Rodolfo Delfini Cançado
Prof. Adjunto da FCM da Santa Casa de São Paulo
Chefe do Serviço de Hematologia e Hemoterapia da Santa Casa de São Paulo
Anemia Ferropriva
no Século 21
Declaração de Conflito de Interesse
Declaro que possuo conflito de interesse na (s) categoria (s) abaixo:• Consultoria: Novartis, Takeda
• Financiamento de Pesquisa: nada a declarar • Honorário: nada a declarar
• Patentes e Royalties: nada a declarar
• Afiliação na Diretoria de uma Entidade ou Conselho: ABHH • Discussão de uso de drogas Off-label: não
Condição patológica
Não é normal em nenhuma faixa etária
Geralmente associada à múltiplas causas Hipóxia tecidual devido à menor
capacidade de oxigenação tecidual
Crianças em idade escolar 25,4
Crianças pré-escolar 47,4
Mulheres (idade reprodutiva) 30,2
Gestantes 41,8
Homens 12,7
Idosos 23,9
Total (1,6 milhões) 24,9
GRUPO POPULACIONAL PREVALÊNCIA DE ANEMIA
Prevalência de Anemia
Diminuição da Produção Aumento da Destruição Perda Sanguínea
Anemias Carenciais: deficiência de Ferro, Vitamina B12,Folato
Doenças Crônicas: Inflamação (AR, ICC, DRC), Hipotireoidismo Doenças da Medula Óssea: SMD, MM, DLP, DMP
Medicamentos
AR = artrite reumatóide; ICC = insuficiência cardíaca congestiva; DRC = doença renal crônica
SMD = Síndrome Mielodisplásica; MM = Mieloma Múltiplo; DLP = Doenças Linfoproliferativas; DMP = Doenças Mieloproliferativas
É frequente
Nem toda anemia é devido à deficiência de ferro Deficiência de ferro é a principal causa de anemia Piora a qualidade de vida
Aumenta morbidade e mortalidade Anemia
Consumo e/ou perda de sangue Deficiência de Ferro Diminuição da ingesta ou absorção
Deficiência de Ferro é a causa mais comum de anemia
Gestação – necessidade adicional de 1.000 mg de ferro
Diminuição da ingesta ou absorção
Dieta não balanceada1, vegetarianos
Síndromes de malabsorção2
• Doença celíaca
• Doença inflamatória intestinal
doença Crohn, retocolite ulcerativa
• Cirurgia gástrica, gastroplastia3
Parasitose intestinal3
Infecção pelo Helicobacter pylori4
Gastrite atrófica autoimune2
Medicamentos
1. CDC. MMWR. 1998;47(RR-3);1-36; Annabale B, et al. Am J Med. 2001;111:439. 2. Hoffman, ed. Hematology: Basic Principles and Practice, 4th ed. 2005.
3. Suerbaum S and Michetti P. N Engl J Med 2002;347:1175-1186
Perda de Sangue Condições patológicas1 • hiperfluxo menstrual • sangramento GI • distúrbios da hemostasia
1. Adamson JW. In: Kasper DL, ed. Harrison’s Principles Of Internal Medicine. 16th ed. New York: McGraw-Hill; 2005: Hoffman, ed.
Hematology: Basic Principles and Practice, 4th ed. 2005
Hemograma Ferro sérico
Capacidade total de ligação de ferro Ferritina
Proteina C reativa
Diagnóstico Laboratorial de Deficiência de Ferro
Hemograma Ferro sérico
Capacidade total de ligação de ferro Ferritina
Proteina C reativa
Diagnóstico Laboratorial de Deficiência de Ferro
Cançado RD et al Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2010;32(3):240-246
Saturação de Transferrina = Ferro Sérico
Saturação da transferrina < 20% Anemia Ferropriva* Ferritina < 30 ng/mL Anemia Ferropriva + Anemia da Inflamação Ferritina 30-100 ng/mL PCR Anemia da Inflamação** Ferritina > 100 ng/mL PCR Paciente com Anemia
(Hb <13 g/dL ♂ ou <12 g/dL♀)
* Anemia Hipocrômica Microcítica **Anemia normocrômica normocítica
#PCR=Proteina C reativa
Princípios do Tratamento da Deficiência de Ferro
Reconhecimento e correção da(s) causa(s) Orientação nutricional
Reposição de ferro: • Oral
• Endovenoso
* Até obtenção de ferritina ≥ 15 ng/ml (crianças) e ≥ 30 ng/ml (adolescentes e adultos)
Fases Objetivo Duração
1a Fase Correção da Anemia 1 a 2 meses
2a Fase Reposição dos
estoques de ferro* 2 a 3 meses
150 a 200 mg/dia de ferro elementar em adultos e 3-6 mg/kg/dia de ferro elementar em crianças
Rimon E et al. Am J Med, 2005; 118:1142-47; Toblli J et al., Drug Research 2007; 57: 431-438
Sais Ferrosos Sais Férricos Sulfato Ferroso Ferripolimaltose (noripurum, ultrafer) Ferro Aminoquelado (neutrofer) Glicinato férrico (combiron) Ferro Carbonila (novofer) Sais de Ferro
● ● ● ● ● ● ● ●\ ●\ ● ● Duodeno: 90%
Variável Sulfato Ferroso Administração Jejum Eficácia Elevada % Eventos Adversos Alta 35-55% Tolerância e Adesão ao tratamento Menor
Variável Sulfato Ferroso Administração Jejum Eficácia Elevada % Eventos Adversos Alta 35-55% Tolerância e Adesão ao tratamento Menor
A rápida absorção dos
sais ferrosos,
que inicialmente poderia parecer uma vantagem,
acaba se tornando um problema !
