Entre o projetado e o construído: uma análise sobre modificações dos projetos arquitetônicos do campus central da UFRN durante o processo de execução (2008-2016)
Texto
(2) LAURA BARROS GARCIA HERNANDES. ENTRE O PROJETADO E O CONSTRUÍDO: UMA ANÁLISE SOBRE MODIFICAÇÕES DOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS DO CAMPUS CENTRAL DA UFRN, DURANTE O PROCESSO DE EXECUÇÃO (2008 – 2016). Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.. Orientadora: Prof. Dra. Maísa Fernandes Dutra Veloso. Natal 2017.
(3) Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Dr. Marcelo Bezerra de Melo Tinoco - DARQ - CT. Hernandes, Laura Barros Garcia. Entre o projetado e o construído: uma análise sobre modificações dos projetos arquitetônicos do campus central da UFRN durante o processo de execução (2008-2016) / Laura Barros Garcia Hernandes. - Natal, 2017. 131f. : il. Volume 1. Orientadora: Maísa Fernandes Dutra Veloso. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Tecnologia. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. 1. Projeto arquitetônico - Dissertação. 2. Processos de projeto Dissertação. 3. Gestão de processos de projeto - Dissertação. 4. Execução de obras - Dissertação. 5. Setor Público - Dissertação. 6. Arquitetura Dissertação. I. Veloso, Maísa Fernandes Dutra. II. Título. RN/UF/BSE15. CDU 72.012.1.
(4) LAURA BARROS GARCIA HERNANDES. ENTRE O PROJETADO E O CONSTRUÍDO: UMA ANÁLISE SOBRE MODIFICAÇÕES DOS PROJETOS ARQUITETÔNICOS DO CAMPUS CENTRAL DA UFRN, DURANTE O PROCESSO DE EXECUÇÃO (2008 – 2016). Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.. Banca Examinadora:. ___________________________________________________________________ Presidente: Prof. Dra. Maísa Fernandes Dutra Veloso – PPGAU/UFRN. ___________________________________________________________________ Examinadora Interna: Prof. Dra. Gleice Azambuja Elali – PPGAU/UFRN. ___________________________________________________________________ Examinador Externo: Prof. Dra. Mônica Salgado - PROARQ/UFRJ. Resultado:___________________________________________________________. Natal, ______de______________de______.
(5) AGRADECIMENTOS. Aos meus pais, Marizeth e João Hernandes, por não medirem esforços em toda a minha formação e confiarem na minha capacidade para a realização do mestrado. À minha orientadora, Dr.ª Maísa Veloso, por todo o tempo dedicado à minha pesquisa e pelo conhecimento compartilhado. Aos professores Dr.ª Mônica Salgado, Dr. Marcelo Tinôco (In memoriam) e Dr.ª Gleice Elali pelas contribuições e sugestões para o enriquecimento desta pesquisa. À Andrew MacKenzie, por estar ao meu lado nos momentos difíceis, sempre me incentivar e acreditar na minha capacidade. À amiga VL, Tamáris Brasileiro, por sempre escutar os meus desabafos e me ajudar durante toda a caminhada do mestrado. Aos profissionais da INFRA que participaram desta pesquisa, pelo tempo disponibilizado e pelas informações compartilhadas, permitindo que os objetivos desta dissertação fossem alcançados. Aos profissionais e professores do PPGAU/UFRN, por compartilharem o conhecimento e serem solícitos em ajudar-nos nos momentos de dificuldades..
(6) RESUMO. O projeto de arquitetura e suas prescrições nem sempre são fielmente executados. Através de observações baseadas na prática da profissão, notou-se que há frequentemente modificações nos projetos arquitetônicos executivos durante a etapa da construção. Muitas vezes, tais modificações ocasionam diversos entraves, como alteração de projetos complementares para compatibilização com a nova arquitetura, interrupção da execução até a resolução definitiva do projeto, desperdício de material, trabalho extra da mão-de-obra, aditivos nos contratos de execução, dentre outros. Assim sendo, formulamos a seguinte questão-problema: Por que projetos arquitetônicos executivos são modificados com frequência durante a execução da obra, especialmente no setor público, e que fatores são responsáveis por estas modificações? Como possível resposta a este questionamento, formula-se a hipótese de que fatores de ordem técnica, financeira e temporal, de modo geral relacionados à gestão dos processos de projeto, explicam os motivos pelos quais os projetos arquitetônicos executivos são modificados durante a construção. O campus central da UFRN, localizado no município de Natal, foi escolhido como recorte espacial pela quantidade e diversidade de novas edificações, uma vez que, a partir do ano de 2008, a ampliação da infraestrutura física da universidade foi intensificada pelos recursos do REUNI (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). O recorte temporal (2008 a 2016) foi definido de acordo com os tipos de obras encontradas nesse período, projetos arquitetônicos elaborados e modificados na construção, excluindo os projetos modificados posteriormente (reformas). Durante as análises, desenvolvidas com base na literatura pertinente ao tema, em dados fornecidos em entrevistas com os profissionais envolvidos na elaboração dos projetos arquitetônicos e na construção dos edifícios e, também, através da comparação do projeto arquitetônico executivo com o projeto as built, foi possível identificar os principais fatores geradores de modificações, nos projetos arquitetônicos, ocorridos na execução da obra, permitindo a comprovação da hipótese de pesquisa. Palavras-chave: Processos de projeto. Gestão de Processos de projeto. Execução de obras. Arquitetura. Setor público..
(7) ABSTRACT. The architectural design and its guidelines are not always faithfully executed. Through observations based on practical field of the profession, it was noted that there are often changes in executive architectural designs during the stage of construction. Often, such changes cause many obstacles, such as: change of complementary projects for compliance with the new architecture, interrupting execution until the final resolution of the design, material waste, extra work of hand labor, execution contractual amendments, among others. Thus, we formulate the issue: Why are executive architectural designs often modified during execution stages, especially in the public sector, and what factors are responsible for these changes? As a possible answer to this question, a hypothesis has been formulated that technical order, financial and temporal factors, generally related to the management of the design process, explain the reasons why executive architectural designs are modified during construction. The central campus of UFRN, located in Natal, was chosen as spatial area cutout by the amount and diversity of new buildings, REUNI’s resources (Restructuring and Expansion of Federal Universities) have intensified the expansion of the physical infrastructure of the university since 2008. The time frame (2008-2016) was defined according to the types of worksites found in this period, elaborated and modified architectural designs in construction, excluding projects later modified (remodeling). During the analysis, developed based on the literature concerning the matter, on data provided in interviews with professionals involved in the development of architectural design and construction of buildings and also by comparing the executive architectural design with the as built project, it was possible to identify the main factors causing changes in architectural designs, occurred during construction, allowing confirmation of the research hypothesis. Keywords: Design Processes. Project Management Processes. Construction Stage. Architecture. Public sector..
