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Percepção das mães de uma comunidade virtual acerca do empoderamento materno nas consultas pediátricas

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS

SIMONE TENÓRIO DE CARVALHO CORDEIRO

PERCEPÇÃO DAS MÃES DE UMA COMUNIDADE VIRTUAL ACERCA

DO EMPODERAMENTO MATERNO NAS CONSULTAS PEDIÁTRICAS

CAMPINAS

201

(2)

SIMONE TENÓRIO DE CARVALHO CORDEIRO

PERCEPÇÃO

DAS

MÃES

DE

UMA

COMUNIDADE

VIRTUAL

ACERCA

DO

EMPODERAMENTO

MATERNO

NAS

CONSULTAS

PEDIÁTRICAS

Tese apresentada à faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas como parte dos requisitos exigidos para obtenção do título de Mestra em Ciências, na área de concentração Saúde da Criança e do Adolescente.

Orientador: Profor Dor José Martins Filho

ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DA DISSERTAÇÃO DEFENDIDA PELA ALUNA SIMONE TENÓRIO DE CARVALHO E ORIENTADA PELO PROF. DR. JOSÉ MARTINS FILHO

Assinatura do Orientador

CAMPINAS

2015

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Agência de fomento: Capes Nº processo: 3300301704

Ficha catalográfica

Universidade Estadual de Campinas Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas

Maristella Soares dos Santos - CRB 8/8402 Carvalho, Simone de, 1975-

C253p

Percepção das mães de uma comunidade virtual acerca do

empoderamento materno nas consultas pediátricas / Simone Tenório de Carvalho Cordeiro. – Campinas, SP : [s.n.], 2015.

Orientador: José Martins Filho.

Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Ciências Médicas.

1. Mulheres. 2.Pediatria. 3.Orientação infantil. I. Martins Filho, José,1943. II. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas. III. Título.

Informações para Biblioteca Digital

Título em outro idioma: Percepção das mães de uma comunidade virtual acerta do empoderamento materno nas consultas pediátricas

Palavras-chave em inglês: Women

Pediatrics Child guidance

Área de concentração: Pediatria Titulação: Mestra em Ciências Banca examinadora:

José Martins Filho [Orientador] Fernando Lefèvre

Roberto Teixeira Mendes Data de defesa: 31-08-2015

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(5)

DEDICATÓRIA

Para todos os que se sensibilizam com a visão humanista do Cuidado...

CMS

“Não existe um ver que não seja também um olhar nem um ouvir que não seja também um escutar e um modo como olhamos e escutamos é plasmado pelas nossas expectativas, pelas nossas posições e pelas nossas intenções".

Jerome Bruner

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AGRADECIMENTOS

À Deus, o autor da Vida. Ao Dr. José Martins, pelo incentivo e crença constante em minha vocação e ideais. Ao meu

mestre com carinho, toda a minha admiração e gratidão eternas. Ao meu tio Dr. Levi De Carvalho, meu grande mentor e incentivador. À minha amiga Grasielly Mariano, sem a qual, nada disto seria possível. “Há amigos mais

chegados que um irmão”, e você é uma delas, minha querida irmã. A todos os meus colegas e professores e à equipe de pós-graduação do CIPED, FCM e da PGSCA. Pela amizade, vivência, ensinamento e companheirismo, foi um prazer estar junto de vocês nestes anos. À singular banca de defesa, pela avaliação tão humanizada e única que este trabalho tanto

merecia. À todas as mães da AMS, todo meu amor e carinho por cada uma de vocês e seus bebês. Obrigada pela confiança. À minha família, aos meus filhos, por todo amor recebido, por compreenderem esta fase de

pesquisa e por serem os meus maiores incentivadores. Tudo é por vocês. Sempre.

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RESUMO

OBJETIVO: Analisar a percepção das orientações pediátricas pelas mães na ocasião do atendimento em consultórios particulares, visando conhecer de que maneira assimilam, processam e utilizam as informações recebidas do seu pediatra. Conceituar o termo empoderamento materno atribuído por este grupo de mães.

MÉTODOS: A coleta de dados foi realizada através de questionário enviado às participantes via e-mail. No total, 200 mães de uma comunidade virtual nas redes sociais participaram da pesquisa. As respostas foram transcritas através do método do Discurso do Sujeito Coletivo. As análises foram respaldadas na perspectiva qualitativa de pesquisa, sob a ótica da Teoria das Representações Sociais.

RESULTADOS: Obtiveram-se as seguintes categorias através da análise de dados: (1) avaliando

as orientações pediátricas, (2) confrontando teoria e prática e (3) desenvolvimento de um olhar crítico acerca das orientações pediátricas. Tais categorias elucidaram que o nível de conhecimento

de temas pediátricos por parte das mães e a sua capacidade de utilizá-los na tomada de decisões sobre os cuidados dos seus bebês, apresentaram uma relação direta entre seguir ou não as orientações do pediatra. Sobre os significados atribuídos pelas mães quanto à apropriação do seu empoderamento pessoal e o significado do termo para elas, surgiram as seguintes categorias: (1) A

apropriação do autopoder como facilitador nas relações pediátricas na visão materna e duas subcategorias;

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o empoderamento materno e sua contribuição na dinâmica mãe-pediatra; (3) a dinâmica das trocas de experiências práticas entre as mães do grupo de apoio fortalecem a aquisição do empoderamento materno e suas três subcategorias. Ademais, o conceito do

empoderamento materno e suas cinco subcategorias, resultaram em uma definição deste elemento figurativo, que tem como objetivo identifica-lo, nomeá-lo e distingui-lo, propondo um tipo de abordagem no apoio às mães como forma de dar condições para que possam, elas mesmas, construírem o seu empoderamento, sendo esta prática eficaz na qualidade do cuidado e da saúde infantil e na relação com o seu pediatra.

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CONCLUSÕES: Os apontamentos das mães mostram que a ação sobre a decisão pelo acompanhamento da saúde do seu bebê é diretamente proporcional à da qualidade do atendimento pediátrico quanto: (1) à certificação das recomendações atualizadas e comprovadas de acordo com os órgãos oficiais de saúde e (2) ao apoio e o reconhecimento por parte do pediatra do autopoder adquirido pela mãe. A prática do acesso ao conhecimento destas mães relativamente aos cuidados com o seu bebê, dificultam o acompanhamento pediátrico. Isto se deve ao fato de surgir a desconfiança no confronto entre as informações previamente adquiridas pela mãe e a orientação pediátrica recebida. Quanto maior o nível de empoderamento da mãe, maior é a necessidade de um atendimento baseado na partilha de saberes, no reconhecimento das percepções maternas e na segurança em seguir os seus próprios instintos maternos. Vale lembrar que a qualidade da saúde infantil está intimamente relacionada às decisões das mães em função das instruções pediátricas percebidas.

Palavras-Chave: Pediatra, Orientação da Criança, Mulheres

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ABSTRACT

OBJECTIVE: Analyze the perceptions of mothers in relation pediatric guidelines at the time of care in private practices, aiming to know how to assimilate, process and use the information oriented by your pediatrician. Conceptualize the empowerment maternal expiry assigned by this group of mothers.

METHODS: Data collection was conducted through a questionnaire sent to participants via e-mail. In total, 200 mothers who are members of an online group participated. The answers were transcribed by means of the “Collective Subject Discourse” Method. The qualitative analysis follows a Social Representation perspective.

RESULTS: The following discourse categories emerged from the data analysis: assessing pediatric guidelines, confronting theory and practice and developing a critical eye regarding the pediatric guidelines. These categories made it clear that the level of mothers’ knowledge regarding pediatric issues and their ability to use them in making decisions about the care of their babies had a direct impact on whether they followed the pediatrician's instructions. On the meanings attributed by the mothers of acquirement of their personal empowerment and the meaning of the term for them, the following categories emerged: the mother of ownership of their autopoder as a facilitator in pediatric relations on maternal vision and two sub-categories; maternal empowerment and their contribution to dynamic mother-pediatrician; the dynamics of exchange of practical experiences among mothers group support strengthening the acquisition of maternal empowerment and three sub-categories. And, the concept of maternal empowerment and their 5 subcategories, resulted in a definition of the figurative element, which is aiming to identify name and distinguish it, proposing an approach in supporting mother's as a way to possible conditions for can build their personal empowerment, which is effective practice in quality of care and child health and relationship with your pediatrician.

