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Envenenamento pela tetrodotoxina.

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

;

oEN¶Ro BIOMÉDIGO _

ENVENENAMENTO ÊELA TEÊRODOTQXINÀ

Aluno: Walter Coral

max szhwoelk Néto

Medicina V

Clínica Médica

/

(3)

~ ' ÍNDICE INTRODUÇÃO MATERIAL E mfimobo REVISÃG BIBLIOGRÁFICA «

Fonte do veneno - espécies de baiacu

Hábifiafi Fisiopatologia Manifestações clínicas Prøgnôstico Tratamento. CONCLUSÕES BIBLIOGRAFIA 1 2 5 5 6 7 7 8 9 10

(4)

_1_

e

I1~m:zzoDUgÃo ~

A

carne de muitos peixes existentes em águas tropicais pg

de_ser Venenosa em certas épocas do ano. Os peixes tornag

se aparentemente venenosos quando se alimentam de certos

organismos marinhos. Alguns, como os capazes de infla o

ou

corpo (baiacu), cângulos e bodianos sao venenosos durante

quase todo o ano. Outros como o peixe barbeiro, peixe ga~

/z .

,

1 _! _ N

lo, baiacu de espinno, peixe iima, peixe bode, enguia,sao

venenosos apenas uma parte do ano em certas localidades.

O presente trabalho se propõe a descrever três casos de

envenenamento por ingestão de carne de peixe contendo te-

(5)

¡ \ _2- 5-_-5 "Q iâraaiàtpp maroto I câso L.

FTE, 43 nos, masculino, admitido no ÉS do HMSJ relatou for-

migamento em lábios e língua e parestesias em extremidades

de membros superiores e ;membros inferiores após ingestão das

vísceras do peixe conhecido comumente como baiacu. Três horas

após sentiu dificuldade respiratôria, discreta cianose de ex-

tremidades, estando lúcido, consciente e ansioso, porém, a

vi

são foi se tornando cada vez mais turva, As medidas de urgên-

cia consistiram de: dissecção de veia para instalação de ?VC,

realização de lavagem gástrica e iniciado hidratação forçada.

Logo após, a dificuldade respiratória aumentou.tendo sido in-

tubado e colocado no respirador artificial, havendo piora prg

gressiva e apnéia, entrando em coma profunda com midríase pa-

ralítica bilateral, sendo feito então respiração controlada.

A gasometria mostrou um grande aumento da P602 com acidose.

A seguir optou~se por tratamento hemodialítico.

Permaneceu em coma profunda, aproximadamente doze horas, quag

do então, começou reagir a estímulos dolorosos e dar sinais

de consciência, voltando o-reflexo pupilar a luz e_passando

longos períodos em respiração espontânea, sendo feito então

"desmame" progressivo do respirador.`Na manhã seguinte foi

extubado. Recebeu alta da UTI, permanecendo mais três dias

no hospital em observação, sendo então liberado, não apresen

(6)

-3_

CASO 2.

JAE, menor, 7 anos, masculino, ingeriu também na mesma ocasião,

vísceras do mesmo peixe, do caso um, acima relatado. Admitido

no PS do HMSJ em franca apnéia, sendo logo conduzido a UTI,com

quadro de insuficiência respiratória grave, tendo em seguida

vv

feito parada cardíaca, sendo entao recuperado, permanecendo em

coma profunde,com midríase bilateral paralítica. Foi então in-

tubado e colocado em respiração controlada, usado nanitol, cor

rigido acidose, dissecado veia basílica esquerda para instala~

vv '

çao da PVC e realizado lavagem gástrica, como medidas de urgên

cia. A seguir optou-se pelo tratamento por diálise peritoneal.

Aproximadamente dez horas após, estava apresentando frequentes

extra sístoles ventriculares que responderam a infusão endove-

nosa de Xilocaína.

