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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no

Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego

Rui Jorge Baptista de Brito

Orientadores

Professora Doutora Anabela Gonçalves Correia de Paiva Professora Doutora Caroline Elisabeth Dominguez

Dissertação apresentada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia Civil

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i

Agradecimentos

A minha primeira palavra de agradecimento vai para as minhas orientadoras, Professora Doutora Anabela Gonçalves Correia de Paiva e Professora Doutora Caroline Elisabeth Dominguez, por todo o apoio prestado e sem o qual não seria possível a realização deste trabalho.

À Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, pelo enquadramento institucional, científico e logístico que me proporcionou.

À Engª Sandra Pereira, pela simpatia e constante disponibilidade para me ajudar a ultrapassar os problemas que foram surgindo, sobretudo, na elaboração dos inquéritos e na análise dos resultados.

Aos meus amigos, que sempre me apoiaram e ajudaram quando mais precisei, principalmente, na aplicação dos inquéritos.

A todos aqueles que directa ou indirectamente estiveram presentes e me acompanharam ao longo deste percurso, o meu sincero reconhecimento.

À minha esposa, aos meus pais, à minha irmã e toda a minha família, pelo apoio que me deram e por sempre terem acreditado no meu trabalho.

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ii

Num contexto de desaceleração constante e mais recentemente de crise acentuada do sector da construção civil em Portugal, particularmente no segmento habitacional, a qualidade é uma variável que condiciona cada vez mais os actos de compra dos futuros utilizadores e constitui um factor concorrencial para as construtoras/promotoras. Com base nos dados obtidos através da realização de um inquérito aos utilizadores e às promotoras (empresas construtoras/promotoras e imobiliárias) do eixo urbano emergente Vila Real - Peso da Régua - Lamego, definiram-se os aspectos mais valorizados pelos utilizadores na óptica destas duas entidades.

De um modo geral os resultados mostram que os aspectos mais privilegiados pelos utilizadores deste eixo urbano são de dois tipos: (i) os construtivos relacionados com a humidade, isolamento acústico e térmico; (ii) os relacionados com a localização da habitação, principalmente com a proximidade do local de trabalho, silêncio e tranquilidade.

A visão das entidades promotoras relativamente aos aspectos da qualidade habitacional que os utilizadores mais valorizam difere dos resultados dos utilizadores, sobretudo no que compete à tipologia preferida (preferência por T2 em vez de T4) e aos aspectos construtivos (preferência por acabamentos e o aquecimento central, em vez da ausência de humidades, isolamento acústico e térmico).

Podemos concluir que utilizadores e promotores diferem na sua visão do que os utilizadores mais valorizam quando avaliam a qualidade de uma habitação, sugerindo que alguns ajustamentos devem ser efectuados entre a oferta e a procura.

Analisando os dados sob a perspectiva individual das três cidades que constituem o eixo urbano em estudo, verificou-se que de um modo geral, na grande maioria dos aspectos inquiridos, não existem diferenças significativas em relação aos resultados obtidos para o conjunto das três cidades.

Palavras-chave: Qualidade, utilizadores, promotoras, habitações, sector da construção civil e obras públicas

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iii

Abstract

In a context of constant deceleration and recent crisis in the civil construction sector in Portugal, particularly in the house building segment, quality is a variable that regulates more and more the demand of future users and constitutes a competitive factor between constructers/promoters. Using the data base collected obtained through a questionnaire directed to users and promoters (promotional and real estate construction companies) of the emerging urban axle Vila Real - Peso da Régua - Lamego the most valued aspects by the users, in the perspective of these two “entities” were defined.

In a general mode results show that the most privileged aspects by the users of this urban axle are the following: (i) constructive aspects related to the humidity, sound and thermic isolation; (ii) aspects related to the location of the residential buildings, mainly proximity to the work place, silence and quietness.

The vision of promoter entities related to the quality aspects of the residential buildings, that users most value are different from the user’s results, especially regarding the preferred typology (the preference for T2 and not T4) and the construction aspects (preference for the finishings and the central heating, instead of for absence of humidity and sound and thermic isolation).

We can conclude that both “entities” (users and promoters) differ on the vision of what is more important when users evaluate quality of habitation, which suggests that an adjustment must be effectuated to match offer with demand.

Analysing the data base results obtain for each one of the cities, of this emerging urban axle, no significant differences were verified comparing with the global results.

Keywords: Quality, users, promoters, residential buildings, civil construction segment and public build.

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iv

Índice Geral

Agradecimentos ... i Resumo ... ii Abstract ... iii Índice Geral ... iv Índice de Tabelas ... vi

Índice de Gráficos ... vii

CAPÍTULO 1 – Introdução ... 1

1.1 – Considerações Iniciais ... 2

1.2 – Objectivos ... 3

1.3 – Metodologia ... 3

1.4 – Organização do Trabalho ... 4

CAPÍTULO 2 – Contextualização Sócio-Económico Actual do Sector da Construção Civil 5 2.1 – Definição do sector da construção civil ... 6

2.2 – Contexto económico geral / Importância do sector na economia ... 6

2.3 – Produção da construção habitacional ... 7

2.4 – Empresas de construção ... 10

2.5 – Emprego no sector da construção ... 12

2.6 – O papel do governo ... 14

CAPÍTULO 3 – A Qualidade das Habitações ... 15

3.1 – Introdução ... 16

3.2 – Definição do conceito de qualidade ... 16

3.3 – Relação entre a procura e a oferta ... 18

3.4 – A qualidade e o sector da construção civil ... 19

3.5 – Avaliação da qualidade das habitações ... 20

(7)

Índice Geral

v

3.5.2 – Avaliação em Portugal ... 21

CAPÍTULO 4 – A Qualidade do Ponto de Vista dos Utilizadores ... 25

4.1 – Introdução ... 26

4.2 – Inquéritos aos Utilizadores ... 26

4.2.1 – Apresentação dos Resultados ... 27

4.2.1.1 – Caracterização dos respondentes... 27

4.2.1.2 – Dados gerais ... 28

4.2.1.3 – Lamego ... 33

4.2.1.4 – Peso da Régua ... 38

4.2.1.5 – Vila Real ... 44

4.2.1.6 – Comparação entre as três cidades do eixo urbano ... 48

4.2.2 – Análise crítica dos resultados ... 56

CAPÍTULO 5 – A Qualidade do Ponto de Vista das Empresas Promotoras ... 58

5.1 – Introdução ... 59

5.2 – Inquéritos às promotoras ... 59

5.2.1 – Apresentação dos Resultados ... 60

CAPÍTULO 6 – Comparação Entre a Visão das Promotoras e dos Utilizadores ... 67

6.1 – Análise comparativa dos dados relativos aos utilizadores e às promotoras ... 68

CAPÍTULO 7 – Conclusões Finais e Trabalho Futuro ... 75

7.1 – Conclusões Finais ... 76

7.2 – Trabalho futuro ... 78

CAPÍTULO 8 – Referências Bibliográficas ... 79

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vi

Índice de Tabelas

Tabela 1: Evolução prevista para o PIB de 2007 até 2010 em percentagem (Fonte: European Economy, November 2008 e Interim Forecast, January 2009, Comissão Europeia) ... 7 Tabela 2: Número de inquéritos aos utilizadores realizados em cada cidade ... 26 Tabela 3: Quadro resumo dos aspectos considerados mais importantes no eixo urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego, segundo os utilizadores. ... 55 Tabela 4: Distribuição das entidades inquiridas ... 59 Tabela 5: Quadro resumo dos aspectos considerados mais importantes no eixo Vila Real – Peso da Régua – Lamego, segundo as promotoras. ... 66 Tabela 6: Quadro resumo dos aspectos considerados mais importantes no eixo urbano Vila Real - Peso da Régua - Lamego ... 74

