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A Associação Cuidado Humano, localizada em Ipatinga/MG, entidade sem fins econômicos de assistência social, fundada em 2011 desenvolve serviços, projetos e programas voltados para idosos e pessoas com câncer em situação de vulnerabilidade e risco social e pessoal.
Nossos projetos visam à valorização da pessoa, o cuidado com a vida, o fortalecimento da função protetiva da família, a disseminação de conhecimentos para o acesso efetivo aos direitos e a prática da cidadania.
Ao todo mais de 200 pessoas são beneficiadas diretamente com esses projetos. Nossas ações se estendem aos familiares dos usuários e as pessoas da comunidade.
Nossa missão é promover ações humanizadas de responsabilidade sociais e incentivar a cidadania. Vem de encontro aos nossos objetivos este projeto que resgata memórias preciosas e as deixa á disposição de todos, numa troca de valores, odores e sentimentos que nos tornam melhores.
Néviton Alves de Andrade Diretor Presidente
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Você já deve ter ouvido muitas histórias em sua vida não é mesmo?
Sabemos que contar histórias é uma arte milenar que sempre esteve ligada às memórias, tradições e sabedorias de um povo.
É nesse universo de ouvir e contar histórias que nasce o projeto
“IDOSO, UMA HISTÓRIA VIVIDA E CONTADA” desenvolvido pela Associação Cuidado Humano em parceria com o Conselho Municipal do Idoso de Ipatinga.
Trata-se de oficinas de memórias autobiográficas e de contação de histórias onde o idoso é o protagonista. O projeto tem como objetivo o resgate de suas memórias e o compartilhamento de suas vivências, acolhendo, valorizando e ressignificando suas histórias.
Convidamos você através desse e-book a mergulhar conosco nessas lembranças, cheias de sentimentos, alegrias, lutas, vitórias, aprendizados e ensinamentos.
Girlene A. Andrade
Coordenadora de Projetos
Nasceu e morou em Dom Cavati até casar. Aos 64 anos, Agostinha lembra com saudades do carinho da sua mãe.
Naquela época onde era comum ter pais rigorosos e bravos, ela se orgulha e tem prazer em falar da sua família. Guarda em sua memória somente lembranças boas dos seus pais. Sua mãe muito zelosa sempre conversava com mansidão. Seu colo era certeza de amor e proteção...
Foi nesse ambiente feliz e acolhedor que passou os melhores anos de sua vida. Mas não podia dizer o mesmo do seu tempo na escola.
Gastava uma hora no caminho, muitas vezes correndo de boi bravo e passando debaixo de cercas.
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Seu rendimento escolar não correspondia ao esperado. Muito incompreendida pela professora, que fez dela alvo de gozação.
Sempre ouvia palavras rudes por não conseguir desenvolver alguma tarefa proposta na sala de aula, fazendo com que gostasse cada vez menos de estudar. Certo dia, em uma atividade de matemática, ao copiar no caderno o sinal de + (mais), ela não conseguia fazer o sinal no formato de cruz, ficava torto, mais parecendo um x. Tentou várias vezes, mas não conseguia fazer perfeitamente aquele sinal (+).
Angustiada e amedrontada com sua professora gritando no seu ouvido e a humilhando com palavras, chorou.
E foi aí que ganhou várias cadernadas na cara. Até hoje fecha os olhos escuta aquelas duras palavras de sua então professora, “sua cabeça não funciona.”
A PONTA DO ARAME DO CADERNO PEGOU NO SEU OLHO E SANGROU!
Sua mãe ouviu seus lamentos e atenciosa foi tirar satisfação com a professora, que disse ter ficado nervosa e que isso não aconteceria novamente.
Não aconteceu mesmo. Nunca mais Agostinha quis ir à escola...
Na formatura, a professora fez questão de dar um lindo vestido amarelo pra sua irmã, pois essa sim se destacava na escola.
Agostinha se sentiu menor ainda.
Ao lado de sua mãe, aprendeu a fazer as tarefas de casa e tornou- se uma das mais bonitas moças da cidade, cabelos compridos, sempre alinhada no seu belo vestido.
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Vestidos esses, feito pela própria mãe. Muito boa filha, chamava atenção dos jovens rapazes. Inexperiente e bela sonhava com um amor pra casar e ser feliz.
