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Científica em Comunicação, evento componente do 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação 2

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Páginas das torcidas organizadas antifascistas no Facebook: política, futebol e comunicação1

Alison Rodrigues SOARES2 Luiz Felipe ZAGO3

Universidade Luterana do Brasil, Canoas, RS RESUMO

Este artigo tem como objetivo apresentar os métodos e as consequências de uso da rede social Facebook, pelas torcidas organizadas antifascistas, para o meio do esporte. Parte-se aqui de um pressuposto que as torcidas antifascistas são uma resposta ao ambiente futebolístico que costuma ter um viés preconceituoso nas arquibancadas e comumente é colocado como apolítico (DAMATTA, 1982). Aqui é abordado como as organizadas antifascistas utilizam métodos da mídia radical alternativa (DOWNING, 2004) para espraiar suas ideias de como deve ser o futebol e a política e também como elas ocupam os diversos espaços da sociedade em rede (CASTELLS, 2017). Busca-se entender no que essas “novas” torcidas se diferenciam tanto no campo comportamental, como comunicacional e político.

PALAVRAS-CHAVE: futebol; redes sociais; política

1. INTRODUÇÃO

O futebol é o esporte mais popular do Brasil e é parte ativa da cultura brasileira em diversos aspectos, desde a prática deste esporte até o ato de acompanhar e torcer a favor de um clube de futebol. Apesar de 22% da população brasileira declarar que não torce para nenhum clube (DATAFOLHA, 2018) é significativo que os 78% restante, que equivale a cerca de 163 milhões de pessoas4, acompanhem com maior ou menor

intensidade o futebol. Na alta intensidade de acompanhamento, que é comumente chamada no meio do futebol de fanatismo, as torcidas organizadas se notabilizam por serem as que acompanham os times em todos os jogos e as que mais gritam pelos seus times nos estádios. Estas torcidas de futebol organizadas apresentam, em sua maioria,

1 1 Trabalho apresentado no IJ06 - Interfaces Comunicacionais, da Intercom Júnior – XIV Jornada de Iniciação

Científica em Comunicação, evento componente do 41º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação

2 Graduando de jornalismo pela Universidade Luterana do Brasil - ULBRA

3 Doutor e Mestre em Educação pela UFRGS. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Luterana do Brasil. [email protected].

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líderes internos além de contatos diretos dentro das direções dos clubes. Uma das mais notáveis características do fanatismo que as organizadas oficiais dos clubes representam é a rivalidade e a rispidez ao adversário, e nisso afloram os preconceitos: para colocar o rival como inferior, são desferidas ofensas machistas, homofóbicas, racistas e outros tipos de desqualificações discriminatórias. Foi para colocar-se contra essa forma de se torcer que surgiram as torcidas organizadas antifascistas, com atitudes e ideais diferentes dos vistos tradicionalmente nas arquibancadas. É possível ver essas diferenças no modo em que essas torcidas se comunicam, e este contraponto entre maneiras de como se vive o futebol é tratado nesse artigo.

O Facebook é um meio de comunicação em potencial para que quaisquer pessoas disseminarem suas notícias, opiniões e ideologias – sendo as chamadas fanpages espaços voltados para publicações com vieses mais coletivos do que propriamente eventos pessoais. Essa rede social já foi motriz para diversos movimentos políticos que envolveram países inteiros e são exemplos disso a Primavera Árabe, que começou em 2010, e no nosso país as Jornadas de Junho de 2013 (CASTELLS, 2017, s.p5). No Brasil, o Facebook é rede social que conta com o maior número de usuários ativos; são 102 milhões, segundo a própria empresa6. Aproveitando-se deste potencial as torcidas organizadas antifascistas se utilizaram da plataforma para promover seus ideais em textos, notícias e autopromoção com o intuito de mostrar que eles podem ser uma alternativa de combate ao reacionarismo no esporte bretão.