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Índice de Gráficos

vii

Índice de Gráficos

Gráfico 1: Nº de Licenças de construção concedidas pelas Câmaras Municipais em Portugal e na

Região Norte - Construções Novas - Para habitação (1994 - 2005) (Fonte: INE) ... 8

Gráfico 2: Nº de Licenças de construção concedidas pelas Câmaras Municipais de Vila Real, Peso da Régua e Lamego - Construções Novas - Para habitação (1994 - 2005) (Fonte: INE) ... 8

Gráfico 3: Número de construções de edifícios de habitação familiar clássica, em Portugal (Fonte: INE) ... 9

Gráfico 4: Número de construções de edifícios de habitação familiar clássica, em Lamego, Peso da Régua e Vila Real (Fonte: INE) ... 9

Gráfico 5: Índice de produção na construção, Variação homóloga – médias móveis 3 meses, percentagem corrigida da sazonalidade (fonte: INE) ... 10

Gráfico 6: Número de empresas de construção civil em Portugal continental e na região Norte de 2001 até 2006 (Fonte: INE) ... 11

Gráfico 7: Nº de empresas de construção civil em Vila Real, Peso da Régua e Lamego de 2001 até 2005 (Fonte: INE) ... 11

Gráfico 8: População empregada no sector da construção civil, em Portugal continental, em milhares de pessoas (Fonte: INE) ... 13

Gráfico 9: População empregada no sector da construção civil, na zona Norte em milhares de pessoas (Fonte: INE) ... 13

Gráfico 10: Índice de emprego, e remunerações na construção, Variações homólogas (Fonte: INE) ... 14

Gráfico 11: Tipologias mais procuradas (frequência da 1ª escolha) segundo os utilizadores ... 28

Gráfico 12: Piso mais procurado (frequência da 1ª escolha) segundo os utilizadores ... 29

Gráfico 13: Aspectos relacionados com o espaço envolvente do edifício segundo os utilizadores ... 29

Gráfico 14: Aspectos relacionados com os espaços comuns do edifício segundo os utilizadores ... 30

Gráfico 15: Aspectos relacionados com a organização dos espaços interiores da habitação segundo os utilizadores ... 31

Gráfico 16: Aspectos relacionados com a dimensão dos espaços interiores da habitação segundo os utilizadores ... 31

Gráfico 17: Aspectos construtivos segundo os utilizadores ... 32

Gráfico 18: Custos associados à utilização futura da habitação segundo os utilizadores ... 32

(10)

viii

Gráfico 20: Tipologia mais procurada (frequência da 1ªescolha) em Lamego ... 34

Gráfico 21: Piso mais procurado (frequência da 1ª escolha) em Lamego ... 34

Gráfico 22: Aspectos relacionados com o espaço envolvente do edifício em Lamego ... 36

Gráfico 23: Aspectos relacionados com os espaços comuns do edifício em Lamego ... 36

Gráfico 24: Aspectos relacionados com a organização dos espaços interiores da habitação em Lamego ... 37

Gráfico 25: Aspectos relacionados com a dimensão dos espaços interiores da habitação em Lamego ... 37

Gráfico 26: Aspectos construtivos em Lamego ... 37

Gráfico 27: Custos associados à utilização futura da habitação em Lamego ... 38

Gráfico 28: Aspectos gerais que mais são valorizados pelos utilizadores em Lamego ... 38

Gráfico 29: Tipologia mais procurada (frequência da 1ªescolha) no Peso da Régua ... 39

Gráfico 30: Piso mais procurado (frequência da 1ª escolha) no Peso da Régua... 39

Gráfico 31: Aspectos relacionados com o espaço envolvente do edifício no Peso da Régua ... 41

Gráfico 32: Aspectos relacionados com os espaços comuns do edifício no Peso da Régua ... 41

Gráfico 33: Aspectos relacionados com a organização dos espaços interiores da habitação no Peso da Régua ... 42

Gráfico 34: Aspectos relacionados com a dimensão dos espaços interiores da habitação no Peso da Régua ... 42

Gráfico 35: Aspectos construtivos no Peso da Régua ... 43

Gráfico 36: Custos associados à utilização futura da habitação no Peso da Régua ... 43

Gráfico 37: Aspectos gerais que mais são valorizados pelos utilizadores no Peso da Régua ... 43

Gráfico 38: Tipologia mais procurada (frequência da 1ªescolha) em Vila Real ... 44

Gráfico 39: Piso mais procurado (frequência da 1ª escolha) em Vila Real ... 44

Gráfico 40: Aspectos relacionados com o espaço envolvente do edifício em Vila Real ... 46

Gráfico 41: Aspectos relacionados com os espaços comuns do edifício em Vila Real ... 46

Gráfico 42: Aspectos relacionados com a organização dos espaços interiores da habitação em Vila Real ... 47

Gráfico 43: Aspectos relacionados com a dimensão dos espaços interiores da habitação em Vila Real ... 47

Gráfico 44: Aspectos construtivos em Vila Real ... 47

Gráfico 45: Custos associados à utilização futura da habitação em Vila Real ... 48

(11)

Índice de Gráficos

ix Gráfico 47: Tipologia mais procurada (frequência da 1ªescolha), segundo os utilizadores das três cidades ... 49 Gráfico 48: Piso mais procurado (frequência da 1ª escolha), segundo os utilizadores das três cidades ... 49 Gráfico 49: Aspectos relacionados com o espaço envolvente do edifício, segundo os utilizadores das três cidades ... 50 Gráfico 50: Aspectos relacionados com os espaços comuns do edifício, segundo os utilizadores das três cidades ... 51 Gráfico 51: Aspectos relacionados com a organização dos espaços interiores da habitação, segundo os utilizadores das três cidades ... 51 Gráfico 52: Aspectos relacionados com a dimensão dos espaços interiores da habitação,

segundo os utilizadores das três cidades ... 52 Gráfico 53: Aspectos construtivos, segundo os utilizadores das três cidades ... 53 Gráfico 54: Custos associados à utilização futura da habitação, segundo os utilizadores das três cidades ... 53 Gráfico 55: Aspectos gerais que mais são valorizados pelos utilizadores, segundo os utilizadores das três cidades ... 54 Gráfico 56: Tipologia com maior oferta no Eixo Urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego, segundo a entidade promotora (frequência da 1ª escolha) ... 61 Gráfico 57: Tipologias mais procuradas, segundo a entidade promotora (frequência da 1ª

escolha) ... 61 Gráfico 58: Piso mais procurado, segundo a entidade promotora (frequência da 1ª escolha) ... 62 Gráfico 59: Aspectos relacionados com o espaço envolvente do edifício, segundo a entidade promotora ... 62 Gráfico 60: Aspectos relacionados com os espaços comuns do edifício, segundo a entidade promotora ... 63 Gráfico 61: Aspectos relacionados com a organização dos espaços interiores da habitação, segundo a entidade promotora ... 63 Gráfico 62: Aspectos relacionados com a dimensão dos espaços interiores da habitação,

segundo a entidade promotora ... 64 Gráfico 63: Aspectos construtivos, segundo a entidade promotora ... 64 Gráfico 64: Custos associados à utilização futura da habitação, segundo a entidade promotora 65 Gráfico 65: Aspectos gerais mais valorizados pelos utilizadores, segundo a entidade promotora ... 65

(12)

x Gráfico 66: Comparação entre as tipologias mais procuradas, segundo a entidade promotora e os

utilizadores (frequência da 1ª escolha) ... 68

Gráfico 67: Comparação entre o piso mais procurado, segundo a entidade promotora e os utilizadores (frequência da 1ª escolha) ... 69

Gráfico 68: Aspectos relacionados com o espaço envolvente do edifício ... 69

Gráfico 69: Aspectos relacionados com os espaços comuns do edifício ... 70

Gráfico 70: Aspectos relacionados com a organização dos espaços interiores da habitação ... 71

Gráfico 71: Aspectos relacionados com a dimensão dos espaços interiores da habitação ... 71

Gráfico 72: Aspectos construtivos ... 72

Gráfico 73: Custos associados à utilização futura da habitação ... 73

Gráfico 74: Aspectos gerais mais valorizados pelos utilizadores, segundo a entidade promotora ... 73

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 2

1.1 – Considerações Iniciais

O sector da construção civil é de grande importância para a economia portuguesa, tendo grande influência tanto ao nível do emprego como da geração de riqueza. Porém este sector atravessa uma grande crise que tomou maiores proporções nos últimos anos. A falta de investimento público, a falta de incentivos às empresas, a saturação do mercado imobiliário e consequente diminuição da produção, agravados pela actual crise mundial, têm asfixiado este sector, reflectindo-se numa grande diminuição do número de empresas, nos últimos anos [1] [2].

