i ã o de 10 deputados, o p a r t i d o s u e tivesse a soma de 12 m i l votos p a r a p r i m e i r o turno, em c é d u l a s sob legenda, f a r i a 4 deputados pelo |quociente p a r t i d á r i o , embora n e n h u m de seus candidatos tivesse o quociente e l e i t o r a l .

Mas, que me conste, n ã o h a q u e m sustente semelhante c r i t é r i o , porque as c é d u l a s sob legenda que c o n t ê m v o t o p a r a p r i m e i r o t u r n o e s t ã o longe de r e p r e s e n t a r o v a l o r do p a r t i d o desde que as c é d u l a s , em que se encontre apenas a legenda registada, se c o n s i d e r a m " c o m voto p a r a a r e s p e c t i v a l i s t a em segundo t u r n o e v o t o em branco, e m p r i m e i r o " (Código a r t . 58, n . 1 1 ) .

Quer isso d i z e r que, n a a p u r a ç ã o dos eleitos em p r i m e i r o turno, a p r i m e i r a o p e r a ç ã o concerne aos que o b t i v e r a m v o - tos p a r a o p r i m e i r o t u r n o e a t i n g i r a m o quociente e l e i t o r a l ; a segunda o p e r a ç ã o consiste em v e r i f i c a r , n a a p u r a ç ã o p a r a o segundo turno, quantas s ã o as c é d u l a s ,sob a m e s m a legenda, determinando-se, consequentemente o quociente p a r t i d á r i o ; a t e r c e i r a o p e r a ç ã o t e m por objeto i n d i c a r os m a i s votados a t é se c o m p l e t a r esse q u o c i e n t e .

P o r a í se v ê que o Código n ã o a u t o r i z a a c o n c l u i r que, p a r a a p r o c l a m a ç ã o dos eleitos em p r i m e i r o t u r n o , s ó se t e m de considerar a v o t a ç ã o p a r a o p r i m e i r o turuo, isto é — q u e a a p u r a ç ã o do p r i m e i r o t u r n o se l i q u i d a sem q u a l q u e r a p r e c i a - ção dos votos que f o r a m dados p a r a o segundo.

O processo e l e i t o r a l é complexo, entrando em c o m b i n a - ç ã o o p e r a ç õ e s distintas, que c o n c o r r e m p a r a o mesmo r e s u l - tado; n ã o sendo p o s s í v e l c o n s i d e r a r como o p e r a ç õ e s i n d e - pendentes a a p u r a ç ã o dos votos p a r a u m t u r n o e p a r a o outro.

Quanto á segunda q u e s t ã o :

D e t e r m i n a d o o quociente p a r t i d á r i o , o que se faz, como acabo de dizer, contando o n ú m e r o de c é d u l a s sob legenda, n a a p u r a ç ã o dos votos p a r a o segundo t u r n o , c u m p r e d e c l a r a r os candidatos eleitos por esse quociente, os q u a i s se c o n s i - deram eleitos em p r i m e i r o t u r n o .

O T r i b u n a l R e g i o n a l de S ã o P a u l o entende que, p a r a esse efeito, se consideram os que, sem a l c a n ç a r o quociente eleitoral, r e u n i r a m o m a i o r n ú m e r o de s u f r á g i o s p a r a o p r i - m e i r o t u r n o .

O T r i b u n a l S u p e r i o r , ao i n v é s , p r o c l a m a eleitos os m a i s votados para o segundo t u r n o .

E ' de p u r a e v i d e n c i a que a q u e s t ã o se h a de resolver, nos termos da l e i .

S e r á omisso o Código E l e i t o r a l , chamando o i n t e r p r e t e a buscar s u b s í d i o s que lhe p r e e n c h a m a l a c u n a ?

V e j a m o s .

Nos termos do a r t . 58 n . 4, "considera-se votado em p r i m e i r o t u r n o o p r i m e i r o nome de cada c é d u l a , e, em se- gundo, os d e m a i s " .

S i a l e i fixasse esse c r i t é r i o de modo absoluto, estabele- cendo a í u m ponto f i n a l , n ã o h a v e r i a d u v i d a que, estando eleitos em p r i m e i r o t u r n o os candidatos contemplados no quociente p a r t i d á r i o , a o r d e m de s u a v o t a ç ã o só p o d e r i a ser apreciada em r e l a ç ã o ao p r i m e i r o nome de cada c é d u l a , sendo este o ú n i c o votado p a r a o p r i m e i r o t u r n o .

Mas, o Código, depois de d e c l a r a r que se consideram v o - tados em segundo t u r n o os demais nomes, isto é, os que se s e g u i r e m ao p r i m e i r o , acrescenta — "salvo o disposto n a l e t r a b do n . 5"; q u e r d i z e r — a a f i r m a ç ã o de que se c o n - s i d e r a m votados em segundo t u r n o os nomes abaixo do p r i - m e i r o n ã o é a b s o l u t a .

E n ã o é absoluta, p o r q u e f i c a ressalvado o disposto n a l e t r a b do n . 5 .

L o g o se v ê , que o disposto nessa l e t r a 6 h a de c o n t e m - p l a r votos dados a nomes abaixo do p r i m e i r o , que, n ã o obstante, s i n ã o c o n s i d e r a m votados em segundo t u r n o , e s i m e m p r i m e i r o .

O r a , essa l e t r a b diz que e s t ã o eleitos em p r i m e i r o t u r n o

"na o r d e m d a v o t a ç ã o obtida, tantos candidatos registados sob a m e s m a legenda quantos i n d i c a r o quociente p a r t i d á r i o " . Nessa o r d e m de v o t a ç ã o o que se tem de considerar s ã o os nomes a b a i x o do p r i m e i r o da c é d u l a , nomes que se c o n - s i d e r a m votados em p r i m e i r o t u r n o , pela e x c e ç ã o aberta á r e g r a de q u a l i f i c a ç ã o , n a p a r t e f i n a l do n . 4.