O reacionarismo do futebol aparece juntamente com o desejo das instituições ligadas ao futebol – tanto a FIFA, quanto os clubes de futebol e setores da mídia –, que apresentam esforços para desvincular o esporte aatos políticos fazem com que as torcidas antifascistas se apresentem como uma força contrária a esse silenciamento presente7. Todavia, vale ressaltar que as organizadas antifascistas não são precursoras no envolvimento político-social: torcidas organizadas em outros momentos históricos já se apresentam como alternativa ao status quo em questões políticas nacionais. Um exemplo marcante disso é a torcida Gaviões da Fiel, do Corinthians, que assim como os próprios dirigentes e jogadores do clube, apoiaram a democracia no país durante a ditadura

5 Nesse caso a citação é “sem página” por ser um e-book Kindle que não apresenta numeração de página. 6 Disponível em: < https://www.facebook.com/business/news/102-milhes-de-brasileiros-compartilham-seus-momentos-no-facebook-todos-os-meses>. Acesso em: 7 jul. 2018

7 Esse futebol como produto é chamado pelas torcidas e por outros movimentos no futebol como “futebol moderno” e há campanhas de “ódio ao futebol moderno”.

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civil/militar. O que difere o movimento dos torcedores antifascistas atuais é justamente a apropriação do potencial comunicativo das redes sociais, algo decisivo e historicamente relevante para entendermos a articulação entre futebol, antifascismo e comunicação social.

Aproveitando a potencialidade de voz ativa e o aumento visto na segunda década do século XXI da militância das ditas “minorias” na internet (GOMES, MAIA, 2008), torcedores de diversas regiões do Brasil se lançaram como resistência à cultura esportiva já naturalizada, que carrega marcas do que poderíamos chamar de fascista – leia-se homofóbico, racista, machista e higienista. Um exemplo de um machismo naturalizado no meio das torcidas de futebol vem da fanpage da Geral do Grêmio, maior torcida do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, que apresentou uma publicação promocional da Carmen’s Club, uma casa de prostituição de Porto Alegre, em que o print da postagem dava direito à dois drinques grátis no local – o que deixa implícito que uma bebida é para o homem e o outro para a profissional do sexo – mostrando um lado sexista da Geral.

Figura 1: captura de tela da página "Geral do Grêmio" na qual ela promove a promoção, voltada à homens, da casa de prostituição Carmen's Club

As torcidas antifascistas, no entanto, se posicionam de uma forma diferente da Geral do Grêmio mostrando-se contra qualquer tipo de misoginia em suas publicações exaltando a presença do público feminino nos estádios e fomentando os esquadrões femininos de seus times. Movimentos de torcedores contra tais atitudes normativas encontrados nas arquibancadas e nas fanpages da redes social também não são novidade:

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para tomar também como exemplo o Grêmio, esse time já contava com uma torcida

organizada chamada Coligay ainda nos anos 1970 (GERCHMANN, 2014).

Assim, nossa aproximação busca mostrar como as redes sociais podem contribuir para a comunicação alternativa no futebol, sublinhando a potencialidade das fanpages. Para isso, foram observadas páginas no Facebook das torcidas organizadas antifascistas de 17 clubes do país e também as fanpages das torcidas correspondentes tradicionais/oficiais dos mesmos 17 clubes. Esse número de clubes foi delimitado a partir do tamanho da torcida e tal medida, por sua vez, foi tirada da pesquisa quantitativa do Datafolha do dia 30 de janeiro na qual listou os clubes de maior torcida do Brasil: além dos tradicionais 12 grandes clubes – Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Cruzeiro, Grêmio, Santos, Internacional, Atlético-MG, Botafogo e Fluminense – na pesquisa referida foram listados também Bahia, Vitória, Portuguesa e Sport Recife como outros clubes de relevância popular. Além desses 16 times listados a torcida do Ferroviário, do Ceará, foi incluída na análise pelo pioneirismo na criação da primeira torcida organizada antifascista, como será detalhado no próximo tópico desse artigo.

Além do pioneirismo, o Ferroviário também apesenta um dado destoante: é o único clube, dentro dos analisados, que apresenta mais curtidas na página da torcida antifascista – no caso a Ultra Resistência Coral – do que na torcida oficial – que neste caso é a Torcida Falange Coral – tendo 3063 curtidas na página da torcida antifascista contra 1538 curtidas na fanpage da torcida oficial.8 Em todos os outros casos as torcidas oficiais são de maior relevância no Facebook do que as torcidas antifascistas.