\

--

Na manhã seguinte, vinte e quatro horas após a ingestão do pei

xe, a midriase regrediu, a respiração passou a ser espontânea

e quando ensaiamos o "desmame" o paciente conseguiu auto extu~

bar-se. '

e~ 1 W “

` ` 'M a'

_ , i ~';

R^cebei alta da Ull dois dias apos, mais retornou.no terceiro

dia por ter apresentado dispnéia progressivamente mais intensa,

grande tiragem intercostal e cornagem. Foi reentubado, molho -

rando desde logo a condição ventilatôria. Horas mais tarde apre

sentou febre.(389C) com abundante secreção pela cãnula e ao

raio

X

demonstrou~se estreitamento de traquéia superior. Foi

iniciado então, antibioticoterapia com Penicilina G e no dia se

guinte realizada traqueostomia.

(7)

_¿-

CASO 3.

JE, menor, 10 anos, feminino, admitida no PS do HMSJ com o

quadro de insuficiência respiratória e agitação, após tam ~

bém ter ingerido vísceras do peixe "baiacu". Foi realizada

então, lavagem gástrica e como houve piora da insuficiência

respiratória, foi encaminhada a UTI, tendo sido então reali¢

zado como medida de urgência: flebotomia para instalação de

PVC e infusão forçada de líquidos endovenosa.

A

dificuldade respiratória acentuou-se mais ainda e a crian

ça entrou em midríase paralítica bilateral. Foi necessário

,V

`

' \o`%\*

intubaçao, ver1f1cando~se edemašeëorém recebeu tratamento

por respiração assistida sem problemas.

Verificou~se sonolência profunda.sem contudo entrar em coma.

Êosteriormente houve melhora.e começou a atender ao comando

verbal.

n gasometria mostrou uma grande aumento da P002 com acidose,

como nos casos anteriores.

Ea manhã seguinte, ou seja, vinte e quatro horas após o en~'

venenamento, houve melhora progressiva, com normalização da

resposta pupilar, em respiração espontânea, tendo sido ini~

oiado o "desmame" progressivo do respirador. '

Apresentou porém, nos dois dias consecutivos, cefaléia, náu-

(8)

....!_`§..

ooizoavmmlos

Fonres do veneno - espécies de baiacu.

Existem espéëies marinhas, tais como, baiacu de espinho (Chi~

lomycteres Sp),.baiacuhmamaiacu (Lago cepnalus sp, Spheroides

sp), peixe lua (Ruela sp) e fluviais como o baiacu mamaicu do

norte do Brasil (colomesns) (4).

Habitat.

Muitos peixes bolas (baiacu) encontrados no Pacífico, no Atlân

tico e no Índico são extremamente tóxicos. Os habitantes dos

recifes

na

sua maioria, alimentam-se - como os próprios corais

~ de seres minúsculos transportados pelas águas que eles captg

ram de diversas maneiras. Os próprios corais servem de alimen~

Í

to aos peixes-bolas (tetrodontidae).

Os peixes que habitam entre os corais nadas de maneira difereg

te dos que vivem.em águas livres, pois estes últimos usam como

propulsor a barbatana caudal, enquanto aqueles se deslocam ag;

tando as barbatanas peirorais com as ondulações da dorsal e

anal (tetrodontidae).

Todos estes peixes possuem uma admirável capacidade de manobra,

podendo deüer~se subisamente, girar sobre si mesmo ou nadar pa

ra trás (3).

(9)

_5_

Fisiopatologia.

A tetrodotoxina e a saxitoxina são dois dos venenos mais poteg

tes conhecidos, sendo a dose mínima letal no rato de oito micro

ov

grama por quilo. Ambas as toxinas sao responsáveis por surtos

de envenenamento fatal no homem (2)»

O veneno presente na carne ou víscera do peixe, aparentemente

exerce seu efeito primário no sistema nervoso periférico, mais

a fisiopatologia ainda é desconhecida. Os achados patolôgicos

naõ são característicos (4).

A neurotoxina contida nas vísceras do baiacu (tetrodotoxina),

é idêntica aquela inicialmente conhecida como taricatoxina en-

contrada na salamandra, Taricha Torosa da Califórnia.

Essas, toxinas, bloqueiam especificamente os canais de sódio

nas membranas das células excitáveis. Como resultado as corren na

na

tes de sôdio são inibidas e o potencial de açao é bloqueado.f

O bloqueio de nervos vasomotores junto com o relaxamento da

mas

culatura lisa vascular, parece ser responsável pelalnipotensão

característica. A toxina causa a morte por paralisia dos múscu-

los respiratôrios. H

Por esta razão,. O c+

É

c+ anento dos casos severos de envenenamento

requer a ventilação artificial.

