-_-IN..JUSTIÇA
E
IMPUNIDADE
2 ZERO DEZEMBRO -98ZERO
ANO
xv
-N°
2
DEZEMBRO
98
CURSO DE
JORNALISMO
CCE
-COM
UFSC
...
.._ . .,.
Melhor
Peça
Gráfica
I, II, III, Iv,
V
eXI
Set
Uniuersitário
88,89,90,91,92
e98
Jornal-laboratóriodo Curso deJornalismoda Universidade Federal de SantaCatarina
editado pelo
Laboratório de Infografía
Arte: Homeu Marlins
Colaboração: PauloCaruso,LuizMazzon,
NoamChomsk)', KikioImajo,Profcssores
LauroMaeda,Nilson l.agc
Direção de artee deredação:
Prof.Ricardo Barruo
Edição:Adriana deSouza, AlanéaCoutinho,
AlexandreIlrandão,AlexandreMendonça,
AnacrisOliveira,Anal.ctlcíndaRosa,André
Luckman,
I\ngela
Delpizzo,HrcnoMorozowski,IlrunoDorigalli,CamilleKeis, CarolinadeAssis,
CassianoRolim,ClarissaMoraes, DéboraTozzo,
DubcsSônegojr.,EduardoKormívcs,Fabrício
Rodrigues,FernandaFarias, FilipeBezerra,
FredericoCarvalho,(;abrielaCupani,Gcunninc
Martins,(;iuliano Ventura, (;isielaKlein,Gustavo
Lemos,GustavoSchwabe, lIugodeOliveira,
janaína Ilerli,joséLacerda,Lanssajunkes,
Laura Meurer,LeonardoCollares, Leria Spada,
LúciadeBarros,LucianoFromholz,Marcela
Albuquerque,MarianaCordeiro,MathcuxIloing,
Maurício Giraldi.Nal,iliaViana,Pedrovalcnre,
RenataDomingues, RhodrigoDcda,Rogério
Kiéfcr,RomeuMarlins,SabrinaMoraes,Sabrina
Petermann,Salvador (iumes,SaraFaraci,Sara
Stopazzolh,SílvioSmaninttn,SôniaCampos,
ValdccirBecker
Editoraçãoeletrônica: Camille Keis,Carolma
deAssis,FábioFaya,JoséLacerda.Natália
Viana,Pedrovalcntc(Sullio/'s);Adriana de
Souza,AlanéaCcuunho,AlexandreMendonça,
AlexandreIlrand,LO,,\nacrisOliveira,AnaLetícia
da Kosa,AndréLuckman.IlrenoMorozowski,
BrunoDurigaui.Camila(;allo,CanulaOlivo,
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Kormivc», FabrícioRodrigues,FernandaGuidi,
FilipeBezerra,Frederico Canalho.Gabriela
Cupani,C;cal1lliilC Martllls, Giuliano Ventura,
(;isidaKlem,(;uslaro t.uuos, Gustavo
Schwabe, lIugodeOlivcira.jadrMartmx.janaiua
Berti,Larissajunkcs,Laura Antunc», Leonardo
Collarcs.l.eyla Spada.l.úciaBurrus,l.ucianc
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Cordeiro,Muuririu(;,rald" ({enalaN)mberg,
RhodrigoDcda.Sabrinal'ctcnnann,Sabrina
Moraes,SalvadorGomes,SaraFaraCi,Sara
Siopazzolli,Sillio Smauiouo.SôniaCampos,
ValdecirBecker,\Iagner�l,ua
Fotografia:Alessandro v.uun. CleideKlock,
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Serviçoseditoriais:AgênCiaESlado,
AmericanPhOIO,Associaled Press,Clarín,
FinancialTimes(UK), lstc-é,lsto-éDinheiro,
jornaldoIlrasil,ObservatóriodaImprensa, KellSlaNolícias(AK),S.U'
Textos:AlexandreHrandâo.AnaLcticrada
Rosa,AndréaFischer,CanulaGallo,Canula
Olivo,CarlaRoncauo,CidGuesser, ClcidcKlock,
DéboraTozzo,FabricioRodrigues, Fernanda
Souza,FilipeHczerru,GabrielaCupani,Giuliano
vcmur«.lIugodeOhvcira.jad«Maruns.
LeonardoCollates,t.cyl« Spada,Lúcia !larros,
MarcelaAlbuquerque,MarianaCordeiro,Natália
Viana,l'atrickCruz,({allllfOPisscu,Rogúio
Kiefer,RomeuMarlins,RubiaMuttini,Salvador
Gomes,TalianaWillman,ValdccirHecker Tratamento deImagens: F,íbio Faya,José
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Circulação: grallliiaedirigida
.•..
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/
E
tempo
de
punir
crimes
de
Estado
Perdoe
leitor,
nossaedição
natalina estásalgada
masreal. Assimcomotemosumcompromisso
com averdade,
também o temos comadefesa do espaço
público,
da cidadania,
daliberdade de informareinformarsee,
certamente,
tambémcom osdireitos humanos e a
justiça.
Assim,
nos preocupam(e
causamindignação)
tanto osassassinatos,
emníveisalarmantes,
dejornalistas
no continente
quanto
os crimesimpunes
de tiranos como
Augusto Ugarte
Pinochet contraseuscidadãos
-edeoutros
países.
Como nãopassa
despercebida
aatuação
aética demembros do
primeiro
escalão do governo federal.O
próprio
presidente,
antes de atacar a imprensa que
jamais
foitão adesista(ou
seriaaderente?), poderia
preocupar-se emimpor
a
justiça
para os assassinos dos oitojorna
listas brasileiros mortos nos recentes três
anos.Comosenãofosse poucoodescaso para com milhões de cidadãos.
Crimes de
Estado,
écerto,
são tão ancestrais
quanto
ahumanidade.Adiferença
é quecom avelocidade quetrafegam
asinformações
naatualidade,
começa a ficar maisdifícil ocultarem-seos
transgressores
e seuscrimes.