Em Trás-os-Montes e Alto Douro a evolução do sector a nível habitacional caracteriza-se por duas grandes tendências. Se nos anos 80 caracteriza-se verificou um grande decaracteriza-senvolvimento devido a uma grande necessidade de construir, de modo a satisfazer as necessidades existentes, nos últimos anos o parque habitacional atingiu o nível necessário para satisfazer a procura. No entanto as exigências a nível da qualidade tem vindo a sofrer alterações. Com efeito, os utilizadores vão adquirindo cada vez mais conhecimentos, exigem mais qualidade no que respeita aos aspectos ambientais, assim como aos aspectos relacionados com a eficiência energética e acústica, e ao aparecimento de patologias nas habitações. Por outro lado, as empresas para competir, devem diferenciar-se, apostando cada vez mais na qualidade. A diminuição da procura e o aumento das exigências de qualidade tornam assim imperativo que as construções, agora em menor quantidade, primem pela sua qualidade [3] [4].

Paralelamente, o Estado Português tem vindo a intervir no sentido de criar legislação com o objectivo de melhorar a qualidade das construções, regulamentando questões ligadas à utilização dos materiais, à eficiência energética e aos requisitos acústicos, entre outros. Observa-se também o aparecimento de métodos de avaliação da qualidade em todo o mundo. Em Portugal também foram desenvolvidos trabalhos no sentido de elaborar métodos de avaliação da qualidade. Neste contexto foi realizado o levantamento dos principais aspectos que influenciam a qualidade dos edifícios de habitação em Trás-os-Montes e Alto Douro, no âmbito do Observatório da Construção da UTAD, por Sandra Pereira [3]. Tudo isto mostra que a questão da qualidade na construção está a tornar-se cada vez mais central nas preocupações dos diversos agentes do sector [5] [6].

(15)

CAPITULO 1- Introdução

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 3

O eixo urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego surge numa tentativa de dinamização destas três cidades, através da implementação de medidas que possibilitem uma maior coesão territorial, resolução de problemas comuns, promoção do turismo, da cultura e da tradição deste eixo. Estas cidades têm em comum o facto de se situarem na envolvente do Rio Douro, onde a produção vinícola e o sector agro-alimentar são muito importantes, razões pelas quais este eixo é denominado de “Cidade do Douro”. Por outro lado, a acessibilidade entre estes três centros está actualmente muito facilitada, devido à auto-estrada (A24) que as atravessa. Assim, será possível olhar para este eixo como um núcleo mais forte do que as três cidades separadamente, sendo do maior interesse estudar as várias áreas económicas e sociais da região para ser possível promover o seu desenvolvimento e inovação [7].

1.2 – Objectivos

Esta dissertação tem como principal objectivo, analisar as percepções sobre a qualidade das construções habitacionais dos principais agentes do sector da construção civil, no eixo urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego, nomeadamente os utilizadores e as promotoras (construtoras e imobiliárias), no contexto sócio-económico actual do sector. Pretende-se assim, aferir as similaridades e as diferenças entre percepções da qualidade, pelos diferentes agentes, de modo a compreender o nível de adequação da oferta à procura.

1.3 – Metodologia

Para realizar este trabalho, utilizou-se a seguinte metodologia:

Numa primeira parte fez-se uma caracterização sucinta do estado do sector da construção civil através da recolha de informação junto de várias entidades, nomeadamente do INE (Instituto Nacional de Estatística), da FEPICOP (Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas) e da AEP (Associação Empresarial de Portugal). Foram recolhidos dados referentes à situação sócio-económica, assim como informações relativas às empresas e à sua produção, ao nível nacional, regional e do eixo urbano em estudo.

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 4 Seguidamente, fez-se um levantamento de alguns agentes ligados ao sector da construção no eixo, nomeadamente, imobiliárias e promotoras/construtoras.

Posteriormente procedeu-se à elaboração e aplicação de inquéritos aos diferentes agentes (utilizadores e promotoras), para recolher as suas percepções sobre a qualidade. Por fim foi feito o tratamento estatístico dos dados obtidos nos inquéritos, sendo posteriormente tiradas conclusões através de uma discussão de resultados.

1.4 – Organização do Trabalho

Este trabalho encontra-se organizado em oito capítulos.

No capítulo 1 apresenta-se a introdução, onde são feitas algumas considerações iniciais, são comunicados os objectivos, a metodologia e a organização do trabalho.

No capítulo 2 é analisado o sector da construção civil ao nível nacional, da região de Trás-os-Montes e Alto Douro e no Eixo Urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego. No capítulo 3 é abordada a importância da qualidade nas habitações. É feita uma análise das várias definições de qualidade, nas suas vertentes objectiva e subjectiva. Faz-se também uma análise do movimento da qualidade a nível nacional e internacional de forma a perceber as principais áreas da qualidade que devem ser analisadas nos inquéritos aos utilizadores e promotoras.

O capítulo 4 é dedicado aos inquéritos realizados aos utilizadores, sendo explicada a metodologia para a definição da amostra à qual foram aplicados os inquéritos, a organização dos diversos grupos de perguntas e a apresentação e análise dos resultados gerais.

No capítulo 5 são analisados os resultados dos inquéritos realizados às promotoras. Este capítulo está organizado de forma semelhante à do capítulo 4.

No capítulo 6 é feita a comparação entre a visão dos utilizadores e das entidades promotoras.

Posteriormente, no capítulo 7 são tiradas as principais conclusões da dissertação e indicados alguns trabalhos futuros possíveis.

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CAPÍTULO 2 – Contextualização

Sócio-Económico Actual do Sector da Construção Civil

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 6

2.1 – Definição do sector da construção civil

O sector da construção civil pertence ao sector secundário da actividade económica, no qual são englobadas as actividades industriais transformadoras, a construção e a produção de energia. Este sector é de grande importância para a economia portuguesa, uma vez que interfere de forma muito directa com outros sectores ou sub-sectores da economia, nomeadamente com as indústrias extractivas e transformadoras de matérias-primas para a construção, ao nível da produção de energia, da promoção e da mediação imobiliária, das instituições financeiras, das indústrias produtoras de equipamentos, mobiliário, electrodomésticos e decoração [8].

A construção civil engloba cinco grandes categorias de actividade: a primeira categoria referente a edifícios e património construído; a segunda a vias de comunicação, obras de urbanização e outras infra-estruturas; a terceira referente a obras hidráulicas; a quarta referente a instalações eléctricas e mecânicas e a quinta categoria referente a outros trabalhos.