Pois acreditava ter realmente “cabeça ruim” e de não conseguir ser mais nada na vida que não fosse ser esposa.
Casou-se aos 16 anos e no mesmo dia mudou-se para Ipatinga.
Ficou longe da sua mãe por três anos seguidos. E o amor não foi como esperava. Ele lhe causou muitas dores.
Mas hoje afirma ter valido a pena pelos seus filhos e agradece a Deus por ter conhecido esse grupo de Terceira Idade, onde aos 64 anos tem resgatado sua auto-estima e seu real valor. Segue feliz fortalecida nas lembranças do amor da sua mãe.
Agostinha Maria Aguiar, 64 anos, casada, 3 filhos, moradora do Bairro Bethânia – Ipatinga / MG.
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Carmelita nasceu em 1957, na cidade de Belo Oriente, em uma família de cinco irmãos. Eram muito unidos. Lembra com saudades dos seus pais. Da alegria em ouvir sua mãe contar histórias e divertir todo mundo. Era uma vida sofrida, mas regada a muito amor.
O tempo passou, Carmelita casou-se e cada um seguiu sua vida em caminhos diferentes e endereços distantes um do outro.
Mas com toda dificuldade nunca deixou de visitar seus pais e com o nascimento do filho em 1978, suas idas e vindas à casa da mãe D. Carminda, aumentaram.
Naquela época morava no Bairro Bethânia e sua mãe morava na Chácara Madalena. Todo final de semana já era marcado de encontrar sua irmã pelo caminho do Bairro Canaã para irem juntas.
O segundo filho veio em 1983. Agora com dois filhos e sua irmã com cinco, a casa da D. Carminda ficava cheia e a alegria era garantida.
As melhores lembranças são da fase em que seus filhos e sobrinhos já estavam maiores, entre cinco e doze anos. Ela e sua inseparável irmã saíam do Bethânia com os filhos, a turma de meninos a pé cantarolando pelo caminho porque eles já amavam ir para casa da vó. Adoravam comer a farinha de amendoim com queijo que o avô fazia.
Entre tantas histórias, Carmelita nos conta que sua mãe tinha uma vizinha alcoólatra que as crianças carinhosamente a chamavam de Dindinha.
Ela bebia muito, tinha a voz rouca, mas era boa, toda vizinhança gostava dela.
A Dindinha veio a falecer.
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E justamente naquele final de semana, as crianças ficaram pedindo pra vó contar historias de terror. Naquele tempo não tinha luz elétrica na casa, usava-se lamparina, então meio que na penumbra da noite, após o jantar, todos se sentavam no chão da sala para ouvir as arrepiantes histórias. E assim se passavam horas.
- Vó, conta mais! - gritavam as crianças.
E no meio de tantas gargalhas e zum-zum, a vó dizia:
- Hora de dormir, todos pra cama!
Os adultos iam pra cama, mas as crianças ficavam fazendo hora e se ouvia seus bate papos sem fim. Foi então, que a vó, D.
Carminda, teve uma ideia. Levantou-se, Jogou um lençol branco na cabeça e segurando uma vela na mão foi até a sala no escuro e disse imitando uma voz rouca:
- Eu sou a Dindinha... Voltei pra te pegaaaaaR!
Naquele instante saiu menino pra tudo quanto é lado. Um chegou a bater a cabeça na parede (kkkkk).
Outro abriu a porta e foi para fora da casa.
Carmelita ouviu as risadas altas do pai que vinha de dentro do quarto e deduziu ser uma travessura da mãe.
Passado o susto os meninos riam um do outro quando descobriram ser uma armação da vó.
E assim todos foram dormir. Agora a gente entende porque a casa da vó era tão boa.
Carmelita Menezes, 64 anos, divorciada, mãe de dois filhos, moradora do bairro Bethânia – Ipatinga / MG.
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Maria das Graças Fernandes nasceu em Ferros, cresceu em Cava Grande com nove irmãos. Cinco homens, quatro mulheres.
Seus pais trabalhavam na roça e com muitas dificuldades criavam os filhos. As crianças muitas vezes ficavam brincando sozinhas no terreiro. Sua mãe muita atarefada, aconselhava e falava dos perigos, mas Graça, mesmo ainda bem pequena aprontava e pregava muitos sustos na sua família. “Eu era muito sapeca”, diz Graça a sorrir.