Também estão indicadas lavagem gástrica precoce e terapêutica

de suporte da pressão arterial (2). Í

(10)

...'7-

Manifestações clínicas.

Os sintomas de envenenamento agudo começam trinta minutos a

quatro horas após a ingestão e incluem entorpecimento e for-

migamento de rosto e lábios espalhando-se para os dedos das

maos e pés. Estes sintomas são seguidos por náuseas,võmitos,

diarréias, mal estar, dor abdominal, fraqueza muscular, ver~

tigem, cefaléia, ataxia, fraqueza de ombros e sensação de flg

tuação. Nos envenenamentos graves os sintomas progridem para

o aparecimento de secreção espumosa na boca,

paalisia

musog

lar, dispnêia ou convulsões.

A

morte pode ocorrer por convul

söes, paralisia bulbar ou parada respiratória dentro de uma

a vinte e quatro horas. Se o paciente_se recuperar das manieú

ra Im

festaçoes imediatas, a fraqueza muscular e parestesias de

ce, lábios e boca podem persistir por semanas. Estas parestg

sias consistem caracteristicamente em sensações térmicas in-

vertidas. Assim, comida fria ou outros objetos frios prove -

cam uma dor queimante ou sensação de "choque doloroso" e os

objetos quentes parecem frios (4.l).

Prognóstico.

~ \

A

taxa de mortalidade varia, dependendo das condiçoes orgâni

cas do indivíduo, da quantidade do peixe ingerido e da potên

cia da toxina. ›

A

incidência de envenenamento pode variar de 5 ça uiO Q: po popg

lação em regiões tropicais onde o peixe é consumido em larga

(11)

CONCLUSÕES

_g-`

Os três casos apresentados sao exemplos bipicos do envenena-

mento por tetrodotoxina. É necessário que a população seja

alertada quanto à gravidade da ingestão das vísceras dos pe;

xes baiacu. Os sintomas e sinais são característicos e a in-

tervenção imediatae é necessária.

Felizmente, com o uso de respiradores artificiais a mortali-~

dade por parada respiratória é evitada. .

O uso de procedimentos dialíticos, provavelmente diminuem o

curso clínico de envenenamento pela remoção mais rápida do ve

HERO.

Não há na literatura consultada, maiores detalhes sobre o yrg

cedimento terapêutico, assim como dados sobre o peso molecu-

lar da tetrodotoxina; o que facilitaria sobremaneira o trata-

(12)

_3-

É menos provável que a doença seja grave se a água usaäa no

cozimento seja jogada fora (1).

Tratamento.

lz Remoção ão peixe ingerido através ae lavagem gástrica,uso

äe eméticos e laxantesz

2. Manutenção doe ãaãos vitais através âe infueoes enäcmeno-

sas de soluçëes salinas e subefiitutos ao plasma para com-

bater o choguez

3. Manutenção de vias aéreas livres e o uso de reepiraäores

artificiais nos casos em Que a insuficiência respiratória

seja suficientemente grave para por em risco a vida âo pa

ciente. A

na ; N ¡

.

›~.

4. Remoçao do veneno: atraves ee infusao íorçada de llquidos

para aumentar a ãiureee, âiálise peritoneal ou hemodiálise

(13)

Qlg-›

BIBLIOGRAFIA

Lema. c. e cole., awetaâe ae meâzizzàm, lie zzâição;

Rio de Janeiro. Eâitora Guanabara Koogan S.A.,

29 volume, 1977.

GOODMAN & GILMÃN. As Bases Farmacolôgicas da

Terapêutica, ãê edição, Rio de Janeiro,

Editora Guanabara Koogan S.A., 1978.

Hausman. G. H., O Grande livro dos Oceanos ~

A vide no mar, Portugal, Editora Seleções da

Reaãefifs Digest, 1972. '

BACH. R. H. D.§ Manual de Envenenamentos,

(14)

TCC' UFSC CM- 0082 Ex.l H Nzcham- TCC UFSC CM -0082 ¿

Autor: Coral, Walter A A

Título: Envenenamento pela tetrodotoxina

972805823 Ac. 253280

Em ursc Bsccszvl . ~

Referências

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