Brasil: 2007-2017
Work accidents involving nursing professionals in Brazil: 2007-2017
Accidentes de trabajo de profesionales de enfermería en Brasil: 2007-2017
Caroline Cesário Rodrigues1, Linconl Agudo Oliveira Benito2
Como citar: Rodrigues CC, Benito LAO. Acidentes de trabalho envolvendo profissionais de
enfermagem no Brasil: 2007-2017. REVISA. 2020; 9(4): 731-43. Doi: https://doi.org/10.36239/revisa.v9.n4.p731a743
RESUMO
Objetivo: analisar a frequência de registros de acidentes de trabalho (ATs) com PEs no Brasil entre 2007 a 2017. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico, exploratório, descritivo com abordagem quantitativa. Foram utilizados dados extraídos dos Anuários Estatísticos de Acidentes do Trabalho (AEAT) e Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão (e-SIC) desenvolvidos pelo Ministério da Economia (ME). Resultados: Após o processo de organização e análise dos dados foi identificado o universo de 2.706 registros. A maior preponderância identificada entre as categorias foi de 48,8% (n=1.321) técnicos em enfermagem (TEs) e por tipo de acidente o típico com 49,6% (n=1.129). Conclusão: Por meio da presente pesquisa foi verificado ascensão progressiva da frequência de registros de casos de ATs envolvendo PEs no recorte histórico e geográfico analisado.
Descritores: Enfermagem; Acidente de trabalho; Exposição a agentes biológicos.
ABSTRACT
Objective: Objective: to analyze the frequency of records of work accidents(WAs) with PEs in Brazil between 2007 and 2017. Method: This is an epidemiological, exploratory, descriptive study with a quantitative approach. Data extracted from the Statistical Yearbook of Accidents at Work (AEAT) and the Electronic System of the Citizen Information Service (e-SIC) developed by the Ministry of Economy (ME) were used. Results: After organizing and analyzing the data, a universe of 2,706 records was identified. The highest preponderance identified among the categories was 48.8% (n=1,321) nursing technicians (TEs) and by type of accident the typical with 49.6% (n=1,129). Conclusions: Through this research, there was a progressive increase in the frequency of records of TA cases involving PEs in the analyzed historical and geographic cut.
Descriptors: Nursing; Work accident; Exposure to biological agents. RESUMEN
Objetivo: analizar la frecuencia de registros de accidentes de trabajo (ATs) con EP en Brasil entre 2007 y 2017. Método: Se trata de un estudio epidemiológico, exploratorio, descriptivo con enfoque cuantitativo. Se utilizaron datos extraídos del Anuario Estadístico de Accidentes de Trabajo (AEAT) y del Sistema Electrónico del Servicio de Información al Ciudadano (e-SIC) desarrollado por el Ministerio de Economía (ME). Resultados: Luego de organizar y analizar los datos, se identificó un universo de 2.706 registros. La mayor preponderancia identificada entre las categorías fue del 48,8% (n=1.321) técnicos de enfermería (ET) y por tipo de accidente el típico con 49,6% (n=1.129). Conclusión: A través de esta investigación, se produjo un aumento progresivo en la frecuencia de registros de casos de AT que involucran a EP en el corte histórico y geográfico analizado.
Descriptores: Enfermería; Accidente de trabajo; Exposición a agentes biológicos. 1. Centro Universitário de Brasília,
Brasília, Distrito Federal, Brasil.
