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Rev. Inst. Estud. Bras. número54

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Academic year: 2018

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revista ieb n  set./mar.

ste número da Revista do IEB dá continuidade à sua linha multidisciplinar de interesses, apresentando ensaios sobre impor-tantes temas da nossa cultura. Como texto inicial, temos o privilégio de publicar um escrito inédito do prof. Antonio Candido, figura marcante ligada à história do nosso Instituto e desta revista. Invocando recortes de sua memória, em tom pessoal, o autor da Formação da literatura brasi-leira nos oferece um depoimento saboroso e recheado de informações sobre o ambiente das primeiras exposições de arte moderna, que apor-taram em São Paulo por volta das décadas de 1930, 1940 e 1950.

No artigo posterior, Walnice Nogueira Galvão (USP) aborda um aspecto caro ao IEB: a preservação documental. Retoma em detalhes a história de incorporação do acervo de Edgard Leuenroth à Unicamp, enquanto fruto da mobilização de vários intelectuais. Em seguida, passamos à literatura. Em “Lendo Graciliano nos EUA”, Darlene J. Sadlier (Indiana University) oferece uma leitura pormenorizada da recepção crítica da obra do escritor alagoano no ambiente acadêmico da América do Norte. Antes de ser aqui publicado, esse estudo ganhou prêmio do Ministério do Exterior do Brasil.

No ensaio seguinte, o assunto é Aluísio Azevedo. Mais espe-cificamente o seu romance O cortiço, que é analisado por Vivaldo Andrade dos Santos (Georgetown University) sob a ótica econômica. O autor ressalta o nascimento das formas capitalistas nas relações

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sociais entre os personagens, em consonância com os propósitos esté-ticos do naturalismo.

Ainda no campo literário, Cláudia Rio Doce (Unicentro) detém-se na análise da revista Leitura, criada no Rio de Janeiro no início dos anos 1940 com o objetivo de popularizar obras de literatura. A iniciativa, no entanto, revela uma diversidade de posturas ideológicas e artísticas entre os escritores.

Já o ensaio de Sonia Gomes Pereira (UFRJ) volta-se para o campo artístico, na passagem entre os séculos XIX e XX. Nele, a autora reflete sobre a transição das artes brasileiras, durante um período importante da nossa história.

Nos três artigos seguintes, os temas se voltam para a música. E começa com um estudo de José Geraldo Vinci de Moraes (USP) e Denise Sella Fonseca (USP) sobre “A música em cena na Belle Époque paulis-tana”, com especial atenção para o componente musical presente no “teatro de revista” e congêneres.

No texto “A realidade tropical”, entram em cena o desvario tropica-lista e seus representantes maiores, que passam por análise de Francisco Alambert (USP). Por fim, Acauam Oliveira (USP) dedica um ensaio a Roberto Carlos, com o propósito de questionar o sentido de “identidade brasileira” que aparece em suas canções.

Em Resenhas, apresentamos desta vez uma seção dupla. Inicial-mente, Marta Amoroso (USP) comenta o livro Câmara Cascudo e Mário de Andrade: cartas 1924-1944, organizado pelo nosso colega professor do IEB, Marcos Antonio de Moraes, agraciado com o prestigioso Prêmio Jabuti (2011), na categoria de Teoria/Crítica literária. Em seguida, Bernardo Fonseca Machado (USP) analisa Intérpretes da Metrópole: História Social e relações de gênero no teatro e no campo intelectual, 1940-1968, de Heloisa Pontes. Dois livros de contribuição importante em suas respectivas áreas.

Na seção Documentação, trazemos à luz uma carta inédita de Caio Prado Jr., de 1960, em que manifesta seu juízo pessoal sobre a obra Os sertões, de Euclides da Cunha. A correspondência foi suscitada por uma inquirição feita pela Casa Euclidiana, após declaração à imprensa de que as descrições de Euclides eram “falsas”. Em sua resposta, Caio explicita os seus argumentos e formula apreciação sobre a escrita euclidiana.

Como vimos, os assuntos diversos deste sumário, permitem a cada leitor fazer o seu roteiro. Começar pelo ensaio mais próximo ao seu inte-resse e seguir adiante.

Boa leitura!

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