Construção da identidade profissional do professor de educação física na
perspectiva do preceptor da residência pedagógica
Construction of the professional identity of the physical education teacher
from the perspective of the pedagogical residence preceptor
DOI:10.34117/bjdv6n3-339
Recebimento dos originais: 23/02/2020 Aceitação para publicação: 23/03/2020
Maria Luiza da Costa Borim
Licenciada em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá Instituição: Universidade Estadual de Maringá
Endereço: Av. Colombo, 5790, Jd. Universitário, CEP 87020-900, Maringá – PR, Brasil E-mail: [email protected]
Francielli Ferreira da Rocha Romero
Mestre em Educação Física. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL.
Instituição: Universidade Estadual de Maringá
Endereço: Av. Colombo, 5790, Jd. Universitário, CEP 87020-900, Maringá – PR, Brasil E-mail: [email protected]
Leonardo Cordeiro de Queiroz
Licenciado em Educação Física pela Universidade Estadual de Maringá Instituição: Universidade Estadual de Maringá
Endereço: Av. Colombo, 5790, Jd. Universitário, CEP 87020-900, Maringá – PR, Brasil E-mail: [email protected]
Bruna Solera
Mestre em Educação Física. Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL.
Instituição: Universidade Estadual de Maringá
Endereço: Av. Colombo, 5790, Jd. Universitário, CEP 87020-900, Maringá – PR, Brasil E-mail: [email protected]
Patric Paludett Flores
Doutor em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL. Professor do curso de Educação Física da Universidade do Estado do
Paraná
Instituição: Universidade Estadual do Paraná
Endereço: Av. Gabriel Experidião, sn, CEP 87.703-000, Paranavaí – PR, Brasil E-mail: [email protected]
Luciana Ferreira
Doutora em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL. Professora do curso de Educação Física da Universidade do Estado do
Paraná
Instituição: Universidade Estadual do Paraná
Endereço: Av. Gabriel Experidião, sn, CEP 87.703-000, Paranavaí – PR, Brasil E-mail: [email protected]
Ana Luiza Barbosa Anversa
Doutora em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Associado em Educação Física UEM/UEL. Professora do Curso de Educação Física da Universidade Estadual de
Maringá e do Centro Universitário de Maringá Instituição: Universidade Estadual de Maringá
Endereço: Av. Colombo, 5790, Jd. Universitário, CEP 87020-900, Maringá – PR, Brasil E-mail: [email protected]
Vânia de Fátima Matias de Souza
Doutora em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da UEM. Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Departamento de Educação Física da
Universidade Estadual de Maringá. Instituição: Universidade Estadual de Maringá
Endereço: Av. Colombo, 5790, Jd. Universitário, CEP 87020-900, Maringá – PR, Brasil E-mail: [email protected]
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar as contribuições da residência pedagógica na construção da identidade do futuro professor a partir dos olhares preceptores da Educação Física vinculados a Universidade Estadual de Maringá. Para tanto adotou-se o método qualitativo, do tipo descritivo-exploratório. Os dados foram coletados a partir de entrevista semiestruturada com as preceptoras da residência, de modo a identificar as contribuições da residência pedagógica para formação da identidade profissional do residente e suas visões e opiniões sobre a importância dessa experiência na formação profissional dos mesmos. Os resultados revelaram a importância de ter uma formação profissional rica em experiências e completa em conhecimentos teóricos e práticos, tendo em vista a necessidade de aproximação da universidade com a escola. Conclui-se que a aproximação residente-escola traz consigo um conhecimento sobre o âmbito de atuação e as necessidades da profissão.
Palavras-chave: Formação Profissional; Identidade Docente; Preceptoras Residência
Pedagógica.
ABSTRACT
This article aims to analyze the contributions of the pedagogical residence to the formation of the future teacher from the perception of the preceptors of the physical education UEM. Therefore, the descriptive-exploratory research was adopted, a semi-structured interview with the preceptor of the residence, what are the contributions of the pedagogical residence to the
formation of the resident's professional identity, their views and opinions on the importance of this experience in the formation. The results revealed the importance of having a vocational training rich and complete in knowledge and experience, in view of the need to approach the university with the school. It is concluded that the resident-school approach brings with it a knowledge about the scope of work to be worked on.
