LISTA DE SIGLAS ...1
1 – INTRODUÇÃO...2
FUNDAMENTAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO ...2
2 - ENQUADRAMENTO TEÓRICO ...4
ESCOLARIDADE PROLONGADA ... 16
CONFLITO ENTRE EMPREGO E MATERNIDADE ... 17
DESEMPREGO, INCERTEZA E CONDIÇÕES ECONÓMICAS... 18
A TRANSFORMAÇÃO DA FAMÍLIA E DAS RELAÇÕES ... 20
A (RE)VOLUÇÃO CONTRACEPTIVA ... 21
INFERTILIDADE ... 23
3 - MATERIAL E MÉTODOS ... 25
3.1 – OBJECTIVOS ... 25
3.2 – TIPO DE ESTUDO ... 26
3.3 - POPULAÇÃO ... 26
3.4 – COLHEITA E ANÁLISE DE DADOS ... 26
4 - RESULTADOS... 30
4.1 - REGIME SOCIAL-DEMOCRATA OU DOS PAÍSES NÓRDICOS ... 30
4.1.1 – Taxas de Fertilidade e idade das mulheres no nascimento do primeiro filho ... 30
4.1.2 – Políticas de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade ... 31
4.2 - REGIME CONSERVADOR OU DA EUROPA CONTINENTAL ... 39
4.2.1 - Taxas de Fertilidade e idade das mulheres no nascimento do primeiro filho ... 39
4.2.2 – Políticas de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade ... 40
4.3 - REGIME LIBERAL OU DOS PAÍSES ANGLO-AMERICANOS ... 51
4.3.1 – Taxas de Fertilidade e idade das mulheres no nascimento do primeiro filho ... 52
4.3.2 – Políticas de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade ... 52
4.4 - REGIME DA EUROPA DO SUL OU DOS PAÍSES MEDITERRÂNICOS .... 58
4.4.1 – Taxas de Fertilidade e idade das mulheres no nascimento do primeiro filho ... 58
4.4.2 – Políticas de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade ... 59
4.5 - REGIME DOS PAÍSES PÓS-SOCIALISTAS ... 70
4.5.1 - Taxas de Fertilidade e idade das mulheres no nascimento do primeiro filho ... 70
4.5.2 – Políticas de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade ... 72
2
5 - DISCUSSÃO E CONCLUSÃO ... 91
6 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 102
GLOSSÁRIO ... 112
1 UE – União Europeia
SSR – Saúde Sexual e Reprodutiva ECL – Europa Central e de Leste DIU – Dispositivo Intra-uterino
URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas PDL – Proporção de duração da licença
TFT – Taxa de fertilidade total
ONG – Organização Não Governamental PIB – Produto Interno Bruto
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico s- semanas
m - meses
DPP – Data prevista para o parto
MISSOC – Mutual information system on social protection ONU – Organização das Nações Unidas
NSO – National Statistics Office
2
FUNDAMENTAÇÃO DA INVESTIGAÇÃO
A população mundial está a crescer rapidamente, ao contrário da europeia, que se mantém cada vez mais estacionária, prevendo-se, inclusive, que comece a diminuir a partir do ano 2035 (1).
Este desacelerar do crescimento populacional está, em parte, relacionado com o declínio das taxas de fertilidade e natalidade, que se observam em toda a União Europeia (UE), desde meados da década de 60 e que, em parte, têm como causa o adiar da maternidade (1,2).
O declínio das taxas de fertilidade e natalidade, aliadas a um aumento da esperança média de vida, levam ao envelhecimento gradual da população europeia. Este envelhecimento significa, entre outras coisas, que a parte da população activa, cada vez em menor número, terá muitas dificuldades em “sustentar” a parte não activa, cada vez maior (1,2).
Consequentemente, algumas premissas fundamentais do Modelo Social Europeu, como o crescimento económico sustentável, a protecção social e o emprego universal correrão graves riscos de sucumbir. Por outro lado, os custos dos cuidados sociais e de saúde serão cada vez maiores, colocando também em risco o direito universal aos cuidados de saúde, em vários países (2).
Perante todos estes factores, a União Europeia, assim como os políticos da maioria dos Estados Membros, reconheceu que tinha um problema e iniciaram-se, em muitos casos, políticas de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade. De uma perspectiva ampla, as políticas podem incluir medidas relacionadas com o emprego, transporte, alimentação e educação, tendo em conta o seu potencial impacto sobre o bem-estar das famílias. No entanto, a literatura opta frequentemente por uma perspectiva mais estreita e restringe as políticas da família aos seus componentes básicos: apoio financeiro às famílias, serviços e benefícios para os pais que trabalham, políticas relacionadas com a saúde e educação e direitos legais da família (3).
3 Este estudo insere-se no âmbito do projecto “Reprostat 3 - The State of
Reproductive Health and Fertility in the European Union”, que lida com uma importante questão de Saúde Pública, sendo o primeiro a recolher informação sobre políticas de Saúde Sexual e Reprodutiva (SSR) em todos os Estados Membros, e cujo principal objectivo é descrever o estado actual da SSR, incluindo fertilidade, nos 27 países da UE.
O presente estudo incidiu essencialmente sobre um dos objectivos específicos do projecto, ou seja, a colheita de informação representativa sobre políticas de incentivo à maternidade, parentalidade e natalidade.
De acordo com Fortin (4), a questão de investigação “é uma interrogação
explícita relativa a um domínio que se deve explorar com vista a obter novas informações. É um enunciado interrogativo claro e não equívoco que precisa os conceitos-chave, especifica a natureza da população que se quer estudar e sugere uma
investigação empírica”. O presente estudo pretende responder à questão: Quais as políticas de natalidade, maternidade e parentalidade, actualmente em vigor, em cada um dos 27 países da União Europeia e de que forma se distinguem?
4 Entre 1960 e 2005 a população mundial quase duplicou, crescendo 46,5% (1). Por seu lado, a UE, na mesma altura, teve um aumento global de 21,9 %, atingindo os 491 milhões de habitantes (1).
O peso relativo da população dos 27 países da UE no mundo desceu de 13,3 % em 1960 para 7,5 % em 2005 (1). De acordo com as últimas projecções da Eurostat, em 2050 este peso relativo será de 5,4%. Segundo as mesmas projecções, a população dos 27 Estados Membros da UE, actualmente situada nos 498 milhões de habitantes, irá crescer até aos 521 milhões em 2035, altura em que começará a decrescer até aos 506 milhões em 2060. Esta tendência contraria as projecções para os restantes continentes, cuja população irá crescer constantemente até 2050 (1).
O crescimento da população da UE na última década deve-se em grande parte ao aumento do número de habitantes na Irlanda, Espanha, França, Itália e Reino Unido. Em termos relativos, Irlanda, Espanha e Chipre apresentam as maiores taxas de crescimento populacional (1).
As mudanças populacionais esperadas para a UE não são uniformes nos diferentes países. Prevê-se que as populações do Chipre, Irlanda e Luxemburgo cresçam 50% entre 2008 e 2060, enquanto as populações da Bélgica, Espanha, França, Suécia e Reino Unido crescerão 15 a 25%. Pelo contrário, prevê-se que as populações da Polónia, Estónia, Hungria, Eslováquia e Alemanha diminuirão entre 10 a 20% até 2060, e na Bulgária, Letónia, Lituânia e Roménia esta diminuição será de 20 a 30% (1).
O desacelerar do crescimento populacional nos 27 Estados Membros da UE pode ser parcialmente atribuído ao declínio das taxas de natalidade e fertilidade (1).
Desde a década de 60 até ao início do século XXI, o número de nascimentos na Europa1caiu acentuadamente, até pouco menos de 5 milhões de nascimentos em 2002.
1Europa, segundo a classificação da Eurostat, inclui os 27 Estados Membros da União Europa, Albânia, Andorra, Bielorrússia, Bósnia e Herzegovina, Croácia, Ilhas Faroe, Islândia, Liechtenstein, Macedónia, Moldávia, Montenegro, Noruega, Federação Russa, Sérvia, Suíça e Ucrânia.