Sempre que seus irmãos mais velhos chegavam da roça ou depois de algumas brincadeiras, eles tomavam água do poço. Certo dia, final de tarde, depois de tanto correr e brincar, Graça também se debruçou sobre o poço para com suas mãozinhas tomar água.
O poço era raso para os irmãos maiores, porém fundo para ela. Em certo momento suas pequenas pernas não alcançaram o chão e caiu dentro do poço.
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Foi um desespero só, seus irmãos gritavam por socorro, com muita dificuldade conseguiram tirá-la para fora.
Tomou muita água, mas ficou bem. Olha que ela só tinha cinco anos.
A aflição dos pais era constante, mas entre tantas estripulias, eis que Graça se superou. Seu pai chegou da roça e ao anoitecer era comum o casal acender uma fogueira no terreiro para ficar conversando com os filhos ao redor, até o sono chegar.
Depois tiravam o tronco grande da fogueira e deixavam os menores para que se mantivesse acesa e aquecesse os cachorros do frio da madrugada.
Até aí tudo bem. Porém o dia raiou, os pais foram trabalhar e nem se deram conta que justamente naquele dia ficou um resquício de fogo junto aos troncos queimados.
Tinha dias em que a imaginação da Graça aumentava e como dizia uma pessoa querida: “tem anjo da guarda que trabalha mais do que outros” (kkkk).
Naquele tempo Graça ouvia contar que tinha que aquecer as roupas que tiravam quando vinham da roça pra queimar os carrapatos delas.
Brincando de colocar gravetos naquele restinho de lenha queimada, acabou por reacendê-la. Rapidinho se formou uma fogueira digna de um trabalho de adulto. Todos os irmãos começaram a brincar em volta da fogueira, até que Graça resolveu brincar de queimar os carrapatos.
- Queima carrapatos, queima carrapatos! - e assim, pulava pra lá e pra cá sobre o fogo.
Não demorou muito, para que a barra do vestido virasse uma labareda. Graça chorava e pulava enquanto seu irmão foi até a lavoura chamar a mãe. Outros irmãos tentavam apagar o fogo. A mãe chegou veloz e resolveu o problema do fogo. As queimaduras renderam à menina três meses internada num hospital distante de casa. Só via o pai nos finais de semana. A mãe não podia ir porque tinha que cuidar dos outros filhos.
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Mas engana-se quem acha que Graça sossegou. Era um sucesso no hospital.
Como em casa comia apenas o que se plantava, estava achando o máximo as comidas diferentes e a fartura do hospital. Enfim, tudo acabou bem, Graça retornou à sua casa junto aos seus irmãos e com a cara mais lavada do mundo perguntou a mãe:
- Será que posso me queimar de novo quando eu quiser a sopa do hospital? Hummmm... É uma delícia!
Estripulia era com ela mesma!
Maria das Graças Fernandes Soares , 71 anos, viúva mãe de quatro filhos, moradora do bairro Bethânia – Ipatinga / MG.
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Maria Cunha, mais conhecida como Mariquita nasceu em um pequeno arraial chamado Areado, em Lajinha. Até seus doze anos teria somente momentos de alegria pra contar se não fosse um episódio que fez sua vida desmoronar quando tinha apenas sete anos. Filha de uma mãe amorosa e zelosa, Mariquita e suas duas irmãs mais novas seguiam felizes em uma família maravilhosa. Seus outros irmãos já eram adultos e casados.
Uma irmã morava no Rio de Janeiro. E foi aí que tudo começou.
Certo dia sua mãe disse que iria visitar essa sua irmã no Rio, levaria junto uma amiga em busca de emprego na cidade grande. Achou que sua filha pudesse ajudar a acolher essa amiga por um tempo.
Tudo organizado, ficaria em viagem por oito dias.
A mãe deixou tudo preparado: café torrado, sabão, roupas limpas...
Isso era pra não comprometer o trabalho do pai na lavoura.