•
fibras, na forma de fitatos, polifenóis, cálcio e fostatos•
polivitamínicos contendo metais divalentes (zinco, cobre, magnésio, manganês)Combiron na associação com polivitamínicos
Variável Sulfato Ferroso Ferro Carbonila (combiron) Ferro quelado (neutrofer)
Administração Jejum Durante
ou após refeição
Eficácia Elevada Intermediária
% Eventos Adversos Alta 35-55% Intermediária 30-35% Tolerância e Adesão ao tratamento Menor Intermediária
Variável Sulfato Ferroso Ferro Carbonila (combiron) Ferro quelado (neutrofer) Ferripolimaltose (noripurum, ultrafer)
Administração Jejum Durante ou após refeição
Eficácia Elevada Intermediária Elevada
% Eventos Adversos Alta 35-55% Intermediária 30-35% Baixa 10-15% Tolerância e Adesão ao tratamento
Menor Intermediária Maior
Sais de Ferro Duodeno
Ferro quelato Jejuno ?? Absorção intestinal no jejuno ?
Comparison of ferrous sulfate and ferrous glycinate chelate
for the treatment of iron deficiency anemia in gastrectomized patients
Mimura EC, Breganó JW, Dichi JB, Gregório EP, Dichi I. Source
Cancer Hospital of Londrina, Londrina, Paraná, Brazil.
● Frequência de AFe pós gastrectomia: 20-50%
exclusão duodenal
redução secreção ácida gástrica
ingesta inadequada
transito mais rápido
Mimura EC et al. Nutrition 2008; 24:663-338
Sulfato Ferroso versus Ferro Quelato no tratamento da Anemia Ferropriva
● Grupo 1 (n=9): 80 mg ferro elementar (SF)
● Grupo 2 (n=9): 50 mg ferro elementar (FQG)
Hipotese:
FQG 2,5-3,4 x mais biodisponível que o SF
Mimura EC et al. Nutrition 2008; 24:663-338
SF=sulfato ferroso
FQG=ferro quelato glicinato
Sulfato Ferroso versus Ferro Quelato no tratamento da Anemia Ferropriva
Após 4 meses de tratamento Sulfato Ferroso Ferro Quelato Glicinato Correção da Anemia 8/9 (89%) 3/9 (33%) Ferritina > 20 ng/ml 7/9 (78%) 2/9 (22%)
Mimura EC et al. Nutrition 2008; 24:663-338
Sulfato Ferroso versus Ferro Quelato no tratamento da Anemia Ferropriva
Sal de Ferro Ferro total Ferro elementar
Ferripolimaltose 333 mg 100 mg
Sulfato ferroso 300 mg 50-60 mg
Ferro quelato 500 mg 100 mg
Ferro carbonila 275,8 mg 52,4 mg
Rimon E et al. Am J Med, 2005; 118:1142-47; Toblli J et al., Drug Research 2007; 57: 431-438
Quantidade (mg) de Ferro elementar de acordo com o sal de ferro
Critérios de boa resposta ao tratamento Melhora ou desaparecimento dos sintomas Aumento de ≥ 2 g/dl de Hb após 3-4 semanas de tratamento
1. Lyseng-Williamson KA, Keating GM. Drugs. 2009;69(6):739-56.; 2. Aapro M, et al. Ann Oncol. 2012;23(8):1954-62.
Absorção intestinal limitada1
Maior tempo de duração do tratamento1,2
Alta taxa de eventos adversos GI1,2
Baixa adesão ao tratamento1,2
O Ferro oral continua sendo a via preferencial, mas tem limitações ...