5 Desde então, tem havido uma recuperação firme e moderada. A taxa de natalidade da Europa (10,2 nascimentos por 1 000 habitantes) foi a mais baixa de todos os continentes e aproximadamente metade daquela observada mundialmente (21,1 nascimentos por 1 000 habitantes), no período de 2000 a 2005 (1).
Os nascimentos têm diminuído de forma constante em alguns países, como a Alemanha e a Holanda. Em países como a Bulgária, República Checa, Estónia, Polónia e Reino Unido, pelo contrário, têm aumentado. Em Espanha, o número de nascimentos aumentou fortemente e de forma constante, entre 1997 e 2007 (1).
Concomitantemente à descida do número de nascimentos, a taxa de fertilidade tem, igualmente, decrescido nas últimas décadas, na UE. Uma taxa de fertilidade total de 2,1 filhos por mulher é considerada a mínima necessária para manter a estabilidade natural populacional a longo termo e a reposição geracional, assumindo que não existe migração (1). A taxa de fertilidade total dos 27 Estados Membros desceu de 2,6 filhos por mulher na primeira metade dos anos 60 para apenas 1,4 filhos por mulher no período de 1995 a 2005. Irlanda tem a taxa de fertilidade mais elevada, atingindo a média de 2,07 filhos por mulher em 2009. Em contraste, algumas das taxas de fertilidade mais baixas foram registadas em países do sul e leste europeus, sendo a mais baixa registada na Letónia (1,31 crianças por mulher em 2009) (5).
Contudo, as taxas de fertilidade europeias não tiveram sempre esta distribuição. Nos países da Europa Central e de Leste (ECL)2, as taxas de fertilidade apresentaram uma diminuição nos anos 50 e 60, ao contrário do que aconteceu no resto da Europa, onde as taxas se apresentavam altas devido, em grande parte, ao “baby boom” decorrente do final da II Guerra Mundial (6). Nos anos 70 e 80, a fertilidade diminuiu acentuadamente e manteve-se baixa nos países do Norte e Ocidente3 e Sul4 europeus, enquanto nos países da ECL se mantiveram as taxas de fertilidade. O colapso dos
2 Sempre que nos referirmos a Europa Central e de Leste, estaremos a adoptar a classificação de Frejka,
que inclui a República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Polónia, Lituânia, Bulgária, Roménia e Federação Russa.
3 Sempre que nos referirmos a países do Norte e Ocidente europeus, estaremos a adoptar a classificação
de Frejka, que inclui Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Inglaterra e País de Gales, Holanda, Áustria e parte ocidental da Alemanha.
4 Sempre que nos referirmos a países do Sul da Europa, estaremos a adoptar a classificação de Frejka, que
6 regimes autoritários nos países da ECL no início dos anos 90 reflectiu-se em mudanças substanciais nas famílias e comportamento reprodutivo, expressando-se num declínio abrupto da fertilidade, para níveis muito baixos (6). Nos países do Norte e Ocidente europeus, que contam com aproximadamente um quarto da população europeia, a fertilidade estabilizou em valores ligeiramente inferiores a 2,1 filhos por mulher (entre 1,7 e 2,0). A fertilidade continuou a diminuir para níveis muito baixos nos países do Sul da Europa e naqueles onde se fala predominantemente a língua alemã. Actualmente, três quartos da população europeia vive em países com uma taxa de fertilidade total entre 1,3 e 1,6 nascimentos por mulher (6). As taxas de fertilidade total e o crescimento percentual das taxas de fertilidade total, nos 27 países da União Europeia, entre os anos 1960 e 2009, encontram-se representados na tabela 1.
Para aqueles países com dados desde 1960, o crescimento percentual das taxas de fertilidade de 1960 a 2009 foi negativo e maior de 26% para todos. Em Portugal e na Eslováquia, a taxa de fertilidade decresceu mais de 50%, entre estes dois períodos.
Considerando os países apenas com dados mais recentes, como é o caso da Estónia (desde 1990), Espanha (1980), Chipre (1990), Lituânia (1970), Malta (1980), Polónia (1990) e Roménia (1980), a tendência para a diminuição das taxas de fertilidade ainda é óbvia, mas não de forma tão acentuada (apenas Espanha, Lituânia, Polónia, Roménia e Chipre apresentaram uma diminuição acima dos 30%).
Destacam-se dois países: a Eslovénia que, de 1990 a 2009 teve um aumento percentual positivo (4,8%) e o Reino Unido cuja taxa de fertilidade total cresceu 3,2% entre 1980 e 2008.
A Suécia é o país com a menor diminuição percentual na taxa de fertilidade total, de 1970 a 2009 (-1,0%).
7
T A B E L A 1 – Taxa de fertilidade total e crescimento percentual da taxa de fertilidade total nos 27 países da UE, entre 1960 e 2009.
País 1960 1970 Crescimento % (1960 a
1970)
1980 Crescimento % (1970 a
1980)
1990 Crescimento % (1980 a
1990)
2000 Crescimento % (1990 a
2000)
2009 Crescimento %
(2000 a 2009) Crescimento % desde 1960
Irlanda 3,78 3,85 1,9 3,21 -16,6 2,11 -34,3 1,89 -10,4 2,07 9,5 -45,2
Portugal 3,16 3,01 -4,7 2,25 -25,2 1,56 -30,7 1,55 -0,6 1,32 -14,8 -58,2
Holanda 3,12 2,57 -17,6 1,60 -37,7 1,62 1,3 1,72 6,2 1,79 4,06 -42,6
Eslováquia 3,04 2,41 -20,7 2,32 -3,7 2,09 -9,9 1,30 -37,8 1,41 8,46 -53,6
Finlândia 2,72 1,83 -32,7 1,63 -10,9 1,78 9,2 1,73 -2,8 1,86 7,51 -31,6
Áustria 2,69 2,29 -14,9 1,65 -27,9 1,46 -11,5 1,36 -6,8 1,39 2,20 -48,3
Dinamarca 2,57 1,95 -24,1 1,55 -20,5 1,67 7,7 1,77 6,0 1,84 3,95 -28,4
Bélgica 2,54 2,25 -11,4 1,68 -25,3 1,62 -3,6 1,67 3,1 1,84 10,18 -27,5
Itália 2,37 2,38 0,4 1,64 -31,1 1,33 -18,9 1,26 -5,3 1,42
(2008) 12,7(2000 a 2008) -40,1(1960 a 2008)
Bulgária 2,31 2,17 -6,1 2,05 -5,5 1,82 -11,2 1,26 -30,8 1,57 24,60 -32,03
Luxemburgo 2,29 1,97 -14,0 1,50 -23,9 1,6 6,7 1,76 10,0 1,59 -9,66 -30,57
Grécia 2,23 2,4 7,6 2,23 -7,1 1,4 -37,2 1,26 -10,0 1,52 20,63 -31,84
República
Checa 2,09 1,92 -8,1 2,08 8,3 1,9 -8,7 1,14 -40,0 1,49 30,70 -28,71
8 Alemanha 2,37* 2,02* -14,8 1,44* -28,7 1,45* 0,7 1,38 1,36 1,44 1,44 (2000 a 2009)
2,33** 2,19** -6,0 1,94** -11,4 1,52** -21,6
Estónia 2,05 1,38 -32,7 1,62 17,39 -20,97 (1990 a 2009)
Espanha 2,2 1,36 -38,2 1,23 -9,6 1,40 13,82 -36,4 (1980 a 2009)
França 1,89 2,00 5,82 5,8 (2000 a 2009)
Chipre 2,41 1,64 -32,0 1,51 -7,93 -37,3 (1990 a 2009)
Letónia 1,21 1,31 8,26 8,26 (2000 a 2009)
Lituânia 2,4 1,99 -17,1 2,03 2,0 1,39 -31,5 1,55 11,51 -35,4 (1970 a 2009)
Malta 1,99 2,04 2,5 1,70 -16,7 1,44 -15,29 --27,6 (1980 a 2009)
Polónia 2,06 1,35 -34,5 1,40 3,70 -32,0 (1990 a 2009)
Roménia 2,43 1,83 -24,7 1,31 -28,4 1,38 5,34 -43,2 (1980 a 2009)
Elovénia 1,46 1,26 -13,7 1,53 21,43 4,8 (1990 a 2009)
Suécia 1,92 1,68 -12,5 2,13 26,8 1,54 -27,7 1,94 25,97 -1,0 (1970 a 2009)
Reino Unido 1,9 1,83 -3,7 1,64 -10,4 1,96
(2008) 19,51 3,2 (1980 a 2008)
9 Parte do declínio da fertilidade na UE é resultado do adiamento da maternidade. Além de terem menos filhos, as mulheres, actualmente, tendem a ter os seus filhos mais tarde (1).