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CONCLUSIONS: The mothers’ decision on whether to follow their pediatricians’ recommendations regarding their babies’ care is dependent on two main factors: (a) the certification of the medical recommendations by government health authorities; (b) the pediatricians’ recognition and acceptance of the mothers’ self-empowerment in the process. The fact that these mothers have access to pediatric knowledge available online makes for a difficult relationship regarding their pediatricians’ recommendations. This was due to the fact emerge fear between the acquired information and the confrontation this informations at the time of pediatric orientation. The higher the mother's of empowerment level, the greater the need for pediatric care based on shared knowledge and care based on shared knowledge and recognition of maternal perceptions and their safety, following their own maternal instincts. Remembering that the quality of child health is closely related to the decisions of mothers according of the instructions received.

Keywords: Pediatrician, Child Guidance, Women

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – IAD1. Instrumento de Análise do Discurso 1. Programa Qualiquantisoft – Licença

Acadêmica,2015... 56

Figura 2 – IAD2. Instrumento de Análise do Discurso 1. Programa Qualiquantisoft – Licença

Acadêmica, 2015... 57

Figura 3 – O sentido das orientações pediátricas no momento da consulta no conceito do

empoderamento materno... 73

Figura 4 – Os sentidos do empoderamento pessoal no momento da consulta pediátrica... 82 Figura 5 – O conceito do empoderamento materno... 87 Figura 7– Etiquetas semânticas do sentido presente no discurso do empoderamento materno na

coletividade... 91

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Distribuição das 200 mães segundo a idade. Campinas, 2015... 62

Tabela 2 - Distribuição das 200 mães segundo rendimento familiar. Campinas, 2015... 62

Tabela 3 - Distribuição das 200 mães segundo a escolaridade. Campinas, 2015... 63

Tabela 4 - Distribuição segundo o local de atendimento pediátrico. Campinas, 2015... 64

Gráfico 1 - Distribuição segundo as expectativas das mães da orientação pediátrica no pós-parto. Campinas, 2015... 66

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AC – Ancoragem

AME – Aleitamento Materno Exclusivo DSC – Discurso do Sujeito Coletivo EC – Expressões Chaves

EM – Empoderamento Materno

IAD – Instrumento de Análise de Discurso IC – Ideia Central

OMS – Organização Mundial de Saúde

PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo RS – Representações Sociais

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ... 16

1.1. APRESENTAÇÃO ... 16

1.2. CONSIDERAÇÕES SOBRE MATERNAGEM ... 18

1.3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O EMPODERAMENTO ... 20

1.4. EMPODERAMENTO NA MATERNAGEM ... 23

1.5. EMPODERAMENTO E O MUNDO VIRTUAL ... 25

1.6. EMPODERAMENTO NA SAÚDE ... 27 2. PROPOSIÇÃO ... 34 3. MATERIAL E MÉTODOS ... 35 3.1. TIPO DE PESQUISA ... 35 3.2. LOCAL DA PESQUISA ... 35 3.3. PARTICIPANTES DO ESTUDO ... 37 3.4. COLETA DE DADOS ... 39 3.4.1. Procedimento ... 39

3.4.2. Técnicas e Instrumento de Coleta de Dados ... 40

3.4.3. Análise de Dados ... 42

3.4.4. Organização e Análise de Dados ... 44

3.4.5. O Discurso do Sujeito Coletivo ... 44

3.4.5.1. O Programa Qualiquantisoft – Licença Acadêmica ... 46

3.5.4.2. Como Utilizar o Programa ... 47

3.4.6. AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ... 51

3.5. ASPECTOS ÉTICOS ... 54

4. RESULTADOS ... 55

4.1. APRESENTAÇÃO DAS MÃES DO ESTUDO ... 55

4.1.1. Dados de Identificação da População Estudada ... 55

4.1.2. História Materna ... 57

4.1.3. História do Atendimento Pediátrico ... 59

4.2. ANÁLISE QUALITATIVA I ... 61

4.2.1. O DSC das 200 respostas qualitativas do Instrumento de Pesquisa .... 61

4.3. ANÁLISE QUALITATIVA II ... 67

4.3.1. Entrevistas com 40 mães ... 67

4.4. ANÁLISE QUALITATIVA III ... 77

4.4.1. O Conceito do Empoderamento Materno ... 77

4.5. ANÁLISE QUALITATIVA IV ... 82

4.5.1. Marcas discursivas do empoderamento materno ... 82

5. DISCUSSÃO ... 83

6. CONCLUSÃO ... 89

(15)

8. APÊNDICE A ... 101 9. APÊNDICE B ... 102 10. APÊNDICE C ... 105 11. APÊNDICE D ... 107 12. APÊNDICE E ... 109

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1. INTRODUÇÃO

1.1. APRESENTAÇÃO

O tema maternidade permeia a minha vida desta a infância. Meu desejo era me tornar pediatra para que eu pudesse, um dia, cuidar de crianças. Decidi pela faculdade de Pedagogia, instigada pela curiosidade em saber mais sobre o desenvolvimento infantil: como acontece e quais são os fatores que influem positivamente na formação da criança nos seus primeiros anos de vida. Por experiência prática e oportunidades de observações durante os estágios da graduação em berçários e escolas de educação infantil, decidi dedicar-me a investigar as minhas inquietações; era evidente – para mim, pelo menos – que existia um sofrimento por parte da mãe e do bebê na separação precoce no final da licença maternidade, e na decisão da terceirização do seu cuidado.

Ingressei, depois, na pós-graduação na PUC/SP na área de Psicologia da Educação, aprofundando assim os meus conhecimentos sobre as principais teorias do desenvolvimento infantil. Até este momento, não havia encontrado uma linha de investigação que fosse ao encontro do meu objeto de pesquisa. Em 2014, ingressei no mestrado na Unicamp a convite do Dr. José Martins Filho, com o propósito de trabalhar nesta linha de pesquisa, o qual considerou que poderia contribuir positivamente para as pesquisas do Centro de Investigação em Pediatria da Faculdades de Ciências Médicas (FCM).

Através da minha experiência com a maternidade e especialmente com a doação de leite materno no ano de 2009, na rede social Facebook, decidi criar um grupo virtual para atrair mães potencialmente doadoras na tentativa de formar uma rede virtual nacional, com orientações e informações sobre a importância da doação e o abastecimento dos Bancos de Leite Humano (BLH). A intenção era, de alguma forma, contribuir com o aumento o número de doações em todo o Brasil através de informação e sensibilização do tema nas redes sociais. Assim, nasceu a comunidade intitulada “Aleitamento Materno Solidário” (organização sem fins lucrativos).

Esta comunidade virtual passou a atrair milhares de mães em busca de auxílio, apoio e orientação sobre o aleitamento materno, e o objetivo de captar mães doadoras nas redes sociais se tornou secundário. O grupo, além de compartilhar todo tipo de informações sobre o processo e a importância da doação de leite materno, começou a trabalhar de forma voluntária e educacional,

(17)

com o ensino e apoio a estas mães, em função desta demanda. O objetivo da comunidade era o de disponibilizar o acesso ao máximo de informações baseadas em estudos científicos, artigos publicados e orientações oficiais sobre a saúde materno-infantil compondo um banco de dados de fácil acesso e auxílio às mães no primeiro contato com o grupo. A interação virtual incluía filtrar as diversas orientações disponíveis na Internet e refinar ao máximo o processo de busca, na tentativa de atender às necessidades iniciais de apoio e orientação no pós-parto, desta maneira facilitando o acesso das mães às informações mais confiáveis relativas ao tema em pauta.