Keywords: professional formation; professional identity; preceptor; pedagogical residence
1 INTRODUÇÃO
A identidade é compreendida como um instrumento de reconhecimento, uma maneira de se entender em relação aos outros e a si mesmo. É o entendimento ou a maneira de identificação do sujeito consigo mesmo, o qual é idêntico somente a ele e, assim, não pode ser confundido com o outro (FLORES et al, 2019). Dubar (2010) destaca que a formação da identidade acontece mediante interações que o sujeito estabelece com seu meio e com seus pares. A partir desta interação social, a identidade sempre apresentará uma dupla face e estará sempre em construção e reconstrução.
Dubar (2010) expõem que existe a identidade para si, reivindicada pelo próprio sujeito e marcada por uma irredutível temporalidade (componente biográfico), e uma identidade para o outro, atribuída pelo outro, no interior de um espaço social e num dado contexto histórico (componente relacional). Existe assim uma norma coletiva dirigida principalmente aos jovens: construir a própria identidade profissional mediante o percurso de atividades.
O fato de muitos não conseguirem e não terem acesso ao reconhecimento que esperavam constitui um dos elementos mais preocupantes de uma crise de identidade particularmente dolorosa. Frente a isso, a dimensão profissional das identidades tem uma grande importância porque se tornou um elemento raro, o emprego condiciona a construção da identidade social, o trabalho faz com que ocorram transformações, pois acompanha frequentes evoluções no trabalho, a formação intervém nas dinâmicas identitárias (DUBAR; TRIPIER; BOUSSARD, 2011).
No entanto, vale ressaltar que a construção da identidade não ocorre em todos os empregos ocupados por jovens, uma vez que muitos desses são marcados pela precariedade, por baixos salários e falta de qualquer perspectiva de carreira não acrescentando contribuições na compreensão do eu e do nós (DUBAR, 2012).
A profissão de professor emerge de um contexto histórico como resposta à necessidade que estão postas pela sociedade, coloca-se a importância de se adquirir uma nova identidade profissional, em que cada professor define sua atividade docente a partir do
cotidiano de seus valores, de seu modo de situar-se diante das realidades da sociedade e de seus saberes (ARANGO; GARCIA; JARDILINO, 2018).
Como qualquer arte, a educação começa com uma boa base teórica aliada a uma prática constantemente refletida e uma dedicação permanente (ARANGO; GARCIA; JARDILINO, 2018). As constantes transformações culturais, de valores, interesses e necessidades, requer uma formação inicial pautada na realidade e no enfretamento dos problemas educacionais de forma reflexiva e crítica.
Frente a isso, a presente pesquisa debate sobre a importância da residência pedagógica no âmbito educacional e no desenvolvimento do residente, buscando verificar se a residência pedagógica contribui para uma formação da identidade profissional e para o contexto escolar onde o estudante está inserido e efetivando a relação universidade da escola.
Considerando os aspectos citados esta pesquisa tem como objetivo analisar as contribuições da residência pedagógica na construção da identidade do futuro professor a partir dos olhares preceptores da Educação Física vinculados a Universidade Estadual de Maringá.
2 METODOLOGIA
A presente pesquisa utiliza-se do método qualitativo do tipo descritivo-exploratório (GARCEZ; DUARTE; EISENBERG, 2010). A coleta dos dados foi realizada por meio de uma entrevista semiestruturada, contendo oito questões, junto com três professoras de Educação Física preceptoras do programa Residência Pedagógica no ano de 2019.. A entrevista foi realizada em um colégio estadual de Maringá onde se localiza a prática da residência pedagógica, e foi norteada por pontos estabelecidos a priore a partir de uma matriz analítica que levou em consideração os dos objetivos da pesquisa, direcionando a análise para as temáticas: entendimento sobre a construção da identidade profissional do residente; responsabilidade dentro da sala de aula; criação de uma experiência profissional e; o entendimento da importância da residência pedagógica.
Os dados coletados foram tratados com base na análise de conteúdo que segundo Bardin (2011, p.15). é um conjunto de instrumentos de cunho metodológico em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos (conteúdos e continentes) extremamente diversificados.As características da análise de conteúdo consistem em; Focar-se em mensagens (comunicações); Categorial-temática (é apenas uma das possibilidades de análise) e Objetivo: manipulação de mensagens para confirmar os indicadores que permitam inferir
sobre outra realidade que não a da mensagem, por meio das etapas de pré análise, exploração do material e tratamento dos resultados.
Por fim, ressalta-se que a presente pesquisa está vinculado ao projeto de pesquisa Educação Física Escolar: perspectivas e ações pedagógicas na atualidade, aprovado pelo Comitê De Ética em Pesquisa sob o parecer 1.715.040.