A média de idades das mulheres na maternidade, entre 1998 e 2009, assim como o seu aumento entre estes dois anos, encontram-se representados na Tabela 2. A média de idades das mulheres na maternidade ultrapassava os 30 anos em 10 dos Estados Membros (Chipre, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Grécia, Luxemburgo, Holanda, Suécia, Irlanda e Espanha), em 2009. Não existem dados referentes a 2009 para Itália, mas esta já apresentava um valor de 31,1 anos, em 2008. A tendência para adiar a maternidade verifica-se em todos os países da UE mas foi, de 1998 a 2009, mais prevalente na Bulgária, Chipre, República Checa, Estónia, Hungria, Lituânia, Eslováquia e Eslovénia, onde a média de idades das mulheres aumentou pelo menos dois anos.
T A B E L A 2 – Média de idades das mulheres na maternidade, em 1998 e 2009 e aumento, em anos, entre 1998 e 2009.
País
Média de idades das mulheres na maternidade
1998 2009 Aumento (em anos)
Áustria 28.0 29.7 1.7
Bélgica 28.7 29.6 0.9
Bulgária 24.5 26.6 2.1
Chipre 28.3 30.4 2.1
República Checa 26.6 29.4 2.8
Dinamarca 29.5 30.5 1.0
Estónia 26.3 29.0 2.8
Finlândia 29.5 30.1 0.6
França 29.3 29.9 0.6
Alemanha 28.8* 30.2 1.4
10
País
Média de idades das mulheres na maternidade
1998 2009 Aumento (em anos)
Hungria 24.2 29.1 4.9
Irlanda 30.3 31.2 0.9
Itália 30.3 31.1*** 0.8
Letónia 27.1** 28.4 1.3
Lituânia 26.3 28.6 2.3
Luxemburgo 29.2 30.7 1.5
Malta 27.9 29.2 1.3
Holanda 30.3 30.7 0.4
Polónia 27.2 28.6 1.4
Portugal 28.4 29.7 1.3
Roménia 25.4 26.9 1.5
Eslováquia 26.2 28.5 2.3
Eslovénia 27.8 29.9 2.2
Espanha 30.5 31.0 0.5
Suécia 29.7 30.7 1.0
Reino Unido 28.3 29.3*** 1.0
NOTAS: * dados de 2000; ** dados de 2002; *** dados de 2008; FONTE: Adaptado de (7), (5)
Outra das tendências por detrás da baixa fertilidade na Europa é o aumento de mulheres que atinge os 50 anos sem filhos (1).Em países como a Áustria, Alemanha e Holanda, não ter filhos surge como um estilo de vida ideal (8). Por outro lado, o número de mulheres sem filhos involuntariamente também aumentou, em parte devido a factores relacionados com a formação do casal e factores biológicos, como a infertilidade (8).
11 Europa Central e de Leste, assim como no Sul, enquanto na maioria dos países do Norte e Ocidente europeus, a proporção de famílias com um filho é relativamente baixa e estável. Por outro lado, existem sinais incipientes de que as famílias com dois filhos começam a perder a sua predominância, principalmente nos países da Europa Central e de Leste, enquanto na Europa do Norte e Ocidente, os números mantêm-se estáveis (6,9). A proporção de famílias com três ou mais filhos continua a decrescer na Europa do Sul, Central e de Leste e mantém-se estável na Europa Ocidental e do Norte (9).
As baixas taxas de fertilidade e natalidade já referidas, aliadas a uma esperança de vida cada vez maior e ao envelhecimento da geração baby boom, contribuem para o acelerar do envelhecimento das populações europeias.
Em 2010, os indivíduos com menos de 15 anos constituíam cerca de 15,6% da população dos 27 Estados Membros, variando entre 13,5% na Alemanha e 21,3% na Irlanda (Tabela 3). Por outro lado, a proporção de indivíduos com 65 anos ou mais era de 17,4%, variando entre 11,3% na Irlanda e 20,7% na Alemanha. Pouco mais de dois terços (67%) da população pertencia ao grupo etário produtivo (15 a 64 anos). Segundo as projecções do Eurostat, esta proporção irá diminuir gradualmente até aos 57% da população, em 2050. A população desta faixa etária, cada vez menor, terá que “sustentar” as pessoas com mais de 65 anos de idade, que serão cada vez mais (aproximadamente 29% da população). A importância dos mais velhos (80 anos ou mais) será considerável em 2060, quando este grupo etário vier a constituir 12% de toda a população da UE (1).
12
T A B E L A 3 – População dos 0 aos 14 anos, dos 15 aos 64 anos e com mais de 65 anos (% da população total), na União Europeia e nos 27 países da União Europeia, em 2010.
0-14 anos 15-64 65 ou mais
União Europeia 15.6(p) 67 17.4(p)
Bélgica 16.9 66 17.2
Bulgária 13.6 68,9 17.5
República Checa 14.2 70,5 15.2
Dinamarca 18.1 65,5 16.3
Alemanha 13.5 65,9 20.7
Estónia 15.1 67,7 17.1
Irlanda 21.3 67,3 11.3
Grécia 14.4 66,7 18.9
Espanha 14.9 68,2 16.8
França 18.5(p) 64,9 16.6(p)
Itália 14.1 65,8 20.2
Chipre 16.9 70,1 13.1
Letónia 13.8 68,9 17.4
Lituânia 15.0 68,9 16.1
Luxemburgo 17.7 68,3 14.0
Hungria 14.7 68,6 16.6
Malta 15.6 69,6 14.8
Holanda 17.6 67,1 15.3
Áustria 14.9 67,6 17.6
Polónia 15.2 71,4 13.5
Portugal 15.2 66,9 17.9
Roménia 15.2 69,9 14.9
13
Eslováquia 15.3 72,4 12.3
Finlândia 16.6 66,3 17.0
Suécia 16.6 65,3 18.1
Reino Unido 17.4(p) 66,1 16.4(p)
P – valor provisório; FONTE: (5)
O aumento da esperança de vida é outro dos factores que contribui para o perfil demográfico do envelhecimento. A esperança de vida à nascença tem subido gradualmente na Europa e aproxima-se do limite máximo possível da sobrevivência média de uma geração (2).
Este aumento deve-se, em parte, a uma diminuição substancial da mortalidade infantil e materna (10), consequência de uma melhoria do acesso aos cuidados de saúde, uma evolução do conhecimento médico, das técnicas de diagnóstico e do desenvolvimento da indústria farmacêutica, assim como a um desenvolvimento económico e social cujos impactos benéficos na saúde das populações são já factos adquiridos (2).
Na UE, em 2004, a esperança de vida ao nascer para o sexo masculino era de 75,2 anos, enquanto para o sexo feminino era de 81,5 anos (1). No entanto, existem grandes variações nas esperanças de vida em toda a União Europeia (1).
Outro dos factores com influência nas dinâmicas populacionais europeias são as migrações. Em 2007, o aumento populacional de 2,4 milhões de habitantes na UE compreendeu migração líquida positiva de 1,9 milhões de pessoas e um crescimento natural de 0,5 milhões de pessoas (1).