(8) LISTA DE FIGURAS. Etapas do projeto de arquitetura ............................................................. 22 Comparativo das fases de projeto da UEL, Unicamp e UFSCar .............. 23 Relação das etapas do processo de projeto com o custo de falhas do edifício ao longo do tempo ...................................................................... 25 Interfaces no processo de projeto ........................................................... 29 Interfaces no processo de projeto ........................................................... 30 Construções no campus central da UFRN (2009-2014) .......................... 42 Exemplares passíveis de análise ............................................................ 43 Quadro resumo de informações sobre os projetos selecionados para análise ..................................................................................................... 43 Edificações selecionadas para análise .................................................... 44 Organograma síntese da INFRA ............................................................. 48 Edificação A – Fachada Norte ................................................................. 58 Alteração na configuração espacial da edificação ................................... 59 Alterações na parte externa da Edificação A – Fachada Sul ................... 61 Edificação A – Fachada Sul..................................................................... 62 Edificação A – Preenchimento das jardineiras ......................................... 63 Alterações na parte externa da Edificação A – Jardineiras ...................... 64 Quadro síntese da análise da Edificação A ............................................. 65 Edificação B ............................................................................................ 67 Shaft próximo a pilar................................................................................ 68 Revestimento das vigas em granito ......................................................... 68 Alteração na locação dos dispositivos de segurança das janelas ............ 69 Dispositivo de segurança nas janelas ...................................................... 69 Acesso à Edificação B ............................................................................. 70 Modificação na fachada Norte da Edificação B ....................................... 70 Detalhe da fachada Norte da Edificação B .............................................. 71 Modificação da fachada Sul da Edificação B ........................................... 72 Detalhe da fachada Sul da Edificação B .................................................. 73 Modificação no guarda-corpo da passarela entre edificação pré-existente e a Edificação B ...................................................................................... 74 Detalhe guarda-corpo passarela ............................................................. 74 Quadro síntese da análise da Edificação B ............................................. 75.
(9) Edificação C ............................................................................................ 77 Tubulação dos aparelhos de ar-condicionado – Fachada Norte .............. 78 Drenos de ar-condicionado...................................................................... 79 Alterações na parte externa da Edificação C – Fachada Oeste ............... 80 Levantamento fotográfico Edificação C – Fachada Oeste ....................... 81 Levantamento fotográfico Edificação C – Fachada Leste ........................ 81 Alterações na parte externa da Edificação C – Fachada Leste................ 82 Quadro síntese da análise da Edificação C ............................................. 87 Edificação D ............................................................................................ 88 Implantação da Edificação D ................................................................... 90 Implantação da Edificação D – Imagem de Satélite ................................. 90 Projeto arquitetônico: topografia do terreno da Edificação D – Fachada Oeste ...................................................................................................... 91 Levantamento fotográfico Edificação D – Fachada Oeste ....................... 91 Projeto arquitetônico: acesso à edificação – Fachada Leste ................... 92 Levantamento fotográfico – Acesso ao terreno ....................................... 92 Levantamento fotográfico – Casas de gás............................................... 93 Levantamento fotográfico – Reservatório inferior de água ....................... 94 Levantamento fotográfico – Sistema de Refrigeração Data Center ......... 94 Levantamento fotográfico – Vestiário funcionários .................................. 94 Levantamento fotográfico – Subestação ................................................. 94 Levantamento fotográfico Edificação D – Pátio interno............................ 95 Alterações na parte externa da Edificação D – Fachada Leste................ 96 Levantamento fotográfico Edificação D – Escada de emergência ........... 97 Levantamento fotográfico Edificação D – Revestimento da Fachada Oeste98 Alterações na parte externa da Edificação D – Fachada Norte................ 98 Levantamento fotográfico da Edificação D – Fachada Norte ................... 99 Levantamento fotográfico da Edificação D – Esquadrias ....................... 100 Quadro síntese da análise da Edificação D ........................................... 102 Quadro resumo das análises das edificações ....................................... 106.
(10) LISTA DE SIGLAS. BIM - Modelagem da Informação da Construção (Building Information Modeling) ES – Engenharia Simultânea FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos INFRA – Superintendência de Infraestrutura da UFRN (Nova denominação para a antiga SIN) ISO - Organização Internacional para Padronização (International Organization for Standardization) PDI – Plano de Desenvolvimento Institucional REUNI – Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais SIN – Superintendência de Infraestrutura da UFRN SINAPI – Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil SIPAC - Sistema Integrado de Patrimônio, Administração e Contratos UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
(11) SUMÁRIO. VOLUME I 1. INTRODUÇÃO .............................................................................................. 12. 1.1. JUSTIFICATIVA ............................................................................................ 14. 1.2. OBJETIVOS .................................................................................................. 16. 1.2.1 Objetivo Geral .............................................................................................. 16 1.2.2 Objetivos Específicos ................................................................................. 16 1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO ...................................................................... 16. 2. PROCESSOS DE PROJETO E SUA GESTÃO NO SETOR PÚBLICO ........ 18. 2.1. PROCESSOS DE PROJETO ........................................................................ 20. 2.2. GESTÃO DO PROCESSO DE PROJETO..................................................... 30. 2.3. ESPECIFICIDADES DO PROCESSO DE PROJETO NO SETOR PÚBLICO 34. 2.4. COMENTÁRIOS SOBRE O CAPÍTULO ........................................................ 38. 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ...................................................... 40. 3.1. SELEÇÃO DAS MÚLTIPLAS UNIDADES DO ESTUDO DE CASO............... 40. 3.2. COLETA DE DADOS..................................................................................... 44. 3.3. TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS ........................................................... 46. 4. O CASO DO CAMPUS CENTRAL DA UFRN ............................................... 47. 4.1. A SUPERINTENDÊNCIA DE INFRAESTRUTURA (INFRA) .......................... 47. 4.2. COORDENAÇÃO DE PROJETOS ................................................................ 48. 4.3. COORDENAÇÃO DE ORÇAMENTOS .......................................................... 51. 4.4. COORDENAÇÃO DE FISCALIZAÇÃO .......................................................... 52. 4.5. EDIFICAÇÕES ANALISADAS ....................................................................... 57. 4.5.1 Edificação A ................................................................................................. 58 4.5.2 Edificação B ................................................................................................. 66 4.5.3 Edificação C ................................................................................................. 76 4.5.4 Edificação D ................................................................................................. 88 4.6. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .............................................................. 103. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 108 REFERÊNCIAS ........................................................................................... 112.
(12) ANEXO I - PARECER DO COMITÊ DE ÉTICA EM PESQUISA ................. 116 APÊNDICE I - ROTEIROS DE ENTREVISTAS ........................................... 121 APÊNDICE II – CATEGORIAS DE ANÁLISES DAS EDIFICAÇÕES ......... 128. VOLUME II. APÊNDICE III – Edificação A PRANCHA 01/02 – Planta Baixa Térreo PRANCHA 02/02 – Planta Baixa 1º Pavimento APÊNDICE IV – Edificação B PRANCHA 01/02 – Planta Baixa Térreo PRANCHA 02/02 – Planta Baixa 1º Pavimento APÊNDICE V – Edificação C PRANCHA 01/03 – Planta Baixa Térreo PRANCHA 02/03 – Planta Baixa 1º Pavimento PRANCHA 03/03 – Fachada Oeste APÊNDICE VI – Edificação D PRANCHA 01/02 – Planta Baixa Térreo PRANCHA 02/02 – Planta Baixa 1º Pavimento.