https://orcid.org/0000-0002-3004-2733
2. Universidade de Brasília, Programa de Pós-Graduação em Ciências e Tecnologias e Saúde. Brasília, Distrito Federal, Brasil. https://orcid.org/0000-0001-8624-0176 Recebido: 20/07/2020 Aprovado: 22/09/2020 OR IGI NA L
Rodrigues CC, Benito LAO
Introdução
Os Trabalhadores de Enfermagem (TEs) inseridos na prestação de serviços de saúde realizam atividades que requerem proximidade física com o paciente, além da manipulação de diversos materiais e equipamentos e assim, estão predispostos a uma série de riscos que podem resultar em Acidentes de Trabalho (ATs).¹ De acordo com a legislação brasileira (art. 19 da Lei n° 8.213/91), o acidente de trabalho (AT) é aquele que acontece no exercício laborativo e que traz como consequência, uma lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte, perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade da atividade.1-²
É considerado como acidente típico, aquele que ocorre durante o desempenho laboral, como AT de trajeto o que se dá durante o deslocamento entre a residência e o local de trabalho e como mesopatia a adquirida ou desencadeada por condições especiais, em que a atividade é realizada e que com ela se relacione.2-3 Todo AT deve ser registrado na instância previdenciária competente, sendo utilizada a Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT) para este fim.³
Desta forma, os hospitais prestam serviços com objetivo de tratar pacientes de diversas patologias, porém, é um ambiente que submete os profissionais a variados riscos, sendo que entre eles estão os agentes físicos, químicos, mecânicos, biológicos, ergonômicos e psicológicos, que podem ocasionar AT e/ou doença(s) de trabalho.4 Os trabalhadores que exercem atendimento hospitalar são inseridos em ambiente(s) com grau de risco II, segundo a Norma Regulamentadora (NR) de número 04, por realizar atividades de atenção à saúde em seus vários tipos de complexidade.4-5
Apesar do profissional de enfermagem proporcionar atenção e cuidado para seus pacientes, a literatura demonstra que quando se trata de exercer cuidados que são importantes para si mesmo, estes tendem a ser, normalmente, “negligentes”.6 Nesse sentido, os agentes biológicos aos quais os profissionais de enfermagem estão frequentemente expostos são as bactérias, os fungos, os bacilos, os parasitas, os protozoários e os vírus.6-7
Alguns desses patógenos, como os vírus HIV e da Hepatite B e C, têm sido constantemente relatados como os mais importantes causadores de doenças do tio infectocontagiosas, através de acidentes com materiais do tipo perfurocortantes.8-9 Assim, os ATs gerados pela exposição por meio de material biológico contaminado, devem ser notificados em ficha padronizada pelo Ministério da Saúde (MS) no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e em Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST).8-10
Para intensificar ainda mais os riscos que acometem os profissionais da saúde, existe o fato de que o trabalhador deste setor, sofre limitações impostos por suas próprias condições de vida e de saúde.10 Para garantir os benefícios acidentários dos trabalhadores, grande parte das empresas procuram organizar algumas formas de registros desses acidentes, porém, na prática, há uma redução de normalização desses procedimentos e uma deficiente divulgação junto aos profissionais perante esse fenômeno.10-11
Nesse sentido, se torna necessário estabelecer rotinas relacionadas às medidas de precaução imediatas, como por exemplo, orientações e ainda, a
disponibilidade da quimioprofilaxia em casos de exposição a material biológico de pacientes soropositivos para o HIV/AIDS ou desconhecidos.9-11 Conforme as especificações da Lei de número 6.514/1977, o Equipamento de Proteção Individual (EPI) é definido enquanto sendo, todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, para garantir a proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde na atividade laborativa.12
Já de acordo com o artigo de número 166 da referida legislação, a empresa empregadora é obrigada a fornecer esses dispositivos aos colaboradores, de forma gratuita, além dos equipamentos adequados e em perfeito estado de conservação e funcionamento objetivando desenvolver a devida proteção à possíveis AT.12 A enfermagem, mais do que outras categorias profissionais da equipe multidisciplinar, depende fortemente da adesão ao uso dos EPI’s pelas particularidades próprias do trabalho, além do quantitativo de intervenções e procedimentos a serem implementados, o que aumenta os riscos de contaminação. 9,10,12-13
Vários estudos vêm demonstrando na atualidade, o fato de uma considerável parcela dos profissionais de enfermagem e de saúde, não estarem aderindo plenamente, ou aderindo de forma incorreta a utilização dos EPIs.13 Diante desta problemática exposta, é necessário encarar a saúde dos profissionais de enfermagem com a mesma relevância que a de usuários da assistência, visto que o trabalho exerce um papel imprescindível nas condições de vida e o bem-estar da população.13-14
Nesse sentido, a qualidade dos serviços prestados pelos colaboradores depende também da organização do exercício laborativo protegido, no que diz respeito as condições em que essa atividade são implementadas, evitando que eles sofram desgastes, doenças ou AT.14 Considerando o contexto anterior, se constitui enquanto objetivo da presente pesquisa, analisar o quantitativo de acidentes de trabalho entre os profissionais de enfermagem no recorte geográfico formado pelo “Brasil” no recorte histórico formado pelos anos de “2007 a 2017”.