2. BREVE HISTÓRICO DAS TORCIDAS ANTIFASCISTAS

Existem clubes ao redor do mundo que têm sua história fortemente ligada a questões políticas e ideológicas o que, naturalmente, afeta os simpatizantes de tais times. Duas equipes exemplos disto, citadas em várias oportunidades pelas organizadas antifascistas, são o St. Pauli, da Alemanha, e o Livorno, da Itália. No caso do time alemão há no próprio estatuto do clube, desde os anos de 1980, ordens antifascistas, antirracistas e antissexistas. Além disso, o time também organiza nas suas dependências recepções à refugiados9. O

8 Números coletados no dia 7 jul. 2018

9 Inclusive o St. Pauli apoia um time amador formado apenas por refugiados chamado FC Lampedusa cedendo material esportivo e espaço das dependências do clube para treinamento dos jogadores.

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St. Pauli é o clube com maior torcida feminina da Alemanha, mesmo sendo um clube modesto de segunda divisão. Já o Livorno é um clube italiano, nascido na cidade onde surgiu o Partido Comunista Italiano, que se notabiliza por ter uma torcida fanática e assumidamente comunista e que também repudia qualquer tipo de preconceito contra minorias.

No Brasil, o movimento das torcidas organizadas antifascistas começou em 2005, com torcedores do Ferroviário Atlético Clube, do Ceará, que formaram a “Ultras Resistência Coral”. Desde então, mais 44 organizadas autodenominadas antifascistas surgiram no Facebook carregando a bandeira de clubes de todas as regiões do Brasil, sendo a região Sudeste a com maior densidade de páginas, com 17, e o Norte do país com menor representatividade trazendo apenas duas torcidas.

Das 45 fanpages das torcidas antifascistas no Facebook, nem todas apresentam características fundamentais para uma mídia eficaz, como a periodicidade, por exemplo. Entretanto algumas apresentam grande organização nesse sentido contando não só com rotina de postagens como uma linha editorial estruturada, textos compatíveis com a ferramenta utilizada para divulgar as notícias, textos opinativos e ainda métodos de propagação de conteúdo de forma orgânica e de forma paga.

De acordo com essa “linha editorial”, podemos observar, além das temáticas principais das torcidas antifascistas como o combate aos preconceitos, um esforço das torcidas em deslocar o futebol do simplório “pão e circo” que parte do senso comum costuma ligar ao esporte. Como exemplo disso podemos ver postagens (figura 2) afirmando tanto a torcida quanto o clube como ferramentas para transformação social

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Figura 2: A página Coringão Antifa, de torcedores do Corinthians, promove a torcida e o clube como potenciais combatentes ao machismo, racismo, homofobia e opressão do Estado além de outras causas populares e contra o fascismo

O futebol como agente social, em vez de um elemento à parte das problemáticas da sociedade, é algo estudado por sociólogos como Roberto DaMatta, já na década de 1980. Ele explica que há uma tendência de colocar o futebol, assim como as artes e a religião, como uma atividade marginal, ou seja, sem relevância em comparação com o trabalho que “de fato constrói a sociedade”.

[...] por contraste com o trabalho e o poder as esferas do esporte, da arte e da religião localizam-se dentro da sociedade e estão associadas a valores como o amor, a devoção e o divertimento (ou lazer). Se o trabalho e a guerra nos situam diante dos nossos limites [...], a arte, o esporte e a religião são classificados como atividades inconsequentes ou marginais. Atividades que fazem parte desta bateria de instrumentos destinados a nos mistificar e desviar das realidades absolutas e inevitáveis do trabalho e da luta pela sobrevivência. (DAMATTA, 1982, p.23).

Todavia, o próprio DaMatta propõe repensar esta lógica tentando trazer elementos a se avaliar para trazer o futebol como uma atividade inclusa à sociedade.

[...]. Quais os ambientes, vestimentas, objetos, regras, relações sociais e valores que o esporte nos permite conceber e vivenciar? Que tipo, enfim, de roupagem é essa que a sociedade veste quando se manifesta totalizada por meio de sua dimensão esportiva? Essas são algumas das questões que devemos responder quando pensamos no futebol no brasil e no esporte em geral como uma atividade da sociedade e não como uma atividade em oposição ou competição com a sociedade. (DAMATTA, 1982, p.24).

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E nestas “relações sociais e valores que o esporte nos permite conceber e vivenciar” entram as torcidas antifascistas com sua comunicação nas redes sociais que apresentam justamente valores a favor de minorias vítimas de violência e contra o fascismo.

