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Zero, 1998, ano 15, n.2, dez.

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(2)

-_-IN..JUSTIÇA

E

IMPUNIDADE

2 ZERO DEZEMBRO -98

ZERO

ANO

xv

-

2

DEZEMBRO

98

CURSO DE

JORNALISMO

CCE

-

COM

UFSC

...

.._ . .,.

Melhor

Peça

Gráfica

I, II, III, Iv,

V

e

XI

Set

Uniuersitário

88,89,90,91,92

e

98

Jornal-laboratóriodo Curso deJornalismoda Universidade Federal de SantaCatarina

editado pelo

Laboratório de Infografía

Arte: Homeu Marlins

Colaboração: PauloCaruso,LuizMazzon,

NoamChomsk)', KikioImajo,Profcssores

LauroMaeda,Nilson l.agc

Direção de artee deredação:

Prof.Ricardo Barruo

Edição:Adriana deSouza, AlanéaCoutinho,

AlexandreIlrandão,AlexandreMendonça,

AnacrisOliveira,Anal.ctlcíndaRosa,André

Luckman,

I\ngela

Delpizzo,HrcnoMorozowski,

IlrunoDorigalli,CamilleKeis, CarolinadeAssis,

CassianoRolim,ClarissaMoraes, DéboraTozzo,

DubcsSônegojr.,EduardoKormívcs,Fabrício

Rodrigues,FernandaFarias, FilipeBezerra,

FredericoCarvalho,(;abrielaCupani,Gcunninc

Martins,(;iuliano Ventura, (;isielaKlein,Gustavo

Lemos,GustavoSchwabe, lIugodeOliveira,

janaína Ilerli,joséLacerda,Lanssajunkes,

Laura Meurer,LeonardoCollares, Leria Spada,

LúciadeBarros,LucianoFromholz,Marcela

Albuquerque,MarianaCordeiro,MathcuxIloing,

Maurício Giraldi.Nal,iliaViana,Pedrovalcnre,

RenataDomingues, RhodrigoDcda,Rogério

Kiéfcr,RomeuMarlins,SabrinaMoraes,Sabrina

Petermann,Salvador (iumes,SaraFaraci,Sara

Stopazzolh,SílvioSmaninttn,SôniaCampos,

ValdccirBecker

Editoraçãoeletrônica: Camille Keis,Carolma

deAssis,FábioFaya,JoséLacerda.Natália

Viana,Pedrovalcntc(Sullio/'s);Adriana de

Souza,AlanéaCcuunho,AlexandreMendonça,

AlexandreIlrand,LO,,\nacrisOliveira,AnaLetícia

da Kosa,AndréLuckman.IlrenoMorozowski,

BrunoDurigaui.Camila(;allo,CanulaOlivo,

CassianoRolim,Clarissa Moraes,CleidcKlock,

DéboraTozzo,DuhcxSônego jr.,Eduardo

Kormivc», FabrícioRodrigues,FernandaGuidi,

FilipeBezerra,Frederico Canalho.Gabriela

Cupani,C;cal1lliilC Martllls, Giuliano Ventura,

(;isidaKlem,(;uslaro t.uuos, Gustavo

Schwabe, lIugodeOlivcira.jadrMartmx.janaiua

Berti,Larissajunkcs,Laura Antunc», Leonardo

Collarcs.l.eyla Spada.l.úciaBurrus,l.ucianc

Fromholz,MarcelaAlbuquerque,Mariana

Cordeiro,Muuririu(;,rald" ({enalaN)mberg,

RhodrigoDcda.Sabrinal'ctcnnann,Sabrina

Moraes,SalvadorGomes,SaraFaraCi,Sara

Siopazzolli,Sillio Smauiouo.SôniaCampos,

ValdecirBecker,\Iagner�l,ua

Fotografia:Alessandro v.uun. CleideKlock,

DubesSônegojr.,FábioMa)er,FilipeBezerra.

GustavoSchwabe,RamiroPisseli, WagnerMaia Secretaria deredação einfogralla:

PedroValenle

Serviçoseditoriais:AgênCiaESlado,

AmericanPhOIO,Associaled Press,Clarín,

FinancialTimes(UK), lstc-é,lsto-éDinheiro,

jornaldoIlrasil,ObservatóriodaImprensa, KellSlaNolícias(AK),S.U'

Textos:AlexandreHrandâo.AnaLcticrada

Rosa,AndréaFischer,CanulaGallo,Canula

Olivo,CarlaRoncauo,CidGuesser, ClcidcKlock,

DéboraTozzo,FabricioRodrigues, Fernanda

Souza,FilipeHczerru,GabrielaCupani,Giuliano

vcmur«.lIugodeOhvcira.jad«Maruns.

LeonardoCollates,t.cyl« Spada,Lúcia !larros,

MarcelaAlbuquerque,MarianaCordeiro,Natália

Viana,l'atrickCruz,({allllfOPisscu,Rogúio

Kiefer,RomeuMarlins,RubiaMuttini,Salvador

Gomes,TalianaWillman,ValdccirHecker Tratamento deImagens: F,íbio Faya,José

Lacerda,Pedro Valenle Pré Press: Artlmc

Impressão:DiárioCatariucnsc

Redação:Curso dejornalismo (UFSC-CCE­

COM),Trindade,CEI'�X040-,)OO,

Florianópolis/SC

Telefones: (04H) .1.11-')4')0e351-')215

Fax: (04�) 331-')�')X

Home Page: www.ccc.ufsc.br+com

E-mail: zcroto.cce.ufxc.br

Circulação: grallliiaedirigida

.•..

,�

/

E

tempo

de

punir

crimes

de

Estado

Perdoe

leitor,

nossa

edição

natalina está

salgada

masreal. Assimcomotemosum

compromisso

com a

verdade,

também o te­

mos comadefesa do espaço

público,

da cida­

dania,

daliberdade de informareinformar­

see,

certamente,

tambémcom osdireitos hu­

manos e a

justiça.

Assim,

nos preocupam

(e

causam

indignação)

tanto os

assassinatos,

emníveis

alarmantes,

de

jornalistas

no con­

tinente

quanto

os crimes

impunes

de tira­

nos como

Augusto Ugarte

Pinochet contra

seuscidadãos

-edeoutros

países.

Como não

passa

despercebida

a

atuação

aética demem­

bros do

primeiro

escalão do governo federal.

O

próprio

presidente,

antes de atacar a im­

prensa que

jamais

foitão adesista

(ou

seria

aderente?), poderia

preocupar-se em

impor

a

justiça

para os assassinos dos oito

jorna­

listas brasileiros mortos nos recentes três

anos.Comosenãofosse poucoodescaso para com milhões de cidadãos.