Sem isso, n e n h u m sentido t e r i a a r e s t r i ç ã o — "salvo o disposto n a l e t r a b do n . 5" — , porque, sem ela, os votos no p r i m e i r o nome s e r i a m sempre e e x c l u s i v a m e n t e os que p o d e r i a m eleger em p r i m e i r o t u r n o .

Nada se r e s s a l v a r i a , nada se e x c e t u a r i a da r e g r a estabe- lecida — p r i m e i r o nome da c é d u l a votado em p r i m e i r o t u r - no, demais nomes votados em segundo t u r n o — se o d i s - posto na l e t r a b, do n . 5 tivesse de obedecer á m e s m a r e g r a .

N e m é de e s t r a n h a r que, no sistema do Código, se r e c o r r a á v o t a ç ã o p a r a o segundo turno, quando se p r o c u r a a l g u m dado de i n f l u e n c i a sobre a d e t e r m i n a ç ã o dos eleitos em p r i - m e i r o t u r n o , por isso que o processo de a p u r a ç ã o , em sua complexidade, r e q u e r o p e r a ç õ e s que se c o m p l e t a m e c o m b i - n a m p a r a u m só r e s u l t a d o .

N ã o corresponde á v e r d a d e dos fatos a a f i r m a ç ã o do T r i b u n a l R e g i o n a l — que o quociente p a r t i d á r i o nada tem que v ê r com o segundo t u r n o .

O p r ó p r i o T r i b u n a l R e g i o n a l de S ã o P a u l o demonstra a i n f l u e n c i a d a v o t a ç ã o p a r a o segundo t u r n o sobre a d e t e r m i - n a ç ã o do quociente p a r t i d á r i o , quando p r e c o n i z a u m processo de a p u r a ç ã o , em que se m o s t r a n e c e s s á r i a a c o m b i n a ç ã o dos dois turnos, de modo a i n d a , m a i s i m p r e s s i o n a n t e que no p r o - cesso adotado pelo T r i b u n a l S u p e r i o r .

D e feito, pelo m é t o d o preconizado pelo T r i b u n a l R e g i o - n a l , as o p e r a ç õ e s s e r ã o as s e g u i n t e s :

I

O

, a p u r a m - s e , n a v o t a ç ã o p a r a o p r i m e i r o t u r n o , os eleitos pelo quociente e l e i t o r a l ;

2°, r e c o r r e - s e á v o t a ç ã o p a r a o segundo t u r n o , n a c o n - tagem das c é d u l a s de legenda, p a r a d e t e r m i n a r o quociente p a r t i d á r i o ;

3°, volta-.se á v o t a ç ã o p a r a o p r i m e i r o t u r n o , na i n d i c a - ç ã o dos eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o ;

4°, s i n ã o h o u v e r , n a v o t a ç ã o p a r a p r i m e i r o turno, c a n - didatos em n ú m e r o bastante p a r a p r e e n c h e r o quociente p a r t i d á r i o , r e c o r r e - s e a i n d a u m a vez á v o t a ç ã o do segundo t u r n o , a f i m de se c o m p l e t a r o n ú m e r o de candidatos eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o .

T e m , p o i s , que v ê r o segundo t u r n o c o m o quociente p a r t i d á r i o , n a p r a t i c a que aconselha o T r i b u n a l r e c o r r i d o . E , o que a i n d a concorre p a r a d e m o n s t r a r que t a l p r o - cesso pode e n t r a r em c o l i s ã o c o m a l e i , é que, n a d e f i c i ê n c i a de candidatos votados p a r a o p r i m e i r o t u r n o , os eleitos pelo quociente e l e i t o r a l n ã o s ã o reconhecidos e m v i r t u d e d a v o - t a ç ã o para u m dos turnos, a p e n a s : alguns candidatos s e r ã o escolhidos pela v o t a ç ã o p a r a o p r i m e i r o t u r n o , outros p e l a

t

d o segundo.

Si a l e i d i z que os candidatos eleitos pelo quociente p a r - t i d á r i o e s t ã o eleitos em p r i m e i r o t u r n o , e si a e l e i ç ã o em p r i m e i r o t u r n o se l i q u i d a pelos votos dados ao p r i m e i r o nome das c é d u l a s , é i l ó g i c o a d m i t i r que se complete n a v o t a ç ã o do segundo t u r n o o n ú m e r o de candidatos eleitos por aquele q u o c i e n t e .

E s s a é que s e r i a u m a p r o c l a m a ç ã o por processo h i b r i d o : candidatos eleitos pelo m e s m o quociente, reconhecidos u m porque m a i s votados p a r a o p r i m e i r o t u r n o , outros porque m a i s votados p a r a o segundo.

E isso, quando a l e i d e c l a r a que todos eles e s t ã o eleitos em p r i m e i r o t u r n o .

C o n c l u i r e i , observando que os inconvenientes apontados, em r e l a ç ã o ao c r i t é r i o que adotou o T r i b u n a l S u p e r i o r , n ã o s e r i a m obviados, se p r e f e r i d o o c r i t é r i o do T r i b u n a l Regional.

A r g ú e - s e que, p e l a v o t a ç ã o p a r a o segundo t u r n o , a es- colha dos candidatos de p a r t i d o s e r i a feita pelos eleitores estranhos, o que l e v a r i a tais candidatos a p r o c u r a r a s t u c i o s a - mente votos em segundo t u r n o , f o r a d a legenda.