14 Embora a migração líquida para a UE seja positiva, e tenha subido desde o final da década de 1980, existe uma natureza volátil para os padrões migratórios ao longo do tempo. Após um rápido crescimento nos primeiros anos do século XXI, com mais de 2 milhões de imigrantes em 2003, a migração líquida diminuiu um pouco na União Europeia. A migração líquida variou entre 1,64 e 2,03 milhões por ano entre 2002 e 2007, quando nunca tinha atingido o tecto do milhão, antes de 2002 (1). Quando expressa como proporção do total da população, a imigração representava 0,39% do número total de habitantes na UE dos 27, em 2007 (1). A grande maioria dos Estados Membros reportou uma migração líquida positiva, à excepção da Polónia (-20 500), Lituânia (-5 200), Holanda (-1 600), Bulgária (-1 400) e Letónia (-600). Em termos relativos, Espanha (1,58%), Irlanda (1,49%) e Luxemburgo (1,26%) foram os únicos países a registar uma migração líquida acima do limite de 1% da população total (1).
A imigração não é a solução para o problema do envelhecimento populacional europeu mas ajuda a satisfazer algumas necessidades no mercado de trabalho e contribui para o equilíbrio demográfico da UE. Deste modo, apesar do envelhecimento demográfico ser um facto consumado, sem migração este processo seria muito mais rápido (1).
Consequentemente, uma evolução sustentável da população da União Europeia (crescimento lento e envelhecimento relativamente controlado), num curto e médio espaço de tempo, depende de uma migração líquida positiva com base na vinda de um grande volume de estrangeiros, provavelmente mais de 3 milhões, de modo a compensar a saída de pessoas do espaço europeu (11). Contudo, a imigração tem-se tornado cada vez mais uma questão política em muitos países da Europa e a falta de vontade política para acomodar e assimilar migrantes pode ser uma circunstância limitativa (6).
15 Com o envelhecimento das populações, tem aumentado o número de idosos em condições de reforma, que usufruem de probabilidades de sobrevivência e esperança de vida bastante mais elevados do que os das gerações anteriores. Em contrapartida, a fatia dos activos que alimentam o sistema – quando baseado no princípio da repartição, são as quotizações resultantes do trabalho da população activa que garantem o pagamento das reformas – tende a diminuir. Deste desequilíbrio estrutural entre activos e inactivos resulta, em boa parte, a ameaça para a sustentabilidade dos sistemas de reforma, especialmente para aqueles fundados no princípio da repartição (2, 12).
A crise de viabilidade do estado social face às transformações demográficas, sociais e económicas levou a um questionamento do próprio conceito e dos princípios e fundamentos da sua edificação. Existe o receio de uma certa incompatibilidade entre a eficiência dos modos de financiamento da economia, nos nossos dias, e a aplicação dos princípios de justiça social (2).
Segundo Fernandes (2), esta crise estrutural que afecta os estados sociais é particularmente mais grave nos países do Sul da Europa. Aqui os problemas agudizam-se porque os novos desafios como o deagudizam-semprego prolongado, reformas antecipadas e exclusão social generalizada, vêm juntar-se aos problemas sentidos pelos países que detêm sistemas de protecção mais antigos.
O envelhecimento das estruturas demográficas tem centralizado as atenções de políticos e investigadores. A preocupação com estas tendências tem provocado um intenso debate acerca das políticas mais efectivas a implementar, de modo a revertê-las ou a mitigar o seu impacto (12). Para implementar estas políticas, devemos tentar perceber o que está por detrás destas mudanças demográficas, nomeadamente quais são os factores que influenciam a fertilidade.
16 Os determinantes da parentalidade tardia são frequentemente idênticos aos determinantes da baixa fertilidade e da não maternidade e nem sempre é possível fazer uma distinção clara entre eles (13). De seguida, exploram-se vários factores implicados no adiar da maternidade nas sociedades europeias actuais que, embora importantes, são insuficientes para explicar um processo deveras complexo (Liefbroer, 1998 in 13).
ESCOLARIDADE PROLONGADA
O efeito directo da educação prolongada no adiar da maternidade parece ser o factor mais importante para o adiar da fertilidade (12).
Durante as últimas quatro décadas, os jovens europeus têm passado cada vez mais tempo das suas vidas a estudar; especialmente no que diz respeito ao ensino superior. Para os indivíduos, completar o ensino superior é a melhor via para encontrar um emprego estável, receber um salário suficiente e melhorar as suas perspectivas de carreira (13).
As mulheres são especialmente beneficiadas pelo ensino superior e, actualmente, constituem mais de metade dos estudantes graduados e pós graduados na maioria dos países europeus (13). Esta expansão na educação tem implicações directas nas tendências de fertilidade. Actualmente, nas sociedades ocidentais, o tempo passado a estudar é universalmente visto como incompatível com a formação de uma família, ou seja, estar a estudar reduz substancialmente a possibilidade de ter o primeiro filho (13).
Por outro lado, as pessoas com educação superior têm valores e preferências diferentes dos indivíduos com menos estudos, aspirações materiais e profissionais mais altas, são mais proficientes a obter e assimilar informação e menos sensíveis às pressões sociais (Bouwens, Beets & Schippers in 13). Assim, a relutância em começar uma família entre homens e mulheres com educação superior pode ser interpretada como uma maior resistência às pressões normativas, uma maior flexibilidade e forte apego à construção da carreira, bem como à previsão dos custos económicos de ter filhos (13).
17 a vida sexual mais tarde que os seus pares com menos estudos (13) e utilizam os métodos contraceptivos de forma mais eficaz (13).
O nível de educação está também relacionado com diferentes formas de relacionamento. Em algumas sociedades, formas de viver menos tradicionais, como coabitação, viver sozinho por extensos períodos, ou viver com pessoas do mesmo sexo, espalharam-se pelas pessoas com maior escolaridade. Estas relações, mais instáveis, estão associadas com o adiar da maternidade. Adicionalmente, as mulheres com maior nível de educação tendem a procurar relações mais igualitárias, e, acima de tudo, a desenvolver níveis de exigência mais altos no que diz respeito à educação e bens de um possível parceiro. Estes padrões mais exigentes levam a um adiar do casamento e/ou união (Oppenheimer, 1988 in 13), contribuindo também para o adiar da maternidade (13).
A educação está, portanto, relacionada com um conjunto de outros factores que levam ao adiar da maternidade. Estes factores serão abordados de seguida.
CONFLITO ENTRE EMPREGO E MATERNIDADE
Tradicionalmente, emprego e maternidade eram vistos como incompatíveis (13). Alguns estudos recentes concluíram que a relação entre a participação no mercado de trabalho e fertilidade não é simples e pode ser influenciada por inúmeros factores (13).
A complexa relação entre as duas “carreiras” interdependentes influencia consideravelmente a altura da formação da família (13).
18 alguma experiência laboral antes de constituir uma família. Aliás, a estabilidade laboral parece ser uma pré-condição muito importante para a maternidade, mais que a transição para a própria actividade laboral (13). As altas taxas de desemprego, concentradas entre os jovens, combinadas com o aumento de empregos precários, constituem barreiras que contribuem para um intensificar do adiar da fertilidade no Sul da Europa (13). A competição feroz no mercado de trabalho é também um adjuvante no adiar da maternidade (14).
Contudo, quando a sociedade está organizada numa determinada forma onde os pais conseguem encontrar um equilíbrio entre o trabalho e a família, decrescem os custos indirectos associados à parentalidade. Isto explica, em parte, o motivo pelo qual os países onde as mulheres têm uma maior participação activa no mercado de trabalho, apresentam altas taxas de fertilidade (1, 15, 16).
Do mesmo modo, a igualdade de género no local de trabalho e na sociedade em geral, está relacionada com as taxas de fertilidade. Por exemplo, a Suécia teve um aumento nas suas taxas de fertilidade no final dos anos 80, sem motivo aparente. Porém, chegou-se à conclusão que este aumento se deveu a uma combinação entre disponibilidade de cuidados infantis de alta qualidade, licenças parentais extensas e equitativas e um ambiente gerador de equidade entre homens e mulheres (15).
DESEMPREGO, INCERTEZA E CONDIÇÕES ECONÓMICAS
As decisões no que respeita à maternidade são também influenciadas pelos níveis de desemprego, bem-estar e segurança pessoal (13). Altas taxas de desemprego aumentam a incerteza económica e desencorajam os jovens para a maternidade. São exemplos desta realidade os países do Sul da Europa, em particular Espanha e Itália (13).