Método
Trata-se de um estudo epidemiológico, exploratório, descritivo e de abordagem quantitativa, que se propôs a analisar a frequência de registros dos acidentes de trabalho envolvendo profissionais de enfermagem no Brasil, em uma série temporal de 10 anos.
Os dados foram extraídos junto a um banco de dados dos Anuários Estatísticos de Acidentes do Trabalho (AEAT) da Secretaria de Previdência e através de solicitações de acesso à informação no Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão (e-SIC), ambos de natureza pública, gratuitos e de acesso aberto, sendo organizados e mantidos pelo Ministério da Economia (ME).
Neste estudo de análise dos AT de profissionais de enfermagem, as informações são constituías, enquanto as categorias analíticas foram organizadas por meio da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) de número “8.650”, que corresponde as atividades de profissionais de saúde, exceto médicos e odontólogos, anos, categoria profissional, tipos de acidentes e quantitativo de profissionais que desenvolveram doença do trabalho.
Rodrigues CC, Benito LAO
Após a aquisição dos dados, estes foram organizados para análise utilizando o software Microsoft Office Excel 2016®, pertencente ao pacote Microsoft Office 2016®, para Windows®. Foi implementada análise estatística do tipo descritiva, com a implementação de uma (01) figura e de quatro (04) tabelas explicativas e os cálculos relacionados aos seus respectivos percentuais (%).
Para a discussão dos dados obtidos, foram realizados levantamentos bibliográficos eletrônicos junto as bases de dados nacionais e internacionais, dentre elas a Biblioteca Virtual em Saúde do Brasil (BVS®), Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde (Lilacs®), Minerva-UFRJ, Saber-USP, Scientific Electronic Library Online (Scielo®), adquirindo desta forma, artigos de periódicos científicos e legislações relacionadas. A realização do presente estudo não apresentou conflitos de interesses.
Resultados
Após o processo de organização e análise dos dados, foi identificado o universo de 4.428 acidentes que ocorreram no recorte geográfico e histórico instituídos, em relação às atividades de profissionais da área da saúde, exceto médicos e odontólogos no Brasil. Foi verificado também que das categorias de atividades econômicas analisadas, 61,1% (n=2.706) eram profissionais de enfermagem (PEs), com média e desvio padrão de (402,5±70,9).
A maior preponderância se constituiu de 48,8% (n=1.321) técnicos em enfermagem (TEs), entre os trabalhadores que desencadearam doença de trabalho destaca-se também com 38% (n=27) o TE. Nesse sentido, em relação aos PEs que tiveram registro de AT foi verificado que a maior preponderância foi identificada no ano de 2015 com 12,2% (n=542) e a menor no ano de 2010 com 7,1% (n=313), conforme exposto junto a figura 1.
Figura 1 – Distribuição dos registros de ATs de PEs no Brasil de 2007 a 2017
(n=2.706). Brasil, 2020.
Fonte: Adaptado pelos autores, Brasil, 2020.
399 461 542 492 374 352 364 313 340 360 431 250 300 350 400 450 500 550 600 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018
Analisando o número total de casos entre os anos de 2007 a 2017, foi verificado aumento no quantitativo de casos de AT com o PE. Na tabela 1, é apresentado o quantitativo de AT com esses profissionais, que ocorreram na série temporal de 10 anos, sendo que o ano de 2015 registrou a maior preponderância com 12,2% (n=542) e o ano de 2010 registrou a menor preponderância com 7,1% (n=313).
Tabela 1 - Distribuição de registros de acidentes de trabalho envolvendo todas as
atividades de profissionais de saúde, exceto médicos e odontólogos no Brasil de 2007 a 2017 (n=4.428). Brasil, 2020.
Ano Típico % Trajeto % DT % Total %
2017 205 8 190 10,7 04 4,4 399 9 2016 267 10,4 188 10,6 06 6,7 461 10,4 2015 317 12,4 220 12,4 05 5,6 542 12,2 2014 286 11,2 201 11,3 05 5,6 492 11,1 2013 206 8,1 162 9,1 06 6,7 374 8,4 2012 210 8,2 138 7,8 04 4,4 352 7,9 2011 217 8,5 139 7,8 08 8,9 364 8,2 2010 168 6,6 127 7,1 18 20 313 7,1 2009 192 7,5 134 7,5 14 15,6 340 7,7 2008 220 8,6 129 7,2 11 12,2 360 8,1 2007 270 10,6 152 8,5 09 10 431 9,7 Total 2.558 100 1.780 100 90 100 4.428 100
Fonte: Adaptado pelos autores, Brasil, 2020.