M a s o mesmo fato pode v e r i f i c a r - s e , quando se contem

os votos p a r a o p r i m e i r o turno, podendo acontecer que u m

(4)

candidato de p a r t i d o seja eleito pelo quociente p a r t i d á r i o , simplesmente porque teve u m voto, que lhe deu eleitor a m i - go, em c é d u l a a v u l s a .

Observa-se ainda que seria u m a i n u t i l i d a d e a v o t a ç ã o em dois turnos, se a escolha dos eleitos pelo quociente p a r t i d á r i o obedecesse ao m a i o r n ú m e r o de votos p a r a o segundo turno, porque bastaria, p a r a se chegar ao mesmo resultado, votar, quer em chapa sob legenda, quer em c é d u l a s avulsas, n u m só turno, aplicando-se o q u o c i e n t e .

S i á e l e i ç ã o concorressem apenas p a r t i d o s e n ã o c a n d i - datos avulsos, talvez fosse procedente a o b j e ç ã o ; mas, p a r a os candidatos avulsos, n ã o h a quociente outro a l é m do e l e i - toral e n ã o f o r a p o s s í v e l c o n t e m p l a r todos os que obtivessem esse quociente no segundo turno, porque, e n t ã o , combinados com os i n c l u í d o s no quociente p a r t i d á r i o , os eleitos s e r i a m em n ú m e r o s u p e r i o r ao de elegendos.

O exame da m a t é r i a , na m u l t i p l i c i d a d e e c o m p l e x i d a d e de seus aspectos, d e i x o u - m e a i n d a m a i s f i r m e a c o n v i c ç ã o de que a s o l u ç ã o , adotada desde o p r i n c i p i o p o r este T r i b u - nal, é a que m e l h o r consulta e obedece á s p r e s c r i ç õ e s e ao sistema do Código E l e i t o r a l .

8 0 SESSÃO ORDINÁRIA, E M 10 D E O U T U B R O D E 1933

• .; . A'

P R E S I D Ê N C I A DO .SR. M I N I S T R O H E R M E N E G J L D O D E B A R R O S , P R E S I D E N T E

1) Abertura da s e s s ã o ; 2) Leitura e apro-

; v a ç ã o da ata da s e s s ã o anterior; 3) Julga- mento do processo referente á e l e i ç ã o do gru- po de r e p r e s e n t a ç ã o de classe — P r o f i s s õ e s L i - berais; 4) Consulta feita pelo Sr. Monteiro de Sales, sobre a c o m p e t ê n c i a do Tribunal Superior para o julgamento de d e n ú n c i a contra os juizes presidentes dos Tribunais Eleitorais; Pedido de vistas do ministro Eduardo Espinola; 5) Encer- ramento da s e s s ã o .

A ' s nove horas, presentes os j u i z e s : m i n i s t r o s E d u a r d o E s p i n o l a e C a r v a l h o M o u r ã o , desembargador J o s é L i n h a r e s , doutores Affonso P e n n a J ú n i o r e M o n t e i r o do Sales, cinco (5), e o desembargador Renato Tavares, p r o c u r a d o r geral, abre-sc a s e s s ã o . E ' l i d a e, sem debate, aprovada a ata da s e s s ã o a n t e r i o r . E ' anunciado o j u l g a m e n t o do r e c u r s o e l e i - t o r a l n . 19 (classe 4"), r e l a t i v o á e l e i ç ã o do representante da classe das p r o f i s s õ e s l i b e r a i s á A s s e m b l é a N a c i o n a l C o n s - t i t u i n t e . O S R . C A R V A L H O M O U R Ã O , r e l a t o r do feito, faz o r e l a t ó r i o , lendo o seu parecer e o do S r . p r o c u r a d o r g e r a l . A p ó s o r e l a t ó r i o f a l a m os recorrentes, D r s . A b e l a r d o A r - r u d a dc B r i t o e J ú l i o T h i e r s P e r i s s é , sustentando os recursos que i n t e r p u s e r a m . N ã o c o m p a r e c e r a m os r e c o r r i d o s . O se- nhor p r o c u r a d o r g e r a l declara que m a n t é m o seu p a r e c e r . O S r . C a r v a l h o M o u r ã o r e q u e r a s u s p e n s ã o da s e s s ã o p o r dois m i n u t o s . O S r . presidente declara suspensa a s e s s ã o por dois minutos, ás dez horas e dez m i n u t o s . Reaberta a sessão ás dez horas e doze minutos, c o m a p r e s e n ç a de todos os juizes e do p r o c u r a d o r geral, passa o r e l a t o r a dar o seu voto, c o m e ç a n d o pelo recurso interposto pelo S r . A b e l a r d o A r r u d a dc B r i t o , o q u a l p l e i t e a a n u l i d a d e da e l e i ç ã o . M a n i - festa-se o r e l a t o r favoravelmente á p r e j u d i c i a l de que ao T r i b u n a l n ã o compele o oxamo da legalidade ou ilegalidade do ato do m i n i s t r o do T r a b a l h o reconhecendo os delegados- eleitores. O T r i b u n a l aceita o voto do relator, c o n t r a o do Sr. E d u a r d o E s p i n o l a , que entende que o d i s p o s i t i v o do a r - tigo 16, § 2