Mariquita tinha apenas sete anos, jamais imaginou ficar sem sua mãe, contava os dias nos dedos para sua mãe retornar. Só que um acidente ocorreu. O trem que “descarrilhou” (saiu dos trilhos) e tombou era o mesmo trem que levava sua mãe nessa viagem. Só soube disso bem mais tarde...
O tempo foi passando, quinze, trinta, sessenta dias e nada de notícias de sua mãe.
Tiveram que se virar, tão pequenina tinha que fazer almoço cedo e deixar pronto pra quando voltasse da escola tivesse comida para o almoço, diga-se de passagem, muito ruim. Deixava a panelinha em cima do fogão à lenha e comia na temperatura que encontrava frio e muitas vezes, duro. Uma de suas irmãs não tinha idade pra estudar, mas a levavam porque não tinham com quem deixar.
Andavam dois km a pé.
O pai não sabia como se portar e nem entendia porque a esposa os tinha abandonado. Com paciência tentava ajudar e pedia socorro para suas comadres. Tudo foi acabando e isso preocupava a cabeça de Mariquita.
Como iria torrar café? E o sabão? Já não tinham mais roupas para usar, estava tudo muito sofrido. Ao lavar as vasilhas na mina chorava de soluçar de saudades de sua mãe. E ainda tinha que consolar as irmãs.
O que ninguém suspeitava, é que sua mãe não os tinha abandonado.
Durante todos esses meses, ela estava em um hospital em tratamento. Tinha quebrado a clavícula e teve traumatismo no crânio acarretando dezenove pontos na cabeça. Quase morreu.
Precisou se recuperar e fazer fisioterapia.
Nesse tempo sua irmã do Rio de Janeiro escrevia todo mês contando do acidente e da recuperação da mãe. Escrevia endereçada ao seu sogro que morava na “rua” (Centro da cidade), pois Mariquita e sua família moravam na roça, local onde não existia o serviço de correio.
Na maldade ou não, essas cartas nunca foram entregues, até os seis meses de ausência da mãe. Foi quando o pai recebeu uma proposta de uma comadre de morar com ele e ajudá-lo a criar as crianças.
Nesse momento seu pai sentiu que tinha que fazer alguma coisa.
Explicou à comadre que não poderia fazer isso, pois nem sabia se a esposa estava viva ou morta.
Então com dificuldades, ele e a filha escreveram uma carta.
Mariquita pediu pelo amor de Deus que a mãe voltasse. Contou todo seu sofrimento e chorou, acreditando que a mãe os tivesse abandonado.
Daí foi procurar o endereço da irmã no Rio de Janeiro e andou até a cidade pra colocar a carta no correio. Tudo certo. Não sabiam quantos dias demoraria pra ser entregue, mas estavam esperançosos.
A mãe logo que recebeu a carta entendeu que tinha algo errado e decidiu ir embora antes da alta do médico. Ganhou muitas roupas usadas e presentes para a família. E lá se foi com a bagagem cheia, inclusive de saudades.
Enquanto isso a tristeza tomava conta de quem esperava o retorno da mãe. Passaram-se semanas e finalmente o grande dia chegou.
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Quando Mariquita viu a mãe, seus olhos brilharam tamanha a alegria. Foi uma festa. Em meio a tantos beijos e abraços, perguntas e respostas, a verdade veio à tona, souberam do acidente, da quase morte e das cartas que nunca chegaram.
O ódio do pai foi instantâneo, queria matar o tal sogro da filha.
Sabiam que o tal tinha fama de mau, mas não achavam que chegaria a tanto. Mas ao ver alegria dos filhos junto à mãe, revirando a mala, feliz com o tanto de coisas que lhes trouxera, o ódio foi dando lugar ao amor. Toda tristeza e sofrimento ficaram para trás. Tudo mais tarde seria explicado.
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Para Mariquita nada mais tinha importância diante daquele cenário divino e do perfume maravilhoso no ar. Pois se não sabem, mãe tem cheiro. Tudo que Mariquita mais guarda daquele dia, era o olhar carinhoso da mãe enquanto lhes servia um gostoso almoço com frango que ela própria pegou no terreiro e preparou como só ela sabia fazer.
E então pensou. Tudo voltou pro lugar. Dormiu feliz naquela noite, como há muito tempo não fazia.