Para poderem laborar, as empresas de construção têm que ter um alvará ou apenas um título de registo. O alvará atribuído relaciona-se com a capacidade ou não de uma determinada empresa em executar obras de maior ou menor dimensão, sendo tidas em conta as capacidades técnicas, económicas e financeiras das empresas. O alvará é referente a uma ou mais categorias e subcategorias de trabalho que podem ser realizadas pela empresa e a classe de habilitações [9].

2.2 – Contexto económico geral / Importância do sector na economia

O sector da construção civil assume uma grande importância na economia portuguesa, pelo grande contributo ao nível do emprego e da contribuição para o VAB (valor acrescentado bruto), representando 10,7% do emprego nacional e ao nível, representando 6% do VAB nacional, segundo dados de 2005 [10].

Em regiões do interior como Trás-os-Montes e Alto Douro, este sector constitui muitas vezes o principal factor de dinamização económica e é tido como a única actividade capaz de gerar emprego e riqueza fora dos sectores tradicionais como a agricultura e os serviços locais [11].

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CAPITULO 2- Contextualização Sócio-Económico Actual do Sector da Construção Civil

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 7

Pode-se considerar o sector da construção como um “barómetro” da economia, uma vez que os problemas económicos do país se repercutem no estado deste sector. Por outro lado, investimentos significativos e sinais de bom funcionamento do sector, repercutem-se ao nível da economia global [12].

Em termos económicos globais, como se verifica nos gráficos a seguir, estamos perante uma desaceleração do PIB (produto interno bruto), marcada em 2008 e que se prevê continuar em 2009. A crise actual não é estranha a este fenómeno, que segundo os analistas poderá durar, com uma evolução negativa do PIB a nível nacional e internacional em 2009 prevendo-se que em 2010 haja uma retoma ligeira, como mostra a tabela 1.

Tabela 1: Evolução prevista para o PIB de 2007 até 2010 em percentagem (Fonte: European Economy,

November 2008 e Interim Forecast, January 2009, Comissão Europeia)

Evolução do PIB (Variação Anual)

Regiões 2004 2005 2006 2007 2008 (Estimativa) 2009 (Previsão) 2010 (Previsão) % % % % % % % Portugal 1,5 1,0 1,4 1,9 0,2 -1,6 -0,2 Zona Euro 2,2 1,7 3,0 2,7 0,9 -1,9 0,4 EU 2,9 1,0 -1,8 0,5 Alemanha 2,5 1,3 -2,3 0,7 Espanha 3,7 1,2 -2,0 -0,2 França 2,2 0,7 -1,8 0,4 Reino Unido 3,0 0,7 -2,8 0,2 Estados Unidos 2,0 1,2 -1,6 1,7 Japão 2,4 -0,1 -2,4 -0,2

2.3 – Produção da construção habitacional

A situação difícil que se vive actualmente no sector da construção reflecte-se no número de licenças para construção de novas habitações, atribuídas pelas câmaras municipais em Portugal nos últimos anos.

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 8

Segundo as estatísticas apresentadas pelo INE, entre 2000 e 2005, a tendência da produção foi de desaceleração, quer a nível nacional, quer na região Norte, de -23,8% e -38% respectivamente como se mostra no gráfico 1.

Gráfico 1: Nº de Licenças de construção concedidas pelas Câmaras Municipais em Portugal e na Região

Norte - Construções Novas - Para habitação (1994 - 2005) (Fonte: INE)

No eixo urbano do Douro, composto pelas cidades de Vila Real, Peso da Régua e Lamego, a tendência é similar. A diferença entre os anos de 2000 e 2005, corresponde em média a -39,5%, sendo muito visíveis os problemas de produção que afectam esta região, verificando-se também uma descida, mais pronunciada em Vila Real, como mostra o gráfico 2.

Gráfico 2: Nº de Licenças de construção concedidas pelas Câmaras Municipais de Vila Real, Peso da

Régua e Lamego - Construções Novas - Para habitação (1994 - 2005) (Fonte: INE) 0 20000 40000 60000 80000 100000 120000 140000 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Portugal Norte 0 50 100 150 200 250 300 350 400 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 Lamego Peso da Régua Vila Real

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CAPITULO 2- Contextualização Sócio-Económico Actual do Sector da Construção Civil

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 9

De facto, este decréscimo de produção pode-se verificar também no número de construções de edifícios de habitação familiar clássica, fornecido pelo INE, referente ao período de 2003 até 2007. Verifica-se um decréscimo acentuado de 2003 até 2007 a nível nacional e na região Norte, como é visível no gráfico 3.

Gráfico 3: Número de construções de edifícios de habitação familiar clássica, em Portugal (Fonte: INE)

O eixo urbano Vila Real, Peso da Régua e Lamego apresenta também, no mesmo período, um decréscimo no número de construções de edifícios de habitação familiar clássica, muito mais acentuado nas cidades de Lamego e Vila Real, havendo porém uma ligeira recuperação entre 2006 e 2007 (gráfico 4).

Gráfico 4: Número de construções de edifícios de habitação familiar clássica, em Lamego, Peso da

Régua e Vila Real (Fonte: INE)

É possível ver, no entanto, que nestas três cidades o número de construções começou a subir ligeiramente em 2007, o que pode ser interpretado como um sinal de retoma económica, verificando-se também que a nível nacional e da região Norte o decréscimo foi menos acentuado neste mesmo ano. Esta retoma traduziu-se num certo optimismo transmitido na última edição de “Estatísticas da Construção e Habitação” do INE [13],

0 10000 20000 30000 40000 50000 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Portugal Constr. Norte Constr. 0 50 100 150 200 250 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Lamego Constr. Peso da Régua Constr. Vila Real Constr.

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 10

referente à actividade do sector em 2007 comparativamente com os últimos 10 anos. Nesta edição lança-se a expectativa de o ano de 2007 poder encerrar uma longa crise no sector da construção em Portugal que até esta data já durava há 5 anos, nos quais foram registadas quebras na produção sucessivas, até um limite de -21% acumulados no final de 2007.

Porém estas expectativas não se cumpriram devido ao agravamento da crise mundial declarada em 2008, tal como o INE apresentou, aquando da informação à comunicação social, a 10 de Fevereiro de 2009, onde foram anunciados os “Índices de Produção, Emprego e Remunerações na Construção e Obras Públicas de Dezembro 2008” [14]. De facto a produção na construção registou uma diminuição de 3,8% para os meses de Outubro, Novembro e Dezembro em termos homólogos. Por seu lado o emprego apresentou também uma diminuição de 3,8% para o mesmo período. O gráfico 5 mostra a variação sofrida nos últimos dois anos, onde se pode sublinhar o decréscimo específico da construção de edifícios.

Gráfico 5: Índice de produção na construção, Variação homóloga – médias móveis 3 meses, percentagem

corrigida da sazonalidade (fonte: INE)

2.4 – Empresas de construção

Os dados a nível de Portugal continental indicam valores preocupantes no que respeita à evolução mais recente do número de empresas de construção, uma vez que entre 2004 e 2006 inverteu-se a tendência de crescimento do número de empresas que se vinha verificando desde 2001, passando o número total de empresas de 209.658 em 2004 para 197.955 em 2005 e para 117.457 em 2006 (-40,6% relativamente a 2005). Esta

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CAPITULO 2- Contextualização Sócio-Económico Actual do Sector da Construção Civil

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 11

diminuição é menos acentuada na região Norte, onde houve uma variação de -29,9% no mesmo período, como se pode verificar no gráfico 6.

Gráfico 6: Número de empresas de construção civil em Portugal continental e na região Norte de 2001

até 2006 (Fonte: INE)

Esta situação é de facto muito preocupante e reflecte a crise que se começou a viver nos últimos anos no nosso país.