Intolerância ao ferro oral
Falha de resposta ao ferro oral
Resposta terapêutica mais rápida Recusa à transfusão de hemácias
Cook JD. Best Pract & Res Clin Haematol, 2005; 18:319-332 Alleyne M et al. Am J Med, 2008; 121:943-948
Falha de resposta ao ferro oral
• Gastroplastia (cirurgia bariátrica) • Nefropatia
• Continuidade da perda sanguínea puerpério, pós-aborto
pré/pós-operatório
doença inflamatória intestinal
Cook JD. Best Pract & Res Clin Haematol, 2005; 18:319-332 Alleyne M et al. Am J Med, 2008; 121:943-948
Anemia da Inflamação
• Doença Inflamatória Intestinal (DII) Doença de Crohn
Retocolite ulcerativa • Cancer
• Doença Renal Crônica • Insuficiência Cardíaca
1 - Guidelines from Gasche C et al. Inflamm Bowel Dis 2007;13:1545–53, 2 - Gasche C et al. Inflamm Bowel Dis 2007;13:1545–53 / 3. Kulnigg S, Gasche C. Aliment Pharmacol Ther 2006;24:1507–23 4. Lyseng-Williamson KA et al. Drugs 2009;69:739-56
A absorção de ferro VO é significativamente menor em situação de inflamação
* DMT1: Divalent metal-ion transporter 1
Fe2+ Ferritina DMT1* Ferroportina Fe2+ Fe2+ Fe2+ Fe2+ Luz Intestinal
Crichton RR et al. Iron therapy with special emphasis on intravenous administration. UNI-MED 2006
Resposta terapêutica mais rápida • Pré-operatório (cirurgia eletiva)
• Gestantes (a partir da 12a semana)
• Puerpério
Cook JD. Best Pract & Res Clin Haematol, 2005; 18:319-332 Alleyne M et al. Am J Med, 2008; 121:943-948
Corrigir mais rapidamente a anemia e os estoques de ferro
Reduzir/eliminar a necessidade de transfusão de sangue
Otimizar o uso de eritropoetina (cancer, doença renal crônica)
Cook JD. Best Pract & Res Clin Haematol, 2005; 18:319-332 Alleyne M et al. Am J Med, 2008; 121:943-948
Conclusion: For pregnant
women who could not tolerate the side effects of oral treatment or required a rapid replacement of iron stores, intravenous
iron sucrose was associated with fewer adverse events and was more effective than regular oral iron therapy.
Carboximaltose férrica
Isomaltose 1000
Ferumoxytol
Cançado RD & Muñoz M. Rev Bras Hematol Hemoter 2011; 33(6):461-9 Gozzard D. Drug Design, Develop therapy 2011; 5:51-60 Aapro et al. Ann Oncol 2012 Cançado RD & Muñoz M. TATM, 2012 Lyseng-Williamson K et al. Drugs 2009; 69(6):739-756
Compostos de Ferro
Cinética da Carboximaltose Férrica nos Macrófagos
Cinética da Carboximaltose Férrica nos Macrófagos
Hemoglobina
(g/dL) > 35 e < 70 KgPacientes Pacientes≥ 70 Kg
≥ 10 1000 mg 1500 mg
< 10 1500 mg 2000 mg
Cálculo da Dose de Carboximaltose
Não administrar mais de 20 ml (1000 mg de ferro) EV por semana
Pr op or tion of of pa tie nt s a chi ev ing H b ≥12 g/ dL (% ) Baseline Hb (g/dL) <8.1 8.1–9.0 9.1–10.0 p<0.05 p<0.05 p<0.01 n=28 n=25 n=45 n=45 n=82 n=80 100 80 60 40 20 0 FCM Ferrous sulphate
Tratamento da Anemia Ferropriva pós-Parto
Significantly higher serum ferritin values at 42 days FCM Ferrous sulphate p<0.001 214 In cre as e in se ru m fe rrit in (n g/ m L) 250 200 150 100 50 0
Tratamento da Anemia Ferropriva pós-Parto
Seid MH et al. Am J Obstet Gynecol 2008;199:435.e1–7 Pa tie nts a chi ev ing H b >1 2 g/ dL (% ) 0 20 40 60 100
Baseline Day 7 Day 14 Day 28 Day 42 *
*
* 80
Patients achieving Hb >12 g/dL
PPA, post partum anaemia
91.4%
66.7%
p<0.0001
The median time to Hb >12 g/dL was significantly shorter with FCM compared with oral iron
(14 vs 27 days, respectively;
p=0.002)
*p<0.0001 **p=0.0043
Seid MH et al. Am J Obstet Gynecol 2008;199:435.e1–7
Pa tie nt s ac hie vin g H b in cr eas e ≥3 g /d L ( % ) 100