19 paternidade. Esta é uma indicação clara de que a contribuição económica do homem é essencial para as decisões de paternidade. Em países com sistemas sociais bem estabelecidos e um regime de suporte familiar generoso, os benefícios de desemprego e a licença de maternidade/paternidade, poderão substituir os rendimentos e aumentar a motivação para a maternidade/paternidade (13). Além disso, mesmo em casos onde o desemprego parece ser um dos principais factores por trás do adiar da maternidade, uma análise a nível micro não o identificou como um factor importante para o declínio da fertilidade de período5 (Ahn & Mira in 13).
O desemprego é o exemplo de uma situação em que frequentemente estão associados os termos instabilidade e incerteza. Todas as condições, quer a nível individual, quer a nível colectivo, associadas à incerteza, têm um forte impacto nas decisões de fertilidade (13).
Altos níveis de incerteza levam à renúncia de compromissos a longo termo e, consequentemente, ao adiar do casamento e da parentalidade. Esta perspectiva não é totalmente apoiada empiricamente; as evidências existentes sugerem que a influência da incerteza no nascimento do primeiro filho difere no tempo, entre países e por tipo de incerteza, e tem um impacto diferente em vários grupos populacionais (13).
Ao nível social, o agravar de condições económicas e laborais está muitas vezes associado com a redução e o adiar da fertilidade (13, 15). Contudo, uma melhoria das condições laborais para as mulheres pode também levar a esse adiamento. Ao nível individual, a incerteza relacionada com o mercado de trabalho normalmente reduz a propensão para a paternidade, enquanto os efeitos entre as mulheres dependem de condições mais específicas e são inconsistentes (13).
20
A TRANSFORMAÇÃO DA FAMÍLIA E DAS RELAÇÕES
A formação das famílias e as condições de vida sofreram uma profunda transformação, especialmente desde o final dos anos 60. Esta transformação teve como base a mudança verificada nas relações íntimas (13).
As relações tornaram-se igualitárias e individualistas. A cumplicidade sexual, a intimidade, a comunicação emocional e o prazer sexual recíproco são os elementos chave para manter os parceiros juntos (Mills, 2000 in 13, 18) e a parentalidade não é o objectivo principal das relações (13). Por outro lado, relações mais igualitárias implicam mais negociação entre os parceiros, nomeadamente no que diz respeito à maternidade (13).
A instabilidade é outro dos elementos chave das relações, uma vez que estas podem ser terminadas por qualquer um dos parceiros, em qualquer altura (18), levando muitos homens e mulheres a adiar a parentalidade por considerarem o seu parceiro temporário (13).
O casamento tem sido substituído pela coabitação e modos de vida não convencionais e o aumento das taxas de divórcio leva ainda mais à sua erosão. Por outro lado, o casamento deixou de ser a única via socialmente aceite para a parentalidade. O sexo foi separado da reprodução, e a reprodução separou-se do casamento, devido à difusão da pílula contraceptiva. Os casamentos sem filhos voluntariamente, assim como maternidade/paternidade fora do casamento tornaram-se comuns, com uma intensidade variável entre os Estados Membros da UE (13).
Muitas evidências sugerem que a transformação do carácter das relações tem um efeito considerável no adiar dos primeiros nascimentos. Numa família tradicional, os filhos são o resultado esperado do casamento e uma fonte de status social do casal. Actualmente, nas sociedades modernas, ter filhos não é o principal objectivo de muitas das uniões; pelo contrário, a maternidade/paternidade tornou-se um meio dos indivíduos atingirem a auto-realização (Van de Kaa in 13).
21 casal, assim como para a qualidade da própria relação (13). Ao mesmo tempo, a decisão de ter filhos tornou-se racional, em que se pesam as vantagens e desvantagens e os pais têm um maior sentido de responsabilidade para com os seus filhos (13).
Em conclusão, a mudança da natureza das relações significa que menos homens e mulheres entram numa relação com o objectivo claro de se tornarem pais (13). Não obstante, a família não se tornou uma instituição obsoleta. Pelo contrário, a vida familiar continua a ser um valor universal e a parentalidade continua no topo das prioridades na vida de muitas pessoas. O que mudou foi a motivação para a parentalidade. A maternidade já não é encarada como uma obrigação, um destino inevitável, mas sim como um resultado de uma decisão planeada de cada casal, que na sua tomada de decisão, considera os aspectos negativos e positivos da maternidade na relação, estilo de vida e bem-estar económico (6). Todos estes aspectos apontam numa direcção: a diminuição relativa da importância da maternidade/paternidade nas relações implica um adiar do nascimento do primeiro filho (13).
A (RE)VOLUÇÃO CONTRACEPTIVA
A legalização do aborto e a difusão dos contraceptivos modernos deram às mulheres um maior controlo sobre a sua reprodução (6, 13). A disponibilidade da pílula marca uma liberdade pessoal sem precedentes no domínio da reprodução e possibilita que as mulheres tenham relações sexuais sem medo de uma gravidez indesejada (13).
22 A transição para o uso dominante dos contraceptivos modernos pela maioria da população, habitualmente referida como “a revolução dos contraceptivos” (Westoff & Ryder in 19), iniciou-se no Norte e Ocidente europeus, durante os anos 60 e 70. No sul da Europa, deu-se principalmente nas décadas de 80 e 90 e ainda persiste. Na Europa Central e de Leste, as maiores mudanças no comportamento contraceptivo deram-se após o colapso dos regimes autoritários (19).
Actualmente, a prevalência do uso de contraceptivos modernos é maior no Norte e Ocidente europeus, onde o seu uso é quase universal (19). Embora relativamente baixo, o uso dos contraceptivos modernos cresceu substancialmente na Europa de Leste e especialmente no Sul da Europa, nos últimos anos (19).
“Cultura abortiva” é o termo que caracteriza a regulação da fertilidade nos países ex-socialistas da Europa Central e de Leste, entre a década de 50 e a de 80 (Stloukal in
19). A liberalização do aborto, em conjunto com sistemas de saúde predominantemente curativos, tornaram a interrupção voluntária da gravidez fácil de obter e socialmente aceite. Com excepção da Hungria, República Democrática Alemã e partes da antiga Jugoslávia, os contraceptivos modernos, especialmente a pílula, eram difíceis de obter, e a maioria dos casais usavam contraceptivos tradicionais ineficazes (Stloukal in 19; 20).
23 Apesar dos avanços significativos na contracepção e nas tecnologias de aborto induzido, e da sua disponibilidade fácil e generalizada, na segunda metade do século XX, o seu impacto nos níveis e tendências da fertilidade actual não parece ter sido decisivo, pois já na década de 20, mais de metade da população europeia estava a reproduzir-se abaixo do nível de reposição populacional (21).
Mesmo sem a liberalização do aborto, sem os métodos abortivos modernos e sem a disponibilidade dos contraceptivos modernos, as tendências de fertilidade das últimas décadas teriam sido idênticas às verificadas actualmente. São as motivações condicionadas pelas condições de vida, pelos valores, normas e atitudes que modificam o comportamento de fertilidade. As pessoas usariam qualquer método contraceptivo que estivesse disponível, apoiando-se, se necessário, em abortos ilegais, de modo a atingir os seus objectivos (19).
INFERTILIDADE
A prevalência da infertilidade na Europa tem-se mantido estável, entre 10 a 12%, e atinge 1 em cada 6 casais (19). São verificadas algumas alterações, acompanhando a mudança dos estilos de vida (tabagismo, stress, excesso de peso e doenças sexualmente transmissíveis) podendo resultar, no futuro, num aumento moderado dos problemas de infertilidade, à medida que estes estilos de vida se acentuam (19).