(13) 12. 1. INTRODUÇÃO. Através de observações feitas no campo prático da profissão, notou-se que durante a execução das edificações, os projetos arquitetônicos são muitas vezes modificados, em algumas situações, repetidamente. Tanto no setor público como no setor privado, são rotineiras soluções para incompatibilidades não previstas entre os projetos de campos disciplinares diferentes. As modificações em geral relacionadas à função, à dimensão, à circulação, à localização dos ambientes e a detalhes executivos, nos fizeram questionar: Por que projetos arquitetônicos executivos são modificados com frequência durante a execução da obra, especialmente no setor público, e que fatores são responsáveis por estas modificações? Como possível resposta a este questionamento, formulou-se a hipótese, de que fatores de ordem técnica, financeira e temporal, de modo geral relacionados à gestão dos processos de projeto, explicam os motivos pelos quais os projetos arquitetônicos executivos são modificados durante a construção. No caso dos projetos realizados em campi de universidades públicas, a questão técnica diz respeito principalmente aos profissionais envolvidos. Devido à demanda crescente de novos projetos para expansão universitária nos últimos anos, arquitetos, engenheiros e fiscais de obra ficaram sobrecarregados, tendo que responder a vários projetos simultaneamente. Além disso, a sobrecarga de trabalho teria dificultado as visitas ou acompanhamento das obras. Acredita-se que outro fator gerador de modificações é a questão financeira. No setor público, a burocracia que envolve os processos licitatórios, a busca por recursos, os aditivos de contratos, torna o sistema mais rigoroso e, ao mesmo tempo, cheio de entraves. Muitas vezes, os recursos liberados não são suficientes para construção total do projeto, sendo o mesmo dividido em duas etapas de construção. Quando a segunda etapa começa a ser executada, já se passou tanto tempo, que a demanda da Universidade é outra, gerando a necessidade de modificações durante a execução. A redução de orçamento pode também fazer com que a execução seja mais simplificada, retirando-se alguns elementos ou detalhes do projeto original. Quando nos referimos às modificações provocadas pela questão temporal, o problema ou fator gerador da mudança pode estar relacionado ao longo tempo transcorrido desde a elaboração do projeto arquitetônico, passando pelo processo.
(14) 13. licitatório até ser concluída a sua construção. As necessidades do campus hoje podem ser diferentes daqui a alguns meses, e mais ainda daqui a dois ou três anos, havendo, assim, necessidades de adequações dos projetos durante a construção. Os representantes dos usuários (chefes, coordenadores ou professores dos departamentos de ensino e laboratórios de pesquisa) constituem os principais solicitantes de modificações quando o tempo entre elaboração do projeto e execução é maior. Diante do problema exposto, essa dissertação tem como objeto de estudo a relação entre os projetos executivos referentes à arquitetura e os projetos “As Built” (como construído) de arquitetura e os fatores que ocasionam eventuais modificações. Procura-se com isso compreender as especificidades do processo de projeto, bem como sobre a gestão desse processo no setor público, mais especificamente no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no Bairro de Lagoa Nova, Natal/RN. Embora o processo projetual englobe todos os projetos executivos, de diversas disciplinas, como arquitetura, estruturas, sistemas prediais de instalações, entre outros, esta pesquisa só analisou os projetos executivos arquitetônicos, tendo em vista que no universo analisado, eles são elaborados separadamente e em momentos distintos. Porém, quando há modificações nos projetos executivos de outras disciplinas, muitas vezes, elas refletem no projeto arquitetônico. Assim sendo, é possível também detectar essas mudanças no projeto as built. De acordo com um levantamento preliminar realizado, só no campus central da UFRN, foram construídas aproximadamente 45 novas edificações nos últimos cinco anos (2010-2014), entre elas ampliações de edifícios já existentes, edifícios totalmente novos e edificações de apoio, como reservatórios elevados, subestações, unidades de tratamento de resíduos. (UFRN, 2014a). Além disso, quase todos os prédios existentes no campus central passaram por reformas. Isso porque nos últimos dez anos (2005-2014), o ensino superior brasileiro sofreu uma transformação significativa em relação ao aumento de número de vagas ofertadas. Segundo o Censo da Educação Superior referente ao ano de 2012, o número de matrículas em cursos de graduação em instituições federais em 2005 era de 595.327, passando para 1.087.413 em 2012 (INEP, 2013). Na UFRN, o Relatório de gestão do exercício de 2013, informa que o total de alunos matriculados na graduação, pós-graduação, ensino médio e infantil em 2005 era de 26.538,.
(15) 14. passando para 42.148 em 2013. E o número de cursos cresceu de 177 em 2005 para 306 em 2013 (UFRN, 2014b). Essa expansão quantitativa acarretou, entre outras consequências, em aumento da demanda por infraestrutura. Para atender à demanda da expansão estudantil e também de docentes, a infraestrutura física da universidade começou a ser ampliada desde então. A partir do ano de 2008, este processo de renovação foi intensificado com o Programa do Governo Federal de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais do país (REUNI), onde foram investidos R$ 81 milhões na UFRN, nos campi localizados nos municípios de Natal, Macaíba, Santa Cruz e Caicó, envolvendo tanto novas obras como recuperações e aquisição de equipamentos (UFRN, 2014c). O campus central desta universidade foi escolhido como recorte espacial para esta pesquisa pela quantidade e diversidade de novas edificações, e também pela possibilidade de acesso às informações de projetos arquitetônicos e obras junto à Superintendência de Infraestrutura. Por fim, o recorte temporal (2008 a 2016) foi definido de acordo com os tipos de obras encontradas nesse período. Como os recursos do REUNI começaram a ser investidos em 2008, muitos projetos de novas obras foram elaborados a partir de então. Além disso, um recorte maior sairia do foco deste trabalho, que busca projetos elaborados e modificados na construção, dele excluindo os projetos modificados posteriormente (reformas), após já terem sido ocupados pelos usuários.. 1.1. JUSTIFICATIVA. A escolha do tema em questão foi feita baseando-se na observação de que há frequentemente modificações nos projetos arquitetônicos durante a etapa de execução e que em geral, elas causam vários problemas e custos adicionais. Muitas vezes, tais modificações ocasionam diversos entraves como: a alteração de projetos complementares para compatibilização com a nova arquitetura, interrupção da execução até a resolução definitiva do projeto, desperdício de material, trabalho extra da mão-de-obra, aditivos nos contratos de execução, entre outros. Em busca dos motivos que levam os projetos arquitetônicos a serem modificados tão comumente durante os processos construtivos, surgem diversos.
(16) 15. questionamentos sobre o processo de projeto, bem como sobre a gestão dos processos de projeto até se chegar ao produto final da construção civil, a edificação. Muitas pesquisas sobre processos de projeto e gestão referem-se às empresas do setor privado, como revelam Cappello, Leite e Fabricio: Na área acadêmica, [...] as pesquisas, os artigos e as teses referentes à busca do aumento da qualidade em coordenação e gestão de projetos, [...] têm como objeto de estudo, na maioria das vezes, incorporadoras, construtoras, escritórios da iniciativa privada e poucas pesquisas existem relacionadas aos órgãos públicos. (2007, p. 01).. Assim, a justificativa desta pesquisa também é de ordem científica, ao procurar contribuir com a ampliação do conhecimento relacionado ao processo de projeto no setor público, uma vez que o recorte espacial é o campus central da UFRN, uma instituição federal. Os projetos arquitetônicos executivos, projetos estruturais, projetos complementares, entre outros, são desenvolvidos, com raras exceções, junto à Superintendência de Infraestrutura da UFRN (INFRA), antiga SIN, que realiza também a fiscalização das obras e das construtoras contratadas. Os trabalhos apresentados sobre o setor público utilizam os mais variados tipos de dados para análise, como licitações e editais (ZANFERDINI, 2011), aditivos de contratos (RASMUSSEN, 2013), entre outros. Assim, a pesquisa a ser desenvolvida e aqui apresentada, fará uso da análise de projetos arquitetônicos executivos e os projetos “As Built”, contribuindo com novas formas de aprofundar o conhecimento através dos dados analisados, extraídos de projetos e relatórios de obra, por exemplo. Para Mahfuz (2003), a importância de discutir cientificamente o projeto arquitetônico aumenta sobretudo na atual crise disciplinar pela qual os arquitetos estão passando, além de não haver uma concordância entre os profissionais sobre os procedimentos projetuais, apresentando riscos de se tornar uma ciência em desuso. É então preciso sistematizar os conhecimentos neste campo e contribuir para a melhoria da atuação profissional. Portanto, antes de descobrir os fatores geradores das modificações nos projetos arquitetônicos, é preciso compreender a forma como os arquitetos e demais profissionais envolvidos no processo de projeto estão trabalhando, o que acontece na transição entre a simulação do real e o real, o objeto construído..