Crimes de

Estado,

é

certo,

são tão an­

cestrais

quanto

ahumanidade.A

diferença

é quecom avelocidade que

trafegam

asinfor­

mações

na

atualidade,

começa a ficar mais

difícil ocultarem-seos

transgressores

e seus

crimes.

Pinochet, ironicamente,

teve

prisão

solicitada por provas incluídas entre cinco

toneladas de documentos abandonados

pelo

regime paraguaio

e

resgatadas

por entida­

desdedefesade direitoshumanos. Secom­

parado

comas60 milhões de vítimas soviéti­ casde

Stalin,

asmais de seis milhões deHi­

tler,

o

ex-general

e senador vitalício chileno éfilhote. Mas afria aritmética não se

aplica

nestecaso.Ostrês milmortos

chilenos,

con­

forme dados

oficiais,

foram

torturados,

em sua

maioria,

antes de morrer.E istomerece

punição,

mesmo paraum

fragilizado

senhor de 83 anos. Se os nazistas

cumpriram

suas

penas mesmo em

avançada

idade,

por que

seria diferente com nosso

general

latinoa­ mericano? Cortes internacionais

existem,

resta saberse os tiranos detodas latitudes serão

julgados

indistintamente.

Assim como estamos solidários com

vítimas

chilenas, bósnias,

timorenses,

não

podemos

nos omitir diante do brutal as­

sassínio do

fotógrafo

argentino

Jose

Luiz

Cabezas ou de seu

colega

brasileiro Mi­

guel

Pereirade

Melo,

primeiro

a testemu­

nhar a chacina de Eldorado dos

Carajás.

Todos seres humanos com seus

direitos)

pior

que

desrespeitados,

não

protegidos.

E

aqui

onde falha o Estado. Torcemos para

que

mudanças

não

precisem

aguardar

a

virada do século.

em

oito

anos,

205

jornalistas

foram

mortos

naAL

Reunida em Puntadel

Este,

Uruguai,

en-

comunicação

a pagar

indenizações

por danos

tre os dias 14 e 18 de

novembro,

a Sociedade morals. Um relatório sobrea

situação

doBrasil

Interamericana de

Imprensa (SIP)

denunciou mostrou que

juizes

têm determinado altas

inde-um "alarmante aumento" deassassinatesehos-

nizações.

Além

disso,

tramita no

Congresso

um

tilidadesa

jornalistas,

e a

impunidade

de que go-

projeto

de lei

propondo

que não

haja

limites a

zam seusautores namaioriadoscasos. esse

tipo

de

indenização,

oque colocaemriscoa

Se�undo

osnúmeros

apresentados

na

54a

sobrevivênciadasempresas de

comunicação.

Em

assembleia

geral

da

SIp,

26

jornalistas

forammor-

resolução

dirigida

à Comissão de Liberdade de

tos naAmérica Latina no último ano, elevando

Imprensa,

aSIP

sugeriu

que

sejam

feitos estudos para 205onúmero de

profissionais

assassinados decaráter

jurídico

para identificaros

países

que naúltima década.No

Brasil,

desde

1995

oito

jor-

permitem

indenizações

que limitam a

ação

de nalistas foram

assassinados,

sendo que

quatro

repórteres

e

jornais.

deles entreoutubro de 97 e outubro deste ano tradiziam aliberdade de

expressão.

Comoexern- O subdiretor do semanário

espanhol

El

(veja

textona

página

oito).

Nenhumcasofoi

jul-

pio,

odocumentocitouo casodeum

jornalista

do

Mundo.john

Muller,

pediu

ase�s

colegas

da,Amé-gado,

ficandoos_

assassmosImpunes. Piauíque foi

agredido

pelo

assistentedo

vice-go-

ncaque retornem

sua

11),lssao

-dar,

notl�las

-AComissao de Liberdade de

Imprensa

do vernador

-um

policial

militarque tambémame- para recuperar o

publico.

Voltemos as raizes e

Brasil enviou um documento à SIP afirmando açou demorteum comentarista de rádio.Asde- deixemosdeladooscantosde sereiasdos consul-que "a liberdade de

imprensa

brasileiraencon- núncias foram

reforçadas

pelo presidente

da As- tores de

marketing".

Para

ele,

é

imprescindível

trá-se afetada

pelas pressões

eatos deviolência

socíação

Nacional

dcjornais,

Paulode

Araújo,

que queos

jornais

se

dediquem

a

investigar

esaiam à

contra

jornalistas

eabsoluta

impunidade

dos,�ri-

lembroua

apreensão

de

jornais

como"outroaten- frente das

rádios�

Tvs,

para nãoapenas

repetir,

a mescometidos contrahomens da Imprensa.O tadocontraaspessoasda

comunicação".

cada

dia,

oque Ja fOI

amplamente

difundido na

relatório continha várias

páginas

detalhando Aassembléia daSIPtambém incluiuentre noite anterior. "As pessoas têm a

sensação

que

agressões

contra

jornalistas, investigações

deho- as ameaças ao livre exercício do

jornalismo

as lhesestamosescamoteandoarealidade.O

rnun-micídio

paralisadas

e

sentenças

judiciais

quecon-

legislações

que

permitem

condenaros meiosde do estáaíe

podemos

contá-lo."

(3)

VERGONHA

rimeiro foi o

Proer,

que

deu

R$

12milhõesparao

Banco

Nacional,

um dos

financiadores da campa­

nha

presidencial

de FHC

em

1994

Mais

tarde,

du­

rantea luta

pela

aprovação

daree­

leição,

foi descoberta uma lista de

deputados

que deviamaoBancodo

Brasil e estariam sendo acuados a

votarafavor da emenda, Em

segui­

da,

o

jornalista

daFolha deS,

Paulo,

Fernando

Rodrigues,

gravou a con­

fissão dos

deputados

federaisRoni­

von

Santiago (PFL-AC)

e

João

Maia

(PFL-AC),

dizendo que haviam re­

cebido

R$

200mil de

Sérgio

Motta para

ajudar

a aprovar a

reeleição.