Pinochet, ironicamente,
teveprisão
solicitada por provas incluídas entre cinco
toneladas de documentos abandonados
pelo
regime paraguaio
eresgatadas
por entidadesdedefesade direitoshumanos. Secom
parado
comas60 milhões de vítimas soviéti casdeStalin,
asmais de seis milhões deHitler,
oex-general
e senador vitalício chileno éfilhote. Mas afria aritmética não seaplica
nestecaso.Ostrês milmortos
chilenos,
conforme dados
oficiais,
foram
torturados,
em suamaioria,
antes de morrer.E istomerecepunição,
mesmo paraumfragilizado
senhor de 83 anos. Se os nazistascumpriram
suaspenas mesmo em
avançada
idade,
por queseria diferente com nosso
general
latinoa mericano? Cortes internacionaisjá
existem,
resta saberse os tiranos detodas latitudes serão
julgados
indistintamente.Assim como estamos solidários com
vítimas
chilenas, bósnias,
timorenses,
nãopodemos
nos omitir diante do brutal assassínio do
fotógrafo
argentino
Jose
LuizCabezas ou de seu
colega
brasileiro Miguel
PereiradeMelo,
primeiro
a testemunhar a chacina de Eldorado dos
Carajás.
Todos seres humanos com seusdireitos)
pior
quedesrespeitados,
nãoprotegidos.
Eaqui
onde falha o Estado. Torcemos paraque
mudanças
nãoprecisem
aguardar
avirada do século.
Só
em
oito
anos,
205
jornalistas
foram
mortos
naAL
Reunida em Puntadel
Este,
Uruguai,
en-comunicação
a pagarindenizações
por danostre os dias 14 e 18 de
novembro,
a Sociedade morals. Um relatório sobreasituação
doBrasilInteramericana de
Imprensa (SIP)
denunciou mostrou quejuizes
têm determinado altasinde-um "alarmante aumento" deassassinatesehos-
nizações.
Alémdisso,
tramita noCongresso
umtilidadesa
jornalistas,
e aimpunidade
de que go-projeto
de leipropondo
que nãohaja
limites azam seusautores namaioriadoscasos. esse
tipo
deindenização,
oque colocaemriscoaSe�undo
osnúmerosapresentados
na54a
sobrevivênciadasempresas decomunicação.
Emassembleia
geral
daSIp,
26jornalistas
forammor-resolução
dirigida
à Comissão de Liberdade detos naAmérica Latina no último ano, elevando
Imprensa,
aSIPsugeriu
quesejam
feitos estudos para 205onúmero deprofissionais
assassinados decaráterjurídico
para identificarospaíses
que naúltima década.NoBrasil,
desde1995
oitojor-
permitem
indenizações
que limitam aação
de nalistas foramassassinados,
sendo quequatro
repórteres
ejornais.
deles entreoutubro de 97 e outubro deste ano tradiziam aliberdade de
expressão.
Comoexern- O subdiretor do semanárioespanhol
El(veja
textonapágina
oito).
Nenhumcasofoijul-
pio,
odocumentocitouo casodeumjornalista
doMundo.john
Muller,
pediu
ase�s
colegas
da,Amé-gado,
ficandoos_
assassmosImpunes. Piauíque foiagredido
pelo
assistentedovice-go-
ncaque retornem�
sua11),lssao
-dar,
notl�las
-AComissao de Liberdade de
Imprensa
do vernador-um
policial
militarque tambémame- para recuperar opublico.
Voltemos as raizes eBrasil enviou um documento à SIP afirmando açou demorteum comentarista de rádio.Asde- deixemosdeladooscantosde sereiasdos consul-que "a liberdade de
imprensa
brasileiraencon- núncias foramreforçadas
pelo presidente
da As- tores demarketing".
Paraele,
éimprescindível
trá-se afetada
pelas pressões
eatos deviolênciasocíação
Nacionaldcjornais,
PaulodeAraújo,
que queosjornais
sedediquem
ainvestigar
esaiam àcontra
jornalistas
eabsolutaimpunidade
dos,�ri-
lembrouaapreensão
dejornais
como"outroaten- frente dasrádios�
Tvs,
para nãoapenasrepetir,
a mescometidos contrahomens da Imprensa.O tadocontraaspessoasdacomunicação".
cadadia,
oque Ja fOIamplamente
difundido narelatório continha várias
páginas
detalhando Aassembléia daSIPtambém incluiuentre noite anterior. "As pessoas têm asensação
queagressões
contrajornalistas, investigações
deho- as ameaças ao livre exercício dojornalismo
as lhesestamosescamoteandoarealidade.Ornun-micídio
paralisadas
esentenças
judiciais
quecon-legislações
quepermitem
condenaros meiosde do estáaíepodemos
contá-lo."VERGONHA
rimeiro foi o
Proer,
quedeu
R$
12milhõesparaoBanco
Nacional,
um dosfinanciadores da campa
nha
presidencial
de FHCem
1994
Maistarde,
durantea luta
pela
aprovação
dareeleição,
foi descoberta uma lista dedeputados
que deviamaoBancodoBrasil e estariam sendo acuados a
votarafavor da emenda, Em
segui
da,
ojornalista
daFolha deS,Paulo,
Fernando
Rodrigues,
gravou a confissão dos
deputados
federaisRonivon
Santiago (PFL-AC)
eJoão
Maia(PFL-AC),
dizendo que haviam recebido
R$
200mil deSérgio
Motta paraajudar
a aprovar areeleição.