Analisando os dados mais recentes que o INE disponibiliza até ao momento, referentes aos anos de 2002 até 2005 por conselho, verificamos o desaparecimento de muitas empresas, em particular nos três municípios em análise, onde o decréscimo do número de empresas de 2004 para 2005, em termos percentuais foi superior no Peso da Régua com -6%, seguindo-se Lamego com -5,3% e por último Vila Real com uma variação de -4,4%. A diminuição acentuada da produção, terá sido uma das causas para o desaparecimento de muitas empresas, como foi possível verificar no gráfico 7 relativo ao número de empresas entre 2002 e 2005.

Gráfico 7: Nº de empresas de construção civil em Vila Real, Peso da Régua e Lamego de 2001 até 2005

(Fonte: INE) 0 50000 100000 150000 200000 250000 2001 2003 2004 2005 2006 Portugal Continental Norte 0 100 200 300 400 500 600 700 800 2002 2003 2004 2005 Vila real Lamego Régua

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 12

O sector da construção civil é maioritariamente constituído por empresas de pequena dimensão e regionalmente concentradas no Norte (27,3%) e Centro do país (31%). Porém a região de Lisboa tem um quarto das empresas. A distribuição do número de empresas pode-se verificar através figura 1 [10].

Imagem 1: Número de empresas em Portugal em 2004

2.5 – Emprego no sector da construção

O sector da construção civil representa em Portugal um importante motor da economia nacional, sendo em 2007 responsável por 11% da população total empregada, correspondendo a 570.800 pessoas [13]. Entre 2006 e 2007 houve uma subida de 3,2% no emprego gerado pelo sector da construção civil, após a estagnação verificada entre 2004 e 2006, como se pode verificar no gráfico 8.

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CAPITULO 2- Contextualização Sócio-Económico Actual do Sector da Construção Civil

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 13

Gráfico 8: População empregada no sector da construção civil, em Portugal continental, em milhares de

pessoas (Fonte: INE)

Tal como acontece a nível nacional, na região Norte do país, onde se insere o eixo urbano em estudo, acontece aproximadamente o mesmo, sento esta zona do país responsável por 10,7% do emprego da região. Porém a população empregada no sector da construção, na região Norte, diminuiu entre 2006 e 2007, ao contrário do que se verificou ao nível nacional, como se pode concluir através do gráfico 9.

Gráfico 9: População empregada no sector da construção civil, na zona Norte em milhares de pessoas

(Fonte: INE)

De 2006 até 2007 perderam-se 12800 postos de trabalho na construção civil nesta região.

No que respeita ao emprego e remunerações no sector da construção civil, o gráfico 10, dado a conhecer pelo INE na informação à comunicação social, a 10 de Fevereiro de 2009 [14] mostra de facto, que durante o ano de 2008 a variação homóloga do emprego se manteve negativa e com tendência a agravar-se, contrariando o que se verificou em 2007, onde apesar de a variação homóloga ser negativa, mostrava uma ligeira recuperação. 530,0 540,0 550,0 560,0 570,0 580,0 2004 2005 2006 2007 180,0 185,0 190,0 195,0 200,0 205,0 210,0 2004 2005 2006 2007

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 14 Gráfico 10: Índice de emprego, e remunerações na construção, variações homólogas (Fonte: INE)

2.6 – O papel do governo

O papel do governo é muito importante na dinamização do sector através da execução de obras públicas. No que respeita ao sector habitacional, o Estado tem tido um efeito regulador, através de incentivos financeiros, nomeadamente no que respeita ao crédito à habitação e ao incentivo para aplicação de painéis solares. Porém, o seu principal papel a este nível, tem sido através da adequação da regulamentação portuguesa às directivas europeias, nomeadamente, os eurocódigos, o Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (2006), o Regulamento de Segurança contra Incêndios (2008) e o Sistema de Certificação Energética (2006).

O anúncio de grandes investimentos em construção para o período de 2008 a 2018 pelo governo, que correspondem a 40 mil milhões de euros em infra-estruturas de base e mais 12 mil milhões de euros em projectos em áreas como o comércio, turismo e reabilitação urbana poderá ser um sinal de que é possível recuperar o sector da construção, aliado a um maior desenvolvimento do país [15].

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 16

3.1 – Introdução

A qualidade no sector da construção civil pode ser vista de várias perspectivas: a qualidade da gestão das empresas, a qualidade dos materiais utilizados e qualidade do produto final. A qualidade do produto final, mais concretamente das habitações, é aquela que mais interessa para este trabalho. Porém, esta pode ser entendida de diferentes formas. Assim, seguidamente será definida a noção de qualidade. Também se verificará a importância da adequação entre qualidade procurada e oferecida. Finalmente, serão apresentados alguns desenvolvimentos nesta área, em Portugal e no estrangeiro.

3.2 – Definição do conceito de qualidade

Considerando a definição de qualidade como sendo a aptidão de um produto ou serviço para satisfazer as necessidades do utilizador [16], estamos perante uma noção subjectiva. Com efeito, no limite, cada utilizador tem necessidades próprias, incluindo a relação entre o preço e a qualidade. A cada pessoa corresponde um nível óptimo de qualidade, estreitamente ligado ao preço que esta está disposta a pagar pelo produto. A qualidade poderá ainda ser considerada como o grau de excelência ou a adequação para o fim em vista [6]. Considerando a qualidade como o grau de excelência, só produtos com padrões muito elevados, atingem níveis de qualidade muito elevados. Assim sendo, a qualidade só existe nas habitações mais luxuosas. Porém esta não será a definição mais adequada, pois o uso que se quer dar à habitação é muito importante, o que significa que a qualidade de uma habitação é variável consoante a pessoa que a vai habitar.

Existem ainda variadas definições de qualidade, baseadas neste princípio, como por exemplo as definições de Merna e Arnold, citados por A. Paiva e S. Pereira [6]:

• Qualidade é a habilidade de ir de encontro às expectativas, necessidades e requisitos do mercado e do cliente;

• Qualidade significa adequação para o uso pretendido;

• Qualidade é o fornecimento de produtos que não voltam, a clientes que voltam; • Qualidade é a totalidade das características de um produto ou serviço que

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CAPITULO 3- A Qualidade das Habitações

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 17

• Qualidade é o resultado de todos os atributos e características, incluindo o desempenho de um item ou produto:

• Qualidade de um produto e/ou serviço é o resultado global das suas características, incluindo as de marketing, de engenharia, de manufactura e de manutenção, através das quais o produto e/ou serviço vai de encontro às expectativas do consumidor; • Qualidade é a conformidade com standards que representam as características

básicas do produto ou serviço, características estas baseadas nas necessidades e expectativas do consumidor.

Segundo o International Organisation for Standardisation (ISO), a qualidade é a conformidade ligada ao que é esperado pelo cliente. Porém o autor J.P. Hubérac [17] considera que nesta definição faltam dois aspectos muito importantes, nomeadamente, os custos e os prazos, uma vez que a qualidade de um produto pode ser observada não só pelas suas qualidades técnicas mas também segundo o seu preço e o prazo de entrega [17].

Das diversas definições apresentadas, podemos destacar alguns aspectos comuns. O principal diz respeito à subjectividade da percepção da qualidade, pois esta noção depende das exigências de cada cliente. Ao mesmo tempo a qualidade só pode ser caracterizada através dos atributos inerentes a cada produto. Um produto pode ser considerado com maior ou menor qualidade, dependendo das suas propriedades, uma vez que em parte condicionam a preferência dos utilizadores.