Esta decisão se deu pela constatação do expressivo número de mães que acessavam a Internet todos os dias em busca de algum auxílio principalmente pela necessidade de encontrar um grupo de mães com as quais pudessem se identificar e compartilhar suas vivências, dúvidas, medos e angústias. Decidimos então ampliar os objetivos e propósitos da comunidade, que passou a se chamar “Apoio Materno Solidário”.

As mães, em geral, fazem uso constante da Internet em busca de conhecimentos sobre a maternidade e os cuidados do seu bebê. De forma recorrente, elas trazem diariamente para a comunidade suas vivências com o pediatra, descrevendo suas percepções sobre este atendimento e buscando opiniões de outras mães, na tentativa de confrontar e validar tudo aquilo que ouviram deste profissional. Passam então a discutir tais processos, abrindo espaço para uma ampla troca de ideias, saberes e opiniões, formando uma rede de empoderamento próprio entre elas – trocam experiências, refletem sobre suas vivências e validam as orientações recebidas dos pediatras. São mães cada vez mais conhecedoras dos processos de cuidado, saúde e nutrição dos seus bebês e que usufruem do fácil acesso à Internet como fonte de conhecimento e aprimoramento, principalmente durante o tempo da licença maternidade.

Diante da riqueza de dados obtidos pelos depoimentos das mães, juntamente com o meu orientador, decidimos iniciar a pesquisa tendo como base este grupo de mães nas redes sociais. Conhecer o comportamento de empoderamento entre essas mães é essencial para compreender porque, cada vez mais, as mães têm utilizado as redes sociais para partilharem suas percepções, vivências e saberes sobre a maternidade e o atendimento pediátrico.

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1.2. CONSIDERAÇÕES SOBRE MATERNAGEM

Segundo Martins Filho (2014a) o termo maternar é quase um neologismo, uma palavra ainda pouco usada em nossa sociedade, mas que possui um profundo significado na vida das pessoas, pois os adultos são o resultado da infância que tiveram e basicamente de uma mulher que lhes dedicou cuidado, nutrição e atenção. Baseado em sua experiência pessoal de mais de 40 anos em pediatria, aliados à função de neonatologista da Unicamp e da Maternidade Campinas, o professor Martins dá-se conta que a ausência de orientação adequada no pré-natal sobre o que significa ter um filho e sobre a mudança real de hábitos e atitudes a partir do nascimento de um bebê, tem feito toda a diferença nos primeiros momentos do pós-parto na vida de uma mulher.

No momento da decisão de tornar-se mãe, uma compreensão limitada da dimensão e da realidade de trazer um filho ao mundo permeia os seus pensamentos e decisões. Correia(1998) evidencia que a maternidade é vista como um processo sócio histórico dinâmico, que está muito além de ser um acontecimento meramente biológico. Nas diversas culturas em que as mulheres estão inseridas, a compreensão da maternidade difere e é dependente das interpretações, vivências e saberes locais. Sobretudo no contexto ocidental, mais especificamente na América do Sul – de onde parte este estudo –, a gravidez da mulher é vista como um acontecimento especial, esperado e desejado por toda a família.

Em nossa sociedade, a mulher grávida, é vista como “doente”, necessitada de cuidados médicos frequentes, desde a concepção até o nascimento do bebê. Como consequência, e de certa forma automaticamente, este comportamento produz na mulher grávida uma falta de confiança em si própria no que diz respeito aos seus processos maternos, o que lhes dificulta protagonizar a gestação, o parto, a amamentação e os cuidados do seu bebê.

Naturalmente, família, sociedade e profissionais de saúde compõem uma rede de orientação para esta nova mãe que a influenciarão diretamente nesta nova dinâmica existencial. Para Arakagi (2011), o apoio familiar é fundamental para superar as dificuldades advindas deste primeiro contato com a maternidade; geralmente, a mãe se sente insatisfeita com o enfraquecimento deste apoio social.

(19)

A historiadora Elizabeth Badinter(1980) afirma que é neste momento da concepção que surge a ideia do amor materno e através deste amor, a criança passa a ser objeto privilegiado de sua mãe; toda atenção, cuidado e doação pessoal devem ser doadas integralmente ao novo ser, o que implica, muitas vezes, em abnegação, sacrifício e ideal de vida da mãe em nome da qualidade de vida do seu bebê. Já o conceito do instinto materno, na obra de Badinter, refere-se a que, “mesmo reconhecendo que as atitudes maternas não pertencem ao domínio do instinto, continua-se a pensar que o amor da mãe pelo filho é tão forte e quase geral(...)” que ainda se conservam as ilusões sobre ele (BADINTER, 1980, p. 21). As mães atribuem constantemente ao instinto materno o impulso interior que dá sentido à necessidade de doação e amor incondicional por este ser gerado e agora totalmente dependente dos seus cuidados, esforços e atenção.

Para Badinter (1980, p.19), ainda, “O amor materno foi por tanto tempo concebido em termos de instinto que acreditamos facilmente que tal comportamento seja parte da natureza da mulher, seja qual for o tempo ou o meio que a cercam. Aos nossos olhos, toda mulher, ao se tornar mãe, encontra em si mesma todas as respostas à sua nova condição”. Este é um discurso que ainda ecoa em nosso meio, onde muitas mulheres definem o instinto materno como uma condição de plenitude em razão de maternar, sendo capazes de se reconhecerem como a figura mais qualificada e preparada pela natureza para tal função.

Por um lado, a mesma sociedade que espera esta ação de dedicação exclusiva da mãe, por outro, cobra dela o esforço constante da conquista da sua emancipação como mulher. Entende-se que há uma nova mulher, mas que Entende-se mantém sob as velhas repreEntende-sentações sociais, que Entende-se constituem em pressões culturais do mito da “mãe perfeita” (AZEVEDO, 2006). Para Martins Filho (2007), há a impressão de que as avós atuais esqueceram de ensinar às filhas a importância da arte milenar da maternagem, outrora transmitida de geração para geração, desde o estímulo do parto natural até a amamentação bem-sucedida.

A depressão no pós-parto é um dos fatores que mais contribuem para a falta de confiança da mãe em nutrir o seu bebê através da amamentação e em relação aos seus cuidados iniciais. Figueiredo et al (2013) indicam que, embora a amamentação seja capaz de fornecer condições hormonais por atenuar a resposta do cortisol ao stress, ainda há ausência de evidências empíricas sobre os benefícios psicológicos do ato de amamentar para a saúde da mãe. Indicam, ainda, que para o grupo de 1/5 das mulheres que ficaram deprimidas durante a gestação, onde o

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maior score foi encontrado em mulheres no meio da gestação, metade destas mulheres não deram continuidade à amamentação por três meses ou mais. Nesse estudo é apontada a auto eficácia da mãe como condição contrária à depressão, tendo um papel favorável na melhoria destes índices. Para Martins Filho (2014a) o sentimento de desassossego, tristeza e medo da mãe em cuidar e amamentar seu bebê nem sempre é compreendido pela família, em especial o parceiro, que em linhas gerais, não está acostumado com este sentimento nunca apresentado em outros períodos de sua vida. Esta sensação de debilidade se reflete principalmente em situações nas quais os hospitais e as maternidades não dispõem de equipes e pessoal sensibilizados, onde o papel de apoio do pediatra passa a ser fundamental.

A sensibilidade da mãe em relação ao seu bebê é influenciada por fatores sociocognitivos afetivos. Com base na avaliação da mesma escala, estudando o impacto da depressão pós-parto e disponibilidade emocional materna, Fonseca (2010) observa que a qualidade do apoio dos profissionais da saúde no acompanhamento e orientação da nutriz – onde a mãe é mais amparada afetivamente e materialmente por um ambiente social de apoio – resulta em atitudes compreensivas dela para com o seu bebê.