Osdois renunciarama seus cargos eas
investigações
foram devidamente
esquecidas,
Agora,
mais um escândalo comdoisnovospersonagens:omi nistrodasComunicações,
Luiz Carlos
Mendonça
deBarros,
eopresi
dente doBancoNacional deDesen
volvimentoEconômicoeSocial
(BN
DES),
André Lara Resende, Tudo começouquando
otelefone da salade Resende foi
grampeado,
não sesabeporquem, econversassobrea
privatização
daTelebrásforamgravadas, Até
aí,
o crime seria apenasdo autor dogrampo,
Entretanto,
oteor das conversas entre Mendon,
ça de
Barros, Resende,
odiretop�
áreainternacional do
BancadQ BtâP
sil,
RicardoSérgio
deOliveil'a;épér;,
sioArida,
do bancoOpporttmit}\
pi�i,
ticipantc
deumconsórcioqM{'l�!Ç9ij
com aTeleCentroSul,
lTIostI�qij�,
pode
haveralgo
de muitaPPi!t�q�
(reino deFHC, ""
\"
Nasfitas
divulgadas
p�l� Xl'ld
vista
Veja,
nota-se queAhdfê 1&&1
rResendee
Mendonça
deBarros,
exsócios de Pérsio Arida no banco
Matrix;
trabalharam paraajudar
oconsórcio formado
pelo
bancoOpportunity
epela
Telecom Italia.Em uma das
gravações,
osdois fa zem umacertoparaenganaro outro concorrente, o consórcio Tele
mar,mentindosobreopreçoofere
cido
pelo
Opportunity,
Outraligação
gravada
mostra opresidente
doBNDESfalandocom PérsioAridae
prometendo
que, em casode vitó riadoTelemar,
pediria
aintervenção
dopróprio
presidente.
Outra
gravação: Mendonça
de Barros-que teveseus
quinze
mi nutosde famaemoutubroquando
se
hospedou
em umhotel em Ma dri e teve asdespesas
pagaspela
Telefônicada
Espanha
-,pede
aRi-{EHC,
Sérgio
Motta(morto
emabril)
"'" , . "" '
ejosé
Serra, Aempresa,registrada
..,..,.'
com onome de
CH,
J&T,
teriaumsitldo
bancáriodeUS$
368
milhões.Os
papéis
continuam secretos,
já
que foram mostradas apenas
algumas páginas
xerocadas,
mas aimprensa
já
deuseuveredicto: são falsos. Não hánecessidade de
investigação,
que afinalpoderia
manchar a imaculadafigura
deFHC,
e o casonão deveserlevadoasério, Odiretor
geral
da PolíciaFederal,
VicenteChelotti,
chegou
aterseusminutos de
notoriedade,
quando disseque iria
interrogar
todosospossíveis
envolvidosna históriadodossiê,
edesastradamente falouemtornaro
depoimento
de FHC, Obviamente foi afastado das
investiga
ções,
agoraacargo dodelegado
daPF,
Paulo deTarso Teixeira.Arida,
Resende
eMendonça
ultrapassaram
olimite da
inesponsabüidade
Rogério
Kiefer
TERRORISMO
DE
E.STADO
suntos deoutros
países.
Outrotrechoserefere à
recepção
inglesa
aopresidente
CarlosMenem,da
Argentina, nação
que provocouaguerra dasMalvinas,contraosbritânicos.
"Eu tenhomais motivosdo que muitaspessoasparalembrarqueo
Chile,
lideradonaépoca
pelo general
Pinochet,joi
urnbomamigo
destepaís
duranteaguerra das Malvinas. Devido
à
ele,
aguerrafoi
encurtadaemuitasvidas britânicas
foram
salvas.Haviaminúmeras
acusações
de abusos de direitos humanosnoChileeatosde violênciaemambososladosda
divisão
política.
Dequalquer
forma,
apopulação
chilena, aolongo
degover nosdemocráticos eleitossucessivamente, determinoucomoeles deveriamre
solveros acontecimentosdo
passado.
Umaparteessencial deste processo foi
oestabelecimento dostatusdo
general
Pinochet e não dá direito àEspanha,
Inglaterra
oude nenhumoutropaís
interferirnoque éassuntointernodo Chi le.
O
general
Pinocbet deveserliberadoparavoltaraoseu
própriopaís.
Na
próxima
semana,aGrã-Bretanhavaireceberolíder democraticamente
eleito deum
país
queilegalmente
invadiu território
inglês,
causandoaperda demaisde 250 vidas britânicas. Seria desastrosopregar
recanciliação
comurn"enquanto mantémerncati veiroquem, duranteomesmo
conflito,
fez
mui/o parasalvar muitasvidas britânicas."Força
bruta
marcou
regime
no
Chile
A tirania de Pinochet nãoteve
limites. Nemmorais,nemhumanos
ou
geográficos.
Mataretorturarcidadãoschilenos,eaté
estrangeiros
dentrodasfronteirasdopaís já
setornaraumabárbararotina. O ditador
queria
mais.Buscouseusoponentespelo
mundo todo. FoiemWashington
quemorreuOrlandoLetelier,44 anos, ex
chanceler,ex-embaixador do Chilenos
EUAeex-ministro daDefesa. Uma
bomba
explodiu
seucarro, umChevrolet Chevelleazul, quandoiapara
otrabalhono Instituto deEstudos
Políticos,no dia 21desetembro de
1976.Na
explosão,
além doexministro,morreutambémsua
secretáriaamericana,Ronni
Karpen
Moffitt,de25anos.
AmortedeLetelierera
pressentidaeanunciada. Doisanos
antes,eledisseraa
amigos
que nãosesentiaemsegurançaparaviverno
Chile. Recém saídoda
prisão,
ondeficaraporumano,
depois
dadeposição
deAllende, procurouproteção
naVenezuela. Emseguida,
mudou-se paraosEstados Unidos. Sabiaou
previa
queiamorrer.Declaroua um
jornalista
americano queaDina,atemívelpolícia
secretachilenaiathematar. Tinha razão. Dez dias antesogoverno
chileno havia cassadosuacidadaniae asameaças demorte,
segundo
amigos,
tinham aumentado.Avisavam, anonimamente,que morreriasenão"parassede
prejudicacar
oChilenoexterior". Elenão parou
Nosúltimosmesesantes de
suamorte,Letelier tinhase
transformadonumferoz críticoeativo
divulgador
das atrocidades cometidaspela
ditaduranoChile. Comoseisso só nãobastasse paraaumentarairade Pinochete seusaliados, Leteliertomouasiatarefa de reuniroschilenos exiladosparajuntar
forças
contraosabusos da
junta
militar.Aparentemente,
foi agotad'agua
paraterseu nomeincluídonalista de pessoas,desafetas dePinochet,que acabaramvítimasde atentados.