A definição que se escolheu para a qualidade em edifícios, neste trabalho, provém da

British Standards Institution BS4778 [18], que considera a qualidade como a “totalidade

das características de um produto ou serviço que se reflectem na sua capacidade de satisfazer necessidades específicas ou implícitas”. No caso de edifícios de habitação estas necessidades podem incluir valores culturais e pessoais que podem influenciar a decisão de aquisição de uma habitação [4].

Existem aspectos relacionados com a qualidade que não serão objecto de investigação neste trabalho, porém será importante fazer uma referência, pois podem influenciar a decisão de compra de uma habitação, como é o caso do desempenho, do preço, dos prazos e dos serviços [16]. Estes elementos são importantes na aquisição de uma habitação, pois a necessidade em termos de prazo pode ser diferente da que é possível

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 18

concretizar pelo construtor. Assim um cliente satisfeito com as características intrínsecas de uma habitação, poderá optar por outra devido aos prazos que lhe são oferecidos. O preço também influencia a decisão, uma vez que o cliente compra aquilo que considera ter mais qualidade, de acordo com o preço que pode pagar. Por fim, os serviços podem não ser tão importantes para o cliente, porém serão sempre pontos positivos a acrescentar, sobretudo quando os eventuais compradores têm índices de exigência muito elevados.

Finalizando, pode-se acrescentar que a qualidade pode ser vista segundo uma perspectiva interna da empresa e uma perspectiva do cliente. Relativamente à visão interna, a empresa deve melhorar os seus processos ou a sua gestão de modo a obter uma maior qualidade dos produtos comercializados, de modo a satisfazer a sua clientela. O cliente, por seu lado, tem as suas próprias referências relativas ao produto que quer comprar. Ambas as perspectivas devem conjugar-se para haver uma adequação entre a procura e a oferta [17].

3.3 – Relação entre a procura e a oferta

Com efeito, face à exigência cada vez mais elevada do mercado, é importante que as empresas ajustem a oferta à procura. Assim o sucesso de uma empresa poderá passar por este ajuste de posições, indo de encontro ao que o cliente quer. A imagem de uma empresa e a sua reputação podem ser um critério de escolha muito importante para o cliente. No caso concreto da construção habitacional, sobretudo quando a compra é feita antes de as habitações estarem construídas, uma forma do cliente avaliar a qualidade que a habitação irá ter, pode ser através da adequação da oferta da empresa à procura [16].

As empresas de construção civil enfrentam cada vez mais as exigências do mercado e a necessidade de se diferenciarem de modo a serem mais competitivas, tendo um grau de dificuldade acrescido face a outras indústrias, devido à complexidade do produto. A qualidade interfere a vários níveis, desde a escolha dos materiais, a articulação dos recursos técnicos e humanos, a elaboração e gestão de projectos, assim como a execução da obra.

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CAPITULO 3- A Qualidade das Habitações

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 19

Harris e McCaffer, citados por A. Paiva e S. Pereira [6], dizem que “a gestão da qualidade é actualmente uma das principais funções de gestão que se reveste da maior importância nas empresas de construção”. De facto actualmente é muito importante que as empresas apostem na qualidade dos seus serviços e produtos, de forma a conseguirem ser competitivos num mercado que se encontra bastante saturado. As empresas deverão actuar ao nível da inspecção da produção de forma a cumprir elevados índices de qualidade, devendo controlar a qualidade nas várias fases de desenvolvimento do seu produto. Só assim estas poderão oferecer ao cliente os produtos mais adequados ao uso, tendo possibilidade de oferecer garantia dos mesmos. As empresas devem assegurar que uma habitação cumpra os principais requisitos de qualidade de uma habitação, nomeadamente, funcionalidade, uso, segurança, disponibilidade de utilização, reabilitação, manutenção, assim como aspectos ambientais e económicos [6].

3.4 – A qualidade e o sector da construção civil

Uma habitação representa um dos maiores investimentos que uma pessoa faz ao longo da sua vida, sendo nela que as pessoas passam grande parte do seu tempo. Assim a qualidade das habitações é um factor importante na qualidade de vida das pessoas. Pode-se por isso, identificar alguns dos factores que tornam a qualidade das habitações

um aspecto tão importante[3]:

o Uma habitação é um espaço onde as pessoas vivem e desenvolvem muitas das suas actividades, sendo parte integrante das suas vidas, podendo influenciar os seus comportamentos e aspirações;

o Trata-se de um espaço físico estático, não sofrendo grandes alterações ao longo dos tempos, quer ao nível das áreas e dimensões, número de quartos, distribuição das áreas, organização de compartimentos, etc. É por vezes utilizada por um largo período e por várias gerações;

o As características da envolvente da habitação, podem desempenhar um papel muito importante na qualidade de vida das pessoas, porque os espaços exteriores podem contribuir para aliviar a pressão no interior da habitação, em fase de maior exigência do ciclo familiar, sendo desenroladas várias actividades familiares no exterior da habitação;

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 20

o O elevado preço das habitações, confere à sua aquisição um elevado investimento, podendo ter de contrair empréstimos ou fazer esforços financeiros que condicionam o futuro das famílias.

Por outro lado, uma habitação é um bem complexo. A sua construção e venda passa por vários processos, onde são envolvidos diferentes intervenientes com preocupações diversas: para os utilizadores, a conveniência, a qualidade de vida e o custo; para os construtores, a construção e o custo; para os arquitectos, o projecto e aspectos estéticos; para os engenheiros, a estrutura, a construção e o custo; para as promotoras, o negócio e o custo; para as entidades financiadoras, o financiamento e o custo; para as imobiliárias, a transacção e o custo; e por fim, para os políticos, o financiamento e os aspectos sociais [6].

3.5 – Avaliação da qualidade das habitações

Se a qualidade é um factor cada vez mais importante no contexto sócio-económico actual e considerando que tem uma dimensão subjectiva, coloca-se a questão de “como avaliá-la?”

3.5.1 – Avaliação a nível internacional

Existem várias perspectivas de avaliação da qualidade, nomeadamente no que confere aos materiais, à gestão e ao produto, sendo esta última, aquela que vai ser alvo neste trabalho.

Devido à preocupação crescente com a qualidade nas habitações, têm sido desenvolvidos vários métodos de avaliação da qualidade das habitações, destacando-se os que foram desenvolvidos em França, na Suíça e na Grã-bretanha. Em França, a Associação Qualitel é um organismo de certificação oficial independente, acreditado desde 5 de Maio de 1997 pelo COFRAC (Comité Francês de Certificação). A marca de qualidade Qualitel, certifica apartamentos novos, moradias individuais agrupadas em condomínios e residências para estudantes que cumpram os seus requisitos. De forma a garantir o conforto, a economia e a durabilidade, o método de avaliação da marca

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CAPITULO 3- A Qualidade das Habitações

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 21

Qualitel abrange 4 áreas, nomeadamente, a qualidade acústica, o conforto térmico de inverno/verão e a durabilidade da envolvente exterior [19] [6].

No Reino Unido podemos salientar as marcas de qualidade Buildmark e HHSRS (Housing Health and Safety Rating System). A marca de qualidade Buildmark, é atribuída pelo NHBC (National House Building Council) e confere ao cliente uma garantia sobre a habitação. É avaliada a conformidade do projecto e da construção com os requisitos formulados pelo NHBC, sendo feito um controle e inspecção durante a fase de construção. Também é realizada uma qualificação energética do projecto e do produto acabado. Por seu lado o HHSRS é um sistema de qualificação da habitação introduzido pelo Departamento de Transportes, Ambiente e Regiões do Reino Unido. Este avalia habitações públicas e privadas, classificando a habitação relativamente à segurança e à saúde [19] [6].