o

, do R c g . aprovado pelo decreto n . 22.696, de 11 de maio, quando a u t o r i z a qualquer recurso p a r a o T r i - b u n a l , sobre a e l e i ç ã o , a d m i t e que t e n h a p o r objeto n ã o somente o ú l t i m o ato do processo — a v o t a ç ã o , — mas q u a l - quer ato ou d e l i b e r a ç ã o a n t e r i o r ( c o m p . o a r t . 2° do de- creto n . 2 2 . 6 5 3 ) , i n c l u s i v e o r e c o n h e c i m e n t o dos poderes dos delegados e l e i t o r e s . Quanto á a l e g a ç ã o de n u l i d a d e da eleição, por n ã o ter sido p u b l i c a d a a l i s t a c o m p l e t a dos delegados-eleitores cinco dias antes do p l e i t o , o S r . r e l a t o r vota no sentido de que t a l fato n ã o acarreta' a n u l i d a d e da eleição, conforme j á d e c i d i u o T r i b u n a l , ao t o m a r c o n h e c i - mento de i d ê n t i c a i m p u g n a ç ã o feita c o n t r a a v a l i d a d e da e l e i ç ã o dos representantes dos f u n c i o n á r i o s p ú b l i c o s . O T r i - bunal,- unanimemente, aceita o voto do r e l a t o r . Quanto ao recurso do S r . J ú l i o T h i e r s P e r i s s é , nega o r e l a t o r p r o v i - mento, por ter o S r . A b e l a r d o M a r i n h o dc Azevedo sido bem classificado como exercendo p r o f i s s ã o l i b e r a l , e m b o r a n ã o tenha pago o imposto de i n d ú s t r i a e p r o f i s s õ e s , como chefe do u m s e r v i ç o t é c n i c o de u m a casa de s a ú d e . O T r i - b u n a l aceita o voto do relator, u n a n i m e m e n t e . O senhor presidente, em v i s t a da v o t a ç ã o das c o n c l u s õ e s p a r c i a i s , p r o -

c l a m a o resultado, declarando que f o i negado p r o v i m e n t o a ambos os recursos in totum, e confirmados os diplomas e x - pedidos aos representantes da classe das p r o f i s s õ e s l i b e r a i s á A s s e m b l é a N a c i o n a l C o n s t i t u i n t e . O S R . M O N T E I R O D E S A - L E S , consulta o T r i b u n a l , a f i m de r e s o l v e r sobre u m p r o -

cesso ( a ç ã o penal n . 10)- que l h e f o i d i s t r i b u í d o , sobre a c o m p e t ê n c i a p a r a o processo e j u l g a m e n t o dos presidentes dos T r i b u n a i s Regionais, manifestando-se pela c o m p e t ê n c i a desses T r i b u n a i s . E ' adiado o j u l g a m e n t o por ter pedido v i s t a dos autos o S r . E d u a r d o E s p i n o l a . Nada m a i s havendo

a tratar, o S r . presidente declara encerrada a s e s s ã o . L e - vanta-se a s e s s ã o á s onze horas e quarenta m i n u t o s . Voto do Sr. Eduardo Espinola sobre a preliminar, no re-

curso n. 19 (4

a

classe). R e p r e s e n t a ç ã o das A s s o c i a ç õ e s Profissionais. Grupo: p r o f i s s õ e s liberais.

A despeito das b r i l h a n t e s c o n s i d e r a ç õ e s expendidas pelo S r . m i n i s t r o relator, d u v i d a s me f i c a r a m no e s p i r i t o , quanto á c o m p e t ê n c i a deste T r i b u n a l , p a r a a p r e c i a r e j u l g a r a ale- g a ç ã o de h a v e r e m votado delegados-eleitores ilegalmente r e - conhecidos.

G r a n d e d i f e r e n ç a existe entre o processo de e l e i ç ã o dos deputados por s u f r á g i o u n i v e r s a l e o da e l e i ç ã o dos r e p r e s e n - tantes das a s s o c i a ç õ e s p r o f i s s i o n a i s .

No p r i m e i r o , h a duas fases distintas, com os seus r e - cursos p r ó p r i o s .

P a r a a e l e i ç ã o dos representantes de classes, h a u m p r o - cesso c o m p l e x o , mas que se n ã o cinde, que se n ã o i n t e r r o m p e , que só p e r m i t e r e c u r s o p a r a este T r i b u n a l quando c o n c l u í d o pela p r o c l a m a ç ã o dos e l e i t o s .

P o r isso entendo que o d i s p o s i t i v o do art. 16, § 2

o

, do r e g . aprovado pelo decreto n. 22.696, de 11 de m a i o , quando a u t o r i z a qualquer recurso p a r a o T r i b u n a l , sobre a e l e i ç ã o , admite que tenha p o r objeto n ã o somente o ú l t i m o ato do processo — a v o t a ç ã o — , mas q u a l q u e r ato ou d e l i b e r a ç ã o a n t e r i o r ( c o m p . o a r t . 2

o

do decreto n . 2 2 . 6 5 3 ) , i n c l u s i v e o r e c o n h e c i m e n t o dos poderes dos delegados e l e i t o r e s .

E isso p r i n c i p a l m e n t e quando considero que o sistema e l e i t o r a l i n t r o d u z i d o pelo Código n ã o c o m p o r t a a i d é a de atos e r e s o l u ç õ e s do m i n i s t r o do T r a b a l h o , concernentes á escolha dos deputados p r o f i s s i o n a i s , que escapem ao exame da j u s - t i ç a e l e i t o r a l .

S i os decretos r e l a t i v o s ao assunto estabelecem c o n d i - ç õ e s , de que depende o r e c o n h e c i m e n t o dos eleitores de c l a s - ses, n ã o se p o d e r á r e c u s a r a este T r i b u n a l c o m p e t ê n c i a p a r a v e r i f i c a r s i aquelas c o n d i ç õ e s f o r a m atendidas.

O a r b í t r i o do G o v e r n o , c m t a l m a t é r i a , n ã o pode ser a m - parado pela l e g i s l a ç ã o e l e i t o r a l .