Os EUAnãosairam
limpos
desseatentado. O
Departamento
deJustiça,
alertadopelo deputadoDonald
Fraser,sabia da presença,no
país,
deumimportante
chefe daDina,acompanhado
de quatrohomense umamulher,desdeodia 25de agostodaquele
ano Até adata doatentado,oFBI não tinha tomadonenhuma
providência
Eoex-ministro de Allende foi brutalmenteassassinado Esseera o método dohoje
octagenário
ex-ditador. Realizavaumaverdadeira
caçada,
nosentidomaisliteralda
palavra,
atodososoponentesao
regime
deSantiago
Nãoteve por
ninguém
aclemência quehoje implora
para si. Letelier foi sóumdentre muitos. O emblema nacional do Chiletraz
olema- "Pelarazão
ou
pela força".
ComPinochet,foi
pela força.
Bruta.Lúcia
Barros
viduais decada
país
exercem suajurisdi
ção
emoutrospaíses
semhaver sequerlllllsistema
jurídico
internacional".Mesmoidosoe comasaúde debili
tada,a
imagem
deAUí,'usto
Pinochetnãocausa
comoção.
Pelomenosnãonaqueles
queselembram dostemposdetiraniaque
dominaram17anosda história do Chile. Ex-aliado do
ex-presidente
socialistaSalvador
Allende,
ogeneral
Pinochetassumiuo
poder
nopaís
nanoitedeIIdesetembro de1973,
quando
tropasmilitarestomaramde assaltooPalácio deLaMone
dae as
principais
ruasdeSantiago.
Ogol-pe foi estruturado dias antes,nacidade litorânea deViiíadelMar,com apresença
de militares dos Estados Unidos.O
golpe
de estadofoi
providencial
paraosintcressesdosnorte-americanos,que detinham
cercade trêsmilempresasnoChileeque
temiamoprograma do governolocal,que
vinha sucessivamenteestatizando-as.
Aviolência dastropasde Pinochet fezcomqueoentão
presidente
Allende fossemortonopalácio
dela Moneda.Nebulosa,
aversãooficial afirmou que elehavia sesuicidadocom a armaqueseu
amigo
FidelCastrohavia thepresenteado.
A
partir
doanoquevem,odia do aniversáriodo
golpe
militarnãoserámaiscomemoradocomoferiado nacional.Umferia do
ultrajante,
queservemaispara lamentarasvítimas do queparalembraro
golpe
político-militar.
Santiago, sábado,
17de outubro de 1998
Umdia
depois
dapolícia inglesa
anunciara
detenção
deAugusto
Pinochet,oexército chileno
publicou
llillcomunicado oficial à
imprensa
dizendo que osenadorestavana
Inglaterra
em missãodiplomática
eque,portanto,nãopoderia
serpreso. Além
disso,
chamouosistemajudiciário espanhol
deincompetentee semjurisdição
parajulgar
fatosinternacionais. Ocomunicado afirma que, além deconstrangero
exército,
aprisão
de Pinochetiriamobilizara
opinião pública
afavor doexditador.
Segue
trechos docomunicado: "NodiaJ6 deoutubro,
nacidade de Londresumjuiz
daCortedeMagistra
dos ordenouaretenção
do ex-comandante-chefe
do exércitoesenadorcapitão
generalDon
Augusto
PinochetUgarte,
naclínica
patticularna
qual
seencontrabospltalizado
comoconseqüência
deuma recenteedelicada
intervenção
cirúrgica
"Estaordem
judicial
foioriginada
aPinochet deve
pagar
pela
ditadura
Exército
chileno
já
ameaça
com novogolpe
casonão saiaalibertação
partir
deumapetição
dojuiz
espanhol
BaltasarGarzón,transmitidaviaInterpol
aLondres.OEstadodoChilese
pronunciou
oficialmentenosentido de queostribu
nais
espanhóis
carecemdecompetência
ejurisdição
paraconhecerosfeitosocorridosemoutrosEstados.
O
ex-presidente
daRepública
seencontranomeadocomo"Embaixador
exiraordinârioe
plenipotendário
emmis sãoespecial
doGovernodoChile",
noReinalInido,
segundo
constaem seupassa portediplomâuco.
Como nãoescapará
dacompreensão
daopinião
pública
ascircunstâncias quecercam a
situação
denunciada,
constituemumatoinsólitoeinaceitávelparaos
integrantes
dainstituição,
todavezquenãolevarernconsideração
adignidade
do ex-comandantechefe, ex-presidente
daRepública
e senadorernexercício,como
agravante
deseencontrarnuma
situação
indefesa
efora
deseupaís.
Londres,
quinta-feira,
22deoutubro de 1998
O
jornal inglês
Sunday
Times publicaumacartade
apoio
daex-primeira
ministra
Margareth
Thatcheraogeneral
Augusto Pinochet,
naqual
afirma queaInglaterra
nãodeveseintrometeremas-Sem
a
imunidade
internacional,
ex-ditador
é
preso
na
Inglaterra
Londres,
sábado 7 de novembro de1998Após
trêssemanasdetidonaInglaterra,
oex-ditadorAugusto
Pinochetdivulga
umcomunicado àsvésperas
da decisão deumrecursoaserjulgado pela
Câmara dos Lordes.
Segundo
ocomunicado,
Pinochetsediz traído porlllllpaís
que ele
apoiou
durantea guerra dasMalvinasesempreteveboas
relações
com oChile."Jamais
acreditei quepudesse
ser
objeto
deespúrias
tentativasdejuí
zes
estrangeiros
dejulgar-me
por acusações
nuncaforamcomprovadas".
Diasantesdeescreverocomuni
cado,
aAltaCortebritânicaoconsiderouimunedas
acusações
degenocídio,
portersido chefe de Estadona
época
dos milharesdeassassinatos. O
juiz
Baltasar GarzonrecorreuàCâmara dos
Lordes,
formadapela
elitejurídica
daGrã-Bretanha,
para confirmarounãoopedido
deextradição
de Pinochet à
Espanha.
ACâmara dosLordes éformada por
juízes
emtornode60anos,brancos,
formadosemUniversidadescomoOxford eCambridge.