A maternidade pode ser definida como a coletividade de pessoas que desejam personificar o amor incondicional ao novo ser gerado. A mãe não é mãe sozinha – ela é uma “mãe social”. Sua maternidade engloba o desejo vivenciado por sua família, amigos, companheiro e filhos. O desejo da comunidade reflete-se no seu interesse de gerar seus “filhos sociais”.

1.3. CONSIDERAÇÕES SOBRE O EMPODERAMENTO

É importante iniciar a revisão de literatura desta pesquisa com base na busca pelo termo “empowerment of woman” (empoderamento da mulher) com o objetivo de investigar o quadro atual do tema central deste trabalho. Para entender a prática do empoderamento e sua atuação no exercício materno, é preciso primeiro compreender o grau de apoio que uma mãe recebe no decorrer deste processo e, principalmente, a visão da mãe acerca do apoio recebido.

Neste contexto, o empoderamento pode ser entendido como a conquista da mulher relativamente ao seu auto-fortalecimento. Para Kleba (2009) o empoderamento significa o aumento da autonomia que pode acontecer nas esferas individual e coletiva, por meio do qual os

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indivíduos tornam-se capazes de empoderar a si mesmos, adquirindo autodeterminação para administrarem suas próprias vidas. Por outro lado, o empoderamento psicológico ocorre quando o indivíduo vivencia ou experimenta o empoderamento em situações de exiguidade, desenvolvendo novas habilidades para o fortalecimento de suas competências individuais. No nível grupal, o empoderamento é capaz de desenvolver o sentido de confiança de seus participantes através do acesso a fontes de informação relevantes, contribuindo para o fortalecimento do sentimento de pertencimento.

Já no campo da educação, Pachaiyappan (2014) defende o empoderamento como um processo multidimensional que permite às mulheres a construção plena de poderes em todas as esferas de suas vidas. Em recente artigo, o empoderamento está diretamente ligado ao conceito de que as mulheres são agentes de mudança, pois quando se educa a menina, também se educa uma família e, consequentemente, uma sociedade. Através do processo de reflexão crítica coletiva, as mulheres tornam-se capazes de reexaminar suas vidas. Pachaiyappan sugere quatro níveis de capacitação para o empoderamento: (1) Pré-Capacitação; (2) Capacitação Intrapessoal (nível micro); (3) Capacitação Interpessoal (nível médio) e (4) Capacitação Institucional (nível macro). No nível 3, as mulheres tornam-se capazes de reforçar o seu nível de empoderamento. O estudo de Grown (2015) pactua deste conceito.

Hawks (1992) elege o conceito do pragmatismo para uma definição do empoderamento. Para Hawks, o empoderamento acontece entre a pessoa que dá o poder e a que está habilitada para exercê-lo. Refere-se a um processo interpessoal onde o indivíduo utiliza ferramentas do próprio ambiente para se desenvolver, numa construção constante de sua capacidade pessoal para o desempenho eficaz em seus processos comportamentais e tomada de decisões e que pressupõe certo envolvimento no processo de aprendizagem. A autora considera que o processo de empoderamento se concentra no desenvolvimento progressivo de pessoas e não de um método para controlar pessoas; o êxito desta capacitação depende daqueles que detêm o poder e compartilham estes saberes, resultando em um propósito comum, onde todos se beneficiariam. Em resumo, para Hawks, o empoderamento tem como objetivo formar um bom cidadão, um indivíduo intelectualmente reflexivo, amoroso e ético, promovendo oportunidades e recursos para compreender e transformar positivamente o mundo.

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Para Kabeer (1999), a ideia do empoderamento é semelhante aos conceitos metafísicos, capazes de interferir no concreto e no mundo. Afirma que: “Pensar sobre o empoderamento é a capacidade de fazer escolhas” (KABEER, 1999, p. 436). Há uma tendência generalizada na literatura a respeito da quantificação do termo empoderamento, pelo que os recursos financeiros significam a grande possibilidade das mulheres se tornarem empoderadas, detendo assim, o poder econômico de suas famílias. O empoderamento e sua aplicação hoje no comportamento destas mulheres, é a prova de que sempre desempenharam um importante papel na tomada de decisões no passado e que agora desejam retomar este lugar, reconhece Kabeer.

Em seu estudo, na análise de mulheres de oito países, os indicadores de empoderamento não são todos semelhantes em termos metodológicos, em que se faz necessária a criação de uma quantificação dos indicadores do empoderamento para uma correta avaliação, pois a incapacidade de uma abordagem meramente estatística teria implicações conceituais. Para a autora, há três categorias que demonstram evidências diretas de empoderamento. São elas: a emancipação feminina (igualdade no casamento e autonomia financeira), as fontes de capacitação (auto sustento) e os indicadores de definições (estrutura familiar passível de empoderamento).

Ainda sobre a ideia da criação de indicadores para medir o empoderamento, Wilkinson

et al (2014) criaram uma ferramenta para medir o empoderamento pessoal. Em seu estudo,

afirmam que são necessárias mais pesquisas para determinar o impacto dos níveis de capacitação pessoal no que diz respeito aos cuidados de saúde. Os indicadores sugeridos no estudo, referem-se à criação de uma ferramenta capaz de medir o empoderamento pessoal do paciente e suas percepções em relação à sua saúde. Tais indicadores seriam úteis para avaliar os impactos dos níveis da capacitação pessoal do paciente em detrimento do seu acesso aos serviços de saúde e conhecimento prévio. Esta ferramenta foi construída a partir da dinâmica de grupos focais, através de uma pesquisa quantitativa individual para medir os níveis de capacitação e conhecimento dos pacientes do estudo. A conclusão é que é necessário concentrar esforços no que diz respeito à educação e capacitação de futuros estudos sobre a mensuração dos benefícios do empoderamento pessoal, o que chamam de “modelo ecológico do comportamento em saúde” (WILKINSON, 2014, p. 2). O paper sinaliza a necessidade de uma abordagem estatística na mensuração dos indicadores do empoderamento baseados principalmente nos conceitos envolvidos nesta dinâmica. Outra análise de medidas de empoderamento, no estudo de Small et al (2013), conclui que, embora

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existam diversas medidas, nenhuma delas foi capaz de avaliar, a longo prazo, os efeitos do apoio no contexto de cuidados primários e que poderiam ser analisados nos seguintes encadeamentos: comunicação com profissionais de saúde, sentimento de controle, auto eficácia, habilidades de enfrentamento e capacidade de alcançar mudanças.

Em resumo, o fortalecimento da mãe através do empoderamento tanto pelos grupos de apoio como pelos profissionais de saúde, pode vir a ser uma ação a se considerar sobre a ideia de uma erradicação do sentimento de impotência da mulher neste momento da sua vivência materna.

1.4. EMPODERAMENTO NA MATERNAGEM

Cherly e Gibson (1995) investigaram o processo de capacitação de mães que receberam apoio durante o tratamento de doença de seus filhos. A capacitação foi compreendida como um processo social de reconhecimento e reforço da habilidade das pessoas de resolver seus próprios problemas e mobilizar recursos em detrimentos de suas próprias necessidades, assumindo o controle de suas vidas. Qualificaram quatro componentes do empoderamento em seu estudo: (1) descoberta da realidade, (2) reflexão crítica, (3) assumindo o comando e (4) “fixação em”. Segundo esses autores, isto significa que os processos intrapessoais e interpessoais estão interligados e que tais processos desenvolvem a confiança das mães em fazerem suas vozes ouvidas. No entanto, quando elas se frustram com o feedback negativo do profissional de saúde e até de familiares com relação ao cuidado do seu filho, as mães tendem a involuírem no seu processo de empoderamento pessoal.

