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CORREDOR DO TEMPO GEOLÓGICO SENSORIAL

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Academic year: 2021

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CORREDOR

DO TEMPO

GEOLÓGICO

SENSORIAL

Ingrid Rodrigues de Oliveira

1

Laura Adriele Moura da Silva

2

Maria Eduarda Ferreira de Faria

3

Francisco de Castro Valente Neto

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PALAVRAS-CHAVE: geociências; tempo geológico; geologia;

experiência sensorial; modelo didático.

1. INTRODUÇÃO

Nosso planeta tem em torno de 4,6 bilhões de anos. Esse longo in-tervalo de tempo, chamado de tempo geológico, foi dividido pelos cientistas em intervalos menores com base num conjunto de caracte-rísticas que incluem geologia, biologia, clima, tectonismo e demais características que o planeta tenha exibido em determinado momen-to de sua longa história. Para os seres humanos, cuja expectativa de vida está próxima de 70 anos é, por vezes, difícil imaginar toda essa imensidão de tempo ou o chamado tempo profundo.

O tempo geológico apresenta um desafio fundamental para muitos em termos de suas implicações relativas ao lugar da humanidade no esquema maior de todas as coisas. Essa dificuldade não é privilégio de leigos. A literatura mostra que estudantes de licenciatura, professo-res, bem como alunos no início da universidade confundem eventos no tempo geológico em ordem de magnitude, juntam fatos separados no tempo, tais como convívio de seres humanos e dinossauros, além de ter pouca percepção das taxas de mudança que ocorreram desde a formação do planeta (CERVATO E FRODEMAN, 2013).

Diante desses fatos, o projeto foi criado com o objetivo de mostrar algumas das diversas características do planeta ao longo de sua his-tória, mostrando as diversas transformações que ocorreram desde a sua formação até os dias de hoje, seja na biota ou na atmosfera. O objetivo foi levar os visitantes a uma viagem sensorial para conhecer o planeta em que vivem, sua história e as implicações de cada trans-formação para que a Terra se tornasse o que se vê hoje.

2. METODOLOGIA

Os autores dividiram toda a história do planeta em três grandes blocos: Hadeano/Arqueano, Proterozóico e Fanerozóico. A partir de

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revisões bibliográficas, foram detectadas as principais características de cada bloco, tais como temperatura, luminosidade, diversidade de fauna e flora, litologia predominante, tectonismo, dentre outras. Em um dos corredores da instituição (CEFET), foram representados os três blocos. O corredor foi dividido de acordo com o percentual de tempo de duração de cada bloco. O Hadeano/Arqueano – 4600 a 2500 milhões de anos - ocupou a maior parte; o Proterozóico – 2100 a 540 milhões de anos – ocupou uma parcela intermediária; e a menor parte do corredor recebeu as instalações do bloco que representava o Fanerozóico – 540 milhões de anos a atual.

Foram utilizados utensílios e equipamentos do dia-a-dia para representar as condições de cada bloco. Para o clima, por exemplo, foram utilizadas lâmpadas de alta potência para elevar a temperatura ou ventiladores para diminuí-la. Lonas foram utilizadas para diminuir a luminosidade e até uma máquina de fumaça foi usada para representar a densa atmosfera no Arqueano. Foram utilizados ainda recursos visuais, como cartazes, esculturas com massa de modelar, amostras de rochas, móbiles e até mesmo odorizadores de ambiente para despertar o olfato para a chegada das flores no Fanerozóico.

Os visitantes foram guiados pelos alunos, que explicaram as principais caraterísticas de cada bloco e enfatizaram as principais mudanças ocorridas ao longo da história.

3. DISCUSSÃO E RESULTADOS

Apesar de sermos uma sociedade cujo senso de realidade e cultura depende crucialmente de nossa concepção de tempo, os autores deste trabalho puderam perceber, durante as apresentações ao público, que este, de maneira geral, tem pouco ou nenhum conhecimento sobre o tempo profundo e as consequências de sua existência na vida da humanidade. As grandes transformações sofridas pelo planeta Terra, desde a sua formação, até os dias de hoje, bem como o tardio aparecimento dos seres humanos, mostraram-se como grande novidade para a maior parte do público.

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A Geologia, embora esteja diretamente relacionada à vida dos seres humanos e à construção do planeta, encontra-se muito distante do cotidiano e das salas de aula. Aprender geologia resulta numa melhor compreensão das características únicas do planeta Terra, permitindo desenvolver competências gerais e específicas que vão facilitar a compreensão de sistemas sócioecológicos, baseados na geodiversidade. Partindo dessa premissa, espera-se de uma comunidade entendedora do seu próprio espaço mais respeito, ética e responsabilidade nas atividades desenvolvidas ali. É por isso que se faz importante que a divulgação das geociências seja um objetivo das instituições de ensino e pesquisa em todo o mundo.

Aos autores foi possível a interação entre os colegas para discussões sobre o trabalho bem como para o desenvolvimento do projeto e a apresentação durante a META, além de uma melhor assimilação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula e de um aprofundamento no tema, a partir de pesquisa a outras bibliografias e fontes. Os autores entendem que o trabalho em grupo estimula a prática de valores como o cooperativismo, solidariedade, paciência e flexibilidade. A interação com a comunidade, visitantes de diferentes idades e níveis de instrução, proporcionou aos autores o desenvolvimento de

habilidades para falar ao público e se apresentar de maneira mais segura e confiante.