Noanopassado,
devidoa umadecisãopolêmica,
ojornal
TheMirror chamouos
juízes
de"cincopatetasricosevelhos distantes do mundo real".A
decisão daCâmara dos Lordes
depende
demaioriasimples
enãotemprazo definido paraser
divulgada.
Odestino do generalmaisviolento dos
regimes
militaressul-americanosestáportanto,nasmãosde velhospatetase
abonados,
quenãotêma menorpressa.Fabrício
Rodrigues
Londres,
sexta-feira,
16 de outubro de 1998.A
pedido
dellllljuiz
espanhol,
apolícia
inglesa
deu ordemdeprisão
a llllldosmais
sanguinários
ditadores latinoamericanosque
imperaram
duranteos anosde
chumbo, Augusto
PinochetUgarte,
expresídente
doChile,
que liderouogolpe
militarno
país
em1973,instaurouumadasmaisviolentas
repressões
naAmérica do Suleseauto-proclamou
senador vitalíciodo
país,
hápoucomaisdecincomeses.Portrás da
figura frágil
deumsenhorde 82anosde idade que foi àInglaterra
para seroperado
deumahérnia,
estáa
principal figura política
chilenadas últimas
décadas,
responsável
pela
mortedemaisde trêsmilpessoas,entrechilenose
estrangeiros.
Baltazar
Garzón,
ojuiz
que deuaordem de
prisão
àPinochet,
já
planejava
essamanobra há 18meses. Noinício doano
passado,
oadvogado
chileno econsultor da ONU
Hernan
Montealegre
ligou
paraGarzón,
naEspanha.
Aconversafoicurtaedireta. Ambosestu
davamurna
ação
juridicamen
te
legítima
paraprender
o exditador chileno.
Conhecido porintervir
emoutroscasosinternacionais,
Baltazar Garzóntemlllllvasto
apoio
dentro daEspanha,
como llllldos militantes daEsquerda
Unida, União
Progressista
deFiscaisede inúmerasassocia
ções
argentino-chilenas
queapoiam
suabatalha.Maisforte do queisso,éoprovável
respal
dointernacional queo
juiz
detém,
principalmente
do governoClintoneda
própria
ClA. Aoportunidade
apareceu cm outubro desteano,
quando,
apenascom ocargo de SenadorVitalício,Pinochet
viajou
àInglaterra
por razõespessoais,
oquenão thegaranüa
imunidade internacional.Para
legitimar
aordem de
prisão,
GarzónsebaseounaOpe
ração Condor,
conhecida atualmente por Mercosul doTerror,quereuniumembros dos governos militares doChile, Argentina
c
Uruguai.
Aintegração
entreosregimes
permitia
queaspolícias
secretase osserviços de
inteligência
decadapaís
fossem buscaropositores
e"subversives"nosterritórios vizinhos. Vários chilenos foram pre
sos em
países
doConeSul.A
Operação
Condor começoua1i.1Ilcionara
partir
dogolpe
militarnaArgenti
na,em
1976,
etevecomo umadasprinci
pais
executorasaDina,apolícia
secretadoChile,
que coordenavaarepressão
latinoamericana. Entredezenas decontatosfei
tos
pelo
juiz Garzón,
estãodaadvogada
chilena FabiolaLetelier,
irmãdo chance lerOrlandoLetelier,
assassinadoemWashington
por membros daDina.A
prisão
de PinochetnaInglaterra
reabriuurnadiscussão
jurídica
quenãoénova: se oscrimesdevemser
julgados
pelas leis do
país
onde foram cometidosousedevemser
julgados pelas
leis dopaís
das vítimas. Paraoadvogado
argentino
Rosendo
Fraga,
"oproblema
é queosjuízes
TERRORISMO
DE
ESTADO
Dama
de
ferro
quer
salvar
o
tirano
Argumento
da
defesa
de Thatcher
poderia
redimir
até
Adolf
Hitler
Acartamandada
pela
ex-PrimeiraMinistrabritânica
Margareth
Thatcherpedia
alibertação
do Senador vitalícioAugusto
Pinochet pormotivos"humani tários".Ocandidato daesquerda
paraaspróximas
eleições
presidencíais chilenas,
o socialista Ricardo
Lagos,
pediu
umaíntevenção
deseuamigo
FernandoHenrique
Cardosofavorável à Pinochet alegando
os mesmosmotivosdeThatcher.Questões
humanitárias?Ogovernodoexgeneral
chilenofoiomaiorviolador dos direitos humanosnaAmérica doSul durante asdécadas de
repressão.
Pediralibertação
dosanguinário Augusto
Pinochet
alegando
quesuaprisão
éumcrimehumanitário só
pode
serpiada
demaugosto.
Responsável pelo desaparecimen
tode3.197pessoas
(destes,
2.095 ofici almente declaradosmortos)
duranteos17anosdeseugoverno, Pinochet éacu
sado
pela organização
de Direitos Humanosdo Chile de
desrespeitar
diversostipos de direitoscivis,taiscomo
violação
do direitoàvida,da
integridade física,
de liberdadepessoal,
segurançaedireito deviver no
próprio país.
Foraessasacusações,
recaem sobreo ex-ditadoroutras
responsabilidades,
comoterrorismodeestadoe
perseguição
político-ide
ológica.
O Brasil tambémpode pedir
extradição
dogeneral.
Foidivulgada
umalista decincobrasileirosmortosdurante
aditadura chilena: Túlio Roberto Cardo
so, LuisCarlos Almeida Nelson Souza,
Vânia
José
Matos,mortonoEstádioNacional, eJani
Vanini,jornalista,
mortanacidade de
Con-cepción.
Todos eles forampresosou
seqüestrados
antesdese remassassinados,logo
nosprimeiros
emaisviolentosmesesda ditadura militar.
Vítimas- Orelatório dosdireitos
humanosenumera uma
grande
lista devítimasdoseugoverno, além dosgrupos
queeram
perseguidos.
Listamnorelató-rio,líderes,colaboradorese
simpatizan
tesdo governo da UnidadePopular;
pes soas comqualquer grande
envolvimento compartidos
deesquerda;
ativistasdosDireitosHumanos;
simpatizantes
emilitantesdomovimentoafavordareforma
agrária,
etc.Ogoverno Pinochet tambémta
chou como
alvos,
representantes dacultura, intelectuais,
professores
e estudantes contráriosao
regime
despó
tico
implantado.