Cherly e Gibson igualmente apontam que a frustração com o sistema de saúde é experienciado quando as mães percebem que os seus modos habituais de cuidados não foram considerados eficazes, na visão delas, pelos profissionais de saúde. A evolução do empoderamento levou as mães a administrarem as suas respostas emocionais controlando o stress e conservando a energia necessária para a qualidade do cuidado do bebê. As mães advogam por seus filhos porque entendem que estes são indivíduos dependentes delas em relação ao cuidado e à necessidade de falarem em nome deles, uma vez que são incapazes de fazê-lo – isto porque as mães respondem emocionalmente, cognitivamente e comportamentalmente às orientações recebidas. Nas respostas

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emocionais, as mães envolvidas afetivamente com o seu bebê geralmente assumem a responsabilidade por sua própria saúde e a do seu bebê.

No relato das mães, muitas encontraram no ambiente hierárquico do consultório médico, a dificuldade de exercerem plenamente a sensação de poder sobre a vida do seu próprio filho, em que protocolo médico se tornou primordial no atendimento. Afirmam Cherly e Gibson que “só as mães são capazes de descobrirem características únicas de sua criança através do cuidado” (CHERLY, 1995, p. 1203). As mães queriam, na verdade, o reconhecimento e respeito de suas opiniões sobre a saúde de seus filhos e experimentaram uma sensação real de serem compreendidas através das trocas com outras mães. Os autores concluem que as mães são a força motriz para movimentar constantemente as percepções do profissional de saúde porque sabem com profundidade muitas vezes, o que é melhor para os seus filhos.

Sobre a autonomia materna, Carlson et al (2014)argumentam que a baixa autonomia materna produz consequências para si e para toda a família, sendo definida por diferentes conceitos na literatura tanto do controle da mulher como da influência sobre suas escolhas, para explicar o poder social da mulher – definido muitas vezes como um processo e não uma simples estatística. O termo empoderamento comumente é definido de forma ampla, explicando também o que seria a autonomia feminina. Os autores concluem que a prática do controle materno sobre as decisões do cuidado do seu bebê foi determinante para a melhoria da saúde dos seus filhos, quando as mulheres são capazes de exercer o seu poder de decisão sobre a assistência à saúde dos seus filhos. O estudo de Santos (2014) confirma esta constatação.

Investigando a interface do empoderamento materno na avaliação da rotina de trabalho da mãe, no estudo de Cunningham et al (2014), um dos objetivos era o de sintetizar as evidências do empoderamento de mulheres relacionando-o ao estado nutricional da criança do Sul da Ásia. Os resultados são complexos, uma vez que o trabalho assalariado pode, por um lado, aumentar o autocontrole financeiro da mulher, mas encontrou-se uma variável negativa em relação à volta ao trabalho da mãe em relação ao tempo do cuidado materno e problemas de saúde do bebê, especificamente na faixa etária de seis a doze meses, principalmente para as mães que trabalham para pagar para alguém cuidar de seus filhos. Na conclusão, apontam para a importância da autonomia materna das mães com carga horária de trabalho mais flexíveis e redes de apoio social mais fortalecidas. Martins Filho (2011), em sua visão pediátrica, afirma que muitas mulheres ainda

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desejam cuidar dos seus filhos até pelos menos os dois anos de idade, pela angústia da separação precoce de seus bebês no pouco tempo da licença maternidade que dispõem.

As mães, neste contexto, buscam definir e redefinir os seus papéis em uma constante compreensão sobre os cuidados específicos do seu bebê através da construção da sua autonomia individual. Tal processo, especificamente nos grupos virtuais, tem sido cada vez mais evidenciado através da tomada de decisão das mães, pois elas estão cada vez mais conscientes dos saberes sobre o desenvolvimento infantil, se aprofundam e buscam conhecimento científico e estão, continuamente, questionando a prática profissional que, muitas vezes, não condiz com o confronto destes saberes adquiridos (Morais, 2010).

A consciência crítica da mãe, conceito desenvolvido na apropriação do empoderamento, é exemplificado no estudo de Miranda (2007), sobre a decisão da mãe de optar ou não por seguir as orientações do profissional de saúde e a sua ação sobre os rumos dos cuidados do seu bebê. A mãe empoderada tende a seguir suas próprias convicções: ouve a orientação profissional, mas é capaz de aceitá-la ou não. A vontade da mãe é soberana (DE CARVALHO, 2014) inclusive sobre este bebê que está sob os seus cuidados e interferir nesta vontade seja talvez o maior desafio dos profissionais de saúde.

1.5. EMPODERAMENTO E O MUNDO VIRTUAL

No quesito da relação entre o empoderamento e o mundo virtual, Lefèvre e Lefèvre (2007) discorrem a apropriação do conhecimento dos indivíduos com base no acesso a informações infinitas encontradas no ambiente virtual, ao qual atribuem a aquisição dos saberes adquiridos, e nesta análise, definem a diferença entre informação e conhecimento. Para os autores, os profissionais de saúde detêm o conhecimento especializado, mas, no avanço da conquista dos indivíduos pela difusão de informações na Internet, esta ação vem empoderando cada vez mais os pacientes, ao mesmo tempo em que também afeta a relação discrepante da atuação entre o profissional e o paciente.

A possível estabilização desta realidade, é sugerida pelos autores no que eles chamam de formação triangular entre: a capacidade de participação do paciente, a capacidade para o

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compartilhamento do poder do médico e o acesso à informação de ambos os sujeitos, o que resultaria na potencialização, conceito definido nesta triangulação. Portanto, na melhoria da comunicação entre eles, esta assimetria seria reduzida em razão da apropriação do autopoder do paciente, considerado o elo mais vulnerável desta relação. Para os autores, a Internet, se usada adequadamente, representa um poderoso instrumento empoderador, argumentando que os indivíduos podem assumir o papel de um competente gerenciador vivencial do seu corpo, tendo acesso a todo tipo de conhecimento e informações que sirvam para este propósito específico, hipótese confirmada também no estudo de Ruth (2015). Johnson (2011), por seu lado, afirma que o resultado deste acesso livre à Internet, no que diz respeito aos assuntos de saúde e a liberdade de interpretação e tomada de decisões, tem contribuído para um possível risco de abandono dos serviços de saúde por parte dos pacientes, sejam eles públicos ou privados.

No estudo sobre o uso de mensagens de texto como facilitadoras da promoção ao aleitamento exclusivo, Gallegos (2014) aponta que este recurso funciona como suporte personalizado na capacitação de mulheres para resolver ativamente as questões relativas ao aleitamento materno e formas adicionais de apoio, além de representar uma ferramenta de baixo custo para a melhoria e o cuidado da saúde. Essas tecnologias estão sendo cada vez mais utilizadas para a ampliação e o gerenciamento de conexões e relacionamentos com especialistas e leigos nos mais diversos assuntos, impactando o empoderamento das mulheres como uma nova ferramenta de enfrentamento e apoio.

Sobre a discussão entre estar informado e ser detentor do conhecimento, o estudo de Lefèvre (2007) revela que, efetivamente, o paciente tem acesso à informação, mas sempre haverá uma barreira intransponível entre o conhecimento do (a) paciente e o médico, pois, por mais informado que esteja, ainda é necessária uma formação específica nessa área. Wentzer (2013) conclui, na sua análise do empoderamento em rede, que existem posições opostas no que diz respeito à conformidade do atendimento médico pelo paciente, e que, em um nível coletivo, o empoderamento em grupo incentivaria os usuários a cumprirem as recomendações médicas.

A experiência pessoal e o tempo de contato com o bebê ainda são a área da supremacia materna e o embate entre esta autonomia e a ação apropriadora do conhecimento médico pode vir a ser modificada pelo empoderamento adquirido por estas mães.

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1.6. EMPODERAMENTO NA SAÚDE

O conceito de empoderamento surge na área da saúde no lançamento da Carta de Ottawa (WHO, 1996), quando se definiu que a promoção em saúde resultaria num processo dinâmico pelos qual os pacientes são capacitados para um maior controle da sua própria saúde, mobilizando recursos pessoais e sociais, que vão para além da área da saúde, sendo capazes de alcançar todos os âmbitos de vida de um indivíduo.

