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1-CONSIDERAÇÕES INICIAIS

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Academic year: 2021

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ANO 9 – NÚMERO 102– JULHO 2021 • PROFESSOR RESPONSÁVEL: FLÁVIO RIANI

– EXPEDIENTE –

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais: Grão-Chanceler – Dom Walmor Oliveira de Azevedo | Reitor – Professor Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães Chefe de Gabinete do Reitor – Professor Paulo Roberto Souza |Diretor do ICEG Prof. José Chequer Neto Chefia do Departamento de Economia e Coordenadora do Curso de Ciências Econômicas – Professora Ana Maria Botelho | Coordenação Geral – Professor Flávio Riani

Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais: Prédio 14, sala 103 | Avenida Dom José Gaspar, 500 | Bairro Coração Eucarístico CEP: 30535-901 | Tel: 3319.4309 www.pucminas.br/Paginas/conjuntura-economica.aspx | [email protected]

1-CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Ao longo dos últimos meses, mais precisamente a partir de fevereiro desse ano, as variações positivas nos preços dos bens e serviços têm mostrado uma relevante elevação e muito acima das observadas no mesmo período no ano passado.

Em cartas anteriores o assunto já foi abordado e mostrado que as variações ocorridas têm afetado mais fortemente os indivíduos de baixa renda, uma vez que as variações têm sido significativas entre os preços dos produtos básicos de alimentação e bebidas.

Nessa carta serão utilizadas informações do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) sobre a estrutura da cesta básica e a evolução dos preços dos produtos que a compõem com o objetivo de agregar informações a essa afirmativa.

2 – COMPOSIÇÃO E ESTRUTURA DA CESTA BÁSICA

“A Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos (PNCBA) é um levantamento contínuo dos preços de um conjunto de produtos alimentícios considerados essenciais. A PNCBA foi implantada em São Paulo em 1959, a partir dos preços coletados para o cálculo do Índice de Custo de Vida (ICV) e, ao longo dos anos, foi ampliada para outras capitais. Hoje, é realizada em 17 Unidades da Federação e permite a comparação de custos dos principais alimentos básicos consumidos pelos brasileiros (Dieese)”.

A partir de 2016 os locais para apuração das informações foram estendidos a todas as capitais de estado no Brasil que têm o período de levantamento iniciados em períodos diferentes. A base para a escolhas dos locais de coleta basearam-se nas informações geradas pelo POF (Pesquisa de Orçamento Familiar ) de 2002/03 realizada pelo IBGE.

Também em função das heterogeneidades regionais o Decreto Lei 1.399 de 1938 definiu as estruturas e pesos dos alimentos que foram agrupados nas três regiões abaixo e como destacado no quadro 1.

Região 1 - Estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal.

Região 2 – Estados de Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Amazonas, Pará, Piauí, Tocantins, Acre, Paraíba, Rondônia, Amapá, Roraima e Maranhão.

Região 3 - Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nacional - Cesta normal média para a massa trabalhadora em atividades diversas e para todo o território nacional.

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Vários componentes da estrutura da cesta básica foram definidos com base na POF (Pesquisa do Orçamento Familiar) realizada pelo IBGE. Com base nela foram considerados os gastos médios mensais das famílias de um a três salários mínimos e os locais onde estas adquiriam os produtos da Cesta Básica, em todas as capitais. “Por meio deste levantamento, foi possível obter os locais de compra dos produtos que a compõe nas 27 capitais do Brasil. Através da POF foram identificados muitos tipos de locais, tais como vendedor ambulante, porta da escola, igreja, mini-mercado, mercadinho, empório, casa de carne, açougue, frutaria, quitanda, bodega, taberna, verdureira, quermesse, e outros; estes locais foram agregados, usando, principalmente, o bom senso”(Dieese Metodologia da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos Janeiro de 2016).

Através das informações mencionadas estabeleceu-se um quadro de ponderações dos itens mais relevantes no consumo das famílias consideradas, conforme descrito no quadro 2.

Os dados do referido quadro mostram também uma composição dos pesos por grupos, diferenciados pela importância relativa regional de cada item na pauta de consumo dos indivíduos pesquisados.

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Nela observa-se diferenças regionais significativas como o caso da farinha na região 2(que engloba os estados do nordeste) e a banha/óleo na região 3 (que considera a região do sul do país).

Quadro 2 – Composição e pesos dos produtos na cesta básica (Dieese)

3 – RESULTADOS DA CESTA BÁSICA – JULHO/2021

Os últimos dados cesta básica, por capitais, coletados pelo Dieese, em julho de 2021,estão demonstrados através do gráfico 1.

482,58 656,92 0,00 100,00 200,00 300,00 400,00 500,00 600,00 700,00

Gráfico 1 - Valor da Cesta Básica por Capitais R$ julho 2021

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Os valores da cesta básica em junho desse ano variaram de R$ 656,92 em Florianópolis e R$ 482,58 em Salvador.

Pelas informações destacadas pode-se perceber que os valores da cesta são maiores na maioria das capitais dos estados das regiões sul e sudeste. Em função disso, o gráfico 2 mostra que a relação dos valores das cestas básicas com o salário mínimo apresentam sentidos inversos nas regiões mais carentes, como as do nordeste.

47,43 64,56 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00

Gráfico 2 - Relação Valor cesta básica/Salário Mínimo R$ julho 2021

Fonte: Dieese

As variações percentuais ocorridas nos valores da cesta básica na capitais de estado nos últimos 12 meses, até julho 2021, estão demonstradas no gráfico 3.

11,81 29,42 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 Recife Salvador Natal Curitiba João Pessoa Belo Horizonte Belém Goiânia São Paulo Campo Grande Rio de Janeiro Fortaleza Aracajú Florianópolis Vitória Porto Alegre Brasília

Gráfico 3 - Crescimento do valor da cesta básica (Dieese) % Últimos 12 meses - julho/2021

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No que se refere à diferenciação regional, os dados do gráfico 3 mostram que também ocorre uma ligeira concentração de variações semelhantes regionalmente.No que se refere às variações ocorridas nos preços das cestas básicas nos últimos 12 meses, há uma predominância das maiores variações nas regiões mais desenvolvidas.

4 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos meses, mais precisamente em 2021, o Brasil tem registrado, através de levantamentos do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ampliado), variações positivas na média dos preços , cujops valores ultrapassam em muito os observados nos mesmos meses em períodos anteriores.

Análises diversas têm mostrado que as variações nos preços no páis vêem afetando de forma diferente as diversas classes de renda no páis, com peso maior para aquelas de níveis de renda mais baixos.

Os dados aqui apresentados, através dos preços da cesta básica, apurada pelo Dieese, agregam aqueles que apontam as diferenças. Comparativos dos últimos 12 meses com os do mesmo período anterior revelam que os aumentos observados superam em muito às variações apuradas pelo IPCA. Tal fato torna-se relevante na medida em que os dados da cesta em análise consideram as famílias com rendas mais baixas no limite de até 3 salários mínimos, tornando-se outro elemento a constatar o peso maior das variações para essas classes.

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Referências

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