Recursos contra a expedição de diplomas òu reco- nhecimento de candidatos

Eleição no Rio Grande do Sul

(16 deputados)

Eleitores que votaram em 3 de maio 182.987

Votos anulados pelo T . R . 2.264 Votos líquidos apurados 180.723

Quociente eleitoral 11.295 votos CÉDULAS SOB A M E S M A LECENDA

Partido Republicano Liberal 132.056

Frente Única 37.430 Resultado geral da a p u r a ç ã o no Rio Grande do Sul, segundo

os dados constantes da ata geral

CANDIDATOS Q U E A L C A N Ç A R A M O QUOCIENTE ELEITORAL Votos

1. Augusto Simõqs Lopea 67.329 2. Carlos Maximiliano Pereira dos Santos 64.086

3. Joaquim Maurício Cardoso 20.155 4. Joaquim Francisco de Assis Brasil 16.423

O parecer sobre a e l e i ç ã o no Rio Grande Sul, foi publicado

no "Boletim Eleitoral" n. 139, de 11 de outubro de 1933.

(5)

VOTAÇÃO E M SECUNDO T U R N O

Votos

1. Heitor Armes Dias : 138.282 2. Frederico João WolfenbutteU ; 138.252 3. João Simpllcio Alves de Carvalho 138.207

4. Renato Barboza 138.152 5. Augusto Simões Lopes 138.146 6. Demetrio Mercio Xavier 138.138 7. Victor Russomano 138.129 8. João Ascanio Moura Tubino 138.100

9. Pedro Vergara 137.866 10. Frederico Dahne 137.364 11. João Fanfa Ribas 133.215 12. Carlos Maximiliano Pereira dos Santos 132.748

13. Argemyro Dornelles 132.592 14. Gaspar Saldanha 132.555 15. Raul Job.im Bitencourt .' 132.523

16. Adalberto Correia 132.351 17. Joaquim Maurício Cardoso 45.764

• 18. Sérgio Ulrich de Oliveira 45.568 19. Adroaldo Mesquita da Costa 45.460 20. Oswaldo Fernandes Vergara 45.344 21. Joaquim Luiz Ozorio 41.161 22. João Gonçalves Vianna Filho 40.981

23. Euclydes Minuano de Moura 40.564 24. Bruno de Mendonça Lima 40.443 25. Oscar Carneiro -da Fontoura 40.405 26. Edgard Luiz Schr.eider 40.354 27. Camillo Teixeira Mercio 40.359 28. Joaquim Francisco de Assis Brasil 40.190

29. Manuel Seraphim Gomes de Freitas 1.740

30. Fernando Souza do O' 1.696 31. Eduardo Menna Barreto Jayme 1.683

32. Lucidio Ramos 1.657 33. Agnello Cavalcanti de Albuquerque 1.650

34. Alcides Feijó das Chagas Carvalho 1.648

35. Arthur Thompson 1.639 36. José Pereira da Silva 4

Candidatos proclamados eleitos pelo Tribunal Regional 1. Augusto Simões Lopes.

2. Carlos Maximiliano Pereira dos Santos.

3. Joaquim Maurício Cardoso.

4. Joaquim Francisco de Assis Brasil, 5. Heitor Annes Dias.

6. Frederico João Wolfenbuttel.

7. João Simplicio Alves de Carvalho.

8. Renato Barboza.

9. Demetrio Mercio Xavier.

10. Victor Russomano.

11. João Ascanio Moura Tubino.

12. Peüro Vergara.

13. Frederico Dahne.

14. Sérgio Ulrich de Oliveira,

15. João Fanfa Ribas (eleito em 2

o

turno).

16. Argemyro Dornelles (eleito em 2° turno) .

Secretaria do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, em 10 de outubro de 1933. — Edmundo Barreto Pinto, oficial. Visto. — Go- mes dc Castro, diretor.

Região — Rio Grande do Sul

Ata geral do Tribunal Regional, em que foram proclamados os candidatos eleitos

T R I B U N A L REGIONAL ELEITORAL DO RIO GRANDE DO S U L A T A N . 9 — N O N A SESSÃO EXTRAORDINÁRIA, E M 5 DE J U I H O DE 1933, PARA PROCLAMAÇÃO DOS DEPUTADOS ELEITOS Á A S S E M B L É A CONSTITUINTE N A C I O N A L — PRESIDÊNCIA DO SR. DESEMBARGA- DOR L U I Z MELLO G U I M A R Ã E S .

Aos cinco dias do mês de julho de mil novecentos e trinta e tres, nesta cidade de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, presentes os senhores desembargadores Luiz Meílo Guimarães, pre- sidente, Oswaldo Caminha, procurador regional da Justiça Elei- tora!, e L a H i r e Guerra e D r s . Alfredo Lisboa, João Amorim de Albuquerque e Innocencio Borges da Rosa, desembargadores Augus- to Guarita e Caio Cavalcanti e D r s . Carlos Ferreira de Azevedo, Armando Dias de Azevedo e Watter Carlos E . Beker, membros efe- tivos e substitutos deste Tribunal, reunidos no edifício da A s -

sembléa dos Representantes do Estado, foi, pelo S r . desembarga- dor presidente, declarada aberta a sessão, ás dezesseis horas.

Lida e posta em discussão, a ata da sessão anterior foi sem de- bate aprovada. A seguir, o S r . desembargador presidente declarou que o processo de apuração do pleito de tres de maio do corren- te ano, para membros á Assembléa Constituinte Nacional tinha che- gado á sua última fase e que o Tribunal óra reunido ia jul- gar o trabalho final de apuração, organizado com o maior cui- dado e atividade pela ilustre comissão designada para levantar o mapa geral, e esperava que este trabalho fosse devidamente apre- ciado pelo Tribunal, por isso que cada membro da comissão era portador de um nome respeitado pela cultura e pela inteligência.