3 CONHECENDO A RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA
O Projeto Residência Pedagógica em Educação Física é constituído por 24 alunos do curso de educação física da Universidade Estadual de Maringá, matriculados no período integral ou noturno. No edital de fevereiro de 2018 vinculado com o programa de auxilio de bolsas (SCBA) e a CAPES, teve o inicio de suas atividades em agosto do mesmo ano.
A prática das atividades da residência ocorre em um colégio estadual na cidade de Maringá, o projeto conta com a participação de três preceptoras do sexo feminino (E1, E2 e E3), com formação em educação física licenciatura, média de idade de 41 anos, tempos de carreira docente de 18 anos, com carga horária de trabalho semanal de 31,6 horas.
O projeto trata de uma parceria entre o Colégio e a Universidade, que visa ampliar o conhecimento dos residentes e suas experiências no âmbito escolar para uma melhor formação profissional, para isso os residentes participam de reuniões semanais com a orientadora do projeto, professora vinculada a instituição de ensino superior. , com o objetivo de sanar dúvida sobre a o prática docente, estruturar os planos de aula e realizar leituras de debates sobre procedimentos metodológicos e suas possibilidades no contexto escolar.
No primeiro momento da residência os estudantes residentes apenas observaram as aulas das preceptoras e aprenderam como elas aplicam suas aulas e como devem seguir o planejamento, em um segundo momento os residentes aplicam os planos de aulas que fizeram durante as reuniões e ministram as aulas, obtendo passe livre para aplicar como acharem melhor e mais didático.
É importante ressaltar que para que ocorra a efetividade da proposta, faz-se necessária uma aprendizagem mutua entre residente e preceptor, pois ao mesmo tempo em que os residentes apresentam novas formas de se pensar a prática interventiva e novas possibilidades de conteúdos, as professoras preceptoras ensinam como é a vivencia escolar, como aplicar as aulas e fazer adaptações quando necessário e como lidar com os alunos e com as dificuldades da matéria, criando um vínculo de amizade e cooperação.
Os residentes também têm a oportunidade de montar as provas e as corrigirem, além de trabalhos e demais ações do cotidiano escolar, sempre em diálogo com a preceptora sobre o planejamento e sobre o dia-dia no colégio, se colocando como uma experiência profissional que leva o aluno residente a aprender a conhecer e lidar uma vivencia escolar de perto com todos os benefícios e malefícios.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir das respostas das entrevistas realizadas, as respostas foram organizadas em quatro grandes temas: Identidade Profissional, Residência Pedagógica, Experiência profissional e Responsabilidade e dentro de cada temática, foram elucidados pontos chaves da discussão, conforme sistematizado na Figura 1.
Figura 01: Identidade Profissional, Responsabilidade, Experiência Profissional e Residência
Pedagógica.
Fonte: os autores.
4.1 IDENTIDADE PROFISSIONAL
A identidade profissional é entendida como a forma de construção da docência, do Ser e Fazer-se docente, por meio das relações sociais que o sujeito estabelece com a instituição de ensino superior, escola (campo de estágio e das práticas curriculares), colegas de graduação, professores, espaços formativos para além da universidade e consigo mesmo (FLORES et al., 2019). Ao analisamos a entrevista, foi possível constatar que o termo é desconhecido em seu significado entre as professoras preceptoras sendo relacionado a didática do professor, conforme ilustrado nas falas:
Risadas, sei lá, como eu respondo isso. O que seria a identidade profissional? Sei lá, seria uma característica sua, uma forma de dar aula diferenciada, que te difere dos outros profissionais? Não sei, eu tenho o meu jeito de dar aula, e cada professor tem o seu (E1)
A identidade profissional, é, eu penso ne, não tenho certeza, que é, são o perfil, a forma, a didática, como você vai iniciar as aulas, os procedimentos que serão utilizados a didática, acredito que seja isso? (E2)
Com base em Maia, Scheibel e Urban (2009) essa compreensão não está equivocada mas reduzida, uma vez que a didática tem como compromisso buscar praticas pedagógicas que promovam um ensino eficiente, como significado e sentido para os educandos, e que contribuam para a transformação social, sendo uma característica do processo de ensino e aprendizagem adotado pelo professor na busca de inter-relação entre a teoria e a prática.
4.2 RESIDÊNCIA PEDAGÓGICA
A residência pedagógica é uma das ações que integram a Política Nacional de Formação de Professores e tem por objetivo induzir o aperfeiçoamento da formação prática nos cursos de licenciatura, promovendo a imersão do licenciando na escola de educação básica, a partir da segunda metade de seu curso.