Nos anos 60 foi desenvolvido na Suíça o Método SEL (Systeme d’Evaluation de Logements), sendo este vocacionado para a avaliação da qualidade de projectos de edifícios de habitação multifamiliar, podendo ainda ser aplicado a edifícios unifamiliares. Este pretende obter a melhor relação entre o custo e a qualidade [6]. Ainda na Suíça, a organização Zürich Insurance Building Guarantees atribui uma garantia de 10 anos sobre defeitos em habitações novas, habitações sociais e habitações renovadas [19].

Outros métodos introduzem na avaliação de qualidade, os aspectos ambientais e da localização/urbanização, como por exemplo, o LEED [20] nos Estados Unidos e o CASBEE no Japão [21].

3.5.2 – Avaliação em Portugal

Na área da avaliação da qualidade das habitações, em Portugal, desenvolveram-se algumas iniciativas concretas, para além de alguns estudos elaborados nesta área.

Em Portugal, não existe ainda nenhum método de avaliação da qualidade das habitações que seja aplicado.

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 22

No âmbito da tese de doutoramento de Moreira da Costa [22], foi apresentada uma proposta de método de avaliação qualidade de projectos de edifícios de habitação, adaptada à realidade portuguesa. Esta proposta de método foca-se em dois aspectos principais, nomeadamente, a eficiência de aspectos construtivos e a eficiência de utilização de espaços.

João Branco O. Pedro realizou também uma tese de doutoramento [23], na qual apresentou uma proposta de método de avaliação da qualidade, cujas principais preocupações consistem na definição das exigências de desempenho relativas à qualidade arquitectónica de espaços funcionais, habitações, edifícios e áreas residenciais. Os principais parâmetros da qualidade arquitectónica definidos são, o conforto ambiental, a segurança, a adequação espaço-funcional, a articulação, a personalização e a economia, não sendo definidas exigências estéticas.

Estas duas propostas de método de avaliação da qualidade não chegaram porém a ser aplicadas.

Ainda a nível académico é de salientar o Observatório da Construção [24], que desenvolve actividades de investigação e apoio ao desenvolvimento da qualidade no sector da construção civil, mais concretamente na área habitacional, da região de Trás-os-Montes e Alto Douro (TMAD). Inserida na linha de acção que visa a criação de um sistema de avaliação e certificação da qualidade de edifícios em TMAD, surge a tese de mestrado de Sandra Pereira [3], onde foi realizado o levantamento dos principais aspectos que influenciam a qualidade dos edifícios de habitação em TMAD. A determinação dos aspectos da qualidade que deviam ser analisados nos inquéritos a utilizadores e promotores, nesta dissertação, foi baseada no trabalho de Sandra Pereira [3].

A nível governamental foram tomadas várias medidas no sentido de melhorar a qualidade das habitações. Em primeiro plano, é de realçar o SRE (Sistema Regulamentar do Estado), como forma de promoção e garantia da qualidade. Este sistema interfere a vários níveis, nomeadamente, na regulamentação, licenciamento, qualificação, certificação, inspecção, fiscalização e controle. No que compete à regulamentação, as principais alterações são referentes à adequação da mesma às directivas europeias, nomeadamente, os eurocódigos, o Regulamento das Características

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CAPITULO 3- A Qualidade das Habitações

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 23

de Comportamento Térmico dos Edifícios (2006), o Regulamento de Segurança contra Incêndios (2008) e o Sistema de Certificação Energética (2006) [25].

O SPQ (Sistema Português da Qualidade), instituído pelo Decreto de Lei 234/93 de 2 de Julho, é um sistema que abrange vários sectores e actua na promoção e garantia da qualidade. Este sistema opera com base em três subsistemas, nomeadamente, os de normalização, de qualificação e o metrológico. O SPQ desenvolve actividades de acreditação e certificação em Portugal, detendo diversos símbolos e marcas de conformidade, podendo certificar organizações, produtos e pessoas. O IPQ foi instituído pelo Decreto-Lei 140/2004 de 8 de Junho e é o órgão gestor do SPQ, garantindo o planeamento, a dinamização e a avaliação das actividades a desenvolver no âmbito do SPQ [25].

Existem também iniciativas privadas no âmbito da avaliação das habitações, como é o caso do Grupo SGS (Société Générale de Surveillance S.A.). Este foi fundado em 1878 na Suíça e é a maior organização mundial no domínio da inspecção, verificação, análise e certificação. Em 1922 foi fundada a SGS Portugal, abrangendo varias áreas da actividade económica, entre as quais, o sector da construção civil. Nesta área a SGS desenvolveu os Esquemas de Qualificação e Certificação de Edifícios: DomusQual e DomusNatura. O DomusQual certifica a conformidade, não só da qualidade da própria construção, mas também do cumprimento de todos os requisitos legais aplicáveis, tanto em licenciamentos, como nas características dos materiais utilizados. A DomusQual também assegura a existência de planos de manutenção e utilização dos equipamentos e infra-estruturas. O DomusNatura por seu lado certifica os empreendimentos, do ponto de vista da sustentabilidade, onde os factores ambientais e a gestão eficiente dos recursos são exigidos de modo a se conseguir um aumento do conforto e a redução dos custos de utilização [26].

Ao nível ambiental, surge em Portugal o sistema de certificação da qualidade ambiental LiderA [27], desenvolvido por Manuel Duarte Pinheiro, Doutorado em Engenharia do Ambiente, docente do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do Instituto Superior Técnico e Director da IPA - Inovação e Projectos em Ambiente, a partir dos trabalhos de investigação sobre sustentabilidade na construção e ambientes construídos efectuados desde 2000, que levaram à publicação em 2005 da primeira versão deste sistema e em 2007 das primeiras cinco certificações [27].

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 24

No contexto de desaceleração e crise da actividade da construção, a variável qualidade tem vindo a ocupar um lugar cada vez mais importante como factor de competitividade junto das empresas, quer junto dos utilizadores cada vez mais informados e mais exigentes, quer junto do governo quer dos grupos privados, que têm desenvolvido iniciativas significativas no que respeita à qualidade, através de sistemas de avaliação de habitação. O meio académico não está alheio a este movimento e tem-se preocupado com esta questão, através do desenvolvimento de teses nesta área, como é o caso das que foram aqui abordadas [3] [22] [23].

A avaliação da qualidade é um tema complexo, devido por um lado, ao conjunto de aspectos que definem a qualidade de uma habitação (objectivos ou subjectivos) e por outro lado aos processos necessários de ajustamento entre a qualidade oferecida (oferta) e a qualidade desejada (procura). Neste contexto, a contribuição desta dissertação consiste em perceber melhor as percepções da qualidade por parte de dois dos principais intervenientes no sector, nomeadamente, as promotoras e os clientes (utilizadores). De acordo com a revisão bibliográfica efectuada e apoiando-se principalmente no trabalho desenvolvido por Sandra Pereira [3] em Trás-os-Montes e Alto Douro, foram definidos os principais aspectos relacionados com a qualidade habitacional, através de um inquérito aplicado aos promotores e utilizadores.

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CAPÍTULO 4 – A Qualidade do Ponto de Vista

dos Utilizadores

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 26

4.1 – Introdução

No âmbito desta dissertação foi elaborado e aplicado um inquérito aos utilizadores de habitações, de modo a se conseguir saber quais os aspectos relacionados com a qualidade habitacional que eles mais valorizam quando pensam em adquirir uma habitação. Após uma explicação da metodologia para escolha da amostra e elaboração do inquérito, são apresentados e analisados os principais resultados obtidos nos inquéritos.

4.2 – Inquéritos aos Utilizadores

A visão de qualidade por parte dos utilizadores assume uma grande importância, uma vez que eles escolhem as habitações que querem comprar, podendo ter as exigências mais variadas ao nível da qualidade, sendo necessário caracterizá-las. Por isso decidiu-se recolher informações junto dos mesmos, tendo sido definida uma amostra populacional à qual foi aplicada um inquérito, cujo objectivo é indagar os factores que estes mais valorizam relativamente à qualidade das habitações.