Osdois renunciarama seus cargos eas

investigações

foram devidamen­

te

esquecidas,

Agora,

mais um escândalo comdoisnovospersonagens:omi­ nistrodas

Comunicações,

Luiz Car­

los

Mendonça

de

Barros,

eo

presi­

dente doBancoNacional deDesen­

volvimentoEconômicoeSocial

(BN­

DES),

André Lara Resende, Tudo começou

quando

otelefone da sala

de Resende foi

grampeado,

não se

sabeporquem, econversassobrea

privatização

daTelebrásforamgra­

vadas, Até

aí,

o crime seria apenas

do autor dogrampo,

Entretanto,

o

teor das conversas entre Mendon,

ça de

Barros, Resende,

o

diretop�

áreainternacional do

BancadQ BtâP

sil,

Ricardo

Sérgio

de

Oliveil'a;épér;,

sio

Arida,

do banco

Opporttmit}\

pi�i,

ticipantc

deum

consórcioqM{'l�!Ç9ij

com aTeleCentro

Sul,

lTIostI�qij�,

pode

haver

algo

de muita

PPi!t�q�

(

reino deFHC, ""

\"

Nasfitas

divulgadas

p�l� Xl'ld

vista

Veja,

nota-se que

Ahdfê 1&&1

r

Resendee

Mendonça

de

Barros,

ex­

sócios de Pérsio Arida no banco

Matrix;

trabalharam para

ajudar

o

consórcio formado

pelo

banco

Opportunity

e

pela

Telecom Italia.

Em uma das

gravações,

osdois fa­ zem umacertoparaenganaro ou­

tro concorrente, o consórcio Tele­

mar,mentindosobreopreçoofere­

cido

pelo

Opportunity,

Outra

ligação

gravada

mostra o

presidente

do

BNDESfalandocom PérsioAridae

prometendo

que, em casode vitó­ riado

Telemar,

pediria

ainterven­

ção

do

próprio

presidente.

Outra

gravação: Mendonça

de Barros

-que teveseus

quinze

mi­ nutosde famaemoutubro

quando

se

hospedou

em umhotel em Ma­ dri e teve as

despesas

pagas

pela

Telefônicada

Espanha

-,

pede

a

Ri-{EHC,

Sérgio

Motta

(morto

em

abril)

"'" , . "" '

ejosé

Serra, Aempresa,

registrada

..,..,.'

com onome de

CH,

J&T,

teriaum

sitldo

bancáriode

US$

368

milhões.

Os

papéis

continuam secre­

tos,

que foram mostradas ape­

nas

algumas páginas

xerocadas,

mas a

imprensa

deuseuveredic­

to: são falsos. Não hánecessidade de

investigação,

que afinal

poderia

manchar a imaculada

figura

de

FHC,

e o casonão deveserlevadoa

sério, Odiretor

geral

da PolíciaFe­

deral,

Vicente

Chelotti,

chegou

ater

seusminutos de

notoriedade,

quan­

do disseque iria

interrogar

todosos

possíveis

envolvidosna históriado

dossiê,

edesastradamente falouem

tornaro

depoimento

de FHC, Obvi­

amente foi afastado das

investiga­

ções,

agoraacargo do

delegado

da

PF,

Paulo deTarso Teixeira.

Arida,

Resende

e

Mendonça

ultrapassaram

o

limite da

inesponsabüidade

Rogério

Kiefer

(4)

TERRORISMO

DE

E.STADO

suntos deoutros

países.

Outrotrechose

refere à

recepção

inglesa

ao

presidente

CarlosMenem,da

Argentina, nação

que provocouaguerra dasMalvinas,contra

osbritânicos.

"Eu tenhomais motivosdo que muitaspessoasparalembrarqueo

Chile,

lideradona

época

pelo general

Pinochet,joi

urnbom

amigo

deste

país

duranteaguerra das Malvinas. Devido

à

ele,

aguerra

foi

encurtadaemuitas

vidas britânicas

foram

salvas.

Haviaminúmeras

acusações

de abusos de direitos humanosnoChilee

atosde violênciaemambososladosda

divisão

política.

De

qualquer

forma,

a

população

chilena, ao

longo

degover­ nosdemocráticos eleitossucessivamen­

te, determinoucomoeles deveriamre­

solveros acontecimentosdo

passado.

Umaparteessencial deste processo foi

oestabelecimento dostatusdo

general

Pinochet e não dá direito à

Espanha,

Inglaterra

oude nenhumoutro

país

in­

terferirnoque éassuntointernodo Chi­ le.

O

general

Pinocbet deveserli­

beradoparavoltaraoseu

própriopaís.

Na

próxima

semana,aGrã-Bretanha

vaireceberolíder democraticamente

eleito deum

país

quei

legalmente

in­

vadiu território

inglês,

causandoaper­

da demaisde 250 vidas britânicas. Seria desastrosopregar

recanciliação

comurn"enquanto mantémerncati­ veiroquem, duranteomesmo

conflito,

fez

mui/o parasalvar muitasvidas britânicas."

Força

bruta

marcou

regime

no

Chile

A tirania de Pinochet nãoteve

limites. Nemmorais,nemhumanos

ou

geográficos.

Mataretorturar

cidadãoschilenos,eaté

estrangeiros

dentrodasfronteirasdo

país já

se

tornaraumabárbararotina. O ditador

queria

mais.Buscouseusoponentes

pelo

mundo todo. Foiem

Washington

quemorreu

OrlandoLetelier,44 anos, ex­

chanceler,ex-embaixador do Chilenos

EUAeex-ministro daDefesa. Uma

bomba

explodiu

seucarro, um

Chevrolet Chevelleazul, quandoiapara

otrabalhono Instituto deEstudos

Políticos,no dia 21desetembro de

1976.Na

explosão,

além doex­

ministro,morreutambémsua

secretáriaamericana,Ronni

Karpen

Moffitt,de25anos.

AmortedeLetelierera

pressentidaeanunciada. Doisanos

antes,eledisseraa

amigos

que nãose

sentiaemsegurançaparaviverno

Chile. Recém saídoda

prisão,

onde

ficaraporumano,

depois

da

deposição

deAllende, procurou

proteção

naVenezuela. Em

seguida,

mudou-se paraosEstados Unidos. Sabiaou

previa

queiamorrer.

Declaroua um

jornalista

americano queaDina,atemível

polícia

secreta

chilenaiathematar. Tinha razão. Dez dias antesogoverno

chileno havia cassadosuacidadaniae asameaças demorte,

segundo

amigos,

tinham aumentado.

Avisavam, anonimamente,que morreriasenão"parassede

prejudicacar

oChilenoexterior". Ele

não parou

Nosúltimosmesesantes de

suamorte,Letelier tinhase

transformadonumferoz críticoeativo

divulgador

das atrocidades cometidas

pela

ditaduranoChile. Comoseisso só nãobastasse paraaumentarairade Pinochete seusaliados, Leteliertomou

asiatarefa de reuniroschilenos exiladosparajuntar

forças

contraos

abusos da

junta

militar.