O empoderamento na área da saúde tem sido cada vez mais visto pelos seus profissionais como uma ferramenta de apoio nos processos de autocuidado e autocontrole da saúde por parte dos pacientes. Do ponto de vista técnico, os profissionais (Lefèvre, 2004), se esforçam para proporcionar um efeito positivo em seus pacientes, a partir da premissa de que este precisa também ser empoderado. Já segundo Small et al (2013), o empoderamento pode resultar numa redefinição dos papéis nas relações entre médico-paciente, relacionados, entre outros fatores, a ações do apoio social e auto estima do paciente. Nas definições de sentimentos de controle, auto eficácia, habilidade e enfrentamento na capacidade de alcançar a mudança pretendida, os pacientes são capazes de demonstrar o seu self-empowerment em estratégias pessoais para manter o controle e a possibilidade de alterar suas preferências ao longo do processo de acompanhamento. Como resultado, os pacientes que perceberam estar no controle das situações de sua vida sentiram a necessidade de partilhar suas experiências pessoais com outras pessoas. O empoderamento, portanto, pode resultar em numa redefinição dos papéis e das relações entre profissionais de saúde e pacientes, segundo os pesquisadores.

No estudo de Carvalho (2004) o termo empowerment é uma expressão ambígua; diversas interpretações sobre este tema na literatura exigem um embasamento teórico cada vez mais consistente, principalmente no campo da saúde (CARVALHO, 2004, p.1090). Destaca-se no estudo de Simoes (2013) a importância da avaliação do médico sobre qual informação é importante para o paciente, a partir de suas relações familiares, o que aponta para a exiguidade de informações claras, principalmente a no sentido de o paciente ter consciência do seu direito de escolha sobre como conduzir e lidar com as diversas informações recebidas. A motivação à autodeterminação dos pacientes pelos profissionais de saúde, para os autores, seria um fator determinante para a eficácia das decisões pessoais da mulher e a sua necessidade de segurança em relação a estas

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decisões. Afirmam, ainda, que o empoderamento exige uma competência social maior do que as competências médicas e científicas tradicionais.

Na revisão integrativa de Souza et al (2013), os autores compreendem que toda estratégia de empoderamento é também uma estratégia de saúde, mas nem toda estratégia de saúde é empoderadora. A liberdade de escolha e a aquisição de informações na área da saúde atribuem uma percepção psicológica do empoderamento como um sentimento maior de controle sobre suas próprias vidas, reduzindo o desequilíbrio das relações de poder entre profissionais de saúde e pacientes. Para os autores, a estratégia do empoderamento na perspectiva do desenvolvimento da autonomia dos pacientes, tem efeitos positivos sobre a saúde do paciente e reduzir a possível atribuição de parcialidade no atendimento. Encontramos a mesma ideia no estudo de Vasconcelos (2013). Já no estudo de Carvalho (2007), a conquista do empoderamento social com vistas à superação da desigualdade de poder entre médico e paciente é possível através da possibilidade de exercer poder não só sobre os outros, mas também com os outros.

A análise de pacientes empoderados e os resultados positivos em tratamentos mais eficientes é tema bastante discutido nas pesquisas relacionadas à área da saúde. Ainda se ressente a ausência de uma teoria bem articulada que defina o empoderamento de pacientes. Aujoulat et al (2007) afirmam que a impotência tem sido reconhecida como um fator determinante no surgimento dos problemas de saúde, ao passo que o fortalecimento do paciente tem demonstrado melhorias significativas neste quesito. Discutem a importância de alocar tempo para que os pacientes tomem suas próprias decisões. Para eles, a relevância da autogestão está no resultado do processo da autonomia do paciente em relação aos seus próprios objetivos e as estratégias próprias que os levarão a alcançá-los. A postura do profissional de saúde deve:

 Demonstrar interesse em uma posição de não julgamento frente ao paciente;

 Dar atenção às prioridades e preocupações do paciente, através de uma escuta ativa seguido de um diálogo auto reflexivo;

 Reconhecer a autonomia do paciente;

 Oferecer informação individualizada, quando for necessária;

 Permitir a auto-expressão do paciente e oferecer-lhe apoio emocional;

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Concluem Aujoulat et al que o empoderamento na saúde requer que os seus profissionais reconheçam que apenas os pacientes são capazes de identificar em que áreas de suas vidas necessitam de opções diversas de cuidado e até onde são capazes de decidir sobre a autogestão da doença, com resultados significativos em suas vidas.

Já Rodwell(1996), discute até onde essa autonomia do paciente é realmente exercida. Define a autonomia como uma parceria que valoriza ambas as partes, é capaz de sugerir escolhas baseadas na liberdade e responsabilidades que condizem com a prática de saúde num processo constante de partilha de saberes, com vistas a alcançar os objetivos desejados pelos sujeitos desta dinâmica. A possível definição de empoderamento neste estudo contempla que: 1) é um processo de ajuda; 2) é uma parceria que valoriza todos os participantes; 3) é uma tomada mútua de decisões através de oportunidades e autoridade, e 4) consiste na liberdade de escolha em aceitar responsabilidades. As decisões, portanto, são tomadas em conjunto por médico e paciente, uma vez que o médico não pode capacitá-lo integralmente, pois esta capacitação só acontece através da escolha e decisão do paciente. A capacitação, porém, pode ocorrer de maneiras diferentes e produzir relações diversas de poder, resultando ainda em possibilidades diversas da promoção da saúde (Spencer, 2014; Anderson, 2010).

Para Rizvi (2014), há uma forte ligação entre a autonomia das mulheres, o uso dos seus direitos e o seu estado de saúde. É o que ele chama de “gênero sensível de abordagem”, baseado na autonomia materna da saúde do seu bebê, pois há uma escassez de informações disponíveis a respeito de suas competências e responsabilidades como mãe e o seu poder de decisão nesta interface.

Na pesquisa de Barimani et al (2013), os resultados indicam a ausência de continuidade de apoio à mãe no pós-parto por parte dos profissionais de saúde. Os autores reconhecem as limitações do estudo no que diz respeito à subjetividade da pergunta: ‘Como foi o apoio social para você? ’, uma vez que este conceito pode incluir diversos aspectos do cuidado no pós-parto. Os autores concluem indicando a necessidade de uma estruturação das visitas de acompanhamento, para que o apoio à nutriz seja satisfatório e reduza o recurso aos serviços emergenciais de saúde. Relatam, ainda, que um dos resultados mais expressivos do estudo foi a baixa satisfação das mães em relação ao apoio dos profissionais de saúde, do qual tinham grandes

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expectativas. O estudo de Cunningham et al (2014) também reforça esta percepção e um conceito similar.

A escala de apoio social conhecida como MOS (Medical Outcomes Study) desenvolvida por Herbourne & Stewart (1991) avalia a qualidade do apoio a pacientes com doenças crônicas. Chor et al (2001) traduziram e testaram a validade da EAS (Escala de Apoio Social) como um importante instrumento para avaliar a influência do apoio social, argumentado que sua confiabilidade depende ainda de novas avaliações em profundidade; apesar disto, acreditam que o apoio poderia reforçar a sensação de controle do paciente sobre a própria vida, resultando em aspectos positivos na sua saúde. Outro estudo que desenvolveu uma ferramenta para validar o grau de empoderamento de um indivíduo face à validação do autocontrole é o de Darviri et al (2014), no que se conhece como Healthy Lifetyle and Personal Controle

Questionnaire (HLPCQ). Também, o estudo de Azcurra (2014), a partir da Healthy Empowerment Scale (HES), possui conjunto de coeficientes capazes de validar programas médicos educativos

baseados no empoderamento de pacientes do sistema de saúde na Argentina. Estes são exemplos da importância de instrumentos de validação para reforçar a ideia do apoio profissional com base no empoderamento do paciente.

