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UFPE — MA989 — 2011.2 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA LISTA DE EXERC´ICIOS 03 – v. 2.0

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UFPE — MA989 — 2011.2 — PROF. FERNANDO J. O. SOUZA LISTA DE EXERC´ICIOS 03 – v. 2.0

Assuntos: Introdu¸c˜ao aos conjuntos parcialmente ordenados (CPOs); dia- grama de Hasse; ordens parciais no conjunto das partes, num grafo orientado ac´ıclico, num produto cartesiano, e por divisibilidade nos n´umeros naturais.

Obs. E importante recordar os conceitos de ordem estrita´ < num conjunto C (uma rela¸c˜ao irreflexiva, assim´etrica e transitiva) e ordem parcial≤em C (uma rela¸c˜ao reflexiva, anti-sim´etrica e reflexiva), a qual ´e a uni˜ao disjunta de uma rela¸c˜ao de ordem estrita em ccom a rela¸c˜ao de igualdade em C.

Quest˜ao 0. No todo, esta quest˜ao ´e muito dif´ıcil para os estudantes novi¸cos e, assim, constitui uma s´erie de defini¸c˜oes e enunciados para estes estudantes.

As demonstra¸c˜oes ficam para os estudantes mais experientes. Sejam X um conjunto,Re ˜Rrela¸c˜oes bin´arias emX (isto ´e,R ⊆X×X), e<uma rela¸c˜ao de ordem estrita em X. Definimos (H´a um exemplo na Quest˜ao 1):

• Ofecho transitivo F T(R) deR ´e a menor rela¸c˜ao bin´aria transitiva em X tal que R ⊆F T(R);

• R˜ ´e uma redu¸c˜ao transitiva de R se, e somente se, R ´e minimal (para efeito de inclus˜ao/continˆencia ⊆) dentre as rela¸c˜oes bin´arias cujo fecho transitivo ´e igual a F T(R);

• A rela¸c˜ao de cobertura ≺ da rela¸c˜ao < ´e dada por: para todos x, y ∈ X, x ≺ t (“x ´e coberto por y”; “y cobre x”) se, e somente se, x < y e n˜ao existe z ∈ X tal que x < z < y. Em outras palavras, o intervalo fechado [x, y]< ´e igual a {x, y};

• Recordar que os caminhos orientados num grafo orientado ac´ıclico G fornecem uma rela¸c˜ao de ordem estrita<no conjuntoV(G) dos v´ertices deG(indo do maior para o menor). Quando V(G) ´e finito e as arestas deGrepresentam a rela¸c˜ao de cobertura deG(ou seja,−→

E(G) ´e minimal para a determina¸c˜ao de < pelos caminhos orientados em G), dizemos que G´e o diagrama de Hassede <e de sua ordem parcial ≤. 0.a. Demonstrar que F T(R) =R se, e somente se, R ´e transitiva;

0.b. Demonstrar que a interse¸c˜ao de uma fam´ılia de rela¸c˜oes bin´arias em X transitivas ´e uma rela¸c˜ao transitiva;

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0.c. Observando queX×X´e uma rela¸c˜ao transitiva, demonstrar queF T(R)

´e a interse¸c˜ao de todas as rela¸c˜oes bin´arias emX transitivas que contˆem R, Da´ı, F T(R) existe e ´e ´unico. Al´em disto, F T(R)6=∅ ⇐⇒R6=∅;

0.d. Consideremos a seguinte defini¸c˜ao recursiva:

R0 =b R;

Rn+1 =b RnS{(x, y)∈X×X|∃z ∈X : (x, z), (z, y)∈Rn}, ∀n∈N. Demonstrar que F T(R) = [

n∈N

Rn. Intuitivamente, isto diz: x F T(R)ysigni- fica que existem pares “encadeados” xRz1, z1Rz2, . . . , zn−1Rzn, znRy;

0.e. Demonstrar que, se F T(R) ´e uma rela¸c˜ao anti-sim´etrica e finita (en- quanto conjunto), ent˜ao R possui uma ´unica redu¸c˜ao transitiva1;

0.f. Se X ´e finito, ent˜ao a rela¸c˜ao de cobertura de < ´e a ´unica redu¸c˜ao transitiva de < e tamb´em da rela¸c˜ao de ordem parcial≤ associada a<.

Quest˜ao 1. Consideremos os conjuntos C1={a};b C2={a, b};b C3={a, b, c};b e C4={a, b, c, d}, ondeb a,b, ce d s˜ao elementos dois a dois distintos.