Legenda: DT: Doença do Trabalho *Os valores apresentados na tabela foram fiéis aos dados adquiridos. Já na Tabela 2, foi identificado que a categoria que mais sofreu AT foi a de TE com 48,8% (n=1.321) casos, logo em seguida o profissional enfermeiro (ENF) registrou 24,9%(n=674) e os auxiliares de enfermagem (AUX) 24,2%(n=655) casos.
Tabela 2- Distribuição de registros de acidentes de trabalho envolvendo profissionais
de enfermagem por categoria no Brasil, 2007 a 2017 (n=2.706). Brasil, 2020.
Categoria profissional f %
Técnico em Enfermagem 1.321 48,8
Técnico em Enfermagem do Trabalho 19 0,7
Técnico em Enfermagem Psiquiátrico 07 0,2
Técnico em Enfermagem de Terapia Intensiva 04 0,1
Enfermeiro 674 24,9
Enfermeiro do Trabalho 05 0,1
Enfermeiro de Centro Cirúrgico 03 0,1
Enfermeiro Nefrologista 03 0,1
Enfermeiro do Auditor 02 0,1
Enfermeiro Neonatologista 01 0,04
Enfermeiro Psiquiátrico 01 0,04
Enfermeiro de Terapia Intensiva 01 0,04
Auxiliar de Enfermagem 655 24,2
Auxiliar de Enfermagem do Trabalho 10 0,3
Total 2.706 100
Fonte: Adaptado pelos autores, Brasil, 2020. * Os valores apresentados na tabela foram fiéis aos dados adquiridos.
Rodrigues CC, Benito LAO
Na Tabela 3, foi identificado que a prevalência de casos é maior entre TEs computando 48,8% (n=1.321) casos, tanto em acidentes típicos como de trajeto e, os do tipo típicos, correspondem ao maior número de casos entre todas as categorias profissionais analisadas, somando o total de 2.277 casos.
Tabela 3 - Distribuição de registros de acidentes de trabalho envolvendo profissionais
de enfermagem, por tipo de acidente no Brasil de 2007 a 2017 (n=2.706). Brasil, 2020.
Categoria profissional Típico % Trajeto % Total %
Técnico em Enfermagem 1.129 49,6 192 44,8 1.321 48,8
Técnico em Enfermagem do Trabalho 11 0,4 08 1,8 19 0,7 Técnico em Enfermagem Psiquiátrico 05 0,2 02 0,4 07 0,2 Técnico em Enfermagem de Terapia
Intensiva 02 0,09 02 0,4 04 0,1
Auxiliar de Enfermagem 564 24,8 91 21,2 655 24,2
Auxiliar de Enfermagem do Trabalho 07 0,3 03 0,7 10 0,3
Enfermeiro 544 23,9 130 30,3 674 24,9
Enfermeiro do Trabalho 05 0,2 0 - 05 0,1
Enfermeiro de Centro Cirúrgico 03 0,1 0 - 03 0,1
Enfermeiro Auditor 02 0,09 0 - 02 0,07
Enfermeiro Nefrologista 02 0,09 01 0,2 03 0,1
Enfermeiro de Terapia Intensiva 01 0,04 0 - 01 0,04
Enfermeiro Neonatologista 01 0,04 0 - 01 0,04
Enfermeiro Psiquiátrico 01 0,04 0 - 01 0,04
Total 2.277 100 429 100 2.706 100
Fonte: Adaptado pelos autores, Brasil, 2020. *Os valores apresentados foram fiéis aos dados
adquiridos.
Na tabela 4, é apresentado o quantitativo de profissionais tiveram doença do trabalho (DT), sendo possível identificar que os TE são a categoria que mais apresentou DT, somando 38% (n=27) dos casos e o ENF registrou a menor frequência, com total de 22,5% (n=16).
Tabela 4- Distribuição de registros de profissionais que tiveram registro de doença do
trabalho (DT) no Brasil de 2007 a 2017 (n=71). Brasil, 2020.