25
3.1 – OBJECTIVOS
De acordo com Lakatos & Marconi (25), o objectivo geral de um estudo “está
ligado a uma visão global e abrangente do tema. Relaciona-se com o conteúdo intrínseco, quer dos fenómenos e eventos, quer das ideias estudadas. Vincula-se
directamente à própria significação da tese proposta pelo projecto”. O objectivo geral do presente estudo é:
Analisar, comparativamente, as políticas de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade, nos 27 países da União Europeia (Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha Estónia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia).Os objectivos específicos “apresentam carácter mais concreto. Têm função
intermediária e instrumental, permitindo, de um lado, atingir o objectivo geral e, de
outro, aplicar este a situações particulares” (25). Os objectivos específicos deste estudo são:
Identificar a existência ou não de políticas nacionais de incentivo à natalidade, maternidade e parentalidade, em cada um dos países da UE;
Descrever o número de meses de licença oficial de maternidade existente em cada um dos países da UE;
Descrever o número de meses de licença oficial de paternidade existente em cada um dos países da UE;
Descrever o número de meses de licença oficial parental existente em cada um dos países da UE;
26 Identificar diferenças nas políticas de incentivo à natalidade, maternidade e
parentalidade dos vários países.
3.2 – TIPO DE ESTUDO
O presente estudo pode ser classificado de qualitativo, descritivo simples, uma vez que “observa, descreve, interpreta e aprecia o meio e o fenómeno tal como se
apresentam, sem procurar controlá-los” (4) e “descreve simplesmente um fenómeno ou um conceito relativo a uma população, de maneira a estabelecer as características dessa população ou de uma amostra desta” (4).
3.3 - POPULAÇÃO
De acordo com Lakatos & Marconi (25), uma população “ é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum”. No presente estudo, a população é composta pelos 27 países pertencentes à União Europeia, nomeadamente Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovénia, Espanha Estónia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia.
3.4 – COLHEITA E ANÁLISE DE DADOS
27 Segundo Lakatos & Marconi (25) “toda a pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes e os dois processos pelos quais se podem obter os dados são a
documentação directa e a indirecta”.
A documentação indirecta serve-se de fontes de dados colhidos por outras pessoas, podendo constituir-se de material já elaborado ou não. “Dessa forma, divide-se em pesquisa documental (ou de fontes primárias) e pesquisa bibliográfica (ou de fontes secundárias) ” (25).
Para a realização deste estudo utilizaram-se como métodos de colheita de dados a pesquisa documental6 e a pesquisa bibliográfica7. Foram consultados, por um lado, documentos provenientes dos órgãos que realizaram as observações, nomeadamente fontes estatísticas compiladas (Ex: Eurostat, OCDE) e, por outro, consultou-se igualmente bibliografia publicada em livros, revistas, publicações avulsas, em formato papel ou informático.
A primeira fase da pesquisa documental e bibliográfica foi a compilação, ou seja, “a reunião sistemática do material” (25).
O fichamento foi feito através da construção de um template, em Excel, e permitiu a ordenação do assunto possibilitando uma selecção constante da documentação e do seu ordenamento (25).
Uma vez ordenada toda a informação recolhida, esta foi apresentada sob a forma de tabela e enviada aos peritos distribuídos pelos 27 países da EU, para sua validação.
Após validação dos peritos, procedeu-se à análise e interpretação dos dados. “A
primeira fase da análise e interpretação é a crítica do material bibliográfico, sendo
6
Os documentos de fonte primária são aqueles provenientes dos próprios órgãos que realizaram as observações. “Englobam todos os materiais, ainda não elaborados, escritos ou não, que podem servir
como fonte de informação para a pesquisa científica. Podem ser encontrados em arquivos públicos ou
particulares, assim como em fontes estatísticas compiladas por órgãos oficiais e particulares” (25).
7“A pesquisa bibliográfica ou de fontes secundárias trata-se do levantamento de toda a bibliografia já
publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita. A sua finalidade é colocar o pesquisador em contacto directo com tudo aquilo que foi escrito sobre determinando assunto,
com o objectivo de permitir ao cientista “o reforço paralelo na análise de suas pesquisas ou
28
considerado um juízo de valor sobre determinado material científico. Divide-se em crítica externa8 e interna9” (25).
“A segunda fase compreende a decomposição dos elementos essenciais e sua classificação, isto é, verificação dos componentes de um conjunto e suas possíveis relações. Passa-se de uma ideia-chave geral para um conjunto de ideias mais precisas. Dessa forma, podem-se concretizar, através de uma análise progressiva e cada vez
mais concreta, as ideias iniciais gerais e mais abstractas” (25).
A terceira fase da análise e interpretação é a generalização, onde se poderão “formular afirmações verdadeiras, aplicáveis a um conjunto ou à totalidade dos
elementos seleccionados” (Barquero in 25).
“A quarta e última fase exige uma análise crítica, utilizando instrumentos e
processos sistemáticos e controláveis. A objectividade, a explicação e a justificativa são três elementos importantes para se chegar à sua validade” (25).
A apresentação dos resultados foi feita tendo como base os 5 tipos de regimes de políticas de família existentes na Europa, descritos por Gauthier (3) e Kuronen (26).
Segundo Gauthier10 (3) e Kuronen (26), existem 5 tipologias de regimes de políticas de família, na Europa. São eles o regime Social-Democrata (3) ou dos países nórdicos (26), o regime Conservador (3) ou dos países continentais (26), o regime Liberal (3) ou dos países Anglo-Americanos (26), o regime da Europa do Sul (3) ou dos países mediterrânicos (26) e o regime dos países pós-socialistas (26).
O regime Social-Democrata ou dos países nórdicos inclui a Finlândia, Suécia e Dinamarca; o regime Conservador ou dos países continentais inclui a Áustria, Holanda, Luxemburgo, Bélgica, França e Alemanha; o regime Liberal ou dos países
8 A crítica externa é feita sobre o“significado, a importância e o valor histórico de um documento,
considerado em si mesmo e em função do trabalho que está sendo elaborado” (Salomon in 25).
9 “A crítica interna é aquela que aprecia o sentido e o valor do conteúdo” (25).
10 Segundo Gauthier (3), existem 4 tipologias de regimes de políticas da família, onde não se incluem os
29 Americanos inclui a Irlanda11, Malta e o Reino Unido; o regime da Europa do Sul ou dos países mediterrânicos inclui o Chipre, Grécia, Espanha, Itália e Portugal e o regime dos países pós-socialistas inclui a Bulgária, República Checa, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Polónia, Roménia, Eslováquia e Eslovénia.
Pretendeu-se, ainda, que a análise e apresentação dos dados fossem feitas de forma clara e objectiva, pelo que se optou por apresentar uma comparação dos países dos diferentes regimes, por licença de maternidade, licença de paternidade e licença parental, na forma de tabelas.
Para obter uma visão melhor das comparações entre países com sistemas de licenças pagas, com diferentes taxas de pagamento e durações, o direito às licenças remuneradas também é apresentado, em cada tabela, como a proporção da duração da licença (PDL), se esta fosse paga a 100% do salário prévio, ou seja, o equivalente em semanas pagas a 100%. Esta proporção foi calculada através da multiplicação da duração das licenças, em semanas, pelo pagamento recebido (27).
Ao longo do trabalho, sempre que nos referimos a taxa de fertilidade, referimo-nos a taxa de fertilidade total (TFT). Optámos por este indicador porque, além de ser melhor índice de fertilidade do que a taxa bruta de natalidade, pois é independente da estrutura etária da população, os dados estão facilmente disponíveis.
11 Na classificação utilizada por Gauthier (3), a Irlanda pertence ao regime Conservador. Contudo, tendo
30
4.1 - REGIME SOCIAL-DEMOCRATA OU DOS PAÍSES NÓRDICOS
O regime Social-Democrata ou dos países nórdicos é caracterizado por um apoio estatal universal a todas as famílias, alto nível de apoio aos pais trabalhadores e um compromisso elevado com a igualdade de género (3).
