ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
BIBLIOTECA
DO
DOURO AOS PORTUENSER
EM HONRA
PO
NOME PORTUGPEZ,E OFFERECIDA AO ILLUSTRE -·~,
-LIBERT
AD9R
-
CABREIRA.
:J?O R
.F)lANCISCO JOAQUIM BINGRE. ' ú e. r1
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1ISB04: NA IMPRESSÃO REGIA. ANNO 1820•
Ao Nome. Portuguez.
SONETO.
N
oME excelso, que immenso espaço abrangesDo Polo Occidental ao disco ardente;
'lucha ·acceza na luz do rico Oriente,
·Senhor ·das palmas , que produz·
o
Ganges:Tu que fizeste os puniç,os _alfanges
Largar com susto ao MaJabar ingente, E cem vezes em Africa potente Espa,ntar as horrificas falanges:
... '.f.w.que vives no Ceo, no Mar, na Terra
···Impresso nos padrões da Heroicidade,
: • • • ·Ã tenaz oppressão de nós desterra :
··:···
··
.
~·:~;t~ canto, qu'inspira á liberdade,
~· • ··rl!l~ce]so N orne Portuguez encerra
• • ·~ 't:!ôm tigo no salão da Eternidade.
J>ROCLA.MAÇAO
DO
p
OURO_
AOS
PORTUENSES./ .
" Nos magnanimos peitos ferve, estoira
·'" Ancia briosa de metter os hombros " A' conquista d~ ~~ra liberdade :
" Esç~_~v~s J:iont~m , são :Jlomanos hoje~
F_elinto Elys ... o.
P
oRTUENSES fieis 1 He tempo, ás armàs.B.asta já de soffrer, quebreríh-se o~ ferros
Do vergonhoso jugo,. A' Patri:;i,, a Lysia
V~mos dar Iiberda,d.e ! he este o dia
.Que vos ha de cingir d'eternos louros; .
Que ha de p mundo' assombrar, fulgir nos Evo~.
Reben~em-.se os ~nneis da$ vís c:j.Jgemas,
.Que os pulsos dos Heroes oppres~.os ti:qhão.
Que ,desgr%a ! Que opprobrio} O~ Lusos· braço~;
Os braços im)ll.ortaes, que á Pat;ri~ <lerão
A Liberdaqe, a Paz, ~ F;u;na, fl Glmfa,
E d ' b' "' 1 01 d" 1 Q '. . . 1
_ sera vos a am içao.... . i or.... u lllJUnq. .• ,.
O nosso soffrimento o m,updo espanta;
:Bl~ l].e m~i.s que seryp, transc.eride as metp.s
4
)
Do Nome Portuguez, do pai.rio heroísmo!
De1xareJ110S murchar na frente os louros Ganhados com suor; com pó, com sangue,
Em defensa do Rei em Marcios campos ? Hum Portuguez Soldado,· hum Marte Luso, Que tem feito ·cançar da Fama as- tubM, lVIendigando infeliz ! Seu nome envolto Entre o negro montão d' escuros nomes! Onde os brios estão? onde essa gloria,
Que (le seculos sete em nós revive?
LusHania immortal, que assombrou Roma., Que arvorou seus Pendões n' Africa adusta, Que foi palmas cortar na foz do Ganges, Que A 'merica curvou ás plantas suas; Lusitama imrnortal nó pó submersa! Acaso não tem ella inda em seu seio Albuquerques terriveís, Castros fortes? Destimidos Almeidas? bravos Limas ? Pachecos immortaes ? ferozes N unos ? De teus muros· a dentro, ó Porto e-gTegio,.
Não ouve a minha voz o Luso Aquilles, Sepulveda irnmortal? E o .bravo 1Vfarte
Furibundo Cabreira? E .o Gil Akides? E odros sabios varões, e heroes gradevos ?
Não he nesta Cidade , a Esparta - usa , ·
Que e_x;iste o Povo heroico, ql;Ie em seus hombros:
Firma a base do Throno Bràgantino·? Povo restaurador, que áudaz cortaste O nó Gordio fatal de hum jugo infame, Se ao trovão de meu brado então voaste
A salvar a Nação, porque hoje activos, Bravos Incoi.1s mem;, não correis promptos.
Nossa Patria escorar,. que bambaleia
Sobre seus gastos eixos ? Já minados Os alic~rces tem por mãos da fraude,
5
Do
ego ismo fatal·,· da ·Arn hição cega,Da lisonja fallaz, :que o Throno cercão
Do nOsso. amavel Rei. Monstros infames,
Que submersos nos tem n'hum lodo immundo. Nossos males não sabe o Chefe Augusto;
De
bald~,suspirais, não chegão, Lusos ,Vossos suspiros lá ; màos cautelosas
Dos ouvidos Reaes desvião. queixas.. .
Não ha. mais que esperar , por mim vos. brada
Toda a P:;i,tria em grilhões; quebrem-se os ferros-;
Liberdade á Nação, ·Ó Porto e.gregio, . ,
Vale bem o morrer salvando a Patria.
Assim Codro immortal sagrou-lhe a vida·.
Por ella os Çampiões Lamlios vertem
A pé firme, no estreito passo o sangue.
Foi por ella que os Fabios todo o pezo
Sós no carnpo sus.tém rle. um povo em furia ..
He por salvar .a Patrià 1 os pais, os filhos;
As esposas fieis, e os patrios N umes,
Que os trez~ntos Romanos se arremessão
Entre o vasto montãc d'imigas hostes.
Igual causa yos brada; igual justiça _
Vos instiga a correr com pressa é.Ís armas 1
Não para. derramar da Patria o sangue,
Mas para sustentar seus dons sublimes,.
O seu Nome immortal, seus. longos usos.