Aparentemente,

foi agota

d'agua

para

terseu nomeincluídonalista de pessoas,desafetas dePinochet,que acabaramvítimasde atentados.

Os EUAnãosairam

limpos

desse

atentado. O

Departamento

de

Justiça,

alertado

pelo deputadoDonald

Fraser,

sabia da presença,no

país,

deum

importante

chefe daDina,

acompanhado

de quatrohomense umamulher,desdeodia 25de agosto

daquele

ano Até adata doatentado,o

FBI não tinha tomadonenhuma

providência

Eoex-ministro de Allende foi brutalmenteassassinado Esseera o método do

hoje

octagenário

ex-ditador. Realizavauma

verdadeira

caçada,

nosentidomais

literalda

palavra,

atodosos

oponentesao

regime

de

Santiago

Não

teve por

ninguém

aclemência que

hoje implora

para si. Letelier foi sóum

dentre muitos. O emblema nacional do Chiletraz

olema- "Pelarazão

ou

pela força".

ComPinochet,foi

pela força.

Bruta.

Lúcia

Barros

viduais decada

país

exercem sua

jurisdi­

ção

emoutros

países

semhaver sequerlllll

sistema

jurídico

internacional".

Mesmoidosoe comasaúde debili­

tada,a

imagem

de

AUí,'usto

Pinochetnão

causa

comoção.

Pelomenosnão

naqueles

queselembram dostemposdetiraniaque

dominaram17anosda história do Chile. Ex-aliado do

ex-presidente

socialistaSal­

vador

Allende,

o

general

Pinochetassumiu

o

poder

no

país

nanoitedeIIdesetem­

bro de1973,

quando

tropasmilitaresto­

maramde assaltooPalácio deLaMone­

dae as

principais

ruasde

Santiago.

O

gol-pe foi estruturado dias antes,nacidade litorânea deViiíadelMar,com apresença

de militares dos Estados Unidos.O

golpe

de estadofoi

providencial

paraosintcres­

sesdosnorte-americanos,que detinham

cercade trêsmilempresasnoChileeque

temiamoprograma do governolocal,que

vinha sucessivamenteestatizando-as.

Aviolência dastropasde Pinochet fezcomqueoentão

presidente

Allende fossemortono

palácio

dela Moneda.Ne­

bulosa,

aversãooficial afirmou que ele

havia sesuicidadocom a armaqueseu

amigo

FidelCastrohavia the

presenteado.

A

partir

doanoquevem,odia do aniversá­

riodo

golpe

militarnãoserámaiscome­

moradocomoferiado nacional.Umferia­ do

ultrajante,

queservemaispara lamen­

tarasvítimas do queparalembraro

golpe

político-militar.

Santiago, sábado,

17de outubro de 1998

Umdia

depois

da

polícia inglesa

anunciara

detenção

de

Augusto

Pinochet,

oexército chileno

publicou

llillcomuni­

cado oficial à

imprensa

dizendo que o

senadorestavana

Inglaterra

em missão

diplomática

eque,portanto,não

poderia

serpreso. Além

disso,

chamouosistema

judiciário espanhol

deincompetentee sem

jurisdição

para

julgar

fatosinternacionais. Ocomunicado afirma que, além decons­

trangero

exército,

a

prisão

de Pinochetiria

mobilizara

opinião pública

afavor doex­

ditador.

Segue

trechos docomunicado: "NodiaJ6 de

outubro,

nacidade de Londres

umjuiz

daCortede

Magistra­

dos ordenoua

retenção

do ex-comandan­

te-chefe

do exércitoesenador

capitão

ge­

neralDon

Augusto

Pinochet

Ugarte,

na

clínica

patticularna

qual

seencontrabos­

pltalizado

como

conseqüência

deuma re­

centeedelicada

intervenção

cirúrgica

"

Estaordem

judicial

foi

originada

a

Pinochet deve

pagar

pela

ditadura

Exército

chileno

ameaça

com novo

golpe

casonão saiaa

libertação

partir

deuma

petição

do

juiz

espanhol

BaltasarGarzón,transmitidavia

Interpol

a

Londres.OEstadodoChilese

pronunciou

oficialmentenosentido de queostribu­

nais

espanhóis

carecemde

competência

e

jurisdição

paraconhecerosfeitosocorri­

dosemoutrosEstados.

O

ex-presidente

da

República

se

encontranomeadocomo"Embaixador

exiraordinârioe

plenipotendário

emmis­ são

especial

doGovernodo

Chile",

noRei­

nalInido,

segundo

constaem seupassa­ porte

diplomâuco.

Como não

escapará

da

compreensão

da

opinião

pública

ascir­

cunstâncias quecercam a

situação

de­

nunciada,

constituemumatoinsólitoe

inaceitávelparaos

integrantes

dainsti­

tuição,

todavezquenãolevarernconsi­

deração

a

dignidade

do ex-comandante­

chefe, ex-presidente

da

República

e se­

nadorernexercício,como

agravante

de

seencontrarnuma

situação

indefesa

e

fora

deseu

país.

Londres,

quinta-feira,

22deoutubro de 1998

O

jornal inglês

Sunday

Times pu­

blicaumacartade

apoio

da

ex-primeira

ministra

Margareth

Thatcherao

general

Augusto Pinochet,

na

qual

afirma quea

Inglaterra

nãodeveseintrometerem

as-Sem

a

imunidade

internacional,

ex-ditador

é

preso

na

Inglaterra

Londres,

sábado 7 de novembro de1998

Após

trêssemanasdetidonaIn­

glaterra,

oex-ditador

Augusto

Pinochet

divulga

umcomunicado às

vésperas

da decisão deumrecursoaser

julgado pela

Câmara dos Lordes.

Segundo

ocomuni­

cado,

Pinochetsediz traído porlllll

país

que ele

apoiou

durantea guerra das

Malvinasesempreteveboas

relações

com oChile.

"Jamais

acreditei que

pudesse

ser

objeto

de

espúrias

tentativasde

juí­

zes

estrangeiros

de

julgar-me

por acu­

sações

nuncaforam

comprovadas".

Diasantesdeescreverocomuni­

cado,

aAltaCortebritânicaoconsiderou

imunedas

acusações

de

genocídio,

porter

sido chefe de Estadona

época

dos milha­

resdeassassinatos. O

juiz

Baltasar Garzon

recorreuàCâmara dos

Lordes,

formada

pela

elite

jurídica

da

Grã-Bretanha,

para confirmarounãoo

pedido

de

extradição

de Pinochet à

Espanha.