(17) 16. Resumindo, as justificativas para o desenvolvimento desta pesquisa são de ordem pessoal, ao procurar responder um questionamento, uma inquietação surgida durante a prática profissional; de ordem científica, ao contribuir com a pesquisa acadêmica através de um tema com elementos ainda não tão estudados, sobretudo no âmbito do setor público; de ordem social, ao tentar descobrir geradores de desperdícios humanos e materiais; e de ordem profissional, ao tentar investigar os fenômenos que envolvem o projeto arquitetônico e o processo construtivo, para proporcionar uma reflexão sobre a prática profissional, em especial no setor público.. 1.2. OBJETIVOS. 1.2.1 Objetivo Geral Compreender os motivos pelos quais os projetos arquitetônicos do campus central da UFRN são modificados durante a execução da obra, contribuindo, assim, para evitar desperdícios de recursos humanos e materiais.. 1.2.2 Objetivos Específicos •. Investigar os conhecimentos sobre processos de projeto;. •. Analisar os projetos arquitetônicos executivos, desenvolvidos no âmbito da INFRA, relacionando-os com os projetos arquitetônicos “As Built 1” (como construído);. •. Identificar os fatores geradores das modificações dos projetos arquitetônicos durante o processo construtivo;. •. Apontar sugestões para diminuir as modificações dos projetos arquitetônicos durante a construção.. 1.3. ESTRUTURA DO TRABALHO. O trabalho se estrutura em dois volumes, sendo o primeiro referente à dissertação propriamente dita (partes textuais) e o segundo apresenta as pranchas. 1. O Projeto “As Built” representa fielmente o objeto construído, com registros das alterações verificadas durante a execução da obra (ABNT, 2011)..
(18) 17. dos projetos analisados. A dissertação é desenvolvida em cinco capítulos, sendo o primeiro a Introdução, na qual é apresentada e contextualizada a pesquisa, bem como a justificativa para o seu desenvolvimento, deixando claros o objeto do estudo e seus objetivos, geral e específicos. O segundo capítulo é constituído da fundamentação teórica-conceitual, desenvolvida a partir da revisão bibliográfica, que aborda os principais conceitos utilizados na pesquisa, quais sejam: processos de projeto, gestão dos processos de projeto e o desenvolvimento destes processos de projeto e sua gestão no setor público, bem como suas especificidades. O terceiro capítulo apresenta a metodologia utilizada para desenvolvimento da pesquisa, juntamente com os critérios para seleção das unidades analisadas, os instrumentos para coleta de dados e análise de dados. No quarto capítulo, são apresentados os resultados da pesquisa de campo por meio do estudo das etapas dos processos de projeto e sua gestão, desenvolvidas no âmbito do campus central da UFRN, e da identificação das modificações feitas aos projetos arquitetônicos durante a execução de quatro obras estudadas. Nele são também desenvolvidas as análises dos dados referentes a cada edificação, bem como a discussão dos resultados e o confronto dos dados com a fundamentação teórica-conceitual utilizada. O quinto capítulo apresenta as conclusões do trabalho e sugestões para melhoria da gestão dos processos de projeto, baseadas na análise realizada e na literatura de referência. E, por fim, são apresentadas as referências utilizadas no desenvolvimento da pesquisa, bem como os apêndices e anexos do trabalho..
(19) 18. 2. PROCESSOS DE PROJETO E SUA GESTÃO NO SETOR PÚBLICO. Em busca dos motivos que levam os projetos arquitetônicos do campus central da UFRN a serem modificados durante os processos de construção, a fim de evitar o desperdício dos recursos humanos e materiais, e a partir da aproximação com o objeto de estudo, a relação dos projetos arquitetônicos executivos com os projetos arquitetônicos “As Built” (como construído), procura-se, neste capítulo, aprofundar os conhecimentos sobre o processo de projeto, bem como sobre a gestão desse processo até chegar ao produto final da construção, a edificação, tentando compreender o cenário atual destes temas, mais precisamente, no setor público. O surgimento do projeto arquitetônico está associado, segundo Silva (1998), à divisão social do trabalho, a partir da especialização profissional e da exclusão da participação direta do usuário, o qual irá explicitar para o projetista o que deseja. Com o avanço das sociedades e o desenvolvimento das edificações mais complexas, surge a necessidade de profissionais mais especializados, juntamente com o projeto arquitetônico como elemento de registro, comunicação, prescrições e instruções, para “antecipar a configuração que a obra assumirá, de modo a proscrever a possibilidade do inesperado e de suas consequências, frequentemente, indesejáveis” (SILVA, 1998, p. 26). O projeto, mais do que representar ou documentar uma futura edificação, por exemplo, tem o papel fundamental de comunicar, contribuindo para o bom desenvolvimento da execução de uma obra, pois quanto mais informações ele tiver, e quanto mais pensado, discutido e compatibilizado com outras disciplinas, menores serão as modificações necessárias durante a construção. Assim, como afirma Melhado: [...] quando a atividade de projeto é pouco valorizada, os projetos são entregues à obra repletos de erros e de lacunas, levando a grandes perdas de eficiência nas atividades de execução, bem como ao prejuízo de determinadas características do produto que foram idealizadas antes de sua execução. (MELHADO, 2005, p. 12).. Além de perdas temporais, com o retrabalho dos agentes envolvidos, todos os problemas relacionados às modificações de um projeto, quando este já está sendo executado, refletem diretamente nos custos. Mais uma vez, a importância do:.
