anotações do Herbário
DOInstituto Superior de agronomia
PELOProf. JOÂO DE CARVALHO E VASCONCELLOS Do Instituto Superior de Agronomia
A série de notas (16-55) que a seguir publicamos são a continuação de outras que com o mesmo título figuram no volume anterior dos Anais e foram numeradas de 1 a 15.
Constituem sobretudo indicações de novas áreas, algumas correcções por difeiença de interpretação, poucas descrições de formas novas, um caso de referência a nomes vulgares, etc..
16 — Asplenium Hemionitis L. Asplenium palmatum Lam. (1786)
Esta espécie citada por Pereira Coutinho (1939), do Minho e Sintra, foi também herborizada em Mafra (Oliveira Simões, 1885 : LISI).
A designação empregada, tida como sinónima de A. palmatum Lam., é fundamentada no exemplar tipo de Lineu e por isso mantida por C. Chris- tensen no índex Filictim, embora a descrição lineana não lhe corresponda, como nota G. Sampaio (1931) *.
17 — Potamogeton gramineus L. var. heterophyllus Fries
Esta planta referida por Pereira Coutinho (1939), com o sinal de não a 1
1 Adições e correcções à flora portuguesa — Boi. Soc. Brot., VII (2.a série): 111168.
ter observado, como tendo sido encontrada na Pateira de Fermentelos, se gundo exemplares que nos foram remetidos para classificar, parece existir noutros pontos, Figueira da Foz: Lagoa da Vela (Cunha e Sousa, 1940: LIS1), e Cantanhede : Pateira da Taboeira (Nestor Mendes, 1940 : LIS1). Também nos foram enviados exemplares da Pateira de Fermentelos (Marques de Sousa,
1940 : LISI).
18 — Alopecurus myosuroides Huds. Alopecurus agres tis Lin.
Esta espécie, apenas citada do Minho, foi por nós herborizada em Lis boa na Tapada da Ajuda (J. Vasc., 1934 : LISI) e nos arredores de Leiria (J. Vasc., 1938 : LISI), locais onde possivelmente seria adventícia.
19 — Periballia minuta (L.) Asch. et Gr. 1
Esta espécie, apenas indicada por Pereira Coutinho (1939) com o nome de Molineria minuta (L.) Pari., do Minho, Estremadura e Alentejo, foi por nós herborizada na Região Duriense — Ciderma (J. Vasc., 1940 : LISI). 20 — Dactylis hispanica Roth
Deve ser considerada espécie independente da D. glomerata L. enâo uma subespécie desta, pois apresenta caracteristicas diferenciais que a individua- lisam, área geográfica diferente e possue qualidades ecológicas particulares. 21 — Glyceria fluitans (L.) R. Br. var. spicata (Guss.) for. variegata
Vasc. nova forma 1 2
Num lenteiro da Estação Agrária de Viseu encontrámos uma forma de folhas listradas de branco, da espécie e variedade indicadas (J. Vasc.,
1936 : LISI), a que demos a designação acima mencionada. 22 — Cyperus esculentus L. var. aureus (Ten.) Richt.
A espécie a que pertence esta planta foi apenas citada na Região litoral
1 W. Rothmaler et Pinto da Silva — Florae Lusitaniae emendationes — Agro
nomia lusitana, i (2): 236-254.
da Beira, Estremadura e Alentejo. Segundo Rothmaler e Pinto da Silva * todos exemplares por êles observados eram da variedade acima indicada. Her- borizámo-la em Odeceixe, S. Teotónio, Cabanitas (J. Vasc. e M. Torres,
1940 : LISI), portanto no Algarve.
23 — Heleocharis multicaulis Sm. for. vivipara (Dumortier) Vasc. nova combinação
Var. vivipara Willkomm et Lange (1870) — Prod. Fl. Hisp. 1 : 131 ; vivipara Rouy (1912) — Fl. de France 13 : 264.
Clavula multicaulis Dumortier var. vivipara Dumortier — Fl. Belga : 143. Apresenta esta forma o aspecto normal, apenas em lugar das Ilores se formam bolbilhos.
Foi esta forma herborizada em Pedras Rubras — Arredores do Porto (J. Vasc., 1941 : LISI). Os exemplares foram colhidos muito próximo de ou tros do Juticus supinus Moench. var. genuimis P. Cout., em que é conhecido o facto de por vezes aparecerem capítulos com o mesmo fenómeno, o que também aí se verificava.
24 — Carex longiseta Brot.
Esta espécie, citada apenas, na «Flora de Portugal» de P. Coutinho (2.a edição), da Beira, Estremadura e Alentejo, foi por nós herborizada em Ban- duge, Gaivosas — Região Duriense (1940 : LISI) na província de Trás-os-
Montes.