ACâmara dosLordes éformada por

juízes

emtornode60anos,

brancos,

formadosemUniversidadescomoOxford e

Cambridge.

Noano

passado,

devidoa umadecisão

polêmica,

o

jornal

TheMir­

ror chamouos

juízes

de"cincopatetas

ricosevelhos distantes do mundo real".A

decisão daCâmara dos Lordes

depende

demaioria

simples

enãotemprazo defi­

nido paraser

divulgada.

Odestino do ge­

neralmaisviolento dos

regimes

militares

sul-americanosestáportanto,nasmãosde velhospatetase

abonados,

quenãotêma menorpressa.

Fabrício

Rodrigues

Londres,

sexta-feira,

16 de outubro de 1998.

A

pedido

delllll

juiz

espanhol,

a

polícia

inglesa

deu ordemde

prisão

a lllll

dosmais

sanguinários

ditadores latino­

americanosque

imperaram

duranteos anos

de

chumbo, Augusto

Pinochet

Ugarte,

ex­

presídente

do

Chile,

que liderouo

golpe

militarno

país

em1973,instaurouuma

dasmaisviolentas

repressões

naAmérica do Sulese

auto-proclamou

senador vitalí­

ciodo

país,

poucomaisdecincomeses.

Portrás da

figura frágil

deumsenhorde 82anosde idade que foi à

Inglaterra

para ser

operado

deuma

hérnia,

está

a

principal figura política

chi­

lenadas últimas

décadas,

res­

ponsável

pela

mortedemaisde trêsmilpessoas,entrechilenos

e

estrangeiros.

Baltazar

Garzón,

o

juiz

que deuaordem de

prisão

à

Pinochet,

planejava

essama­

nobra há 18meses. Noinício doano

passado,

o

advogado

chileno econsultor da ONU

Hernan

Montealegre

ligou

para

Garzón,

na

Espanha.

Aconversa

foicurtaedireta. Ambosestu­

davamurna

ação

juridicamen­

te

legítima

para

prender

o ex­

ditador chileno.

Conhecido porintervir

emoutroscasosinternacionais,

Baltazar Garzóntemlllllvasto

apoio

dentro da

Espanha,

como llllldos militantes da

Esquerda

Unida, União

Progressista

de

Fiscaisede inúmerasassocia­

ções

argentino-chilenas

que

apoiam

suabatalha.Maisforte do queisso,éo

provável

respal­

dointernacional queo

juiz

de­

tém,

principalmente

do gover­

noClintoneda

própria

ClA. A

oportunidade

apare­

ceu cm outubro desteano,

quando,

apenascom ocargo de Senador

Vitalício,Pinochet

viajou

à

Inglaterra

por razões

pessoais,

oquenão the

garanüa

imu­

nidade internacional.Para

legitimar

aor­

dem de

prisão,

Garzónsebaseouna

Ope­

ração Condor,

conhecida atualmente por Mercosul doTerror,quereuniumembros dos governos militares do

Chile, Argentina

c

Uruguai.

A

integração

entreos

regimes

permitia

queas

polícias

secretase osservi­

ços de

inteligência

decada

país

fossem buscar

opositores

e"subversives"noster­

ritórios vizinhos. Vários chilenos foram pre­

sos em

países

doConeSul.

A

Operação

Condor começoua1i.1Il­

cionara

partir

do

golpe

militar

naArgenti­

na,em

1976,

etevecomo umadas

princi­

pais

executorasaDina,a

polícia

secretado

Chile,

que coordenavaa

repressão

latino­

americana. Entredezenas decontatosfei­

tos

pelo

juiz Garzón,

estãoda

advogada

chilena Fabiola

Letelier,

irmãdo chance­ lerOrlando

Letelier,

assassinadoemWa­

shington

por membros daDina.

A

prisão

de Pinochetna

Inglaterra

reabriuurnadiscussão

jurídica

quenãoé

nova: se oscrimesdevemser

julgados

pe­

las leis do

país

onde foram cometidosouse

devemser

julgados pelas

leis do

país

das vítimas. Parao

advogado

argentino

Rosen­

do

Fraga,

"o

problema

é queos

juízes

(5)

TERRORISMO

DE

ESTADO

Dama

de

ferro

quer

salvar

o

tirano

Argumento

da

defesa

de Thatcher

poderia

redimir

até

Adolf

Hitler

Acartamandada

pela

ex-Primei­

raMinistrabritânica

Margareth

Thatcher

pedia

a

libertação

do Senador vitalício

Augusto

Pinochet pormotivos"humani­ tários".Ocandidato da

esquerda

paraas

próximas

eleições

presidencíais chilenas,

o socialista Ricardo

Lagos,

pediu

uma

íntevenção

deseu

amigo

FernandoHen­

rique

Cardosofavorável à Pinochet ale­

gando

os mesmosmotivosdeThatcher.

Questões

humanitárias?Ogovernodoex­

general

chilenofoiomaiorviolador dos direitos humanosnaAmérica doSul du­

rante asdécadas de

repressão.

Pedira

libertação

do

sanguinário Augusto

Pino­

chet

alegando

quesua

prisão

éumcri­

mehumanitário só

pode

ser

piada

de

maugosto.

Responsável pelo desaparecimen­

tode3.197pessoas

(destes,

2.095 ofici­ almente declarados

mortos)

duranteos

17anosdeseugoverno, Pinochet éacu­

sado

pela organização

de Direitos Huma­

nosdo Chile de

desrespeitar

diversosti­

pos de direitoscivis,taiscomo

violação

do direitoàvida,da

integridade física,

de liberdade

pessoal,

segurançaedirei­

to deviver no

próprio país.

Foraessas

acusações,

recaem sobreo ex-ditador

outras

responsabilidades,

comoterroris­

modeestadoe

perseguição

político-ide­

ológica.

O Brasil também

pode pedir

extradição

do

general.

Foi

divulgada

uma

lista decincobrasileirosmortosdurante

aditadura chilena: Túlio Roberto Cardo­

so, LuisCarlos Almeida Nelson Souza,

Vânia

José

Matos,mortonoEstádioNaci­

onal, eJani

Vanini,

jornalista,

mortana

cidade de

Con-cepción.

Todos eles fo­

rampresosou

seqüestrados

antesdese­ remassassinados,

logo

nos

primeiros

e

maisviolentosmesesda ditadura militar.

Vítimas- Orelatório dosdireitos

humanosenumera uma

grande

lista de

vítimasdoseugoverno, além dosgrupos

queeram

perseguidos.