(20) 19. [...] esforço dispensado durante o projeto repercute em ganhos sensíveis e possui custos reduzidos quando comparados aos que advêm das modificações feitas posteriormente, durante a execução, pois as modificações feitas ‘no papel’ são mais simples de serem efetuadas. (MELHADO, 2005, p. 12).. Para Mahfuz (2003, p. 70), “um projeto deveria sempre começar no edifício que melhor resolveu um caso de características similares”, ou seja, o autor defende que na arquitetura não devemos “inventar algo do nada”, mas sim buscarmos experiências que deram certo ou não. E estas experiências já estão no plano real, onde o projeto arquitetônico foi materializado. O autor afirma ainda que “a importância da construção para a arquitetura é tanta que se poderia afirmar que não há concepção sem consciência construtiva. A construção é um instrumento fundamental para conceber, não apenas uma técnica para resolver problemas” (MAHFUZ, 2003, p. 68). Assim, percebe-se que não deveria existir um distanciamento entre o arquiteto e a execução da obra, uma vez que a construção poderia contribuir para a concepção do projetista, através da retroalimentação do processo projetual. O próprio projeto “As Built”, que representa fielmente o objeto construído, com registros das alterações verificadas durante a execução da obra e dados obtidos através da supervisão e fiscalização da construção, poderia ser uma forma de aproximar o projetista da obra, reforçando a ideia de Mahfuz (2003), de que a construção poderia contribuir para a concepção do projetista, pois estes saberiam o que foi necessário modificar e, às vezes, até porquê, não repetindo estas soluções em projetos futuros. Além disso, pelo desenvolvimento do projeto arquitetônico “As Built” ser baseado no projeto arquitetônico executivo, incluindo os ajustes necessários durante a execução do projeto, esta tarefa seria facilitada se realizada pelo próprio projetista, que conhece com detalhes o seu projeto. Mas como afirma Romano, “os projetistas não são informados com relação a eventuais problemas ou alternativas levantadas nos canteiros de obras” (2003, p. 68). As informações presentes nos projetos “As Built” também poderiam facilitar um próximo trabalho na edificação construída, como: serviços de manutenção, intervenções futuras de reformas e ampliação. O distanciamento entre quem projeta e quem constrói pode justificar ao menos parte das modificações dos projetos arquitetônicos durante a construção. Segundo Novaes:.
(21) 20. [...] a dissociação com a produção das edificações provoca a desconsideração de aspectos produtivos, durante o processo de elaboração, ocasionando omissões nos detalhamentos e ausência de complementação na composição dos projetos resultantes (NOVAES, 2002, p. 2).. Como diversos autores, Melhado afirma que “a construção civil [...] talvez seja a única indústria que exerce essa prática de fabricar o seu produto (edifício) sem uma definição precisa de como produzi-lo” (MELHADO et al., 2005, p. 51). Apesar de constantes modificações e importantes avanços nos métodos e ferramentas de auxílio ao processo projetual, na última década, a construção civil ainda encontra estes entraves, principalmente relacionados à falta de integração entre os profissionais envolvidos no processo. Então, através do conhecimento mais aprofundado sobre as etapas dos processos de projeto existentes e a forma como se dá a gestão das mesmas no setor público, pode-se verificar a existência de deficiências ou boas práticas, que influenciam a relação entre o projeto arquitetônico executivo e seu produto final, a edificação construída, seja esta relação de conformidade ao projeto ou diferente do mesmo.. 2.1. PROCESSOS DE PROJETO. A expressão processo de projeto pode fazer referência a diversas fases do desenvolvimento de um projeto, desde a forma como um projetista cria um projeto, a partir de suas ideias iniciais, até as etapas mais técnicas de elaboração de projetos arquitetônicos, as quais são objeto de estudo nesta pesquisa. Para Lawson (2011, p. 172), o processo projetual “se inicia com algum tipo de problema e termina com algum tipo de solução”. Ou seja, para começar a trabalhar, os projetistas lançam mão de estratégias projetuais, que poderiam ser definidas como o método de como fazer para projetar, as ações, a implementação dos princípios para desenvolver uma proposta ou um projeto. Estes princípios atuam no processo de projeto como justificativa dos projetistas, uma orientação no processo projetual ou ainda como uma forma de reduzir possibilidades a serem exploradas, para que, assim, possa ser desenvolvido tecnicamente o produto final, projeto executivo, por exemplo..
(22) 21. Para Kowaltowski, Bianchi e Petreche (2011, p. 21), “não há um método único para resolver os problemas, pois cada caso é único e precisa de soluções específicas”. Desta forma, as variáveis dos problemas encontrados dentro de uma universidade, por exemplo, podem estar relacionadas à demanda de expansão estudantil, ao recurso liberado para construção. E cada uma precisará ser solucionada de maneira única. É importante destacar que o processo de projeto ao qual esta pesquisa se refere, está relacionado ao modelo de organização do processo e não ao método de concepção inicial de projetar. Ou seja, o interesse maior, aqui, está nas etapas e procedimentos seguidos ou não pelos projetistas até a execução da obra, com um enfoque mais técnico e aplicado à prática projetual. O processo de projeto engloba diversas etapas de produção, como também diversos agentes, como afirmam Liu, Oliveira e Melhado: O processo de projeto de um edifício é uma tarefa complexa, executada pelos agentes envolvidos: empreendedores, que viabilizam um projeto; arquitetos e projetistas, que traduzem as necessidades dos empreendedores em documentos; construtores, que quantificam em custos as soluções técnicas e constroem o que foi projetado; usuários, que utilizam o edifício e fornecem dados de pós-ocupação; administradores prediais, que realizam a manutenção do edifício; órgãos governamentais, que, por meio da legislação e normas, regulam as atividades relacionadas ao projeto, à construção, às licenças e, em alguns casos, aos financiamentos (LIU; OLIVEIRA; MELHADO, 2011, p. 64).. Entre os diversos agentes envolvidos no processo projetual, existem questões específicas que envolvem projetos institucionais. Como afirma Esteves, “dentro do ambiente das universidades, o projeto também deve considerar as restrições e recomendações dos Planos Diretores dos campi e as prioridades estabelecidas nos Planos de Desenvolvimento Institucional (PDIs) , [...] da administração central e dos usuários” (2013, p.36). Além de restrições e normas internas, os projetos institucionais também devem obedecer às normas brasileiras para o seu desenvolvimento. A NBR 13532, sobre Elaboração de projetos de Arquitetura, estabelece “as condições exigíveis para a elaboração de projetos de arquitetura para a construção de edificações” (ABNT, 1995b, p. 1). Conjuntamente à aplicação desta Norma, deve-se consultar a NBR 13531, referente às Atividades técnicas para elaboração de projetos de edificações, a qual abrange além das atividades para projetos de arquitetura,.
(23) 22. também as atividades técnicas de engenharia. Assim, a NBR 13531 trata sobre as atividades de projeto de: arquitetura, estruturas, instalações hidráulicas, instalações elétricas, paisagismo, comunicação visual, entre tantos outros (ABNT, 1995a, p. 2). Tanto a NBR 13531, quanto a NBR 13532, apresentam as etapas a serem seguidas para elaboração do projeto arquitetônico: levantamentos de dados, programa de necessidades, estudo de viabilidade, estudo preliminar, anteprojeto, projeto legal, projeto básico e projeto para execução. Como apresentado na Figura 1, as etapas de projeto ocorrem de forma linear, sequencial, sem revelar uma interação dinâmica com as demais atividades de projeto de edificações. Etapas do projeto de arquitetura Levantamento. Programa de. Estudo de. Estudo. de dados. necessidades. viabilidade. Preliminar. Projeto básico. Projeto legal. Anteprojeto ou Pré-Execução. Projeto para Execução. ETAPA OPCIONAL ETAPA OBRIGATÓRIA. Fonte: Desenvolvido pela autora, baseado na NBR 13532, ABNT, 1995b.. Observando-se. estas. Normas,. os. projetos. parecem ser. elaborados. concomitantemente, fornecendo subsídios para as diversas disciplinas, mas sem um trabalho conjunto, sem reuniões entre os projetistas para discussão de soluções projetuais. Segundo a NBR 13532, durante a elaboração do projeto de arquitetura de uma edificação, deve-se ter a: Determinação e representação prévias (desenhos e textos) da configuração arquitetônica de edificação, concebida mediante a coordenação e a orientação geral dos projetos dos elementos da edificação, das instalações prediais, dos componentes construtivos e dos materiais de construção. (ABNT, 1995b, p. 3).. As etapas do projeto de arquitetura, conforme a NBR 13531 e a NBR 13532, parecem predominar dentro das universidades brasileiras, como revelado por Esteves, (Figura 2), onde “as fases de projeto estabelecidas nas três universidades.