1.a. Escrever, explicitamente, todas as ordens estritas em C1 e todas em C2. Fazer o mesmo em C3 e em C4 a menos de permuta¸c˜ao (Vide o Item 1.b). Para a descri¸c˜ao, podem ser usadas v´arias apresenta¸c˜oes. No exemplo a seguir, apresentamos uma mesma ordem estrita< em C4 por diversos meios (recomendamos os diagramas de Hasse):

• Como rela¸c˜ao em C4: < ={(a, b); (a, d); (b, d)};

• Na nota¸c˜ao usual para ordem, < diz que: a < b, a < d e b < d (enquanto c´e incompar´avel a todos eles por meio de<);

• Por sua rela¸c˜ao de cobertura: ≺ ={(a, b); (b, d)}, isto ´e, a≺b ≺d;

• Pelo seu diagrama de Hasse: aoo boo c

1.b. Para C1 e C2, dar um isomorfismo de ordens para cada par (desorde- nado) de CPOs isomorfos. Qual o papel, nisto, da permuta¸c˜aoa↔b emC2? Em geral, qual o papel das permuta¸c˜oes de C para os tipos de ordem ?

1A unicidade vem da anti-simetria. Para a existˆencia, basta F T(R) ser localmente finita. A finitude local de uma rela¸c˜ao bin´aria S em um conjunto X ´e definida por:

∀x, y X, xSy =⇒ {z X|xRzRy}´e finito. Finalmente, observemos que uma redu¸c˜ao transitiva deRao precisa estar contida emR. Da´ı, uam rela¸c˜ao de ordem ´e finitamente local se, e somente se, seus intervalos fechados s˜ao finitos.

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1.c. Para cada uma das rela¸c˜oes de ordem estrita obtidas no Item 1.a, for- necer: todos os seus elementos minimais2, elementos maximais, m´ınimos e m´aximos; e todas as cadeias ⊆ −maximais e anticadeias ⊆ −maximais;

1.d. SejaP o conjunto das partes deC4, ordenado parcialmente por inclus˜ao (continˆencia). Repetir o Item 1.c para P.

Quest˜ao 2. Sejam (A,≤A) e (B,≤B) CPOs. Consideremos as rela¸c˜oes de ordem parcial em A×B definidas abaixo: ∀(a, b),(a, b)∈A×B,

• (a, b)≤L (a, b)⇐⇒[(a=a∧b ≤B b)∨a <A a] (ordem lexicogr´afica);

• (a, b)≤C (a, b)⇔[(b =b∧a ≤Aa)∨b <B b] (ordem colexicogr´afica);

• (a, b)≤P (a, b)⇐⇒[a≤A a∧b≤B b] (ordem produto); e

• (a, b)≤R (a, b)⇐⇒[(a, b) = (a, b)∨(a <Aa ∧b <B b)].

Obs. Alguns estudantes podem achar mais f´acil fazer, primeiro, o Item 2.d, o qual possui mais hip´oteses sobre os CPOs.

2.a. Demonstrar que as quatro s˜ao rela¸c˜oes de ordem parcial em A×B; 2.b. Demonstrar que, se ≤A e ≤B s˜ao totais, ent˜ao ≤L ´e total;

2.c. Demonstrar que, ∀(a, b),(a, b)∈A×B,

(a, b)≤R (a, b) =⇒(a, b)≤P (a, b), e (a, b)≤P (a, b) =⇒(a, b)≤L (a, b);

Para os itens restantes, usar A =B ={0,1,2} e as ordens totais≤B =≤A

determinadas por 0≤A1≤A2 (ou seja, induzidas pela ordem usual de N).

2.d. Para cada uma das quatro rela¸c˜oes, escrever seus diagramas de Hasse;

2.e. Mostrar que≤P e≤R podem n˜ao ser totais mesmo que≤A e≤B sejam, e que as rec´ıprocas das duas implica¸c˜oes no Item 2.c podem ser falsas. Rela- cionar isto ao n´umero de elementos de A e B.

2Recordar que: mserelemento minimalde um CPO (C,≤) significa que n˜ao existe c C tal que c < m, ou seja, todoc C ou satisfaz mc ou n˜ao ´e compar´avel a m.

J´a mser ınimodeC tem um significado mais forte: ∀cC, mc. M´ınimo, quando existe, ´e ´unico e tamb´em ´e o ´unico elemento minimal. Por sua vez, elemento minimal num conjunto totalmente ordenado ´e, necessariamente, m´ınimo. J´a num conjunto parcialmente ordenado por uma ordem parcial n˜ao-total, podemos ter nenhum, um ou mais elementos minimais, inclusive elementos minimais que n˜ao s˜ao m´ınimos.