4. CONCLUSÃO

Mansur (2009) atenta-nos para o fato de que existem dificuldades para divulgação da ciência para a sociedade em geral e que maiores ainda são os obstáculos para a disseminação de conceitos geológicos, normalmente restritos aos meios acadêmicos. Sendo assim, o autor aponta a necessidade do desenvolvimento de projetos educativos ligados à geodiversidade, reconhecendo as ligações entre geologia, solos, habitats, paisagens e processos naturais.

Cervato e Frodeman (2013) enfatizam que a noção de tempo geoló-gico é central para as geociências e para o empreendimento científico

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em geral e que o alcance de suas implicações, sejam elas econômi-cas ou sociais, não pode ser limitado à comunidade científica.

É necessário entender o conceito de tempo geológico e o quanto as transformações do planeta foram essenciais para a evolução da vida e, consequentemente, para a chegada dos seres humanos à Terra. Além disso, entender as transformações provocadas a partir do surgimento, ainda que tardio, do Homem deve ser uma ques-tão observada e discutida. O ser humano é agente transformador, modificador do equilíbrio do planeta e, ao mesmo tempo, é depen-dente deste equilíbrio.

Busca-se, com a divulgação da ciência, que a humanidade aumen-te sua percepção acerca do ambienaumen-te no qual está inserido e, as-sim, tenha maior responsabilidade e controle sobre as atividades praticadas.

Os autores esperam que o trabalho tenha despertado nos visitantes o interesse por assuntos relacionados à Geologia e a todas as transfor-mações que ocorreram desde que o planeta Terra se formou.

A atmosfera, a temperatura, a fauna e a flora, se diversificaram mui-to até se mui-tornarem o que se vê hoje. As perguntas que ficam são: como a Terra estará daqui a 100 anos? E a 100 mil anos? E a 100 milhões de anos? E ainda: que parcela de responsabilidade terá a humanidade em todas essas transformações? A divulgação das geo-ciências é, com segurança, um passo importante para um melhor relacionamento entre Homem e Terra e para a resposta a essas e a outras perguntas que surgirão.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CERVATO, C. FRODEMAN, R. A importância do tempo geológi-co: desdobramentos culturais, educacionais e econômicos. TERRÆ DIDATICA 10:67-79, Campinas, 2013. Disponível em: < https://

www.ige.unicamp.br/terraedidatica/v10_1/PDF10_1/TD10-t005-Cervato.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2016.

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MANSUR, K. L. Projetos Educacionais para a Popularização das Geociências e para a Geoconservação. Geologia USP. Publicação Especial, v. 5, p. 63-74, 2009.PRESS, Frank et al. Para entender a

Terra. Tradução Rualdo, 2006. Disponível em: < http://www.revis-tas.usp.br/gusppe/article/download/45391/49003>. Acesso em: 12 nov. 2016.

TEIXEIRA, W. et al. Decifrando a terra. Oficina Textos, 2001.

SOARES, M.B.(Org.). A paleontologia na sala de aula. Ribeirão

Preto: Sociedade Brasileira de Paleontologia, 2015, 714p. Disponível em: < http://www.paleontologianasaladeaula.com/>. Acesso em: 23 jul. 2016.

SOUSA, M. de. Manual da pré-história do Horácio. 3 ed. São

Paulo: Globo. 2009. 223 p.

NOTAS

1Técnico em Mineração, Discente, Departamento de Minas e

Construção Civil, CEFET-MG, Campus IV, Araxá, MG, Brasil. [email protected].

2Técnico em Mineração, Discente, Departamento de Minas e

Construção Civil, CEFET-MG, Campus IV, Araxá, MG, Brasil. [email protected].

3Técnico em Mineração, Discente, Departamento de Minas e

Construção Civil, CEFET-MG, Campus IV, Araxá, Minas Gerais, Brasil. [email protected].

4Geólogo, Especialista, Professor Adjunto, Departamento de Minas

e Construção Civil, CEFET-MG, Campus IV, Araxá, MG, Brasil. [email protected].

5Geóloga, Professora Temporária, Departamento de Minas e

Construção Civil, CEFET-MG, Campus IV, Araxá, MG, Brasil. [email protected].

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AGRADECIMENTOS

Apesar de apenas três nomes serem citados na autoria deste trabalho temos muitas pessoas para agradecer, a começar por todos os alunos do 2º min A – 2016 que ajudaram na elaboração e montagem do projeto. Os nosso sinceros agradecimentos vão eles: Bruna, Marcos, Laura Emanuely, Laura Ferreira, Marcela, Henrique, Guilherme, Matheus Henrique, Laura Adriele, Sabrina, Samara, Ana Carolina, Jéssica, Ingrid, Lara, Gabriel Moraes, Arthur, Cássio, Maria Eduarda, Milene, Geovana, Natália, Luiz Felipe, Natan e Matheus Teixeira. Além deles, agradecemos à equipe da limpeza e da manutenção pela ajuda e paciência com nossa ideia.

Referências

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