He co'as anna:s na mã.o_ que se recobra
A Liberdade, a Paz, Franqueza, e Gloria·;
-He co'as armas. na mão que se amedreiit{l
O monstro da oppressão, e aterra o vicio~
Eia , ás armas correi, por mim vos brada
O Luso agricultor_ c'o arado em ócio;
Brada o Com~eFciante exposto ao roubo;
-Brada o Nauta infeliz no lodo prezo , .
~
N() enfeixapo tear carpindo bra4a O Fabricant.e misero sem forç_as;,
Com lagrimas, de sangue , ~horão, gritão ~·
Desvalidas viuvas, orfãos tristes Dos Guerreiros impávi~os, que derão Sobre o campo da honr~ á Patria as vidas . . Mutilados heroes, vet'ranos Cé_ibos, Q11e t.eiµ g~stq. Set]c ser lú >rrôr de Marte ' s.em recorri.pensa
em
$.,eus trabalhos b~adão. Grita o tremuio ancião, já sobr~ a. borda Da ~'+ª sepultur,<;t balbu.ciente;-1~ Lipeftai ~ ~ação·' que alegrr eu morr.o '~
Tudo~ tqdo em ger;:i,l captivo grit<;t, :Bradando sen1 ce.s~ar por vos~o a,uxiliq. ;portuenses -fiejs, mettei _Qs hornbr_os ·
A' menwrand~ empreza , pqjs s9_bre elle~
Y
aloro~o~ susteis.
º
Imperio ~uso. .As trevas separai cl.,o Throi;io excelso Do famqso Jo!o_. F?;zei que brilhe .Qual o Sol no Zenit ·de sombras limpe>,.
Em pacto social ~oncordes se oução Os orgão~ d;;i. Nação ; p,ução:c-s~ os }\fane~
Dos libe.Hos varões qu,e proclamárão
_
Sobre
o
campo de Ourique o Rei pr~meiro1Enfreie-se a 4mbição, toII1em-se /fS rede~~
Dá~ corrµ.p~as pai~ões; sem -sangue sôem,
.Os clg,rins da Razão ; e as áureas tubas Da nossa liberdade em tom concorde. Quão doce nq!? será, livre d'intriga~ · .
Sem tum1Jltos gozar da paz
os
fructos ! A anarquia evitai: lembrai-vos, L~sos ~·Que a concordia fiel sustenta os Thronos; Ella eleva ar; Naçõés ~ hum gráo sublime,
· Ella he o .eixo d~ bronze ond~ descanÇa · · Po vasto mundo f~teir,o o
pezo
~or-m~ :7
Sem ella os mesmos- Ceos talvez cahissern. ·
Quem fez Grecia irnmortal , nos priscos dias Da sua immensa glorfa? Quem fez Roma Do mundo a Capital? Ah, como louvão
Inda d'entre o montão das findas era-s·
A concordia fiel que as fez ditosas !
"" Mas para que do antigo pó revolvo;
Se a concordia Portuense he · mais sublime ?
Longe, longe de nós o laço infame, Que ajunta os homens só a fins sinistros; Pois que brada a Razão, e augura o Fado
A todo o Portugal porvir ditoso.
Azas d~mos á honra, ás almas força:
Franquezas, izenções, direitos foros, Que os felizes avós nossos gozárão,
Vamos revindicar. Dêmos á Fama
Hum eterno hrazão da gloria Lµsa ;
Em nome de J oÃo, optimo, e.justo, .
Bom Rei , digno de nós , nós digno delle~
Vamos dar novo rumo á náo do Estado;'
Que sem agulha já co'as velas rotas,
Revezos mares sulca á longos tempos,
Sem poder fundear no patrio porto. _
Apressai-vos a dar-lhe outros Pilotos
Mais sabios, mais prudentes, que ama;r:r:ados
Com mais força ao timão s.eu leme rêjão.
Disse o Douro bradando e)11 voz de fe.rr.o , ·
E nas portas da -inclita Cidade
Quatro vezes bateo com som terrível.
Ouvirão seu clamor, e aos: seus embates
Impavido correo Cabreira invicto,
E
o sem pavor Sepulveda brioso,E o destimido Gil, e o· pravo Souza
E
o honrado Cardoso , e o affou to Lei teCo'as espadas na mão bradando ás hostes~
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Ouvindo os brq,dos seus ergue0:,-se ~ Fama,
E .co'a ttiba na mão fendendo as trevas l?oi a Aurora acordar qu'inda dormia. A' voz de Lysia he livre ergueo-se a Aurora,
E
as sombras afastando abrio caminho A seu radioso amante; ·'que apressado1
1.,ez o ~oche montar que gira os Polos.Caminha presureiro , e logo em breve Risonho despontou saudando o Douro, E o Douro vivas dando. ao som dos bronze~.
J ámais do dia o Astro luminoso Tão memorando feito tinha visto.
I~'d.a · apenas não tinha o carro todo Das concavas montanhas arra'llcado,
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:·~" ,Quando os olhos lançando ao Mareio campo .. " .. ,'"· .. • As hostes divisou, e á frente dellasC'um diadema de luz brifhar Cabreira, -~ ~ E firme procla1~ar com voz troante .. ,. O estrondoso pregão da Gloria Lusa : , . , .. ": ;' E's livre-, Patria minha, eu sou teu filho ,
?'Os teus ferros quebrei, chamei-te á vida,
?'E a vida que me deste, agora he tua. n Nosso grande Mon,arca, o Rei excelso
n Sobre o Thr.ono firmei, que lhe abalavão; ?'E a nossa liberdade, santa, .e justa " Vai teus dias dourar , cingir-te palmas ,
?? Y~vé'.'- pois nosso Rei, com· elle as Côrtes.'?
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