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Quest˜ao 3 (A rela¸c˜ao de ordem parcial em N por divisibilidade). Seja (N,0, S) um sistema de n´umero naturais com sua boa ordena¸c˜ao total ≤ e sua aritm´etica usual. Consideremos as seguintes defini¸c˜oes:

• Dados m, n ∈N, dizemos que m divide n, n ´edivis´ıvel por m, m ´e divisor de n, e que n ´em´ultiplo de m, e denotamos3 isto tanto por m\n como m|n se, e somente se, existe r∈N tal que rm=n;

• Dado p ∈ N, p ´e primo se, e somente se, p possui exatamente dois divisores distintos4, a saber, 1 ep;

• Dado q∈N\{0,1}, q ´ecomposto se, e somente se, q n˜ao ´e primo.

3.a. Definido-se 1 :=S(0), 2 :=S(1) e 3 :=S(2), demonstrar que que 2 n˜ao

´e divisor de 3;

3.b. Demonstrar que a rela¸c˜ao bin´aria ≤D abaixo ´e uma rela¸c˜ao de ordem parcial em N:

∀m, n∈N, (m≤D n⇐⇒m\n) ;

3.c. Demonstrar que 1 e 0 s˜ao, respectivamente, o m´ınimo e o m´aximo do CPO (N,≤D);

3.d. Demonstrar que, para todos os naturais n˜ao-nulos m e n, se m ≤D n, ent˜ao m ≤n (na ordem usual)5;

3.e. Dos itens anteriores, deduzir que: 0 n˜ao ´e primo; 2 e 3 s˜ao primos; e que os n´umeros primos s˜ao os elementos minimais de N\{1} para a rela¸c˜ao de ordem parcial ≤D;

3.f. Mostrar que ≤D n˜ao ´e total (linear);

3.g. Demonstrar que ≤D ´ebem fundada. Recordar que isto significa que, para todo subconjunto n˜ao-vazioC deN, existem∈C tal quem´e minimal6 emC com rela¸c˜ao a≤D. Dica: Usar o Item 3.d e a boa ordena¸c˜ao de (N,≤).

Obs. Eventualmente, ser˜ao discutidos os seguintes resultados:

Teorema7: O conjunto dos n´umeros naturais primos ´e infinito;

Teorema: Toda rela¸c˜ao bem fundada induz uma no¸c˜ao de demonstra¸c˜ao por

3Esta nota¸c˜ao tamb´em se aplica `a extens˜ao deste conceito deNparaZ.

4Logo, 1 n˜ao ´e primo por defini¸c˜ao de primalidade.

5Do Item 3.a e do fato de que 2< S(2) = 3, a rec´ıproca ´e falsa !

6Isto ´e, n˜ao existecC tal quec <Dm.

7Teorema devido a Euclides, c. 300. ´E a Proposi¸c˜ao 20 do Livro IX dos Elementos.

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indu¸c˜ao bem fundada e uma no¸c˜ao de defini¸c˜ao por recurs˜ao bem fundada;

Teorema Fundamental da Aritm´etica: Todo n´umero natural maior que 1 possui uma ´unica (uma e apenas uma) fatora¸c˜ao como produto p1p2· · ·pk de naturais primos p1 ≤p2 ≤ · · · ≤pk (para algum k∈N\{0}).

Obs. Este ´ultimo pode ser demonstrado pela indu¸c˜ao bem-fundada de ≤D

e por outros meios.

Quest˜ao 4. Dados um conjunto X e um conjunto totalmente ordenado (Y,≤), consideremos o conjunto YX de todas as fun¸c˜oes de X em Y. Ele admite uma rela¸c˜ao de ordem parcial (aqui denotada por ) dada por:

∀f, g∈YX, (f g ⇐⇒ ∀x∈X, f(x)≤g(x))

ou seja, o valor de f em cada ponto deve ser menor que ou igual ao valor de g naquele ponto8.

4.a. Demonstrar que ´e, de fato, uma rela¸c˜ao de ordem parcial em YX; Para os itens restantes, fixemos um conjunto X com mais de um elemento (digamos, X = C4 da Quest˜ao 1), e Y = N para um sistema de n´umeros naturais (N,0, S) munido de sua boa ordena¸c˜ao total usual ≤.

4.b. possui m´ınimos ? M´aximos ? Elementos minimais ? Elementos maximais ?

4.c. Mostrar que, em geral, n˜ao ´e total;

Dadas f, g, h ∈ YX, definamos f+g : X −→Y =N

x 7−→f+g(x) =f(x) +g(x), f·g : X −→Y =N

x 7−→f·g(x) =f(x)·g(x), e

0: X −→N

x 7−→0(x) = 0 constante.