3. ORGANIZADAS ANTIFASCISTAS COMO MÍDIAS RADICAIS ALTERNATIVAS DE ESQUERDA

As publicações das fanpages de torcidas antifascistas costumam apresentar uma homogeneidade nas questões centrais citadas anteriormente – que são os combates aos preconceitos. Todavia, nem todas utilizam da mesma linguagem para tratar tais problemáticas. Algumas torcidas se utilizam de narrativas mais incisivas para tratar assuntos sociais, até mesmo invocando figuras icônicas da esquerda, como Ernesto Che Guevara, e tratando objetivamente pautas como violência para representar suas ideias. Outras são menos enfáticas, tentando retratar seus ideais com agendas positivas. Tais características serão aprofundadas a seguir.

O conceito de “mídia radical alternativa”, de John Downing (2004) é útil para pensar as fanpages das torcidas antifascistas. Downing apresenta conceitos profundos sobre o que comumente é chamado de “mídia alternativa”, com ressalvas necessárias: mídia alternativa é um termo insuficiente para os fenômenos comunicacionais representados por mídias que publicam assuntos diferentes ao que é publicado pela grande mídia, afinal, qualquer coisa é alternativa à outra dependendo do ponto de vista (DOWNING, 2004). Além disso, vale citar que mídias com postagens reacionárias, conservadoras e à direita também podem ser consideradas mídias radicais alternativas; entretanto, não são estas mídias o foco deste artigo. Portanto, o estudo da comunicação das torcidas antifascistas é, especificamente, um estudo sobre mídias radicais alternativas

de esquerda.

Pautas não tratadas na mídia tradicional são rotina nas fanpages antifascistas como, por exemplo, o caso do desaparecimento do ativista político argentino Santiago Maldonado que, segundo a narrativa da Grêmio Antifascista, tinha causas políticas. Um cartaz do time argentino Club Almagro trazia um pedido de “aparición con vida” de seu compatriota antes de uma partida. A notícia não apareceu nas grandes emissoras

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Figura 3: torcida Grêmio Antifascista apresenta a notícia do desaparecimento de Santiago Maldonado e, segundo a torcida, foi o primeiro desaparecimento político do governo Maurício Macri

As torcidas organizadas antifascistas têm diversos comportamentos parecidos em aspectos a defesa de minorias e o combate ao fascismo. Como a própria autodenominação diz, as torcidas analisadas aqui são estritamente contra o fascismo, mas elas não se posicionam politicamente da mesma forma: algumas torcidas são mais moderadas no seu discurso político e outras apresentam-se mais incisivas contra os fascistas, além de apresentarem diferentes visões sobre líderes políticos. Um líder político que divide opiniões é o revolucionário cubano Ernesto Che Guevara, já citado anteriormente: enquanto páginas como a do SPFC Antifascista eleva Guevara a status de herói (figura 4) a página Grêmio Antifascista faz retoques à figura de Che pelo seu histórico violento contra LGBTs (figura 5).

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Figura 4: torcida SPFC Antifascista, de fãs do São Paulo, apresentam repúdio a parlamentares argentinos que promovem uma ação para retirada de símbolos que se referem à Ernesto Che Guevara em Rosário, cidade natal do líder político.

Figura 5: a torcida Grêmio Antifascista se retrata após uma publicação que enaltecia o atleta Ramiro, do Grêmio, que postara uma imagem com uma frase de Che Guevara, lembrando dos malfeitos à pessoas LGBT

Tais diferenças nas visões políticas e históricas são normais, segundo o historiador Eric Hobsbawm (2011) que estudou a origem dos movimentos contra o fascismo. A origem do movimento antifascista na Europa, em meados da década de 1930, consistiu em um consenso entre os diferentes movimentos políticos da época que se uniram para combater o crescente nazifascismo europeu simbolizado em figuras autoritárias e em movimentos de intolerância a minorias silenciadas – fascismo esse que inclusive teve

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[...]. à medida que transcorria a década de 1930, foi ficando cada vez mais claro que a aliança antifascista teria de abarcar não só o centro e a esquerda políticas como também quaisquer pessoas, tendências, organizações e Estados que, por estas ou aquelas razões, se dispusessem a resistir ao fascismo e às potencialidades fascistas. (HOBSBAWM, 2011, s.p.10).