Também Pinto da Silva (1940) a cita de Miranda do Douro (Rothmaler et P. da Silva : LISE - 6129) 1 2.
25 — Triglochin Barrelieri Lois.3 T. bulbosa L.
Apenas citada por Pereira Coutinho (1939), com a designação de /’. bul bosa L., dos lugares arenosos e úmidos, marítimos ou subsalgados do Minho, Beira e Alentejo, foi também herborizada na Estremadura, Nazareth (Licínio Valença, 1928 : LISI).
1 Loc. cit..
2 A. R. Pinto da Silva — Notas soltas sòbre a ilora portuguesa — Agron. lusit,
2 (3) : 225-231.
26 — Elodea canadensis Michx. (1803)
Anacharis canadensis (Michx.) Planch. (1849)
Esta planta originária da América do Norte é hoje adventícia em Portu gal nas águas de vários rios, valas, lagoas e pantanos da Beira. Citada primei ramente das valas dos campos do Mondego por G. Sampaio (1908) *, parece daí ter-se espalhado para os outros locais e a sua área de distribuição, estudada por Taborda de Morais (1936)1 2, abrange uma vasta zona do litoral da Beira.
Rothmaler (1938)3 também se refere a ela, bem como Pereira Coutinho (1939), na 2.a edição da sua Flora.
Por exemplares que nos enviaram para classificar, tomamos conheci mento de alguns nomes vulgares por que é designada e que nos parece inte ressante registar :
Estrume novo 4 — Pateira de Fermentelos (Marques de Sousa, VII-1940 : : LISI)
Carrapeta — Lagoa da Barrinha (Cunha e Sousa, VII-1940 : LISI) Gorga ou carapinha — Lago de Ferro (Cunha e Sousa, VIII-1940 : LISI) Manjaricão — Lagoa da Vela (Cunha e Sousa, VIII-1940 : LISI) Escarpão — Vale do Monte, Lavariz (Cunha e Sousa, VIII-1940 : LISI). 27 — Aceras longibracteata (Biv.) Rchb. f. for. albiflora Vasc.5 nova
forma.
Entre plantas pertencentes ao tipo, que são frequentes na Tapada da Ajuda no local denominado Zambujal das Pedreiras e Alto da Casa Branca (J. Vasc., 1941 : LISI), encontrámos um exemplar de flores brancas em vez de rosado-purpureas e no resto perfeitamente semelhante ao tipo. Designamos esta forma, que é mais um caso de albinismo, por albiflora 5, supondo que ainda não tenha sido mencionada.
28 — Quercus pyrenaica Willd. Q. To\a Bosc.
Na Tapada da Ajuda existem alguns exemplares desta espécie, com o aspecto de espontaneidade, naturalmente vestígios de maior porção. Temos
1 Manual da flora portuguesa.
2 Notas sôbre a flora portuguesa — Boi. Soc. Brot., XI (2.a série), 153-168. 3 Species Novae vel Criticae Florae Lusitaniae—Boi. Soc. Bro/., XIII (2.® série)> 273-282.
1 Nome relacionado com o aproveitamento do moliço. 5 A typus perianthus albus differt.
também verificado a sua existência noutros pontos da Estremadura, mas os da Tapada merecem referência especial, por serem os que encontrámos mais ao sul. 29 — Polygonum orientale L.
Esta espécie, originária da índia e África austral, indicada como culti vada e às vezes subespontânea nas hortas nos arredores de Bragança, foi encontrada na Mata da Foja (E. Campos de Andrade, 1938 : LIS1), também como adventícia.
30 — Beta macrocarpa Guss. B. Bourgaei Coss.
Esta espécie, citada por Pereira Coutinho (1939), como tendo sido her- borizada só na Moita, foi por nós encontrada nas salinas do Lavradio (1935), onde colhemos sementes.
Rothmaler e Pinto da Silva (1939) ‘ encontraram-na também nos salga dos perto de Faro, a caminho de Olhão.
31 — Cryophytum crystallinum (L.) N. E. Br.{ Mesembryanthemum crystallinum L.
Esta espécie indicada na Flora de Portugal, de Pereira Coutinho (1939), como existindo em Troia e no Algarve, foi por nós encontrada na Moita (J. Vasc., 1935 : LIS1).
32 — Arenaria aggregata (L.) Lois. var. nana P. Cout.
Esta variedade, só citada por Pereira Coutinho (1939) das altitudes ele vadas da Serra da Estrela, foi também herborizada na Serra da Cabreira (Correia Mendes, 1928 : LISI). Taborda de Morais 1 2 refere-se ao seu apare cimento na Beira Litoral.