Maria Cunha dos Santos, 68 anos, casada, mãe de quatro filhos, moradora do Bairro Bethânia – Ipatinga / MG.
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Em 1968 na cidade de Dionísio, morava Fátima, uma menina de 13 anos apaixonada por música.
Naquele tempo seu pai achava uma sem-vergonhice dançar, então ouvir a música também não podia. Em uma família de 15 irmãos, ninguém passava despercebido aos olhos do pai, todos trabalhavam muito. Lembra com saudades das brincadeiras com os irmãos e seu pai também participava. Passar anel era o melhor brincadeira, o garoto mais bonito da redondeza sempre ficava com o anel. Se você acertasse ganhava um aperto de mão ou um abraço.
É claro, sempre acertavam, já era tudo combinado.
Fátima sempre dava pra trás para não ir trabalhar na roça, queria estudar. Seu pai que não deixava, disse que era roça ou aprender a costurar. Sendo assim ganhou uma máquina muito cara, que custou dias do serviço do pai e dos irmãos na lida com a roça e teve que aprender.
Mas tudo que fazia era cantarolando, amava música mais do que qualquer outra coisa. E seu pai reclamava até da cantoria, dizia que era muito barulho.
Houve então o dia em que seu tio, irmão da sua mãe trouxe um rádio para mostrar e posteriormente lhes vender. Até aquele exato momento, Fátima nunca tinha visto um rádio.
E ele estava ali bem pertinho, tocando as músicas que ela mais gostava de ouvir.
Foi amor á primeira vista, mas com o pai, aconteceu o contrário.
Fátima ficou a pensar: como convencer seu pai a comprar o rádio se nem nas festas de casamento da cidade podiam ficar pra dançar? Era só começar a música para que o pai as levasse embora para casa.
O pai já estava decidido a não comprar quando Fátima disse que não costuraria nem uma peça de roupa mais, se o pai não a deixasse ficar com o rádio. Pela primeira vez fez valer sua vontade e enfrentou o pai.
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“A máquina de costura nunca parou de trabalhar, mas o rádio também não”, diz Fátima com orgulho.
Diga-se de passagem, até hoje tudo que Fátima realiza é ao som das suas queridas músicas do Roberto Carlos.
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Maria Cunha dos Santos, 68 anos, casada, mãe de quatro filhos, moradora do Bairro Bethânia – Ipatinga / MG.
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É com gratidão que olho pra trás, quando nos propusemos a realizar esse projeto e vejo hoje o belíssimo resultado.
Meu agradecimento à Associação Cuidado Humano em parceria com o Conselho do Idoso de Ipatinga e a todos os envolvidos. Em especial, agradeço aos nossos idosos protagonistas dessas histórias (Integrantes do Grupo Terceira Idade Viver Bem).
Em meio a cafés e um caderno de anotações para rascunho pude ouvir relatos de vida que com muito carinho transformei em histórias. Não sou escritora, mas sou defensora e uma apaixonada por idosos. Reconheço o seu real valor na contribuição da nossa história atual.
Quantos momentos marcantes e quanta experiência de vida! Os idosos são o relato vivo do nosso futuro. Que bom poder sentar ao lado de um idoso, ouvir suas histórias e, principalmente, se emocionar com ele. Ouvi cada relato com muito respeito, pois sei que eles são uma fonte interminável de sabedoria e sempre uma companhia agradável. São carregados de emoções e sentimentos.
Agradeço por todos os momentos em que pude aprender um pouco com esses que ainda têm tanto para nos ensinar. Há muita vida ali dentro, precisamos apenas parar e ver com o coração, enxergando a riqueza que possuem, fruindo dessa fonte viva de emoções e sabedoria. Respeitar os mais velhos é respeitar a vida.
Ouçam suas histórias, com certeza, irão aprender muito.
Com Amor,
Valdete Maria O. Costa
Responsável pela Execução do projeto
Associação Cuidado Humano
Projeto Idoso – Uma História Vivida e Contada | Parte II
Néviton Alves de Andrade - Diretor Presidente Girlene A. Andrade - Coordenadora de Projetos Valdete Maria Costa - Responsável pela Execução Lara Lopes - Design e Fotografia
Jonas Nogueira e Thiago Lima - Ilustração Nena de Castro - Revisão de texto
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