Essa imersão deve contemplar, entre outras atividades, regência de sala de aula e intervenção pedagógica, acompanhadas por um professor da escola com experiência na área de ensino do licenciando e orientada por um docente da sua Instituição Formadora (CAPES, 2018). Perguntadas sobre as contribuições da residência para a formação do profissional, considerando as experiências que essa vivência pode trazer e da importância para os residentes, às preceptores opinam que:
A residência ajuda no contato direto com o aluno, na metodologia, porque antes de se iniciar dando aula o residente ele passa, por uma fase de montagens dos conteúdos, direcionando para cada serie, então a residência ela e muito importante para o aluno para que no ato acadêmico venha a ter um maior contato e uma maior visão de como se trabalha dentro da escola. (E3)
O residente quando chega na escola ele ainda não tem uma visão ampla, mas eu acho que com a residência dá uma abertura para que ele possa ter certeza do que ele quer (E3)
Ter a experiência, a vivencia como educador, como professor, que a partir desse momento, quando ele for um profissional, for formado exatamente, ele já tem uma noção mais do que é a realidade na escola (E2)
A formação inicial em Educação Física deve ser comprometida com os sujeitos que compõem o ambiente escolar, uma vez que, é a partir desta formação que o futuro docente adquire os conhecimentos científicos e pedagógicos e as competências necessárias para enfrentar a carreira de professor (BISCONSINI; FLORES; OLIVEIRA, 2016). O aprendizado é muito mais eficiente quando é obtido por meio da experiência, na prática o conhecimento é assimilado com mais eficácia, tanto é que se torna muito mais comum ao estagiário lembrar- se de atividades durante o percurso do seu estágio do que das atividades que realizou em sala de aula enquanto aluno.
Ao vivenciar prática de sala de aula o aluno tem a possibilidade de entender vários conceitos que lhe foram ensinados apenas na teoria. A educação deve conter a integração com o outro, não apenas professor com professor, mas também professor e aluno.
Ao compartilhar a maneira como trabalha a forma como encaminha o trabalho docente, o professor regente contribuiu na bagagem que o acadêmico está formando para que possa desempenhar sua tarefa com mais segurança. Ser profissional da educação requer um trabalho com objetividade: educar para incluir e elevar-se socialmente, levando em consideração a complexidade de todas as formas que nos rodeiam para conhecer e entender, para mudar com consciência este mundo na qual nos encontramos inseridos. (SCALABRIN; MOLINARI, 2013). Essa contribuição é ressaltada na fala das professoras
A experiência, é a maior contribuição, porque aqui você esta tendo a experiência, que nenhuma faculdade proporciona...a responsabilidade de manter um planejamento e seguir aquele planejamento, então as contribuições eu acho que seria essa, a formação como profissional mesmo, aqui ele “ta” aprendendo a ser professores. (E1)
É aqui que se aprende a dar aula, faculdade é.. “Se” não tem a vivencia, numero de alunos, como a gente tem dificuldade de material, como a gente tem que adapta, o adulto te escuta o adulto participa, o adulto colabora, agora, aqui nos estamos mexendo com crianças e adolescentes de 11-17 anos, quando está na idade correta com uma sala de 30 pra mais, 30-35, então a residência, a importância da residência
na vida de vocês é fundamental é aqui que vocês tem todo o começo ne, vocês vão aprender a dar aula aqui.(E1)
4.3 EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
A experiência profissional envolve tempos e espaços determinados, e muitas vezes destoam com as vivências dos estágios oportunizado na formação de professores, por serem essas muitas vezes em espaços e tempos determinados. Já na residência pedagógica os residentes têm compromisso com as escolas-campo e sua permanência ocorre de forma sistemática e por tempo diário mínimo determinado (4 horas de permanência mínima), o tempo de residência é todo dedicado a atividades na escola e à supervisão com os preceptores que oferecem assessoria para a elaboração de projetos de ação pedagógica na docência e orientações na gestão escolar. Ao analisar a contribuição da residência pedagógica na experiência docente as professoras apontam que:
Eu acredito que a experiência com a prática real da escola engrandece muito essa prática, oportunizando vivência com atividades que não são trabalhadas nas atividades do cotidiano. (E2)
Na residência eles não apenas trabalham as atividades de sala de aula, que são as teóricas ou atividades na multimídia, como a aula pratica, mas também acompanham nas avaliações, preparação, aplicação de avaliações, então eu acredito que é uma soma ne? Essas praticam com essas avaliações e nessas avaliações. (E2)
As experiências sociais-culturais do aluno agem/funcionam como um filtro por meio do qual o estudante residente seleciona/aceita/adere/ rejeita os conhecimentos dos cursos de formação. Esses filtros, cognitivos, sociais e afetivos, processadores de informações, perduram ao longo dos tempos já que têm sua origem na história escolar e na história de vida dos alunos experiência social do aluno, construída durante sua trajetória, dentro e fora da escola, interfere, influencia e/ou, de alguma forma, modela o perfil de formação inicial.