A expressão ‘cuidar com empatia’ na medicina é considerada como um núcleo de habilidade de comunicação ensinável, de acordo com o estudo de Bonvicini (2009). Na sua pesquisa, cento e sessenta médicos foram recrutados durante o período de 11 meses, num total de 1800 interações gravadas em áudio da fala dos médicos com os seus pacientes. A empatia médica é essencial para o cuidado centrado no paciente, pelo que a sua ausência resulta em fracasso por parte dos pacientes em expressar preocupações e problemas importantes, confirmando que a frequente interrupção no diálogo é um fator negativo no acompanhamento profissional aos indivíduos em questão. Tais estudos têm demonstrado que os médicos têm reconhecido uma lacuna na comunicação, especificamente na gestão das reações comportamentais e emocionais dos seus pacientes.

O envolvimento com um programa de educação abrangente em relação ao aconselhamento e escuta sensível do paciente pode resultar numa mudança positiva na expressão de empatia até seis meses depois da participação no programa. Em um recente estudo brasileiro de Schweller (2014), a empatia médica foi avaliada em 247 estudantes de medicina da Unicamp,

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com o uso da Jefferson Scale of Physician Empathy (JSPE), confirmando que este tipo de atividade pode influenciar novos médicos a se tornarem mais compreensivos e compassivos com seus pacientes.

A importância da escuta sensível na área da enfermagem é discutida por Camillo (2012), que a considera como fundamental na compreensão da complexidade humana e para uma assistência significativa no campo da saúde. Para escutar, é necessário haver doação, e o estudo ressalta que em nossa cultura, o falar é muito mais valorizado do que o escutar, e comumente habitua-se interromper, sob qualquer pretexto, a pessoa que está falando.

Ressalta Camillo que a fixação em nossas próprias ideias é o principal motivo de resistência em escutar o outro. Nos resultados obtidos na pesquisa, os pacientes reconhecem que a equipe de enfermagem trabalha com um número reduzido de profissionais e isto acaba influenciando na falta de tempo deste profissional em exercer uma escuta sensível do paciente. Discutem que a ausência de acolhimento, ou do exercício da escuta sensível, pode conduzir ao abandono do atendimento (CAMILLO, 2012, p.554). O mesmo se aplica para o atendimento pediátrico, em que os profissionais trabalham com um número crescente de consultas diárias. Para Martins Filho (2011), o pediatra é massificado por um atendimento baseado na produtividade, e que não lhe deixa tempo hábil para conversar com a cuidadora, que para ele, faz parte integral da consulta pediátrica.

Para Barbier (2002), a escuta sensível se estriba na empatia. Não é uma rotulagem social, pois todos somos influenciados por esquemas de percepções, representações e ações com as quais nos deparamos cotidianamente. Através do apoio à mãe e uma escuta sensível por parte dos profissionais de saúde, pode-se concluir que o empoderamento materno é uma ferramenta importante para que a mãe exerça a sua maternidade atenta à sua vivência diária na observação e cuidado do seu bebê. Ninguém melhor do que ela conhece profundamente o seu bebê, o que se passa com ele e suas peculiaridades. A mãe é, portanto, uma observadora assídua e fundamental como figura de apoio para a qualidade do atendimento dispensando pelo pediatra.

O pediatra, por sua vez, pode atuar através da prática do empoderamento, transmitindo à nutriz uma atitude de apoio e compreensão e não de julgamento; assim, demonstrar estar atento às prioridades e preocupações e à conquista da autonomia pelas mães, permitindo especialmente que elas expressem suas emoções e dando-lhe apoio emocional quando se fizer necessário. Quando

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este profissional é capaz de facilitar o tempo requerido pela paciente na tomada de decisões, ele estará contribuindo para a auto-representação diante do seu dilema de saúde. O empoderamento implica que “os profissionais têm de desaprender a estar no controle” (AUJOULAT et al, 2007, p. 17).

A importância do empoderamento na área da saúde se faz necessária também para uma estratégia de redução de riscos de doenças na primeira infância, e para a mãe puérpera no período de licença-maternidade, em situações como a depressão pós-parto, o desmame precoce e a terceirização dos cuidados do seu bebê (Martins Filho, 2011). O pediatra necessita ser culturalmente sensível para compreender quem é essa mãe, o seu contexto social e familiar, além de perceber qual é a sua ideia de maternidade, pois, através deste conhecimento prévio, será possível conquistar um atendimento adequado embasado na empatia. A partilha mútua de saberes, experiências e conhecimentos entre o pediatra e a mãe tem o potencial podem proporcionar um acompanhamento e avaliação satisfatórios desde que esta comunicação seja eficaz (ANDRADE, 2002).

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1.7 DEFINIÇÃO E PROPÓSITO

Podemos definimos o empoderamento materno, portanto, como o autopoder da mulher em relação à sua maternidade, incluindo a tomada de decisões no autogerenciamento da saúde materno-infantil.

A importância do empoderamento materno como comportamento que proporciona às mães o autodomínio sobre as decisões relativas à saúde do seu bebê, constitui o objetivo deste trabalho.

O presente estudo trata de compreender a dinâmica das relações entre mãe e pediatra na medida em que podem contribuir para a eficácia da comunicação entre estes dois sujeitos que buscam, como propósito comum, a melhoria na qualidade do atendimento materno-infantil, identificando os elementos subjetivos e objetivos presentes na construção do conceito da maternidade e percepção destas mães.

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2. PROPOSIÇÃO

O presente estudo tem como objetivo geral:

 Compreender a percepção de mulheres participantes de um grupo virtual de apoio à maternidade acerca do empoderamento materno no âmbito do relacionamento entre mães e o profissional de saúde, especialmente nos seus desdobramentos relativos aos cuidados da saúde da nutriz e do seu bebê.

Os objetivos específicos, derivados deste objetivo principal são os seguintes:

 Descrever a prática do empoderamento materno adquirido pelas mães;

 Situar a dinâmica do empoderamento em relação ao atendimento pediátrico;

Identificar os principais elementos subjetivos e objetivos presentes na construção e percepção das mães acerca do empoderamento materno.

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3. MATERIAL E MÉTODOS

3.1. TIPO DE PESQUISA

O presente estudo é resultado de uma pesquisa realizada em duas dimensões, qualitativa e quantitativa, do tipo exploratório descritivo, que pretende interpretar os discursos das mães participantes de um grupo virtual de apoio à maternidade no tocante à sua percepção do atendimento pediátrico e a consequente tomada de decisões quanto à saúde do seu bebê, caracterizando o tipo de comportamento que se define como empoderamento materno (EM).

A decisão em pesquisar este grupo de mães, especificamente, se deu pela possibilidade de (1) compreender a ação do EM através das vivências e saberes partilhados pelas mães nas redes sociais, buscando (2) entender a dinâmica desse aprendizado individual e coletivo e a formulação das hipóteses das mães sobre o EM.

A comunidade virtual analisada funciona há cinco anos na forma de grupos de apoio que atuam diariamente orientando e compartilhando saberes e experiências com milhares de mães através da internet. O objetivo dessa comunidade é o auto-fortalecimento materno em rede. Essas mães, depois de serem orientadas pelas moderadoras dos grupos, passam elas mesmas a apoiar outras mães, em um trabalho constante de empoderamento materno mútuo. A riqueza e variedade desta rede de compartilhamento virtual permite compreender a dinâmica dessa relação e seus desdobramentos práticos na vida das mães e, consequentemente, dos seus bebês, atendendo aos objetivos desta pesquisa.

3.2. LOCAL DA PESQUISA

A pesquisa foi realizada por meio da Internet no âmbito da Comunidade de Mães ‘Apoio Materno Solidário – AMS Brasil’ uma rede virtual de apoio à maternidade através de grupos de compartilhamento, para troca privada de informações. Trata-se de uma comunidade heterogênea de mulheres de vários estados brasileiros e mães brasileiras que se encontram espalhadas pelo mundo. A comunidade virtual foi fundada no mês de dezembro de 2009 e tem como objetivo o apoio à maternidade o empoderamento materno e o acolhimento da mulher;

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abrange a maternidade e a primeira infância em vários segmentos com o propósito de orientação às mães no pós-parto.