(24) 23. são bem similares. A UEL e a UFSCar trabalham com quatro fases de projeto e a Unicamp com cinco” (2013, p. 130).. UFSCar. Unicamp. UEL. Comparativo das fases de projeto da UEL, Unicamp e UFSCar. Programa. Estudo. necessidades. Preliminar. Programa. Estudo. necessidades. Preliminar. Programa. Estudo. necessidades. Preliminar. Projeto Básico. Projeto. Obra. Executivo. Anteprojeto. Projeto Pré-. Projeto. Executivo. Executivo. Anteprojeto. Projeto. Obra. Obra. Executivo. Licitação Projetos Preparação da pasta técnica, orçamento e Licitação Obra. Fonte: ESTEVES, 2013, p. 130.. Mais uma vez, ocorre um sistema de projeto linear, em cuja elaboração, não há uma interação direta com os projetistas de outras disciplinas. Esteves, afirma que: Quanto aos projetos de engenharia, a UEL também se distingue das outras universidades. Na maioria dos casos, os projetos complementares são contratados por especialidade, o que envolve diversos projetistas, dificultando a coordenação de projetos [...]. Com tantos envolvidos, o processo pode sofrer atrasos, já que o projeto executivo final, elaborado pelo setor de arquitetura, fica sujeito a todas as entregas. [...] Em muitos casos, quando a contratação é de Projeto Executivo completo, a empresa pode ser qualificada em determinada especialidade, mas não em todas, gerando projetos bem resolvidos e detalhados em certas áreas, mas não de maneira global (ESTEVES, 2013, p. 131).. Percebe-se que existe uma separação bem definida e rígida em “setores” para elaboração dos projetos. Fala-se em elaboração de “projetos complementares”, como se os projetos de instalações e estruturas, por exemplo, complementassem o projeto arquitetônico. Segundo Fontenelle, “essa denominação, ainda muito usada no mercado, está totalmente imprópria em um ambiente onde se busca a multidisciplinaridade no desenvolvimento do processo de projeto” (2002, p. 105). Esse tipo de processo sequencial para elaboração dos projetos de uma edificação exige, consequentemente, um maior esforço e tempo para fazer a.
(25) 24. compatibilização dos projetos. Esta compatibilização é “a atividade de gerenciar e integrar projetos correlatos inerentes à determinada obra, [...], de forma a eliminar os conflitos, simplificando a execução e otimizando a utilização de materiais e mão-deobra” (SEBRAE/SINDUSCON-PR, 1995 apud ROMANO, 2003, p. 11). Segundo Callegari, compatibilização “compreende, também, a ação de detectar falhas relacionadas às interferências e inconsistências geométricas entre os subsistemas projetuais” (2007, p. 35). A compatibilização deve ser feita antes dos projetos serem enviados para o canteiro de obras, para que haja uma prévia verificação da relação entre o projeto arquitetônico e os demais projetos. Caso sejam detectadas interferências, como tubulações de combate a incêndio passando por elementos estruturais ou pilares interferindo no layout dos ambientes, por exemplo, os projetistas poderão fazer os ajustes necessários ainda em nível projetual. Dada a devida importância à etapa de compatibilização dos projetos, principalmente num processo de projeto sequencial, evita-se que soluções sejam dadas durante a execução, sem a necessidade de interrupção da mesma. Além disso, como afirma Callegari, “durante a análise de incompatibilidades entre os projetos, cresce o comprometimento dos profissionais envolvidos no processo, incrementando a troca de informações tecnológicas e experiências compartilhadas” (2007, p.37). Assim, como a compatibilização, existe uma série de fatores que interferem no processo de projeto. Diversos autores como Melhado et al. (2005), Romano (2003), Fabricio (2002), Fontenelle (2002) enumeram alguns desses fatores. Como Romano afirma: A falta ou adiamento de decisões, [...], quanto às definições sobre as tecnologias construtivas a serem adotadas, potencializa uma grande quantidade de erros e retrabalho para todos os participantes da equipe de projeto e constitui-se num dos grandes “gargalos” causadores de desperdício, que repercutem negativamente na qualidade dos produtos gerados e na eficiência da construção (ROMANO, 2003, p. 9-10).. Não só indefinições das tecnologias construtivas, mas também a falta de informatização do processo de projeto e a fixação de prazos muito curtos para as etapas iniciais do projeto, podem gerar grandes problemas ao longo do processo, até resultando em problemas de manutenção pós-ocupação..
(26) 25. As etapas iniciais do processo de projeto, principalmente o desenvolvimento dos projetos em si, quando desenvolvidas sem pressões de tempo e de custos, podem contribuir com a execução da obra, em termos de economia de recursos humanos e materiais. Na Figura 3, relacionam-se as etapas do projeto com o custo acumulado no final da produção ao longo do tempo. Como afirma Melhado, “as decisões tomadas nas fases iniciais do empreendimento são as mais importantes, podendo ser-lhes atribuída a principal participação na redução dos custos de falhas do edifício” (2005, p. 14). Relação das etapas do processo de projeto com o custo de falhas do edifício ao longo do tempo. 100%. Custo acumulado de produção. Possibilidade de interferência. Estudo de viabilidade. Concepção do Projeto. Projeto. Construção. TEMPO. Fonte: HAMMARLUND; JOSEPHSON, 1992 apud MELHADO et al, 2005.. Confirmando estas informações (Figura 3), Brasil, afirma que: Projetos iniciados sem os devidos estudos podem, em face do acréscimo de custos no decorrer das obras, se mostram inviáveis sob diversos aspectos, o que resulta no desperdício de recursos públicos. [...] O projeto tem a capacidade de subsidiar as atividades de produção em canteiro de obras com informações detalhadas e que não poderiam ser igualmente geradas no ambiente da obra. Um projeto detalhado facilita planejamento e a programação das atividades de obra, assim como um programa efetivo de controle da qualidade para materiais e serviços. (BRASIL, 2013, p. 153)..