Listamno

relató-rio,líderes,colaboradorese

simpatizan­

tesdo governo da Unidade

Popular;

pes­ soas com

qualquer grande

envolvimento com

partidos

de

esquerda;

ativistasdos

DireitosHumanos;

simpatizantes

emili­

tantesdomovimentoafavordareforma

agrária,

etc.

Ogoverno Pinochet tambémta­

chou como

alvos,

representantes da

cultura, intelectuais,

professores

e es­

tudantes contráriosao

regime

despó­

tico

implantado.

Nem o

compositor

Victor[ara escapou da violência. Os

torturadores

quebraram

seusdedose

depois obrigaram

jaraatocarviolão.

Foilevado paraoEstádio Nacional do Chile - transformado em

campo de

concentração

-e mortodias

depois.

Além de

pôr

todosos

partidos

eorga­

nizações

de

esquerda

naclandestini­

dade,

ogovernodePinochetseespe­

cializouemmataresumircom ossub­

versívos. Os

partidos

SocialistaeCo­ munista

perderam

aotodo 758mem­

bros,

ou

seja,

16%dototal. Nos

pri­

meirosquatromeses

depois

do

golpe,

maispessoas foram assassinadas

??

que em

qualquer

outroano do regi­ me.Duranteessesmeses,assessões

detorturaeramdescontroladase cau­

savammaismortesdoqueo

próprio

governo

queria.

Os métodos de repres­

são setornaram

gradualmente

mais

sofisticados,

principalmente

a

partir

da

criação

do

serviço

de

inteligência

da DINAem 1974.

As

primeiras

vítimas donovo

regi­

meforam escolhidasantesda

"operação­

golpe"

estarterminada.Eramemtornode 50ministroseconselheiros do governo,

membros dasegurança

pessoal

de Allen­

de,

oficiaise

investigadores

da

polícia

chi­

lena,

que foram detidosnoPalácio deLa

Moneda

após

obombardeio do diaIIde Setembro. O

primeiro

volume do livro Memórias

Proibidas,

lançado

em 1989,

·

•••.

"

••••

t·imQ···bci

••

etim

.••

•·•···

Omesmo

país

que

prendeu

Augusto

Pinochet estáprestesalivrá­

lo das

grades.

De acordocom os

jornais

britânicos The Observer e o

Sunday

Times,oministrodoInteriorda

Inglaterra,Jack

Straw,estariaa

ponto de

permitir

queoex-ditador

seja

julgado

noChile.

Segundo

o ministro,serão estudadas"todas aspropostasque forem feitas". Três

dias antes,aCâmara dos Lordes

decidiu,

por trêsvotosadois,que

Augusto

Pinochet nãotem

impunidade

em

relação

aocrimescometidos durante

seugoverno.Strawtematéodia11de dezembro para decidirseextradita

ounãoo

general.

Oacordo

poderia

evitaratritos comerciaise

diplomáticos

entre

Chilee

Inglaterra.

Esseéo

principal

argumentodo chanceler chileno

José

Miguel

Insulza, que está

negociando

na

Inglaterra.

"Temos sido

amigos

ealiados durante 175anos enãogarantoquecontinuedessa

maneirase o

procedimento

judicial

contraPinochet durarmuito

tempo".

Insulzagaranteque Pinochet será

julgado

no

Chile,

ondehá 14 processos

contraele. "Devemos

permitir

aopovo chileno

julgar

e decidircomo

encarar seu

passado. Qualquer

outra

possibilidade

ofendea

dignidade

nacional",

declarouo chanceler à rádiobritânica BBC.Insulza

viajará

depois

à

Espanha

para "aceleraras

posições

deambos os

governos"

Enquanto

oprocessonãose

define,

oPartidoDemocrataCristão

(PDC)

doChile,

principal

integrante

da coalizãoque

elegeu

oatual

presí­

dente EduardoFrei,

exige

queos

partidos

de

esquerda esclareçam

sua

posição

nocasoPinochet."Eles não

apoiam

as

gestões

do governoem

favor de Pinochetnem

impõem

condições

paraoregresso do

general",

desabafouo

presidente

doPDC,

Enrique

Krauss.

Nasexta-feira 27 de

novembro,

oSenado chilenonão

conseguiu

enviar

à

Europa

umacomissão

legislativa

para

pressionar

ogoverno britânicoa

liberar Pinochet porque,

segundo

Krauss,ossocialistas chilenos

exigiram

mudanças

radicaisnosistema

judiciário

do

país

para

punir

o

ex-general.

Enquanto

isso,dez

deputados

da ala

progressista

doPDCseuniramà

alguns

esquerdistas

que

pediam

oregresso de Pinochet paraser

julgado

noChile.Em

Londres,

LúciaHiriart,amulherdo

senadorvitalício,

disseao

jornal

TheMirror

que Pinochet

prefere

morreraserlevadoa

julgamento.

"Ele estáem

péssimas

condições,

debilitado

evigiado

otempotodo".

citaurntrecho deumasupostaconversa

entre

Augusto

Pinochete ochefe da Defe­

sa

Nacional,

Patricio

Carvajal,

sobreoque

fazercomos

primeiros prisioneiros

dore­

gime

militar.

Nela, Carvajal propõe

ape­

nas

aprisionamento

e

extradição,

masPi­

nochetvai mais

longe:

"Minha

opinião

é queessessenhores

sejam

pegoselevados

a

algumlugar

deaviãoe,atémesmo

sejam

jogados

do aviãoduranteocaminho".E aindatemgentc

querendo

libertar Pino­

chet por

questões

humanitárias.

Textos:

Fabrício

Rodrigues

Embaixador

espanhol

foi

executado

durante

a

ditadura

O que segue é umabreve des­

crição

de

alguns

casosquecaracteriza­

ram os

tipos

de terrorismo de estado

praticados

duranteos 17anosdo

regi­

memilitar:

'if Bombardeio do

palácio

pre­ sidencialLaMonedaem 11/09/73;

'if

Execução

de 19 pessoas das

províncias

de

Laja

eSanRosendo

pelos

Carabineros,

nodia 18/09 na estrada deacessoà Los

Angeles.

Seuscorpos fo­

ram

escondídos;

'if

Execução

dequatroestudan­

tes universitários cm

Cauquenes

por

militaresem03/10/73;

'ifMortedo estudante de

jorna­

lismo Eduardo[araem23 de

julho

de

1980,

depois

de tortura

prolongada,

feita

pela

Covema,uma

organização

pa­

ramilitar que

apoiava

Pinochet e que

seqüestrou

umgrupo de

suspeitos

pela

mortedocoronel

Roger Vergara,

umdos

chefes de

inteligência

doExército;

'ifAssassinato do

diplomata

es­

panhol

Carmelo Soría em

julho

de

1976. Seu corpo foi encontrado com marcas de tortura e

estrangulamento

num canal. Suamorteenvolveuagen­

tesdo [)INA.