A comunidade é composta de cinco grupos ativos que têm o objetivo de instruir e apoiar as mães sobre os seguintes temas: amamentação, introdução alimentar, volta ao trabalho, maternidade e empoderamento materno.

A proposta de cada grupo abrange os seguintes aspectos:

1. Amamentação e doação de leite materno: Orientar, apoiar e ensinar através de textos com embasamento científico, a orientação no pós-parto, a amamentação e a doação de leite materno;

2. Introdução alimentar: Orientar e ensinar através de textos com embasamento científico, proporcionar vivências e trocas entre as mães sobre esta fase na vida dos bebês;

3. Volta ao trabalho: Apoiar e orientar as mães sobre o processo da separação precoce do bebê e as leis que protegem a mãe trabalhadora, retirada e armazenamento de leite materno, adaptação dos bebês em berçários e seus cuidadores e a troca de experiências entre as mães; 4. Maternidade: Orientação geral sobre cuidados e todo o universo materno que envolve a

criança até por volta dos 6 anos de idade (primeira infância). São abordados diversos assuntos sobre o tema compartilhados artigos selecionados com embasamento científico; 5. Empoderamento materno: Trata-se de um grupo de moderadoras que trabalham de forma voluntária na comunidade. Discute-se diariamente sobre toda a estrutura, processos e artigos que embasam o trabalho da comunidade como um todo e sobre a prática em si do empoderamento materno em todos os grupos.

A razão principal que leva as mães a buscarem a comunidade, em linhas gerais, é a vivência de alguma dificuldade no pós-parto, em especial com o momento da amamentação. A comunidade acompanha esta mãe na dinâmica diária do envolvimento e cuidado do seu bebê. Geralmente, a mãe participa dos grupos virtuais de acordo com as suas necessidades e permanece como membro dos grupos, acompanhando as publicações diárias e participando ativamente da

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vida da comunidade, através de debates, apoiando outras mães e compartilhando suas experiências pessoais relativas aos seus processos maternos.

A relevância do trabalho da comunidade virtual foi reconhecida pelo Prêmio Acolher Natura de 2011 e pelo Prêmio Cláudia em 2013 como ação social de mobilização de pessoas de grande relevância em apoio à maternidade.

Em cinco anos de atividades, a comunidade virtual alcançou milhares de mulheres dentro e fora do Brasil devido à facilidade de acesso através da Internet. As mães participantes geralmente estão em suas casas, cuidando dos seus bebês; vendo-se na impossibilidade de se deslocar de suas residências em razão do pós-parto, fazem uso dos grupos virtuais em buscar de solucionar problemas iniciais com a amamentação. Da mesma forma, diversos profissionais da saúde se envolvem com a comunidade, cedendo o seu tempo e conhecimentos de forma voluntária: pediatras, enfermeiras, fonoaudiólogas, psicólogas, nutricionistas, biólogas, jornalistas, odontólogas, terapeutas, docentes, entre outros.

A orientação geral dada às mães é a de buscarem sempre avaliação presencial com estes profissionais e avaliação no atendimento gratuito nos Bancos de Leite do Brasil no que diz respeito aos problemas iniciais com a amamentação. Todos os grupos são protegidos pela privacidade da rede social; as mães participam por adesão voluntária e prévia aprovação das moderadoras de cada grupo, principalmente para resguardar a exposição de suas ideias, questionamentos e publicações pessoais.

3.3. PARTICIPANTES DO ESTUDO

A população do estudo compreende as mães que fazem parte da comunidade virtual, com idades entre 18 e 45 anos, residentes no Brasil e no exterior, com domínio da língua portuguesa. Estima-se que a comunidade virtual alcança cerca de 50 mil mulheres. Dentre as mulheres, participam também profissionais de saúde e familiares. O perfil destas mulheres que fazem parte da comunidade é o de mães de baixa classe média, média classe média, alta classe média, baixa classe alta e alta classe alta, que geralmente estão vivenciando o momento do nascimento de seus filhos:

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- Mães em vários estados brasileiros;

- Mães brasileiras em várias partes do mundo.

As mães foram selecionadas na comunidade virtual do Facebook a partir de uma enquete, criada nos seis grupos correspondentes. Todas receberam em seu e-mail um alerta da enquete no grupo gerado pelo próprio sistema da rede social, que automaticamente envia a notificação, além as que o visualizaram através do acesso virtual aos grupos (APÊNDICE A). As mães responderam na própria enquete o aceite para participar da pesquisa, com as alternativas Sim,

Não e Talvez; o foi solicitado, mediante a confirmação da mãe, o endereço do seu e-mail via

mensagem privada, individualmente. As mães do grupo foram selecionadas dentro do grupo de apoio nas redes sociais e aceitação livre para a participação das entrevistas gravadas.

Assim que as mães enviaram o seu endereço eletrônico, receberam um e-mail explicativo de todo o processo da pesquisa através da carta de anuência detalhando os procedimentos da pesquisa com as seguintes orientações:

(1) Ler a Carta de Anuência concordando com a livre participação neste estudo, retornando o e-mail resposta à pesquisadora;

(2) Responder o questionário (APÊNDICE B) e enviá-lo junto à carta preenchida;

(3) Preencher e Assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido com o nome completo, local e data (APÊNDICE C) e

(4) Enviar a resposta no e-mail: ‘Desejo participar da entrevista individual via Skype’. O envio do e-mail configurou o aceite de participação da pesquisa e entrevista gravada, para as mães que assim desejassem; uma cópia foi enviada às participantes com a assinatura da pesquisadora. O prazo de recebimento do documento de participação foi inicialmente limitado a 15 dias e depois prorrogado por mais 7 dias, para as mães que não respondessem ao e-mail convite no prazo estipulado.

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Com o retorno do e-mail com o Termo de Consentimento, o questionário devidamente preenchido e o aceite das mães para a entrevista via Skype, a pesquisa foi iniciada. Foram selecionadas as mulheres que tiveram ou têm vivência com a prática do empoderamento materno por critério de participação e envolvimento efetivo com a comunidade virtual, para possibilitar alcançar o máximo de fidedignidade e detalhes dos relatos e respostas das mães. Não houve ônus para as participantes do estudo por ser tratar do uso gratuito de ferramentas em ambiente virtual. Critérios de inclusão. Foram incluídas (1) mães que foram orientadas pela comunidade virtual onde participam ou participaram ativamente das discussões dos grupos, (2) que falam fluentemente o português, (3) que utilizam o atendimento pediátrico brasileiro (público ou particular) e (4) que têm um endereço eletrônico válido (e-mail), além de ter acesso à Internet através de computadores ou dispositivos móveis (celulares, notebooks ou tablets). Os critérios de exclusão foram: mulheres que não falam fluentemente o português, com idade inferior a 18 anos, que não participam ativamente dos grupos sociais e que utilizaram atendimento pediátrico em outros países.

3.4. COLETA DE DADOS

3.4.1. Procedimento

A primeira etapa foi o convite formal das mães através de enquete previamente elaborada pela ferramenta da rede social Facebook. A segunda etapa foi a coleta dos questionários respondidos pelas mães via e-mail para caracterização da população pesquisada e para a análise quantitativa do estudo (APÊNDICE D). O prazo para responder ao questionário foi de 15 dias, para que a pesquisadora tivesse tempo hábil e processar todas as informações recebidas. Dos 350 e-mails enviados, retornaram exatamente 200 e-e-mails devidamente respondidos e assinados, sendo que 40 mães aceitaram participar da entrevista gravada com a pesquisadora via Skype, enviando o endereço pessoal desta ferramenta utilizada para a entrevista. Das 150 mães restantes, 26 mães se recusaram a participar do estudo e 124 mães não retornaram o e-mail. Todas foram contatadas uma segunda vez após 7 dias úteis, sendo que, depois de 15 dias úteis, foram comunicadas via alerta eletrônico da ferramenta Google Calendar e o prazo para recebimento do e-mail foi encerrado.

Referências

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