As políticas de família dos países nórdicos têm sido muito influenciadas pela Igreja Protestante e governos da ala esquerda (26). São políticas que se foram focando cada vez mais na igualdade de género, reconciliação e integração das mulheres no mercado de trabalho (26). Têm por objectivo promover os interesses dos indivíduos e não das famílias como unidades (28). São políticas que não estão institucionalizadas. No que diz respeito à lei da família, os países nórdicos são particularmente avançados ao colocar os casais não casados a par com os casados (28). Prestam uma atenção particular ao bem-estar das crianças (Ostner & Schmitt, 2008 in 26). Os subsídios familiares são financiados pelos impostos. A cooperação entre o Governo e as Organizações Não Governamentais (ONG`S) é forte nas políticas da família dos países nórdicos (Appleton & Byrne, 2003 in 26).
4.1.1 – TAXAS DE FERTILIDADE E IDADE DAS MULHERES NO NASCIMENTO DO PRIMEIRO FILHO
A TFT da Suécia, em 1990, era de 2,13 filhos por mulher, ultrapassada apenas pelo Chipre (2,41filhos por mulher). No período de 1990 a 1999, a Suécia viu a sua TFT decrescer abruptamente até ao valor de 1,50 filhos por mulher. A partir do mesmo ano, este valor tem vindo a subir até ao valor de 1,94 filhos por mulher, registado em 2009 (5). A média de idades das mulheres na maternidade, em 2009, era de 30,69 anos (5), o valor mais alto registado até hoje, no país.
31 Na Finlândia, a TFT atingiu um pico de 1,74 filhos por mulher em 1983, baixando para 1,59 filhos por mulher em 1987. Aumentou novamente para 1,85 filhos por mulher em 1992 e 1994, e atingiu outro pico mínimo de 1,70 filhos por mulher em 1998 (29). Em 2009, a TFT era de 1,86 filhos por mulher (5) e a idade média das mulheres aquando do nascimento do primeiro filho era de 30,12 anos (5).
Em 2009, a TFT registada pela Dinamarca era de 1,84 filhos por mulher (5). Em 2008, a média de idades das mulheres no nascimento do primeiro filho era de 30,51 anos (5).
Dos 3 países do regime Social-Democrata ou dos países nórdicos, a Suécia era a que apresentava, em 2009, a maior TFT e, simultaneamente, as mulheres mais velhas na maternidade.
4.1.2–POLÍTICAS DE INCENTIVO À NATALIDADE, MATERNIDADE E PARENTALIDADE
Na Suécia, o objectivo das políticas da família é fortalecer o poder dos pais sobre as suas vidas a aumentar a liberdade de escolha das famílias. As políticas de família pretendem facilitar a combinação da vida familiar e laboral (30). As principais características das políticas da família suecas são: grande generosidade, flexibilidade, uma abordagem universal (são usadas as mesmas regras e benefícios em todo o país, independentemente do estado civil e estatuto social), coordenação com políticas educacionais e laborais e promoção geral da mulher (30).
Por outro lado, a Suécia possui estabelecimentos pré-escolares e escolares públicos de grande qualidade e com baixos custos, que vão completamente ao encontro das necessidades das crianças, de todos os grupos etários (30, 31).
32 A Finlândia fornece generosos apoios públicos às famílias com crianças (29). As políticas da família finlandesas não surgiram por preocupações pró-natalistas, mas sim com o objectivo de fomentar a igualdade de género e o bem-estar geral das crianças e suas famílias. Os programas com maiores implicações no “custo” de uma criança são, sem dúvida, os direitos universais legais maternos e parentais relacionados com o nascimento e a oferta de creches subsidiadas (32).
As principais premissas das políticas praticadas na Finlândia (subsídios generosos pagos durante as licenças de maternidade e parental, licenças prolongadas, oferta de creches públicas de grande qualidade) destinam-se à reconciliação da participação feminina no mercado de trabalho e a maternidade (32).
A Dinamarca, tal como a Suécia e a Finlândia, não tem uma política familiar explícita e não existe nenhuma declaração oficial nesse sentido. A Dinamarca é um país desenvolvido e suportado historicamente por uma união laboral forte e uma aliança partidária social-democrata, universal, com políticas abrangentes e generosas. É também um Estado que dá oportunidades iguais a homens e mulheres e a possibilidade aos pais de combinar o trabalho com a vida familiar, oferecendo uma vasta cobertura de serviços (33).
Assim como a Suécia, a Dinamarca tem uma das taxas mais altas de tributação e despesas sociais, como parte do produto interno bruto (PIB), na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Por outro lado, também a par da Suécia, investe mais dinheiro em serviços (especialmente de cuidados infantis) do que em benefícios financeiros (33).
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T A B E L A 4 - Licença de Maternidade na Suécia, Finlândia e Dinamarca: duração máxima, critérios de elegibilidade para pagamentos, pagamento e PDL.
Duração Máxima Critérios de Elegibilidade para pagamentos Pagamento PDL
Suécia 60 dias (12 semanas), incluídos nos 480 dias de licença parental.
Trabalhadores com renda superior a SEK 180 (20,21 EUROS) diários, 240 dias antes da data prevista para o parto.
80% 9,6
Finlândia 105 dias consecutivos, excepto Domingos, 30-50 dos quais gozados antes da data prevista para o parto (DPP) (17,5 semanas).
A mãe deve ter sido residente 180 dias antes da DPP. 90% durante os primeiros 56 dias, se rendimentos até 50,606 euros anuais. Nos restantes 49 dias, 70% para rendimentos até 32,892, 40% entre 32,893 e 50,606 e 25% a partir de 50,606 euros.
11,7
Dinamarca 18s (4 s antes da DPP e 14 semanas após o parto)
Período de trabalho de, pelo menos, 120 horas nas 13 semanas anteriores à licença; pessoas que acabaram curso vocacional por um período mínimo de 18 meses; pessoas em estágios remunerados, como medida de activação; desempregados com direito à licença através do subsídio de desemprego ou similares; pessoas com trabalho flexível; trabalhadores por conta própria com actividade profissional de, pelo menos, 18h e meia semanais por, pelo menos, 12 meses, dos quais 1 mês precede a licença.
100% (até ao máximo de 471,371 euros semanais).
18
35
T A B E L A 5 – Licença de paternidade na Suécia, Finlândia e Dinamarca: duração máxima, critérios de elegibilidade para pagamentos, pagamento e PDL.
Duração Máxima Critérios de Elegibilidade para
pagamentos
Pagamento PDL
Suécia 60 dias, incluída na licença parental. Trabalhadores com renda superior a SEK 180 (20,21 euros) diários, 240 dias antes da data prevista para o parto.
80% 9,6
Finlândia 18 dias + 1-24 dias se o pai gozar pelo menos 12 dias da licença inicial.
O pai deve ter sido residente 180 dias antes da DPP 70% dos rendimentos anuais com tecto máximo de 50,606 euros anuais ou 32,5% para rendimentos superiores
1,8 a 4,2
Dinamarca 2 semanas contínuas, nas 14 semanas após o parto.
Pais com emprego 90%, com limite máximo 1,8
36
T A B E L A 6 – Licença parental na Suécia, Finlândia e Dinamarca: duração máxima, critérios de elegibilidade para pagamentos, pagamento e PDL.
Duração Máxima Critérios de Elegibilidade para pagamentos Pagamento PDL
Suécia 360 dias. Metade destes dias está reservada a cada um dos progenitores; se forem transferidos dias de um progenitor para outro, aquele que prescinde deve assinar um formulário de consentimento. Adicionalmente, cada progenitor tem o direito de gozar licença não paga até a criança ter 18 meses.
Trabalhadores com renda superior a SEK 180 (20.21 euros) diários, 240 dias antes da data prevista para o parto.
80% 40,8
Finlândia 158 dias (26 semanas), partilhada por mãe e pai. Possibilidade de trabalho em tempo parcial.
Pais residentes nos últimos 180 dias antes da DPP. Durante os primeiros 30 dias: 75% dos rendimentos anuais com tecto máximo de 50,606 euros anuais ou 32,5% para rendimentos superiores. Para os restantes dias, 70% para rendimentos até aos 32,892 euros, 40% entre 32,893 e 50,606 e 25% a partir deste valor.