'if

Execução

de 72 presos

polí­

ticosentre 15e19 de outubro de 1973 no interior do

país

comandada

pela

chamada"Caravana da

Morte",

grupo militar liderada

pelo

General

Sergio

ArellanoStark.

'if

Execução

de

aproximada­

mente22pessoas nacidade de Valdi­

via,sul do

Chile,

emoutubro de 73 por

membros do Exército.

'if Homicídio do chancelerOr­

lando

Letelier,

ministroda UnidadePo­

pular,

a21/10/76em

Washington,

de­ vido a uma bornba colocadaem seu carro.Na

explosão,

morreutambémsua

secretáriaRonnie

Moffit;

'if MartedeLoretoCastillo em

16de maiode1984.Avítimafoiamar­

radaaumatorrede eletricidade e ex­

plodida

com

dinamite;

'if

Execução

deseis

prisioneiros

p0-líticos nacidadede

Pisagua

em30/09/73.

Os assassinos

alegaram

queos

prisioneiros

estavam

fugindo

eporisso aííraram.

Principais

violações

aos

direitos

humanos

no

Chile

Violação

do direito à vida:

• Morte. A

partir

de

execuções,

depois

de

desaparecimentos,

por tortura,

em

alegados

confrontosarmados,homicídios

premeditados,

abuso do

poder,

entre outros.

Desaparecimentos

Violação

aodireito de

integridade

física:

•Tortura. Diversosmétodos detortura:físicoe

psicológico,

eletrocussão,

violência

sexual,

uso

forçado

de

drogas,

queimaduras,

imersãoem

líquidos.

•Tratamento

cruel,

desumanoe

degradante.

•Tentativasfrustradas de homicídio.

Ferimentos.

Violação

do direito de liberdade

pessoal:

Detenções

arbitrárias,Prisões

seletivas, individuals,

detenção

durante

manííestações,

protestos.

Seqüestros.

Prisioneiros

políticos.

•Exílio

emlugares

distanteseisolados.

Violação

do direito de segurança

pessoal:

Ameaças

emoléstias. .lncursões.

Violação

do direitodeviverno

próprio

país:

•Exílios. •

Refugiados.

9B -DEZEMBRO ZERO 5

Chomsky

quer

Pinochetno

Tribunal Penal

Creio que

Augusto

Pinochet éum

criminoso absoluto. Não seipor

quê

escandalizatantosua

prisão:

Estados Unidos conhecebema modalidadede

fazer passar porseustribunaisaos

estrangeiros,

ditadoresounão, que

tenham cometido

alguma

espécie

de crimecontraseuscidadãos.Queesta

maneira de

aplicar justiça

seestá

convertendo

hoje

emumatendência

mundial,demonstra-oarecente

criação

doTribunalPenallnternacional

daONU. Eeu aaprovo. Como também

celebroainiciativa do

juiz

espanhol

que deteveoditadorsulamericano:

queo

poder

do exército chileno

seja

ainda

hoje

intocávelnãonos

obriga

a

esquecerasmortesordenadaspor

Augusto Pinochet. A estesenhoro

consideroumcriminosoetambém um

mentiroso.

É

umafraude

apresentar-se

como o

responsável

deumaeconomia maravilhosa. Chile

perdeu

muito por

culpa

desuabrutalidade.

Masnãomeanimariaaanunciara

estesfatoscomo umatendência à

"globalização"

da

Justiça.

Assimcomo nos anos 80 foium

equívoco

celebrar

ademocracia

quando,

narealidade,se a

enfraquecia,

agora seria

equivocado

dizer queos anos90 tenham expan­

didoa

justiça global. Apenas

surgem

movimentos "mais

justos",

que devemos

apoiar.

Oscasos como o

recentebombardeio

pelos

Estados UnidosaoSudão,umcrime de guerra

que atualmente

ninguém

está

julgando,

não

desaparecem.

Creio além disso que, por

razõesde

poder,

a

Justiça

permanece semse

aplicar justamente.

Outravezé

oPrimeiro Mundooque decide por

um

país

doTerceiro,econtinuará

sendoassim:o

poder

e a

justiça

são coisasmuito diferentes.Nesteocaso,

continuarei

preferindo alguma

espécie

de

justiça,

doquenenhuma.

Noam

Chomsky

Lingüista

eacadêmico de

esquerda

estadunidense

(6)

TERRORISMO

DE

ESTADO

César Mendoza

Durán,

renuncias-Com

a

Dina,

Pinochet

perseguiu

inimigos

por

, - r

vanoe

pa.ses

Iier em

Washington

D.C.,

Estados Unidos. Pouco menos de um mês

depois

damortedo

chanceler,

foia vez do

vice-presidente

do governo

Allende,

Bernardo

Leighton,

e sua

esposa Ana

Fresno,

sofrerem um

atentado em Roma.

Paralelamenteaoextermínio

deseus

inimigos

fora do

Chile,

ogo­ verno militar

prosseguia

com a re­

pressão

interna. A chamada "Cara­

vanada Morte" foioinício deuma

série de atrocidades cometidas no

país.

Umgrupode

oficiais,

coman­

dados

pelo general

Sergio

Arellano

Stark,

percorreu

quatro

cidades do

nortedo

país,

de16a

19

de outubro de 1973. Oresultado foram 72 fuzi­ lados.A maioriacom oscorposen­

terrados sem o conhecimento dos

familiares.

Agosto

de1980 ficou

marcado

porumasucessão de

seqüestros

de

estudantes e

jornalistas.

Um dos

casos maisconhecidos foi amorte

de umestudante de

jornalismo

da

Universidade Católica de

Santiago.

Militante de

esquerda,

Eduardo

jara

morreu

enquanto

era torturado.

Dias

depois,

o governoadmitiaque

a

operação

havia sido

ilegal.

Cerca de dez anos mais tar­

de,

oassassinato dosindicalistaTu­

capel Jiménez

Alafaro iniciou uma

série de mortes por

degolamento.

Jiménez

foi encontrado

degolado

em umtáxiemfevereiro de82.

Depois

dele,

três militantescomunistasfo­

ram

seqüestrados

etiveram asgar­

gantas

cortadas,

o

sociólogo José

Ma­

nuel

Parada,

o

professor

Manuel

Guerrero e o

pintor

Santiago

Natti­

no. Mas a

acusação

de que mem­

bros docorpo decarabineirosesta­

vaenvolvidonoassassinatofezcom

que o diretor

geral

da

corporação,

Regime

assassinou mais

de

três

mil

se.