(27) 26. Para Kowaltowski, Moreira e Deliberador, Para melhorar o processo de projeto e vencer obstáculos de sua complexidade são recomendados atualmente vários procedimentos. Em primeiro lugar recomenda-se valorizar a fase do programa arquitetônico, ou de necessidades, com a discussão dos problemas a serem resolvidos e as suas possíveis soluções. O levantamento de requisitos do cliente ou os requisitos funcionais deve ser estruturado e documentado para alimentar o desenvolvimento de soluções projetuais (KOWALTOWSKI; MOREIRA; DELIBERADOR, 2012, p.4).. Ou ainda, como afirmam os mesmos autores, Quanto mais enriquecida for a etapa de desenvolvimento do programa arquitetônico, com a reunião, organização e apresentação clara de dados, maiores são as chances de se obter as informações diferenciais para as etapas de desenvolvimento do projeto (KOWALTOWSKI; MOREIRA; DELIBERADOR, 2012, p.9).. Desta forma,. percebe-se. a importância. da definição. do. Programa. Arquitetônico desde as etapas iniciais do processo projetual, para que os profissionais envolvidos contemplem todas as solicitações e necessidades do cliente, por exemplo, no projeto, para que assim, futuramente, durante a execução, as solicitações de modificações não ocorram. Porém, como as necessidades podem mudar dentro das universidades, devido ao perfil dinâmico que estas instituições possuem, para receber novos estudantes e novos tipos de pesquisas, o Programa Arquitetônico precisa observar questões como a flexibilização de usos e espaços, por exemplo. Assim, como apontam os mesmos autores (2012, p.2), “o desafio aos arquitetos de criar edifícios que sirvam às novas realidades e necessidades, e que sejam ainda flexíveis e adaptáveis às mudanças de um futuro próximo”. Outros fatores, já comentados anteriormente, como: a falta de integração entre os profissionais envolvidos no projeto, a elaboração do projeto de forma compartimentada (arquitetura; estrutura; sistemas de instalações prediais), falta de retroalimentação do projeto a partir da obra executadas, dificultam mais ainda o processo de projeto, causando “resultados não desejados no processo construtivo” (ROMANO, 2003, p. 10-11, 21). Neste sentido, Romano afirma que deve-se romper com este modelo sequencial de processo de projeto “com vistas a reduzir prazos e custos, aumentar a qualidade e a satisfação de todos os envolvidos” (2003, p. 3). Um dos caminhos.
(28) 27. apresentados, em busca de um processo de projeto diferente, foi baseado na Engenharia Simultânea (ES), desenvolvida para atender outros setores industriais com produção seriada, que não o da construção, a partir de práticas colaborativas (FABRICIO, 2002). Devido ao “conjunto de profissionais e problemáticas envolvido no processo de projeto” (FABRICIO, 2002, p. 203) da construção, foi definida uma nova denominação para a ES no setor da construção, passando a ser tratada como “Projeto Simultâneo” (FABRICIO; MELHADO, 1998 apud FABRICIO, 2002, p. 203). No setor da construção, o Projeto Simultâneo é definido por Fabricio, Melhado (2001), como: [...] uma adaptação (ao setor) da Engenharia Simultânea que busca convergir, no processo de projeto do edifício, os interesses dos diversos agentes participantes do ciclo de vida do empreendimento, considerando precoce e globalmente as repercussões das decisões de projeto na eficiência dos sistemas de produção e na qualidade dos produtos gerados, envolvendo aspectos como construtibilidade, habitabilidade, manutenibilidade e sustentabilidade das edificações (apud FABRICIO, 2002, p. 203).. Desta forma, para que o processo do Projeto Simultâneo funcione de maneira eficiente, é necessário que haja “trabalho em equipe, comunicação sistêmica, treinamento de recursos humanos e parcerias” (MELHADO et al., 2005, p. 54), para que assim, sejam desenvolvidos projetos em prazos mais curtos e com redução de falhas nos mesmos. Segundo Melhado et al. (2005, p. 54), adotando o Projeto Simultâneo, buscase como principais benefícios: “maior integração entre os agentes do processo; redução do tempo de elaboração dos projetos; melhoria de desempenho do produto e do processo; diminuição de custos”. A. construtibilidade,. aspecto. recorrente. no. Projeto. Simultâneo,. está. “relacionada à introdução de inovações tecnológicas e construtivas que racionalizam a obra ou parte desta [...] e diretamente ligada à qualidade das soluções projetuais, à integração entre os projetos e dos projetos com o sistema de produção da obra” (FABRICIO, 2002, p. 201). E para que se obtenha construtibilidade na construção de edifícios, são necessários projetos para produção, que tem como um dos principais objetivos facilitar a execução de determinado elemento durante a obra, através da sua integração com o projeto e seu processo..
(29) 28. Para Melhado et al. (2005, p. 59), a importância dos projetos para construção “está em garantir ao máximo a definição prévia dos principais serviços que afetam ao processo de produção, bem como garantir um nível de racionalização construtiva compatível entre subsistemas que se sucedem na execução das obras de edifícios”. Porém, sabe-se que a introdução destes projetos voltados à produção na realidade da construção de edifícios ainda é muito pequena, principalmente no setor público, devido à setorização do processo projetual e contratação tardia dos agentes responsáveis pela execução das obras, não ocorrendo uma integração desde as fases iniciais do processo de projeto entre os agentes envolvidos. Assim como afirmam Motta e Salgado, “o processo continua após a entrega do projeto, havendo a responsabilidade e necessidade de acompanhamento pelos projetistas durante a fase de execução” (2003, p. 5). Um importante aspecto de distinção entre setores privado e público é “a não participação das construtoras nas etapas iniciais do projeto” (MOTTA; SALGADO, 2003, p. 5), que segundo as mesmas autoras, “é um fator negativo, uma vez que estas, na maioria das vezes, são conhecidas após a licitação da obra, quando o projeto básico e o executivo já foram elaborados; dificultando, assim, a integração entre projeto e produção” (2003, p. 5). Para mostrar uma possibilidade de como o projeto simultâneo deveria ocorrer, apresentam-se, na Figura 4, as interfaces possíveis para aplicação deste. Assim, o projeto do produto desenvolvido multidisciplinarmente (i2), deve atender às expectativas e necessidades do cliente (i1). O projeto do produto será desdobrado em projeto para produção, facilitando a execução (i3). Por fim, ocorre a retroalimentação do projeto através da obra (i4), com a elaboração do projeto “como construído” (as built) e retroalimentação para futuros programas (i5), através da avaliação pós-ocupação da edificação, feita com os usuários..
(30) 29. Interfaces no processo de projeto. Fonte: FABRICIO, 2002, p. 229.. A partir das ideias do processo de projeto tradicional e do projeto simultâneo, Romano (2003) propôs um modelo de processo de projeto, que pode ser adequado conforme a realidade da construção, por exemplo. O Gerenciamento do Processo de Projeto Integrado de Edificações (GPPIE), como foi denominado, foi criado através da identificação das possibilidades de melhoria em diversas práticas do processo projetual.. Entre. elas. tem-se:. trabalho. em. equipes. multidisciplinares,. desenvolvimento simultâneo de algumas atividades do processo, projetos para produção e do produto desenvolvidos concomitantemente, entre outros (ROMANO, 2003). Um dos principais diferenciais do GPPIE é a dinâmica do modelo, pois ele apresenta como cada atividade deve ser realizada, quais os eventos marcam o término das fases, por exemplo. Além disso, duas outras características, incluir avaliação para passagem de fase e permitir o registro das lições aprendidas, revelam como esse modelo pode contribuir com o desenvolvimento e conhecimento do processo de projeto (ROMANO, 2003). O GPPIE é dividido em oito fases principais, parecidas com as etapas definidas na NBR 13532, mas “ao final de casa fase acontece uma avaliação do resultado obtido que autoriza a passagem para a fase seguinte do processo de projeto de edificações” (ROMANO, 2003, p. 194), conforme pode-se observar na Figura 5..