Nem ocompositor
Victor[ara escapou da violência. Os
torturadores
quebraram
seusdedosedepois obrigaram
jaraatocarviolão.Foilevado paraoEstádio Nacional do Chile - transformado em
campo de
concentração
-e mortodias
depois.
Além de
pôr
todosospartidos
eorganizações
deesquerda
naclandestinidade,
ogovernodePinochetseespecializouemmataresumircom ossub
versívos. Os
partidos
SocialistaeCo munistaperderam
aotodo 758membros,
ouseja,
16%dototal. Nospri
meirosquatromesesdepois
dogolpe,
maispessoas foram assassinadas
??
que emqualquer
outroano do regi me.Duranteessesmeses,assessõesdetorturaeramdescontroladase cau
savammaismortesdoqueo
próprio
governo
queria.
Os métodos de repressão setornaram
gradualmente
maissofisticados,
principalmente
apartir
da
criação
doserviço
deinteligência
da DINAem 1974.
As
primeiras
vítimas donovoregi
meforam escolhidasantesda"operação
golpe"
estarterminada.Eramemtornode 50ministroseconselheiros do governo,membros dasegurança
pessoal
de Allende,
oficiaiseinvestigadores
dapolícia
chilena,
que foram detidosnoPalácio deLaMoneda
após
obombardeio do diaIIde Setembro. Oprimeiro
volume do livro MemóriasProibidas,
lançado
em 1989,·
•••.
"
••••
t·imQ···bci
••
etim
.••
•·•···
Omesmo
país
queprendeu
Augusto
Pinochet estáprestesalivrálo das
grades.
De acordocom osjornais
britânicos The Observer e oSunday
Times,oministrodoInteriordaInglaterra,Jack
Straw,estariaaponto de
permitir
queoex-ditadorseja
julgado
noChile.Segundo
o ministro,serão estudadas"todas aspropostasque forem feitas". Trêsdias antes,aCâmara dos Lordes
decidiu,
por trêsvotosadois,queAugusto
Pinochet nãotem
impunidade
emrelação
aocrimescometidos duranteseugoverno.Strawtematéodia11de dezembro para decidirseextradita
ounãoo
general.
Oacordo
poderia
evitaratritos comerciaisediplomáticos
entreChilee
Inglaterra.
Esseéoprincipal
argumentodo chanceler chilenoJosé
Miguel
Insulza, que estánegociando
naInglaterra.
"Temos sidoamigos
ealiados durante 175anos enãogarantoquecontinuedessamaneirase o
procedimento
judicial
contraPinochet durarmuitotempo".
Insulzagaranteque Pinochet será
julgado
noChile,
ondehá 14 processoscontraele. "Devemos
permitir
aopovo chilenojulgar
e decidircomoencarar seu
passado. Qualquer
outrapossibilidade
ofendeadignidade
nacional",
declarouo chanceler à rádiobritânica BBC.Insulzaviajará
depois
àEspanha
para "acelerarasposições
deambos osgovernos"
Enquanto
oprocessonãosedefine,
oPartidoDemocrataCristão(PDC)
doChile,principal
integrante
da coalizãoqueelegeu
oatualpresí
dente EduardoFrei,exige
queospartidos
deesquerda esclareçam
suaposição
nocasoPinochet."Eles nãoapoiam
asgestões
do governoemfavor de Pinochetnem
impõem
condições
paraoregresso dogeneral",
desabafouo
presidente
doPDC,Enrique
Krauss.Nasexta-feira 27 de
novembro,
oSenado chilenonãoconseguiu
enviarà
Europa
umacomissãolegislativa
parapressionar
ogoverno britânicoaliberar Pinochet porque,
segundo
Krauss,ossocialistas chilenosexigiram
mudanças
radicaisnosistemajudiciário
dopaís
parapunir
oex-general.
Enquanto
isso,dezdeputados
da alaprogressista
doPDCseuniramàalguns
esquerdistas
quepediam
oregresso de Pinochet paraserjulgado
noChile.EmLondres,
LúciaHiriart,amulherdosenadorvitalício,
disseaojornal
TheMirrorque Pinochet
prefere
morreraserlevadoajulgamento.
"Ele estáempéssimas
condições,
debilitadoevigiado
otempotodo".citaurntrecho deumasupostaconversa
entre
Augusto
Pinochete ochefe da Defesa
Nacional,
PatricioCarvajal,
sobreoquefazercomos
primeiros prisioneiros
doregime
militar.Nela, Carvajal propõe
apenas
aprisionamento
eextradição,
masPinochetvai mais
longe:
"Minhaopinião
é queessessenhoressejam
pegoselevadosa
algumlugar
deaviãoe,atémesmosejam
jogados
do aviãoduranteocaminho".E aindatemgentcquerendo
libertar Pinochet por
questões
humanitárias.Textos:
Fabrício
Rodrigues
Embaixador
espanhol
foi
executado
durante
a
ditadura
O que segue é umabreve des
crição
dealguns
casosquecaracterizaram os
tipos
de terrorismo de estadopraticados
duranteos 17anosdoregi
memilitar:'if Bombardeio do
palácio
pre sidencialLaMonedaem 11/09/73;'if
Execução
de 19 pessoas dasprovíncias
deLaja
eSanRosendopelos
Carabineros,
nodia 18/09 na estrada deacessoà LosAngeles.
Seuscorpos foram
escondídos;
'if
Execução
dequatroestudantes universitários cm
Cauquenes
pormilitaresem03/10/73;
'ifMortedo estudante de
jorna
lismo Eduardo[araem23 dejulho
de1980,
depois
de torturaprolongada,
feita
pela
Covema,umaorganização
paramilitar que
apoiava
Pinochet e queseqüestrou
umgrupo desuspeitos
pela
mortedocoronel
Roger Vergara,
umdoschefes de
inteligência
doExército;'ifAssassinato do
diplomata
espanhol
Carmelo Soría emjulho
de1976. Seu corpo foi encontrado com marcas de tortura e
estrangulamento
num canal. Suamorteenvolveuagen
tesdo [)INA.