Em

julho

de

86,

o casodofo­

tógrafo

Rodrigo

Rojas

Denegri

pro­

vocou

indignação

nacional. Detido com a

jovem

Carmen Gloria

Quin­

tanapor uma

patrulha

militar du­

rante

protesto,

Denegri

foi literal­

mente

queimado

vivo. A moça so­

breviveu,

mas ficou com o corpo

desfigurado.

No mesmo ano, outras pes­

soas foram vítimas dos

órgãos

de

repressão.

Quatro suspeitos

de um

atentado sem sucessocontra Pino­

chet foram assassinados. O

jorna­

lista

José

Tapia,

o eletricista

Felipe

Rivera

Gajardo,

o

professor

Fernan­

do

Vidaurrázaga

Martínez e

Abraham Muskatblie Eldestein fo­

ram

seqüestrados

emortosa tiros.

Mariana Cordeiro

Fugiram

da

'""

repressao

brasileira

para

morrer

no

Chile

Estima-se que três mil mor­

tes ocorreram durante o

regime

militar de

Augusto Pinochet,

entre

1973

e 1989. As

execuções

realiza­ das

pela Direção

de

Inteligência

Na­

cional

(Dina)

começaram

nos

primeiros

dias que se

seguiram

ao

golpe.

Pinochet

queria

acabarcom

qualquer vestígio

do governo da Unidade

Popular,

de Salvador Allen­

de,

e não

importava

de onde vi­

nhame emque

lugar

estavamseus

inimigos.

Em setembro de

1974,

um

atentado em Buenos Aires chocou

a

população.

Umabomba

explodiu

o carro em que

viajava

o coman­

dante do Exércitoeministrodo In­ terior de

Allende,

Carlos PratsGon­

zález,

e sua esposa Sofia Cuthbert.

Um atentado semelhante matou

doisanos mais

tarde,

emsetembro

de

1976,

ochanceler Orlando

Lete-o

tiranofoi implacável

até

com seus

generais, explodindo

automóveis do comandante do

exércitona

Argentina

e

do ex-chanceler

em

Washington

famílias foram indenizadas

pelo

governo brasileiroem 1995.

Vânia

José

Matos, natural de

Piratuba,

foi torturadoemortonoEs­

tádio Nacionalem

Santiago

cincodias

após

amortedeSalvador Allende.Ex­

capitão

da

polícia

militar,

Matosfazia

parteda

organização

clandestinaVan­

guarda

Popular

Revolucionária

(VPR),

de CarlosLamarca.Presosoba acusa­

ção

de matar um tenente da PM

paulista,

foi paraoChileem 1971 in­

tegrando

alista dos70 presos

políti­

coslibertadosem trocado embaixa­ dor

suíço

noBrasil,Giovanni Enrico

Bucher,

seqüetrado

noRiodeJaneiro

em dezembro de 1970. A morte do

catarinense só foi confirmada em 1992,noRelatório

Retig,

daComissão

deDireitos HumanosdoChile,dando

peritonite

aguda

como causa.

A

professora

de HistóriaeGeo­

grafia

e

presidente

do ComitêCatarinense

Pró-Memória dosMortose

Desapareci­

dos,

DcrleídeLuca,sobreviveuaoscri­

mesda ditadurade Pinochet. Ela deixou

Içara

em

junho

de 1973naclandestini­ dadeeprocurou

abrigo,

junto

comou­

tros 49

refugiados

do

Brasil,

Chilee

Argentina,

naembaixada

panamenha

em

Santiago

do Chile.Ogrupo dere­

fugiados

foi mandado paraoPanamá edelápara Cuba.

Apesar

deterpre­

senciadoo

golpe

de

Pinochet,

apro­

fessora é contra a

ação

movida

pela

Espanha

para condenaro

general

chi­ lena por

genocídio.

"O crime de

genocídio

éoextermínio deumaraçae noChile houveoextermínio deumapor­

ção

política

de

opositores

ideológicos.

Quem

temqueser

julgado

porestecri­

mesãoos

próprios espanhóis, pela

mor­

tedos índiosnaAméricae

pelo

extermí­

niodos bascos".

o

advogado

edono de editora

FranciscoPereiradefendea

punição

de

Cinco catarinenses

foram

vítimas

de Pinochet

Pinochct."Os crimescontraahumani­ dade não têm

jurisdição.

São

genocídios

sime

podem

ser

julgados

em

qualquer

país",

afirmouPereira.

Depois

de ficarsete mesespreso no

quartel

da PM em

Florianópolis

por

oposição

ao

golpe

militarno

Brasil,

o

advogado

auto exilou-senoChile de

1964

a

1968.

Acusado de envolvimento com o PC do B

chileno,

Francisco

trasnferiu-se paraa

França

na

época

do

golpe

dePinochet.

Outro catarinensevítimadare­

pressão

foio

deputado

federal doMDB Francisco Pinto. Em

1974,

o

deputado

fez umdiscursonaCâmara

indignado

com avindade Pinochet paraaposse do

general

ErnestoGeisele ogovernooen­

quadrou

nalei de

Segurança

Nacional

por violaro

Código

Penal.Pintofoi cas­

sadoeficouseismesespreso.

Debora

Tozzo

6 ZERO DEZEMBRO - 98

Cinco catarinenses queestavam

no Chile

fugindo

da

repressão

militar

brasileiraestãoentreasvítimas do

golpe

dePinochct,Dois não

conseguiram

fugir

eforam torturadosemortos.NoBrasil

um

deputado

federal,

entreostrêsso­

breviventes,foi preso porcontestaradi­ tadurachilena.

João

Batista Rita, nascido em

Criciúma, foi morto

pela

operação

Condor,que

padronizou

métodos detor­

turae instituiu atrocade

prisioneiros

entre

Brasil, Chile, Argentina

e

Uruguai,

segundo

revelaoComitêCatarinensePró­ Memória dosMortose

Desaparecidos.

Na

época

do

golpe,

RitaestavanoChile e

pediu

asilo à embaixada

argentina,

mas cmvezdesermandadoaBuenos Aires

foi paraaProvíncia doParaná,ondese

dava fimaos

fugitivos.

De

lá,

foi

seqüetrado

pormilitaresbrasileiroseapareceumorto noRiode

Janeiro.

Seunome

integra

a

lista de

desaparecidos

brasileiros

cujas

Referências

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