Categoria profissional f %
Técnico em Enfermagem 27 38
Técnico em Enfermagem de Terapia Intensiva 01 1,4
Técnico em Enfermagem Psiquiátrico 01 1,4
Técnico em Enfermagem do Trabalho - -
Auxiliar de Enfermagem 24 33,8
Auxiliar de Enfermagem do Trabalho 01 1,4
Enfermeiro 16 22,5
Enfermeiro de Centro Cirúrgico 01 1,4
Enfermeiro Auditor - -
Enfermeiro de Terapia Intensiva - -
Enfermeiro do Trabalho - -
Enfermeiro Nefrologista - -
Enfermeiro Neonatologista - -
Enfermeiro Psiquiátrico - -
Total 71 100
Fonte: Adaptado pelos autores, Brasil 2020. *Os valores apresentados na tabela foram fiéis aos dados adquiridos.
Discussão
Em relação ao aumento na frequência de registros de casos de AT de profissionais de enfermagem no Brasil, é encontrada relação com o que é exposto junto a literatura científica, quando é exposto que, devido à complexidade das atividades realizadas por esses profissionais, os mesmos convivem mais tempo com os pacientes além de realizarem um grande quantitativo de cuidados diretos e indiretos com os mesmos.13-15 Desta forma, para alguns autores, praticamente “inexiste” preocupação com o trabalhador e, assim, é possível observar o paradoxo nosocomial em elação ao cuidar de enfermos e permitir adoecerem as pessoas que deles cuidam.14-15
Os riscos inerentes ao ambiente hospitalar são múltiplos, mas na literatura especializada, são apresentados alguns que são considerados os mais evidentes.15,16 Eles são classificados enquanto, risco físico que está associado a estrutura material do local de trabalho, risco químico que corresponde a interação dos profissionais de enfermagem com produtos químicos, risco biológico resultante do contato que o profissional possui com substâncias orgânicas, risco ergonômico que são relacionado com os procedimentos laborais que envolvem esforço e postura física.13-16
Já em relação aos acidentes ocorridos no ambiente hospitalar, os mesmos podem gerar grandes embates do tipo psicossociais, aliados ao risco de contaminação de várias órdens.16-17 Os ATs ocorridos nos ambientes de saúde, possuem diversas causas, entre elas a sobrecarga de trabalho, o descuido, desenvolvimento de atividades laborativas em três (03) ou mais instituições, redução ou inadequação dos EPI’s, cansaço físico, estresse e debilidades surgidas no decurso do exercício profissional.15- 17
Já em relação ao TE se constituir enquanto a categoria que mais sofre AT, a mesma também encontra sustentação junto a literatura científica quando é proposto que, esse profissional além de se encontram quantitativamente em maior número dentre os colaboradores dos sérvios de saúde, os mesmos assumem uma grande parcela dos cuidados diretos e indiretos direcionados aos pacientes, seguidos dos enfermeiros, que desenvolvem procedimentos e intervenções mais complexas.17,18 Por outro lado, na equipe de enfermagem o técnico desenvolve suas atividades durante a jornada de trabalho, estando mais exposto à riscos de várias ordens, devido ao caráter das atividades realizadas, como a realização da higiene e promoção do conforto ao paciente, organização do ambiente, desprezo de urina, drenagens de secreções e esvaziamento de frascos coletores.4,15-17
Desta forma, os TEs compõem uma das maiores parte das numerosas vítimas de ATs com material do tipo perfurocortante.17,19 Já em relação ao que foi identificado no que se refere a maior preponderância aos acidentes típicos, também foi identificada correlação com a literatura científica quando é proposto que, os mesmos ocorrem na execução do trabalho e das várias atividades, correspondendo ao maior número, devido a uma parcela significativa de PEs não introduzirem os conhecimentos técnicos de prevenção em suas atuações práticas do cotidiano18-20.