Em nosso dia-a-dia, a experiência é considerada como conhecimentos/habilidades adquiridas na imersão em determinada atividade. De acordo com o dicionário Aurélio (1986) as acepções do termo experiência são de experimentar, prática de vida, habilidade resultante
de um exercício contínuo, arte ou ofício, conjunto de conhecimentos individuais ou específicos (FIGUEIREDO, 2004).
Eles já sabem quais são as exigências e olha que eu sempre falo para eles, vocês ainda estão em um colégio privilegiado, por que é um colégio que mesmo com algum ou outro problema nos encontramos, ainda é um colégio que a direção dá suporte, a pedagoga dá suporte, os alunos em si são uns alunos, não tão difíceis de trabalhar, existem realidades muito difíceis por ai. (E1)
O residente em suas experiências na residência pedagógica percebe a necessidade de se ter responsabilidade para seguir o planejamento e a responsabilidade sobre o ensinar, sobre a responsabilidade na escola, observe a figura:
4.4 RESPONSABILIDADE
Sobre o papel da responsabilidade ao longo das ações da residência pedagógica, as professoras preceptoras apontam que:
A responsabilidade é manter um planejamento e seguir aquele planejamento, é para que a gente não tenha a defasagem, as contribuições eu acho que seria essa, a formação como profissional mesmo, aqui ele está aprendendo a ser professores. (E1) Eu acho que eles já têm a noção da responsabilidade perante o aluno, a formação, como ele vai ser futuramente, porque se você negligencia isso vai se refletir lá na frente, nosso,1°,2°,3° ano vão ser defasados. (E1)
Deste modo se vê que a responsabilidade está diretamente relacionada com as ações do planejamento e com as demandas da escola, por isso a formação do professor além dos preceitos teóricos precisam se atentar para a formação moral. O estudante estagiário precisa estar empenhado em apresentar um conhecimento crítico do que está sendo desenvolvido no trabalho em grupo de forma que venha somar na prática pedagógica.
Hoje, ainda se observa que a responsabilidade de formar e informar incide sobre o professor. Quando ele realiza uma estratégia diferente para repassar os conteúdos, outros segmentos da escola questionam se o tempo é suficiente para atingir toda a programação. No entanto o compromisso da escola deve ser com o conhecimento do aluno, como ele se dá, e não com a transmissão de conteúdos programados previamente sem a análise das necessidades do educando. O professor precisa de liberdade, autonomia e responsabilidade para lidar com
os conteúdos que vão provocar a inquietação do aluno. Para isso, a escola deve contribuir oferecendo-lhe condições para atuar (OLIVEIRA, 2014).
O formar, a experiência e o agir dentro de uma escola só pode ser possível quando temos a vivencia e a experiência se relacionando, todos temos e sabemos que criamos a identidade profissional com o entrelaçamento de teoria e prática, porém só quando vamos para prática e saímos da nossa zona de conforto conseguimos ter a verdadeira experiência profissional e só assim conseguimos começar a moldar a nossa identidade profissional.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados revelaram a importância de ter uma formação profissional rica e completa em conhecimentos e experiências, tendo em vista a necessidade de aproximação da universidade com a escola. Ao se ter uma aproximação residente-escola é possível construir um conhecimento sobre o âmbito de atuação que se ira trabalhar, conhecendo as dificuldades e entendendo o planejamento escolar, auxiliando o estudante residência a conhecer a realidade da profissão, o residente sai da escola sabendo como será sua realidade nos anos posteriores, não chegando ao mercado de trabalho vazio de conhecimento, mas já tendo vivenciado tudo que uma escola proporciona ao professor, aliado a reflexões e indicativos de um professor mais experiente.
Sendo assim conclui-se que a Residência Pedagógica contribuiu na construção de uma identidade profissional positiva, ao proporcionar a aproximação do residente com o aluno e o acompanhamento por um período maior de tempo em sala de aula, fazendo com que o conhecimento sobre como dar aula, como adaptar-se a cada turma e como entender cada aluno se aprimore e enriqueça.
REFERÊNCIAS
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DUBAR, Claude.; TRIPIER, Pierri; BOUSSARD, Valerie. Sociologie des professions. Paris: Armand Colin, 2011
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