Concedida a palavra ao S r . D r . Innocencio Borges da Rosa, re- lator do parecer. Com a palavra, o D r . Innocencio da Rosa pas- sou a lêr o seguinte relatório: " E x m o . S r . desembargador presi- dente d o . Egrégio Tribunal Regional de Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul — Designado por V . E x . para constituirmos a comissão relatora da eleição realizada em 3 de maio deste ano para a Assembléa Constituinte, vimos apresentar o nosso parecer, que é o seguinte: Reunidos os mapas da apuração geral das nove tur- mas apuradoras verificamos que as cédulas apuradas ou votos vá- lidos somam 180.723. Como manda o art. 58 inciso 6

o

do Código Eleitoral, dividindo-se esse numero por dezesseis, que tantos são os lugares a preencher no circulo eleitoral, obtem-se 11.295, que é o quociente eleitoral. Foram excluídos do calculo os votos em branco, • as subrecartas vasias e as cédulas nulas, de acordo com o que a respeito decidiu j á o Egrégio Tribunal Superior. Sendo de 11.295, o quociente eleitoral, somos de parecer que estão eleitos cm primeiro turno, " e x - v i " do que dispõe o art. 60 das Instruções, os candidatos Augusto Simões Lopes, Carlos Maximiliano Perei- ra dos Santos, Joaquim Mauricio Cardoso e Joaquim Francisco de Assis Brasil, por virem os seus nomes colocados em primeiro lugar nas cédulas e terem obtido esse quociente eleitoral. Como manda o art. 58 inc. 7°, do Código Eleitoral, dividindo-se pelo quociente eleitoral o numero 132.056, que tantos foram os votos obtidos pelo Partido Republicano Liberal em cédulas sob a mesma legenda, ob- tem-se o numero onze, que é o quociente partidário, ou seja o nu- •, rr.ero de representantes que cabem ao dito Partido. Desses onze representantes, dois estão eleitos por virem os seus nomes coloca- dos em primeiro lugar nas ceulas e terem obtido quociente eleito- ral. São os Srs. Augusto Simões Lopes, com 67.329 votos, e Car- los Maximiliano Pereira dos Santos, com 64.086 votos. Restam, portanto, nove, que são os mais votados do Partido, excluídos aqueles dois, somando-se os votos sob a mesma legenda aos votos sem legenda ou sob legenda diversa. Assim, estão eleitos, pela ordem da votação, os seguintes candidatos: Heitor Annes Dias, 138.289 votos: Frederico João Wolfenbüttel, 138.252; João Sim- plicio Alves de Carvalho, 138.207; Renato Barbosa, 138.152; De- metrio Mercio Xavier, 138.138; Victor Russomano, 138.129; Joáo Ascanio Moura Tubino, 138.100; Pedro Vergara, 137.866; Fre- derico Dahne, 137.364. Segundo turno — João Fanfa Ribas,

133.215; Argemyro Dornelles, 132.592. Passemos á Frente Única:

Dividindo-se pelo quociente eleitoral — 11.295 — o número 37.430, que tantos foram os votos obtidos por essa aliança de Partidos em cédulas sob a mesma legenda, obtem-se o número tres, que é o seu quociente "partidário, cu seja o número de representantes que cabe á dita aliança. Desses tres representantes, dois estão eleitos pelo quo- ciente eleitoral, por virem os seus nomes colocados em primeiro lugar nas cédulas. São os candidatos Joaquim Mauricio Cardoso, com 20.155, e Joaquim Francisco de Assis Brasii com 16.423. Resta, portanto, um candidato, que é o mais votada dentre os da aliança, excluidos aqueles dois, somando-se os votos sob a mesma legenda aos votos sem legenda ou sob legenda diversa. Assim está eleito, pela ordem da votação, o candidato Sérgio Ulrich de Oliveira, com 45.568 votos.

São, assim, quatorze os candidatos eleitos pelo primeiro turno. Para

preencher o número de. dezesseis representantes restam ainda dois

candidatos pelo segundo turno, que, ex-vi do que dispõe o art. 61

das Instruções, devem ser tirados dentre os mais votados, na ordem

da votação geral, excluídos os já eleitos pelo quociente eleitoral e

partidário. Tais candidatos, que se deve reputar eleitos, são os se-

guintes: João Fanfa Ribas, 133.215 votos; Argemyro Dornelles,

132.592. Ex-vi do que dispõe o art. 62 das Instruções, são consi-

derados suplentes dos representantes do Partido Republicano Liberal

os candidatos Gaspar Saldanha, 132.555 votos; Raul Jobim Bitten-

court, 132.523; Adalberto Correia, 132.351. São considerados suplen-

tes dos representantes da Frente Única os candidatos: Adroaldo

Mesquita da Costa, 45.460 votos; Oswaldo Fernandes Vergara,

45.344; Joaquim Luiz Osório, 41.161; João Gonçalves Vianna F i -

lho, 40.981; Euclydes Minuano de Moura, 40.564; Bruno de Men-

donça Lima, 40.443; Oscar Carneiro da Fontoura, 40.405: Edgar

Luiz Scbneider, 40.334 e Camillo Teixeira Mercio, 40.359. Os can-

didatos sob a legenda P r ó Estado Leigo não obtiveram votação nem

para o quociente partidário, nem para o quociente eleitoral. Convém

notar que, até 31 de maio próximo passado as diversas turmas apu-

(6)