Considerando esta realidade, é necessário que as empresas e instituições de saúde invistam mais fortemente nesse processo preventivo, de modo
Rodrigues CC, Benito LAO
contínuo em programas e treinamentos, estimulando os profissionais a refletirem sobre suas ações e atitudes, assim, efetivando verdadeiras mudanças comportamentais, com o objetivo de revigorar a adesão ao uso de EPI’S.19-20 Por outro lado, os acidentes que acontecem no ambiente hospitalar ocorrem principalmente pela redução do uso de instrumentos de cuidado e de precaução, a respeito de medidas de segurança e de prevenção.20-21
Os EPI’S se constituem enquanto importantes recursos para abrandar os riscos dos inúmeros locais de trabalho, porém, o processo de resistência dos profissionais em utilizar estes importantes equipamentos, se representam e se apresentam enquanto fatores que mais preocupam os pesquisadores desta importante temática.18-21 Nesse sentido e, por conta de vários fatores e situações, a preocupação com a resistência dos profissionais de enfermagem e de saúde em relação a utilização dos EPI’s aumenta cada vez mais, exigindo o desenvolvimento de novos mecanismos e estratégias para mitigação deste problema de saúde pública.19-22
Os TEs são os trabalhadores que menos aderem ao uso do EPI’S, sendo que diversos estudos apontam a redução de experiência e do treinamento dessa categoria, porém, grande parte dessa classe relata a existência de desconforto, esquecimento, despreocupação, como sendo alguns dos principais motivos que os levam a não utilizar esses importantes equipamentos de proteção.21-22 Por outro lado, também é proposto que o tempo de profissão também influência direta e indiretamente na adesão na utilização dos EPI’s, no decurso da prática profissional.19-22
Os trabalhadores de enfermagem, ao longo do período de experiência adquirida, podem por conta de várias fatores, não cumprir suas atividades laborativas com a exatidão necessária, quando realizam seus procedimentos e cuidados.20-21 Por outro lado, motivos relacionados a inapropriada infraestrutura disponibilizado junto aos ambientes de trabalho, além da reduzida disponibilização de equipamentos de proteção, o reduzido conhecimento dos vários tipos de procedimentos de prevenção por parte dos profissionais de enfermagem e de saúde, e a grande pressão intensa exercida pelos superiores, podem contribuir fortemente para essa não aderência na utilização dos equipamentos, além do surgimento de várias situações de geração de acidentes.20-24
Já no caso do que foi identificado em relação aos acidentes de trajeto, é apontado pela literatura científica que, geralmente, os mesmos se relacionam ao uso de transportes coletivos e também das motocicletas, que são utilizadas enquanto transporte do tipo particular para o processo de locomoção até o trabalho.18,19 Nesse contexto, a maior preponderância das ocorrências analisadas estiveram relacionadas as quedas geradas no processo de embarque, ou seja “subir” e desembarque, ou seja, “descer” do transporte coletivo (“ônibus”) e, os acidentes de trânsito, envolvendo as motocicletas que são, normalmente, veículos entendidos enquanto mais vulneráveis.18-22
Ainda sobre acidentes de trajeto, a Medida Provisória (MP) de número 905/2019, apresenta em seu corpo mudanças na área prevencionista, pois, nesse documento, é instituiu o “Contrato de Trabalho Verde e Amarelo”, alterando a legislação trabalhista e previdenciária.24 Dentre os tópicos publicados nesse importante documento, são apresentas modificações com relação a estes acidente, revogando o artigo de número 21, inciso IV, letra “d”, da Lei nº 8.213/91, que equipara o acidente de trajeto sofrido pelo empregado ao
acidente do trabalho típico, e assim, com essa decisão, este não será mais considerado enquanto AT e, portanto, enquanto a MP tiver validade, as empresas não precisarão emitir a CAT.24
Nesse contexto, os PEs representam uma parcela numerosa da população que sofre com os problemas de saúde, provocados pelo trabalho que desempenham, pois, se constituem enquanto colaboradores de uma categoria de profissionais que vivenciam este problema cotidianamente.20,21,25 As causas das doenças do trabalho procedem das relações do exercício laborativo, que causam desconforto, conflitos, estresse e em situações extremas, diminuição da capacidade vital, o que pode vir a provocar em alguns casos, a antecipação da morte do profissional.25