(31) 30. Interfaces no processo de projeto. Fonte: ROMANO, 2003, p. 194.. Assim,. fica. evidente. que. existem. várias. possibilidades. para. o. desenvolvimento do processo de projeto. Porém, alguns delas mostram-se mais eficientes em relação à redução de custos, prazos, retrabalhos, desperdícios materiais. Observou-se também que os processos de projetos que estão sendo desenvolvidos atualmente, ainda seguem a tendência tradicional, onde as atividades são desenvolvidas de maneira sequencial. O processo de projeto e sua gestão estão diretamente relacionados, uma vez que o primeiro não ocorre sem a gestão do tempo, dos custos, das informações, dos agentes, entre outros aspectos. Assim, a seguir, serão abordadas estas questões sobre a gestão do processo de projeto, evidenciando principalmente o setor público.. 2.2. GESTÃO DO PROCESSO DE PROJETO. Através da observação no campo profissional, constatou-se que as constantes modificações nos projetos arquitetônicos durante a etapa de execução, em geral acarretam vários problemas e custos adicionais, como o desperdício de recursos humanos e materiais. Liu, Oliveira e Melhado (2011, p. 75), sugerem que “a adoção integral das práticas recomendadas de gestão do processo de projeto, em muitos casos, reduz os índices de retrabalho, da fase de projeto até a entrega das obras”. A gestão do processo de projeto, segundo Melhado (2005, p.19), “compreende o conjunto de ações envolvidas no planejamento, organização, direção.
(32) 31. e controle do processo de projeto”. Ou mais especificamente, como definem Liu, Oliveira e Melhado (2011, p. 64), “a gestão do processo de projeto é entendida como a administração que começa com uma ideia e finaliza com a produção de uma documentação completa (os projetos), cujos parâmetros geram a construção de um edifício”. Desta forma, a adoção da gestão dos processos de projeto no setor público se torna imprescindível para que haja a coordenação do processo, pois como afirma Marino (2010 apud ESTEVES; FALCOSKI, 2013, p. 71-72), “por conta das pressões políticas e prazos determinados para utilização dos recursos, as etapas do processo de projeto dentro das universidades são atropeladas ou interrompidas e seguem de forma não-coordenada”. Segundo Melhado, o coordenador de projetos “é o principal agente na gestão do processo de projeto e tem como principais atribuições realizar e fomentar ações de integração entre projetistas” (2005, p. 73). Na gestão do processo de projeto, podem ser observados diversos aspectos que compõem esta atividade, como a gestão de prazos, a gestão dos custos, a gestão da qualidade, a gestão da informação, entre outros. A gestão de prazos no processo projetual “refere-se ao conjunto de atividades requeridas para assegurar que o projeto seja elaborado dentro do prazo previsto” (MELHADO et al., 2005, p. 41). Então, para o desenvolvimento do projeto, ainda segundo o autor (2005, p. 41-42), é necessário: definir as atividades (o que deve ser desenvolvido no projeto), sequenciar as atividades (como as atividades serão desenvolvidas, de forma simultânea ou sequencial), estimar os recursos das atividades (tipos e quantidades de material, recursos humanos, equipamentos para realizar cada atividade), estimar a duração das atividades, desenvolver o cronograma e controlar o cronograma (monitorar o andamento das atividades). Através da gestão dos requisitos ao longo do tempo, pode-se evitar atropelos durante o desenvolvimento do projeto, integrar as atividades das diversas especialidades e verificar o andamento do processo, resultando assim, em projetos compatibilizados, e consequentemente execuções de obra com menor desperdícios de recursos e modificações projetuais. Diretamente relacionada à gestão de prazos, está a gestão de custos, que “inclui os processos envolvidos em planejamento, estimativas, orçamentos, financiamentos, gerenciamento e controle dos custos, de modo que o projeto possa.
(33) 32. ser terminado dentro do orçamento aprovado” (PMI, 2014, p. 193). Relembramos que o projeto objeto de interesse nesta pesquisa, é o projeto arquitetônico da edificação. Um importante item na gestão de custos é o desenvolvimento da planilha orçamentária, na qual são ou deveriam ser especificados todos os serviços e materiais necessários para executar uma edificação. Se algum item não estiver constando nesta planilha, durante a execução poderá ocorrer aditivos contratuais, elevando o custo previsto inicialmente. Para Rasmussen, “existe também como causa de aumento do custo da obra alterações de projeto [...]. Essas alterações podem possuir diversas causas, como mudança da demanda no meio do processo e falha no levantamento de necessidades no início” (2013, p.46). Mas, a gestão de custos vai além do planejamento orçamentário para execução de um projeto, pois “deve considerar também o efeito das decisões de projeto no custo recorrente subsequente do uso, manutenção e suporte do produto, serviço ou resultado do projeto” (PMI, 2014, p. 195). Ou seja, o custo de manutenção ou operação de uma edificação pode se tornar muito alto, de acordo com decisões tomadas durante o projeto. Assim, a gestão de custos se torna uma ferramenta muito importante durante toda a elaboração do projeto, fazendo o projetista pensar além do papel, criando soluções eficientes, que contribuam com a economia de gastos na operação de instituições públicas, por exemplo. Outro importante aspecto, a ser observado na gestão do processo projetual, é a gestão da qualidade, que “trabalha para garantir que os requisitos do projeto, incluindo os requisitos do produto, sejam cumpridos e validados” (PMI, 2014, p. 227). Para Romano (2003, p. 9), a gestão da qualidade está voltada principalmente para processos de certificação e alcance de melhorias através da padronização dos processos. Apesar de Romano (2003), fazer alusão às padronizações referentes à ISO 9001, que pode ser entendida, de forma geral, como um conjunto de ações preventivas, para garantir e padronizar um serviço ou um produto, busca-se dentro dos processos projetuais, diversos tipos de padronizações, como o uso de uma família de materiais que possam facilitar o desenvolvimento do trabalho dos projetistas, orçamentistas e construtores, por exemplo. Aqui, mais do que a gestão da qualidade voltada para o processo projetual, busca-se observar a influência desta gestão na execução do edifício. Como revela.
Documentos relacionados
Em suma, ainda que seja uma forma de trabalho vista como degradante pela sociedade, os “ catadores de materiais recicláveis ” fazem do lixo uma forma de obter renda para o
para o processo de investigação, uma vez que é com base nos diários de campo.. que os investigadores conseguem analisar e refletir sobre os dados recolhidos, permitindo
8.213/1991, acarreta a possibilidade de extinção do contrato de trabalho, uma vez que a legislação previdenciária impõe o afastamento do aposentado especial da
O setor de energia é muito explorado por Rifkin, que desenvolveu o tema numa obra específica de 2004, denominada The Hydrogen Economy (RIFKIN, 2004). Em nenhuma outra área
5 “A Teoria Pura do Direito é uma teoria do Direito positivo – do Direito positivo em geral, não de uma ordem jurídica especial” (KELSEN, Teoria pura do direito, p..
dois gestores, pelo fato deles serem os mais indicados para avaliarem administrativamente a articulação entre o ensino médio e a educação profissional, bem como a estruturação
É, precisamente, neste âmbito que se apresentam quatro áreas que, dada a sua forte vertente estratégica, poderão influenciar significativamente as organizações, a
O petróleo existe na Terra há milhões de anos e, sob diferentes formas físicas, tem sido utilizado em diferentes aplicações desde que o homem existe. Pela sua importância, este