Essa realidade no contexto das torcidas antifascistas, cerca de 80 anos depois, apresenta suas particularidades como, por exemplo, a mostra de afeto para com os rivais – o que em um contexto normal de futebol é impensável. Os torcedores do movimento mostram total desprendimento à rivalidade fora do campo, deixando o “clubismo”11 de

lado em prol do bem comum que, no caso, é o fim do fascismo: exemplo disso é uma frase da torcida Ultra Resistência Coral, do já citado Ferroviário, que apresenta nas arquibancadas uma faixa com as escritas “nem guerra nas torcidas e nem paz entre as classes”.

Figura 6: faixa da torcida Ultras Resistência Coral representando um viés político de paz entre as torcidas, mas inconformidade nas relações sociais. Foto retirada da própria fanpage da torcida

Diferentemente de outros aspectos discutidos pelas torcidas antifascistas em suas publicações e que mostram diferença de pensamentos o apoio a mulheres e ao público LGBT é um consenso. As torcidas antifascistas se unem em discursos unicamente a favor da proteção de pessoas vulneráveis à homofobia e à violência de gênero: podemos ver como exemplo disso a torcida Santos FC Antifascista que puxou uma campanha de repúdio ao atleta Robinho que fora condenado por estupro pela justiça da Itália colocando

10 Outro caso de citação “sem página” por ser um e-book Kindle que não apresenta numeração de página. 11 Clubismo é um termo popular que representa o fanatismo do torcedor que deixa a razão de lado em prol de defender seu clube a qualquer circunstância.

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que ele não deveria atuar mais no futebol brasileiro – deixando claro, mais uma vez, a exclusão do clubismo, visto que Robinho era um ídolo santista até o dito episódio.

Figura 7: torcida antifascista do Santos condena veementemente a volta de Robinho ao clube de origem após condenação por estupro na justiça italiana.

As torcidas antifascistas apresentam posições convergentes e divergentes no trato do antifascismo. As semelhanças que aproximam as torcidas vêm nas questões de luta contra o fascismo em um sentido amplo além da defesa de minorias violentadas por atitudes fascistas; enquanto a diferença, que de certa maneira as afasta, fica no campo da convicção política. Apesar de todas as páginas apresentarem posições à esquerda elas se afastam nas abordagens: enquanto algumas páginas apresentarem ideias e soluções mais amenas contra o mal comum – o fascismo – outras são menos amistosas nos discursos,

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5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Visto todo o contexto apresentado, é possível inferir que o Facebook é um instrumento fértil para organizações sociais se mobilizarem. No caso do futebol, que está cada vez mais colocado como um produto consumível em vez de uma manifestação político-cultural, as torcidas organizadas antifascistas se mostram como resistência a tal despolitização, além de também apresentarem o combate a atitudes preconceituosas e conscientização da importância do fim de tais atos. A radicalidade da comunicação que estas páginas produzem, no entanto, é uma dificuldade para trazer engajamento em um meio social – no caso o futebol – ainda dominado pelo machismo, pela homofobia e pelo racismo. Apesar disso, o fato de essa comunicação radical existir e, em casos específicos ser representativa em relação à torcida oficial – como a torcida antifascista do Ferroviário-CE –, mostra como há uma demanda e uma voz cada vez mais ativa das pessoas que não tinham oportunidade de manifestação outrora.

Por mais que existam discordâncias pontuais em alguns assuntos, é possível dizer que as torcidas antifascistas são um exemplo produtivo de uma sociedade articulada por meio de redes sociais, redes essas que podem se tornar meios de comunicação com o objetivo de contestar estruturas de dominação sociais (CASTELLS, 2017).

REFERÊNCIAS:

DOWNING, John. Mídia Radical: rebeldia nas comunidades e movimentos sociais. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2004.

CASTELLS, Manuel. Redes da Indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2017.

DAMATTA, Roberto e outros. Universo do futebol: esporte e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Pinakotheke, 1982.

GERCHMANN, Leo. Coligay: tricolor e de todas as cores. Porto Alegre: Libretos, 2014 DATAFOLHA. Futebol e Copa do mundo: Disponível em:

<http://media.folha.uol.com.br/datafolha/2018/04/13/f21c6daf5d8b98f2a940895059618 47f6576d01a.pdf>. Acesso no dia 17 de maio de 2018.

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GOMES, Wilson. MAIA, Rousiley C.M. Comunicação e Democracia: Problemas & Perspectivas. São Paulo: Paulus, 2008.

HOBSBAWM, Eric. Como mudar o mundo: Marx e o Marxismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011

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