radoras não consideravam votados em segundo turno o candidato que figurasse em primeiro lugar cm cédula sob a legenda do seu Par- tida, desde que seu nome não fosse repetido, á vista do disposto no art. 49, § 3" letra C das Instruções aprovadas pelo decreto n. 22.627 deste ano. Tendo, porém, recebido, naquela data, uma circular do egrégio Tribunal Superior de Justiça Eleitoral, mandando interpretar o mencionado dispositivo em harmonia com o art. 58 inciso 9 do Código Eleitoral e em face do estabelecido no art. 54 das Instruções aprovadas pelo decreto u. 22.695, passou o Tribunal a contar a cada candidato de lista sob legenda, tantos votos para segundo turno quan- tas as cédulas sob esta legenda. Nos mapas gerais de apuração apre- sentados pelas turmas á comissão abaixo-assinada; foram retificados, de acordo com a referida circular do Tribunal Superior, os resul- tados anteriores constantes das atas e livros de votação. Anexo a este, remetemos a V . E x . os dados exigidos pelo art. 63 das Ins- truções. Eis o nosso parecer. Saúde e fraternidade. Os. membros da comissão relatora. — Innocencio Borges da Rosa. — Alfredo Lis-

boa. —• João Amorim de Albuquerque. Porto Alegre, 5 dc julho de 1933 " . Terminada a leitura do relatório, o S r . desembargador pre- sidente sujeitou-o á discussão. O S r . D r . Armando Dias de Aze- vedo, pedindo a palavra, declarou que desejava lêr ao Tribunal o voto do S r . D r . Plinio Barreto, procurador regional do Tribunal de São Paulo, sobre a eleição dos candidatos pelos termos estabele- cidos no Código Eleitoral, que esclarecia o caso da sua escolha e que oferecia-o á apreciação dos seus colegas, por tratar-se de um trabalho interessante e importante. Leu também o voto vencido do D r . Vieira Ferreira. Disse o D r . Armando Azevedo que a discussão girara em torno da interpretação a ser dada, quanto á ordem da eleição dos candidatos em relação aos turnos e que seu objectivo fora chamar a atenção dos membros do Tribunal sobre o assunto.

Pediu a palavra, a seguir, o D r . Amorim de Albuquerque, que disse felicitar o D r , Armando Azevedo pela oportuni- dade que dera ao Tribunal de tratar de um caso de capital importância.

Defendeu longamente o parecer da comissão e o critério por ela adotado na interpretação do Código Eleitoral, declarando estar de acordo com a doutrina sustentada pelo Tribunal Superior. O doutor Armando Azevedo, novamente com a palavra, declarou que, em face da argumentação brilhantemente sustentada pelo D r . Amorim de Albuquerque, votava pelo parecer, que foi unanimemente aprovado.

O Sr. desembargador presidente declarou que, á vista da votação unanime do parecer da comissão, a soma total dos votos apurados em toda a região era de 180.723; que a soma total das cédulas não apuradas era de 2.264; que o quociente eleitoral apurado era de 11.295; que os nomes votados na ordem decrescente eram os se- guintes: Heitor Annes Dias, 138.282; Frederico João Wolfenbuttel, 138.252; João Simplicio Alves de Carvalho, 138.207; Renato Bar- bosa, 138.152; Augusto Simões Lopes, 138.146; Demetrio Mercio Xavier, 138.138; Victor Russomano, 138.129; João Ascanio Moura Tubino, 138.100; Pedro Vergara, 137.866; Frederico Dahne, 137.364;

João Fanfa Ribas, 138.215; Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, 132.748; Argemyro Dorneles, 132.592; Gaspar Saldanha, 132.555;

Raul Jobim Bittencourt, 132.523; Adalberto Correia, 132.351; Joa- quim Mauricio Cardoso, 45.764; Sérgio Ulrich de Oliveira, 45.568;

Adroaldo Mesquita da Costa, 45.460; Oswaldo Fernandes Vergara, 45.344; Joaquim Luiz Osório, 41.161; João Gonçalves Vianna Filho, 40.981; Euclydes Minuano de Moura, 40.564; Bruno de Mendonça Lima, 40.443; Oscar Carneiro da Fontoura, 40.405; Edgar Luiz Schneider, 40.354; Camillo Teixeira Mercio, 40.359; Joaquim Fran- cisco de Assis Brasil, 40.190; Manoel Seraphim Gomes de Freitas, 1.740; Fernando Souza do O', 1.696; Eduardo Menna Barreto Jay- me, 1.683; Lucidio Ramos, 1.657; Agnello Cavalcanti de Albuquer- que, 1.650; Alcides Feijó das Chagas Carvalho, 1.648; almirante Arthur Thompson, 1.639; José Pereira da Silva, 4. O quociente eleitoral é de 11.295; assim, a legenda — P A R T I D O R E P U B L I - C A N O L I B E R A L , tendo obtido 132.056 votos, obtem-se que o quo- ciente partidário é de onze ou seja o número de representantes que cabem ao dito Partido. E m relação á legenda F R E N T E Ú N I C A dividindo-se pelo quociente eleitoral 11.295 o número 37.450, que foram os votos obtidos por ela, obtem-se o número tres, que é o seu quociente partidário, ou seja o número de representantes que cabe á mesma legenda. Desses tres candidatos dois estão eleitos pelo quociente eleitoral, porque os seus nomes aparecem colocados em primeiro lugar nas cédulas, restando um, que é o mais votado dentre os outros candidatos. São, assim, quatorze os candidatos eleitos em primeiro turno. A f i m de que se preencha o número de dezesseis representantes restam dois candidatos pelo segundo turno, que devem ser tirados dos mais votados, na ordem da votação geral, excluidos os candidatos já eleitos pelo quociente partidário. Assim, neste momento, anciosamente aguardado pela opinião pública rio-grandense e neste ambiente em que reinava a maior ordem e a maior sereni- dade, em nome do Tribunal, proclamava eleitos os candidatos do P A R T I D O R E P U B L I C A N O L I B E R A L — Augusto Simões L o - pes, Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, Heitor Annes Dias,

Frederico João Wolfenbuttel, João Simplicio Alves de Carvalho, Renato Barbosa, Demetrio Mercio Xavier, Victor Russomano, João Ascanio de Moura Tubino, Pedro Vergara, Frederico Dahne, João Fanfa Ribas, Argemyro Dornelles; e da F R E N T E Ú N I C A — Joa- quim Mauricio Cardoso, Joaquim Francisco de Assis Brasil e Sérgio