18,45
Dinamarca 32 semanas por criança partilhadas +direito individual de 8 semanas, não pagas, até ao 9º aniversário da criança. Possibilidade de trabalho em
Período de trabalho de, pelo menos, 120 horas nas 13 semanas anteriores à licença; pessoas que acabaram curso vocacional por um período mínimo de 18 meses; pessoas em estágios remunerados; desempregados com direito à licença através do
37 tempo parcial. subsídio de desemprego ou similares; pessoas com trabalho
flexível; trabalhadores por conta própria com actividade profissional de, pelo menos, 18h e 1/2 semanais por, pelo menos, 12 meses; dos quais 1 mês precede a licença.
38 Os três países do regime Social-Democrata oferecem licença de maternidade, paternidade e parentalidade pagas.
As licenças de maternidade têm durações entre as 12 e as 18 semanas. Tendo em conta os pagamentos, a Dinamarca oferece a licença de maternidade mais longa (PDL de 18) e a Suécia a mais curta (PDL de 9.6).
As licenças de paternidade têm durações entre duas a 12 semanas. A Suécia oferece a licença de paternidade mais longa (PDL de 9.6) e a Dinamarca a mais curta (PDL de 1.8).
Todos os países do regime Social-Democrata oferecem licenças parentais longas e pagas, sendo a da Suécia a mais longa (PDL de 40.8). A Suécia é ainda o único país deste grupo que permite a ambos os progenitores gozar uma licença com duração igual e não transferível, ou seja, se um dos progenitores não gozar os seus dias, o outro não os pode gozar no seu lugar.
Salienta-se ainda o facto de todos os países permitirem aos pais flexibilidade no horário de trabalho, após a maternidade. Por outro lado, são países que oferecem igualmente uma vasta cobertura de estabelecimentos pré-escolares e escolares públicos, de grande qualidade.
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4.2 - REGIME CONSERVADOR OU DA EUROPA CONTINENTAL
O regime conservador (3) ou da Europa Continental (26) caracteriza-se por um nível médio de apoio às famílias, apoio esse que varia de acordo com a situação laboral e que tende a ser orientado por uma visão mais tradicional da divisão de género no meio laboral (3).
As políticas de família dos países continentais têm sido muito influenciadas pela Igreja Católica e pelo princípio da subsidiariedade (26). As políticas da família são tradicionalmente caracterizadas pelas normas do homem/provedor; mulher/cuidadora. Nos países com esquemas de segurança social Bismarck (em especial a Áustria e Alemanha),”a protecção social das mulheres e das crianças poderão ainda estar
dependentes do casamento e das relações familiares ” (28). A Áustria, Alemanha e o
Luxemburgo têm longas tradições de ministérios da família designados e a França e a Bélgica têm, provavelmente, as políticas de família mais explícitas e consistentes da Europa (28). Vários países continentais prevêem a protecção da família na sua constituição (França, Alemanha, Luxemburgo). No que diz respeito à lei da família, alguns países seguiram o exemplo dos países nórdicos e prevêem tratamento igual entre casais não casados e casados. Os subsídios familiares são normalmente financiados através de contribuições e impostos (26). A cooperação entre o Governo e as ONG`s é ambivalente em muitos destes países: enquanto o sector da sociedade civil desempenha um papel forte na implementação das políticas, o seu papel na definição da agenda e na formulação das políticas é muito fraco (Appleton & Byrne, 2003 in 26).
4.2.1-TAXAS DE FERTILIDADE E IDADE DAS MULHERES NO NASCIMENTO DO PRIMEIRO FILHO
40 Na Bélgica, em 2009, a TFT era de 1,84 filhos por mulher (5). Em média, as mulheres belgas tinham o seu primeiro filho aos 29,58 anos de idade (5).
A TFT na Holanda, em 2009, era de 1,79 filhos por mulher (5) e a média de idade das mulheres na maternidade era 30,74 anos de idade (5).
No mesmo ano, a TFT do Luxemburgo era de 1,59 filhos por mulher (5) e a idade média das mulheres aquando da maternidade era de 30,66 anos (5).
A TFT da Áustria era de 1,39 filhos por mulher (5). Em média, as mulheres austríacas tinham o seu primeiro filho aos 29,67 anos de idade (5).
Na Alemanha, em 2009, a TFT era de 1,36 filhos por mulher (5). A média de idades das mulheres aquando do nascimento do seu primeiro filho era de 30,23 anos (5). Dos 6 países com regime Conservador ou da Europa Continental, a França apresenta a TFT mais alta e a Alemanha a mais baixa. A Holanda tem as mulheres mais velhas na maternidade e a Áustria as mais novas.
4.2.2–POLÍTICAS DE INCENTIVO À NATALIDADE, MATERNIDADE E PARENTALIDADE
A França tem uma longa tradição de políticas de família activas, o que poderá explicar as suas taxas de fertilidade relativamente elevadas (37).
A política de família francesa é o resultado da vontade política de muitos séculos, que se iniciou primariamente para fazer frente ao poder da Igreja Católica (Commaille & Martin 1998; Commaille, Strobel & Villac 2002; Strobel 2004 in 37). Ao regulamentar a esfera familiar, o Estado Republicano procurou vencer a Igreja no seu terreno preferido e afirmar o seu próprio poder (37).
41 um instrumento de regulação da posição da mulher entre o mercado de trabalho e a maternidade, e esteve sempre ligada às políticas de emprego (Commaille, Strobel & Villac, 2002 in 37).
As políticas de família actuais são um compromisso entre várias tendências. A
Conferência da Família anual é o local onde são definidas novas medidas. Diálogos extensos com movimentos de associações familiares, organismos de defesa social, representantes sindicais e de gestão e peritos, precedem esta conferência. Esta intervenção do Estado na esfera privada há muito tempo que é encarada como legítima. O Estado é encarado como sendo o principal stakeholder responsável pelas crianças (Letablier, Pennec e Büttner 2003 in 37) e o consenso acerca da importância da família e das intervenções do Estado vão para além das divisões políticas (37).
A França tem um sistema de benefícios familiares bastante diversificado e generoso e a sua política de família pode ser considerada a mais substancial de toda a Europa (Adema & Ladaique 2005 in 37).
42 foi introduzido outro subsídio para famílias que empregam babysitters para cuidar das crianças em casa da família. Além disso, os pais podem deduzir metade dos custos nos seus impostos (37).
Desde o final da Segunda Guerra Mundial, várias medidas têm sido projectadas para reduzir o “custo” das crianças, de forma a encorajar a formação de famílias grandes. Estas medidas consistem em subsídios e benefícios fiscais, especialmente dirigidas a famílias com 3 ou mais filhos (Breton & Prioux 2005 in 37).
Contudo, o nível dos subsídios tem decrescido ao longo dos anos, devido à inflação e ao aumento das despesas com os idosos (Thélot & Villac 1998 in 37). O objecto pró-natalista é mais fraco, mas ainda persiste. O objectivo da igualdade de género é pouco presente na agenda e muito recente e a política de família é dirigida directamente às mães (Commaille, Strobel & Villac 2002 in 37).
O sistema de licença parental belga actual tem duas características fortes: é individualizado e oferece uma licença relativamente curta. Foi introduzido em 1996, seguindo as directrizes da União Europeia. Todos os empregados têm direito à licença parental, embora se apliquem diferentes regras para os sectores público, privado e da educação (38).
Embora um número crescente de governos europeus estejam preocupados com as suas baixas taxas de fertilidade, a Holanda não considera a sua taxa de fertilidade actual muito baixa (United Nations, 1998 in 39). Esta falta de preocupação pode ser explicada, em parte, pelo facto dos seus habitantes e o próprio Governo terem estado antes preocupados com as perspectivas de sobrepopulação no final da década de 60 e início da de 70 (Coleman & Garssen, 2003 in 39), uma vez que, na década de 60, a Holanda era um dos países com a maior densidade populacional do mundo e as previsões demográficas eram alarmantes. O Governo concordou que “a perspectiva do
crescimento chegar ao fim como consequência da fertilidade abaixo dos níveis de reposição populacional, é bem-vinda” (Tweede Kamer der Staten Generaal, 1983 in
39). Declarações oficiais mais recentes mantêm a posição de que “a longo prazo, é