Por outro lado, também foi possível identificar que a categoria que mais registrou casos de doença do trabalho foi a de TE, estando a mesma de comum acordo coma literatura científica, por conta destes colaboradores, ficarem, normalmente, responsáveis pela grande parte dos cuidados diretos com os pacientes.20,25,26 No ambiente trabalhista, existem múltiplos fatores ergonômicos relacionados a problemas ambientais e organizacionais, que ampliam o risco do surgimento das Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) e, entre eles, estão à presença de recursos tecnológicos inadequados, incluindo mobiliário, a carência de equipamentos especiais para movimentar os enfermos, além da redução de educação permanente em saúde direcionada aos profissionais.25-26
Ainda é importante ressaltar o que é defendido por alguns pesquisadores, em relação à “precariedade” e a “negligência” relacionada a formalização dos registros de acidentes dos profissionais de enfermagem e de saúde.6,10 Estudos evidenciam que a gestão hospitalar possui, normalmente, várias dificuldades de proporcionar o cumprimento do protocolo para que esses episódios, sejam devidamente registrados, por conta do fato de fragilizar ou denegrir de alguma forma a imagem da organização perante o mercado e a sociedade.6,10,25
As causas da subnotificação de ATs expostas pelos profissionais de enfermagem e de saúde, indica, possivelmente, a reduzida informação em relação aos vários riscos, aos aspectos epidemiológicos e ainda jurídicos, que envolvem este problema, bem como, a subordinação dos colaboradores às condições de trabalho impostas pelo empregador.25-27 Por outro lado, o fenômeno da subnotificação de ATs também está intimamente relacionada a mecanismos de defesa do trabalhador, ou seja, quando esse se depara com a possibilidade de contaminação e associa com a ideia de morte, gera medo e receio.25-28
Desta forma, segundo alguns pesquisadores, foi verificado ao longo dos anos, uma menor frequência de notificação de ATs entre colaboradores classificados enquanto não concursados, deixando claro o temor dos mesmos de perderem seus empregos, questão séria que nos encaminha para uma reflexão a respeito dos aspectos éticos e morais envolvidos junto às relações de trabalho em nosso país.27-29
Rodrigues CC, Benito LAO
Conclusão
Por meio da presente pesquisa foi identificado aumento na frequência de registros de ATs com PEs no recorte geográfico e histórico analisados. Foi possível verificar ainda que, entre os PEs o TE se constitui enquanto a categoria que mais sofre AT, devido as características das atividades realizadas pelos mesmos e também, por assumirem a maior parcela dos cuidados prestados aos pacientes nos vários ambientes hospitalares.
Vários são os aspectos que contribuem para que o AT aconteça, como por exemplo, o excesso de atividades trabalhistas, a exaustão física e mental, além do estresse, sendo esses alguns dos fatores que causam a desatenção e o descuido dos PEs. Desta forma, a melhoria das condições de trabalho deve ser operacionalizada, objetivando permitir à redução dos ATs, lembrando que a saúde física e emocional dos trabalhadores, se constitui enquanto algo imprescindível para o aumento da produtividade, para a geração de resultados e o progresso institucional.
Apesar da presente pesquisa possuir limitações, a mesma se constitui enquanto genuína contribuição para uma melhor interpretação do fenômeno analisado. A questão da subnotificação dos ATs de PEs também foi identificada na presente pesquisa, o que pode se constituir enquanto um dificultador deste fenômeno que se constitui enquanto um problema de saúde pública.
Os ATs de PEs se constitui enquanto um ruidoso problema junto a instituições de saúde em suas várias modalidades, gerando impactos diretos e indiretos inclusive finanças nas empresas pertencentes a este setor de atuação e também o processo de afastamento do colaborador vitimado. Por outro lado, algumas publicações apontam especificamente a questão da redução da adesão dos EPI’s pelos PEs, sendo esta, uma barreira em relação à resistência ao uso desses importantes instrumentos.
A sobrecarga, o estresse, o improviso, e o desgaste profissional, também se constituem enquanto fenômenos intimamente relacionados ao surgimento de ATs entre PEs, necessitando serem energicamente combatidos no cotidiano laborativo. O reduzido conhecimento de alguns PEs em relação a importância do processo de notificar do(s) ATs, também se configura enquanto uma barreira existente no melhor combate e controle a este problema, necessitando serem repensadas estratégias para sua mitigação.
Agradecimento
Essa pesquisa não recebeu financiamento para sua realização.
Referências
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Autor de Correspondência
Linconl Agudo Oliveira Benito
SEPN 707/907, Via W 5 Norte, Campus Universitário. CEP: 70790-075. Asa Norte. Brasília, Distrito Federal, Brasil.
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