Ulrich de Oliveira; suplentes dos representantes do P A R T I D O R E P U B L I C A N O L I B E R A L — Gaspar Saldanha, Raul Jobim Bit- tencourt e Adalberto Correia; suplentes dos representantes da F R E N T E Ú N I C A — Adroaldo Mesquita da Costa, Oswaldo Fer- nandes Vergara, Joaquim Luiz Osório, João Gonçalves Vianna F i - lho, Euclydes Minuano de Moura, Bruno de Mendonça Lima, Oscar Carneiro da Fontoura, Camillo Teixeira Mercio e Edgar Luiz Sch- neider. A s secções apuradas pelas respectivas turmas foram: pri- meira zona — da primeira á décima nona, da vigésima primeira á quadragesima; segunda zona: da primeira á décima sexta; terceira zona — da primeira á décima quarta; quarta zona — da primeira á décima segunda, correspondentes aos municípios de Viamão e Guaíba; quinta zona — da primeira á décima segunda, correspon- dentes ao município de Alegrete e da primeira á sexta, correspon- dentes ao municipio de São Francisco de Assis; sexta zona — da primeira á quarta, da sexta á décima quarta e da décima sexta e décima sétima, correspondentes ao municipio de B a g é ; primeira, terceira e quarta correspondentes ao municipio de Pinheiro Machado; sétima zona — dà primeira á oitava do municipio de Bento Gonçalves, segunda, quarta e quinta de Alfredo Chaves, da primeira á oitava de Garibaldi; oitava zona — da primeira á sétima de Ca- çapava, da primeira á sexta de São Sepé; nona zona — da primeira á décima segunda, da décima quarta á vigésima segunda de Cacho- eira; da primeira á quinta de Candelária; décima zona: da pri- meira á quinta de Cangussú e da primeira á sexta de Piratiní; déci- ma primeira zona: da primeira á sétima e da nona á décima quarta de Caxias e da primeira á quinta de Nova Trento; décima segunda zona — primeira e da terceira á nona de Júlio de Castilhos, da pri- meira á sexta e da oitava á décima sexta de Cruz A l t a ; da pri- meira á sétima de Tupaceretan; décima terceira zona — da pri- meira á nona de D . Pedrito; décima quarta zona — da primeira á quinta de Encruzilhada; décima quinta zona — da primeira á décima primeira e décima terceira de Erechim; décima sexta zona

— da primeira á quinta de Itaquí; décima sétima zona — da pri- meira á sexta de Arroio Grande, da primeira á quarta de Herval, primeira, segunda e da quarta á sétima de J a g u a r ã o ; 18" zona — da primeira á décima oitava de Lageado; da primeira á nona de Estréia, da primeira á sétima e nona de Encantado, da primeira á décima terceira de Guaporé; décima nona zona — da primeira á décima segunda e décima quarta de Lagoa Vermelha e da primeira á nona do Prata; vigésima zona — da primeira á terceira, quinta, sexta, oitava e da décima primeira á décima quarta e décima sexta de Livramento, primeira, segunda e da quinta á oitava de Rosário;

vigésima primeira zona — da primeira á vigésima primeira de Mon- tenegro; vigésima segunda zona — da primeira á décima segunda de Palmeira; vigésima terceira zona — da primeira á décima quinta de Passo Fundo e da primeira á décima primeira de Carasinho;

vigésima quarta zona — da primeira á sexta de São Lourenço, da

primeira á vigésima terceira e da vigésima quinta á .^figesima

quinta de Pelotas; vigésima quinta zona — da segunda á' sexta

de _ Q u a r a í ; vigésima sexta zona — da primeira á t e r ç a r a e da

quinta á décima nona de Rio Grande, da primeira á quinta de São

José do Norte; vigésima sétima zona — da primeira á sétima de

Santa Cruz e da primeira á sétima de Rio Pardo; vigésima oitava

zona — da primeira á nona e da décima primeira á décima nona

de Santa Maria, e da primeira á quarta de São Pedro; vigésima

nona zona — da primeira á oitava de Santa Vitória; trigesima

zona — primeira, terceira á décima de Santo Ângelo e da primeira

á décima de Santa Rosa e da primeira á décima de I j u í ; trigesima

primeira zona — da primeira á décima de Santo Antônio, da pri-

meira á oitava de Conceição do Arroio e da primeira á quinta de

Torres; trigesima segunda zona — da primeira á terceira, da quinta

á sexta e oitava de São Borja; trigesima terceira zona — primeira

de Lavras, primeira á décima de São Gabriel; trigesima quarta

zona — da primeira á terceira de Santo Amaro, primeira, segunda

e quarta de Triunfo; da segunda á quarta e da sexta á nona de

São Jeronimo; trigesima quinta zona — da primeira á oitava de

São João de Camaquam e da primeira á terceira de Tapes; trigesi-

ma sexta zona — da primeira á décima primeira e da, décima terceira

á décima oitava de São Leopoldo, da primeira á sexta de Novo

Hamburgo e da primeira á sétima de Gravataí; trigesima sétima

zona — da primeira á décima nona de São Luiz Gonzaga; trigesima

oitava zona — da primeira á quinta, sétima, oitava e da décima á

décima quinta de São Sebastião do C a í ; trigesima nona zona —

da primeira á oitava de São Vicente; da primeira á quinta de

Jaguarí e da segunda á sétima de Santiago do Boqueirão; qua-

dragesima zona — da primeira á nona de Soledade e da primeira á

quarta de J a c u í ; quadragesima primeira zona — da primeira á

Referências

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