4.d. Vale a lei de cancelamento f +h=g+h⇒f =g ? Vale a monotonicidade f g =⇒f+hg+h ?

4.e. Se 0h, ent˜ao valem a lei de cancelamento f ·h = g ·h ⇒ f = g e a monotonicidade f g =⇒f ·hg·h ? Em caso negativo, que condi¸c˜ao sobre h ´e necess´aria para os resultados valerem ?

8Podemos, em particular, ordenar parcialmente o conjuntoYNdas sequˆencias emY, e o conjuntoRI das fun¸c˜oes reais num intervalo realI.

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Quest˜ao 5. Consideremos os seguintes tipos de rela¸c˜ao: reflexiva, irrefle- xiva, sim´etrica, assim´etrica, anti-sim´etrica, transitiva, ordem parcial, total, ordem estrita, tric´otoma, total `a esquerda, sobrejetiva, correspondˆencia, in- jetiva, funcional e biun´ıvoca. Verificar que a rela¸c˜ao emA ={0,1,2,3}dada por R=b {(0,0); (0,1); (1,0); (0,2); (3,2)}n˜ao ´e de nenhum destes tipos ! Dica: Este exemplo enfatiza o papel do quantificador ∀ (“para todo”) nas defini¸c˜oes dos tipos especiais de rela¸c˜ao mencionados !

Quest˜ao 6. Esta quest˜ao tamb´em ´e dif´ıcil para estudantes novi¸cos, mas recomendamos que estes, ao menos, tentem fazˆe-la. Sejam (X,≤) e (Y,≤) CPOs, e f : X −→ Y uma fun¸c˜ao estritamente crescente. Em cada item abaixo, enfatizar onde ´e essencial que a monotonicidade de f seja estrita.

6.a. Demonstrar que, se ≤ ´e total, ent˜ao f ´e injetiva. Dar um contra- exemplo9 para o caso de ≤ n˜ao ser total;

6.b. Demonstrar que, se f ´e uma bije¸c˜ao e ≤ ´e total, ent˜ao f−1 tamb´em ´e estritamente crescente10 e ≤ tamb´em ´e total. Dar um contra-exemplo para o caso de ≤ n˜ao ser total mesmo que ≤ seja total, exibindo uma bije¸c˜ao estritamente crescente f cujo contra-dom´ınio ´e totalmente ordenado e cuja fun¸c˜ao inversa n˜ao ´e estritamente crescente;

6.c. Demonstrar que, seb´e um elemento minimal deY, ent˜ao os elementos11 def−1({b}) s˜ao elementos minimais deX. Dar um contra-exemplo para “m´ı- nimo”, exibindo f estritamente crescente cujo contra-dom´ınio ´e totalmente ordenado e tem m´ınimom tal que nenhum elemento (minimal) def−1({m})

´e m´ınimo do dom´ınio def.

9Ou seja, darf estritamente crescente e n˜ao-injetiva.

10Em particular, sef´e uma das seguintes fun¸c˜oes: f(x) =x+mparamN;f(x) =mx ou f(x) =xm para mN\{0}; ou f(x) =mx para mN\{0,1}, que s˜ao estritamente crescentes, ent˜ao suas fun¸c˜oes inversas tamb´em preservam desigualdade. Em outras pa- lavras, dados os naturais x e y, temos que x < y equivale `as seguintes desigualdades:

x+m < y+m (m N), mx < my (m N\{0}), xm < ym (m N\{0}), e mx < my (mN\{0,1}). Fato semelhante valer´a para a extens˜ao destas opera¸c˜oes paraR(com as devidas restri¸c˜oes sobre o parˆametrome os n´umerosxey), e uma justificativa para que a frase “x < yimplica que” possa ser substitu´ıda por “x < yequivale a” para cada opera¸c˜ao

´e o Item 6.b. Assim, uma vez demonstrado que, emR, multiplicar por uma constante positiva, elevar amnatural ´ımpar, elevar um real n˜ao-negativo amnatural positivo par, e exponenciar com base maior que 1 s˜ao fun¸c˜oes estritamente crescentes, temos que tamb´em s˜ao fun¸c˜oes estritamente crescentes as seguintes opera¸c˜oes: dividir por uma constante po- sitiva; tirar a raizm−´esima (mnatural ´ımpar); tirar a raizm−´esima (mnatural positivo par) de um real n˜ao-negativo; e tomar logaritmo com base maior que 1.

11Aimagem inversadeSY ´e o conjuntof1(S) ={xX|f(x)S}.

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