'if
Execução
de 72 presospolí
ticosentre 15e19 de outubro de 1973 no interior do
país
comandadapela
chamada"Caravana daMorte",
grupo militar lideradapelo
GeneralSergio
ArellanoStark.'if
Execução
deaproximada
mente22pessoas nacidade de Valdi
via,sul do
Chile,
emoutubro de 73 pormembros do Exército.
'if Homicídio do chancelerOr
lando
Letelier,
ministroda UnidadePopular,
a21/10/76emWashington,
de vido a uma bornba colocadaem seu carro.Naexplosão,
morreutambémsuasecretáriaRonnie
Moffit;
'if MartedeLoretoCastillo em
16de maiode1984.Avítimafoiamar
radaaumatorrede eletricidade e ex
plodida
comdinamite;
'if
Execução
deseisprisioneiros
p0-líticos nacidadede
Pisagua
em30/09/73.Os assassinos
alegaram
queosprisioneiros
estavam
fugindo
eporisso aííraram.Principais
violações
aos
direitos
humanos
no
Chile
Violação
do direito à vida:• Morte. A
partir
deexecuções,
depois
dedesaparecimentos,
por tortura,em
alegados
confrontosarmados,homicídiospremeditados,
abuso dopoder,
entre outros.•
Desaparecimentos
Violação
aodireito deintegridade
física:•Tortura. Diversosmétodos detortura:físicoe
psicológico,
eletrocussão,violência
sexual,
usoforçado
dedrogas,
queimaduras,
imersãoemlíquidos.
•Tratamento
cruel,
desumanoedegradante.
•Tentativasfrustradas de homicídio.Ferimentos.
Violação
do direito de liberdadepessoal:
•
Detenções
arbitrárias,Prisõesseletivas, individuals,
detenção
durantemanííestações,
protestos.Seqüestros.
•Prisioneiros
políticos.
•Exílio
emlugares
distanteseisolados.Violação
do direito de segurançapessoal:
•
Ameaças
emoléstias. .lncursões.Violação
do direitodevivernopróprio
país:
•Exílios. •Refugiados.
9B -DEZEMBRO ZERO 5Chomsky
quer
Pinochetno
Tribunal Penal
Creio que
Augusto
Pinochet éumcriminoso absoluto. Não seipor
quê
escandalizatantosuaprisão:
Estados Unidos conhecebema modalidadedefazer passar porseustribunaisaos
estrangeiros,
ditadoresounão, quetenham cometido
alguma
espécie
de crimecontraseuscidadãos.Queestamaneira de
aplicar justiça
seestáconvertendo
hoje
emumatendênciamundial,demonstra-oarecente
criação
doTribunalPenallnternacionaldaONU. Eeu aaprovo. Como também
celebroainiciativa do
juiz
espanhol
que deteveoditadorsulamericano:queo
poder
do exército chilenoseja
aindahoje
intocávelnãonosobriga
aesquecerasmortesordenadaspor
Augusto Pinochet. A estesenhoro
consideroumcriminosoetambém um
mentiroso.
É
umafraudeapresentar-se
como o
responsável
deumaeconomia maravilhosa. Chileperdeu
muito porculpa
desuabrutalidade.Masnãomeanimariaaanunciara
estesfatoscomo umatendência à
"globalização"
daJustiça.
Assimcomo nos anos 80 foiumequívoco
celebrarademocracia
quando,
narealidade,se aenfraquecia,
agora seriaequivocado
dizer queos anos90 tenham expan
didoa
justiça global. Apenas
surgemmovimentos "mais
justos",
que devemosapoiar.
Oscasos como orecentebombardeio
pelos
Estados UnidosaoSudão,umcrime de guerraque atualmente
ninguém
estájulgando,
nãodesaparecem.
Creio além disso que, por
razõesde
poder,
aJustiça
permanece semseaplicar justamente.
OutravezéoPrimeiro Mundooque decide por
um
país
doTerceiro,econtinuarásendoassim:o
poder
e ajustiça
são coisasmuito diferentes.Nesteocaso,continuarei
preferindo alguma
espécie
dejustiça,
doquenenhuma.Noam
Chomsky
Lingüista
eacadêmico deesquerda
estadunidenseTERRORISMO
DE
ESTADO
César Mendoza
Durán,
renuncias-Com
a
Dina,
Pinochet
perseguiu
inimigos
por
, - rvanoe
pa.ses
Iier em
Washington
D.C.,
Estados Unidos. Pouco menos de um mêsdepois
damortedochanceler,
foia vez dovice-presidente
do governoAllende,
BernardoLeighton,
e suaesposa Ana
Fresno,
sofrerem umatentado em Roma.
Paralelamenteaoextermínio
deseus
inimigos
fora doChile,
ogo verno militarprosseguia
com a repressão
interna. A chamada "Caravanada Morte" foioinício deuma
série de atrocidades cometidas no
país.
Umgrupodeoficiais,
comandados
pelo general
Sergio
ArellanoStark,
percorreuquatro
cidades donortedo
país,
de16a19
de outubro de 1973. Oresultado foram 72 fuzi lados.A maioriacom oscorposenterrados sem o conhecimento dos
familiares.
Agosto
de1980 ficoumarcado
porumasucessão deseqüestros
deestudantes e
jornalistas.
Um doscasos maisconhecidos foi amorte
de umestudante de
jornalismo
daUniversidade Católica de
Santiago.
Militante deesquerda,
Eduardojara
morreu
enquanto
era torturado.Dias
depois,
o governoadmitiaquea
operação
havia sidoilegal.
Cerca de dez anos mais tar
de,
oassassinato dosindicalistaTucapel Jiménez
Alafaro iniciou umasérie de mortes por
degolamento.
Jiménez
foi encontradodegolado
em umtáxiemfevereiro de82.Depois
dele,
três militantescomunistasforam
seqüestrados
etiveram asgargantas
cortadas,
osociólogo José
Manuel
Parada,
oprofessor
ManuelGuerrero e o
pintor
Santiago
Nattino. Mas a
acusação
de que membros docorpo decarabineirosesta
vaenvolvidonoassassinatofezcom
que o diretor
geral
dacorporação,
Regime
assassinou mais
de
três
mil
se.