33 — Sinapis alba L.
Herborizámos esta planta próximo da Ciderina (J. Vasc., 1940 : L1S1),
1 Florae lusitaniae emendationes — Agrou, lusit., 1 (4) : 373-293.
quási na margeai do Douro. Está apenas citada do Centro e Sul do País, pelo que achamos interessante mencionar mais este local, pois no ponto em que se encontrava não devia ser proveniente de cultura, embora se trate de uma planta por vezes cultivada.
34 — Genista lusitanica L.
Esta espécie, vulgarmente designada cal dom ir a, que Pereira Coutinho (1939) cita das serras de Trás os-Montes, do Minho e da Estrêla, Guarda, Covilhã e Fundão e G. Sampaio', das montanhas altas do Norte, foi por nós herborizada próximo de Mèda (J. Vasc., 1940 : LISI).
35 — Cytisus pendulinus L. f. var. eriocarpus (Bss. et Keut.) P. Cout.
Esta variedade, citada de Trás-os-Montes e Minho ao Alentejo litoral como frequente, foi também encontrada na Serra de Serpa (Azevedo Gomes e Lúcio de Melo, 1929 : LISI).
36 — Coronilla repanda (Poir.) Bss. ssp. dura (Cav.) Perez-Lara Esta subespécie, citada por Pereira Coutinho (1939) dos terrenos monta nhosos de Trás-os-Montes, Beira transmontana e meridional e Alto Alentejo, foi também encontrada na Serra de Serpa (Azevedo Gomes e L. Mello,
1929 : LISI).
37 — Vicia serratifolia Jacq.
Pelas suas características e cariologia deve ser considerada espécie inde pendente da V. narbomnsis L.
38 — Lathyrus quadrimarginatus Bory et Chaub.
Esta espécie, apenas citada da Beira litoral, Estremadura, Alentejo litoral e Algarve, foi por nós herborizada em Eivas, Abreu, existindo portanto tam bém no Alto Alentejo (J. Vasc., 1936 : LISI). 1
39 — Oxalis cernua Tfaunb.
Esta planta está perfeitamente adaptada nos terrenos calcáreos de pH elevado, como temos verificado em diversas localidades, entre as quais na Tapada da Ajuda em local em que o valor de pH encontrado foi de 7,8; não lhe notámos, pois, a preferência que lhe atribue Taborda de Morais *.
40 — Oxalis variabilis Jacq. var. rubra Jacq.
Esta variedade, subespontànea entre nós, encontra-se também nas mesmas condições noutros locais, além dos arredores do Porto e da Figueira da Foz.
Assim foi herborizada na Chamusca-Carregueira (?, ? : LISI), Bussaco (? — 1889 : L1SI) e Guimarãis (Pacheco Miranda, 1939 : LIS1)1 2.
41 — Mercurialis tomentosa L.
Esta espécie, indicada por Pereira Coutinho (1939), das sebes, margens dos caminhos, pastagens sêcas do Douro, Beira meridional, Estremadura, Baixo Alentejo e Algarve, foi por nós herborizada em Barca d’Alva em ter renos atingidos ainda pelo rio, na margem direita (J. Vasc., 1940: LIS1). 42 — Euphorbia rupicola Bss. var. major Bss.
Tanto o tipo específico, como a variedade, apenas estão citadas do Mon- chique, mas num local próximo de Lagos, denominado Lontreira, nas mara- chas dum arrozal, encontrámos uma planta que nos parece ser da variedade acima indicada (J. Vasc. e M. Torres, 1940 : LISI), embora possua maior densidade de pubescência.
43 — Euphorbia Broteri Dav.
Esta espécie, indicada por Pereira Coutinho (1939), como existente nos incultos e montanhas de Trás-os-Montes e Beira meridional, encontra-se tam bém na região intermédia. Herborizámo-la na Serra da Marofa, entre Souro Pires e Ervas Tenras, concelho de Pinhel (J. Vasc., 1940 : LISI).
Devemos referir que G. Sampaio 3, considerando-a uma raça da E. bi- glandtdosa Desf., lhe atribuiu a distribuição: Trás-os-Montes à Beira Baixa.
1 Breves estudos na flora portuguesa — Anuário da Soc. tírot., 4 : 35 (1938). 2 Outros locais sâo mencionados por Pinto da Silva (1940) — Loc. cit. 3 Manual da Flora Portuguesa.
44 — Cistus albidus L.
Esta espécie, indicada das charnecas e colinas do Douro ao Algarve, foi por nós herborizada na encosta de Vilariça para Moncorvo (J. Vasc., 1940 : LISl), onde existia com frequência, assim como noutros locais de Trás os-Montes.