Baseline Day 7 Day 14 Day 28 Day 42 0 * * ** 80 60 40 20 FCM Ferrous sulphate Patients achieving Hb ≥3 g/dL
PPA, post partum anaemia
91.4% 64.6%
p<0.0001
The time to success was shorter (15 vs. 28 days, respectively; p<0.0001) Tratamento da Anemia Ferropriva pós-Parto
Variável Carboximaltoseférrica Sacaratoférrico
Dose máxima por aplicação 1000 mg 1x/semana
200 mg (máximo 3x/semana)
Necessidade de dose teste Não Sim
Velocidade de Infusão EV 1000 mg em 15 min 200 mg em 30-60 min No de visitas / 1000 mg 1 5
Parâmetro Tratamento
Anemia leve
(Hb: 11,0-11,9 g/dL ♀ Hb: 11,0 e 12,9 g/dL ♂)
Com doença clinicamente inativa Sem história prévia de intolerância
ao ferro oral
200 mg ferro VO (≥ 90 dias)
Goodnough T et al. - NATA guidelines,British Journal of Anaesthesia, 2011; 106:13-22; Goodnough T et al. Anesthesiology; 2012:, 116:1367-1376; Enko D et al. Anemia; 2013; Dignass AU et al. J Crohns Colitis. 2015 Mar;9(3):211-22
Resposta Satisfatória: ≥ 2 g/dL em 3-4 semanas de tratamento
Parâmetro Tratamento Anemia moderada (Hb entre 8 e 10 g/dl) à grave (Hb < 8 g/dl)* 1500-2000 mg de ferro EV
*pacientes clinicamente estáveis, sem indicação imediata de transfusão de hemácias para melhora ou correção do estado anêmico e em condições de
aguardar o resultado do tratamento com ferro EV Manejo da Anemia Ferropriva
Goodnough T et al. - NATA guidelines,British Journal of Anaesthesia, 2011; 106:13-22; Goodnough T et al. Anesthesiology; 2012:, 116:1367-1376; Enko D et al. Anemia; 2013; Dignass AU et al. J Crohns Colitis. 2015 Mar;9(3):211-22
Tratamento de Manutenção
500 mg de ferro EV
a cada 2 meses para aqueles
com ferritina < 100 ng/mL e Hb normal
FCM in inflammatory bowel disease – maintenance study FERGI MAIN
Estatiev et al. CLINICAL GASTROENTEROLOGY AND HEPATOLOGY 2013;11:269–277
Prevenção da Recorrência da Anemia Ferropriva
Anemia não relacionada à deficiência de ferro
Saturação de Transferrina > 45% Ferritina > 500 ng/mL
Infecção ativa / septicemia
Disfunção grave (hepática ou cardíaca) Gestantes no 1º trimestre de gravidez
Comparação de Risco de Complicação Grave e Óbito
1. Chertow GM et al., Nephrol Dial Transplant 2006; 21:378-82 2. Stainby D et al. Transf Med Rev, 2006; 20:273-82
Parâmetro Adverso GraveEvento Óbito
Ferro EV1
(30 milhões de doses:
gluconato, sacarato, dextran) 2,2 / milhão 0,4 / milhão
Transfusão
Anemia ferropriva é frequente e passível de tratamento
A via de administração oral continua sendo a via de escolha
A ferripolimaltose é eficaz e, entre os sais de ferro, é o produto que confere menos eventos adversos e melhores resultados terapêuticos (maior adesão)
A ferro EV é preferível ao ferro Oral em gestantes e puérperas em situações
específicas
O ferro EV corrige mais rapidamente a anemia e os estoques de ferro, e reduz a necessidade de transfusão de hemácias
Obrigado!
NCCN Guidelines Version 2.2015
NORIPURUM Apresentação Preço Und Preço
Dose 1.000 mg 100 mg x 5 amp R$ 42,78 2 R$ 85,56
N. Infusão Dose máxima
200 mg / dia R$ 221,00 5 R$ 1.105,00 R$ 1.190,56 Custo Total - 1.000 mg 85,56 707,6 1.105,00 221,00 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Noripurum Ferinject Infusão Substância R$ 1.190,56 R$ 927,60 < 22,1% * Estudo de Farmacoeconomia
* Fonte: Estudo de custo de infusão no Brasil – Evidências credibilidade científica
36 hospitais
05 Regiões do Brasil
Sacarato Carboximaltose
Sacarato
FERINJECT Apresentação Preço Und Preço
Dose 1.000 mg 1 amp. 50 mg x 10 ml R$ 353,30 2 R$ 706,60
N. Infusão Dose máxima
1.000 mg / dia R$ 221,00 1 R$ 221,00
R$ 927,60
Custo Total - 1.000 mg
*