A definição da amostra relacionou-se com o número de fogos em edifícios de habitação multifamiliares no eixo urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego, tendo sido admitida uma amostra de 3,5% do número de habitações multifamiliares em cada cidade, com base nos dados disponibilizados pelo INE, relativos aos “Censos 2001” [28]. A partir do número de habitantes da zona urbana e do número médio de habitantes por agregado familiar (3 pessoas por família) de cada uma das três cidades em estudo determinou-se o número médio de fogos de cada zona urbana, dividindo o número de habitantes das zonas urbanas pelo número de pessoas por agregado familiar. Na tabela 2 apresentam-se o número de inquéritos a realizar em cada cidade, de acordo com o processo proposto [3].

Tabela 2: Número de inquéritos aos utilizadores realizados em cada cidade

Total Vila Real Peso da Régua Lamego

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CAPITULO 4- A Qualidade do Ponto de Vista dos Utilizadores

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua - Lamego 27

O inquérito aplicado foi dividido em sete grupos de perguntas (do grupo 0 até grupo VI). No grupo 0 as perguntas caracterizam o respondente. No grupo I pretende-se saber qual a tipologia e o piso que as pessoas preferem para habitar. O grupo II indaga sobre a disponibilidade das pessoas em relação ao preço a pagar por uma nova habitação. No grupo III, o mais extenso, pretende-se saber quais são os factores relacionados com a qualidade das habitações que as pessoas mais valorizam, nomeadamente, no que respeita à localização do edifício, à utilização comum do edifício, à distribuição dos espaços interiores da habitação, às áreas dos espaços interiores e aos aspectos construtivos.

Seguidamente foram introduzidos dois grupos (IV e V) que permitem perceber se as pessoas se preocupam ou não com os custos associados à utilização e manutenção da habitação. Por último, no grupo VI tentou-se saber, de entre as perguntas respondidas anteriormente, quais aquelas que os utilizadores consideram mais importantes.

4.2.1 – Apresentação dos Resultados

Os resultados relativos aos inquéritos para o eixo urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego, estão apresentados nos gráficos seguintes. Foram analisados numa primeira fase os dados para o global das três cidades, sendo posteriormente analisadas as três cidades individualmente. Por último serão comparados os resultados das três cidades de forma a avaliar as diferenças mais significativas entre as três realidades analisadas e os resultados globais.

4.2.1.1 – Caracterização dos respondentes

No total do eixo urbano Vila Real – Peso da Régua – Lamego, foram aplicados 336 inquéritos aos utilizadores. Cada pessoa entrevistada tinha características próprias e individuais, porém foi possível recolher alguns dados das mesmas que de uma forma geral nos permitem ter uma ideia de como é composta a amostra à qual foi aplicado o inquérito.

Em média cada entrevistado tinha 37 anos, sendo a maioria casados (64%), porém a quantidade de solteiros (33%) também era significativa. Os inquéritos foram aplicados a aproximadamente 50% de pessoas do sexo masculino e feminino. A grande maioria dos

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A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real

entrevistados tinha pelo menos terminado o ensino secundário (72,2%), o que poderá mostrar que os níveis de conhecimentos dos mesmos já seriam elevados, sendo ainda de salientar que em 47,6% dos entrevistados, estes tinham uma formação de nível superior. Quando inquiridos sobre o rendimento mensal do agregado familiar, em 72,3% dos casos nunca eram atingidos valores acima dos 2500 euro mensais. Cada agregado familiar tem em média 3,2 pessoas, contribuindo para o rendimento mensal 1,8 pessoas. Finalmente, quando inquiridas sobre o tipo de habitação que possuíam, as respostas obtiveram percentagens não muito distantes, aparecendo em sequência decrescente as habitações construídas de raiz (38,7%), seguindo

por último as alugadas (24,1%).

4.2.1.2 – Dados gerais

As tipologias mais procuradas pelos utilizadores n T3 (31,3%), como mostra a

utilizadores, a principal escolha recai nos edifícios unifamiliares com 1 piso (37,3%), seguido dos edifícios unifamiliares com 2 piso

edifícios multifamiliares as escolhas recaem sobre o rés piso (10,4%) (gráfico 12).

Gráfico 11: Tipologias mais procuradas (frequência da 1ª escolha)

T4 40,0%

Outros 14,3%

A Percepção da Qualidade de Edifícios de Habitação no Eixo Vila Real – Peso da Régua

entrevistados tinha pelo menos terminado o ensino secundário (72,2%), o que poderá ar que os níveis de conhecimentos dos mesmos já seriam elevados, sendo ainda de salientar que em 47,6% dos entrevistados, estes tinham uma formação de nível superior. Quando inquiridos sobre o rendimento mensal do agregado familiar, em 72,3% dos a eram atingidos valores acima dos 2500 euro mensais. Cada agregado familiar tem em média 3,2 pessoas, contribuindo para o rendimento mensal 1,8 pessoas. Finalmente, quando inquiridas sobre o tipo de habitação que possuíam, as respostas ens não muito distantes, aparecendo em sequência decrescente as habitações construídas de raiz (38,7%), seguindo-se as habitações compradas (37,2%) e por último as alugadas (24,1%).

As tipologias mais procuradas pelos utilizadores neste eixo urbano são os T4 (40,0%) e T3 (31,3%), como mostra a gráfico 11. Relativamente aos pisos mais pretendidos pelos a principal escolha recai nos edifícios unifamiliares com 1 piso (37,3%), seguido dos edifícios unifamiliares com 2 pisos (17,3%). É de salientar também que em edifícios multifamiliares as escolhas recaem sobre o rés-do-chão (11,9%) e o último

mais procuradas (frequência da 1ª escolha) segundo os T1

7,5% T2

6,9% Outros

14,3%

Peso da Régua - Lamego 28

entrevistados tinha pelo menos terminado o ensino secundário (72,2%), o que poderá ar que os níveis de conhecimentos dos mesmos já seriam elevados, sendo ainda de salientar que em 47,6% dos entrevistados, estes tinham uma formação de nível superior. Quando inquiridos sobre o rendimento mensal do agregado familiar, em 72,3% dos a eram atingidos valores acima dos 2500 euro mensais. Cada agregado familiar tem em média 3,2 pessoas, contribuindo para o rendimento mensal 1,8 pessoas. Finalmente, quando inquiridas sobre o tipo de habitação que possuíam, as respostas ens não muito distantes, aparecendo em sequência decrescente as se as habitações compradas (37,2%) e

este eixo urbano são os T4 (40,0%) e . Relativamente aos pisos mais pretendidos pelos a principal escolha recai nos edifícios unifamiliares com 1 piso (37,3%), s (17,3%). É de salientar também que em (11,9%) e o último

utilizadores T3 31,3%

Imagem

Gráfico 1: Nº de Licenças de construção concedidas pelas Câmaras Municipais em Portugal e na Região  Norte - Construções Novas - Para habitação (1994 - 2005) (Fonte: INE)
Gráfico 3: Número de construções de edifícios de habitação familiar clássica, em Portugal (Fonte: INE)
Gráfico 5: Índice de produção na construção, Variação homóloga – médias móveis 3 meses, percentagem  corrigida da sazonalidade (fonte: INE)
Gráfico 7: Nº de empresas de construção civil em Vila Real, Peso da Régua e Lamego de 2001 até 2005  (Fonte: INE) 050000100000150000200000250000 2001 2003 2004 2005 2006 Portugal ContinentalNorte01002003004005006007008002002200320042005Vila realLamegoRégua
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