45 — Helianthemum retrofractum Pers.
Esta espécie, apenas citada do Algarve, foi herborizada na Tapada da Ajuda (F. Rodrigues, 1941 : LISl).
46 — Phillyrea latifolia L.
Citada apenas da Beira, Estremadura e Alentejo litoral, esta pequena ár vore encontra-se também na Serra de Serpa (Azevedo Gomes e L. Mello, 1929 : LISl).
47 — Convolvulus tricolor L. for. quinquepartita Vasc. nova forma
Com outras plantas da mesma espécie foi encontrada na Tapada da Ajuda (F. Rodrigues, 1939 : LISl), uma planta que nos foi trazida para o herbário com as seguintes características :
Corola profundamente quinquepartida com os segmentos sublineares e folhas mais estreitas do que o normal *.
Cremos tratar-se de uma forma nova e como tal a descrevemos, dife rente da que refere Bailey 2.
48 — Anchusa calcarea Bss. var. glabrescens Bss.
Esta planta, citada de vários pontos do Alentejo litoral, encontra-se tam bém na Trafaria (Pinto da Silva, 1939 : LISl), ainda na mesma região. 49 — Stachys lusitanica Hoffgg. et Link.
Deve ser considerada, pelas suas características e área geográfica, uma 1 A typus facile distincta : Corola quinquepartita, seginenti sublineari; folii an- gustiori.
espécie independente da 5. germanica L. e não uma subespécie, tal como Briquet a considerou.
50 — Antirrhinum Orontium L. var. calycinum (Lam.) Lge. Numa planta, desta variedade, observámos o fenómeno de pelória nalgu mas das flores. Assim a planta apresenta, além das flores normais zigomór- fas, algumas perfeitamente actinomórfas. O exemplar colhido na Tapada da Ajuda, juntamente com outras plantas destinadas a uma aula prática, está arquivado no nosso herbário (F. Rodrigues, 1941 : LIS1).
51 — Elatinoides lanígera (Desf.) P. Cout. var. genuína P. Cout. Kickxia lanígera (Desf.) Hand.-Mazz. segundo Rothmaler1 (1940) Apenas citada do Algarve, foi também encontrada perto de Vila Nova da Rainha-Queimado (J. Vasc. e M. Torres, 1940 : LISI).
52 — Lonicera ímplexa Ait.
Esta espécie, só citada do Centro e Sul, foi também encontrada numa encosta, a meio caminho, pouco mais ou menos, entre Barca d’Alva e Freixo de Espada à Cinta (A. Mendonça e J. Vasc., 1941 : LISI).
53 — Fedia cornucopiae (L.) Gaertn.
Só citada na Estremadura, Alentejo litoral e Algarve, esta planta foi tam bém encontrada nas proximidades de Eivas (J. Andrade Cabral, 1941 : LISI). 54 — Calendula lusitanica Bss. var. microcephala (Lge.) Mariz
Esta variedade, apenas citada dos arredores de Lisboa : Arruda, Mon santo e Alcantara, foi também encontrada em Runa, Arneiro, Louriceira (J. Gomes Pedro, 1939 : LISI).
55 — Helenium autumnale L.
Esta composta da subfamília das tubulifloras, da tribo das heleníeas,
subtribo das heleníinas, originária da América do Norte e por vezes cultivada como ornamental, é subespontânea ou adventícia na Tapada da Ajuda (F. Ro drigues, 1939 : LISI).
Segundo Fletcher e Taylor, in Bailey 1 (1933), o género Helenium apre senta as seguintes características :
«Ervas anuais ou vivazes, produzindo flores amarelas-desde o início do verão ao fim do outono ; sómente as perenes são cultivadas.
Caule erecto, usualmente ramificado no cimo, folhas alternas, estreita ou largamente lanceoladas, inteiras ou dentadas, dotadas de glândulas; freqiien" temente decurrentes no pecíolo e às vezes caules alados; capítulos solitários ou corimbosos, amarelos ou acastanhados; flores do disco, perfeitas, férteis, com as corolas tetra- a quinquedentadas ; flores da margem femininas ou estéreis com as lígulas cuneiformes tri- a quinquedentadas».
A espécie tem as seguintes características deferenciais ; Caule de 50 a 150 cm. de altura, ruguloso, folhoso ; fôlhas freqiientemente dentadas, gla- bras ; capítulos com 25 a 40 mm. de diâmetro, numerosos inseridos nas ex tremidades de ramòs muito folhosos e curtos ; lígulas pendentes tridentadas de amarelo-citrino a amarelo-vivo ; disco amarelo.