Em
julho
de86,
o casodofotógrafo
Rodrigo
Rojas
Denegri
provocou
indignação
nacional. Detido com ajovem
Carmen GloriaQuin
tanapor uma
patrulha
militar durante
protesto,
Denegri
foi literalmente
queimado
vivo. A moça sobreviveu,
mas ficou com o corpodesfigurado.
No mesmo ano, outras pes
soas foram vítimas dos
órgãos
derepressão.
Quatro suspeitos
de umatentado sem sucessocontra Pino
chet foram assassinados. O
jorna
lista
José
Tapia,
o eletricistaFelipe
Rivera
Gajardo,
oprofessor
Fernando
Vidaurrázaga
Martínez eAbraham Muskatblie Eldestein fo
ram
seqüestrados
emortosa tiros.Mariana Cordeiro
Fugiram
da
'""repressao
brasileira
para
morrer
no
Chile
Estima-se que três mil mor
tes ocorreram durante o
regime
militar de
Augusto Pinochet,
entre1973
e 1989. Asexecuções
realiza daspela Direção
deInteligência
Nacional
(Dina)
começaramjá
nosprimeiros
dias que seseguiram
aogolpe.
Pinochetqueria
acabarcomqualquer vestígio
do governo da UnidadePopular,
de Salvador Allende,
e nãoimportava
de onde vinhame emque
lugar
estavamseusinimigos.
Em setembro de
1974,
umatentado em Buenos Aires chocou
a
população.
Umabombaexplodiu
o carro em que
viajava
o comandante do Exércitoeministrodo In terior de
Allende,
Carlos PratsGonzález,
e sua esposa Sofia Cuthbert.Um atentado semelhante matou
doisanos mais
tarde,
emsetembrode
1976,
ochanceler OrlandoLete-o
tiranofoi implacável
até
com seusgenerais, explodindo
automóveis do comandante do
exércitonaArgentina
edo ex-chanceler
emWashington
famílias foram indenizadas
pelo
governo brasileiroem 1995.Vânia
José
Matos, natural dePiratuba,
foi torturadoemortonoEstádio Nacionalem
Santiago
cincodiasapós
amortedeSalvador Allende.Excapitão
dapolícia
militar,
Matosfaziaparteda
organização
clandestinaVanguarda
Popular
Revolucionária(VPR),
de CarlosLamarca.Presosoba acusação
de matar um tenente da PMpaulista,
foi paraoChileem 1971 integrando
alista dos70 presospolíti
coslibertadosem trocado embaixa dor
suíço
noBrasil,Giovanni EnricoBucher,
seqüetrado
noRiodeJaneiroem dezembro de 1970. A morte do
catarinense só foi confirmada em 1992,noRelatório
Retig,
daComissãodeDireitos HumanosdoChile,dando
peritonite
aguda
como causa.A
professora
de HistóriaeGeografia
epresidente
do ComitêCatarinensePró-Memória dosMortose
Desapareci
dos,
DcrleídeLuca,sobreviveuaoscrimesda ditadurade Pinochet. Ela deixou
Içara
emjunho
de 1973naclandestini dadeeprocurouabrigo,
junto
comoutros 49
refugiados
doBrasil,
ChileeArgentina,
naembaixadapanamenha
emSantiago
do Chile.Ogrupo derefugiados
foi mandado paraoPanamá edelápara Cuba.Apesar
deterpresenciadoo
golpe
dePinochet,
aprofessora é contra a
ação
movidapela
Espanha
para condenarogeneral
chi lena porgenocídio.
"O crime degenocídio
éoextermínio deumaraçae noChile houveoextermínio deumaporção
política
deopositores
ideológicos.
Quem
temqueserjulgado
porestecrimesãoos
próprios espanhóis, pela
mortedos índiosnaAméricae
pelo
extermíniodos bascos".
Já
oadvogado
edono de editoraFranciscoPereiradefendea
punição
deCinco catarinenses
foram
vítimas
de Pinochet
Pinochct."Os crimescontraahumani dade não têm
jurisdição.
Sãogenocídios
simepodem
serjulgados
emqualquer
país",
afirmouPereira.Depois
de ficarsete mesespreso noquartel
da PM emFlorianópolis
poroposição
aogolpe
militarnoBrasil,
oadvogado
auto exilou-senoChile de1964
a1968.
Acusado de envolvimento com o PC do Bchileno,
Franciscotrasnferiu-se paraa
França
naépoca
do
golpe
dePinochet.Outro catarinensevítimadare
pressão
foiodeputado
federal doMDB Francisco Pinto. Em1974,
odeputado
fez umdiscursonaCâmara
indignado
com avindade Pinochet paraaposse dogeneral
ErnestoGeisele ogovernooenquadrou
nalei deSegurança
Nacionalpor violaro
Código
Penal.Pintofoi cassadoeficouseismesespreso.
Debora
Tozzo
6 ZERO DEZEMBRO - 98
Cinco catarinenses queestavam
no Chile
fugindo
darepressão
militarbrasileiraestãoentreasvítimas do
golpe
dePinochct,Dois não
conseguiram
fugir
eforam torturadosemortos.NoBrasil
um
deputado
federal,
entreostrêssobreviventes,foi preso porcontestaradi tadurachilena.
João
Batista Rita, nascido emCriciúma, foi morto
pela
operação
Condor,que
padronizou
métodos detorturae instituiu atrocade
prisioneiros
entre
Brasil, Chile, Argentina
eUruguai,
segundo
revelaoComitêCatarinensePró Memória dosMortoseDesaparecidos.
Naépoca
dogolpe,
RitaestavanoChile epediu
asilo à embaixadaargentina,
mas cmvezdesermandadoaBuenos Airesfoi paraaProvíncia doParaná,ondese
dava fimaos
fugitivos.
Delá,
foiseqüetrado
pormilitaresbrasileiroseapareceumorto noRiodeJaneiro.
Seunomeintegra
alista de